sábado, 20 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1

Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 1
(EUA/UK, 2010) De David Yates. Com Daniel Radcliff, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Tom Felton, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Evana Lynch, Imelda Staunton, Bill Nighly, Rhys Ifant, Julie Walters, Helen McCroy, Jason Isaacs, Brendan Gleeson, David Thewlis.

Há quase dez anos os fãs da saga Harry Potter esperam por esse momento. Desde quando o primeiro filme foi lançado, esperar pelo último, que vai pôr um fim em tudo o que foi escrito e vivido por milhões de pessoas ao redor do globo se tornou um hábito inevitável. A melhor parte de poder sentar e assistir às mais de 2 horas e 30 minutos de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" é ver que, por mais que alguns detalhes estajem (obviamente) subtraídos, a maior parte do filme está ali descrita com uma precisão incrível. A floresta, o chalé das conchas, o Ministério da Magia, tudo. Finalmente aprenderam a fazer um filme completo e dar o desfecho que a saga merece.

Na primeira parte do último capítulo da saga, Harry precisa procurar as outras quatro Horcruxes que contém partes da alma de Voldemort, enquanto o Senhor das Trevas domina o mundo bruxo e parte em busca de uma varinha que seja capaz de matar o seu oponente. Depois de um ataque à uma festa de casamento na família Weasley, Harry, Rony e Hermione saem sozinhos migrando de lugar em lugar em busca das horcruxes. Mas nessa jornada eles irão ver que tem muito mais em jogo do que simplesmente matar Voldemort e sim descobrir muito mais sobre eles mesmos e sobre a amizade e a compaixão que sempre uniu o trio. Harry ainda terá que descobrir onde estão e quais são as horcruxes desaparecidas, e porque um sinal relativo às Relíquias da Morte insistem em aparecer.

A trama é extensa e complexa e justifica a divisão do filme em dois. Por mais que o motivo seja principalmente comercial, não daria mesmo pra colocar tantos detalhes da história em apenas um filme, a menos que ele fosse mais mutilado do que os outros seis filmes. Ao mesmo tempo, dá a impressão de que apenas fãs que leram o livro final irão entender a história. Olhando por um certo ângulo, montagem, junção de roteiro e outros aspectos fazem o filme perder um pouco a consistência no geral, embora isso não tire o brilhantismo da sua realização.

HP7-1 é o melhor filme da série até agora. É o que mais traduziu na tela o sentimento de aflição e tristeza que permeia a história, uma vez que o mundo bruxo está sendo assolado pelas forças das trevas e não há esperança pra ninguém. Isso fica mais evidente com a trilha sonora e com a fotografia do filme, sempre em tons escuros que em nada lembra os tons mais quentes e alegres de um longínquo "Harry Potter e a Pedra Filosofal". Apesar disso, manter a esperança e estar junto dos amigos é importante e esse parece ser o papel do Eleito, Harry Potter, que parte em busca da salvação do mundo bruxo não apenas por heroísmo banal, mas porque só ele conhece bem Lord Voldemort, suas intenções e aspirações, conhecimentos que lhe foram passados ao longo de sua curta vida acadêmica.

Com relação ao filme, os efeitos especiais nunca estiveram tão aprimorados e as cenas de ação dão agilidade ao filme - tanto que eu não me importaria em ficar ali por outras 3 horas, se resolvessem fazer tudo num único filme. O desempenho dos atores principais foi o melhor de toda a saga, como se eles estivessem dando cada gota do suor de seu trabalho pra fazer tudo perfeito na parte que termina. David Yates mostrou porque se tornou o diretor definitivo da série e imagino o que teria acontecido se ele tivesse dirigido todos. Com "HP7-1" ele se torna o diretor que esteve mais vezes à frente da saga, superando Chris Columbus e as duas partes iniciais.

Destaque também para a cena que descreve o "Conto dos Três Irmãos", importantíssimo para a história das Relíquias da Morte, que é contado através de uma animação impecável, que lembra os "Contos do Cargueiro Negro", história à parte do filme "Watchmen". Outro destaque para a participação de Dobby, o elfo doméstico do segundo filme, que ressurge para alegria (e tristeza) dos fãs. Posso dizer que Dobby foi amplamente aplaudido na sessão que eu assisti. Aliás, falando no segundo filme, tive a impressão que nesta última parte o espectador revive todos os outros filmes junto com Harry: o pomo de ouro, o mapa do maroto Dolores Umbridge, Dobby, Fleur deLaCour e Madame Maxime, a família Malfoy,
entre outras coisas.

