sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Natalie Portman


Com a estreia de "Cisne Negro" nos cinemas brasileiros, o público daqui finalmente vai poder conferir (legalmente) a performance de Natalie Portman que tanto tem sido comentada no ano que passou. Dirigida por Darren Aronofsky, Portman pode ganhar o seu primeiro Oscar, mas nós já sabemos que ela é uma das melhores atrizes da atualidade. Não precisamos de um Oscar pra isso.

Nascida em Israel, ela se mudou com os pais para Nova York quando ainda era muito pequena. Natalie atua desde criança no cinema, com apenas 11 anos. Sua primeira grande aparição foi no filme "O Profissional", em que contracena com o ator Jean Reno, e desde então ela dá sinais de que tinha um incrível talento.

A atriz foi experimentando pequenos papeis em alguns outros filmes como "Fogo Contra Fogo" (1995), "Brincando de Seduzir" e "Marte Ataca!" (1996), este último de Tim Burton. Mas foi em 1999 que Natalie saiu do pseudo-anonimato para o estrelato mundial, entrando em uma das franquias mais cultuadas do cinema - se não a mais cultuada. Ela foi escolhida para ser ninguém menos que rainha Amidala em "Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma", (re)início da saga "Guerra nas Estrelas" nos cinemas.

Daí pra ser convidada para outros papeis foi um pulo. Ela esteve em "Cold Mountain" (2003) e em "A Voz do Coração" (2000), alem dos outros filmes da franquia Star Wars. Mas até então, o nome Natalie Portman era pouco lembrado. Isso mudou após uma das performances mais marcantes de sua carreira em "Closer - Perto Demais"(2004), que lhe rendeu o Globo de Ouro de atriz coadjuvante e sua primeira indicação ao Oscar, além de colocá-la na condição de estrela.

Dentre seus papeis mais marcantes está a viajante que entra no caminho de Norah Jones em "Um Beijo Roubado"(2007), de Wong Kar Wai, a rainha Ana Bolena em "A Outra" (2008) e a jornalista Eve, em "V de Vingança" (2006), papel pelo qual ela teve que raspar a cabeça. Recentemente ela esteve em "Entre Irmãos" (2009) e agora está em outro filme causando burburinho lá fora, a comédia "Sexo sem Compromisso", com o fanfarrão Ashton Kutcher.

Praticamente, só Annette Benning tem condições de arrancar o Oscar de Natalie Portman na noite do dia 27 de fevereiro. Mas, considerando o histórico da Academia, uma atriz jovem, promissora e sem premiações tem mais chances do que uma veterana calejada da indústria, a não ser que o papel seja inegavelmente superior - o que não é exatamente o caso. No caso da vitória de Portman, talvez seja uma das premiações mais justas de toda a história do Oscar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um Lugar Qualquer


Somewhere

(EUA, 2010) De Sofia Coppola. Com Stephen Dorff e Elle Fanning.

“Um Lugar Qualquer” já nasceu cercado de falatório. O principal motivo, lógico, é por ser um filme de Sofia Coppola, diretora que ficou rapidamente cultuada com tão pouco trabalho no cinema. Em segundo lugar, o fato de o filme ter ganho o Leão de Ouro no Festival de Veneza ano passado. A premiação em si seria motivo suficiente para repercussão, não fosse a suspeita de favorecimento do prêmio pelo presidente do júri, Quentin Tarantino, ex-namorado de Sofia. Circo armado, expectativas lá em cima pra conferir se o filme merecia o prêmio ou não. Depois de assistir ao filme, eis o meu veredicto: merecia, pero no mucho.

Stephen Dorff interpreta Johnny Marco, um ator de Hollywood que vive em Los Angeles no meio de uma vida regada a festas, mulheres e bebedeiras. Ele começa a repensar toda a sua vida quando sua filha de 11 anos, Cleo, vêm passar um fim de semana com ele, em plena campanha de divulgação de seu novo filme. Apesar do glamour, a vida do ator se mostra muito mais deprimente e solitária do que qualquer um poderia imaginar e isso acaba por se refletir também na vida de Cleo.

