segunda-feira, 23 de maio de 2011

Kirsten Dunst, Melancholia, Cannes, Lars Von Trier

Bjork, Charlotte Gainsbourg, Kristen Dunst. O que estas mulheres têm em comum? As três ganharam a palma de ouro de melhor atriz em um filme de Lars Von Trier. Aliás, Cannes e Von Trier sempre foram uma parceria mega esperada por jornalistas, cinéfilos do mundo todo e pela própria direção do festival. E nem vem me dizer que “ah, mas ele foi longe demais dessa vez”, porque a Croisette vai perder um pouco da graça. Mas eles mesmos sabem reconhecer a genialidade por trás dos comentários torpes do dinamarquês, tanto é que a banição (ou banimento?) de Von Trier foi só em cima de sua pessoa – não de sua obra.

Não por acaso, nove filmes de Von Trier já foram indicados à Palma de Ouro, sendo que um deles venceu, “Dançando no Escuro”, com a Bjork. “Dogville”, “Manderlay”, “Europa”, “Ondas do Destino”, “Anticristo”. Todos exibidos em Cannes. Todos indicados à Palma. “Melancholia” já está sendo destacado como o melhor filme de sua carreira e parece que isso não diminuiu após os comentários infames do diretor.

O que muda para Kirsten Dunst, vencedora da Palma? Tudo. Ela deixa de ser a Mary Jane do Homem-Aranha pra sempre. Kirsten chegou ao ápice da carreira pelas mãos do diretor, sendo que a Palma é até agora o seu prêmio mais importante. Aos brasileiros resta esperar mais um pouco para ver a atriz de “Maria Antonieta” brilhando na tela num filme grande, adulto.

Ah, sim. “Melancholia” trata sobre a relação conturbada entre duas irmãs após o recente casamento da mais nova (Kirsten). Enquanto isso, um planeta gigante chamado Melancolia se aproxima da Terra, exercendo um efeito devastador nas duas mulheres enquanto anuncia o fim do mundo. (Complexo e genial. A história tinha ficado um pouco esquecida depois que Von Trier falou de Hitler. Esqueceram de focar na obra. Cannes sabia disso e premiou quem devia).

Sou fã da obra de Von Trier. Fã confesso. Leia-se da obra, não das declarações do diretor. Von Trier é superestimado? Talvez. Mas pelo menos ele consegue ousar em um mercado cinematográfico formado por coisas óbvias e simples fazedoras de dinheiro, como um dispensável “Pirata do Caribe 4”.

Aaaaaah falando em Piratas... Penélope Cruz trocou “Melancholia” por esse filme aí. Como ela deve estar se sentindo? Rica, né.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio

Fast Five

(EUA,2010) De Justin Lin. Com Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne “The Rock” Johnson, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Ludacris e Joaquim de Almeida.

Não sou uma boa pessoa para julgar “Velozes e Furiosos”. Não gosto da série original, nem de filmes de ação. Não gosto de filmes com corridas, não me interesso por carros tunados, nem pela filmografia de Vin Diesel, esse ás da atuação (NOT!). Então, o que me levou a assistir à quinta (!) parte da franquia? O mesmo que levou os quase 1 milhão de brasileiros (até este post ser escrito) às salas: o Rio de Janeiro. Porque, convenhamos, por mais sedutora que seja a série, nenhum filme até agora havia sido tão bem sucedido, aqui ou lá fora. Para se ter uma ideia: o capítulo cinco arrecadou em três semanas de exibição o equivalente a toda a bilheteria doméstica de “Velozes e Furiosos 1 e 4”, US$ 20 milhões a mais do que o segundo e quase o dobro da Missão Tóquio. Isso só nos Estados Unidos, porque, pelo andar da carruagem, “Fast Five” vai ser o mais bem sucedido da franquia. O segredo só pode ser o Rio.

