sábado, 25 de setembro de 2010

A Woman, A Gun and a Noodle Shop

San qiang pai an jing qi
(China, 2009) De Zhang Yimou. Com Honglei Sun, Xiao Shen-Yang, Ni Yan, Dahong Ni, Ye Cheng e Mao Mao.

Quem já assistiu "O Clã das Adagas Voadoras", "Herói" ou "A Maldição da Flor Dourada" sabe que Zhang Yimou tem um estilo próprio de filmar os aspectos de seu país. São sempre produções bem feitas, com uma fotografia, direção de arte e figurino impecáveis, e uma história um tanto quanto dramática, com pitadas de romance e comédia ao longo dela. Dessa vez, alguns detalhes se inverteram. Em "A Woman, A Gun and a Noodle Shop", a simplicidade e a comédia são tão evidentes que nos perguntamos se realmente estamos assistindo a uma fita do diretor.

No filme, a esposa do mercador Whang compra uma arma para se defender dos abusos do marido. Ela e outros três criados trabalham na loja de macarrão de Whang. Quando um oficial descobre que a esposa de Whang está tendo um caso, ele conta para o mercador, que pede ao oficial que mate os amantes. É quando toda a confusão começa. E ainda temos a dupla de funcionários mal paga de Whang, que tentam se infiltrar no escritório do chefe e abrir o cofre para pegar seus salários atrasados.



Toda esa história, que começou com a compra da tal arma, é uma comédia do começo ao fim. Mesmo nos momentos mais tensos, com lutas de espadas e afins, a comédia pesa mais do que o drama. Até os figurinos, marca registrada dos filmes de Yimou, são simplistas. Ao mesmo tempo, é a história que se sustenta sozinha, com boas sacadas que entretém o espectador até o final. Apesar disso, o filme é pintado sem pretensão, o que desanima um pouco àqueles que esperavam um pouco mais do exemplar chinês.



"A Woman, A Gun and A Noodle Shop" foge um pouco dos padrões que estamos acostumados de Yimou, mas é leve e divertido. E outra marca registrada do cineasta também está presente: a coreografia marcial, dessa vez presente no preparo da massa do macarrão, que começa com uma bolinha de massa e vai crescendo, crescendo até que vire um disco de massa enorme. De tanto falar em macarrão, me deu vontade de comer.

Nota: 8,0

A Boca do Lobo

La Bocca Del Lupo
(Italia, 2009) De Pietro Marcello. Com Mary Monaco e Vicenzo Motta.

Não dá pra entender certas coisas conceituais que saem da Europa de vez em quando. Uma delas é esse filme que já passou por festivais como Berlim e Turim, e que agora chega ao Festival do Rio. Uma pena é que o filme não tem muito propósito, a não ser encaixotar um monte de imagens sem sentido encartadas com cenas da história principal, o que ao invés de criar uma linha narrativa, confunde o espectador.

Vamos ao que eu entendi do filme: O matador Enzo e a transsexual Mary se conheceram na prisão e desde então construiram uma vida juntos. Quando Mary saiu da prisão, ela e Enzo continuaram a se corresponder, através de cartas e fitas gravadas por ambos. Um dia ele sai da cadeia e se junta a Mary em um barraco numa região precária de Gênova. E é isso.

O filme se contrói toda com imagens de Enzo se arrastando pelas ruas italianas enquanto uma voz em off vai contando aspectos da vida do casal. É quase como se o diretor Pietro Marcello estivesse tentando filmar uma poesia, mas desse tudo errado. Porque, por mais que a ideia de o espectador ter que adivinhar tudo sozinho seja legal, as peças no quebra-cabeças estão jogadas demais pra serem entendidas, inclusive intercaladas com cenas nada a ver, como pássaros voando por um longo tempo ou vários homens pulando num rio.

Nota: 3,0

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Festival do Rio - A Última Estação


The Last Station (2009)
De Michael Hoffman. Com Hellen Mirren, Christopher Plummer, Paul Giamatti e James McAvoy.

À primeira vista, "A Última Estação" passa a sensação de ser um drama profundo e pesado, afinal, ele mergulha na vida pessoal de Leon Tólstoi, que defendeu o socialismo na Rússia do início do século XX. Mas não é nem de longe um drama pesado. Na verdade, muito mais do que falar da vida de Tólstoi,o filme fala da eterminação da esposa dele para salvar seu casamento e a unidade familiar enquanto ele planeja a revolução. O bom é que o diretor não carrega nas tintas e confia na interpretação dos atores para dar a veracidade necessária a esse tipo de história.

