quarta-feira, 27 de abril de 2011

Top 10 - Filmes de Super-Heróis Mais Importantes para o Cinema

Para elaborar esta lista, eu revirei a internet do avesso. Procurei arquivos nas minhas revistas, livros e em artigos da história cinematográfica recente. Parece que é um assunto bobo? Pois não é não. Os filmes baseados em histórias em quadrinhos levantaram a moral do cinema nos últimos anos. Houve quem já tivesse decretado o fim das salas, com a queda dos espectadores. Esse filão, que ressurgiu no início do século XXI, provou as histórias dos super-heróis podem ser profundas e tão humanas quanto qualquer drama, romance ou comédia, mesmo que sejam personagens com características imaginárias, como voar, atirar laser pelos olhos, entre outras. Aproveitando o lançamento de “Thor” (e de “X-Men”, “Lanterna Verde” e “Capitão América” em 2011), criei a lista dos filmes de super-heróis mais importantes para a indústria.

Leiam-se MAIS IMPORTANTES! Não necessariamente os melhores. Listas de melhores filmes de super-heróis estão espalhadas por aí e são quase sempre as mesmas (“O Cavaleiro das Trevas” encabeçando todas elas!). Os filmes listados abaixo tiveram alguma importância significativa e ajudaram a “Thor” ganhar confiança e sair do papel. Sejam eles bons ou ruins, entraram para a história.

10 Watchmen (2009)

De Zack Snyder. Com Patrick Wilson, Jeffrey Dean Morgan, Malin Akerman.

Alan Moore é considerado o papa dos quadrinhos. Logo, sua obra prima, “Watchmen”, é a bíblia dos quadrinhos, a HQ definitiva, ou como queiram chamar. Na versão cinematográfica, dirigida por Zack Snyder, são quase 3 horas de ação para colocar na telona um calhamaço histórico em detalhes que permearam o cotidiano nerd por duas décadas. Para quem leu, o filme tem falhas (assim como para quem não leu), mas a visão de Snyder para a obra o confirmou como diretor visionário e deu força para outras graphic novels saírem do papel, como “The Spirit”, “The Loosers” e “Scott Pilgrim Vs. The World”.

+ "Watchmen” levou mais de dez anos para sair da gaveta, por ser considerado infilmável. Já teve nomes como Terry Gilliam, Darren Aronofsky, Paul Greengrass e Michael Bay envolvidos até que Snyder apareceu com “300” e solucionou o problema. Alan Moore, como é de praxe, detestou o filme.

9 Blade, o Caçador de Vampiros (1998)

De Stephen Norrington. Com Wesley Snipes, Stephen Dorff e Kris Kristofferson.

Dentro do universo Marvel, Blade nem é tão importante assim. Porém, na recente história do boom dos quadrinhos nas telas, “Blade – O Caçador de Vampiros” é considerada a primeira tentativa de sucesso de colocar uma trama decente de um super-herói da Marvel no cinema contemporâneo. O filme fez sucesso inclusive entre as pessoas que desconheciam Blade ou sua vertente heroica. Sorte de Wesley Snipes, que deu certa guinada na carreira neste período, deixando personagens brucutus para encarnar alguém da cultura pop-nerd.

+Blade gerou duas sequências: “Blade 2” em 2002, que foi dirigido por um então desconhecido Guillermo Del Toro, dando abertura para que ele fizesse “Hellboy” a seguir; e “Blade: Trinity”, que fecha a trilogia manchando tudo o que de decente tinha sido feito até então.

8 Superman – O Filme (1978)

De Richard Donner. Com Christopher Reeves, Marlon Brando, Margot Kidder e Gene Hackman.

Não é por acaso que o Superman é um símbolo máximo dos Estados Unidos. Criado em 1938, o personagem manteve a mesma força quando o filme de 1978 foi lançado, despertando admiração generalizada. Imagine você, no fim da década de 1970, como era fazer um homem voar! Em comparação com os filmes de hoje, os efeitos são radicalmente toscos, mas a história é tão fiel e foi tão bem contada, que mesmo quem assiste hoje não se deixa ser levado por esse aspecto. “Superman – O Filme” consagrou Christopher Reeve, deixou Marlon Brando mais rico e foi indicado a 3 Oscars, incluindo Trilha Sonora composta por John Williams. Aliás, você sabe qual a música-tema do Superman, né? Ela é exclusiva do filme de 1978, mas vale basicamente pra qualquer versão.

+O filme ganhou um Oscar especial pelos efeitos especiais. Na época, não existia a categoria por, virtualmente, inexistirem filmes tão bem versados em efeitos especiais. O filme tem três sequências diretas: Superman II - A Aventura Continua (1980), Superman III(1983), Superman IV - Em Busca da Paz (1987); e uma indireta: Superman – O Retorno (2006).

7 Batman (1989)

De Tim Burton. Com Michael Keaton e Jack Nicholson.

