segunda-feira, 1 de março de 2010

As 17 indicações de Meryl Streep



 

Filme: "O Franco Atirador"
Ano: 1978
Categoria: Atriz Coadjuvante
Papel: Linda
Porque perdeu: Em sua estreia nos Oscars, Meryl Streep estava concorrendo com ninguém menos do que Dame Maggie Smith, no papel memorável da veterana atriz em "Califórnia Suite". Como ainda era uma "ninguém" aos olhos da Academia e o papel de Smith era realmente encantador, ficou para uma próxima vez, mas com um aviso de um talento se erguendo no cinema. Se consola, "O Franco Atirador" ganhou o Oscar de Melhor Filme naquele ano.


Filme: "Kramer vs. Kramer"
Ano:1979
Categoria: Atriz Coadjuvante
Papel: Joanna Kramer
Porque ganhou: Se você assistiu ao filme, tem motivos de sobra para odiar o que a personagem de Meryl Streep faz com Dustin Hoffman. Ela abandona o marido com um filho pequeno para criar e, depois de muito trabalho do cara para se dar bem com o filho, ela simplesmente volta e exige o garoto. "Kramer vs. Kramer" é um dos melhore filmes familiares da história e isso se deve também ao talento inconfundível de Meryl Streep, que concorria com Mariel Hemingway ("Manhattan"), Candice Bergen ("Amar de Novo"), Barbara Barrie ("Breaking Away") e com a colega de elenco Jane Alexander.

Filme: "A Mulher do Tenente Francês"
Ano: 1981
Categoria: Atriz Principal
Papel: Sara Woodruff/Anna
Porque perdeu: 1981 foi um ano difícil. Além de Streep, tínhamos Susan Sarandon ("Atlantic City"), Katherine Hepburn ("Num Lago Dourado"), Diane Keaton ("Reds") e a atriz Marsha Mason ("O Doce Sabor de um Sorriso"). Praticamente o primeiro grande filme de Mery Streep como protagonista, a história não foi suficiente para bater Katherine Hepburn, que, até alguns anos atrás, era a recordista de indicações, mas ainda é atriz que mais levou estatuetas.


Filme: "A Escolha de Sofia"
Ano: 1982
Categoria: Atriz Principal Papel: Sophie
Porque ganhou: Porquê? Porque é "A Escolha de Sofia", oras! A melhor atuação de Streep, na minha opinião, ao lado de Miranda Priestly. E olha que o ano foi dificil: Julie Andrews ("Vitor ou Vitoria"), Debra Winger ("An Officer and a Gentleman"), Sissy Spacek ("Desaparecidos") e Jessica Lange ("Frances"). Mas não tinha pra ninguém, mesmo!




Filme: "Silkwood - O Retrato de Uma Coragem"
Ano: 1983
Categoria: Atriz Principal
Papel: Karen Silkwood
Porque perdeu: Colecionando uma indicação a cada ano, em 1983 Meryl Streep ja se tornara uma figurinha fácil e querida da Academia. Porém, 1983 foi o ano de chorar horrores com o drama de mãe e filha em "Laços de Ternura", que levou o Oscar de Melhor Filme. Então, claro que a estatueta foi para Shirley MacLaine, que concorria pelo filme. O curioso é que Streep enfrentou na categoria outras ex-concorrentes suas: ganhou de Jane Alexander ("Testamento") em 1979 e de Debra Winger ("Laços de Ternura") em 1982. Completa a lista a atriz Julie Walters ("Educating Rita").

Filme: "Entre Dois Amores"
Ano: 1985
Categoria: Atriz Principal
Papel: Karen
Porque perdeu: O papel principal em "Entre Dois Amores" mostra como Meryl Streep passou a ser requisitada no cinema. O longa de Sidney Pollack levou a estatueta de Melhor Filme, mas Meryl teve que ver o prêmio indo para a veterana atriz Geraldine Paige. De qualquer forma, em 1985, a favorita era Whoopi Goldberg, por "A Cor Púrpura", mas o Oscar, ainda meio preconceituoso (será? será?), premiou Geraldine. Jessica Lange e Anne Bancroft, completam a lista de 1985.