O bando de Don Toretto foge de Los Angeles e vem ao Rio de Janeiro para tentar encontrar o bandido, após a fuga dele da prisão. Quando chegam aqui, eles se metem em mais um trabalho, de roubo de carros, mas percebem que se meteram em uma trama muito mais complicada. Encontraram os dados de distribuição das drogas que pertence ao chefe do tráfico local, Hernan Rios. Eles tentam de tudo para tirar vantagem e acabar com o chefão local, só não imaginavam que ele está infiltrado na polícia e no governo. Enquanto isso, Toretto e sua gangue são caçados pelo agente do FBI Luke Hobbs, que vai subir morros e favelas e não vai descansar enquanto não prender o foragido. Para isso, ele vai contar com quem ele imagina ser a única policial brasileira honesta, Elena Neves, que irá se envolver mais emocionalmente nesta missão do que ela imagina.

“Velozes 5” tem muita ação e as cenas são bem produzidas. Ponto para o filme. As cenas de luta e perseguição perpetradas nas favelas cariocas também. Mais um ponto para o filme. Dwayne Johnson está melhor do que Vin Diesel – ao menos o primeiro brutamontes tem mais expressões. Pra terminar, o filme tem tantos clichês do gênero que chega a ser difícil comprar todos eles. Além do mais, a forma como o Rio de Janeiro é retratado é altamente risível – que homem no mundo iria trocar as curvas de uma brasileira pela sem sal Gal Gadot, por mais bonita e seminua que ela esteja? Fora a corrupção exacerbada da polícia (que existe, claro), o fato de 20 mil bandidos temerem a cara de mau de The Rock e a cafonice do figurino do brasileiro. E nem vou falar dos “brasileiros” falando espanhol ou do trem de luxo altamente equipado cruzando o deserto carioca (?!). Roteiro fraco, diálogos fracos, atuações fracas, exceto por alguns coadjuvantes que salvam o longa como Ludacris (oooh!) e Sung Kang. Até o ótimo Joaquim de Almeida se perde como um bandido que mais parece um mafioso cubano.

Porém nada disso parece afetar o clima do filme nem seus espectadores, que não esperam um filme reflexivo ou autocrítico. O que se vê em “Velozes 5” é diversão, e é diversão que o povo ganha. Para os brasileiros, o filme ainda funciona como uma grande piada interna, daquelas que “só quem mora no Brasil, mais precisamente no Rio, vai entender”. Há momentos de risadas, e as cenas de ação, que dominam o filme, valem o ingresso. Só não me peçam pra comprar a atuação de Vin Diesel, apesar de respeitá-lo mais no novo cinema de ação do que Jason Statham, por exemplo. Uma cena boa: a luta entre ele e The Rock deve ficar marcada como uma das melhores do gênero. E se isso denota uma nova fase da franquia, que terá o sexto filme, melhor então.

Nota: 6,5

sábado, 7 de maio de 2011

Cinemarcos Museum

Ao longo de mais de 3 anos do blog, eu gostei de ir criando várias artes de acordo com a estação. Quer dizer, a cada novo filme que estreava, um evento maneiro ou algo que chamasse a atenção, o topo do Cinemarcos mudava, fazendo menção ao assunto. Com o tempo, o blog ganhou uma identidade única, com a minha cara e os personagens de cinema em preto e branco (a inscrição "3D" e menção à técnica vieram depois), mas isso não impediu o eventual surgimento de artes que fizessem menção a um filme ou homenageassem uma ocasião. Na galeria abaixo, está todo este portfólio (malfeito e tosco, claro, porque eu não sou designer), além de outros tipos de arte criadas para o blog ao longo dos anos, como a cobertura do Oscar e do Festival do Rio.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Thor

Thor (EUA, 2011)

De Kenneth Branagh. Com Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Idris Elba, Stellan Skarsgard, Clark Gregg e Kat Dennings.