No início do século XX, nos seus últimos dias de vida, Tólstoi, um dos escritores mais cultuados de seu tempo - e fora dele - decide doar todos os seus bens depois de morto para a população, incluindo os direitos autorais de suas obras, como "Guerra e Paz" e "Anna Karenina". Os problemas começam quando a esposa de Tólstoi, Sofia, desconfia dos planos do escritor, o que deve deixar sua família desamparada. Sofia vê o ato como uma traição do marido, que dá mais ouvidos a um amigo do movimento, Vladmir, do que a ela. Mas tudo o que Sofia quer é que sua família permaneça unida e que o marido a ame de volta. No meio de tudo isso está o jovem Valentin, muito ligado na ideologia pregada por Tólstoi, mas que aos poucos percebe que nem tudo deve ser levado ao pé da letra.


O filme traz uns tons de comédia e o diretor leva o filme todo em tons suaves e descontraídos. Eu diria até que o filme me lembra um quadro, pintado com maestria, daqueles que dao vontade de ficar admirando por horas. Além disso, "A Última Estação" traz uma fotografia e uma direção de arte que retratam muito bem a Rússia do início do século passado, completamente bucólica. Se bem que, com tantos atores ingleses no elenco - e falando inglês - às vezes parece que se trata da Inglaterra, e não da Rússia.



Falando no elenco, este está impecável. Com razão o casal protagonista foi indicado ao Oscar desse ano. Christopher Plummer está ótimo como o escritor Tolstói, mas o filme é todo de Hellen Mirren, uma das melhores atrizes do nosso tempo, que prova que realmente merece o titulo de Dama, que recebeu da Família Real Britânica. Além deles, Paul Giamatti e James McAvoy também traduzem o espírito tolstoiano. Todos esses elementos juntos, amarrados ao roteiro e direção de Michael Hoffman, fazem de "A Última Estação" uma ótima experiência no cinema.

Nota: 8,5

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vai começar, galera!!!!



O Rio de Janeiro vai respirar cinema a partir do dia 23 de setembro. Vai começar a 12a. edição do Festival Internacional de Cinema do Rio, com mais de 300 filmes divididos em 18 mostras, que trazem o melhor do cinema mundial para as telas brasileiras.

Este ano, o destaque do Festival vai para o cinema argentino, com a mostra Foco Argentina, que vai trazer filmes como o novo de Pablo Trapero, "Carancho", apresentado no último festival de Cannes, com Ricardo Darín ("O Segredo de Seus Olhos") como protagonista, "Quebra-Cabeças", de Natalia Smirnoff, além de outros filmes.

Entre os convidados internacionais que estarão presentes, está o diretor Amos Gitai, que também será homenageado com uma mostra que fará a retrospectiva de sua carreira, exibindo filmes como o premiado "Kippur: O Dia do Perdão".

A mostra mais esperada pela maior parte dos cinéfilos é o Panorama do Cinema Mundial, onde os principais títulos exibidos nos festivais mundo afora serão apresentados. Na lista entram "Você Encontrará o Homem dos Seus Sonhos", de Woody Allen, "Atração Perigosa", de Ben Affleck, "Route Irish", de Ken Loach, "A Woman, a Gun and a Noodle Shop", de Zhang Yimou,"Somewhere", de Sofia Coppola, que acabou de receber o Leão de Ouro em Veneza, e "Cópia Fiel", que deu a Palma de Ouro de Melhor Atriz a Juliette Binoche este ano.

Para abrir o festival, foi escolhido o longa "A Suprema Felicidade", de Arnaldo Jabor, e para o encerramento, "Lope", de Andrucha Waddington, filme que pode representar a Espanha no Oscar 2011.

Os filmes brasileiros escritos na Premiére Brasil concorrem ao troféu Redentor, onde os melhores filmes são votados pelo jurí e pelos espectadores nas categorias Longa de Ficção, Longa Documentário, Curta de Ficção e Curta Documentário. Além disso, filmes brasileiros fora de competição também serão exibidos, como "Bróder", de Jéfferson De, e "Agreste", de Paula Gaitán.

O Festival do Rio vai até o dia 7 de outubro e estará espalhado por diversas salas no Rio de Janeiro e em algumas praças públicas, com sessões gratuitas. Além disso, serão exibidos filmes em 3D, como "Jackass 3D" e "Avatar: Special Edition".


PS: Os filmes do Festival vão estar comentados aqui, seguidos com o selo abaixo. ^^

domingo, 19 de setembro de 2010

Atrasos, ausências e Festival do Rio


Tá na hora de sacudir um pouco as moscas do blog. A última crítica publicada aqui foi sobre "Os Mecenários", o que, a meu ver, já faz muito tempo. Mas toda essa ausência, queridos e queridas, tem uma explicação.

