quarta-feira, 5 de maio de 2010

"X-Men: First Class" - A novela

Um grande estúdio procurando o substituto ideal para uma franquia de sucesso. Um homem cujos trabalhos anteriores foram bem recebidos. O estúdio quer o homem. O homem rejeita o estúdio. Mas eis que uma luz dentro dele faz com que o homem mude a sua decisão. E eis que temos um novo diretor para um novo filme dos X-Men! Não perca a nova novela das sete, num cinema perto de você... em 2011!

Na boa, tá parecendo mesmo coisa de novela esse corre-corre por diretores e adaptações. Depois de vermos os burburinhos por causa de "Thor", "Lanterna Verde", "Homem-Aranha" e "Capitão América", foi a vez do tão falado "X-Men: First Class" ganhar a mídia especializada na batalha por um diretor. E olha que foi relativamente rápido o acerto de contas. Vamos resumir.

Matthew Vaughn, diretor de "Stardust" e em alta por causa de "Kick-Ass - Quebrando tudo", ainda inédito no Brasil, era o nome mais cotado para dirigir "X-Men: O Confronto Final", isso no longínquo 2007. Ele saiu por medo da perda do controle que iria ter sobre a obra, então a Fox, detentora dos direitos de adaptação dos "X-Men", contratou o diretor Brett Ratner. Foi aquilo que a gente viu nas telas, no fim da trilogia, uma confusão sem precedentes.

Mas pelo visto as relações de Vaughn com a Marvel continuaram amigáveis, já que ele continuou como escolha para dirigir aquele que poderia ser uma nova vertente para os mutantes no cinema, a geração "First Class", comentada desde o final de "X-Men Origens: Wolverine", onde todos eles fazem uma ponta. Não é que Vaughn recusou gentilmente o pedido, desistindo da direção? Aí começou a busca pelo diretor perfeito para a cadeira. Cogitaram Timur Berkambertov ("O Procurado"), David Slade ("Eclipse") e até Louis Leterrier ("O Incrível Hulk") o novo queridinho da Marvel. Mas por alguma razão que a razão desconhece, Vaughn voltou atrás e assinou contrato com a Fox.

"X-Men: First Class" já saiu com data de estreia e tudo: 3 de junho de 2011. o que quer dizer que temos menos de 13 meses para criar um filme digno dos personagens Xavier, Magneto e da primeira turma de mutantes da escola, como Jean Grey, Anjo, Tempestade, entre outros. Tomara que Matthew Vaughn não esteja pensando que dessa vez ele vai trabalhar sem pressão alguma. O tempo é curto, o dinheiro nem tanto, mas economizar sempre é bom, e os fãs são maníacos.

O que importa é que se essa leva de novos super heróis que estão chegando nos cinemas a partir do ano que vem estão remodelando a forma de pensar dos estúdios. Se há anos atrás Sam Raimi mostrou que podia dar humanidade a seu Peter Parker, agora parece que correr atrás do osso perdido é a principal lei. Tudo bem que no caso de alguns filmes, como é o caso dos da Marvel Studios, isso nem aconteça tanto. Mas e aquelas franquias que ainda estão no poder de outros estúdios poderosos, como Homem-Aranha, X-Men, Batman e Superman?

Enfim, nós pobres mortais não podemos fazer nada contra isso a não ser torcer para que seja feito um filme digno. Afinal de contas, é com o nosso dinheiro que a Fox (com certeza) vai encher a burra. Mas é bom mesmo "First Class" fazer bonito. O dinheiro e a boa crítica decidem se a franquia vinga ou não. Só pra constar, o filme vai pegar pesos-pesados na concorrência: Thor, Capitão América, Lanterna Verde e Harry Potter. É bom usar todo e qualquer poder mutante que esteja disponível no dia.

Um P.S.: Pra quem não tem ideia do que eu acabei de falar, "First Class" vai se basear na primeira turma de mutantes da escola do Professor Charles Xavier e nos primeiros passos da Irmandade, liderada pelo Magneto.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Por trás de "A Origem" e Chris Nolan


Um filme de ficção científica e ação contemporânea ambientada dentro da arquitetura da mente. Complexo, né? Mas essas palavras definem direitinho o novo filme de Christopher Nolan, "A Origem", que chega no país em agosto. Aliás, essa é a única forma de definir o filme, já que tudo em torno dele está sendo mantido no mais absoluto sigilo. Conhecendo o diretor, dá pra ver que vem coisa boa por aí, daquelas que dão voltas e voltas na sua mente antes de se chegar a um sentido plausível.