Filme: "Ironweed"
Ano: 1987
Categoria: Atriz Principal
Papel: Helen
Porque perdeu: Porque se Cher (na sua aparição mais esquisita nas cerimonias) não tivesse levado o prêmio por "Feitiço da Lua", o prêmio certamente iria para Glenn Close pela sensação do ano "Atração Fatal". Na verdade, muita gente reclamou - e muito - da premiação de Cher, mas talvez ela tivesse muitos fãs na academia. O fato é que "Moonstruck" também era muito bom, coisa que a atuação de Streep em "Ironweed" não tinha como bater naquele ano. Além delas, foram indicadas Holly Hunter e Sally Kirkland.

Filme: "Um Grito no Escuro"
Ano:1988
Categoria: Atriz Principal
Papel: Lindy
Porque perdeu: Jodie Foster em "Os Acusados" havia acabado de mostrar ao mundo que tinha crescido e que tinha vida após debutar em "Taxi Driver". Apesar do ótimo papel, Meryl Streep tinha que lutar contra a popularidade de Glenn Close, que continuava em alta, dessa vez com "Ligações Perigosas". O mundo estava crente que a Academia ia corrigir o erro do ano anterior e, Bam!, Oscar de Melhor Atriz para Jodie Foster. Glenn nunca ganhou seu premio, Jodie Foster ainda chegou a ganhar outro mais tarde e Streep saiu abanando a mão, assim como Melanie Griffith, que merecia também, e Sigouney Weaver.

Filme: "Lembranças de Hollywood"
Ano: 1990
Categoria: Atriz Principal
Papel: Suzanne Vale
Porque perdeu: Quem assistiu a "Louca Obsessão" vai saber o porquê. Kathy Bates levou o prêmio naquele ano pelo papel da fã obcecada que sequestra seu autor favorito. 1990 também marcou pela indicação de Julia Roberts por "Uma Linda Mulher". As outras indicadas foram Anjelica Huston e Joanne Woodward. E a década termina com a consagração de Meryl Streep nos anos 1980.

Filme: "As Pontes de Madison"
Ano: 1995
Categoria: Atriz Principal
Papel: Francesca Johnson
Porque perdeu: Uma boa pergunta. O oscar em 1995 foi para Susan Sarandon, por "Os Últimos Passos de um Homem" , sendo que Emma Thompson ("Razão e Sensibilidade"), Sharon Stone ("Cassino") e Elizabeth Shue ("Despedida em Las Vegas"), além da própria Streep, entregaram atuações memoráveis também. Não que Susan não mereça, mas talvez a estatueta tenha sido decidida nos "décimos", digamos assim. Ano difícil.



Filme: "Um Amor Verdadeiro"
Ano: 1998
Categoria: Atriz Principal
Papel: Kate Gulden
Porque perdeu: Outra boa pergunta. Em 1998, quem levou foi Gwyneth Paltrow, por "Shakespeare Apaixonado". Porquê? Vai se saber, até hoje não engulo esse Oscar. Também estava concorrendo a brasileiríssima Fernanda Montenegro por "Central do Brasil", e não é porque eu sou brasileiro não, mas ela merecia muito mais do que Paltrow. Na verdade, qualquer uma das outras quatro, que ainda incluía Cate Blanchett ("Elizabeth") e Emily Watson ("Hillary e Jack"), merecia ter ganho, menos quem ganhou. É a famosa predileção da Academia por atrizes mais jovens e (?!) promissoras. Entalado até agora.

Filme: "Música do Coração"
Ano: 1999
Categoria: Atriz Principal
Papel: Roberta Guaspari
Porque perdeu: Um papel ligeiramente fraco diante de atuações mais fortes em 1999. Quem levou foi a garota-prodígio do ano, Hillary Swank, por "Meninos Não Choram", Oscar mais do que merecido. Como a professora de "Música do Coração", Meryl não conseguiu bater Hillary, que era a favorita. Porém, a outra favorita ao premio daquela noite não era ela, e sim Annete Benning, por "Beleza Americana" em um papel cultuado até hoje.


Filme: "Adaptação"
Ano: 2002
Categoria: Atriz Coadjuvante
Papel: Susan Orlean
Porque perdeu: 23 anos depois, Meryl foi indicada novamente à categoria de Atriz Coadjuvante. Naquele ano, ela foi cotada para coadjuvante por dois filmes, "Adaptação" e "As Horas". Foi indicada por "Adaptação" e perdeu para Catherine Zeta-Jones, a principal alma de "Chicago", verdade seja dita. Queen Latifah ("Chicago"), Kathy Bates ("As Confissões de Schmidt") e Julianne Moore ("As Horas") também concorreram naquele ano. Talvez ela tivesse desaprendido como ser coadjuvante.