Você pode chiar hoje comparando os filmes de Tim Burton e Christopher Nolan, mas até o lançamento de “Batman Begins” ninguém discordava da maestria que foi “Batman” para a época. Foi simplesmente um exemplo nato do termo ‘blockbuster’, um filme com produção milionária, cujo objetivo é arrecadar mais dinheiro ainda, seja com ingressos, seja com produtos licenciados. O visual dark pitoresco, característica de Tim Burton, foi uma inspiração direta dos quadrinhos para uma Gotham melancólica e sombria. O Coringa caricato de Jack Nicholson foi um dos personagens mais icônicos do cinema até ser destituído pelo Coringa de Heath Ledger. Não importa se fizeram um filme melhor, neste caso o que importa é o contexto. E “Batman” está para a década de 1980 como Romeu está para Julieta.

+Jack Nicholson inovou no contrato e pediu uma participação nos lucros do filme e produtos licenciados. Não poderia ter se dado melhor. O filme custou US$ 35 milhões (valor modesto pros dias de hoje) e arrecadou mais de US$ 250 milhões só nos Estados Unidos.·.

6 Batman Begins (2005)

De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Morgan Freeman, Michael Caine e Liam Neeson.

Apesar de tudo o que eu disse aí em cima, é inegável o que Christopher Nolan fez pela franquia Batman. O personagem é talvez o mais querido do universo DC Comics, exatamente por não ter poder especial nenhum. Em “Batman Begins”, Nolan foi ao começo da história de Bruce Wayne para desvendar todo o trauma que o acompanha até a vida adulta e que o transforma no justiceiro de Gotham City. Também nada de toques pitorescos, burlescos ou sombrios demais. Se o Batman é um cara comum, Gotham City e seus moradores também têm que ser. Foi assim, humanizando o personagem, regra fundamental para filmes do gênero, que “Batman Begins” arrebatou o coração dos fãs. A modernização sem perda da fidelidade à história é um marco dentre os filmes baseados em personagens da DC. O longa não tem qualquer ligação com nenhum filme já feito sobre o personagem.

+O papel do novo Batman foi disputado por mais de 15 atores, entre eles Cillian Murphy, que acabou ficando com o papel de Espantalho. George Clooney, no entanto, foi dispensado pela Warner, mesmo tendo assinado contrato para dois filmes como Batman.

5 Homem-Aranha (2002)

De Sam Raimi. Com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco e Willem Dafoe.

“Homem-Aranha” sempre será associado como o filme que deu asas à fidelização dos quadrinhos. Quando Sam Raimi levou às telas um Peter Parker humanizado, um garoto comum como qualquer outro, ganhou todos os fãs do Cabeça de Teia. Centralizado no início da história, contando tudo desde o início, introduzindo o personagem, “Homem-Aranha” criou uma espécie de padrão para os roteiros que viriam depois. O filme virou um fenômeno e garantiu duas sequências. “Homem-Aranha 2” foi um sucesso ainda maior, levando para o cinema uma das melhores tramas do herói, a parte do conflito interno. A escolha de Alfred Molina como Dr. Octopus também foi um acerto que contribuiu para o sucesso. Já a pauliceia desvairada de “Homem-Aranha 3” gerou críticas por parte dos fãs, devido ao grande número de tramas paralelas e múltiplos vilões.

+Para salvar a franquia, a Sony anunciou um reboot na história para 2012, levando Peter Parker de volta ao colegial. Andrew Garfield e Emma Stone estão na nova versão, que será dirigida por Marc Webb, de “(500) Dias Com Ela”.

4 Homem de Ferro (2008)

De Jon Favreau. Com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges.

O mundo ignorava o Homem de Ferro. Afinal, com tantos super-heróis com poderes extraordinários, um homem comum e rico com uma armadura não chamava atenção. A Marvel não pensava assim e escolheu o herói para iniciar seus trabalhos com a Marvel Filmes. “Homem de Ferro” foi um sucesso tão estrondoso quanto inesperado. Não só estabeleceu a Marvel como toda poderosa como levantou a carreira de Robert Downey Jr. e fez o Homem de Ferro, até então um coadjuvante, virar um protagonista de mão cheia. A partir deste longa, a Marvel Filmes decidiu tomar conta dos personagens Marvel e assim vários personagens deste universo tão vasto irão ganhar vida: Thor e Capitão América este ano, culminando com Os Vingadores ano que vem, além de possíveis reinvenções de Demolidor e Quarteto Fantástico.

+A Marvel progrediu tanto com o lançamento de “Homem de Ferro” que atraiu os olhares de ninguém menos do que a Disney. Em 2009, a empresa comprou a Marvel por US$ 4 bilhões, o que dá à Disney o controle de mais de cinco mil personagens!

3 X-Men (2000)

De Bryan Singer. Com Patrick Stewart, Ian McKellen e Hugh Jackman.

