sábado, 20 de fevereiro de 2010

Um Olhar do Paraíso - A Decepcionante Crítica

The Lovely Bones
(EUA, 2009) De Peter Jackson. Com Saoirse Ronan, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon e Stanley Tucci.

Vamos lá. Um dos primeiros livros que li quando comecei a me interessar por livros foi um romance escrito por Alice Sebold chamado "Uma Vida Interrompida - Memórias de um Anjo Assassinado". Foi o primeiro livro que minha mãe me deu então ele tem um significado muito especial. Além do valor sentimental, a história de Susie Salmon, como o peixe, mexeu tanto comigo que o livro se tornou um dos meus favoritos para todo o sempre. Então, qual não foi a minha felicidade e alegria saber que o livro não só iria ser adaptado para os cinemas, como o seria feito por Peter Jackson, o homem que tinha acabado de ganhar uns 17 oscars pela franquia "O Senhor dos Anéis". Hoje, após assistir a "Um Olhar do Paraíso", me senti traído pela arte que mais amo.

Susie Salmon, 14 anos, foi assassinada brutalmente pelo seu vizinho, Mr, Harvey. Só que todos os vestígios sobre o crime sumiram e a polícia encerra as buscas por falta de indícios. O pai de Susie enfrenta uma crise na sua família após a morte da garota, mas mesmo assim não desiste de lutar para achar o culpado com a ajuda da filha Lindsay, enquanto Harvey continua a solta e com mais insegurança, à medida que os Salmon se aproximam da verdade. Enquanto isso, Susie se encontra entre a Terra e o Paraíso, em algum lugar em que ela observa sua família se destruir e se recompor à medida que ela tenta ajudar como pode à resolver o mistério da sua morte. A ajuda pode vir de Ruth Connor, uma garota sensitiva que todos acham esquisita e que começa a se aproximar de Ray, o garoto que gostava de Susie quando ela era viva. Susie só pode partir mesmo para o céu quando nada mais a prender na Terra.


Lindo, né? Até seria se A HISTÓRIA DO LIVRO NÃO FOSSE NADA DISSO AÍ!!!! É essa a parte mais revoltante. Pegaram a história de superação da dor, de luta pela verdade e de valores familiares que eram tratados no livro e transformaram em um trhiller policial sem sentido! Sem falar que toda a parte do céu está distorcida e o filme enfoca muito mais os desdobramentos (pífios, por sinal) da investigação policial feita pelo pai de Susie do que na família em si. Foi cortada inclusive a parte do assassinato de Susie, descrito com rigor de detalhes, além do estupro que a menina sofreu antes. Podiam ter cortado tudo, menos isso.


Falando do filme isoladamente, ele é meio confuso. A montagem é muito doida e às vezes dá pra se perder no enredo se não estiver prestando bem atenção. As cores berrantes do céu de Susan, que não fica claro se é mesmo o céu dela ou se o céu é assim pra todos (?!), são um misto de psicodelia que vão e voltam ao bel prazer da história. As atuações de Rachel Weisz e Susan Sarandon ficam bem aquém do esperado, elas são quase nulas. Mark Wahlberg, bem, é Mark Wahlberg. Stanley Tucci até que consegue se destacar como Mr. Harvey, o tenebroso assassino, mas não a ponto de ganhar uma indicação ao Oscar, eu acho. Na verdade, esperava até bem mais justamente por causa dessas indicações que ele recebeu. Saoirse Ronan desempenha bem o seu papel e sempre achei que ela seria uma ótima Susie Salmon e, até foi.

O problema não foi nem dela não. Foi do inconsistente roteiro escrito por Jackson com sua parceira Phillipa Boyens, que mal lembrava o original de Alice Sebold. Só pra quem quer saber: Susie é estuprada, Abigail Salmon vai embora de casa e só volta anos depois, o corpo de Susie é retalhado, trancado no cofre e jogado no sumidouro bem no começo da história. o cão da família acha um pedaço do corpo de Susie no milharal, Susie, aliás, vive no seu próprio céu particular onde ela encontra algumas pessoas mortas mas e não outras pessoas assassinadas por Harvey, Holly não é o anjo da guarda dela, é só uma amiga e, por Deus, Lindsay não encontra todas as provas cabais assim do nada na casa de Harvey... e isso é só o que eu lembro. Ah, Ruth Connors, a garota esquisita, é mais importante do que se pensa.

