quinta-feira, 29 de março de 2012
Projeto X
segunda-feira, 19 de março de 2012
Guerra é Guerra
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O Artista
The Artist(EUA, França/2011) De Michel Hazanavicius. Com Jean Dujardin, Berenice Bejo, John Goodman, Missi Pyle, Penelope Ann Miller, James Cromwell e Uggie.
Chega a dar um alívio no coração ver que ainda são produzidos filmes como “O Artista”, daqueles que fazem você se lembrar do por que você ama a sétima arte. No meio de tantas coisas produzidas, em um momento em que Hollywood se encontra em uma falência coletiva de criatividade, “O Artista” se destaca. E sim, tem tudo a ver com o fato de o filme ser mudo e em preto e branco. Não exatamente pela técnica, mas pela coragem que diretor, atores e produtores tiveram para levar a história adiante e emocionar plateias do mundo inteiro simplesmente usando expressões, gestos e trilha sonora, apoiados sim por diálogos sem som, mas que estão presentes seja nos letreiros, seja pela leitura dos lábios dos atores. Michel Hazanavicius conduz o filme de forma impecável, sem cansar nem um minuto e usando muito bem a técnica do cinema mudo em pleno século XXI. A metalinguagem nunca foi tão bem empregada em um exemplar do cinema.
George Valentin é o ator mais bem sucedido da era do cinema mudo, conquistando fãs e estampando as capas de revistas. Ele e seu companheiro canino Uggie estrelam produções de diversos gêneros, sempre divertindo e encantando as plateias. Em uma de suas premiéres, ele encontra a aspirante à atriz Peppy Miller, que depois acaba por ser figurante em um dos seus filmes, nascendo assim um encanto entre os dois. O que ninguém esperava é que uma invenção pudesse mudar os rumos do entretenimento: o cinema falado. George não acredita na invenção, enquanto Peppy desponta cada vez mais, conquistando o estrelato. Decidido a provar que o cinema mudo não acabou, George escreve, dirige e financia o seu próprio filme, sendo surpreendido pela falta de resposta do público e pela crise econômica de 1929. Enquanto ele cai na decadência, Peppy Miller se torna uma diva do cinema, sem nunca ter perdido o encanto por George.