Porque você irá assistir a “Thor”? Para esta pergunta existem algumas respostas. Primeiro, é um filme de super-herói, um filão já consagrado do novo século. Segundo, é um filme Marvel – e assim como o restante deles, caminha para uma convergência até “Os Vingadores” em 2012. Terceiro, a história de Thor, o deus do trovão, tem seu séquito de seguidores desde os gibis e sua adaptação estava mais do que aguardada, abrindo a temporada 2011 de blockbusters. Com toda essa expectativa, era de se esperar que o longa metragem fosse mais centrado no personagem do que é. Que a história tivesse mais elaboração do que superficialidade.

Thor está prestes a se tornar rei de Asgard. Ele é filho de Odin, considerado Pai de Todos e senhor de Asgard, e o único capaz de controlar o, o martelo dos deuses. Quando acontece um ataque inesperado dos Gigantes de Gelo à Asgard, Thor quer iniciar uma guerra e vai ao mundo deles contra a vontade de seu pai. Colocando Asgard em perigo, Thor e seu martelo são banidos para a Terra, abrindo caminho para seu irmão, Loki, assumir o trono. Em sua passagem pela Terra, Thor conhece a cientista Jane, que investiga os comportamentos cósmicos e percebe que há outras coisas no universo que a mente humana desconhece. Quando uma organização secreta descobre o paradeiro do Mjölnir, Jane se encarrega de levar Thor ao local, mas ele já não possui o dom necessário para dominá-lo. Ele então vai começar uma jornada de autodescoberta, até ser contatado de novo por seus companheiros de Asgard, que pedem que ele volte para lutar contra a tirania de Loki.

Apesar dos efeitos especiais e do carisma natural dos protagonistas, esperava bem mais de “Thor”. A Marvel construiu uma aventura que não funciona sozinha. É necessário ter assistido a todos os filmes já realizados pelo estúdio ou ser um grande conhecedor dos gibis. É uma prequel de “Os Vingadores”, claro, mas o herói merecia uma história melhor, mais bem desenvolvida, que não se apoiasse apenas em clichês do gênero e em referências medíocres. O filme explica a origem de Thor, mas não dá a devida dimensão a isso, deixando de lado parte da mitologia em que o personagem é baseado.

Chris Hemsworth cumpre seu papel como o sujeito brigão e carismático que é Thor, assim como Natalie Portman que, infelizmente, está bem fraquinha. Idris Elba, que interpreta o guardião da passagem entre os mundos, está também em boa forma, apesar de seus poucos momentos. Os melhores momentos ficam mesmo por conta das batalhas que acontecem entre Loki e Thor e os Gigantes de Gelo, além da trupe armada cujos amigos do herói fazem parte. Efeitos especiais de primeira e piadas bem encenadas, além de um bom fio de condução para “Os Vingadores”. Só. Brincando é o mais fraco filme da Marvel.

Nota: 6,0

PS1: Em nenhum momento é mencionada a palavra “deus”. Acho que só quando se referem a ele como deus do Trovão, mas pra confirmar teria que ver de novo, o que não rola no cinema.

PS2: a Natalie Portman é mínima daquele jeito ou é o Chris Hemsworth que é gigante?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Top 10 - Filmes de Super-Heróis Mais Importantes para o Cinema

Para elaborar esta lista, eu revirei a internet do avesso. Procurei arquivos nas minhas revistas, livros e em artigos da história cinematográfica recente. Parece que é um assunto bobo? Pois não é não. Os filmes baseados em histórias em quadrinhos levantaram a moral do cinema nos últimos anos. Houve quem já tivesse decretado o fim das salas, com a queda dos espectadores. Esse filão, que ressurgiu no início do século XXI, provou as histórias dos super-heróis podem ser profundas e tão humanas quanto qualquer drama, romance ou comédia, mesmo que sejam personagens com características imaginárias, como voar, atirar laser pelos olhos, entre outras. Aproveitando o lançamento de “Thor” (e de “X-Men”, “Lanterna Verde” e “Capitão América” em 2011), criei a lista dos filmes de super-heróis mais importantes para a indústria.