A sinopse acabou de ser divulgada, ou seja, um pouquinho do mistério começa a ser esclarecido. Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um habilidoso ladrão, o melhor na perigosa arte da extração, o roubo de segredos valiosos das profundezas do inconsciente durante o sono com sonhos, quando a mente está mais vulnerável. A rara habilidade de Cobb o tornou peça fundamental no traiçoeiro mundo da espionagem industrial, mas também o tornou um fugitivo internacional e ele perdeu tudo o que mais amava. Agora, Cobb tem sua chance de redenção, um último trabalho que pode dar-lhe sua vida de volta se ele conseguir o impossível - inserção. Ao invés do roubo perfeito, Cobb e sua equipe de especialistas têm que obter o inverso: sua tarefa não é roubar uma ideia, mas plantar uma. Se eles conseguirem, terão o crime perfeito. Mas nem todo seu planejamento poderia prepará-los para um perigoso inimigo que parece prever cada movimento da equipe. Um inimigo que apenas Codd consegue enfrentar.

Nolan é o diretor e o roteirista do filme. Isso significa que vamos ter um pouco do que já vimos antes em filmes anteriores seus. Em "Amnésia" (2000), o personagem principal, vivido por Guy Pearce, tenta desvendar o mistério do assassinato de sua mulher. Só que ele levou uma pancada na cabeça no mesmo dia e desde então não consegue guardar nenhuma lembrança recente. O filme é contado de trás pra frente. Já em "O Grande Truque" (2006), dois mágicos lutam para chegar ao melhor truque de mágica já realizado, nem que pra isso usem os meios mais obscuros. Não precisa dizer que todo o filme parece ter sido um grande passe de mágica.

Mas Nolan é mais conhecido do grande público pelos dois últimos filmes da franquia Batman. Ou melhor, da nova franquia Batman, porque se tem uma coisa que se pode ser é que tudo que sabíamos sobre o Homem-Morcego foi reinventado por Nolan em "Batman Begins" (2005) e chegou ao auge em "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (2008). E nesse último vemos muito bem o trabalho do diretor com os aspectos mentais e psicológicos. Ou tem algum personagem mais deliciosamente atormentado do que o Coringa, vivido por Heath Ledger?

A trama de "A Origem" (Inception, no original) gira em torno de Cobb, personagem de Leonardo Di Caprio, que é especialista em uma tecnologia e trabalha cercado de outros especialistas. O filme envolve sonhos, pensamentos e outras peculiaridades da mente. Mas apostando na filmografia de Nolan, dá pra esperar um filmão, até porque, quando a gente não sabe muito do filme, qualquer coisa espetacular é bem vinda. Mas se "A Origem" será espetacular, só o tempo dirá.


No elenco estão também nomes de peso e destaque do cenário hollywoodiano: Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Ellen Page, Cillian Murphy, Tom Berenger (sumido há um tempinho) e o parceiro de Nolan, Michael Caine, além de Di Caprio. "A Origem" chega por aqui em 6 de agosto de 2010.

domingo, 2 de maio de 2010

Homem de Ferro 2

Iron Man 2
(EUA, 2010) De Jon Favreau. Com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Mickey Rourke, Scarlett Johanson, Sam Rockwell, Samuel L. Jackson, Leslie Bibb e Jon Favreau.

O maior medo da Marvel Studios a essa altura do campeonato era estragar tudo com um filme que não seguisse os mesmos padrões de "Homem de Ferro". Mas um medo legítimo né. O primeiro filme pegou todo mundo de surpresa quando todos achavam que já era um gênero explorado à exaustão, depois dos desapontamentos de "X-Men 3" e "Homem-Aranha 3". Pois não só fomos apresentados a um herói novo (levemente desconhecido), como vimos a ascenção de um novo estúdio (a própria Marvel) e a re-ascenção de um antigo conhecido do cinema, Robert Downey Jr. Com "Homem de Ferro 2" a Marvel queria criar um meio termo que continuasse o legado do herói no cinema e fizesse a ponte com "Os Vingadores", sem perder a magia do original. Conseguiram.

No novo filme, Tony Stark se vê diante de vários problemas decorrentes de sua revelação ao mundo: ele é o Homem de Ferro. O governo americano exige que ele entregue a armadura como arma ao exército. Claro que ele recusa. O que ele não imagina é que do outro lado do mundo, na Rússia, o filho de um ex-companheiro de seu pai esta tramando para vingar o nome do pai. Trata-se de Ivan Vanko, físico que cria uma arma poderosa que causa danos na armadura e uma tragédia maior em Mônaco. Sem poder se esconder e humilhado, Stark entra em uma busca por respostas sobre o certo e o errado, mas a S.H.I.E.L.D. entra em cena pra tratar de espantar os fantasmas dele e mostrar que Stark pode ser mais importante do que imagina.