A forma como o diretor narra a história de George Valentim é rica em detalhes e impressiona pela magnitude de sua concepção. Cenas como a exibição dos filmes em um desses cinemas antigos gigantes, com a apresentação do ator ao fim do filme, e os próprios créditos iniciais são de deixar qualquer cinéfilo com os olhos marejados. Os detalhes estão em todos os lugares: na reprodução dos jornais e revistas da época, nos cenários, nos figurinos e até no estilo de filmar, em aspecto 1.33:1, quadradão, assim como os filmes mudos originais. E esse realismo aproxima cada vez mais o espectador que, em questão de segundos, esquece que o filme é mudo e se deixa levar pela trilha sonora espetacular de Ludovic Bource.
A dupla protagonista, Jean Dujardin e Berenice Bejo, transmite carisma com facilidade e conseguem passar suas emoções sem dizer uma palavra sequer. Dujardin então tem duplo papel, que é fazer as caras e bocas de George Valentin no set e o cara comum que tem suas próprias emoções e dramas pessoais para lidar. Mesmo o cachorro, o bem treinado Uggie, se destaca e já se candidata como melhor performance realizada por um animal diante das câmeras.
“O Artista” é uma concepção rara de um diretor visionário que passou para a película toda a sua paixão pela era do cinema mudo e também pelo cinema em geral. A transição da época silenciosa para os filmes falados foi dolorosa para estúdios e atores, sem dúvida, mas teve importância de peso naquilo que o cinema viria a se transformar. Claro, essa arte mutante, que cria novas técnicas a cada dia, mas que não desiste nunca de contar boas histórias, nos fazer refletir e ajudar a tocar as nossas vidas. “O Artista” é a homenagem mais do que justa a tudo o que o cinema nos faz.
Nota: 10
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Meia-Noite em Paris
Midnight in Paris(EUA, 2011)De Woody Allen. Com Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Michael Sheen, Allison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates e Carla Bruni.
Quando “Meia-Noite em Paris” estreou, este que vos fala estava ocupado demais com compromissos acadêmicos – leia-se, morrendo na monografia – e não pôde resenhar a crítica do filme. Em consolo, a pesquisa da monografia, era justamente sobre cinema, então dá pra relevar um pouco. Desculpas à parte, a questão é que “Meia-Noite em Paris”, o Woody Allen mais recente, estreou de mansinho e, de repente, já era um dos filmes mais queridos do diretor. À época, uma das coisas mais extraordinárias era ter Carla Bruni, a primeira-dama francesa, no elenco. Só depois de apreciado devidamente é que nos deixamos levar pelos encantos da cidade, filmada de maneira belíssima por Allen. Além disso, o filme evoca uma época de ouro da cultura e da arte, relembrando tempos passados que hoje, mesmo quem nunca os viveu, trazem na memória com saudosismo.
O escritor Gil está em Paris com a família de sua noiva a negócios. Ela quer discutir detalhes da cerimônia de casamento. Ele quer conhecer Paris e se deixar inspirar pela aura da cidade. Os dois têm temperamentos e gostos diferentes. Até que, em uma noite vagando sozinho pelas ruas parisienses, Gil embarca em uma carruagem que, estranhamente, o leva para o passado, junto do convívio de grandes pensadores e ídolos culturais dos anos 1920. E aí somos levados pela discussão de qual época é realmente a melhor: aquela que fazemos ou aquela que já se passou. Gil fica literalmente dividido entre voltar para seus tempos atuais e ficar com a noiva ou permanecer em meio aos intelectuais do passado, especialmente ao se encantar pela jovem Adriana, uma entusiasta da Bélle Epoque. Isso sem ter certeza de estar vivendo uma fantasia ou a realidade.
A condução da trama traz aquele charme inegável de Woody Allen. O que “Meia-Noite em Paris” tem de diferente é exatamente trazer à tona questões que permeiam o espírito dos jovens mais intelectualizados de hoje em dia. Allen pinta Paris como a capital cultural do mundo de uma forma mais sóbria do que fizera com Barcelona alguns anos antes (em "Vicky Cristina Barcelona"). O roteiro, também de Allen, mistura os tons de fantasia e realidade com perfeição, com a Paris atual cheia de cores durante o dia e uma cidade mais boêmia à noite, quando vemos a Paris do passado.
Ao colocar tantos personagens brilhantes no roteiro, Woody Allen faz uma homenagem a todos os grandes pensadores e artistas que impactaram e inspiraram não somente a ele, mas a vários criadores do século XX. Vemos nas telas Salvador Dalí, Luis Buñuel, F. Scott Fitzgerald, T.S. Elliot, Henri Matisse, Ernest Hemingway e Cole Porter, isso pra mencionar alguns. Fosse nos dias de hoje, juntar todo esse time em um único filme daria trabalho. O diretor consegue colocá-los todos em um mesmo plano, sem destacar ninguém a não ser o protagonista, Gil, interpretado por um Owen Wilson mais maduro do que de costume, embora preserve os traços cômicos que são necessários para o papel.
“Meia-Noite em Paris” foi indicado a quatro Oscars (Filme, diretor, roteiro original e direção de arte). O último que Woody Allen levou foi o de melhor roteiro em 1987, por “Hannah e Suas Irmãs” e a última indicação veio em 2006, na mesma categoria, por “Match Point”. O filme não é o favorito nas categorias que disputa, mas recolocar o gênio Woody Allen (que, honestamente, não precisa de prêmios pra ser reconhecido) no páreo é uma lembrança boa de que o diretor está tão bem como nunca talvez estivesse.
Nota: 10
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Românticos Anônimos
Les Émotifs Anonymesquarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Noite de Ano Novo
New Year’s
Eve
As múltiplas histórias se desenrolam direitinho, profundas o
suficiente para que saibamos o básico dos personagens, colocando eles como a
superfície de todo o clichê existente: a mãe protetora, a adolescente rebelde,
o solteirão convicto, a cantora em ascensão que acha que vai ter sua grande
chance de estrelato... todos são clichês para facilitar a dinâmica do filme. A
presença de nomes como Lea Michele (Glee), Seth Meyers (Saturday Night Live) e
Sophia Vergara (Modern Family) vem para provar que o filme está em sintonia com
tudo o que é atual, outro recurso para captar mais ainda a atenção dos
espectadores. Misturando um elenco novo (Zack Efron, Josh Duhamel) com um mais
experiente (De Niro, Michelle Pfeifer), Garry Marshall consegue um meio termo e
dá leveza ao longa. Dá pra ver estampado que estão todos se divertindo horrores
no filme.segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Os Muppets - O Filme
The Muppets *Indicado ao Oscar de Canção Original
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Quero Matar Meu Chefe

