terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quero Matar Meu Chefe

Horrible Bosses

(EUA/ 2011) De Seth Gordon. Com Jason Bateman, Jason Sudeikis, Charlie Day, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell e Jamie Foxx.

Sabe aquela comédia que você não dá nada por ela, mas se diverte horrores? Surpreendentemente, “Quero Matar Meu Chefe” é assim. Ela é cheia de clichês do gênero e explora um tema já visto antes: o chefe mala e o empregado revoltado. A própria Jennifer Aniston já esteve num filme assim que, curiosamente, se chama “Como Enlouquecer Seu Chefe” (semelhanças?), mas este outro exemplar tem um enredo até legal. O timing dos protagonistas e as situações absurdas ajudam a dar o tom dessa comédia que faz rir do começo ao fim. Há séculos não pego uma dessas.

Nick, Dale e Kurt são amigos e tem uma coisa em comum. Seus chefes são pessoas desprezíveis. Nick sofre na mão de Dave Harken, o megalomaníaco presidente da empresa onde ele trabalha que está decidido a fazer da vida dele um inferno. Dale tem que aturar as investidas e a chantagem de Julia, a dentista que vive o assediando sexualmente, mesmo ele tendo uma noiva que ama muito. Kurt entra em pânico quando o filho de seu ex-chefe assume o controle da empresa depois que o velho morre. Porque? O cara é viciado em cocaína e quer pegar o patrimônio do pai e cair no mundo! É aí que os dois bolam o plano de se livrar de seus chefes! Com a consultoria de um especialista em crimes, ‘Motherfucker’ Jones, (copiando a Sessão da Tarde) essa galerinha vai se meter nas mais incríveis confusões.

Não fosse a conotação sexual do caso Dale-Julia, eu diria que esse seria um exemplar perfeito da Sessão da Tarde daqui a alguns anos. E no bom sentido! Apesar da pouca experiência de Seth Gordon em longas-metragens, é o timing do elenco que funciona. Jason Sudeikis traz a experiência do “Saturday Night Live” e Bateman dos filmes do gênero que já fez. Aniston está divertidíssima como a vilã pervertida gostosa, o que, talvez pela primeira vez na vida, a afasta de Rachel, da série “Friends”. O show a parte fica por conta de Kevin Spacey e o mais detestável dos chefes.

Apesar de clichê, repetitivo e até previsível, “Quero Matar Meu Chefe” diverte sem muita pretensão de ser O blockbuster do verão ou algo do tipo. Assim que boas comédias devem ser, daquelas que fazem rir sem o mínimo esforço, apenas com piadas e situações inteligentes, algo que falta para alguns exemplares do gênero, especialmente os mais recentes como “Os Pinguins do Papai”.

Nota: 8,0

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Capitão América: O Primeiro Vingador

Captain America: The First Avenger

(EUA, 2010) De Joe Johnston. Com Chris Evans, Hailey Atwell, Hugo Weaving, Tommy Lee Jones, Sebastian Stan, Samuel L. Jackson, Toby Jones, Dominic Cooper e Stanley Tucci.

Mais um capítulo da família “Os Vingadores”. É assim que dá pra descrever o filme solo do Capitão América. Aliás, essa está virando uma franquia e tanto, mesmo que não pareça. Apesar de ter traços de individualidade inigualáveis aos de “Thor”, por exemplo, do meio da fita “Capitão América: O Primeiro Vingador” para o final, sobretudo no seu clímax, fica claro de que o longa-metragem existe por um propósito maior. E é esse o desapontamento maior quando se trata do Capitão América: ver que o filme foi o último degrau para “Os Vingadores”, que chega ano que vem. Nada, claro, que não comprometa o resultado final. A SHIELD se mete muito menos dessa vez e podemos ver a história de uma das maiores lendas norte-americanas, nascida através do mito do super-homem (assim como o da DC Comics).

