quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vai começar, galera!!!!



O Rio de Janeiro vai respirar cinema a partir do dia 23 de setembro. Vai começar a 12a. edição do Festival Internacional de Cinema do Rio, com mais de 300 filmes divididos em 18 mostras, que trazem o melhor do cinema mundial para as telas brasileiras.

Este ano, o destaque do Festival vai para o cinema argentino, com a mostra Foco Argentina, que vai trazer filmes como o novo de Pablo Trapero, "Carancho", apresentado no último festival de Cannes, com Ricardo Darín ("O Segredo de Seus Olhos") como protagonista, "Quebra-Cabeças", de Natalia Smirnoff, além de outros filmes.

Entre os convidados internacionais que estarão presentes, está o diretor Amos Gitai, que também será homenageado com uma mostra que fará a retrospectiva de sua carreira, exibindo filmes como o premiado "Kippur: O Dia do Perdão".

A mostra mais esperada pela maior parte dos cinéfilos é o Panorama do Cinema Mundial, onde os principais títulos exibidos nos festivais mundo afora serão apresentados. Na lista entram "Você Encontrará o Homem dos Seus Sonhos", de Woody Allen, "Atração Perigosa", de Ben Affleck, "Route Irish", de Ken Loach, "A Woman, a Gun and a Noodle Shop", de Zhang Yimou,"Somewhere", de Sofia Coppola, que acabou de receber o Leão de Ouro em Veneza, e "Cópia Fiel", que deu a Palma de Ouro de Melhor Atriz a Juliette Binoche este ano.

Para abrir o festival, foi escolhido o longa "A Suprema Felicidade", de Arnaldo Jabor, e para o encerramento, "Lope", de Andrucha Waddington, filme que pode representar a Espanha no Oscar 2011.

Os filmes brasileiros escritos na Premiére Brasil concorrem ao troféu Redentor, onde os melhores filmes são votados pelo jurí e pelos espectadores nas categorias Longa de Ficção, Longa Documentário, Curta de Ficção e Curta Documentário. Além disso, filmes brasileiros fora de competição também serão exibidos, como "Bróder", de Jéfferson De, e "Agreste", de Paula Gaitán.

O Festival do Rio vai até o dia 7 de outubro e estará espalhado por diversas salas no Rio de Janeiro e em algumas praças públicas, com sessões gratuitas. Além disso, serão exibidos filmes em 3D, como "Jackass 3D" e "Avatar: Special Edition".


PS: Os filmes do Festival vão estar comentados aqui, seguidos com o selo abaixo. ^^

domingo, 19 de setembro de 2010

Atrasos, ausências e Festival do Rio


Tá na hora de sacudir um pouco as moscas do blog. A última crítica publicada aqui foi sobre "Os Mecenários", o que, a meu ver, já faz muito tempo. Mas toda essa ausência, queridos e queridas, tem uma explicação.

Como todo ser humano que se preze, eu tenho uma coisa a resolver todos os dias e que todos vocês também, com certeza, fazem: a gente chama isso de "Vida". Pois é, e a minha tem estado um tanto conturbada (graças a Deus, no bom sentido), muita coisa acontecendo, mudança de estágio, viagem, novos lugares que eu irei colaborar com textos e a mais tenebrosa delas: monografia.

Por isso que, por mais que eu adore o meu blog de paixão, nem sempre dá pra passar por aqui com essa minha vida corrida. Pra se ter uma noção, o último filme que eu assisti foi a comédia inssossa "Par Perfeito", que de bom mesmo só tem a beleza de Katherine Heigl. Nem valia a pena falar do filme.

No entanto, todo esse jejum serviu para me preparar para a maior maratona de filmes do Rio de Janeiro. O Festival do Rio começa no próximo dia 23 de setembro e eu já tô que não me aguento de ansiedade pra festa começar. Vão ser duas semanas em sequência com o melhor do cinema mundial que você ainda não viu, e provavelmente não verá tão cedo por aqui.