Horrible Bosses
(EUA/ 2011) De Seth Gordon. Com Jason Bateman, Jason Sudeikis, Charlie Day, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell e Jamie Foxx.
Sabe aquela comédia que você não dá nada por ela, mas se diverte horrores? Surpreendentemente, “Quero Matar Meu Chefe” é assim. Ela é cheia de clichês do gênero e explora um tema já visto antes: o chefe mala e o empregado revoltado. A própria Jennifer Aniston já esteve num filme assim que, curiosamente, se chama “Como Enlouquecer Seu Chefe” (semelhanças?), mas este outro exemplar tem um enredo até legal. O timing dos protagonistas e as situações absurdas ajudam a dar o tom dessa comédia que faz rir do começo ao fim. Há séculos não pego uma dessas.
Nick, Dale e Kurt são amigos e tem uma coisa em comum. Seus chefes são pessoas desprezíveis. Nick sofre na mão de Dave Harken, o megalomaníaco presidente da empresa onde ele trabalha que está decidido a fazer da vida dele um inferno. Dale tem que aturar as investidas e a chantagem de Julia, a dentista que vive o assediando sexualmente, mesmo ele tendo uma noiva que ama muito. Kurt entra em pânico quando o filho de seu ex-chefe assume o controle da empresa depois que o velho morre. Porque? O cara é viciado em cocaína e quer pegar o patrimônio do pai e cair no mundo! É aí que os dois bolam o plano de se livrar de seus chefes! Com a consultoria de um especialista em crimes, ‘Motherfucker’ Jones, (copiando a Sessão da Tarde) essa galerinha vai se meter nas mais incríveis confusões.
Não fosse a conotação sexual do caso Dale-Julia, eu diria que esse seria um exemplar perfeito da Sessão da Tarde daqui a alguns anos. E no bom sentido! Apesar da pouca experiência de Seth Gordon em longas-metragens, é o timing do elenco que funciona. Jason Sudeikis traz a experiência do “Saturday Night Live” e Bateman dos filmes do gênero que já fez. Aniston está divertidíssima como a vilã pervertida gostosa, o que, talvez pela primeira vez na vida, a afasta de Rachel, da série “Friends”. O show a parte fica por conta de Kevin Spacey e o mais detestável dos chefes.
Apesar de clichê, repetitivo e até previsível, “Quero Matar Meu Chefe” diverte sem muita pretensão de ser O blockbuster do verão ou algo do tipo. Assim que boas comédias devem ser, daquelas que fazem rir sem o mínimo esforço, apenas com piadas e situações inteligentes, algo que falta para alguns exemplares do gênero, especialmente os mais recentes como “Os Pinguins do Papai”.
Nota: 8,0
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Se Beber, Não Case - Parte 2
The Hangover: Part II (EUA, 2011) De Todd Phillips. Com Ed Helms, Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Ken Jeong, Jamie Chung, Justin Bartha e Paul Giamatti.
Eu odeio Zach Galifianakis. Fato. Fato mais do que comprovado ao assistir “Se Beber, Não Case – Parte 2”. Outro fato que eu comprovei é que eu não tenho o mesmo senso de humor da maioria das pessoas. A prova disso é que eu tive que recorrer à crítica do primeiro filme para poder me lembrar de como eu não ri dele também. Porque, se sobra originalidade na história do maior filme independente de comédia de 2009, faltou aqui uma certa decência em não repetir a história original. Porque sim, a história se repete. Os elementos entram e saem de cena, mas é tudo basicamente mais do mesmo.
Nessa chamada “Parte 2”, Stu é quem vai se casar na Tailândia, a pedido do pai da noiva, que é de lá. Claro que seus amigos Doug e Phill seguem com ele, mas a pedido da irmã de Doug, eles tem que levar o super sem noção e com TDHA, Alan. Os quatro decidem ir beber numa praia do resort onde estão e levar o irmão da noiva, o jovem prodígio Ted, junto com eles. Alan fica com ciúmes de Ted e tenta drogar o tailandês, mas o tiro sai pela culatra e tudo acontece de novo: uma longa farra pela qual eles não se lembram de nada. Stu, Alan e Phill acordam num hotel no meio de Bangcock, com Ted desaparecido e com uma tatuagem à La Mike Tyson no rosto de Stu. Ah, e um macaco tarado! Nisso eles precisam achar Ted – cujo dedo ficou perdido no hotel – e voltar para o casamento, alem de tentar lembrar tudo o que aconteceu na noite anterior.
Como comédia pra mim não funciona direito, vou tentar analisar o filme por outros aspectos. A parte 2 é cheia de recursos mais chocantes do que o primeiro filme, com cenas de violência e sexo que são daquele tipo escrachada, que fazem o espectador rir de se esbaldar. Porém, a apelação é descaradamente um recurso para alimentar a falta de originalidade no roteiro. A adição de elementos como o macaco fumante tarado e até a presença de Ken Jeong (outro sofrível pseudo-comediante) não deixam a gente esquecer que estamos vendo tudo de novo – exatamente igual.
Ao final, sabemos que tudo irá acabar bem, com todos redimindo Alan pela estupidez enquanto eu, pessoalmente, já teria matado o indivíduo. Se Todd Phillips foi um gênio aclamado por seu primeiro filme, ele peca por ter repetido a dose exatamente igual pela terceira vez (“Um Parto de Viagem”, de 2010, tem elementos diferentes mas também é mais do mesmo, especialmente por ter Galifianakis como um dos protagonistas). Talvez por isso “SE Beber, Não Case – Parte 2” funcione bem. Quem gostou do primeiro, vai gostar do segundo, e quem odiou o primeiro vai detestar o segundo. Ah, e vale esperar os créditos para ver as fotos da farra no fim que, por si só, valem o filme inteiro.
Nota: 6,0
terça-feira, 29 de março de 2011
VIPs