O filme apresenta um Tony Stark ao mesmo tempo maduro e inseguro sobre quem ele é e seu papel no mundo. Mas o bom foi ver que não tem muito o que mudou na sua personalidade. Mesmo nos momentos mais toscos, quando ele dança bêbado com a armadura (opa!), vemos que a performance é digna de Tony Stark no momento que se encontra. Mais uma ótima personificação de Robert Downey Jr., que abraça o personagem que nasceu pra interpretar.



"Homem de Ferro 2" tem mais ação, mais drama e é muito mais engraçado e divertido. Não tem o mesmo charme do primeiro, é verdade, mas consegue cumprir seu papel com maestria. E faz devidamente a ponte tanto para outros filmes de heróis da Marvel (vide a cena no fim dos créditos), quanto para "Os Vingadores" (vide a cena no fim dos créditos). Não adianta nem destacar as atuações do elenco, porque todos eles estão muito bem, com exceção de Scarlett Johanson. Sim, ela está gostosa. Sim, ela chuta os traseiros de todos no filme. Sim, ela está gostosa. Mas tá apagadinha como nunca vimos, se é que isso é possível. Vamo combinar que o Jon Favreau, que atua do lado dela, alem de dirigir o filme todo, tirou uma casquinha por fazer as cenas né. hehehe. Fica a dica e que venha "Os Vingadores". Já estamos no clima de quero mais.

Nota: 9,0

A Estrada

The Road
(EUA, 2009) De John Hilcoat. Com Viggo Mortensen, Charlize Theron, Robert Duvall, Guy Pearce e Kodi Smith-McPhee.

Filmes de fim do mundo são gêneros que nunca vão sair de moda. Isso porque 1) o cinema sempre ganha um dinheirão em filmes desse tipo; 2) Profecias sobre o Apocalipse sempre vão pipocar à medida que os anos avançam (próxima data: 2012); 3) O mundo deve estar mesmo acabando. Mas poucos usam esse filão para explorar uma história intimista. É sempre um heroi que tenta impedir a destruição da humanidade, pula prédios desabando, enfrenta carros em chamas e no fim evita o cataclisma. Em "A Estrada" é diferente. O filme aproveita o cenário pós-apocalíptico para mostrar uma relação entre pai e filho abalada não só pela morte da mãe/esposa, mas por todo um exército de canibais sobreviventes.

Viggo Mortensen é o Pai, personagem sem nome que tem que proteger o seu filho, além de conseguir comida, abrigo e itens básicos de sobrevivência. Aos poucos, o pai vai perdendo a humanidade e não consegue mais distinguir o bem do mal, já que todos os homens passam a ser egoístas diante da catastrofe. É o filho quem tem que lembrar que o homem é bom por natureza e ainda há esperança para quem sempre consegue olhar pra frente e ter compaixão. Na estrada que eles seguem, os dois encontram pessoas e situações que os fazem ficar mais alerta diante do mundo, enquanto eles rumam em direção ao sul, onde esperam encontrar alguma paz.

O problema de "A Estrada" é apostar numa historia bonita com um ritmo arrastado. Por vezes o andar da carruagem é chato e pedante, embora as atuações de todos os envolvidos estejam impecáveis. Só que ao todo parece uma jornada sem propósito, onde nem fica muito claro o que acontece com o nosso planeta, embora não deve ser muito dificil deduzir o que aconteceu. No fim, o que salva mesmo é o entrosamento dos dois protagonistas, que transmitem uma relação comovente entre o pai que faz de tudo pra salvar o filho e o filho que enxerga no pai o seu protetor e o seu protegido. É como ele mesmo diz ao longo do filme: ele é quem decide tudo, ele é o responsável pelo pai, e não o contrário.

Curiosidade: o filme é baseado no romance de Cormac McCarthy, vencedor do Pulitzer de 2007. Mesmo escritor de 'Onde os Fracos não Têm Vez'. 'A Estrada' representa uma mudança surpreendente na ficção de Cormac McCarthy e talvez seja sua obra-prima.

Nota: 7,0

terça-feira, 27 de abril de 2010

Olha o que te espera!