Leiam-se MAIS IMPORTANTES! Não necessariamente os melhores. Listas de melhores filmes de super-heróis estão espalhadas por aí e são quase sempre as mesmas (“O Cavaleiro das Trevas” encabeçando todas elas!). Os filmes listados abaixo tiveram alguma importância significativa e ajudaram a “Thor” ganhar confiança e sair do papel. Sejam eles bons ou ruins, entraram para a história.

10 Watchmen (2009)

De Zack Snyder. Com Patrick Wilson, Jeffrey Dean Morgan, Malin Akerman.

Alan Moore é considerado o papa dos quadrinhos. Logo, sua obra prima, “Watchmen”, é a bíblia dos quadrinhos, a HQ definitiva, ou como queiram chamar. Na versão cinematográfica, dirigida por Zack Snyder, são quase 3 horas de ação para colocar na telona um calhamaço histórico em detalhes que permearam o cotidiano nerd por duas décadas. Para quem leu, o filme tem falhas (assim como para quem não leu), mas a visão de Snyder para a obra o confirmou como diretor visionário e deu força para outras graphic novels saírem do papel, como “The Spirit”, “The Loosers” e “Scott Pilgrim Vs. The World”.

+ "Watchmen” levou mais de dez anos para sair da gaveta, por ser considerado infilmável. Já teve nomes como Terry Gilliam, Darren Aronofsky, Paul Greengrass e Michael Bay envolvidos até que Snyder apareceu com “300” e solucionou o problema. Alan Moore, como é de praxe, detestou o filme.

9 Blade, o Caçador de Vampiros (1998)

De Stephen Norrington. Com Wesley Snipes, Stephen Dorff e Kris Kristofferson.

Dentro do universo Marvel, Blade nem é tão importante assim. Porém, na recente história do boom dos quadrinhos nas telas, “Blade – O Caçador de Vampiros” é considerada a primeira tentativa de sucesso de colocar uma trama decente de um super-herói da Marvel no cinema contemporâneo. O filme fez sucesso inclusive entre as pessoas que desconheciam Blade ou sua vertente heroica. Sorte de Wesley Snipes, que deu certa guinada na carreira neste período, deixando personagens brucutus para encarnar alguém da cultura pop-nerd.

+Blade gerou duas sequências: “Blade 2” em 2002, que foi dirigido por um então desconhecido Guillermo Del Toro, dando abertura para que ele fizesse “Hellboy” a seguir; e “Blade: Trinity”, que fecha a trilogia manchando tudo o que de decente tinha sido feito até então.

8 Superman – O Filme (1978)

De Richard Donner. Com Christopher Reeves, Marlon Brando, Margot Kidder e Gene Hackman.

Não é por acaso que o Superman é um símbolo máximo dos Estados Unidos. Criado em 1938, o personagem manteve a mesma força quando o filme de 1978 foi lançado, despertando admiração generalizada. Imagine você, no fim da década de 1970, como era fazer um homem voar! Em comparação com os filmes de hoje, os efeitos são radicalmente toscos, mas a história é tão fiel e foi tão bem contada, que mesmo quem assiste hoje não se deixa ser levado por esse aspecto. “Superman – O Filme” consagrou Christopher Reeve, deixou Marlon Brando mais rico e foi indicado a 3 Oscars, incluindo Trilha Sonora composta por John Williams. Aliás, você sabe qual a música-tema do Superman, né? Ela é exclusiva do filme de 1978, mas vale basicamente pra qualquer versão.

+O filme ganhou um Oscar especial pelos efeitos especiais. Na época, não existia a categoria por, virtualmente, inexistirem filmes tão bem versados em efeitos especiais. O filme tem três sequências diretas: Superman II - A Aventura Continua (1980), Superman III(1983), Superman IV - Em Busca da Paz (1987); e uma indireta: Superman – O Retorno (2006).

7 Batman (1989)

De Tim Burton. Com Michael Keaton e Jack Nicholson.