Filme: "O Diabo Veste Prada"
Ano: 2006
Categoria: Atriz Principal
Papel: Miranda Priestly
Porque perdeu: Talvez porque o mundo estava encantando demais com o papel de Helen Mirren, em "A Rainha". E com razão né. Mas nunca, depois do Oscar de "A Escolha de Sofia", ela esteve tão perto de levar outro prêmio. E ela merecia, já que Miranda Priestly entrou para a história do cinema. Ela disputava com Helen o favoritismo na categoria, que ainda tinha Kate Winslet ("Pecados Íntimos"), Judi Dench ("Notas Sobre Um Escândalo") e Penélope Cruz ("Volver") concorrendo.

Filme: "Dúvida"
Ano: 2008
Categoria: Atriz Principal
Papel: Irmã Alouysius
Porque perdeu: Kate Winslet encantou plateias no mundo todo com sua atuação em "O Leitor". O ano estava propício para ela, que também já havia ganho várias indicações, mas nunca um prêmio. O papel em "Dúvida" era desafiador, mas era bem o estilo de Meryl Streep, nada fora do comum. Sabe, algo que só ela saberia fazer? Suas outras concorrentes tinham mais chances e houve quem torcesse piamente para Anne Hathaway ("O Casamento de Rachel"). Ainda estavam na cerimonia Angelina Jolie, pelo belíssimo papel em "A Troca", e a zebra Melissa Leo, por "Rio Congelado".

Filme: "Julie e Julia"
Ano: 2009
Papel: Julia Child
Categoria: Atriz Principal
Porque perdeu:  Foi o ano de Sandra Bullock. Depois de 16 indicações e um papel pouco apelativo frente às outras concorrentes, Meryl deve estar contente apenas com o reconhecimento e com o seu recorde. Pela primeira vez após sua primeira indicação ela foi a zebra das indicações, que ainda renderam honrarias às novatas Carey Mulligan ("Educação") e Gabourey Sidibe ("Preciosa"), e à veterana Helen Mirren ("The Last Station").


Filme: "A Dama de Ferro"
Ano: 2011
Papel: Margareth Tatcher
Categoria: Atriz Principal
Porque ganhou: Pela convincente interpretação de Margaret Tatcher, algo que requeriu dela não apenas uma boa atuação, mas uma verdadeira transformação física. Mesmo concorrendo com Viola Davis ("Histórias Cruzadas"), outra favorita naquele ano, Meryl levou sua terceira estatueta. Completam as concorrentes deste ano Michelle Williams ("Sete Dias com Marilyn"), Nicole Kidman ("Rabbit Hole - Reencontrando a Felicidade") e Glenn Close ("Albert Nobbs").

Idas e Vindas do Amor

Valentine's Day
(EUA, 2010) De Garry Marshall. Com Ashtobn Kutcher, Jennifer Garner, Jessica Alba, Julia Roberts, Bradley Cooper, Anne Hathaway, Topher Grace, Jamie Foxx, Jessica Biel, George Lopez, Queen Latifah, Emma Roberts, Taylor Lautner, Taylor Swift, Kathy Bates, Eric Dane, Hector Helizondo, Shirley MacLaine e Patrick Dempsey.

Nossa, quanta gente. É, essa pode ser a primeira impressão de quem espera acabar os créditos iniciais de "Idas e Vindas do Amor", título ligeiramente desconexo para o filme "Valentine's Day", do diretor Garry Marshall ("Uma Linda Mulher"). O filme é basciamente sobre o Dia dos Namorados, que é uma das datas mais comerciais nos Estados Unidos. No Brasil, esse dia tem um pouco menos de força. Ano passado vimos o mesmo tipo de "filme-sobre-o-amor-cheio-de-gente" com "Ele Não Está Tão a Fim de Você". É como se fossem os filmes de natal.