Quer saber mais de "Uma Vida Interromida"? Leia o livro, porque o filme infelizmente não vale tanto a pena. Méritos para Saoirse Ronan e Stanley Tucci. Penalidades para Peter Jackson que preferiu colocar "King Kong", o finado "Halo" e "Distrito 9" como prioridade antes do filme.

Acho que vou ler meu livro de novo.

Nota: 5,0

Preciosa

Precious: Based on the novel "Push" by Shappire
(EUA, 2009) De Lee Daniels. Com Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton, Mariah Carey e Lenny Kravitz.

Quando "Preciosa" surgiu na cena cinematográfica há alguns meses atrás, todo mundo se surpreendeu com a história que era contada. Estava achado o "Quem Quer Ser um Milionário" de 2009. Só que "Preciosa" é muito mais do que isso. O filme tem a ousadia de expor os nossos medos e preconceitos de uma forma tão descarada, que nos deixa constrangidos com os nossos próprios atos cotidianos. Indicado a seis Oscars em 2010, o filme merece estar nessa posição, porque possui uma das narrativas mais profundas do cinema nos últimos anos, sem ter nenhuma grande estrela no elenco (Mariah Carey não conta).

Claireece Precious Jones é uma garota de 16 anos, mas não tem nada de comum na sua história. Ela é negra, obesa, mora no Harlem, sofre com os abusos sexuais do próprio pai e com os maus tratos da mãe, está grávida do segundo filho - também do pai - e é analfabeta. Quando sua escola descobre que ela está grávida novamente, ela é expulsa e é encorajada a procurar uma escola especial para alunos mais "problemáticos", digamos assim. A escola passa a dar mais força a Precious, mas a sua vida não melhora nem um pouco a partir daí. Se é que é possível, ela fica pior. Ela tem que descobrir sozinha como dar a volta por cima, mesmo que pareça impossível.


A princípio, a mensagem do filme parece ser a de que "nada é tão ruim que não possa ficar pior". Surpreende a submissão de Precious aos abusos do pai e da mãe e seu ligeiro conformismo com a vida que leva. Mas é quando paramos para pensar: que outra saída ela tem? Precious é´praticamente excluída por todos na sociedade, é a soma de todos os defeitos que todos os seres humanos insistem em enxergar nos outros, e detrimento das suas qualidades. Mesmo Precious, que aparentemente não é boa em nada, consegue cativar as pessoas de alguma forma. É quando eu me faço a pergunta (e transmito para quem quiser responder também): o que você faria por Precious. O filme é dedicado a todas as garotas Precious no fim. O que você faria por elas?

Bom, voltando ao filme, ele não seria nada sem as atuações das pessoas que estão lá presentes. Gabourey Sidibe é o principal destaque, obviamente, já que consegue desenvolver um papel tão profundo mesmo sem qualquer experiência anterior em atuação. Não à toa, a atriz de 26 anos foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Outra indicada, Mo'Nique, a preguiçosa e abusada mãe de Precious, deve levar o prêmio de atriz coadjuvante. Paula Patton, Lenny Kravitz e até, vejam só, Mariah Carey, se saem muito bem. Lee Daniels conduz a história misturando a tristeza da vida de Precious com flashes dos sonhos da menina, que se vê magra, branca e loira no espelho, se imaginando como uma grande estrela de cinema ou da música.


"Preciosa" deixa uma lição. Esse é um dos poucos filmes que podem se dar ao luxo de ser pretensiosos a ponto de deixar uma lição. O valor do próximo é importante, mas não tanto quanto o valor que você dá a si mesmo. O filme tem chances no Oscar sim, sobretudo em roteiro e na atuação de Mo'Nique. Se vai bater o gigante "Avatar" em melhor filme? Acho mesmo que não, "Avatar" é iconico o suficiente para ser eleito o filme do ano. Mas seria uma surpresa merecida ver "Preciosa" ganhar.

Nota: 9,5

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sobre "Maluca Paixão"

Nesse carnaval assisti a muitos filmes que não dava nada por eles. Um exemplo é o filme "Jogo de Amor em Vegas", com a Cameron Diaz e o Ashton Kutcher. Divertidinho. Nada profundo. Horrivelmente previsível, mas o cinema é assim né. Daí fui eu me meter na tarefa de assistir ao filme bomba do ano, "Maluca Paixão", estrelado por Sandra Bullock e que está concorrendo ao Framboesa de Ouro de pior filme e pior atriz, além de outras categorias. Sabe quando você tem vergonha alheia? Foi o que eu senti assistindo a esse filme.