Steve Rogers é um jovem franzino e desajeitado que vê no exército americano não só a oportunidade de ajudar o seu país durante a Segunda Guerra Mundial, mas como também de provar o seu valor. Enquanto isso, uma pesquisa com soros está sendo desenvolvida pelo governo americano para criar uma nova raça de homens, para que possam ser melhores lutadores. Assim como na Alemanha nazista, o general Schmith, da Hidra, um braço do Reich, está desenvolvendo armas tendo como com fonte de energia um cubo místico, aparentemente dos deuses nórdicos. Por isso, Steve é escolhido para participar dos testes com o soro e se transforma no Capitão América, mas como um símbolo da propaganda do governo na época. Quando Rogers percebe que a ameaça é muito maior e que o exército ‘comum’ não está tão disposto assim de enfrentá-la, é hora de vestir o uniforme e finalmente provar o seu valor, defendendo a sua nação.

O diretor Joe Johnston fez um bom trabalho ao recriar os Estados Unidos da década de 1940 e toda a aura ufanista em torno do país na Segunda Guerra Mundial. Foi nesse mesmo contexto que o Capitão América surgiu nos quadrinhos e a mesma sensação está disposta nas telas (apesar de parecer pedante aos olhos brasileiros, como qualquer ufanismo americano). Nesse sentido, “O Primeiro Vingador” cumpre seu papel assim como “Homem de Ferro” ao explicar a origem do personagem.

As cenas de ação, claro, são bem trabalhadas, assim como os efeitos especiais. Porém poderiam ter caprichado mais na roupa do herói. Tá certo, a veracidade das coisas é importante, em 1941 não ia ter um tecido tão bom, e blá blá blá. Mas recriaram tanta coisa de época e fizeram direito, como as parafernalhas das Indústrias Stark, porque não dar só uma incrementadazinha no uniforme?

Apesar de Chris Evans nem estar tão ruim assim, ele poderia ser melhor. Mas quem segura o filme mesmo são os coadjuvantes, especialmente Hugo Weaving e Tommy Lee Jones, cheio das brincadeirinhas que dão aquele alívio cômico que é especialidade da Marvel. Deixamos a Segunda Guerra Mundial, passamos o clímax derradeiro e é aí que entra a SHIELD. Daí em diante todo mundo sabe, preparação para “Os Vingadores”, filme que vai unir todos os heróis que saíram pelo selo Marvel Studios até agora. 2012 tem mais Capitão América.

Nota: 8,5

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2
(EUA, UK/2011) De David Yates. Com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Maggie Smith, Matthew Lewis, Tom Felton, Jason Isaacs, Alan Rickman, Julie Walters, Bonnie Wright, Evana Lynch, Warwick Davis, Kelly McDonald, John Hurt, Jim Broadbent, David Thewlis, Gary Oldman, Robbie Coltrane e Helen McCroy.

Chegou ao fim. E olha que parece que foi ontem que o primeiro estreou. O último filme da saga Harry Potter cumpre o seu papel: dar o final apropriado para a maior franquia do cinema e ainda assim agradar a todos os fãs ao redor do mundo, mesmo cortando várias partes do livro. A tarefa não deve ter sido fácil, mas incluir todos os pontos que ficaram em aberto durante sete filmes também não deve ter sido moleza. O mérito é de David Yates, o diretor que tem comandado a saga desde o quinto filme e que foi o responsável pelos tons mais sombrios que a história ganhou a partir de então. Os momentos de alegria ficaram para trás por um instante e pudemos contemplar um filme com ação do início até o fim, com uma riqueza de detalhes e uma coragem de mostrar sua fidelidade à obra nunca antes vista nos filmes. Mais do que nunca, ficou provado que a escolha de dividir o último livro em dois foi mais do que acertada.

Sabendo que Lord Voldemort possui a Varinha das Varinhas, Harry parte em busca das Horcruxes restantes, os objetos que contém pedaços da alma do bruxo das trevas. Após invadir o Banco Gringotes, Harry percebe que é em Hogwarts que a batalha terá seu final, mas mais do que isso. Ele percebe que muitos estão dando seu próprio sangue para salvar a vida dele e precisa agir rápido, sem saber que a chave para destruir Voldemort está dentro de si mesmo e vai muito além do que destruir horcruxes. Uma batalha de proporções apocalípticas está para acontecer em Hogwarts, que será o cenário da maior luta entre o bem e o mal no mundo dos bruxos.

