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quinta-feira, 29 de março de 2012

Projeto X

Project X
(EUA, 2012) De Nima Nourizadeh. Com Thomas Mann, Oliver Cooper, Johnathan Brown, Dax Flame, Kirby Bliss Blanton.

O subtítulo do filme no Brasil já diz tudo sobre essa produção: é uma festa fora de controle. E aí você pode pensar em se tratar de mais uma pachorra, como as sequências mal estruturadas de “American Pie” ou qualquer besteirol. “Projeto X”, produzido por Todd Phillips, o mesmo de “Se Beber, Não Case”, mostra realmente uma festa sem controle, onde coisas absurdamente surreais acontecem. Literalmente. Apesar de nada muito profundo, o espectador fica boquiaberto com cada aspecto mostrado. Nem ligamos para os erros produzidos pelo estilo “mockumentary”, usando aquela câmera na mão ao estilo “Bruxa de Blair” (que parece ter virado um gênero próprio de cinema). Ou se tem adolescentes sem supervisão aprontando todas com álcool, sexo e drogas. Uma sucessão de coisas prende a atenção até que o caos mais simples se resuma... ao nada.

No aniversário de Thomas, seu amigo Costa decide aproveitar a ausência dos pais de Thomas para fazer uma superfesta. Ao lado dos amigos JB e Dax, que filma tudo o tempo todo, os quatro nerds organizam a festa e chamam todas as pessoas da escola, convencidos de que a festa mudará para sempre a reputação dos garotos. Só que tudo sai do controle e cada vez mais pessoas começam a aparecer. E aí, quanto mais gente, mais confusão. No meio da festa, Thomas precisa lidar com um sentimento por uma amiga de infância e com o distúrbio causado aos vizinhos, que ameaçam chamar a polícia. Lá pelas tantas, nem a polícia dá conta de toda a balbúrdia causada por essa festa sem limites.


A narrativa é boa e a sucessão de coisas absurdas prende o espectador, que embarca na festa junto com os garotos e sente as mais diversas reações, desde pena à vergonha alheia, passando pela euforia da diversão. O filme não tem compromisso com nada a não ser o entretenimento do espectador, que tem bons motivos para se impressionar com o filme. Por isso mesmo, está longe de ser perfeito. O estilo documentário se perde, mostrando ângulos de câmeras que nem sequer poderiam estar lá (diferente de “Poder sem Limites”, que usa a mesma técnica, mas com câmeras plausíveis). Outro furo é a completa ausência de Dax, o cinegrafista, que está lá mas não está lá, basicamente um fantasma. O final decepciona um pouco, tendo em vista tudo o que acontece no longa, mas a diversão se garante com os contextos absurdos em que a festa acontece. Todd Philips fez um “Se Beber, Não Case” para os mais jovens e consegue êxito em se comunicar com sua plateia – seja ela desvairada como os jovens do filme ou não.

Nota: 8

segunda-feira, 19 de março de 2012

Guerra é Guerra

This Means War
(EUA, 2012) De McG. Com Reese Witherspoon, Chris Pine, Tom Hardy, Angela Basset, Til Schweiger e Chelsea Handler.

Misturar comédia, romance e ação pode ser um ato perigoso. Quando não há equilíbrio entre as partes, os espectadores podem sair absurdamente frustrados. Um bom exemplo nessa linha é “Sr. e Sra. Smith”, de Doug Liman. McG, o diretor de “Guerra é Guerra”, consegue acertadamente atingir o ponto certo – depois de dirigir os dois “As Panteras” e “O Exterminador do Futuro: A Salvação”. Claro que ele conta com o charme dos dois protagonistas masculinos, Chris Pine e o novo queridinho da América, o britânico Tom Hardy. Os dois, ao lado da já consagrada queridinha da América, Reese Witherspoon, fazem um triângulo amoroso divertido, que não perde a consistência e mantém situações divertidas do começo ao final. 

Tuck e FDR são amigos inseparáveis e parceiros de trabalho, já que ambos são agentes da CIA. Cansado de viver sozinho, Tuck decide colocar seu perfil em um site de encontros românticos, que o apresenta à Lauren, uma mulher na mesma situação que ele, mas que se mostra cética quanto a encontros pela internet. Apesar de ter se encantado com Tuck, Lauren acaba conhecendo FDR em uma videolocadora e resolve também sair com ele. A confusão começa quando Tuck e FDR descobrem estar saindo com a mesma mulher. Os dois prometem não se meter e deixar Lauren se decidir, mas isso só na teoria, porque eles vão colocar todo o aparato da CIA disponível para tentar sabotar um a relação do outro. Tudo isso enquanto um bandido da máfia russa procura os dois, já que eles foram os responsáveis pela morte de seu irmão. 


Curiosamente, o filme me fez pensar em quão modernas estão as mulheres de hoje, com o cinema mostrando uma que namora dois ao mesmo tempo. Um filme assim seria impensável nos tempos de “E o Vento Levou” ou “A Noviça Rebelde”. A personagem de Reese Witherspoon é absolutamente fruto de seu tempo e só por isso “Guerra é Guerra” já merece destaque. Mas abstraindo esse lado ‘antropológico’ do filme, a direção e roteiro ágeis promovem cenas empolgantes e engraçadas, cada uma nas doses certas. Chelsea Handler, comediante também querida nos Estados Unidos, é uma dos principais geradores de boas piadas do filme, uma escolha acertada que lembra as participações de Seth Rogen ou Vince Vaughn em produções do gênero, há alguns anos atrás.

