segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos


You Will Meet a Tall Dark Stranger
(EUA/UK, 2009) De Woody Allen. Com Anthony Hopkins, Naomi Watts, Gemma Jones, Josh Brolin, Freida Pinto, Antonio Banderas e Lucy Punch.

Já participo da cobertura do Festival do Rio há 3 anos, fora os anos que já estive como mero espectador. Confesso que nunca vi uma fila como a que eu vi se formar para "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos", novo de Woody Allen. É claro que tudo isso foi uma ilusão minha, já que o Festival deve ter filas grandes em quase todas as sessões, mas pude ver pela procura dos ingressos e pela quantidade de pessoas na fila, a força que Allen tem como diretor. Há dois anos, eu vivi a mesma coisa na sessão de "Vicky Cristina Barcelona" e reafirmo a admiração por um cineasta que mudou (pra melhor) ao longo dos anos. Comédias românticas ainda são o forte dele, mas a dose de realidade que explora a complexidade humana continua nos surpreendendo.

Helena está passando por um momento complicado de sua vida, após seu marido, Alfie, pedir a separação depois de 40 anos de casado. Ele diz que se recusou a envelhecer e procurou um novo estilo de vida, mais "jovem". Helena não se conforma e chegou até a tentar o suicídio, mas encontra conforto mesmo nas palavras da vidente Cristal, que dá os mais variados palpites sobre a sua vida, e a de sua filha Sally. Ela é casada com Roy, um escritor com problemas em publicar seu novo romance e o casal depende de Helena para continuar pagando as contas. Sally trabalha numa galeria de arte e se vê cada vez mais atraída por seu patrão, Greg. Já Roy encontra uma nova musa inspiradora na vizinha da frente, a estudante Dia, que está sempre de vermelho. Pra sacudir mais essa família, Alfie decide se casar com uma mulher três vezes mais nova que ele, a desvairada Charmaine, e Helena se vê as voltas com a chance de um possível novo amor, um estranho alto e moreno previsto por Cristal.



O que se pode dizer mais senão que esse é um filme de Woody Allen? Apesar de ser inconclusivo e bem mais fraco que "Vicky Cristina Barcelona" ou "Match Point", o diretor aplica toda a sua experiência nas relações humanas modernas e explora como as pessoas podem ficar perdidas depois de muito tempo acomodadas em suas posições. Sobretudo quando diz respeito a envelhecer e a formar família. O filme tem uma leveza única que cativa o espectador do início ao fim.



Allen acertou na escolha do elenco e do cenário. Ele transforma Londres em um lugar irreconhecível, se afastando do tom cinzento e dos prédios vitorianos que sempre são mostrados nos filmes. Anthony Hopkins sustenta o personagem do sessentão que passa por uma crise da velhice e Gemma Jones também está ótima. O papel de musa do filme sai de Scarlett Johanson e passa para Freida Pinto, a nova cara do cinema indiano em Hollywood. E os atores Josh Brolin, Naomi Watts e Antonio Banderas, no auge da maturidade e de suas carreiras como atores, arrematam o tom suave do filme. O rosto mais desconhecido do longa, Lucy Punch, cumpre seu papel como a loira burra interesseira, embora seu personagem desperte um certo asco (será que não era isso que Allen almejava?).


Parece que os dias de noivo neurótico de Woody Allen acabaram, para dar lugar a um novo estilo. Ele consegue compreender os ritmos da nova sociedade moderna, e isso em qualquer lugar, seja em Nova York, na Espanha ou em Londres. Sua filmografia atual traça uma biografia dos novos relacionamentos, assim como "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" fez com a sociedade dos anos 1970, só que sem a mesma neurose, já que os tempos são outros. E "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos" entra para esse arsenal.

Nota: 9,0

Machete

Machete
(EUA, 2010) De Robert Rodriguez. Com Danny Trejo, Robert de Niro, Steven Segal, Jessica Alba, Michelle Rodriguez, Lindsay Lohan, Jeff Mahey e Cheech Marin.