O início do fim deixa claro de que esse é o melhor filme da série, mas só até agora. Infelizmente ficaremos com gostinho de quero mais até àquele que deve ser mesmo o melhor de todos os filmes, a Parte 2. É bom nem ir contando os segundos, porque uma vez os créditos finais de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" subam, em julho de 2011, saberemos que realmente terá sido o fim.

Nota: 9,5

domingo, 14 de novembro de 2010

Waiting Harry


"Já era hora. Passou devagar demais." ou "Já??? Não acredito, passou muito rápido!!"? Não importa a que grupo de reações você pertence, o importante é que estamos a menos de uma semana de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1". O que antes soava esquisito por um livro ser dividido em dois, agora dá até um certo alívio de que, não só a saga ainda tem mais um capítulo, como deverá ser mais fiel já que teremos mais espaço para os detalhes.

Outra coisa importante é que está pra terminar a maior franquia do cinema. Sim, a maior, goste você ou não. No fim de 2011, serão sete filmes que faturaram juntos mais do que toda a franquia 007 - que tem 22 filmes! Nunca uma saga participou da vida de adolescentes como Harry Potter - Crepúsculo não conta! Todos os que leram cresceram com Harry, amadureceram com Harry e agora é que a adolescencia efetivamente termina. Assim como o trio mais famoso de Hogwarts cresce, seus espectadores também cresceram.

Ano que vem ainda tem mais um capítulo - verdadeiramente o último - o que pode nos dar o maior final épico da história do cinema ou simplesmente estragar a franquia toda, é questão de um ponto de vista. Mas Harry Potter não sai do cinema igual a como estava quando começou, dez anos atrás com "A Pedra Filosofal". Harry sai diferente. E nós também.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Jogos Mortais - O Final

Saw 3D
(EUA, 2010) De Kevin Greutert. Com Costas Mandylor, Betsy Russell, Carl Elwes, Sean Patrick Flanery, Chad Donella, Gina Holden e Tobin Bell.

Considerando os sete filmes, pode-se dizer que “Jogos Mortais” é a franquia de terror mais badalada do cinema moderno. Mesmo que apenas o primeiro seja considerado “genial” e os outros seis – incluindo este último – estejam mais para um banho de sangue sem propósito, os filmes formam uma identidade com o público que o assiste que não acontecia desde outras grandes franquias do gênero, como “Sexta-Feira 13” nos anos 1980 e “Pânico”, nos 1990. Deixo aqui registrado o meu reconhecimento aos sete filmes, que construíram a alma mítica do assassino Jigsaw, espalhando a sua história por toda a franquia e nos fazendo pensar se ele merecia pena ou não. Sim, a franquia tem 90% carnificina desencabida, mas tem seus méritos, concorde o público ou não.

Na sétima (e última, segundo os produtores) parte dos Jogos, a ex-mulher de Jigsaw, Jill, recorre à polícia para pedir proteção contra o sucessor do serial killer, o perturbado Hoffman. Cabe ao oficial Gibson a missão de investigar o envolvimento dele com os jogos que continuaram mesmo depois da morte de Jigsaw. Enquanto isso, um homem faz fama e fortuna contando a história de sua sobrevivência a um dos jogos em um livro e ajudando outros sobreviventes em reuniões de auto-ajuda. Só que ele vai cair mais uma vez numa armadilha e vai ter que provar que é digno de toda a admiração que vem recebendo, inclusive para salvar sua mulher, que está na armadilha com ele.



Não há nada de inovador em “Jogos Mortais – O Final”, a não ser as resoluções dos mistérios deixados pelo capítulo anterior e amarrando alguns pontos deixados soltos ao longo dos seis filmes – incluindo o primeiro. Como o filme fala basicamente da sobrevivência dos participantes e suas experiências psicológicas, outros integrantes dos filmes anteriores estão de volta, como o Dr. Gordon (Cary Elwes), do primeiro filme, e Simone (Tanedra Howard), do sexto.


No mais, há o já corriqueiro banho de sangue, agora com pedaços de carne voando em 3D. E os efeitos param por aí, nem perca seu tempo procurando uma sala 3D para ver “Jogos Mortais”, porque não compensa. Talvez seja até melhor ver a boa e velha projeção 2D nesse caso. O fim da franquia (será????) não vale tanto o seu dinheiro assim, mas pra quem já conferiu todos os filmes da saga, porque não prestigiar o capítulo final?

Nota: 6,5
Efeitos 3D: 1,0

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu Matei a Minha Mãe

J'ai tué ma mère"
(
Canadá, 2008). De Xavier Dolan. Com Xavier Dolan e Anne Dorval.