 O que depõe contra “Guerra é Guerra” são alguns cortes desnecessários na montagem, colocando um fade out no meio de uma sequência de qualquer jeito, interrompendo um clímax e deixando a edição um pouco confusa. Como esses momentos são raros, não chegam a comprometer a comédia, que se garante mesmo por todas as situações cômicas e pelos momentos em que também faz o espectador se dividir entre Tuck e FDR, ao nos aproximar da história de ambos. Boas ridas, doses legais de ação e romance na medida certa.

Nota: 8,5


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Artista

The Artist
(EUA, França/2011) De Michel Hazanavicius. Com Jean Dujardin, Berenice Bejo, John Goodman, Missi Pyle, Penelope Ann Miller, James Cromwell e Uggie.

Chega a dar um alívio no coração ver que ainda são produzidos filmes como “O Artista”, daqueles que fazem você se lembrar do por que você ama a sétima arte. No meio de tantas coisas produzidas, em um momento em que Hollywood se encontra em uma falência coletiva de criatividade, “O Artista” se destaca. E sim, tem tudo a ver com o fato de o filme ser mudo e em preto e branco. Não exatamente pela técnica, mas pela coragem que diretor, atores e produtores tiveram para levar a história adiante e emocionar plateias do mundo inteiro simplesmente usando expressões, gestos e trilha sonora, apoiados sim por diálogos sem som, mas que estão presentes seja nos letreiros, seja pela leitura dos lábios dos atores. Michel Hazanavicius conduz o filme de forma impecável, sem cansar nem um minuto e usando muito bem a técnica do cinema mudo em pleno século XXI. A metalinguagem nunca foi tão bem empregada em um exemplar do cinema.

George Valentin é o ator mais bem sucedido da era do cinema mudo, conquistando fãs e estampando as capas de revistas. Ele e seu companheiro canino Uggie estrelam produções de diversos gêneros, sempre divertindo e encantando as plateias. Em uma de suas premiéres, ele encontra a aspirante à atriz Peppy Miller, que depois acaba por ser figurante em um dos seus filmes, nascendo assim um encanto entre os dois. O que ninguém esperava é que uma invenção pudesse mudar os rumos do entretenimento: o cinema falado. George não acredita na invenção, enquanto Peppy desponta cada vez mais, conquistando o estrelato. Decidido a provar que o cinema mudo não acabou, George escreve, dirige e financia o seu próprio filme, sendo surpreendido pela falta de resposta do público e pela crise econômica de 1929. Enquanto ele cai na decadência, Peppy Miller se torna uma diva do cinema, sem nunca ter perdido o encanto por George.

A forma como o diretor narra a história de George Valentim é rica em detalhes e impressiona pela magnitude de sua concepção. Cenas como a exibição dos filmes em um desses cinemas antigos gigantes, com a apresentação do ator ao fim do filme, e os próprios créditos iniciais são de deixar qualquer cinéfilo com os olhos marejados. Os detalhes estão em todos os lugares: na reprodução dos jornais e revistas da época, nos cenários, nos figurinos e até no estilo de filmar, em aspecto 1.33:1, quadradão, assim como os filmes mudos originais. E esse realismo aproxima cada vez mais o espectador que, em questão de segundos, esquece que o filme é mudo e se deixa levar pela trilha sonora espetacular de     Ludovic Bource. 

Aliás, curiosamente, o uso do som é perfeito e faz perceber como o som é tão importante hoje em dia e quase não nos damos conta dele. Isso se torna evidente em um sonho de George Valentin, onde todos os elementos à sua volta fazem barulho: um copo sendo posto na mesa, a cadeira arrastando, o cachorro latindo, uma pena caindo... No final, o som volta a ser empregado dessa maneira brilhante, fascinando e não deixando outra alternativa a não ser aplaudir o filme.


A dupla protagonista, Jean Dujardin e Berenice Bejo, transmite carisma com facilidade e conseguem passar suas emoções sem dizer uma palavra sequer. Dujardin então tem duplo papel, que é fazer as caras e bocas de George Valentin no set e o cara comum que tem suas próprias emoções e dramas pessoais para lidar. Mesmo o cachorro, o bem treinado Uggie, se destaca e já se candidata como melhor performance realizada por um animal diante das câmeras. 


“O Artista” é uma concepção rara de um diretor visionário que passou para a película toda a sua paixão pela era do cinema mudo e também pelo cinema em geral. A transição da época silenciosa para os filmes falados foi dolorosa para estúdios e atores, sem dúvida, mas teve importância de peso naquilo que o cinema viria a se transformar. Claro, essa arte mutante, que cria novas técnicas a cada dia, mas que não desiste nunca de contar boas histórias, nos fazer refletir e ajudar a tocar as nossas vidas. “O Artista” é a homenagem mais do que justa a tudo o que o cinema nos faz.

Nota: 10

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Meia-Noite em Paris

Midnight in Paris
(EUA, 2011)De Woody Allen. Com Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Michael Sheen, Allison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates e Carla Bruni.