Há exatos três anos atrás, eu estava no Festival do Rio 2007 quando fui assistir ao novo projeto de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, chamado "Grindhouse", uma homenagem aos filmes trash dos anos 1960 e 1970. Só que o projeto já tinha sido anteriormente dividido nas suas duas partes, e naquele ano só pude assistir à "Planeta Terror", segmento de Rodriguez. Só que um outro atrativo, além do filme em si, estava embutido naquela sessão, o trailer de um filme chamado "Machete", totalmente falso, produzido apenas como brincadeira para abrir "Planeta Terror". O trailer foi tão bem produzido e tinha um roteiro tão promissor - dentro dos padrões de Rodriguez, claro - que virou filme, três anos depois, com exibição no Festival do Rio 2010. É o ciclo do cinema.

Mas sem ladainhas, vamos ao filme. Quem viu o trailer repetidas vezes no DVD de "Planeta Terror", já sabe que Machete é um ex-federal mexicano que teve sua família assassinada por um narcotraficante do México e por isso, foi para os EUA como imigrante ilegal. Lá, confundido com um trabalhador normal, recebe uma proposta de matar o senador John McLaughlin, que está se candidatando è reeleição com a proposta de banir os imigrantes ilegais do país (leia-se mexicanos). Ele aceita o serviço, mas tudo não passa de uma armadilha para incriminar Machete e alavancar a eleição. Ele então parte para buscar a justiça contra àqueles que tramaram seu mal. Ele vai contar com a ajuda da Rede, uma rede (oooooh!) que ajuda os imigrantes no país, liderados por Shé, uma figura lendária que nunca aparece, a não ser pelos relatos de Luz, uma vendedora de tacos integrante da Rede. Eles também vão ter que escapar do cerco de Sartana, uma policial do departamento de imigração que aposta na honestidade, e também de toda a coligação do mal que quer ver a eleição do senador: o assessor dele Michael Booth, o vigilante das fronteiras, Von Jackson, e o narcotraficante mexicano Torrez.



Repleto de violência e apelo sexual, daqueles de ter sangue espirrando, "Machete" é sensacional. É trash, claro, mas e daí? Ele cumpre fielmente a sua proposta de entreter e de criar uma história que consegue se sustentar, sem necessariamente se basear na violencia em si. Tudo que está na tela é plausível, mesmo que beire o absurdo, e é aí que reside o mérito de Robert Rodriguez. As cenas de ação são bem executadas e temos que admitir que Danny Trejo nasceu pro papel.


Três mulheres são a atração à parte do filme. Jessica Albra, em cenas bem calientes, até pra ela mesma; Michelle Rodriguez, que mais uma vez encarna a mulher durona, tipo que já está virando clichê na sua carreira; e (pasmem!) Lindsay Lohan, tentando dar a volta por cima interpretando ninguém menos do que ela mesma na tela, uma garota problema (Só pra destacar, ela foi aplaudida na sessão em todas as vezes que apareceu). Já entre os homens, Steven Segal sai coroado do filme como o filho esquecido de "Os Mercenários", e está muito fora de forma, física e profissional. Robert de Niro encarna um tipo engraçado, mas esquecível. O principal desse time é Michael Booth, como o assessor perverso, pai de April (Lohan).

"Machete" vai fazer muito bonito no circuito comercial, com certeza. É ideal pra quem procura um bom filme de ação, repleto de bobagens, mas que estão ali pura e simplesmente para diversão. A genialidade de Robert Rodriguez, dentro do que ele se propõe, fica comprovada e estampada nas telas, o que o eleva a um patamar pop que se aproxima cada vez mais do seu 'buddy' Quentin Tarantino.

OBS: Destaque para as cenas do trailer que foram devidamente inseridas no filme. As histórias casam perfeitamente. Ponto para Rodriguez.

Nota: 9,5

Cópia Fiel


Copie Conforme
(França/Itália, 2010). De Abbas Kiarostami. Com Juliette Binoche e William Shimmel.

Sempre que eu escrevo um filme, eu adiciono uma tag indicando o gênero a que ele pertence: drama, comédia, romance, etc. Com "Cópia Fiel" vou ser obrigado a inaugurar uma tag nova: arte. O puro e simples filme de arte. Porque o diretor Abbas Kiarostami fez uma história que não se encaixa tecnicamente em nenhum gênero já conhecido do cinema. É um daqueles filmes que ficam fazendo você raciocinar o tempo todo, se perguntando se você tá entendendo alguma coisa, e quando você acha que tá entendendo, ele muda o rumo da coisa e você se perde de novo.