O ritmo acelerado da Parte 2 tem o seu propósito. Afinal, quase todo o filme é composto de batalhas, lutas, duelos de varinhas e resoluções de mistérios que se alastraram por toda a saga. Com razão, a parte 1 pôde dar uma desacelerada, se focando no drama dos personagens. Mesmo com essa velocidade, a riqueza de detalhes, principalmente na primeira parte, onde o trio principal invade o Gringotes para resgatar uma horcrux, seqüestra um dragão e retorna a Hogwarts para o início da batalha final. Vários personagens coadjuvantes ganham seus momentos de glória, dentre eles a Professora McGonagall, Neville Longbottom e até Luna Lovegood.

Mais uma vez, é necessário elogiar o desempenho dos atores ingleses que puderam representar estes personagens e honrar a franquia Harry Potter. Ralph Fiennes e Alan Rickman são destaques em meio a tantos bons atores como Helena Bonham Carter, Julie Walters e Maggie Smith. E se Severo Snape já era certo ‘ídolo’ quando a história terminou nos livros, o mesmo se repete no filme. E Voldemort, mais odiado do que nunca, volta em toda a sua grandeza, mas também com momentos de fraqueza, ambos os aspectos brilhantemente representados por Ralph Fiennes.

Até o trio principal parece ter melhorado uns 200% neste último filme. Daniel Radcliffe carrega um pouco mais no drama, apesar das feições do seu rosto continuarem imóveis, mas foi assim que ele construiu Harry Potter ao longo dos anos e (querendo nós ou não) é essa a lembrança que sempre teremos. Emma Watson e Rupert Grint também se destacaram mais do que em filmes anteriores. 

Com tantos momentos bons, parece difícil de acreditar que certos aspectos pudessem desapontar os fãs e não tão fãs da história. Por exemplo, para alguém como Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter), era de se esperar uma morte melhor e mais estrondosa. Assim como mais drama em mortes de outros personagens e em alguns outros momentos que poderiam ser mais épicos. Talvez a correria e a pressa da edição tenham pesado para pior nesses pontos, mas nada que comprometa o resultado final.

No fim, resta a fidelidade à obra em um filme feito para fãs. Mas os que não são também irão se divertir e se envolver com a história, uma vez que não faltam ação e drama. O que é inegável é que a franquia como um todo, mais explicitamente nesse último filme, deixou uma marca nos seus espectadores, nos estúdios, nos produtores, diretores e em todo mundo que lida com cinema de alguma forma. Mais ainda, com o final de Harry Potter, é curioso notar que a principal lição foi entregue por J.K. Rowling há anos atrás, já no primeiro livro: Nunca acorde um dragão adormecido.

Nota: 9,5
*Indicado ao Oscar de Maquiagem, Direção de Arte e Efeitos Visuais

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Enigma e Relíquias

Galera, é amanhã a estreia mundial de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" e o fim da maior franquia da história do cinema - maior até que a franquia 007, que tem mais de vinte filmes!

Veja aí as críticas de "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" e "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" que já tinham sido publicadas. Só clicar nas imagens.

No mais, é aguardar cada segundo até que chegue o momento de invadir o cinema.

domingo, 10 de julho de 2011

Harry Potter e o Cálice de Fogo

Harry Potter and the Goblet of Fire

(EUA,UK/2005) De Mike Newell. Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Brendan Gleeson, Timothy Spall, David Tennant, Robert Pattinson, Frances de la Tour, Clemence Posey, Jason Isaacs, Maggie Smith, Tom Felton, Miranda Richardson e Stanislav Ianevski.