Quando “Meia-Noite em Paris” estreou, este que vos fala estava ocupado demais com compromissos acadêmicos – leia-se, morrendo na monografia – e não pôde resenhar a crítica do filme. Em consolo, a pesquisa da monografia, era justamente sobre cinema, então dá pra relevar um pouco. Desculpas à parte, a questão é que “Meia-Noite em Paris”, o Woody Allen mais recente, estreou de mansinho e, de repente, já era um dos filmes mais queridos do diretor. À época, uma das coisas mais extraordinárias era ter Carla Bruni, a primeira-dama francesa, no elenco. Só depois de apreciado devidamente é que nos deixamos levar pelos encantos da cidade, filmada de maneira belíssima por Allen. Além disso, o filme evoca uma época de ouro da cultura e da arte, relembrando tempos passados que hoje, mesmo quem nunca os viveu, trazem na memória com saudosismo.

O escritor Gil está em Paris com a família de sua noiva a negócios. Ela quer discutir detalhes da cerimônia de casamento. Ele quer conhecer Paris e se deixar inspirar pela aura da cidade. Os dois têm temperamentos e gostos diferentes. Até que, em uma noite vagando sozinho pelas ruas parisienses, Gil embarca em uma carruagem que, estranhamente, o leva para o passado, junto do convívio de grandes pensadores e ídolos culturais dos anos 1920.  E aí somos levados pela discussão de qual época é realmente a melhor: aquela que fazemos ou aquela que já se passou. Gil fica literalmente dividido entre voltar para seus tempos atuais e ficar com a noiva ou permanecer em meio aos intelectuais do passado, especialmente ao se encantar pela jovem Adriana, uma entusiasta da Bélle Epoque. Isso sem ter certeza de estar vivendo uma fantasia ou a realidade.


A condução da trama traz aquele charme inegável de Woody Allen. O que “Meia-Noite em Paris” tem de diferente é exatamente trazer à tona questões que permeiam o espírito dos jovens mais intelectualizados de hoje em dia. Allen pinta Paris como a capital cultural do mundo de uma forma mais sóbria do que fizera com Barcelona alguns anos antes (em "Vicky Cristina Barcelona"). O roteiro, também de Allen, mistura os tons de fantasia e realidade com perfeição, com a Paris atual cheia de cores durante o dia e uma cidade mais boêmia à noite, quando vemos a Paris do passado.

Ao colocar tantos personagens brilhantes no roteiro, Woody Allen faz uma homenagem a todos os grandes pensadores e artistas que impactaram e inspiraram não somente a ele, mas a vários criadores do século XX. Vemos nas telas Salvador Dalí, Luis Buñuel, F. Scott Fitzgerald, T.S. Elliot, Henri Matisse, Ernest Hemingway e Cole Porter, isso pra mencionar alguns. Fosse nos dias de hoje, juntar todo esse time em um único filme daria trabalho. O diretor consegue colocá-los todos em um mesmo plano, sem destacar ninguém a não ser o protagonista, Gil, interpretado por um Owen Wilson mais maduro do que de costume, embora preserve os traços cômicos que são necessários para o papel.


“Meia-Noite em Paris” foi indicado a quatro Oscars (Filme, diretor, roteiro original e direção de arte). O último que Woody Allen levou foi o de melhor roteiro em 1987, por “Hannah e Suas Irmãs” e a última indicação veio em 2006, na mesma categoria, por “Match Point”. O filme não é o favorito nas categorias que disputa, mas recolocar o gênio Woody Allen (que, honestamente, não precisa de prêmios pra ser reconhecido) no páreo é uma lembrança boa de que o diretor está tão bem como nunca talvez estivesse.

Nota: 10


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Românticos Anônimos

Les Émotifs Anonymes
(França, 2010). De Jean-Pierre Améris. Com Benoît Poelvoorde e Isabelle Carré.

Um filme francês que envolve romance, timidez e chocolates. Muita coisa boa e leve junta nessa comédia do diretor Jean-Pierre Améris, que explora, de uma forma muito divertida, a dificuldade que algumas pessoas que sofrem de timidez patológica (os “emotivos”) têm ao ter que expressar qualquer emoção mais forte em público, muitas vezes se sentindo confrontados quando precisam fazê-lo. Nossa maravilhosa tradução colocou essa definição de emotivo como “românticos”. E assim, o filme saiu por aqui (com um ano de atraso, veja bem) como “Românticos Anônimos”. Se bem que, ao analisar o filme, a tradução “acertou errando”, já que é o anonimato do romance disfarçado dos protagonistas que dá o tom certo do longa.

Angélique é uma das emotivas da trama, que procura ajuda para o seu problema em um grupo de emotivos anônimos, que compartilham as suas experiências diárias e, juntos, conseguem avançar alguns passos a mais por dia. Ela, chocolateira de mão cheia, se candidata a uma vaga em uma fábrica de chocolates, mas, por um mal entendido, acaba se tornando vendedora da loja, o que lhe causa certo terror. Mais terror ainda sofre o dono da fábrica de chocolates, Jean-René, que frequenta sessões regulares com seu psicólogo para vencer a timidez exacerbada que o cerca desde criança. O psicólogo passa a ele algumas tarefas que ele precisa realizar. Em uma dessas tarefas, Jean-René precisa convidar alguém pra sair e, ironia do destino, convida Angélique para jantar. É o início de muita confusão, que faz as emoções dos dois se agravar ainda mais conforme eles se apaixonam.