Se “Blade” tinha sido a tentativa, “X-Men” foi o grande acerto. O carisma com os personagens mor da Marvel deu aval para um zilhão de produções sobre super-heróis. A Sony ficou doida e produziu “Homem-Aranha”, a Universal lançou “Hulk” e a Fox tratou de fazer outro “X-Men”. O boom comercial estava lançado. Os personagens viraram ícones de todo mundo, fizeram a cultura nerd ingressar na cultura pop e transformou Hugh Jackman em um eterno Wolverine. A sequência, “X-Men 2”, é bem melhor e mais bem produzida. Já o terceiro filme é desprezível. Não é à toa que esse ano terá uma redenção da besteira com “X-Men: Primeira Classe”.

+Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes e produtor de “House”, abandonou o terceiro filme para alçar voos mais altos: dirigir o “Batman Begins” do Homem de Aço em “Superman – O Retorno”. Não deu certo pra ninguém e ele lamentou muito depois.

2 Batman e Robin (1997)

De Joel Schumacher. Com George Clooney, Chris O’Donnel, Arnold Schwarzenegger.

Aí você me pergunta, “’Batman e Robin’ em segundo lugar? Aquele lixo?”. Sim, aquele lixo. E não fui eu que disse não! Em 2009, o todo poderoso da Marvel, Kevin Feige, alegou que esse talvez tenha sido o filme mais importante do gênero! Aí vão as palavras dele, que não me deixam mentir: “Esse pode ter sido o mais importante filme baseado em quadrinhos da história. Ele era tão ruim, mas tão ruim que isso fez com que fosse necessária a demanda por novas maneiras de se fazer um filme assim. O filme criou a oportunidade de fazer ‘X-Men’ e ‘Homem-Aranha’, adaptações que respeitaram a fonte original”, disse Feige. Ou seja: era tão ruim que serviu de parâmetro para o que não fazer!

+ A besteira feita foi tão grande que o diretor Joel Schumacher veio a público pedir desculpas aos fãs de Batman pelo filme. George Clooney nem sequer menciona o trabalho. Também pudera: o filme parece um desenho animado, tem Uma Thurman e Schwarzenegger no estágio mais louco de uso do Prozac e o clássico bat-cartão de crédito!

1 Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008)

De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Aaron Eckhart, Heath Ledger, Morgan Freeman, Michael Caine, Maggie Gylenhaal.

O Batman apareceu nesta lista algumas vezes. Só isso exemplifica a importância do personagem para o cinema, os quadrinhos, para a cultura pop em geral. E o que Nolan fez pelos filmes foi algo fora do normal. Em “O Cavaleiro das Trevas”, Nolan entregou um filme baseado em HQ que calou a boca da crítica, até então reticente quanto a filmes do gênero. Foi a partir deste filme que quem ainda não gostava do Batman passou a gostar. Roteiristas começaram a correr atrás do prejuízo e um novo padrão estava formado. “O Cavaleiro das Trevas” é basicamente um manual sobre como fazer um filme destes: roteiro bem escrito e amarrado, fidelização com a HQ, bom senso, ótima direção, interpretação e comprometimento com a história. Foi com o Coringa que Heath Ledger ganhou seu Oscar póstumo e virou uma lenda. Mas este é apenas um ótimo personagem do filme. Nem a saída de Katie Holmes e a entrada de Maggie Gylenhaal incomodaram – foi até melhor! O filme foi considerado o melhor de 2008, um dos melhores da história e Christopher Nolan virou o gênio definitivo do cinema no século XXI. Quer mais importância que isso?

+ A ausência de “O Cavaleiro das Trevas” para Melhor Filme no Oscar 2009 fez muita gente reclamar horrores. Para que “injustiças” como essa não fossem mais cometidas, a Academia mudou as regras e passou a abrir dez vagas para a categoria Melhor Filme. Mas aí já era tarde...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Quando um ator se entrega demais a um papel...


Quando um ator se entrega demais a um papel, fica muito visível na tela a sua dedicação, pois ela transcende qualquer personagem que o mesmo ator já tenha feito antes na telona. Essa semana, uma declaração da Natalie Portman respondeu uma pergunta que há muito tempo estava na minha cabeça. A mulher acabou de ganhar um Oscar pelo seu papel mais profundo, a Nina de “Cisne Negro” e duas semanas depois me aparece ao lado de Ashton Kutcher fazendo “Sexo Sem Compromisso”, literalmente! Pois não é que ela deu uma explicação?

Segundo declaração da atriz ao tabloide britânico The Sun, ela aceitou participar de filmes como “Thor”, o inédito “Your Highness” e o já citado “Sexo Sem Compromisso” – filmes mais leves, psicologicamente – para evitar um colapso nervoso devido à sua personagem em “Cisne Negro”. Dá pra imaginar a cena: se nós, espectadores, nos contorcemos de nervoso na cadeira do cinema, imagina a própria Natalie que estava afogada nas emoções da personagem?

Após ter visto essa declaração dela (e ter ficado mais aliviado de saber que ela só queria aliviar a tensão fazendo um filme bobinho – como quando eu fui ver “Marmaduke” pra esvaziar a cabeça...), me veio na mente outro episódio: a morte de Heath Ledger. O que tem isso a ver? Tudo, oras.