Com tanta gente assim no elenco, todo mundo se pergunta quanto foi gasto no orçamento do filme. Metade dele deve ter sido só para pagar o salário de Julia Roberts, certo? Errado. Garry Marshall fez o filme com "apenas" US$ 52 milhões. O convite para os atores foram feitos na base da camaradagem, como com a própria Julia, por exemplo, que trabalhou com ele em "Uma Linda Mulher" e em "Noiva em Fuga". Shirley Maclaine, Anne Hathaway, entre outros, também já trabalharam com ele. Junte a turma de "Grey's Anatomy" com a de "That's 70's Show" com jovens estrelas em ascenção e os Taylors (Lautner e Swift), pronto. Tá aí a mistureba.
Mas se engana quem acha que o filme é bobo ou não vale a pena por ter tanta gente. Na verdade, o charme da história é esse. Emborã não estejamos acostumados a ver astros do calibre de Julia e Bradley Cooper em pequenas pontas, o momento de cada ator no filme é único e cada um é protagonista de sua própria história. E como nos casos dos filmes onde tem muita gente assim, todas elas se completam no final e grandes surpresas surgem, surpreendendo o espectador. A única história totalmente descartável do filme é a que junta os dois Taylors mais famosos da atualidade. Swift e Lautner não se misturam no filme e poderiam ter sido cortados tranquilamente. Ela deve seguir cantando, pelo bem de nós todos, e ele é bem melor aproveitado na Saga Crepúsculo. Mas valeu a tentativa.
No mais, o filme centra sua história na floricultura de Ashton Kutcher, que é o ponto de partida de quase todas as outras histórias. Um filme divertido, para se assistir sem culpa. Preferencialmente com a namorada.
Nota: 8,0

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Alice no País das Maravilhas... de 1903!

Dá uma olhada nesse vídeo aí abaixo. É a primeira versão filmada do clássico "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, produzida em 1903, nos primórdios do cinema. O filminho de 12 minutos foi o mais longo produzido na Inglaterra àquela época. O filme também tem alguns dos primeiros efeitos especiais.

"Alice" foi realizado apenas 37 anos depois de Carroll ter finalizado o livro e 8 anos após o nascimento do cinema! Ele foi restaurado pelo instituto britânico BFI Nacional Archive após muitos danos sofridos.

Antes de ver a versão do Tim Burton, dá uma olhada nessa.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"Cine Gestão" vai falar sobre Liderança Feminina com "Elizabeth - A Era de Ouro"

O Cine Gestão vai participar do 2° Ela Gestora, evento realizado pelo BuscaRH em parceria com o Grupo Probus, e é totalmente voltado para o universo feminino. O evento tem como tema principal "A Liderança Feminina como Ferramenta de Mudança na Gestão Atual" e o objetivo principal é trazer histórias de sucesso de mulheres que inovaram na sua área de atuação.

Pois o desafio do Cine Gestão vai ser retratar esse sucesso feminino nas telas do cinema. Entre tantas produções que poderiam ser abordadas, o filme escolhido para a ocasião foi "Elizabeth - A Era de Ouro", vencedor do Oscar de Melhor Figurino e ainda indicado a melhor atriz para Cate Blanchett ("O Aviador").

Será apresentado um trecho do filme com o tema "Liderança Feminina", seguido de debate entre os participantes do evento. Elizabeth I com certeza foi um grande exemplo e vamos ver o que poderemos aprender com ela.

O 2° Ela Gestora será no dia 14 de Abril, a partir das 08h, no Auditório da Proeduc, que fica no Largo de São Francisco, n° 34, 5° Andar - Centro / RJ. Não deixe de participar e acompanhar o desenvolvimento do evento também aqui no Cine Gestão.

SAIBA MAIS SOBRE O EVENTO ACESSANDO O HOT SITE DO ELA GESTORA:
www.buscarh.com.br/elagestora

Release da palestra aqui.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Mais um boicote de "Alice no País das Maravilhas"

por Marcos Nascimento, para o Cinema com Rapadura



Mais uma rede de cinemas decidiu boicotar o filme "Alice no País das Maravilhas" em protesto à decisão da Disney de reduzir para 12 semanas o tempo entre a data de lançamento do filme nos cinemas e a data de lançamento do DVD. Dessa vez foi a rede britânica Odeon, que não irá exibir o filme em suas 110 salas na Grã-Bretanha, além da Irlanda e da Itália.


Em nota, a rede afirmou ter investido quantias consideráveis de dinheiro para capacitar as salas de exibição com o melhor equipamento digital de projeção para lançar o filme em suas salas 3D. A Disney afirma que a redução do tempo para 12 semanas é para combater a pirataria. O temor da rede Odeon é que as 12 semanas se tornem algo comum e virem o novo padrão, ao invés das 17 semanas atuiais. Por sua vez, a Disney afirma que não pretende manter esse acordo em nenhum de seus próximos lançamentos.