VIP’s
(Brasil, 2010) De Toniko Melo. Com Wagner Moura, Roger Gobeth, Milhem Cortaz, Jorge D’Elia, Gisele Fróes, Juliano Cazarré.
Marcelo Nascimento passou quatro dias fingindo ser o filho do dono da empresa de aviação Gol, durante o Recifolia de 2001. Enganou um monte de gente, inclusive os atores Carolina Dieckman, Marcos Frota e Ricardo Macchi. Essa é a história que ficou conhecida do grande público, até porque o pilantrão fez questão de dar uma entrevista histórica para Amaury Jr. O resto pode ser conferido em “VIP’s”, longa de estreia de Toniko Melo que se aproveita de parte da história para narrar uma trama fictícia. Alguns fatos foram distorcidos (até mesmo para preservar a imagem de quem se viu vítima do golpe), mas a maioria se mantém fiel ao livro “Histórias Reais de um Mentiroso”, de Mariana Caltabiano. O longa venceu o Festival do Rio 2010, inclusive com prêmios de Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Ator Coadjuvante para Jorge D’Elia e Melhor Atriz Coadjuvante para Gisele Fróes.
Louco por aviação, o jovem Marcelo, apelidado de Bizarro por alguns conhecidos, decide fugir de casa em busca do sonho de se tornar piloto de avião, como o pai. Perito na arte de imitar e enganar os outros, ele se mete com um cartel paraguaio de drogas para conseguir sua habilitação. Depois de ser preso e depois liberado, ele retorna ao Brasil ainda com o sonho de ser alguém importante. É quando ele planeja dar um golpe maior do que ele mesmo imaginara. Ele não sabia, porém, era o quanto esse golpe daria certo, e se não fosse por alguns deslizes, nem daria errado no fim.