Elle é dona de uma loja de objetos de arte que vai ao encontro do escritor inglês James Miller. Este está na Toscana para divulgar a versão italiana de seu mais novo livro, "Copia Conforme". Elle marca um encontro com James para que ambos possam discutir sobre os aspectos do livro e ela acaba cicceroneando ele pela cidade. No passeio, os dois começam a discutir vários aspectos da arte, das cópias, da finalidade do casamento, entre outras coisas, até que se chega a um ponto em que parece que eles são mais íntimos do que parece. Seria isso verdade ou mais um truque deles demonstrando a Cópia Fiel?



Na verdade, "Copie Conforme" é um grande discurso de análise da arte enquanto arte e das máscaras que colocamos em nós mesmos. O filme discute até que ponto a arte pode ser considerada arte e também o perigo ou benefício das cópias. Mais do que tudo isso, o filme questiona o nosso próprio senso de narração, ao construir um modelo de contar histórias totalmente ao avesso do que estamos acostumados. Os enredos se misturam. O filme todo é um grande diálogo entre o casal principal pelas ruas da Toscana, com assuntos que começam falando de arte, de cópias, de envelhecimento, de amor e até de fingimento.



O casal protagonista caminha como desconhecidos, falando sobre o livro do autor sobre cópias. A certa altura, os atores mudam de personalidade, e encaram a figura de marido e mulher, e você não sabe se eles são ou não são um casal. Será que aquilo era mais um jogo da Cópia Fiel e eles estavam tentando provar cada um a sua teoria? Seriam as cópias melhores, ou tão boas, quanto as originais? Acho que pra responder essas questões eu teria que assistir ao filme de novo, mas fiquei tão zonzo da primeira vez que eu não sei se aguentaria mais uma tão cedo. Mas fica a dica, "Cópia Fiel" é um ótimo exercício cinematográfico que vai fazer você se surpreender com seus próprios questionamentos.

Nota: 8,0

PS: Detesto sair do cinema com cara de burro.

Bom Apetite


Bon Appétit
(Espanha/Alemanha/Suíça, 2010) De David Pinillos. Com Unax Ugalde, Nora Tschirner, Herbert Knaup e Guilio Berruti.

A princípio o que atrai o espectador para esse filme é a possibilidade de se encontrar bastante comida. Também, com um nome desses, é meio óbvio sobre o que o filme se trata. Então, o espectador vai armado para encpntrar algum tipo de comédia à la "Ratatouille" ou "Sem Reservas" ou qualquer outro que fale sobre comida, cozinheiros, culinária, restaurantes, etc. E quando o filme te surpreende e o foco sai da comida para centrar em algo maior? É isso que faz essa co-produção entre Espanha e Suíça, falada em três línguas (?!), que chega a arrancar lágrimas da plateia.

Daniel se muda da Espanha para a Suíça em busca de se tornar um chef reconhecido e consegue um emprego em um famoso restaurante. Lá ele conhece seus novos amigos, a alemã Hanna e o italiano Hugo. Ele logo se apaixona por Hanna, que tem um caso com o chefe do restaurante, Thomas. Hanna passa então por um momento complicado quando engravida, já que Thomas é casado. Enquanto isso, Daniel tem que lutar para se livrar do sentimento por Hanna, enquanto ainda tem que lidar com a pressão dentro da cozinha, enquanto vê o amigo Hugo cada vez mais se estressar com o patrão. Daniel vê a oportunidade de crescimento, mas começa a trocar os valores de sua vida.

A comida, nesse caso, passa a ser o segundo plano quando o espectador se dá conta dos personagens maravilhosos que habitam aquela cozinha. O sonhador e ambicioso Daniel vai mudando sua personalidade ao longo do filme e podemos ir conhecendo-o aos poucos. Já Hanna é a típica mulher apaixonada que não enxerga as burradas que faz por amor. Hugo é o correto, o cara que não suporta que as pessoas passem por cima das outras sem pudor. Junta tudo isso numa panela e acrescenta o molho. Deixa ferver por 91minutos e sirva ainda quente. Coloque sal a gosto, sirva num prato apresentável e voilá, temos um filme brilhante com um roteiro incrível.