Você pode chiar hoje comparando os filmes de Tim Burton e Christopher Nolan, mas até o lançamento de “Batman Begins” ninguém discordava da maestria que foi “Batman” para a época. Foi simplesmente um exemplo nato do termo ‘blockbuster’, um filme com produção milionária, cujo objetivo é arrecadar mais dinheiro ainda, seja com ingressos, seja com produtos licenciados. O visual dark pitoresco, característica de Tim Burton, foi uma inspiração direta dos quadrinhos para uma Gotham melancólica e sombria. O Coringa caricato de Jack Nicholson foi um dos personagens mais icônicos do cinema até ser destituído pelo Coringa de Heath Ledger. Não importa se fizeram um filme melhor, neste caso o que importa é o contexto. E “Batman” está para a década de 1980 como Romeu está para Julieta.

+Jack Nicholson inovou no contrato e pediu uma participação nos lucros do filme e produtos licenciados. Não poderia ter se dado melhor. O filme custou US$ 35 milhões (valor modesto pros dias de hoje) e arrecadou mais de US$ 250 milhões só nos Estados Unidos.·.

6 Batman Begins (2005)

De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Morgan Freeman, Michael Caine e Liam Neeson.

Apesar de tudo o que eu disse aí em cima, é inegável o que Christopher Nolan fez pela franquia Batman. O personagem é talvez o mais querido do universo DC Comics, exatamente por não ter poder especial nenhum. Em “Batman Begins”, Nolan foi ao começo da história de Bruce Wayne para desvendar todo o trauma que o acompanha até a vida adulta e que o transforma no justiceiro de Gotham City. Também nada de toques pitorescos, burlescos ou sombrios demais. Se o Batman é um cara comum, Gotham City e seus moradores também têm que ser. Foi assim, humanizando o personagem, regra fundamental para filmes do gênero, que “Batman Begins” arrebatou o coração dos fãs. A modernização sem perda da fidelidade à história é um marco dentre os filmes baseados em personagens da DC. O longa não tem qualquer ligação com nenhum filme já feito sobre o personagem.

+O papel do novo Batman foi disputado por mais de 15 atores, entre eles Cillian Murphy, que acabou ficando com o papel de Espantalho. George Clooney, no entanto, foi dispensado pela Warner, mesmo tendo assinado contrato para dois filmes como Batman.

5 Homem-Aranha (2002)

De Sam Raimi. Com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco e Willem Dafoe.

“Homem-Aranha” sempre será associado como o filme que deu asas à fidelização dos quadrinhos. Quando Sam Raimi levou às telas um Peter Parker humanizado, um garoto comum como qualquer outro, ganhou todos os fãs do Cabeça de Teia. Centralizado no início da história, contando tudo desde o início, introduzindo o personagem, “Homem-Aranha” criou uma espécie de padrão para os roteiros que viriam depois. O filme virou um fenômeno e garantiu duas sequências. “Homem-Aranha 2” foi um sucesso ainda maior, levando para o cinema uma das melhores tramas do herói, a parte do conflito interno. A escolha de Alfred Molina como Dr. Octopus também foi um acerto que contribuiu para o sucesso. Já a pauliceia desvairada de “Homem-Aranha 3” gerou críticas por parte dos fãs, devido ao grande número de tramas paralelas e múltiplos vilões.

+Para salvar a franquia, a Sony anunciou um reboot na história para 2012, levando Peter Parker de volta ao colegial. Andrew Garfield e Emma Stone estão na nova versão, que será dirigida por Marc Webb, de “(500) Dias Com Ela”.

4 Homem de Ferro (2008)

De Jon Favreau. Com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges.