Apesar de ter cinemas na Alemanha, na Áustria, na Espanha e em Portugal, nesse países a exibição está mantida porque neles o período de lançamento de DVD permanece inalterado. Outras redes de cinemas na Grã-Bretanha também se expressaram contra a decisão da Disney, mais ainda não se manifestaram a respeito. Apenas a rede Cineworld, que tem 150 salas, afirmou que chegou a um acordo satisfatório com a Disney e que vai manter a exibição.


Na semana passada, as redes de cinema Minerva, Pathé, Wolff e Jogchems, da Holanda, anunciaram o boicote ao filme de Tim Burton ("Ed Wood"). Juntas, elas representam 80% das salas de exibição de todo o país.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Educação

An Education
(UK, 2009). De Lone Scherfig. Com Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Rosamund Pike, Dominic Cooper, Alfred Molina, Olivia Williams e Emma Thompson.

Ah como é bom tirar o atraso cinematográfico. O que eu perdi semana passada não indo assistir às estreias da semana (#vergonha), ganhei na sessão dupla da última sexta-feira. Logo após assistir a "Preciosa" fui assistir ao inglês "Educação". E não poderia me dizer mais encantado com a aura do filme. O roteiro é muito, mas muito simples e acho que é isso que conquista quem está assistindo. "Educação" é de uma leveza tão poucas vezes vistas que faz você querer mais. A história do amor "proibido pero no mucho" entre uma menina de 17 anos e um homem mais velho não chega a ser totalmente escandalizadora, como se promete o trailer ou a sinopse. Mas é o que vem depois disso que chama a atenção.

Em meados dos anos 1960, Jenny é uma menina que está cursando o último ano do colegial e se prepara para os exames que devem levá-la para a Universidade de Oxford, para estudar inglês. Para conseguir esse objetivo, ela acarreta o maior número de atividades possiveis, o que pode fazer com que seu currículo seja excepcional, além das boas notas exigidas pelo pai. Um dia, Jenny aceita carona de um estranho, David, que é charmoso, interessante e despojado - ou seja, tudo o que pode atrair uma adolescente.O romance que surge a partir daí é óbvio, e nem chega a ser o principal do filme e sim como as atitudes das pessoas ao redor de Jenny vai mudando conforme seu relacionamento com David fica mais sério. Os dois passam a frequentar casas de jazz, galerias de arte, bons restaurantes. Até o pai de Jenny muda de atitude quando vê que David é um bom homem - o que na verdade ele não é. Quando Jenny percebe que, no fim das contas, ela pode acabar igual à sua mãe, uma dona-de-casa, ela começa se perguntar se é mesmo necessário toda a boa educação.

Com um enredo mais complicado do que se imagina de cara, "Educação" trata mais do moralismo de uma sociedade conservadora, que ecoa até os dias de hoje. Claro que a história de amor entre Jenny e David é o fio condutor de tudo, mas até para os amigos de David, despojados e vividos, a moral tem suas regras. Com roteiro de Nick Hornby (escritor de "Um Grande Garoto"), a diretora Lone Scherfig faz com que cada segundo do filme seja atraente para o espectador que acompanha cada ato inconsequente e rebelde de Jenny como sendo seu próprio.

Jenny. Sim, Jenny. Não haveria filme se não fosse pela atuação deliciosa de Carey Mulligan. A atriz indicada - merecidamente - ao oscar esse ano fez por merecer a honra. Peter Sarsgaard também parece ser o cara certo na película certa. Mas é Mulligan quem rouba cada detalhe, cada cena, tudo é sobre ela, tudo é sobre Jenny, então estranharia se a atriz não encarnasse o personagem. Carey Mulligan vai crescer e muito daqui pra frente, não à toa a atriz foi escolhida uma das promessas do ano pela Vanity Fair (no polêmico ensaio das garotas brancas e bonitas que deixaram de fora Gabourey Sidibe). Ah, se esse não fosse o ano da Sandra Bullock...

Nota; 9,0

Um Olhar do Paraíso - A Decepcionante Crítica

The Lovely Bones
(EUA, 2009) De Peter Jackson. Com Saoirse Ronan, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon e Stanley Tucci.