Não, este não é um post confessional, graças ao bo Deus. Mas o filme, sim. Embora o título mais engane do que esclareça, foi exatamente o nome do filme que me fez querer assistir a "Eu Matei a Minha Mãe", há um ano atrás, no Festival do Rio 2009. E eis que só agora o filme desembarca em algumas salas Brasil afora, mesmo que merecesse ser visto pelas multidões. Esse é o filme de estreia de Xavier Dolan, mais novo gênio do cenário cool cinematográfico - dentro e fora do Canadá. Com apenas 20 anos e com um filme quase autobiográfico, Dolan conseguiu ir parar na Quinzena dos Realizadores em Cannes e fazer a alegria de um zilhão de jovens apaixonados iguais a ele: cools o suficiente para não se importar com a opinião dos outros, fazendo um cinema inovador.

"Eu Matei a Minha Mãe" conta a história de Hubert, um adolescente perdido em meio às descobertas da juventude que odeia a mãe. Odeia mesmo. Todas as atitudes dela são repulsivas a ele. Mas como odiar a própria mãe? Isos não é pecado? É sobre esses questionamentos que o filme se desenrola. Hubert ama e odeia a mãe ao mesmo tempo. Ela, por sua vez, não colabora nem um pouco para que a relação dos dois se estabeleça com harmonia. O pai, ausente, vê a solução em mandar o garoto para um colégio interno.

O filme é brilhantemente rodado. Durante a projeção vemos as emoções de Hubert se desenrolarem em metáforas visuais, no melhor estilo Amélie Poulain. E ainda tem o problema de o rapaz ser homossexual e não ter contado à mãe. Quando a mesma descobre, o pior não é ela ter descoberto e sim de ele não ter contado. Um filme lindo, que o mundo não aprecia. Na parede do quarto do namorado de Hubert vemos ícones da chamada "cultura pop": James Dean. Coco Chanel, River Phoenix, referências a Van Gogh e até à Audrey Hepburn. Realmente não observamos o cinema canadense com cuidado. Uma coisa mais me chamou a atenção no filme. Quando o personagem diz "Todo mundo odiou a mãe em algum momento, seja por um ano ou por um segundo", ele está errado?

Só pra constar: "Eu Matei a Minha Mãe" é a escolha do Canadá para o Oscar 2010.

Nota: 9,0

domingo, 31 de outubro de 2010

Atividade Paranormal 2

Paranormal Activity 2
(EUA, 2010) De Tod Williams. Com Sprague Grayden, Brian Boland, Molly Ephraim, Katie Featherson e Micah Sloat.

Depois de ter feito sensação no ano passado ao se consagrar como o filme de terror do ano, não demorou muito para "Atividade Paranormal" ganhar uma sequência, dessa vez pelas mãos de um grande estúdio, a Paramount. E a sequência consegue ser bem melhor do que a original (que eu detestei, particularmente, indo contra toda a maré de pessoas que não conseguiram dormir por dois meses depois de assistir ao filme). Se o primeiro filme se deixou valer pelo marketing e pelo boca-a-boca (mentiroso) de que tudo seria baseado em fatos reais, o segundo filme agora conta com a fama do original para levar multidões aos cinemas. E funcionou, já que nos Estados Unidos o filme se mantém em primeiro lugar, e aqui só não foi capaz de deter o furacão "Tropa de Elite 2".

A história de "Atividade Paranormal 2" se passa três meses antes do ocorrido no primeiro. Desta vez, a irmã de Katie, Kristi, é que é a vítima dos estranhos acontecimentos na casa. Após eles serem, aparentemente, vítimas de uma invasão que deixou sua casa revirada, a família de Kristi decide instalar câmeras de segurança na casa toda. O marido de Kristi, Daniel, e a enteada, Ali, também filmam seu cotidiano com uma câmera. Os acontecimentos começam a ficar piores e tudo é registrado pelas câmeras, que provam que Kristi tem ligação direta com o que está acontecendo, sobretudo através do seu filho, Hunter.

Esqueça o primeiro filme. O segundo não só se sustenta como bom suspense, como explica tudo o que aconteceu no longa anterior, dando todo sentido à história. Apesar do lenga-lenga que se arrasta pelo filme, já que demora demais até que algo aconteça, os sustos estão muito sofisticados e realmente assustam. Todas as peças dos dois filmes se encaixam perfeitamente, inclusive fazendo uma ponte entre eles - e talvez com uma possível terceira parte.