Confesso que esperava mais de “VIP’s”. Vencedor do último Festival do Rio, com sessões disputadas a tapas, o longa de Toniko Melo se limita apenas a tentar fazer com que o espectador se afeiçoe ao “bandido problemático” com uma trilha sonora bem amarrada e imagens bem filmadas. Porém o roteiro é fraco e sem vida. Como todo mundo já sabe da história, o diretor apenas conduziu a narrativa. Até o que deveria ser surpresa todo mundo já saca bem antes do final do filme.
O filme tem boas piadas, além de fazer lembrar de que essa foi uma história real e aí sim o espectador se pega pensando em como alguém conseguiu bolar uma trama dessas. A forma como foi trabalhado o conflito interno do personagem, de parecer não saber quem é e “não fazer isso por mal” também merece destaque. Sem falar que Wagner Moura salva qualquer cena em que apareça, mostrando um personagem altamente fragilizado por traumas que não são explicados. Aliás, nada é muito explicado no filme, você tem que deduzir sozinho como alguém consegue um helicóptero, um quarto de hotel luxuoso, seguranças e entrada numa área VIP simplesmente na base do nome e da lábia. Pensando bem, nem é tão difícil assim. A famosa carteirada acontece o tempo todo, mas enfim, isso é outra história.

“VIP’s” parecia mais. No fim, fica uma história interessante que com certeza se encaixa em um nível diferente do cinema nacional, em que pelo menos se tenta fazer uma história de verdade. Só me chama a atenção o fato de não terem conseguido nenhum adolescente mais cabeludinho pra fazer o Marcelo nessa faixa etária. O próprio Moura (tentou) interpreta(r) o garoto. Tinham que colocar o Wagner Moura emo? Se bem que, em se tratando do ator, que já interpretou até uma mulher na TV, qualquer papel é bem realizado.

Nota: 6,0
sábado, 26 de março de 2011
Esposa de Mentirinha

Just Go With It
sábado, 22 de janeiro de 2011
O Turista

The Tourist
(EUA/UK, 2010) De Florian Henckel von Donnersmark. Com Angelina Jolie, Johnny Depp e Paul Bettany.
Johhny Depp é conhecido por seus papeis camaleônicos, podendo interpretar praticamente qualquer papel, seja ele excêntrico, esquisito, fantasiado, maluco ou comum. Já Angelina Jolie, de beleza e elegância incontestáveis, tem a incrível habilidade de sempre interpretar a si mesma, salvo algumas exceções. Não que isso na Sra. Pitt seja ruim, não, o público adora ver Angelina nas telas. Os atores são dois dos maiores astros do cinema neste início de século e estão no topo dos preferidos dos diretores. "O Turista" chegou pra mostrar que os dois são grandes demais pra trabalhar juntos.
No filme, a namorada de um ladrão foragido da polícia britânica, Elisa Ward, recebe recados dele para despistar a policia e ir se encontrar com ele. O ladrão, Alexander Pearce, dá as instruções para que ela embarque em um trem e escolha alguém com o mesmo tipo físico dele e fazer a polícia acreditar. Elisa então escolhe o professor de matemática Frank Tupelo e no meio do plano de fazer a polícia acreditar, Frank se apaixona por Elisa. O que ela não sabe é que o mafioso de quem Alexander roubou dinheiro também estava de olho neles. Agora, todos pensam que Frank é Alexander, e cabe à Elisa proteger e zelar pela segurança do turista.

Apesar das promessas de uma suposta aura hitchcockiana, "O Turista" é fraco, especialmente pelo brilho do casal principal. Claro, temos que concordar que uma personagem tão estilosa como Elisa ficou perfeita em Angelina e o cara bobão e sonso também caiu como uma luva em Depp. Porém, os dois não tem a menor química nas telas. Aliás, parece que ninguém combina com Angelina Jolie além dela mesma, que rouba todas as cenas simplesmente com a sua presença. Johnny Depp perto dela fica totalmente apagado. O que dizer então de Paul Bettany...