 
Se eu pudesse definir a história em uma palavra, só existe uma que me vem à cabeça: fofa. Sim, porque é fofo assistir aos dois descobrindo um romance inesperado de uma forma tão impulsiva e impossível, já que ambos sofrem seriamente com suas emoções não expressas. O resultado são situações cômicas inusitadas que divertem, da maneira simplista que só um filme francês consegue (vide “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, por exemplo). Isabelle Carré encarna com vigora a timidez da personagem Angélique, mas as cenas mais hilárias são mesmo as trapalhadas de Jean-René, um homem na casa dos 50 anos, totalmente confuso por estar apaixonado. Pra se ter uma ideia, o personagem carrega uma maleta com trocentas camisas para ir trocando conforme a sudorese aumenta!

Imagina isso tudo em meio a muito chocolate. Pena que essa comédia francesa não pode ser apreciada em sua totalidade, com um lançamento tão limitado no Brasil. O filme só carrega um pouco nas tintas e perde o foco em algumas situações, como se de repente o perfil dos personagens tivesse mudado. Felizmente, ele encontra o caminho de volta para os trilhos, com um lindo (e inusitado) final.

Nota: 8,5 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Noite de Ano Novo


New Year’s Eve
(EUA, 2011) De Garry Marshall. Com Ashton Kutcher, Lea Michelle, Sarah Jessica Parker, Josh Duhamel, Zack Efron, Michelle Pfeifer, Jessica Biel, Seth Meyers, Halle Berry, Robert de Niro, Hillary Swank, Ludacris, Abigail Breslin, Sophia Vergara, Carla Gugino, Katherine Heigl e Jon Bon Jovi. 

Já conhecemos esta história. O velho emaranhado de contos que, aparentemente não tem nada a ver, mas se entrelaçam no fim das contas – ou dos contos. A fórmula usada por Garry Marshal em “Idas e Vindas do Amor”, utilizando o Dia dos Namorados como pano de fundo, deu certo por várias razões. Primeiro: o mundo adora comédias românticas. Elas estão em toda parte, de várias formas, tamanhos e histórias. Segundo: juntar várias estrelas no mesmo filme, com o mesmo espaço pra cada uma delas, sem sobressair nenhuma. Terceiro: a sacada de que, no fim, todas aquelas histórias diversas estão interligadas e você, espectador, tem que ir ligando os pontos para descobrir quem tem a ver com o quê. Daí, porque não repetir essa mesma fórmula, em uma noite tão cheia de expectativas quanto a do Ano Novo?

No filme, os vários personagens passam por cada um, uma situação particular: seja a mãe preocupada com o comportamento da filha adolescente na noite de Ano Novo, o casal que espera que o filho seja o primeiro a nascer na noite de Ano Novo, a funcionária cansada do trabalho que pede demissão e que quer completar sua lista de afazeres de 2011 na noite de Ano Novo, um homem no leito de morte que quer apenas ver o globo da Times Square descer pela última vez na noite de Ano Novo, e a programadora de toda a festa do Ano Novo em si, que espera que tudo saia perfeito. Essas e outras histórias se entrelaçam, com cada um desses personagens desenvolvendo seu papel para o filme fechar direitinho... antes do fim da noite de Ano Novo.

As múltiplas histórias se desenrolam direitinho, profundas o suficiente para que saibamos o básico dos personagens, colocando eles como a superfície de todo o clichê existente: a mãe protetora, a adolescente rebelde, o solteirão convicto, a cantora em ascensão que acha que vai ter sua grande chance de estrelato... todos são clichês para facilitar a dinâmica do filme. A presença de nomes como Lea Michele (Glee), Seth Meyers (Saturday Night Live) e Sophia Vergara (Modern Family) vem para provar que o filme está em sintonia com tudo o que é atual, outro recurso para captar mais ainda a atenção dos espectadores. Misturando um elenco novo (Zack Efron, Josh Duhamel) com um mais experiente (De Niro, Michelle Pfeifer), Garry Marshall consegue um meio termo e dá leveza ao longa. Dá pra ver estampado que estão todos se divertindo horrores no filme.

Com eles se divertindo, o público se diverte. Tem até um número musical em conjunto de Bom Jovi com Lea Michelle (claaaaro!), alguns momentos mais dramáticos e todo aquele clima pós-Natal bom que fica nos dias que antecedem o Ano Novo, quando parece ser proibido de se fazer qualquer outra coisa a não ser entrar no clima.

Ps: a repetição do termo "Ano Novo"  no texto é proposital!
Nota: 7,5

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os Muppets - O Filme


The Muppets
(EUA, 2011) De James Bobin. Com Jason Segel, Amy Adams, Chris Cooper e Rashida Jones. Participações de Emily Blunt, Alan Arkin, Ken Jeong, Selena Gomez, Whoopi Goldberg, Neil Patrick Harris e Jack Black.