O mundo ignorava o Homem de Ferro. Afinal, com tantos super-heróis com poderes extraordinários, um homem comum e rico com uma armadura não chamava atenção. A Marvel não pensava assim e escolheu o herói para iniciar seus trabalhos com a Marvel Filmes. “Homem de Ferro” foi um sucesso tão estrondoso quanto inesperado. Não só estabeleceu a Marvel como toda poderosa como levantou a carreira de Robert Downey Jr. e fez o Homem de Ferro, até então um coadjuvante, virar um protagonista de mão cheia. A partir deste longa, a Marvel Filmes decidiu tomar conta dos personagens Marvel e assim vários personagens deste universo tão vasto irão ganhar vida: Thor e Capitão América este ano, culminando com Os Vingadores ano que vem, além de possíveis reinvenções de Demolidor e Quarteto Fantástico.

+A Marvel progrediu tanto com o lançamento de “Homem de Ferro” que atraiu os olhares de ninguém menos do que a Disney. Em 2009, a empresa comprou a Marvel por US$ 4 bilhões, o que dá à Disney o controle de mais de cinco mil personagens!

3 X-Men (2000)

De Bryan Singer. Com Patrick Stewart, Ian McKellen e Hugh Jackman.

Se “Blade” tinha sido a tentativa, “X-Men” foi o grande acerto. O carisma com os personagens mor da Marvel deu aval para um zilhão de produções sobre super-heróis. A Sony ficou doida e produziu “Homem-Aranha”, a Universal lançou “Hulk” e a Fox tratou de fazer outro “X-Men”. O boom comercial estava lançado. Os personagens viraram ícones de todo mundo, fizeram a cultura nerd ingressar na cultura pop e transformou Hugh Jackman em um eterno Wolverine. A sequência, “X-Men 2”, é bem melhor e mais bem produzida. Já o terceiro filme é desprezível. Não é à toa que esse ano terá uma redenção da besteira com “X-Men: Primeira Classe”.

+Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes e produtor de “House”, abandonou o terceiro filme para alçar voos mais altos: dirigir o “Batman Begins” do Homem de Aço em “Superman – O Retorno”. Não deu certo pra ninguém e ele lamentou muito depois.

2 Batman e Robin (1997)

De Joel Schumacher. Com George Clooney, Chris O’Donnel, Arnold Schwarzenegger.

Aí você me pergunta, “’Batman e Robin’ em segundo lugar? Aquele lixo?”. Sim, aquele lixo. E não fui eu que disse não! Em 2009, o todo poderoso da Marvel, Kevin Feige, alegou que esse talvez tenha sido o filme mais importante do gênero! Aí vão as palavras dele, que não me deixam mentir: “Esse pode ter sido o mais importante filme baseado em quadrinhos da história. Ele era tão ruim, mas tão ruim que isso fez com que fosse necessária a demanda por novas maneiras de se fazer um filme assim. O filme criou a oportunidade de fazer ‘X-Men’ e ‘Homem-Aranha’, adaptações que respeitaram a fonte original”, disse Feige. Ou seja: era tão ruim que serviu de parâmetro para o que não fazer!

+ A besteira feita foi tão grande que o diretor Joel Schumacher veio a público pedir desculpas aos fãs de Batman pelo filme. George Clooney nem sequer menciona o trabalho. Também pudera: o filme parece um desenho animado, tem Uma Thurman e Schwarzenegger no estágio mais louco de uso do Prozac e o clássico bat-cartão de crédito!

1 Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008)

De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Aaron Eckhart, Heath Ledger, Morgan Freeman, Michael Caine, Maggie Gylenhaal.