Como todos sabem, o ator morreu devido a uma overdose de medicamentos. Há quem diga que esses “medicamentos” eram para aliviar o ator do estresse que foi interpretar o Coringa, no filme “O Cavaleiro das Trevas”. O personagem era a personificação do caos e decididamente mexeu com as estruturas de Ledger, que deu sua melhor interpretação ao cinema com o papel, que lhe rendeu um Oscar póstumo. Mas até que ponto um ator suporta as provações do seu personagem para lhe conferir um caráter mais real?

Assim como Ledger, Jack Nicholson também interpretou o Coringa no cinema e já havia percebido o potencial perigoso do personagem. “Eu bem que avisei a ele”, teria dito Nicholson à época da morte de Ledger, sobre o Coringa. Apesar disso, sua versão do vilão de Gotham City é muito mais caricata, apesar de também perturbadora, na versão de Tim Burton para “Batman”.

Outro ator que costuma se entregar de cabeça no personagem é Daniel Day-Lewis. Ele costuma se afastar da família e ficar recluso incorporando os movimentos e detalhes de seus personagens, razão pela qual não escolhe qualquer trabalho para fazer, apesar de relativos fracassos. Isso fica estampado quando vemos filmes tão diferentes como “Nine” e “Gangues de Nova York”, que trazem o mesmo ator, mas com formas completamente diferentes. Para se ter uma ideia, Day-Lewis levou um ano inteiro para se preparar para “Sangue Negro”, onde interpretou o petroleiro Daniel Plainview.

Christian Bale também passou por sérias transformações, nem tanto psicológicas, mas físicas. O ganhador do Oscar por “O Vencedor” passou por uma fase “efeito sanfona” na carreira, que deixou público e crítica boquiabertos. Começou em 2003, nas filmagens de “O Operário”, quando ele teve que perder 28 quilos para interpretar um homem drogado e com insônia profunda. Nem um ano depois ele teve que recuperar toda a massa muscular que ele nem tinha antes para dar vida a Bruce Wayne, em “Batman Begins”. Em 2006, foi a vez do longa “O Sobrevivente”, onde mais uma vez ele teve que emagrecer, voltando a engordar tudo de novo para a sequência de Batman. Haja metabolismo.

Se formos parar para pensar, a lista é longa. Os atores que conseguem passar incólumes pelo sacrifício que seus personagens exigem merecem ser louvados por seu esforço e laureados pela sua dedicação. Pena que nem todos conseguem, vide Ledger. Natalie Portman conseguiu dar um tempo antes de ter um ataque de nervos. Já pensou se o cisne negro se materializa nela?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Garota da Capa Vermelha


Red Riding Hood

(EUA, 2011) De Catherine Hardwicke. Com Amanda Seyfried, Gary Oldman, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Billy Burke e Julie Christie.

Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho. Um dia, sua mãe pediu para ela levar alguns doces na casa da sua avó, que morava na floresta. A garota então foi levar os doces para a sua avó. No meio do caminho, Chapeuzinho Vermelho encontrou um lobo e blá, blá, blá. Essa história quase todas as crianças do planeta sabem de cor. O que pouca gente sabe (ou muitas ignoram) é que os contos de fadas foram baseados em lendas sangrentas e obscuras da Idade Média. Chapeuzinho Vermelho não foi uma exceção e sua versão original ganhou as telas agora em “A Garota da Capa Vermelha” pelas mãos de Catherine Hardwicke, a diretora de “Crepúsculo”.

Valerie é uma moça de um vilarejo que está prometida a um rapaz, Henry, embora seja apaixonada por Peter, um lenhador. Quando eles planejam fugir, eles são surpreendidos pela morte da irmã de Valerie pelo terrível lobisomem que assola o vilarejo há várias gerações, embora nenhuma morte acontecesse há alguns anos. Com isso, os homens do local decidem matar a criatura, mas seus esforços são em vão. Somente com a chegada do padre Solomon, os aldeãos descobrem o verdadeiro desejo do lobisomem: Valerie. Ela, que ganhou uma capa vermelha de sua avó, é a chave de todo o mistério. Enquanto tenta descobrir quem é o lobisomem, que pode ser qualquer um da vila, Valerie também precisa descobrir como irá ser feliz ao lado de seu amado, sem ferir os sentimentos da mãe e de seu prometido.

O filme é bem produzido e tem uma direção mais voltada para o público adolescente (especialidade de Hardwicke), embora tenha cenas muito pesadas em alguns pontos. Apesar disso, a história é um tanto quanto fraca, afinal, ainda é Chapeuzinho Vermelho. Poderíamos ter mais sangue, artes das trevas e um lobisomem mais bem feito digitalmente, se a intenção era realmente tratar de uma história sombria. Com Amanda Seyfried, a versão original se transformou em um novo conto de fadas (aliás, incrível como numa aldeia rural da Idade Média tinha tanta gente bonita e limpa!).