A expectativa era grande com o quarto capítulo da saga. Não apenas porque ‘O Prisioneiro de Azkaban’ levou toda a franquia para um novo patamar, mas porque a história de “Harry Potter e o Cálice de Fogo” é crucial em vários sentidos. Afinal, é no quarto capítulo da série que acontece o retorno do maior bruxo das trevas de todos os tempos e colocar um Voldemort corpóreo na telona não foi tarefa fácil. O quarto livro é um dos maiores da série, tanto que se cogitou dividir o livro em dois e fazer dois filmes. A Warner resolveu cortar tramas paralelas, para desespero dos fãs, e se centrar no Torneio Tribruxo e na conexão de Harry com Voldemort, que estaria prestes a voltar.

Antes de retornar a Hogwarts para seu quarto ano letivo, Harry e os Weasley vão para a Copa Mundial de Quadribol, onde além dos jogos, um outro evento os aguarda. Os Comensais da Morte, seguidores de Voldemort, preparam um atentado e colocam a Marca Negra sobre a Copa, indicando que as artes das trevas estão se reunindo outra vez. Já na escola, os alunos são informados de que Hogwarts será palco do Torneio Tribruxo, uma competição que irá eleger o melhor e mais talentoso bruxo entre três escolas de magia. Apenas alunos maiores de idade podem se inscrever e colocar seu nome no Cálice de Fogo. Fleur Delacour é escolhida pela escola Beauxbatons, Victor Krum pela Drumstrang e Cedrico Diggory é o escolhido de Hogwarts. Porém, por alguma razão, o nome de Harry Potter também é escolhido pelo Cálice e forçado a competir no torneio, que não apenas é altamente perigoso, como uma grande armadilha para Harry, que cada vez mais sente através de sua cicatriz de que as forças das trevas estão cada vez maiores.

Apesar dos cortes, a história principal de “Harry Potter e o Cálice de Fogo” ficou bem amarrada em todos os pontos e a equipe de produção não economizou nos efeitos especiais e na direção artística. O filme passeia por vários ambientes diferentes que explora não apenas Hogwarts, mas várias partes fora dela. A aparição do Rabo-Córneo Húngaro, o dragão que Harry enfrenta na primeira tarefa, é uma das cenas mais bem produzidas de toda a saga, tamanha a precisão e perfeição na aparência e nos movimentos do dragão. O mesmo se repete com as cenas embaixo do lago de Hogwarts, no labirinto e no cemitério, com o retorno de Voldemort. O ritmo acelerado também ajuda, já que são muitas as cenas de ação misturadas com a carga dramática que a história propõe.

Falando em Voldemort, não poderiam ter escolhido melhor ator para interpretar um dos maiores vilões do cinema do que Ralph Fiennes, que passou meses estudando como era o seu personagem e como ele deveria se comportar no seu ‘renascimento’. Cada movimento de Voldemort é fruto de dedicação e completa entrega do ator ao seu papel. Da mesma forma o fazem Brendan Gleeson, como Olho-Tonto Moody, e grande parte do elenco.

É a primeira vez na série que os espectadores se confrontam diretamente com a morte de um personagem. Isso denuncia o tom que a saga Harry Potter assumiria dali por diante, com a volta do Lorde das Trevas. Serão tempos difíceis no mundo bruxo e o trabalho feito por Mike Newell, levando essa transição com perfeição para as telonas, é parte chave de tudo o que viria a se desenrolar depois.

Ponto alto: A já mencionada cena do dragão e o retorno de Voldemort e toda a sequência no cemitério. Dá arrepios ver o confronto direto entre Harry Potter e o bruxo das trevas.

Ponto baixo: Se tivesse um cigano Igor em Harry Potter, esse seria Stanislav Ianevski. Já que Victor Krum tinha poucas falas, o ator podia ser mais expressivo.

Nota: 9,0

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Harry Potter and the Prisoner of Azkaban

(EUA, UK/2004) De Alfonso Cuarón. Com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambom, David Thewlis, Gary Oldman, Alan Rickman, Emma Thompson, Maggie Smith, Julie Christie, Julie Walters, Tom Felton, Robbie Coltrane e Timothy Spall.