Cheio de cenas sem diálogos, paradas em alguma imagem sem sentido, e com pouca narrativa geral, “Um Lugar Qualquer” decepciona. Isso porque todo mundo espera mais de Sofia Coppola quando um filme seu é anunciado – culpa dela, claro. Neste filme ela repete muita coisa da fórmula de “Encontros e Desencontros”, filme que a elevou ao status de gênio e pelo qual ela foi indicada ao Oscar. Não vemos um pingo de originalidade, apesar da boa história e dos bons elementos utilizados por ela.

No filme, também se destaca a facilidade que ela tem de incorporar elementos da cultura pop, também vista nos seus outros trabalhos, além de mostrar discretamente os bastidores da vida “quase” glamurosa de um astro de Hollywood. Apesar disso, é no drama que se foca o filme, mostrando a relação entre os personagens de Stephen Dorff e Elle Fanning, maravilhosa no papel.

Pena que Coppola nos tenha acostumado mal. A cada novo trabalho, o público enxergava algo novo e criativo na diretora, vide como “As Virgens Suicidas”, “Encontros e Desencontros” e “Maria Antonieta” são diferentes entre si. Será que teria ela caído em um enfadonho marasmo da carreira, assim como aconteceu como outros “gênios” como M. Night Shayamalan? Longe de mim querer comparar os dois, não sou louco a esse ponto, mas todo esse brilhantismo antecipado faz pensar. Apesar da boa condução da história – e da história em si – falta algo em “Um Lugar Qualquer”. Talvez, falte exatamente um lugar.

Nota: 7,0

O Oscar Mais Jovem

A altamente conservadora Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, conhecida como AMPAS, adora rostos novos com grande talento pela frente. Não é à toa que vira e mexe gente nova aparece entre os indicados e eventualmente levam um prêmio. Este ano não foi exceção e jovens promissores tiveram seus talentos reconhecidos pela AMPAS e daqui pra frente vão agregar o termo “Academy Award Nominee” antes de seus nomes nos créditos dos filmes.
Jennifer Lawrence tem apenas 20 anos e já trabalha como atriz desde os 14, quando foi descoberta por agentes em Nova York. Ela fez vários papeis na televisão e alguns no cinema, mas foi pelo papel na série “The Bill Engval Show”, desconhecida no Brasil, que ela ficou mais em evidência. Sua principal aparição até o ano passado tinha sido em “Vidas que se Cruzam”, estreia do roteirista Guillermo Arriaga na direção, com Charlize Theron e Kim Basinger no elenco. Após isso, veio o papel em “Inverno da Alma”, longa que conquistou Sundance em 2010 e foi um dos primeiros favoritos ao Oscar. Lawrence já tem aparição certa em mais cinco filmes até 2012, entre eles “X-Men: First Class”, onde ela será ninguém menos do que a Mística.

Antes de estourar mundo afora com “A Rede Social”, no papel de Mark Zuckerberg, Jesse Eisenberg já podia ser visto em diversos papeis em filmes como “A Lula e a Baleia”, “A Vila” e “Zumbilândia”. Apesar da aparência de novo, Jesse tem 27 anos e trabalha desde os 16, estreando na série americana “Caia na Real” em 1999, ao lado de outra estreante, Anne Hathaway. Para compor o papel do criador do Facebook, o ator disse que não fez muita coisa a não ser treinar seu lado introspectivo, ler muito sobre Zuckerberg e, claro, navegar no Facebook. Jesse chegou a dizer que o papel de Zuckerberg foi o mais insensível de toda a sua carreira e por esse mesmo motivo ele achou o papel confortável, novo e excitante, de maneira que ele não precisava se preocupar com o público, já que se tratava de uma pessoa real.

A mais nova concorrente a um Oscar esse ano é Hailee Steinfeld, de 14 anos, que conseguiu uma indicação à Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme “Bravura Indômita”, dos Irmãos Coen. Na TV, Hailee atua desde os 11 anos e “Bravura Indômita” é seu primeiro filme pra cinema. Para mandar bem no teste que lhe deu o papel, ela leu o roteiro várias vezes e assistiu ao filme original para incorporar o sotaque caipira do Novo México, onde o filme se passa - Hailee é da Califórnia. Esse pequeno esforço fez com que ela se destacasse das demais concorrentes. A atriz já conseguiu sete prêmios e várias indicações pelo papel, o que já a deixou cotada para outras produções.