A certa altura o diretor David Pinillos cozinha história de amor e relacionamentos entre amigos, homem e mulher, patrão e empregado, mãe e filho, ex-namorado e ex-namorada, tudo sem deixar nada passar do ponto. Ele junta os temperos na dose certa de comédia, romance e drama, e ainda coloca aquela folhinha de salsa no canto de um prato de porcelana chinesa. O filme é falado em três línguas diferentes, às vezes simultaneas (inglês, espanhol e alemão), e nem assim o espectador se confunde. Um ótimo aperitivo do Festival que se tornou o prato principal.

Nota: 9,0

The Cove



The Cove
(EUA, 2009). Documentário de Louise Psihoyo.

O documentário vencedor do Oscar, "The Cove" faz um alerta. E eu quero deixar uma pergunta, antes de falar do filme. A mesma pergunta que ficou na minha cabeça por horas depois da sessão. Você já viu um golfinho triste? Esses animais são sempre associados à alegria, devido ao seu espírito brincalhão e o sorriso que eles parecem sempre ter estampados na boca. Mas os golfinhos são muito mais do que isso. São os animais mais inteligentes do planeta, com uma capacidade de aprendizado que pode ser igual (ou superior) a do ser humano. O que nos intriga é porque alguém no planeta iria querer matar uma criatura venerada por quase todos os habitantes do planeta. A resposta é mais simples do que se imagina: dinheiro.

Caçar e matar golfinhos para a venda da carne movimenta uma economia no oriente que é consolidada há séculos. A carne de golfinho é vendida no Japão, depois que uma proibição cancelou a matança de baleias. O documentário mostra as atitudes do ativista Richard O'Barry, ex-treinador de golfinhos do seriado "Flipper", para combater a matança desses animais na baía de Taijii. Eles invadem a reserva e são constantemente atacados por pescadores e empresários do setor. O'Barry recruta uma equipe para uma super missão: equipas a baía no meio da noite com câmeras escondidas para revelar ao mundo o horror da matança.



Dá dó ver também que na mesma baía golfinhos são encurralados e escolhidos por parques aquáticos do mundo todo. Os que não passam na aprovação são mortos da maneira mais cruel possível. São mais de 20 mil golfinhos mortos por ano, só na baía de Taijii. O documentário não apenas tem mérito por denunciar esse horror ao mundo, mas por ter uma linha narrativa muito bem construída, suustentada pela brilhante trilha sonora feita por Moby. Oscar mais do que merecido.

OBS: Depois que o filme ganhou os festivais de todo o mundo, desde janeiro não tem havido mais nenhuma morte de golfinhos na baía de Taiji.


Nota: 10

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Lixo Extraordinário



Lixo Extraordinário / Waste Land
(Brasil/EUA, 2010). De Lucy Walker. Com Vik Muniz.

Você já se imaginou catando lixo para sobreviver? Provavelmente não. Mas ninguém nunca faz esse tipo de reflexão até ser confrontado com a realidade de pessoas que fazem isso diariamente. O problema é: essas pessoas gostam disso. Pelo menos é isso que o documentário "Lixo Extraordinário" vai investigar. Será mesmo que essas pessoas gostam do que fazem, ou elas simplesmente estão tão acostumadas com a sua realidade, que simplesmente não sabem que podem alcançar voos mais altos? Para o artista Vik Muniz, a transformação é possível, assim como o lixo pode virar obras de artes que valem milhões.

Vik Muniz já é reconhecido por seu trabalho no exterior, com as suas peças contruídas com material reciclável espalhadas em composições gigantes e depois retratadas. Para o seu próximo trabalho, ele decidiu que ia fazer diferente. Ele mergulhou no maior aterro sanitário do mundo, o Jardim Gramacho, que recebe toneladas de lixo do Rio e do Grande Rio. Foi quando ele viu que ali ele podia fazer muito mais. Através de personagens marcantes do aterro, como Tião, o presidente da associação que cuida dos interesses de catadores de lixo, Irmã, uma senhora que cozinha para os trabalhadores, entre outros, ele vai desenhando portifólios desses personagens, que cresceram ali sem nenhuma perspectiva.