Vamos lá. Um dos primeiros livros que li quando comecei a me interessar por livros foi um romance escrito por Alice Sebold chamado "Uma Vida Interrompida - Memórias de um Anjo Assassinado". Foi o primeiro livro que minha mãe me deu então ele tem um significado muito especial. Além do valor sentimental, a história de Susie Salmon, como o peixe, mexeu tanto comigo que o livro se tornou um dos meus favoritos para todo o sempre. Então, qual não foi a minha felicidade e alegria saber que o livro não só iria ser adaptado para os cinemas, como o seria feito por Peter Jackson, o homem que tinha acabado de ganhar uns 17 oscars pela franquia "O Senhor dos Anéis". Hoje, após assistir a "Um Olhar do Paraíso", me senti traído pela arte que mais amo.

Susie Salmon, 14 anos, foi assassinada brutalmente pelo seu vizinho, Mr, Harvey. Só que todos os vestígios sobre o crime sumiram e a polícia encerra as buscas por falta de indícios. O pai de Susie enfrenta uma crise na sua família após a morte da garota, mas mesmo assim não desiste de lutar para achar o culpado com a ajuda da filha Lindsay, enquanto Harvey continua a solta e com mais insegurança, à medida que os Salmon se aproximam da verdade. Enquanto isso, Susie se encontra entre a Terra e o Paraíso, em algum lugar em que ela observa sua família se destruir e se recompor à medida que ela tenta ajudar como pode à resolver o mistério da sua morte. A ajuda pode vir de Ruth Connor, uma garota sensitiva que todos acham esquisita e que começa a se aproximar de Ray, o garoto que gostava de Susie quando ela era viva. Susie só pode partir mesmo para o céu quando nada mais a prender na Terra.


Lindo, né? Até seria se A HISTÓRIA DO LIVRO NÃO FOSSE NADA DISSO AÍ!!!! É essa a parte mais revoltante. Pegaram a história de superação da dor, de luta pela verdade e de valores familiares que eram tratados no livro e transformaram em um trhiller policial sem sentido! Sem falar que toda a parte do céu está distorcida e o filme enfoca muito mais os desdobramentos (pífios, por sinal) da investigação policial feita pelo pai de Susie do que na família em si. Foi cortada inclusive a parte do assassinato de Susie, descrito com rigor de detalhes, além do estupro que a menina sofreu antes. Podiam ter cortado tudo, menos isso.


Falando do filme isoladamente, ele é meio confuso. A montagem é muito doida e às vezes dá pra se perder no enredo se não estiver prestando bem atenção. As cores berrantes do céu de Susan, que não fica claro se é mesmo o céu dela ou se o céu é assim pra todos (?!), são um misto de psicodelia que vão e voltam ao bel prazer da história. As atuações de Rachel Weisz e Susan Sarandon ficam bem aquém do esperado, elas são quase nulas. Mark Wahlberg, bem, é Mark Wahlberg. Stanley Tucci até que consegue se destacar como Mr. Harvey, o tenebroso assassino, mas não a ponto de ganhar uma indicação ao Oscar, eu acho. Na verdade, esperava até bem mais justamente por causa dessas indicações que ele recebeu. Saoirse Ronan desempenha bem o seu papel e sempre achei que ela seria uma ótima Susie Salmon e, até foi.

O problema não foi nem dela não. Foi do inconsistente roteiro escrito por Jackson com sua parceira Phillipa Boyens, que mal lembrava o original de Alice Sebold. Só pra quem quer saber: Susie é estuprada, Abigail Salmon vai embora de casa e só volta anos depois, o corpo de Susie é retalhado, trancado no cofre e jogado no sumidouro bem no começo da história. o cão da família acha um pedaço do corpo de Susie no milharal, Susie, aliás, vive no seu próprio céu particular onde ela encontra algumas pessoas mortas mas e não outras pessoas assassinadas por Harvey, Holly não é o anjo da guarda dela, é só uma amiga e, por Deus, Lindsay não encontra todas as provas cabais assim do nada na casa de Harvey... e isso é só o que eu lembro. Ah, Ruth Connors, a garota esquisita, é mais importante do que se pensa.

Quer saber mais de "Uma Vida Interromida"? Leia o livro, porque o filme infelizmente não vale tanto a pena. Méritos para Saoirse Ronan e Stanley Tucci. Penalidades para Peter Jackson que preferiu colocar "King Kong", o finado "Halo" e "Distrito 9" como prioridade antes do filme.

Acho que vou ler meu livro de novo.

Nota: 5,0