Bonecos. É a primeira ideia que se tem que ter ao colocar na cabeça que vai assistir a “Os Muppets” – eles são bonecos. Parece óbvio comentar isso, mas é o elemento chave para se assistir ao filme. Porque se você realiza de que tudo ali é tão bobo, improvável e nada, nada plausível, acaba a diversão do filme toda. Portanto, nada de julgar os bonecos e sim a história. Essa sim, simples e com uma lição de moral ingênua, daquelas que há muito tempo não aparecem no cinema, consegue conquistar os espectadores, sejam crianças ou adultos. O que “Os Muppets” traz de volta é aquela sensação de que alguma coisa ficou perdida no meio do caminho quando se trata de produções para TV ou para cinema. Saudade de um tempo em que não era preciso nada além do que uma boa história contada por bonecos para fazer rir e entreter. 
O garoto Walter e seu irmão Gary crescem assistindo a “The Muppets Show” na televisão. Porém, Walter percebe que tem algo de errado com ele conforme ele cresce. Ou não cresce. Afinal, ele também é um muppet. Gary vira um homem adulto e está prestes a se casar com Mary, quando os dois decidem ir para Los Angeles e convidam Walter para conhecer o estúdio onde o show era gravado. Lá, eles descobrem os estúdios abandonados às moscas e um plano maligno para comprar o antigo teatro dos Muppets, local de um poço de petróleo subterrâneo. Walter decide ir atrás de Kermit, o sapo, e reunir toda a turma dos Muppets para um novo show que deve salvar o teatro e colocar os Muppets de novo como ídolos das pessoas. 


Já viu o elenco estrelar do filme? Nomes de peso fazem milhões de participações especiais, algo que reflete a dinâmica da série de TV, que também conta com essas participações. Em destaque, Emily Blunt faz o papel de secretária da editora-chefe da Vogue francesa, que vem a ser Miss Piggy em pessoa, numa clara alusão a “O Diabo Veste Prada”.  Outra participação surpresa vai deixar os mais atentos de queixo caído, mas não posso revelar quem senão estraga a surpresa. Fora as participações, os fixos dão seu show à parte. Jason Segel e Amy Adams (vejam só) consegue mostrar aquela química ingênua com perfeição na tela. E ambos mostram talento na hora de cantar. Até Chris Cooper, no papel de vilão do filme, solta a voz em um rap, num dos números musicais.


Mas as estrelas são os bonecos, que conseguem ofuscar todos os humanos presentes. Kermit (ex-Caco), Miss Piggy, Gonzo e toda a turma têm tiradas sensacionais que lembram o bom humor dos seriados antigos da TV (assim como os Muppets!). Aliás, vários elementos da série se repetem o tempo todo e a montagem surpreende em uma metalinguagem muito bem aplicada. Um exemplo é a parte onde, para chegarem mais rápido em um lugar, eles simplesmente vão de “seta no mapa” – ou seja, uma seta liga Los Angeles à Europa em um mapa na tela e, bam!, eles estão lá! E esse é só um dos bons momentos do filme, que diverte sem se tornar apelativo e que conjuga inocência com piadas bem amarradas que não irão chatear os adultos. Pelo contrário. Na sessão que eu estava só tinha adultos.

Nota: 8
*Indicado ao Oscar de Canção Original

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quero Matar Meu Chefe

Horrible Bosses

(EUA/ 2011) De Seth Gordon. Com Jason Bateman, Jason Sudeikis, Charlie Day, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell e Jamie Foxx.

Sabe aquela comédia que você não dá nada por ela, mas se diverte horrores? Surpreendentemente, “Quero Matar Meu Chefe” é assim. Ela é cheia de clichês do gênero e explora um tema já visto antes: o chefe mala e o empregado revoltado. A própria Jennifer Aniston já esteve num filme assim que, curiosamente, se chama “Como Enlouquecer Seu Chefe” (semelhanças?), mas este outro exemplar tem um enredo até legal. O timing dos protagonistas e as situações absurdas ajudam a dar o tom dessa comédia que faz rir do começo ao fim. Há séculos não pego uma dessas.

Nick, Dale e Kurt são amigos e tem uma coisa em comum. Seus chefes são pessoas desprezíveis. Nick sofre na mão de Dave Harken, o megalomaníaco presidente da empresa onde ele trabalha que está decidido a fazer da vida dele um inferno. Dale tem que aturar as investidas e a chantagem de Julia, a dentista que vive o assediando sexualmente, mesmo ele tendo uma noiva que ama muito. Kurt entra em pânico quando o filho de seu ex-chefe assume o controle da empresa depois que o velho morre. Porque? O cara é viciado em cocaína e quer pegar o patrimônio do pai e cair no mundo! É aí que os dois bolam o plano de se livrar de seus chefes! Com a consultoria de um especialista em crimes, ‘Motherfucker’ Jones, (copiando a Sessão da Tarde) essa galerinha vai se meter nas mais incríveis confusões.

Não fosse a conotação sexual do caso Dale-Julia, eu diria que esse seria um exemplar perfeito da Sessão da Tarde daqui a alguns anos. E no bom sentido! Apesar da pouca experiência de Seth Gordon em longas-metragens, é o timing do elenco que funciona. Jason Sudeikis traz a experiência do “Saturday Night Live” e Bateman dos filmes do gênero que já fez. Aniston está divertidíssima como a vilã pervertida gostosa, o que, talvez pela primeira vez na vida, a afasta de Rachel, da série “Friends”. O show a parte fica por conta de Kevin Spacey e o mais detestável dos chefes.

Apesar de clichê, repetitivo e até previsível, “Quero Matar Meu Chefe” diverte sem muita pretensão de ser O blockbuster do verão ou algo do tipo. Assim que boas comédias devem ser, daquelas que fazem rir sem o mínimo esforço, apenas com piadas e situações inteligentes, algo que falta para alguns exemplares do gênero, especialmente os mais recentes como “Os Pinguins do Papai”.

Nota: 8,0

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Se Beber, Não Case - Parte 2

The Hangover: Part II

(EUA, 2011) De Todd Phillips. Com Ed Helms, Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Ken Jeong, Jamie Chung, Justin Bartha e Paul Giamatti.