Como todo ser humano que se preze, eu tenho uma coisa a resolver todos os dias e que todos vocês também, com certeza, fazem: a gente chama isso de "Vida". Pois é, e a minha tem estado um tanto conturbada (graças a Deus, no bom sentido), muita coisa acontecendo, mudança de estágio, viagem, novos lugares que eu irei colaborar com textos e a mais tenebrosa delas: monografia.

Por isso que, por mais que eu adore o meu blog de paixão, nem sempre dá pra passar por aqui com essa minha vida corrida. Pra se ter uma noção, o último filme que eu assisti foi a comédia inssossa "Par Perfeito", que de bom mesmo só tem a beleza de Katherine Heigl. Nem valia a pena falar do filme.

No entanto, todo esse jejum serviu para me preparar para a maior maratona de filmes do Rio de Janeiro. O Festival do Rio começa no próximo dia 23 de setembro e eu já tô que não me aguento de ansiedade pra festa começar. Vão ser duas semanas em sequência com o melhor do cinema mundial que você ainda não viu, e provavelmente não verá tão cedo por aqui.

A abertura vai contar com a premiére de "A Suprema Felicidade", filme que marca a volta de Arnaldo Jabor ao cinema. Depois disso é só alegria com "Você Vai Encontrar o Homem dos Seus Sonhos", o novo Woody Allen, "The Kids Are All Right", o filme lésbico da Julianne Moore com a Annete Benning, e "Lope" de Andrucha Waddington, entre um zilhão de outros.

Então se liga aqui no blog porque a maratona vai começar e eu vou ver tantos filmes quanto eu puder.

Abração!

domingo, 22 de agosto de 2010

Os Mercenários

The Expendables (EUA/Brasil, 2010)
De Sylvester Stallone. Com Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgreen, Bruce Willis, Eric Robertes, Randy Couture, Giselle Itié, Steve Austin, Terry Crews e Mickey Rourke.

Apesar de toda a polêmica envolvendo Sylvester Stallone com seu comentario desagradável na Comic Con desse ano, assistir a "Os Mercenários" pareceu ser um fato inegável. Inegável porque, assim como eu, um bando de outros não-patriotas-o-suficiente-pra-boicotar-o-filme estavam lá pra assistir também. Mais inegável ainda porque, não importa que Sly seja um completo imbecil, é um mérito reunir num mesmo filme quase todas as lendas dos filmes de ação de ontem e hoje, com ausências apenas de Steven Segal e Jean-Claude Van Damme. "Os Mercenários" funciona quase que como uma homenagem a tudo que já foi feito nesse campo, com direito a tiros, explosões, lutas, selvageria e testosterona. Claro que, assim como quase todos os filmes do gênero, ele é ruim.

Barney Ross lidera uma gangue que se entitula "Os Mercenários", justiceiros contratados pelas diversas esferas do governo para enfrentar o que o próprio governo não pode: gangues e guerrilheiros separatistas pelo mundo. A nova missão deles é destruir uma ditadura na ilha de Velena, onde o tráfico de drogas destruiu a economia local. É lá que Barney conhece Sandra, filha do presidente corrupto local, que se volta contra o pai e quer o melhor para a ilha. As coisas complicam quando Barney descobre que a ilha na verdade é controlada por um ex-agente americano da CIA. Quando Sandra é feita refém, Barney e sua gangue de mercenários se empenha em voltar à ilha e fazer justiça à base de sangue.


Na boa, o filme é uma grande desculpa pra colocar tanta gente junta num lugar só e explodir tudo quanto possível. O roteiro é pobre, as atuações mais ainda, sobretudo quando os atores fazem piadas sobre suas próprias condições, quase que como uma grande paródia de filmes de ação. Essa paródia está mais explícita na pequena participação de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger, que junto com Stallone reinaram no cinema brucutu dos anos 1980. Em alguns momentos chega a ser vergonhoso ver protagonistas como Li e Statham reduzidos a coadjuvantes de luxo. Nem Giselle Itié, nossa representante brasileira, escapa de uma atuação fraca, forçando um inglês estranho e um espanhol tosco - mesmo que ela seja mexicana de nascença.


No saldo total, "Os Mercenários" é bom no que se propõe: muita ação descerebrada. As sequências finais, mérito de Terry Crews e uma metralhadora megapotente, dão um show à parte da produção e fazem mesmo o espectador segurar o fôlego. Uma boa experiência no fim das contas que só me fez confirmar que odeio filmes do gênero. Quanto ao patriotismo, posso me conformar em boicotar todos os outros filmes feitos por Stallone até hoje. Pelo que lembro, só vi inteiro "Rocky - Um Lutador" e "Pequenos Espiões 3D".

Nota: 5,0