Das Weisse Band (Áustria, Alemanha, 2009) De Michael Haneke. Com Susanne Lothar, Ulrich Tukur, Burghart Klaubner, Michael Kranz e Marisa Growaldt.
Uma fila gigantesca, de dobrar o quarteirão, do lado de fora. Expectativas lá no alto. Três horas de projeção. Michael Haneke, o homem por trás de "Caché" e "Funny Games". "A Fita Branca" tem arrancado aplausos por todos os lugares que passa, e não é para menos. O longa foi filmado em preto-e-branco, o que é arriscado para os padrões digitais do século XXI. Mas Michael Haneke faz um filme não só competente no roteiro, mas visualmente e esteticamente bonito, como um poema.
No filme, um professor de um vilarejo no interior da Alemanha narra os acontecimentos naquela localidade, antes da Segunda Guerra Mundial. Vários acidentes misteriosos começam a acontecer, como uma linha esticada para derrubar um cavalo e o médico da cidade, um incêndio em um celeiro, duas crianças sequestradas e torturadas. Todos ficam apreensivos no local enquanto tentam levar suas vidas adiante. Tudo é controlado pelo temido Barão, e seus atos repercutem na vida de todos. Ainda vemos a rotina na casa do pastor local, que controla seus filhos com mãos de ferro e do administrador, que também é afetado por tudo o que acontece. O único alhieo e disposto a desvendar o mistério é o professor, que se apaixona pela babá do Barão, que é demitida após o filho dele ser torturado.

"A Fita Branca" tem um roteiro magnífico. A história se desenrola e não vai se arrastando, como seria de se esperar de um filme do gênero. Alguns elementos do filme lembram um pouco do expressionismo alemão do início do cinema, sobretudi na escolha (mais do que acertada) do diretor de usar fotografia preto-e-branco. Ao mesmo tempo que dá um ar de antigo, já que a história se passa no início do século XX, também ajuda a conferir o caráter de suspense e autoritarismo puritano.
Haneke conseguiu levar a Palma de Ouro mas não é o tipo de diretor de Oscar. Não que o filme não mereça, mas o diretor conseguiu fujir de todos os estereótipos americanos e hollywoodianos. Ao mesmo tempo, o charme da história é capaz de conquistar qualquer plateia, eu poderia dizer. Michael Haneke já foi esnobado pela Academia com "Funny Games", de 1995, e com "Caché", de 2006, um dos melhores filmes da última decada. Mas porque pensar em Oscar/? "A Fita Branca" é uma obra de arte pura e genuína, dessas que a gente não vê mais por aí. Não é uma simples statueta de um homem dourado e nu que vai mudar isso. Sem falar que ultimamente, ganhar uma palma de ouro tem sido bem mais interessante.
Nota: 10

Mais não dá pra falar. A diretora Katherine Bigelow talvez tenha querido passar a ideia de como deve ser dificil a vida dos americanos que estão baseados no Iraque. Sem muita profundidade, ela passeia por questões que são inerentes a cada ser humano, e assim o espectador pode fazer os seus próprios julgamentos. O problema nas plateias brasileiras vai ser a dificuldade de tentar se enxergar no filme, uma vez que a guerra não é nossa. Não são os nossos parentes, familiares e amigos que estão lá, lutando em vão por uma guerra inútil, injusta e vaidosa. Mesmo quando, aparentemente, não há feridas a serem abertas, a diretora consegue cutucar.
Apesar disso, não é tanto o roteiro ou a história - com boas doses de comédia, acredite - que são o melhor do filme. O estilo de direção, a montagem, os efeitos especiais, é tudo tão vibrante e correto que prendem o espectador e ajudam a dar o estilo do filme. A grande maioria das cenas é filmada em um estilo documental, com a câmera na mão para dar um tom mais intimista ao filme. A interpretação de Jeremy Renner surpreende para um ator meio desconhecido, assim como seus coadjuvantes que também são competentes. As participações de luxo não ousam roubar o mérito deles (Ralph Fiennes, Guy Pearce e Evangeline Lilly), mas sim para complementar a história.
Sendo assim, "Guerra ao Terror" conseguiu 9 indicações ao Oscar, mas esperava mesmo mais do filme. O burburinho era tanto que fez a Imagem Filmes distribuir o filme nos cinemas, mesmo depois de uma infrutifera distribuição em DVD. Os resultados podem surpreender e Bigelow pode até vencer James Cameron e levar o prêmio de direção pra casa, já que a Academia adora essas festinhas (ela pode ser a primeira mulher a levar o premio de direção). Vamos aguardar os envelopes se abrirem.