Vik então convida alguns deles para participar do seu projeto. Primeiro ele tira fotos deles no aterro, e essas imagens vão se transformar em arte, feita pelos próprios catadores. O resultado desse trabalho vai ser vendido e o dinheiro revestido para obras sociais para os catadores. Mas isso vai muito além do dinheiro. O importante é a mudança de perspectiva que o trabalho com a arte causa nessas pessoas, que começam a ver uma oportunidade de vida melhor fora do lixo.

Apesar do filme soar pretensioso e até falso no começo (por causa dos diálogos em inglês, que parecem forçados), ao longo dele são os personagens que chamam mais atenção e a gente até esquece desse tom ruim no começo. Era necessário pro filme que fosse assim. O contraste de realidade é grande, mas será que é tão grande assim? No filme, conhecemos mais de Vik, que saiu de uma periferia de São Paulo e hoje tem um estúdio em Nova York. Vemos que o artista e seus novos "alunos" podem ter mais em comum do que ele mesmo imagina.


e é através dessas histórias magníficas, e da triste realidade passada no lixão, que o espectador para e analisa que é possível mudar de vida, se você mudar a sua perspectiva. Foi assim que Muniz encarou esse trabalho. ele deu o primeiro empurrão que foi necessário para que seus personagens tomassem impulso e seguissem a vida por eles mesmos. Mais uma vez a arte prova que pode mudar a vida das pessoas. O documentário ganha ritmo ao longo do tempo e termina de forma triunfal.

Não à toa, Vik Muniz, elenco e produção, foram ovacionados no Odeon por severos minutos ao fim da exibição.

Nota: 10

A Empregada



Hanyo / The Housemaid
(Coreia do Sul, 2010) De Im Sang-Soo. Com Jeon Do-Yeon, Lee Jung-Jae, Woo Seo e Yun Yeo-Jong.

O cinema oriental tem ganhado cada vez mais destaque mundial. Tanto é que alguns dos títulos estão se tornando verdadeiros objetos cult, vide o filme de monstro "O Hospedeiro", da Coréia do Sul, que serviu de base para "Cloverfield", mas que é infinitamente superior. Veja também o caso do chinês Zhang Yimou, do diretor de Hong Kong, Won Kar Wai, e do vencedor do Oscar de Filme estrangeiro no ano passado "A Partida", do Japão. Esse é mais um exemplar da Coreia do Sul. "A Empregada" foi inscrito na competição oficial de Cannes em 2010.

A jovem Eun-yi vai trabalhar na casa do milionário Hoon, cuja esposa está gravida. Chegando lá, ela descobre que a sua tarefa é ficar de babá da pequena Nami, a primeira filha do casal. Mas é o patrão quem chama mais a atenção de Eun-yi e ele também começa a se sentir atraído por ela, uma vez que sua esposa está grávia. Os dois se relacionam em um affair perigoso, que é vigiado de perto pela governanta da casa. Ela, por sua vez, desconfiando que Eun-Yi está grávida, conta do caso do patrão para a sogra dele, que arma um plano para que a empregada perca o bebê. Esse jogo fica cada vez mais perigoso conforme o tempo passa, levando sérias consequências a essa família e à vida da própria Eun-Yi.



Por mais que a condução de Im Sang-Soo tente se aproximar de um drama, para o público brasileiro (leia-se eu) acostumado a novelas e dramalhões na TV, a história não te muita profundidade. Quantas vezes já nos deparamos na nossa querida televisão brasileira com casos entre patrões e empregadas, tramas de vingança, etc, etc, etc? Ao mesmo tempo, o diretor cria um suspense à la Hitchcock, que cumina com o fim imprevisível da história. Talvez o fato se o filme ter esse ritmo de novala aproxime mais ainda o público daqui, que já está acostumado com o enredo. Talvez esse mesmo fato decepcione quem gostaria de ver mais originalidade vinda de um filme coreano. Mas, no geral, ele é bom.

OBS: Destaque para a pequena Seo-Hyeon Ahn, que interpreta Nami, a filha do casal, que é mais esperta do que todo o elenco junto.

Nota: 7,0