A verdade é que "Atividade Paranormal 2" é fruto de grande trabalho por parte dos grandes estúdios de Hollywood, que viram a oportunidade de fazer negócio com uma ideia simples. No fim das contas, o espectador ganha um filme muito melhor produzido, com aquela contínua aura de "baseado em fatos reais", mas que dessa vez são muito mais convincentes do que simplesmente a fechada de porta pelo vento, do primeiro.

Nota: 7,5

Viva o Coronel Nascimento! "Tropa 2" é o mais visto da retomada do cinema nacional

-Vai encarar, rapá?

"Tropa de Elite 2" se tornou o filme brasileiro mais assistido da história do cinema, desde a chamada Retomada. Eu nunca escondi que não sou tão fã do cinema nacional, por algumas questões particulares. Além do gosto pessoal (e de uma pitadinha de preconceito resistente, admito), o fato é que o nosso cinema é invadido por tramas que são muitas vezes copiadas dos folhetins que não cansam de invadir a nossa televisão.

Mais do que isso, o investimento que filmes destes calibres recebem, em comparação a filmes mais elaborados, são cada vez maiores. Afinal, filmes simplórios em roteiro, mas cheios de atores globais e rostos bonitos são o carro-chefe do nosso cinema.

"Tropa de Elite", o primeiro e o segundo, mistura pitadas de vários temperos, e consegue criar uma trama crível, de apelo popular, e cheio de investimentos, sem apelar pra mesmice. A segunda fita, por exemplo, dá um significativo avanço com relação à primeira, quando o assunto é reflexão do cotidiano.

Por isso, eu fui um dos entusiastas que esperou o dia em que "Tropa de Elite 2" destronou "Se Eu Fosse Você 2" do posto de mais visto do cinema nacional desde a retomada. Pra mim, a sequência dirigida por Daniel Filho não só não é engraçada, como também não acrescenta um pingo de originalidade. O único mérito do longa, pra mim, é ajudar a alavancar Glória Pires, uma grande atriz, ao posto que merece ocupar. Só.

É claro que o cinema precisa de filmes como estes, afinal, a massa clama por coisas assim, e até os mais intelectuais precisam de filmes mais besteirol e menos cult. Tudo bem, isso até eu admito, quando entrei no cinema pra ver "Marmaduke". Defendo a existência de quantos "Se Eu Fosse Você" sejam precisos, desde que surjam Tropas de Elite de vez em quando.

Veja abaixo as dez maiores bilheterias do cinema brasileiro desde 1970. Os dados são do Observatório Brasileiro do Cinema e Audiovisual, da Ancine. (retirado do Blog do Artur Xexéo)

1. "Dona Flor e seus dois maridos" (1976)......................10, 7 milhões de espectadores

2. "A dama do lotação" (1978)...............................................7,8 milhões

3. "Tropa de elite 2" (2010)...................................................6,2 milhões

4. "Se eu fosse você 2" (2009)..............................................6,1 milhões

5. "O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão" (1977)......5,7 milhões

6. "Lúcio Flávio, passageiro da agonia" (1977).................5,4 milhões

7. "2 filhos de Francisco" (2005).........................................5,3 milhões

8. "Os saltimbancos trapalhões" (1981).............................5,2 milhões

9. "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas" (1978).......5,08 milhões

10. "Os Trapalhões na Serra Pelada" (1982).....................5,04 milhões

Há quem diga que os filmes do Mazzaroppi atraíram muito mais de 20 milhões de espectadores, sendo que os filmes foram exibidos em cinemas do interior do Brasil, ficando em cartaz por muito tempo, alguns por anos a fio. Infelizmente, dados sobre a exibição desses longas, ainda mais em lugares tão remotos do país, nunca foram concretizados.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Você gosta e frequenta os cinemas de rua?



Você gosta e frequenta os cinemas de rua? Odeon, Roxy, Estação Botafogo, Espaço de Cinema, Unibanco Arteplex, Cine Glória e afins? Entre em contato. Precisamos da sua ajuda!

Eu e uma equipe da Faculdade de Comunicação Social da Uerj estaremos realizando um documentário sobre os cinemas de rua do Rio de Janeiro e se você quiser participar, dando o seu depoimento sobre porquê você gosta deles (ou porque prefere os grandes Multiplex nos shoppings), deixa um comentário aqui ou envie um e-mail para mvdonascimento@yahoo.com.br

Você também pode responder pelo twitter no @mvdonascimento ou então via Facebook, deixando um recado pra mim no "Curtir" aí em baixo.



Ou seja, meios de participar não faltam. Ajude a gente ^^