A abertura vai contar com a premiére de "A Suprema Felicidade", filme que marca a volta de Arnaldo Jabor ao cinema. Depois disso é só alegria com "Você Vai Encontrar o Homem dos Seus Sonhos", o novo Woody Allen, "The Kids Are All Right", o filme lésbico da Julianne Moore com a Annete Benning, e "Lope" de Andrucha Waddington, entre um zilhão de outros.

Então se liga aqui no blog porque a maratona vai começar e eu vou ver tantos filmes quanto eu puder.

Abração!

domingo, 22 de agosto de 2010

Os Mercenários

The Expendables (EUA/Brasil, 2010)
De Sylvester Stallone. Com Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgreen, Bruce Willis, Eric Robertes, Randy Couture, Giselle Itié, Steve Austin, Terry Crews e Mickey Rourke.

Apesar de toda a polêmica envolvendo Sylvester Stallone com seu comentario desagradável na Comic Con desse ano, assistir a "Os Mercenários" pareceu ser um fato inegável. Inegável porque, assim como eu, um bando de outros não-patriotas-o-suficiente-pra-boicotar-o-filme estavam lá pra assistir também. Mais inegável ainda porque, não importa que Sly seja um completo imbecil, é um mérito reunir num mesmo filme quase todas as lendas dos filmes de ação de ontem e hoje, com ausências apenas de Steven Segal e Jean-Claude Van Damme. "Os Mercenários" funciona quase que como uma homenagem a tudo que já foi feito nesse campo, com direito a tiros, explosões, lutas, selvageria e testosterona. Claro que, assim como quase todos os filmes do gênero, ele é ruim.

Barney Ross lidera uma gangue que se entitula "Os Mercenários", justiceiros contratados pelas diversas esferas do governo para enfrentar o que o próprio governo não pode: gangues e guerrilheiros separatistas pelo mundo. A nova missão deles é destruir uma ditadura na ilha de Velena, onde o tráfico de drogas destruiu a economia local. É lá que Barney conhece Sandra, filha do presidente corrupto local, que se volta contra o pai e quer o melhor para a ilha. As coisas complicam quando Barney descobre que a ilha na verdade é controlada por um ex-agente americano da CIA. Quando Sandra é feita refém, Barney e sua gangue de mercenários se empenha em voltar à ilha e fazer justiça à base de sangue.


Na boa, o filme é uma grande desculpa pra colocar tanta gente junta num lugar só e explodir tudo quanto possível. O roteiro é pobre, as atuações mais ainda, sobretudo quando os atores fazem piadas sobre suas próprias condições, quase que como uma grande paródia de filmes de ação. Essa paródia está mais explícita na pequena participação de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger, que junto com Stallone reinaram no cinema brucutu dos anos 1980. Em alguns momentos chega a ser vergonhoso ver protagonistas como Li e Statham reduzidos a coadjuvantes de luxo. Nem Giselle Itié, nossa representante brasileira, escapa de uma atuação fraca, forçando um inglês estranho e um espanhol tosco - mesmo que ela seja mexicana de nascença.


No saldo total, "Os Mercenários" é bom no que se propõe: muita ação descerebrada. As sequências finais, mérito de Terry Crews e uma metralhadora megapotente, dão um show à parte da produção e fazem mesmo o espectador segurar o fôlego. Uma boa experiência no fim das contas que só me fez confirmar que odeio filmes do gênero. Quanto ao patriotismo, posso me conformar em boicotar todos os outros filmes feitos por Stallone até hoje. Pelo que lembro, só vi inteiro "Rocky - Um Lutador" e "Pequenos Espiões 3D".

Nota: 5,0

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Último Mestre do Ar

The Last Airbender (EUA, 2010)
De M. Night Shayamalan. Com Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz e Jackson Rathbone.

Você sabia que "Avatar: A Lenda de Aang" é um dos desenhos animados mais assistidos da história da TV americana? Por essa mesma razão é uma das animações com mais fãs também. Um desses fãs é M. Night Shayamalan, que resolveu adaptar o desenho para as telonas, com um pouco mais de drama do que o desenho apresenta no seu dia-a-dia. Para azar do indiano, o nome "Avatar" foi registrado tempos antes por James Cameron para... bom, vocês sabem pra quê, o que impossibilitou o uso do nome original da animação para o filme. Sendo assim , foi escolhido o nome "O Último Mestre do Ar", que conta, vejam só, a lenda de Aang.