Apesar de caprichar no suspense e em boas atuações – mesmo em papeis fracos para nomes como Gary Oldman e Julie Christie -, “A Garota da Capa Vermelha” fica mais preso ao gênero que consagrou a saga “Crepúsculo” entre seus fãs do que a um filme mais sobrenatural e dark, como ele pretendia. Ao final, é mais uma história de amor bobinha que estava sendo contada. Pontos positivos também para todas as menções à história de Chapeuzinho como conhecemos, o que aproxima o espectador da história. A parte do “Vovó, mas que olhos grandes você tem!” é sensacional!

Nota: 6,5


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Earth Day 2011


Fala, galera. Hoje, 22 de abril, é celebrado o Dia da Terra, criado pela ONG Earth Day Network. A data serve para conscientizar o mundo sobre os cuidados que cada um deve ter para contribuir com a preservação do planeta que, como todos sabem, está morrendo.

Milhares de ações estão sendo feitas neste dia pelo mundo afora. E você também pode fazer a sua parte, não custa muito (quase nada) e o esforço pode ajudar a dar mais alguns anos de vida ao nosso planeta.

Para entrar no clima, segue o link para o post do Top 10, com dez filmes que falam sobre o meio ambiente e a sua preservação.

Aproveite!

Contra Corrente

Contracorriente
(Peru/Colombia, 2009) De Javiér Fuentes León. Com Manolo Cardona, José Chacaltana e Tatiana Astengo.

Curioso como filmes como "Contra Corrente" conseguem entrar em cartaz. Geralmente produções com temática gay ficam totalmente esquecidas no limbo cinematográfico, raramente vendo a luz do dia. Até que isso vem mudando conforme essas produções ganham o mundo em festivais, contando com a participação de nomes de peso, como Julianne Moore, Annette Benning, Jim Carey, entre outros que se aventuraram no gênero. "Contra Corrente" foi assim. O longa correu os principais festivais de cinema, inclusive o Festival do Rio, e ganhou fortes admiradores que o assistiram via internet. Ganhou prêmios importantes, como a Escolha do Público do Festival de Sundance, e tem um enredo belíssimo sobre religião, espiritualidade, cultura e, claro, o romance dos personagens principais. Por isso, o filme merece ser apreciado por todo mundo.

Miguel vive em uma colônia de pescadores que ainda segue à risca costumes e tradições antigos, como o ritual de entregar o corpo de um falecido a Deus através do mar, para que sua alma descanse em paz. Ele é casado com Mariela e está prestes a ser pai de um menino. Só que ele tem um envolvimento com Santiago, um pintor que se mudou para a vila há pouco tempo, especialmente para viver seu romance com Miguel, que mantém tudo em absoluto sigilo. Quando Santiago começa a questionar o relacionamento dos dois e as pessoas da vila começam a desconfiar de sua sexualidad, ele vai embora em um barco, deixando Miguel sozinho. Acontece que o barco de Santiago sofre um acidente e ele morre no mar. Como sua alma não foi encomendade, ele passsa a ficar como um espírito vagando pela terra, tendo que recorrer à unica pessoa que consegue vê-lo: Miguel. É então que Miguel se dá conta de que perdeu o amor de sua vida, mas que pode ter uma chance de viver com ele, mesmo que Santiago esteja em outro plano. Mas até quando seu ato egoísta irá deixar Santiago sem descansar em paz?



Não fosse por algumas variações, o filme seria a perfeita versão gay para "Dona Flor e Seus Dois Maridos". Uma bela construção sobre sentimentos confusos, "Contra Corrente" mostra a realidade de muitos homens que tem esposa e filhos, amam suas esposas e filhos, mas não conseguem esconder o desejo que carregam. O filme também acerta por mostrar o pequeno vilarejo de pescadores, estampando costumes de pessoas mais simples e fazendo o espectador entrar em contato com um outro mundo, diferente do seu. Com ternura, o diretor Javier Fuentés León retrata o amor dos protagonistas sem chocar ou apelar para o erotismo exagerado e apelativo. Antes de tudo, "Contra Corrente" é uma história de amor proibido, egoísmo, expectativas e comportamento humano, independente de ser homo ou heterossexual.


Com um roteiro leve, que tem pitadas de comédia e drama no ponto certo, o filme merecia ser apreciado por mais pessoas. A fotografia de Maurício Vidal destaca a paisagem maravilhosa das praias do Peru (sem trocadilhos), onde a história toma forma. A calmaria de uma vila de pescadores, mesmo quando tomada por um burburinho em torno dos personagens, transpassa a tela e chega até o espectador. Destaque para a trilha sonora e para as atuações do trio de protagonistas, Manolo Cardona ("A Mulher do Meu Irmão"), José Chacaltana ("Che - Parte 2: Guerrilha") e Tatiana Astengo.

Nota: 9,0

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Se eu imprimisse meu twitter...