A cerimônia de entrega do Oscar acontece no dia 27 de fevereiro.

Causos de Toy Story 3



“Toy Story 3” já é praticamente campeão anunciado do Oscar de Melhor Animação desde que foi lançado nos cinemas. Seu favoritismo continua sendo cada vez mais sacramentado a cada prêmio que conquista. Já na categoria Melhor Filme, por mais que tenha mesmo potencial pra ganhar, duvido que a Academia se deixe render por uma animação, quando outras nove boas histórias com gente de carne e osso estão concorrendo. Mesmo assim, vai que...?

O último longa da Pixar é a terceira animação a entrar na lista dos Melhores Filmes. Antes de aumentar novamente o número de indicados para dez no ano passado, a Academia só havia indicado uma animação à Melhor Filme do ano e esse foi “A Bela e a Fera”, em 1991. Depois disso, só “Up – Altas Aventuras” conseguiu o feito, talvez só por causa do número de vagas, mesmo caso de “Toy Story 3”. Lembre-se, há três anos atrás ‘”Wall-e” também tinha um potencial enorme, ganhou o Oscar de animação, mas mesmo sendo um dos filmões de 2008, foi ignorado, junto com “O Cavaleiro das Trevas”.

Outra curiosidade envolvendo “Toy Story 3” na premiação deste ano é que o filme é o terceiro final de uma trilogia a concorrer ao Oscar de Melhor Filme. Antes da animação, somente “O Poderoso Chefão – Parte III” e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” alcançaram essa honra. A diferença é que nesses dois últimos casos, toda a trilogia foi indicada, não apenas o terceiro filme. “Toy Story 3” também entra na seletíssima lista de sequências indicadas, que também envolvem apenas* os filmes das trilogias já citadas, mais “Cartas de Iwo Jima”, de Clint Eastwood (tecnicamente, nem é uma sequência).

*Alguns consideram “A Rainha”(2006) uma sequência de um filme para a TV britânica chamado “The Deal”, onde Michael Sheen também interpreta Tony Blair, também com roteiro de Peter Morgan e direção de Stephen Frears.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

SAG: “O Discurso do Rei”, favorito?



Esquenta a disputa. Esses dias li num artigo que estavam tachando “O Discurso do Rei” como favorito no Oscar somente por causa do seu número de indicações e que, em vez disso, o favorito ainda seria “A Rede Social”, por seu contexto. Concordo com o fato de que número de indicações realmente não quer dizer nada – a história do Oscar está cheia de exemplos nesse sentido, mas será que o longa britânico é tão pouco creditado assim entre os votantes da Academia para não ser chamado de favorito?

Tudo indica que não. “O Discurso do Rei” vem fazendo uma carreira bonita nas premiações, cuja última aclamação aconteceu neste domingo, dia 30 de janeiro, na premiação do Screen Actors Guild, o sindicato dos atores norte-americanos. O filme levou o prêmio de Melhor Elenco (o equivalente a “Melhor Filme”, já que o SAG só premia atuações) e Melhor Ator para Colin Firth, esse sim franco favorito ao Oscar.

E não é só de SAG que vive “The King’s Speech”, no original. O sindicato dos produtores de Hollywood o elegeu como Melhor Filme do ano, desbancando o longa de David Fincher sobre a criação do Facebook. Já os diretores elegeram Tom Hooper como o Melhor na direção em 2010. Além disso, o filme tem um monte de outros prêmios na bagagem. Bem menos do que “A Rede Social”, é verdade.