Pensar em razões para porque Sandra Bullock resolveu fazer esse filme é uma incansável busca por uma agulha em um palheiro. O filme começa do nada, não leva a lugar nenhum, traz a personagem mais chata da carreira da atriz (talvez da história do cinema)e ainda quer nos convencer a amar aquela criatura! Claro que há os seus momentos engraçados, mas eles são baseados no nada sólido e consistente que rodeia todo o longa.

Para quem ainda não sabe sobre o que se trata o filme: Bullock é uma mulher que todos consideram esquisita porque ela sempre fala demais e sabe todas as respostas de tudo. Mas também pudera, sua personagem, Mary, é a responsável por criar as palavras cruzadas de um jornal. Fora isso, ela ainda usa um par de (horrendas) botas vermelhas. Seus pais a colocam em um encontro às escuras com o filho de um casal de amigos, Steve, e é o que basta para Mary começar sua obsessão. Ela inventa um jogo de palavras cruzadas insolúvel, já que todas as lacunas são de coisas relacionadas a Steve ("All About Steve", como sugere o título original). Com isso, Mary perde o emprego e começa a caçar Steve, que é cameraman de um telejornal, por todos os cantos onde ele esteja.

Pode ser mesmo que Sandra Bullock leve pra casa o Framboesa de pior atriz e o Oscar de melhor atriz no mesmo fim de semana. Mas ela até que merece o premio já que entrou conscientemente nessa roubada - Bullock é uma das produtoras do filme.Não é nem o fato de Mary ser obsessiva o ruim do filme. É a forma como todas as outras pessoas agem também. Não só Bullock está um caco no longa, como Bradley Cooper está bem aquém do cara que fez "Se Beber, Não Case" e até Thomas Haden Church passa como um completo imbecil. Na verdade, acho até que só uma atriz do calibre de Bullock poderia interpretar assim tão pifiamente.

Como Sandra Bullock fez "A Proposta", "Um Sonho Possível" e esse lixo no mesmo ano, nunca saberemos. Poderia estar entre os segredos que a Unidos da Tijuca levou para a avenida no Carnaval. Dá vergonha, sério.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Alice Boicotada


A Holanda foi o primeiro país a boicotar a exibição de "Alice no País das Maravilhas" em seus cinemas. A produção que será exibida em 3D pode não dar as caras no país. Acontece que as redes de cinema Minerva, Pathe, Wolff e Jogchems, que representam 80% das distribuidoras do país, anunciaram que não irão exibir o filme em seus cinemas.

A polêmica: a Disney quer reduzir o tempo de espera entre o lançamento nos cinemas e em DVD para menos de tres meses, o que garantiria pouquíssimo tempo de exibição do filme nas salas de cinema (ou seja, um prejuizo para as redes). Acontece que o mercado de DVD andou meio pra baixo no último semestre de 2009 e a Disney quer recuperar o tempo perdido.

O tiro pode acabar saindo pela culatra (ou não) já que "Alice" é um dos filmes mais aguardados do ano, e será o sucessor em 3D do sucesso "Avatar". Além da Holanda, a Grã-Bretanha também ameaçou o boicote. Já pensou se a moda pega e chega ao Brasil? Aqui a estreia do filme está marcada para o dia 16 de Abril e até lá a Disney ainda exibe em 3D as duas primeiras partes da franquia "Toy Story" por duas semanas.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Daily Oscar - Carey Mulligan



Carey Mulligan é um dos rostos novos que invadiram o cinema - e o Oscar - na edição 2010 do prêmio. Assim como Gabourey Sidibe, Jeremy Renner e até Christoph Waltz, digamos, a jovem conseguiu um feito notável em um dos seus primeiros papeis de destaque... mas peraí, primeiros? Não, não! Carey Mulligan já tem um currículo considerável, desde que estreou no cinema em "Orgulho e Preconceito".

A britânica de 24 anos já atuou em vários papeis no teatro e na TV, incluindo uma participação na série "Doctor Who?", mas começou a chamar a atenção mesmo no filme "Quando Você Viu o Seu Pai Pela Última Vez?". Fez uma participação também em "Inimigos Públicos" e em "Entre Irmãos", mas com "Educação", filme indicado também ao Oscar na categoria principal, ela teve a oportunidade de ouro que toda atriz em início de carreira anseia. Mulligan é a protagonista do filme escrito por um dos roteiristas mais aclamados dos últimos temos na Grã-Bretanha, Nick Hornby ("Um Grande Garoto").