O Batman apareceu nesta lista algumas vezes. Só isso exemplifica a importância do personagem para o cinema, os quadrinhos, para a cultura pop em geral. E o que Nolan fez pelos filmes foi algo fora do normal. Em “O Cavaleiro das Trevas”, Nolan entregou um filme baseado em HQ que calou a boca da crítica, até então reticente quanto a filmes do gênero. Foi a partir deste filme que quem ainda não gostava do Batman passou a gostar. Roteiristas começaram a correr atrás do prejuízo e um novo padrão estava formado. “O Cavaleiro das Trevas” é basicamente um manual sobre como fazer um filme destes: roteiro bem escrito e amarrado, fidelização com a HQ, bom senso, ótima direção, interpretação e comprometimento com a história. Foi com o Coringa que Heath Ledger ganhou seu Oscar póstumo e virou uma lenda. Mas este é apenas um ótimo personagem do filme. Nem a saída de Katie Holmes e a entrada de Maggie Gylenhaal incomodaram – foi até melhor! O filme foi considerado o melhor de 2008, um dos melhores da história e Christopher Nolan virou o gênio definitivo do cinema no século XXI. Quer mais importância que isso?

+ A ausência de “O Cavaleiro das Trevas” para Melhor Filme no Oscar 2009 fez muita gente reclamar horrores. Para que “injustiças” como essa não fossem mais cometidas, a Academia mudou as regras e passou a abrir dez vagas para a categoria Melhor Filme. Mas aí já era tarde...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Quando um ator se entrega demais a um papel...


Quando um ator se entrega demais a um papel, fica muito visível na tela a sua dedicação, pois ela transcende qualquer personagem que o mesmo ator já tenha feito antes na telona. Essa semana, uma declaração da Natalie Portman respondeu uma pergunta que há muito tempo estava na minha cabeça. A mulher acabou de ganhar um Oscar pelo seu papel mais profundo, a Nina de “Cisne Negro” e duas semanas depois me aparece ao lado de Ashton Kutcher fazendo “Sexo Sem Compromisso”, literalmente! Pois não é que ela deu uma explicação?

Segundo declaração da atriz ao tabloide britânico The Sun, ela aceitou participar de filmes como “Thor”, o inédito “Your Highness” e o já citado “Sexo Sem Compromisso” – filmes mais leves, psicologicamente – para evitar um colapso nervoso devido à sua personagem em “Cisne Negro”. Dá pra imaginar a cena: se nós, espectadores, nos contorcemos de nervoso na cadeira do cinema, imagina a própria Natalie que estava afogada nas emoções da personagem?

Após ter visto essa declaração dela (e ter ficado mais aliviado de saber que ela só queria aliviar a tensão fazendo um filme bobinho – como quando eu fui ver “Marmaduke” pra esvaziar a cabeça...), me veio na mente outro episódio: a morte de Heath Ledger. O que tem isso a ver? Tudo, oras.

Como todos sabem, o ator morreu devido a uma overdose de medicamentos. Há quem diga que esses “medicamentos” eram para aliviar o ator do estresse que foi interpretar o Coringa, no filme “O Cavaleiro das Trevas”. O personagem era a personificação do caos e decididamente mexeu com as estruturas de Ledger, que deu sua melhor interpretação ao cinema com o papel, que lhe rendeu um Oscar póstumo. Mas até que ponto um ator suporta as provações do seu personagem para lhe conferir um caráter mais real?

Assim como Ledger, Jack Nicholson também interpretou o Coringa no cinema e já havia percebido o potencial perigoso do personagem. “Eu bem que avisei a ele”, teria dito Nicholson à época da morte de Ledger, sobre o Coringa. Apesar disso, sua versão do vilão de Gotham City é muito mais caricata, apesar de também perturbadora, na versão de Tim Burton para “Batman”.

Outro ator que costuma se entregar de cabeça no personagem é Daniel Day-Lewis. Ele costuma se afastar da família e ficar recluso incorporando os movimentos e detalhes de seus personagens, razão pela qual não escolhe qualquer trabalho para fazer, apesar de relativos fracassos. Isso fica estampado quando vemos filmes tão diferentes como “Nine” e “Gangues de Nova York”, que trazem o mesmo ator, mas com formas completamente diferentes. Para se ter uma ideia, Day-Lewis levou um ano inteiro para se preparar para “Sangue Negro”, onde interpretou o petroleiro Daniel Plainview.