Antigamente, o mundo era dividido em quatro reinos, cada um conforme os elementos que seus habitantes dominavam: Ar, Terra, Água e Fogo. Apenas uma pessoa era capaz de controlar os quatro elementos e ele recebia o nome de Avatar. Só que os dominadores do Fogo abriram uma guerra contra os outros reinos e passaram a controlar alguns lugares construindo um império. Como é sabido que o próximo Avatar sairia dos dominadores do Ar, eles exterminaram todos os moradores do reino do Ar, exceto Aang, um órfão que fugiu de casa justamente por ter sido escolhido o próximo Avatar. Aang ficou escondido em uma bola de gelo e no reino da Água e foi encontrado por Katara e Sokka. Agora, ele tem que fugir das garras do príncipe Zuko, que precisa do Avatar para retornar o seu lugar no reino do Fogo. Aang e seus novos amigos então embarcam numa jornada para libertar os outros povos enquanto ele aprende a dominar os outros elementos.


O problema com "O Ùltimo Mestre do Ar" é que a história é mirabolante demais e talvez só funcione no desenho. São muitos detalhes a serem contados e o diretor/roteirista se perde ao ter que fazer uma mescla da história com os efeitos especiais necessários para contá-la. Sem falar que tudo é coreografado para que pareça um balé de lançadores de fogo, de ar e de água, deixando tudo um pouco tosco. As cenas de ação até que funcionam bem, mas os efeitos também não ajudam muito.


Enfim, a história indica que haverão mais outros dois filmes, ja que esse foi apenas o Livro Um: Água, deixando margem ainda para o livro do Fogo e da Terra (isso se não cismarem em fazer um do Ar também). M. Night Shayamalan, pelo menos, se mostrou mais eficiente em uma história pré-existente do que em seus filmes de suspense sem sentido, com ventos assassinos e seres aquáticos perturbados. Não é um dos seus piores. Deve agradar aos pequenos e (aí ja não sei ao certo) talvez os fãs do desenho. Mas pra adultos, o filme é chato.

Nota: 6,0

A Origem


Inception (EUA, 2010)
De Christopher Nolan. Com Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Ken Watanabe, Cillian m e Michael Caine.

"A Origem" é uma viagem do começo ao fim, mas na verdade, quando a gente entra na sala de cinema, já estamos acostumados com essa ideia. Toda e qualquer pessoa que entrou na sala para assistir ao filme sabia que seria levado por uma grande viagem atraves da mente. Christopher Nolan, o aclamado diretor de "Batman - O Cavaleiro das Trevas" trabalhou nesse filme por dois anos e manteve seu roteiro no mais absoluto sigilo, o que é de admirar em tempos de coisas vazando na internet. Nem os atores entenderam muito bem o script de primeira - alguns como Marion Cotillard tiveram que ler o roteiro todo umas três vezes. Mas ao que parece, "A Origem" não é um filme feito para se ver uma vez só.

Dom Cobb é o melhor em sua profissão: ele é um extrator, ou seja, ele é um homem capaz de extrair as memorias mais profundas da mente das pessoas, e isso é feito dentro dos sonhos. Após ser pego em uma missão, ele recebe uma contraproposta para ficar livre. Em vez da extração, Cobb terá que fazer uma inserção (inception), ou seja, plantar uma ideia na cabeça de um executivo, para que ele destrua a empresa do pai. Só que a inserção só pode ser feita nas camadas mais profundas dos sonhos, o que pode ser perigoso para Cobb e sua equipe. Mais perigoso ainda é a aparição de uma lembrança não apagada de Cobb, a de sua mulher Mal, que se suicidou mas fez com que ele levasse a culpa de sua morte. O suicídio de Mal e todos os outros incidentes fazem todos se perguntarem onde é exatamente o limite entre sonho e realidade.