O terceiro filme da saga Harry Potter é uma reinvenção, praticamente um reinício. É em “O Prisioneiro de Azkaban” que os personagens saem da infância e entram na adolescência. A comparação é clichê, mas parece que a franquia também atinge certa maturidade no terceiro episódio. Ele é mais sombrio, porém, de certa forma é mais real do que os outros dois primeiros. Repare: os detalhes de Hogwarts estão diferentes, há salas e espaços diferentes, o figurino está diferente, até a fotografia do filme está diferente. Pela primeira vez na saga, saímos de um mundo que antes era apenas mágico mas que, do jeito que foi mostrado, poderia facilmente ser real. Os alunos tem um ar mais despojado e – vejam só – tem até mochilas! Hogwarts parece ao mesmo tempo lar e escola. O lado mais humanos, tanto nos momentos felizes quanto sombrios, é fruto de dedicação de Alfonso Cuarón, diretor contratado para o terceiro filme, considerado por muitos o melhor de todos.

Harry Potter, como sempre, tem um péssimo verão na casa dos tios. Após se irritar e, literalmente, transformar a tia em um balão, Harry foge para o mundo bruxo e descobre que um bruxo muito perigoso fugiu da prisão de Azkaban e está à solta. A suspeita, é claro, é de que o tal fugitivo, Sirius Black, está de volta para matar Harry, já que ele foi partidário de Voldemort no passado. Por causa disso, os guardas de Azkaban, os dementadores, estão à solta em volta do castelo e essas criaturas parecem atingir mais a Harry do que os demais. Alem de ter que fugir de Sirius dentro da própria escola, Harry ainda terá o próprio ano letivo em si, com as aulas de Adivinhação, da Professora Trelawney, de Trato das Criaturas Mágicas, com ninguém menos que Hagrid ensinando e Defesa Contra as Artes das Trevas, cujo professor, Lupin, tem mais a mostrar do que o que parece à primeira vista.

Cada detalhe de “O Prisioneiro de Azkaban” é diferente dos filmes anteriores. Já notamos isso logo nas primeiras cenas, ainda na casa dos Dursley. O estilo de filmar de Alfonso Cuarón, presente em seus outros filmes como “Filhos da Esperança”, dá um tom mais realista e íntimo a tudo o que acontece com Harry, levando a saga a um novo patamar. Antes, tudo não passava de filmes de criança, feitos para agradar multidões no natal com uma história de fantasia. Com o terceiro filme, passamos a enxergar um mundo que vai além da magia, trazendo à tona sentimentos e raciocínio unidos para que possamos compreender melhor a jornada de Harry.

O bom dessa nova visão sobre a saga Harry Potter é que tudo recebeu um trato mais profissional, digamos assim, de cinema de gente grande. A fotografia, antes baseada em tons fortes e coloridos, agora é mais sombria e com muitos tons de verde, destacando a natureza britânica que cerca o castelo de Hogwarts. Esse aspecto continuou presente em todos os filmes posteriores, definindo o visual unificado da série, como se desprezasse os dois primeiros. O figurino também está diferente, com vestes mais despojadas e jovens para os alunos, e mais práticas e convincentes para os adultos.

Quanto aos efeitos especiais, tudo é muito caprichado, novamente de uma forma não vista antes na série. O hipogrifo Bicuço, os dementadores e o lobisomem, todos foram feitos com uma precisão inegáve, assim como a atuação mais natural de todos os atores, mesmo aqueles que chegaram agora na saga como Gary Oldman e David Thewlis. A trilha sonora original (re) composta por John Williams, também dá uma personalidade única a “O Prisioneiro de Azkaban”. Um filme de tirar o fôlego e cheio de surpresas que, não à toa, lhe rende os méritos de melhor filme da saga.

Ponto alto: Quase tudo. Mas acho que a transformação do professor Lupin em lobisomem é um dos grandes feitos, sem falar na parte da viagem no tempo, de uma precisão impecável.