O site The Print Effect descolou uma maneira de calcular quantas folhas de papel você gastaria caso imprimisse a sua time line do Twitter. No meu caso, seriam necessários 58.116 folhas de papel A4! O site ainda dá outras curiosidades como quantidade de tinta, altura da pilha, entre outros. No caso,eu tô usando o @mvdonascimento (que você deveria estar seguindo, by the way).

Dá uma olhada:

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Para testar o seu twitter clique aqui.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

TOP 10 - Filmes sobre o meio ambiente

E aí, saudades do Top 10?? Eu também! E o dessa vez foi ótimo de fazer.

O meio ambiente é uma preocupação generalizada, mas porque tão pouco ainda é feito? Mesmo que existam defensores da teoria anti-aquecimento global, é uma questão de lógica pensar que precisamos cuidar dos recursos naturais ou eles vão acabar. É assim com o dinheiro, é assim com os pertences pessoais, porque não pensar assim com o meio ambiente? No cinema, alertas não faltam e a estreia de “Rio” traz mais um filme que, de uma maneira ou de outra, irá fazer você prestar atenção no meio ambiente, especialmente se for um carioca como eu. Por isso, separei dez filmes que falam sobre ecologia, sustentabilidade e meio ambiente. A lista a seguir foi sugestão da leitora Kátia Regina dos Santos, que tem um blog sobre ciências biológicas (cienciaskatiabio.blogspot.com) ,e tem colaborações dela e do Armando Martins, do blog Listas de 10 .

10 Os Simpsons – O Filme
(Simpsons Movie. EUA, 2007. De David Silverman)

No desenho que já tem mais de 20 anos, o tema sempre vem à tona, quase sempre gerado por conta da Usina Nuclear de Springfield. É a usina e os próprios maus hábitos dos moradores da cidade que fazem com que toda Springfield seja trancada numa imensa bolha de vidro! O governo americano decide tomar esta medida drástica ou todo o país irá sofrer. Mais dramático do que os desenhos costumam ser, “Os Simpsons – O Filme” carrega nas tintas do exagero, claro, até mesmo por sua própria natureza. Mas ajuda a alertar sobre os perigos de não preservação do meio ambiente e até a discutir sobre energia nuclear, assunto tão em voga ultimamente, depois da catástrofe no Japão.

9 Syriana – A Indústria do Petróleo
(Syriana. EUA, 2005. De Stephen Gaghan. Com George Clooney, Matt Damon, Jeffrey Wright, Amanda Peet e Christopher Plummer)

Quantos pauzinhos são mexidos quando se trata de dinheiro? Quando se trata de petróleo, então, nem se fala. Uma indústria cercada de mentiras, corrupções e falcatruas esconde também uma série de medidas que poluem, prejudicam o meio ambiente e colocam a culpa no consumidor final: você. O filme é produzido por George Clooney, que levou um Oscar de Ator Coadjuvante pela sua atuação no filme. 



8 O Dia Depois de Amanhã
(The Day After Tomorrow. EUA, 2004. De Rolland Emmerich. Com Dennis Quaid, Jake Gylenhaal e Emmy Rossum). 

Uma nova era do gelo é possível? Talvez possa ter sido só mais um exagero de Rolland Emmerich, mas é uma opção que não pode ser descartada. O derretimento das calotas polares irá ocasionar uma mudança radical na geografia da Terra e é com essa premissa que “O Dia Depois de Amanhã” se desenrola. E se engana quem pensa que isso está longe de acontecer. A NASA, agência espacial americana, anunciou o derretimento total do Polo Norte em 2012 (o que lembra outro filme de Rolland Emmerich que fala sobre isso...). Vai pagar pra ver? O aquecimento global é culpa de todos, inclusive minha, sua, nossa.

7 Terra
(Earth. EUA, Alemanha, UK, 2007. De Alastair Forthergill e Mark Linfield)

Primeiro filme da Disneynature, divisão da Disney destinada só a falar do meio ambiente, o documentário “Terra” mostra o cotidiano de animais terrestres que estão tendo que enfrentar questões bem mais complexas do que só o que fazer pra conseguir comida. Eles estão ficando sem espaço, sem água, sem recursos, sem proteção e sem vida. Apesar de um aspecto bem didático, “Terra” chama a atenção pelo seu visual, já que conta com produtores oriundos do Discovery Channel e do National Geographic Channel. O projeto deu tão certo, que a Disney já lançou o segundo filme, “Oceanos”, que segue a mesma linha com animais do fundo do mar.


6 Wall-e
(Wall-e. EUA, 2008. De Andrew Stanton)

A vida no planeta se tornou insustentável e os humanos fugiram a bordo de uma mega nave espacial. A Terra se transformou num imenso depósito de lixo, onde robôs tem a função de compactar toda a sujeira. Com o tempo, todos eles pifam e só sobra um, Wall-e, que continua efetuando sua tarefa até que um dia ele presencia a chegada de Eva, uma robô enviada pelos humanos com a diretriz de achar vestígios de vida. Difícil, mas não impossível.