O thriller tem bons momentos de comédia e um charme irresistível - que começa na expectativa de ver os dois na tela, ainda do lado de fora do cinema. O filme é bom, mas não o suficiente para justificar os atores juntos que, repito, não combinam. Bom veículo para os dois, ainda mais para Angelina que, repito, está linda. Ponto para o diretor alemão de "A Vida dos Outros" que, no primeiro trabalho maior, conseguiu uma equipe tão bacana pra trabalhar mas, repito, "O Turista" é fraco.
Nota: 7,0
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Scott Pligrim Contra o Mundo (Último de 2010)
Scott Pilgrim vs. The World(EUA/Canadá, 2010) De Edgar Wright. Com Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Mark Webber, Jason Schwartzman, Anna Kendrick, Chris Evans, Brandan Routh, Allison Pil, Johnny Simmons e Kieran Culkin.
"Scott Pilgrim" foi um dos filmes mais injustiçados do ano. Não teve uma boa bilheteria nos Estados Unidos, quase não foi lançado no Brasil (e quando foi, saiu em uma única sala em São Paulo e, meses depois, no Rio) e ainda nem conseguiu se pagar - o filme custou US$ 60 milhões e só arrecadou US$ 47 milhões. Mesmo assim, é um sucesso de crítica e aclamado por fãs da HQ original, fãs de HQ em geral e pessoas mais ligadas em cinema, especialmente a galera entre 20 e 30 anos, claramente o público alvo do filme (e da HQ). O filme é o mais descolado de 2010 e representa muito bem a nova geração de "adultescentes" que está circulando por aí. Não à toa, quem queria ter visto o filme desde o anúncio da produção, já o fez pela internet, o território preferido dessa galera. Ponto pra Edgar Wright, que talvez tenha produzido o filme baseado em HQ mais fiel da história.
Scott é um rapaz de 23 anos que está numa banda de rock junto com seus amigos. Metido a conquistador, ele se envolve com a estudante chinesa Knive, que se torna obsessiva por ele e sua banda. Acontece que Scott encontra a garota dos seus sonhos, Ramona Flowers, uma menina descolada e de cabelo multicolorido. Mas tem algo de estranho com Ramona. Apesar dos avisos, Scott insiste em sair com ela, mas para que eles fiquem juntos, ele vai precisar derrotar a Liga dos Ex-Namorados do Mal, composta por sete ex-namorados de Ramona. Enquanto isso, Scott também precisa lidar com o torneio de rock que sua banda está competindo, com o retorno de uma ex-namorada e com a obsessão da própria Knive, que fica perdida no meio do triângulo amoroso.

Agora, pega essa sinopse curta aí de cima e adiciona todo o espírito dos quadrinhos, dos videogames e das bandas de rock alternativo, mais o visual dos quadrinhos, dos videogames e das bandas de rock alternativo e você tem o filme mais cool do ano. "Scott Pilgrim" não está preocupado com críticas, bilheteria ou o que quer que seja. Ao que parece, a única preocupação do filme é ser legal o suficiente pra conseguir prender a atenção do seu principal público-alvo: os Scott Pilgrim da plateia, pessoas de uma geração que cresceu em meio a uma enxurrada de cultura pop por todos os lados. Esse é Scott. Esse sou eu. Esse é você. E essa é a principal sacada do diretor Edgar Wright: ser fiel á história e contá-la para os seus fãs. Se funciona com os fãs, funciona com todo mundo (em tese).

Os efeitos visuais são um destaque à parte do filme. Cada vez que Scott vai lutar com um ex-namorado do mal, um visual de videogame aparece na tela, os personagens ganham superpoderes e onomatopeias pipocam no filme. As representações gráficas de amor, solidão, ódio, tristeza, entre outros, também são geniais. O roteiro peca um pouco por ser óbvio às vezes, e a montagem é corrida demais. Mas nada que atrapalhe o desempenho do filme ou dos atores, principalmente Michael Cera, que parece que nasceu para os personagens perdedores convictos. Nesse, ele dá a volta por cima, cada vez que Scott derrota um oponente (e cada vez que ele derrota um oponente, ele ganha pontos em forma de... moedas, como no Super Mario!).

Que as lições de "Scott Pilgrim" sejam aprendidas por outros filmes do gênero que tentam, mas não conseguem, ser qualquer outra coisa além de uma máquina de dinheiro. A Marvel está não só conseguindo reverter isso, como aliar uma coisa a outra: ser uma máquina de dinheiro e também um ícone da cultura. A DC Comics ainda tá no meio do caminho, mas a nova franquia Batman mostrou que eles estão aprendendo. Os estúdios (Sony, Fox, Paramount, Warner, etc.) ainda precisam lidar melhor com isso.
Nota: 9,0


