Eu odeio Zach Galifianakis. Fato. Fato mais do que comprovado ao assistir “Se Beber, Não Case – Parte 2”. Outro fato que eu comprovei é que eu não tenho o mesmo senso de humor da maioria das pessoas. A prova disso é que eu tive que recorrer à crítica do primeiro filme para poder me lembrar de como eu não ri dele também. Porque, se sobra originalidade na história do maior filme independente de comédia de 2009, faltou aqui uma certa decência em não repetir a história original. Porque sim, a história se repete. Os elementos entram e saem de cena, mas é tudo basicamente mais do mesmo.

Nessa chamada “Parte 2”, Stu é quem vai se casar na Tailândia, a pedido do pai da noiva, que é de lá. Claro que seus amigos Doug e Phill seguem com ele, mas a pedido da irmã de Doug, eles tem que levar o super sem noção e com TDHA, Alan. Os quatro decidem ir beber numa praia do resort onde estão e levar o irmão da noiva, o jovem prodígio Ted, junto com eles. Alan fica com ciúmes de Ted e tenta drogar o tailandês, mas o tiro sai pela culatra e tudo acontece de novo: uma longa farra pela qual eles não se lembram de nada. Stu, Alan e Phill acordam num hotel no meio de Bangcock, com Ted desaparecido e com uma tatuagem à La Mike Tyson no rosto de Stu. Ah, e um macaco tarado! Nisso eles precisam achar Ted – cujo dedo ficou perdido no hotel – e voltar para o casamento, alem de tentar lembrar tudo o que aconteceu na noite anterior.

Como comédia pra mim não funciona direito, vou tentar analisar o filme por outros aspectos. A parte 2 é cheia de recursos mais chocantes do que o primeiro filme, com cenas de violência e sexo que são daquele tipo escrachada, que fazem o espectador rir de se esbaldar. Porém, a apelação é descaradamente um recurso para alimentar a falta de originalidade no roteiro. A adição de elementos como o macaco fumante tarado e até a presença de Ken Jeong (outro sofrível pseudo-comediante) não deixam a gente esquecer que estamos vendo tudo de novo – exatamente igual.

Ao final, sabemos que tudo irá acabar bem, com todos redimindo Alan pela estupidez enquanto eu, pessoalmente, já teria matado o indivíduo. Se Todd Phillips foi um gênio aclamado por seu primeiro filme, ele peca por ter repetido a dose exatamente igual pela terceira vez (“Um Parto de Viagem”, de 2010, tem elementos diferentes mas também é mais do mesmo, especialmente por ter Galifianakis como um dos protagonistas). Talvez por isso “SE Beber, Não Case – Parte 2” funcione bem. Quem gostou do primeiro, vai gostar do segundo, e quem odiou o primeiro vai detestar o segundo. Ah, e vale esperar os créditos para ver as fotos da farra no fim que, por si só, valem o filme inteiro.

Nota: 6,0

terça-feira, 29 de março de 2011

VIPs


VIP’s
(Brasil, 2010) De Toniko Melo. Com Wagner Moura, Roger Gobeth, Milhem Cortaz, Jorge D’Elia, Gisele Fróes, Juliano Cazarré.

Marcelo Nascimento passou quatro dias fingindo ser o filho do dono da empresa de aviação Gol, durante o Recifolia de 2001. Enganou um monte de gente, inclusive os atores Carolina Dieckman, Marcos Frota e Ricardo Macchi. Essa é a história que ficou conhecida do grande público, até porque o pilantrão fez questão de dar uma entrevista histórica para Amaury Jr. O resto pode ser conferido em “VIP’s”, longa de estreia de Toniko Melo que se aproveita de parte da história para narrar uma trama fictícia. Alguns fatos foram distorcidos (até mesmo para preservar a imagem de quem se viu vítima do golpe), mas a maioria se mantém fiel ao livro “Histórias Reais de um Mentiroso”, de Mariana Caltabiano. O longa venceu o Festival do Rio 2010, inclusive com prêmios de Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Ator Coadjuvante para Jorge D’Elia e Melhor Atriz Coadjuvante para Gisele Fróes.

Louco por aviação, o jovem Marcelo, apelidado de Bizarro por alguns conhecidos, decide fugir de casa em busca do sonho de se tornar piloto de avião, como o pai. Perito na arte de imitar e enganar os outros, ele se mete com um cartel paraguaio de drogas para conseguir sua habilitação. Depois de ser preso e depois liberado, ele retorna ao Brasil ainda com o sonho de ser alguém importante. É quando ele planeja dar um golpe maior do que ele mesmo imaginara. Ele não sabia, porém, era o quanto esse golpe daria certo, e se não fosse por alguns deslizes, nem daria errado no fim.


Confesso que esperava mais de “VIP’s”. Vencedor do último Festival do Rio, com sessões disputadas a tapas, o longa de Toniko Melo se limita apenas a tentar fazer com que o espectador se afeiçoe ao “bandido problemático” com uma trilha sonora bem amarrada e imagens bem filmadas. Porém o roteiro é fraco e sem vida. Como todo mundo já sabe da história, o diretor apenas conduziu a narrativa. Até o que deveria ser surpresa todo mundo já saca bem antes do final do filme.