5 Erin Brocovich- Uma Mulher de Talento
(Erin Brockovich. EUA, 2000. De Steven Sorderbergh. Com Julia Roberts, Albert Finney)

Até que ponto uma simples dona de casa pode fazer a diferença para salvar o meio ambiente? Enquanto você fica aí, sentado no sofá, achando que a sua torneira gotejando não faz mal nenhum, Erin Brockovich saiu de mala e cuia para abrir um processo contra uma empresa que estaria contaminando a água local que ela e seus vizinhos bebiam. E ela só trabalhava num escritório de advocacia. O filme, que deu o Oscar a Julia Roberts, trás varias questões pertinentes, desde a preservação da água a outros crimes ambientais cometidos por corporações todos os dias e que a gente nem sabe...

4 Avatar
(Avatar. EUA, 2009. De James Cameron. Com Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Giovanni Ribisi e Stephen Lang)

Sim, é outro planeta. Mas o que impede as comparações entre Pandora e a Terra? Foi pensando exatamente nisso que James Cameron realizou sua campanha mais ambiciosa, “Avatar”. Esqueça o 3D e a ficção científica que transporta o corpo dos humanos para clones de laboratório (outro assunto polêmico do filme). “Avatar” é sobre o meio ambiente e como o homem, ganancioso como só ele, destrói a natureza em busca de recursos naturais. Em Pandora é tudo por causa do Unobtanium. Na Terra, já foram as especiarias, o ouro, agora é a vez do petróleo, do urânio... em breve será a água. Como um grande chamado para a humanidade, “Avatar” é didático e não a toa é o filme de maior bilheteria da história. 

3 The Cove – A Enseada
(The Cove. EUA, 2009. De Louie Psihoyos)

Todos os anos pessoas se divertem com golfinhos em parques aquáticos espalhados pelo mundo. Todos os anos pessoas se alimentam da carne desses golfinhos e de baleias. Para isso, é realizada uma matança generalizada na baía de Taijí, no Japão, justamente para vender carne de golfinho e os próprios animais a parques aquáticos. E ninguém sabe disso. Essa é a história de “A Enseada”, documentário vencedor do Oscar que chocou a sociedade com a covardia com que são tratados os animais marinhos por alguns caçadores na costa do Japão. O documentário mostra as atitudes do ativista Richard O'Barry, ex-treinador de golfinhos do seriado "Flipper", para combater a matança desses animais na baía. Eles invadem a reserva e são constantemente atacados por pescadores e empresários do setor. O'Barry recruta uma equipe para uma super missão: equipas a baía no meio da noite com câmeras escondidas para revelar ao mundo o horror da matança.

2 A Última Hora
(The 11th Hour. EUA, 2007. De Leila e Nadia Conners. Com Leonardo Di Caprio)

“Se os seres humanos são a causa do problema, também podemos ser a solução”. Produzido por Leonardo Di Caprio, “A Última Hora” é voltado muito mais para o cidadão comum do que para as fábricas. No filme, é mostrada a situação atual do planeta, com todo tipo de desastre, catástrofe e hecatombes ambientais e como podemos reverter o nosso quadro, na voz de diversos especialistas e empreendedores que sabem do que estão falando. Se você fecha sua torneira direitinho, não joga lixo na rua e prefere transportes coletivos aos individuais, já está contribuindo. Apesar do didatismo, Di Caprio não poupa questões profundas como catástrofes e desastres naturais, como o furacão Katrina. Porém também fica uma lição: o que nós, indivíduos, podemos fazer para contribuir com a redução da emissão de gases estufa e diminuir o nosso impacto no meio ambiente? Pode parecer pouco cada um de nós recusar uma sacola plástica no supermercado, mas já é muito para o planeta. “A Última Hora” mostra que, antes de tudo, salvar o planeta é uma questão cultural.

1 Uma Verdade Inconveniente
(An Inconvinient Truth. EUA, 2006. De Davis Gugghenheim)

Outro vencedor do Oscar, produzido por Al Gore, político mais conhecido por suas candidaturas à presidência dos EUA que virou referência em assuntos de aquecimento global e desastres climáticos. Em “Uma Verdade Inconveniente”, filme que é uma versão das palestras dadas pelo próprio Al Gore, estão ali estampadas as causas e consequências do despejo de CO² e outros gases tóxicos na atmosfera, além de outras coisas que contribuem para o aquecimento do planeta. Mais do que nenhum outro representante do gênero, o longa é um grande alerta para as atitudes de corporações que insistem em manter sua produção a todo vapor, sem pensar em nenhuma solução com recursos renováveis. Al Gore usa todos os dados e informações possíveis para deixar claro de uma vez por todas que o aquecimento global é real e que temos que fazer algo para impedir seu crescimento. Já.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Melancolia de Lars Von Trier

Quem viu “Anticristo”, levanta a mão? E “Dogville”? E “Dançando no Escuro”? O que esses filmes tem em comum além de terem sidos dirigidos por Lars Von Trier, cineasta gênio/louco da nossa contemporaneidade? Ambos trazem mulheres à beira de um ataque de nervos, sofrendo muito seja por fatores internos e/ou externos e extravazando seus sentimentos de melancolia. Opa, e não é esse o nome do novo filme de Von Trier?