Esse vídeo resume bem os trailers de todos os filmes do "Verão Americano", principal temporada de filmes nos Estados Unidos. O que impressiona é os detalhes da edição, muito bem feita!. A dica veio do Maurício Saldanha no seu twitter, o cara é fera e grande entendedor do assunto. Sigam que vale a pena: @mausaldanha

Assista:

Promoção "Quincas Berro D'água"


A Galera do site Funtásico.com tá com uma promoção maneira pra quem mora no Rio de Janeiro e em São Paulo. Confere só!

"2 pares de ingressos para a pré-estreia do filme em São Paulo e 2 para o Rio de Janeiro

Responda e concorra: quem escreveu o livro Quincas Berro d’Água? (Os 4 primeiros levam!

O término da promoção é dia 28 de abril, quinta-feira. A pré de São Paulo será no Unibanco Arteplex Frei Caneca, dia 3/5, às 21h30; e a do Rio de Janeiro será no Cinemark Downtown, dia 4/5, às 21h. Os vencedores terão seus nomes em uma lista de convidados na porta dos cinemas. Estando lá, poderão entrar."

Corre pra ser um dos 4 primeiros! Clique aqui e participe! Boa Sorte!


Promoção:

sábado, 24 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas

Alice in Wonderland
(EUA, 2010) De Tim Burton. Com Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Crispin Glover e Mia Wasikowska.

Demorou mais chegou. A saga da menina Alice que cresceu e acaba retornando ao mundo que ela vistitou um dia, mas que ficou apenas como um sonho. Todos sabiam que, se algum dia fosse produzida uma versão live-action do clássico livro de Lewis Carroll, o diretor da empreitada teria que ser Tim Burton. É com esse filme que o diretor, já cultuado por outras produções suas, entra definitivamente para o conceito "popular", já que qualquer ser vivente do planeta sabe quem ele é. Após criar vários mundos paralelos ao nosso, Burton recria mais um com maestria, provando porque só ele pode fazer o que ele faz.

O novo filme começa com uma Alice prestes a completar 20 anos e receber um pedido de casamento de um lorde inglês e assim salvar sua família. Porém, ela vive sendo assombrada por um sonho com coelhos de paletó, animais falantes e um mundo totalmente diferente do seu. Quando ela reencontra o coelho, trata de seguir o animal, entrando mais uma vez pelo buraco que a leva de volta ao Mundo Subterrâneo. Dessa vez, Alice foi atraída pelos habitantes de lá, pra que se cumpra uma profecia onde ela retorna e destrona a Rainha Vermelha. Só que pra isso ela tem que não apenas provar para os outros que ela é a mesma menina de antes, mas descobrir ela mesma quem é a Alice de verdade. Para isso, ela conta com a ajuda dos estranhos habitantes, especialmente do paladino Chapeleiro Maluco.

Tim Burton acertou em não contar a mesma história do desenho clássico da Disney, mas deixa alguns fios soltos que não se prendem corretamente. Tudo é muito atropelado e o que poderia ser uma divertida jornada se torna um tanto quanto cansativa. Alice está perdida, confusa, quer crescer, mas não consegue porque ainda é tão imatura e burra - segundo a lagarta -quanto era quando criança. Se o primeiro filme era sobre ser criança, o segundo é sobre crescer e enfrentar seus fantasmas. O problema é Alice ficar perdida no meio de todos os acontecimentos do Mundo Subterrâneo, enquanto o Chapeleiro Maluco e a Rainha Vermelha roubam toda a atenção.

Claro que não podemos esquecer a razão de ser de "Alice", um grande espetáculo visual, cheio de referências a um mundo saudosista de milhões de crianças do passado. Nesse quesito, tudo é perfeito, sombrio e louco, bem ao estilo Tim Burton. Nem precisamos dizer que o destaque da produção é Johnny Depp, que some na tela para dar vida inteiramente ao Chapeleiro. O mesmo se diz de Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha) e Anne Hathaway (Rainha Branca), além do meu personagem favorito do filme: o gato!

"Alice no País das Maravilhas" não é tão maluco e psicodélico quanto o original. Este parece mesmo ter sido feito para crianças, enquanto o outro parecia um videoclipe do Pink Floyd. Mas se podemos ter alguma lição com isso é nunca colocar expectativas tão altas, mesmo se tratando de Tim Burton. No entanto, não dê ouvidos às críticas e se deixe levar pela magia do filme. Afinal, "Alice" pode não ser isso tudo que nós esperamos, mas definitivamente o filme tem o seu charme e isso já é coisa demais pra uma produção desse porte no século XXI.

Nota: 7,0