Se o rei inglês do início do século XX vai bater o rei americano do início do século XXI no Oscar, só saberemos mesmo no dia 27 de fevereiro. Vai ser acirrada a briga, que ainda tem “Bravura Indômita” no páreo e outros sete filmes, mas surpresa, surpresa mesmo, vai ser se “Inverno da Alma” levar o prêmio pra casa.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Road to Oscars - Dobradinha


Não sei se fui só eu ou se mais alguém percebeu. Nos últimos anos do Oscar, apareceram duas atrizes do mesmo filme na categoria Atriz Coadjuvante. Virou quase uma regra nas listas dos indicados nessa categoria. Duvida?






2001 – Francis McDormand e Kate Hudson, por Quase Famosos


2002 – Helen Mirren e Maggie Smith, por Assassinato em Gosford Park


2003 – Catherine Zeta-Jones e Queen Latifah, por Chicago


2007 – Rinko Kikuchi e Adriana Barraza, por Babel


2009 – Amy Adams e Viola Davis, por Dúvida


2010 – Vera Farmiga e Anna Kendrick, por Amor Sem Escalas


2011 – Amy Adams e Melissa Leo, por O Vencedor

Talvez isso aconteça porque as atrizes coadjuvantes acabem tendo um peso importante para os filmes em questão, o suficiente para não deixá-las esquecidas. Curioso que desses nomes, só Catherine Zeta-Jones ganhou a estatueta e, talvez, Melissa Leo este ano (consolo por “Frozen River”?).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Biutiful

Biutiful
(México/Espanha, 2010) De Alejandro Gonzáles Iñárritu. Com Javier Bardem, Maricel Álvarez, Diaryatou Daff, Luo Jin, Cheng Tai Shen, Hanaa Bouchaib, Guillermo Estrella e Eduard Fernández.

Alejandro Gonzáles Iñárritu não tem uma filmografia extensa. “Biutiful” é apenas o seu quarto longa metragem. Porém, nesse caso, número não quer dizer nada, já que o diretor mostra que tem força para segurar um bom filme desde “Amores Brutos”, de 2000. Os três primeiros filmes utilizaram a técnica do “recorte e cole” do diretor, picotando o filme inteiro, jogando pra cima e recolocando os pedaços. Em “21 Gramas”, a não linearidade foi algo novo e instigante na trama. Já em “Babel”, apesar da mesma técnica de montagem aleatória, os pedaços seguiam uma linha narrativa cronológica. Em “Biutiful”, Iñárritu não usa nada disso, mas espalha ao longo do filme pequenas dicas de como tudo irá se conectar no fim. Porém, não é de técnica que se trata o longa, e sim explorar o drama particular do personagem de Bardem que, honestamente, poderia acontecer com qualquer um.


Uxbal é um homem que atua negociando trabalho de chineses ilegais a uma fábrica de produtos falsificados, repassando esses produtos a senegaleses, também ilegais. Esse é o trabalho que sustenta os seus dois filhos, Ana e Mateo. Uxbal sente o peso da responsabilidade de ter que criar os filhos e ter que afastá-los da mãe, Marambra, uma ex-viciada com transtorno bipolar. Só que aos poucos, ele percebe que é responsável por muito mais coisa nesse mundo. Uxbal possui o dom de se comunicar com os mortos e a aflição dele só aumenta quando ele mesmo terá que encarar a morte, cada vez mais próxima, por conta de um câncer de próstata.



“Biutiful” escancara a forma como vemos a morte. Por causa de seu dom, Uxbal parece treinado para encarar o evento como apenas um rito de passagem, mas ele percebe que ao seu redor, não é tão simples assim. Ele simplesmente se recusa a partir deixando pra trás todos os problemas que tem e seus filhos desamparados. É nesse drama todo que entra o talento de Javier Bardem, um dos melhores atores da atualidade, mais versátil impossível e que acaba de conquistar mais uma indicação ao Oscar por causa do papel.



Apesar das tramas paralelas que se inserem meio sem sentido (há espaço até para um romance gay), o diretor deixa sua marca registrada ao estampar um drama profundo nas telas e mostrar que a vida não é um mar de rosas. Temos problemas, momentos felizes e tristes e tudo isso pode ser interrompido a qualquer momento. “Biutiful” é sobre a natureza humana no seu mais íntimo.
Nota: 8,0




*Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo México e de Melhor Ator para Javier Bardem.