“Melancholia” mistura tudo o que o diretor já realizou até agora com um gênero até então inexplorado por ele, a ficção científica. No longa, um casal recém-casado curte as alegrias dos primeiros momentos do casamento, quando são surpreendidos pela notícia de que o planeta Melancholia se aproxima da Terra, o que pode ocasionar a destruição do mundo. Fosse só isso, beleza, já estamos nos acostumando com 2012 mesmo. O problema é que todos esses movimentos planetários alteram o comportamento de Justine – a noiva , que começa a ter vários transtornos de relacionamento com a irmã. Veja o trailer:



Sim, podemos esperar grandes coisas do diretor mais uma vez. Apesar de polêmico, sua obra tem admiradores (eu incluso) e, querendo ou não, fazem você discutir depois por horas e horas a fio. Von Trier já disse que está pouco se lixando pra críticos, que são recíprocos ao sentimento, então “Melancholia” não deve escapar à regra. Uma curiosidade: Penelope Cruz esteve cotada para o filme, mas engravidou e não aceitou o convite.

No elenco do filme estão Kirsten Dunst, Alexander Skaarsgard (de “True Blood”), Kiefer Sutherland ( “24 horas”) e Charlotte Gainsbourg (Palma de ouro de Melhor Atriz em Cannes por “Anticristo”).

sábado, 9 de abril de 2011

RIO

Rio
(EUA, 2011) De Carlos Saldanha. Vozes originais de Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Jamie Foxx, Will.I.Am, Leslie Mann e Rodrigo Santoro.

Eu sou carioca e recém-ufanista. Isso significa que fazer um post sobre "Rio", a última propaganda da cidade no exterior pode ser um tanto parcial. Ou não. Primeiro que toda e qualquer crítica é parcial, já que representa a opinião de um indivíduo. Segundo, exatamente por ser carioca e viver na cidade, é fácil identificar o que é correto e o que é falácia sobre o Rio de Janeiro. Como animação, o filme é impecável, franco candidato ao Oscar 2011 de animação. Aí vem a parte do Rio. Mas quem disse que o filme é sobre o Rio? O filme é sobre a arara Blu, tirada de seu habitat por traficantes de animais e levada aos Estados Unidos. A cidade, perfeitamente detalhada no plano digital, é só o pano de fundo. Mas honestamente, não poderia haver um pano de fundo melhor!

A arara Blu foi levada para o estado americano de Minesota ainda filhote e achado por Linda quando ela era criança. Os dois cresceram junto e estabeleceram uma relação familiar muito forte. Até que um dia o ornitólogo Túlio aparece para convencer Linda a levar Blu para o Rio de Janeiro e acasalar com a última fêmea da espécie. É aí que Blu conhece Jade, que está tentando ganhar a sua liberdade e fugir do viveiro. Os dois são capturados por traficantes de animais e ficam acorrentados um ao outro. Eles conseguem escapar mas precisam enfrentar todo o tipo de perigos no caminho, inclusive a cacatua Nigel, que trabalha para os traficantes. Além disso, as araras se perdem na paisagem do Rio de Janeiro em pleno carnaval e precisam quebrar a corrente e escapar de tudo isso. Tudo seria mais simples não fosse um probleminha: Blu não sabe voar!


Carlos Saldanha construiu uma história encantada por natureza. Primeiro, claro, por ter centrado o filme no Rio de Janeiro, retratado com perfeição no âmbito digital, o que fascina o espectador durante todo o longa. Passando pelo brilho da cidade no carnaval, a história de Blu e o sonho de querer voar, coisas que sempre despertaram o interesse dos humanos, além de partes que falam de amor e amizade, respeito aos animais e a alegria de um povo que só tem aqui.


Claro, “Rio” tem clichês. Tem os macacos e aves que andam livremente pela rua, gente pelada o tempo todo e a sensação de que todo mundo tá rindo o tempo todo. Mas pêra (tirando os macacos a rodo) não é assim mesmo? Temos que levar em consideração que é um filme pra estrangeiros, apesar de tudo, e depois de mostrar ao mundo o Rio de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, porque não mostrar o Rio do brilho do carnaval, da beleza das praias e florestas – o pouco que resta? Dizer que dava pra falar do Rio sem citar isso é utopizar demais.


Dá pra ficar orgulhoso de “Rio”, que tem dubladores do calibre de Anne Hathaway e Jesse Eisenberg. O filme tem samba o tempo todo e em certo ponto lembra os musicais animados da Disney dos anos 1940. Duvido você ir ao cinema e ficar com os pés parados com a trilha sonora assinada por Sérgio Mendes, com pitacos de Carlinhos Brown e Will.I.Am. Afinal, carioca que é carioca tem samba na veia, gostando dele ou não, o ritmo é contagiante e não adianta negar. Blu que o diga.
Nota: 9,0
*Indicado ao Oscar de Canção Original