Christian Bale também passou por sérias transformações, nem tanto psicológicas, mas físicas. O ganhador do Oscar por “O Vencedor” passou por uma fase “efeito sanfona” na carreira, que deixou público e crítica boquiabertos. Começou em 2003, nas filmagens de “O Operário”, quando ele teve que perder 28 quilos para interpretar um homem drogado e com insônia profunda. Nem um ano depois ele teve que recuperar toda a massa muscular que ele nem tinha antes para dar vida a Bruce Wayne, em “Batman Begins”. Em 2006, foi a vez do longa “O Sobrevivente”, onde mais uma vez ele teve que emagrecer, voltando a engordar tudo de novo para a sequência de Batman. Haja metabolismo.

Se formos parar para pensar, a lista é longa. Os atores que conseguem passar incólumes pelo sacrifício que seus personagens exigem merecem ser louvados por seu esforço e laureados pela sua dedicação. Pena que nem todos conseguem, vide Ledger. Natalie Portman conseguiu dar um tempo antes de ter um ataque de nervos. Já pensou se o cisne negro se materializa nela?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Garota da Capa Vermelha


Red Riding Hood

(EUA, 2011) De Catherine Hardwicke. Com Amanda Seyfried, Gary Oldman, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Billy Burke e Julie Christie.

Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho. Um dia, sua mãe pediu para ela levar alguns doces na casa da sua avó, que morava na floresta. A garota então foi levar os doces para a sua avó. No meio do caminho, Chapeuzinho Vermelho encontrou um lobo e blá, blá, blá. Essa história quase todas as crianças do planeta sabem de cor. O que pouca gente sabe (ou muitas ignoram) é que os contos de fadas foram baseados em lendas sangrentas e obscuras da Idade Média. Chapeuzinho Vermelho não foi uma exceção e sua versão original ganhou as telas agora em “A Garota da Capa Vermelha” pelas mãos de Catherine Hardwicke, a diretora de “Crepúsculo”.

Valerie é uma moça de um vilarejo que está prometida a um rapaz, Henry, embora seja apaixonada por Peter, um lenhador. Quando eles planejam fugir, eles são surpreendidos pela morte da irmã de Valerie pelo terrível lobisomem que assola o vilarejo há várias gerações, embora nenhuma morte acontecesse há alguns anos. Com isso, os homens do local decidem matar a criatura, mas seus esforços são em vão. Somente com a chegada do padre Solomon, os aldeãos descobrem o verdadeiro desejo do lobisomem: Valerie. Ela, que ganhou uma capa vermelha de sua avó, é a chave de todo o mistério. Enquanto tenta descobrir quem é o lobisomem, que pode ser qualquer um da vila, Valerie também precisa descobrir como irá ser feliz ao lado de seu amado, sem ferir os sentimentos da mãe e de seu prometido.

O filme é bem produzido e tem uma direção mais voltada para o público adolescente (especialidade de Hardwicke), embora tenha cenas muito pesadas em alguns pontos. Apesar disso, a história é um tanto quanto fraca, afinal, ainda é Chapeuzinho Vermelho. Poderíamos ter mais sangue, artes das trevas e um lobisomem mais bem feito digitalmente, se a intenção era realmente tratar de uma história sombria. Com Amanda Seyfried, a versão original se transformou em um novo conto de fadas (aliás, incrível como numa aldeia rural da Idade Média tinha tanta gente bonita e limpa!).

Apesar de caprichar no suspense e em boas atuações – mesmo em papeis fracos para nomes como Gary Oldman e Julie Christie -, “A Garota da Capa Vermelha” fica mais preso ao gênero que consagrou a saga “Crepúsculo” entre seus fãs do que a um filme mais sobrenatural e dark, como ele pretendia. Ao final, é mais uma história de amor bobinha que estava sendo contada. Pontos positivos também para todas as menções à história de Chapeuzinho como conhecemos, o que aproxima o espectador da história. A parte do “Vovó, mas que olhos grandes você tem!” é sensacional!

Nota: 6,5