O filme tem boas piadas, além de fazer lembrar de que essa foi uma história real e aí sim o espectador se pega pensando em como alguém conseguiu bolar uma trama dessas. A forma como foi trabalhado o conflito interno do personagem, de parecer não saber quem é e “não fazer isso por mal” também merece destaque. Sem falar que Wagner Moura salva qualquer cena em que apareça, mostrando um personagem altamente fragilizado por traumas que não são explicados. Aliás, nada é muito explicado no filme, você tem que deduzir sozinho como alguém consegue um helicóptero, um quarto de hotel luxuoso, seguranças e entrada numa área VIP simplesmente na base do nome e da lábia. Pensando bem, nem é tão difícil assim. A famosa carteirada acontece o tempo todo, mas enfim, isso é outra história.



“VIP’s” parecia mais. No fim, fica uma história interessante que com certeza se encaixa em um nível diferente do cinema nacional, em que pelo menos se tenta fazer uma história de verdade. Só me chama a atenção o fato de não terem conseguido nenhum adolescente mais cabeludinho pra fazer o Marcelo nessa faixa etária. O próprio Moura (tentou) interpreta(r) o garoto. Tinham que colocar o Wagner Moura emo? Se bem que, em se tratando do ator, que já interpretou até uma mulher na TV, qualquer papel é bem realizado.



Nota: 6,0

sábado, 26 de março de 2011

Esposa de Mentirinha


Just Go With It
(EUA, 2010) De Dennis Dugan. Com Adam Sandler, Jennifer Anniston, Brooklyn Decker, Nick Swardson e Nicole Kidman.

O Havaí deve ter um encantamento mágico que faz com que os filmes do Adam Sandler se tornem mais divertidos. Foi assim em “Como Se Fosse a Primeira Vez” e o efeito se repete agora em “Esposa de Mentirinha” (título ruim, mas fazer o quê). Comparando com títulos como “Zohan” e “Um Faz de Contas que Acontece”, o novo filme de Sandler ajuda a levantar a moral do comediante, que é um dos maiores nomes da comédia americana e continua na ativa com bons trabalhos, mesmo sendo da chamada “velha guarda”. Will Ferrell, por exemplo, não está tendo a mesma sorte e Ben Stiller tem andado bem fraco. Depois de “Gente Grande”, filme mediano, Sandler engata esta comédia romântica clichê, como todas as outras, mas com piadas que funcionam e fazem o espectador rolar de rir.

O cirurgião plástico Danny sempre usa um truque para conquistar as mulheres: usa uma aliança e finge que é casado, mas que leva um relacionamento terrível com a esposa. Assim, ele consegue a atenção de todo o tipo de mulher. Até que um dia ele conhece Palmer, uma garota linda, atraente e inteligente que cativa o coração dele no primeiro instante. Mas ao descobrir a aliança falsa, Palmer exige uma explicação de Danny, que recorre à sua assistente Kathryn. Ela sugere que Danny diga a Palmer que está se divorciando, mas ninguém contava que Palmer iria querer conhecer a suposta ex-esposa. É aí que Kathryn terá que bancar a esposa de mentirinha, mas por quanto tempo Danny conseguirá levar essa mentira adiante?

Cheio de boas piadas, é o carisma do casal principal que segura a onda do filme todo. Adam Sandler faz o sujeito bacana de sempre, mas Jennifer Aniston está absolutamente deslumbrante. Pena que ela sempre tenha cara de Rachel... Mas nesse papel ela consegue ótimos momentos de destaque. Os coadjuvantes também estão ótimos, sobretudo as crianças Bailee Madison e Griffin Gluck, os filhos de mentirinha, mercenários que só eles.
Como não foi divulgado para manter uma certa surpresa, o comentário a seguir vai como SPOILER: O que é Nicole Kidman nesse filme? Ela talvez tenha entregue o personagem mais irritante da sua carreira – com exceção de Sarah Ashley, de “Austrália”, que é hors concours. Mas isso não quer dizer que Kidman não esteja hilária no papel de Devlin, a amiga má de Kathryn que pode ser a responsável por desmascarar a trama. Destaque também para o cantor Dave Matthews, numa participação super engraçada.

Nota: 9,0

sábado, 22 de janeiro de 2011

O Turista


The Tourist
(EUA/UK, 2010) De Florian Henckel von Donnersmark. Com Angelina Jolie, Johnny Depp e Paul Bettany.

Johhny Depp é conhecido por seus papeis camaleônicos, podendo interpretar praticamente qualquer papel, seja ele excêntrico, esquisito, fantasiado, maluco ou comum. Já Angelina Jolie, de beleza e elegância incontestáveis, tem a incrível habilidade de sempre interpretar a si mesma, salvo algumas exceções. Não que isso na Sra. Pitt seja ruim, não, o público adora ver Angelina nas telas. Os atores são dois dos maiores astros do cinema neste início de século e estão no topo dos preferidos dos diretores. "O Turista" chegou pra mostrar que os dois são grandes demais pra trabalhar juntos.

No filme, a namorada de um ladrão foragido da polícia britânica, Elisa Ward, recebe recados dele para despistar a policia e ir se encontrar com ele. O ladrão, Alexander Pearce, dá as instruções para que ela embarque em um trem e escolha alguém com o mesmo tipo físico dele e fazer a polícia acreditar. Elisa então escolhe o professor de matemática Frank Tupelo e no meio do plano de fazer a polícia acreditar, Frank se apaixona por Elisa. O que ela não sabe é que o mafioso de quem Alexander roubou dinheiro também estava de olho neles. Agora, todos pensam que Frank é Alexander, e cabe à Elisa proteger e zelar pela segurança do turista.