Uma trama muito bem arquitetada, muito mais pelo visual e pelo roteiro, do que pela interpretação dos atores. Todo o mundo dos sonhos construído por Nolan faz parte de uma orquestra dirigida com maestria por ele. Apesar de os sonhos dentro dos sonhos causarem uma espécie de confusão mental no espectador, que nem se lembra lá pelas tantas em que camada de sonhos eles estão, o filme é um thriller de ação eficiente e que te deixa com o coração perto da goela. Sem falar que, como de costume nos filmes do diretor, um mistério paira no ar e deixa você com aquela cara de "WTF?".


O mais interessante sobre "A Origem" é a reflexão sobre sonho e realidade. Um discurso muito próximo ao que "Matrix" já tinha plantado nas aulas de filosofia há dez anos atrás. Nolan explorou cada pedaço milimétrico de questões que sempre intrigaram a humanidade. Porque sonhamos? Pra que servem os sonhos? Wes Craven já tinha percebido que esse é o nosso estágio mais vulneravel quando criou o serial killer Freddy Kruger. É quando sonhamos que a nossa mente está mais livre, protegida dos olhares alheios e talvez o único lugar onde podemos ser 100% nós mesmos. Não dá pra se esconder em sonhos. "A Origem" fala disso, fala de realidade mas não dentro do sonho. Mas da realidade que tentamos esconder neles. Danenm-se os puristas do cinema que não entenderam que esse não é um filme qualquer. É um filme de Nolan.

Nota: 9,0

Salt

Salt (EUA, 2010)
De Philippe Noyce. Com Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor

Angelina Jolie tava meio sumida dos filmes de ação. Ela passou um tempo investindo em sua veia mais dramática, explorando personagens de mulheres mais firmes ou sensíveis como em "A Troca" e "O Preço da Coragem". O último filme de ação dela foi "O Procurado" e ela nem era o centro das atenções. Nesse meio tempo, ela adotou mais uma criança e teve um casal de gêmeos na França com Mr.Pitt. Recuperada da licença materinidade, Jolie se dedicou a procurar um papel que realmente quisesse fazer, uma espécie de James Bond/Jason Bourne de saias. O curioso foi que ela encontrou isso em um papel escrito originalmente para um homem. "Salt" foi desenvolvido para ser estrelado por Tom Cruise, mas isso foi apenas um detalhe. Adaptações feitas e bam! Lá está Jolie em uma de suas performances excepcionais em ação.

Evelyn Salt é uma agente da CIA que foi acusada por um espião russo de ser uma outra espiã russa dentro da organização. Mais do que isso, ele fala que Salt será a responsável pelo assassinato do presidente russo durante o funeral do vice-presidente americano. De acordo com o espião, tudo isso é parte de um plano secreto da Rússia para dar o troco nos Estados Unidos após a Guerra Fria. Só que Salt se diz inocente e começa a correr contra o tempo para provar a sua inocência. Só que nem mesmo Salt é quem parece ser, assim como todos na sua organização, que esconde segredos piores do que os dela.

Quem é Salt? Depois de se assistir ao filme, a pergunta que funcionou como promoção dele faz um pouco mais de sentido. O filme ganha pontos por ter uma reviravolta intrigante exatamente no meio do filme, e pela ação concentrada toda em Angelina Jolie, que nasceu pro papel. Só que tanto corre corre deixa furos no roteiro baseado em uma teoria da conspiração mirabolante demais para ser crível. Nada faz muito sentido do porquê as coisas acontecem, como se tudo fosse uma desculpa para os saltos de carro em carro que a personagem dá.



No entanto, funcionando como uma ação que subestima um pouco a inteligência de quem assiste, "Salt" até que é divertido. Surpreende mesmo as ações da personagem e a parte de suspense foi bem construída pelo diretor Phillipe Noyce. O final, mesmo que um pouco previsível, também prende a atenção. Tudo que se pode dizer é que "Salt" não é chato, pelo contrário. Mas se apóia numa ideia um tanto quanto furada e sem sentido, o que pode comprometer um pouco a satisfação de um espectador que espere mais inteligência de Angelina Jolie (que passa minutos inteiros calada como uma pedra). Pelo menos, vale o ingresso.

Nota: 6,5