Mesmo que não leve o Oscar, o que é bem provável, a atriz já está com a vida ganha. Já tem projetos até 2012 e está na sequência de "Wall Street", "Money Never Sleeps", como a filha do magnata Gordon Gekko (Michael Douglas). Ela também está cotada para substituir ninguém menos do que Audrey Hepburn na refilmagem de "My Fair Lady".

Não deve demorar muito para Mulligan alcançar o status de grande estrela. Um Oscar ajudaria muito né? Mas enquanto não chega lá, ela vai trabalhar muito nos próximos anos. Já foi até apontada pela Vanity Fair como uma das promessas para o futuro no cinema. Boa Sorte para Mulligan. Boa Sorte para Educação.

Balanço do Carnaval


O Carnaval pode ser bem mais produtivo quando uma amiga sua empresta o pack dela com vários e vários filmes que você ainda não viu, a maioria comédias romanticas que vc deixou passar despercebido no ano passado e filmes de ação que não acrescentam nada mais do que diversão. Tudo bem que o calor do Rio de Janeiro não ajuda muito a ficar dentro de casa, mas pra quem não gosta da folia com aquele bando de gente pulando suada a sua volta.

Até agora já foram :

Agente 86
O Sequestro do Metrô
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
A Verdade Nua e Crua
Jumper
17 Outra Vez
Espartalhões
Madagascar 2
Anjos e Demônios
Jogos Mortais 6
Meu Trabalho é um Parto
Gamer
Jogo de Amor em Vegas
Maluca Paixão
Duplicidade



Vamos ver até o fim do carnaval quantos vão ser!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A Fita Branca

Das Weisse Band
(Áustria, Alemanha, 2009) De Michael Haneke. Com Susanne Lothar, Ulrich Tukur, Burghart Klaubner, Michael Kranz e Marisa Growaldt.

Uma fila gigantesca, de dobrar o quarteirão, do lado de fora. Expectativas lá no alto. Três horas de projeção. Michael Haneke, o homem por trás de "Caché" e "Funny Games". "A Fita Branca" tem arrancado aplausos por todos os lugares que passa, e não é para menos. O longa foi filmado em preto-e-branco, o que é arriscado para os padrões digitais do século XXI. Mas Michael Haneke faz um filme não só competente no roteiro, mas visualmente e esteticamente bonito, como um poema.

No filme, um professor de um vilarejo no interior da Alemanha narra os acontecimentos naquela localidade, antes da Segunda Guerra Mundial. Vários acidentes misteriosos começam a acontecer, como uma linha esticada para derrubar um cavalo e o médico da cidade, um incêndio em um celeiro, duas crianças sequestradas e torturadas. Todos ficam apreensivos no local enquanto tentam levar suas vidas adiante. Tudo é controlado pelo temido Barão, e seus atos repercutem na vida de todos. Ainda vemos a rotina na casa do pastor local, que controla seus filhos com mãos de ferro e do administrador, que também é afetado por tudo o que acontece. O único alhieo e disposto a desvendar o mistério é o professor, que se apaixona pela babá do Barão, que é demitida após o filho dele ser torturado.


"A Fita Branca" tem um roteiro magnífico. A história se desenrola e não vai se arrastando, como seria de se esperar de um filme do gênero. Alguns elementos do filme lembram um pouco do expressionismo alemão do início do cinema, sobretudi na escolha (mais do que acertada) do diretor de usar fotografia preto-e-branco. Ao mesmo tempo que dá um ar de antigo, já que a história se passa no início do século XX, também ajuda a conferir o caráter de suspense e autoritarismo puritano.

Haneke conseguiu levar a Palma de Ouro mas não é o tipo de diretor de Oscar. Não que o filme não mereça, mas o diretor conseguiu fujir de todos os estereótipos americanos e hollywoodianos. Ao mesmo tempo, o charme da história é capaz de conquistar qualquer plateia, eu poderia dizer. Michael Haneke já foi esnobado pela Academia com "Funny Games", de 1995, e com "Caché", de 2006, um dos melhores filmes da última decada. Mas porque pensar em Oscar/? "A Fita Branca" é uma obra de arte pura e genuína, dessas que a gente não vê mais por aí. Não é uma simples statueta de um homem dourado e nu que vai mudar isso. Sem falar que ultimamente, ganhar uma palma de ouro tem sido bem mais interessante.

Nota: 10