Apesar das promessas de uma suposta aura hitchcockiana, "O Turista" é fraco, especialmente pelo brilho do casal principal. Claro, temos que concordar que uma personagem tão estilosa como Elisa ficou perfeita em Angelina e o cara bobão e sonso também caiu como uma luva em Depp. Porém, os dois não tem a menor química nas telas. Aliás, parece que ninguém combina com Angelina Jolie além dela mesma, que rouba todas as cenas simplesmente com a sua presença. Johnny Depp perto dela fica totalmente apagado. O que dizer então de Paul Bettany...



O thriller tem bons momentos de comédia e um charme irresistível - que começa na expectativa de ver os dois na tela, ainda do lado de fora do cinema. O filme é bom, mas não o suficiente para justificar os atores juntos que, repito, não combinam. Bom veículo para os dois, ainda mais para Angelina que, repito, está linda. Ponto para o diretor alemão de "A Vida dos Outros" que, no primeiro trabalho maior, conseguiu uma equipe tão bacana pra trabalhar mas, repito, "O Turista" é fraco.

Nota: 7,0

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Scott Pligrim Contra o Mundo (Último de 2010)

Scott Pilgrim vs. The World
(EUA/Canadá, 2010) De Edgar Wright. Com Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Mark Webber, Jason Schwartzman, Anna Kendrick, Chris Evans, Brandan Routh, Allison Pil, Johnny Simmons e Kieran Culkin.

"Scott Pilgrim" foi um dos filmes mais injustiçados do ano. Não teve uma boa bilheteria nos Estados Unidos, quase não foi lançado no Brasil (e quando foi, saiu em uma única sala em São Paulo e, meses depois, no Rio) e ainda nem conseguiu se pagar - o filme custou US$ 60 milhões e só arrecadou US$ 47 milhões. Mesmo assim, é um sucesso de crítica e aclamado por fãs da HQ original, fãs de HQ em geral e pessoas mais ligadas em cinema, especialmente a galera entre 20 e 30 anos, claramente o público alvo do filme (e da HQ). O filme é o mais descolado de 2010 e representa muito bem a nova geração de "adultescentes" que está circulando por aí. Não à toa, quem queria ter visto o filme desde o anúncio da produção, já o fez pela internet, o território preferido dessa galera. Ponto pra Edgar Wright, que talvez tenha produzido o filme baseado em HQ mais fiel da história.

Scott é um rapaz de 23 anos que está numa banda de rock junto com seus amigos. Metido a conquistador, ele se envolve com a estudante chinesa Knive, que se torna obsessiva por ele e sua banda. Acontece que Scott encontra a garota dos seus sonhos, Ramona Flowers, uma menina descolada e de cabelo multicolorido. Mas tem algo de estranho com Ramona. Apesar dos avisos, Scott insiste em sair com ela, mas para que eles fiquem juntos, ele vai precisar derrotar a Liga dos Ex-Namorados do Mal, composta por sete ex-namorados de Ramona. Enquanto isso, Scott também precisa lidar com o torneio de rock que sua banda está competindo, com o retorno de uma ex-namorada e com a obsessão da própria Knive, que fica perdida no meio do triângulo amoroso.


Agora, pega essa sinopse curta aí de cima e adiciona todo o espírito dos quadrinhos, dos videogames e das bandas de rock alternativo, mais o visual dos quadrinhos, dos videogames e das bandas de rock alternativo e você tem o filme mais cool do ano. "Scott Pilgrim" não está preocupado com críticas, bilheteria ou o que quer que seja. Ao que parece, a única preocupação do filme é ser legal o suficiente pra conseguir prender a atenção do seu principal público-alvo: os Scott Pilgrim da plateia, pessoas de uma geração que cresceu em meio a uma enxurrada de cultura pop por todos os lados. Esse é Scott. Esse sou eu. Esse é você. E essa é a principal sacada do diretor Edgar Wright: ser fiel á história e contá-la para os seus fãs. Se funciona com os fãs, funciona com todo mundo (em tese).


Os efeitos visuais são um destaque à parte do filme. Cada vez que Scott vai lutar com um ex-namorado do mal, um visual de videogame aparece na tela, os personagens ganham superpoderes e onomatopeias pipocam no filme. As representações gráficas de amor, solidão, ódio, tristeza, entre outros, também são geniais. O roteiro peca um pouco por ser óbvio às vezes, e a montagem é corrida demais. Mas nada que atrapalhe o desempenho do filme ou dos atores, principalmente Michael Cera, que parece que nasceu para os personagens perdedores convictos. Nesse, ele dá a volta por cima, cada vez que Scott derrota um oponente (e cada vez que ele derrota um oponente, ele ganha pontos em forma de... moedas, como no Super Mario!).


Que as lições de "Scott Pilgrim" sejam aprendidas por outros filmes do gênero que tentam, mas não conseguem, ser qualquer outra coisa além de uma máquina de dinheiro. A Marvel está não só conseguindo reverter isso, como aliar uma coisa a outra: ser uma máquina de dinheiro e também um ícone da cultura. A DC Comics ainda tá no meio do caminho, mas a nova franquia Batman mostrou que eles estão aprendendo. Os estúdios (Sony, Fox, Paramount, Warner, etc.) ainda precisam lidar melhor com isso.

Nota: 9,0