Ponto baixo: Nenhum em especial, mas porque Julie Christie foi tão mal aproveitada? Madame Rosmerta pode até ter passado batida no filme, mas o talento da atriz não podia ser desperdiçado.

Nota: 10

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Harry Potter e a Câmara Secreta


Harry Potter and the Chamber of Secrets

(EUA,UK, 2002). De Chris Columbus. Com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Richard Harris, Kenneth Branagh, Tom Felton, Maggie Smith, Julie Walters, Alan Rickman, Robbie Coltrane, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Jason Isaacs, Shirley Henderson, Gemma Jones e Christian Coulson.

É curioso como “Harry Potter e a Câmara Secreta” é considerado o mais fraco de todos os filmes da série justamente por ser o que é: uma sequência. Tanto o livro quanto o filme, não importa as diferenças que eles tenham entre si, são sequências diretas que repetem elementos do primeiro título, “A Pedra Filosofal”. A diferença é que o que J.K. Rowling fez no livro, para acostumar o leitor à obra, Chris Columbus faz parecer preguiça, repetindo elementos e até mesmo a trilha sonora. Por mais bem feito que tenha sido e importante como um todo para a história geral, é isso que “A Câmara Secreta” é no fim das contas: preguiçoso. Não espanta o filme ter sido lançado exatamente um ano depois do primeiro, dada a correria.

Harry está perto de começar o seu segundo ano em Hogwarts quando Dobby, um elfo doméstico, o avisa de que o garoto corre perigo mortal se voltar à escola. Potter, claro, está disposto a voltar e Dobby arma de tudo para atrapalhar sua vida na escola. Porém, quando chega na escola, Harry começa a perceber que os avisos de Dobby têm fundamento: alguma coisa começa a atacar os alunos nascidos trouxas na escola e todos acreditam que é o herdeiro de Salazar Sonserina, um dos fundadores da escola, que construiu a Câmara Secreta, o lar de um monstro em Hogwarts, há mais de mil anos atrás. O que Harry não esperava é que as suspeitas recaíssem sobre ele, quando o mesmo descobre que tem o poder de falar com cobras, o animal símbolo da Sonserina. Harry agora tem que provar sua inocência e descobrir quem está por trás dos ataques.

Assim como no livro anterior, são muitos os detalhes e tramas paralelas, mas a maior inimiga foi a pressa. Levar tudo correndo aos cinemas um ano depois fez com que Columbus reaproveitasse muita coisa do primeiro filme, o que deu certo tom de falta de originalidade e presença, diferente do que se vê com David Yates, por exemplo. Mesmo assim, a trama ganha a agilidade necessária para contar a história e são gastos outros esforços para construir a Câmara Secreta (que realmente tem um dos visuais mais bacanas da série) e os monstros do filme, a acromântula Aragogue e o basilisco. Destaque também para as cenas do carro voador, que adquire personalidade como se estivesse vivo.

“A Câmara Secreta” também tem as passagens inúteis, como em “A Pedra Filosofal”, com uma importância exacerbada que nem se encaixam na história. Salvam mais uma vez a atuação de pessoas como Richard Harris, Maggie Smith e Kenneth Branagh, como o canastrão Gilderoy Lockhart. Harris, aliás, fez um Dumbledore muito mais sereno do que os vistos nos demais filmes, mas contribuiu com peso na saga. Esse seria o último filme de sua carreira.

No fim, os erros de “A Câmara Secreta” só se redimem porque a história entra no contexto do geral e os fãs sempre o verão como um ‘filme do Harry Potter’. O filme também é divertido e leve, mas não imprime a mesma aura do antecessor (ou predecessores).

Ponto alto: a luta de Harry com o basilisco no interior da Câmara Secreta.

Ponto baixo: Quase todas as cenas de Draco Malfoy. Não por causa de Tom Felton, mas porque o personagem sempre aparece fazendo algo sem sentido e sem explicação, como rasgando um livro ou sacudindo uma caixinha.

Nota: 6,5