domingo, 20 de novembro de 2011

4 anos!!!!


Quando eu comecei a escrever este blog, eu utilizava um HTML limitado de uma versão bem antiga do Blogger, atualizado nos computadores gratuitos da faculdade e um banner no topo feito no paint. A evolução das coisas fez muitas mudanças no processo de como os textos são publicados. Blogs ganharam importância nunca antes vista na história da internet e passaram a ser “formadores de opinião” – ou seria “contribuintes” dessa formação? A única coisa que não mudou, claro, foi a paixão pelo cinema e a vontade de escrever. Tudo isso é compartilhado mundo a fora com outros blogueiros que, em quatro anos, também presenciaram mudanças tecnológicas, viram filmes passar num piscar de olhos e, claro, acompanharam a evolução deste que vos fala no desenvolvimento do Cinemarcos.

Por isso, chamei quatro pessoas para falar de tudo isso aí! Cinema, texto, internet, blogs, tecnologia e me ajudar a celebrar o aniversário de uma empreitada que começou há um tempo atrás, no coração e na mente de um calouro de jornalismo.



"Mesmo sendo o avô das redes sociais, os blogs são interativos, informais, pessoais e profissionais - tudo ao mesmo tempo. Como normalmente são feitos a partir de ferramentas simples de elaboração e publicação, os blogs usam a sua simplicidade para valorizar a informação e o debate acima de tudo. Para o blog não importa se há 125 maneiras diferentes de interagir com a página, se há um flash super desenvolvido fazendo a logomarca se movimentar, se há ferramentas em 3D aqui e acolá. Na verdade, poucos blogueiros sequer sabem como essas coisas funcionam. Para a grande maioria, o que importa é o conteúdo e a maneira como esse conteúdo é lido, reapropriado, debatido, comentado, replicado... E acredito que é exatamente isso - informação, debate e troca - que faz com que os blogs sejam ainda hoje uma das ferramentas mais importantes da internet e da forte cultura participativa que estamos vivendo".
Ariane Holzbach - doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense e uma das autoras do site Clipestesia.

 "Essa paixão por escrever eu vejo como um aprendizado pra mim. Eu analiso a mim mesmo. Eu me identifico com o que vejo e, para isso, eu acabo refletindo muita coisa em minha vida. Eu gosto de me "encontrar" em histórias que idealizo no telão, é onde me sinto seguro. E falar de cinema sempre foi um hobbie pra mim, desde pequeno. Não vejo como uma obrigação. É um tesão, na realidade. É algo incondicional. Por isso dizem que cinema é magia. A criação do Apimentário foi um projeto pessoal mesmo, pois sempre tive o prazer em refletir abordagens sexuais através da Sétima Arte. Acho interessante a possibilidade de provocar o espectador através de análises sobre filmes temáticos, sensuais e até polêmicos".  
Cristiano Contreiras - jornalista, autor do blog Apimentário.

"Sempre gostei de cinema. Lembro o primeiro filme que assisti em uma telona. Foi O Rei Leão. Agora não me pergunte o ano... Mas foi há cerca de oito anos, em 2003, que eu me tornei um cinéfilo. Daí partir imediatamente para escrever sobre cinema porque me ajudava a fixar mais a minha opinião sobre os filmes. Comecei a ler e me interessar cada vez mais. Em 2005 ingressei pra faculdade de Jornalismo, me formei e hoje sou crítico amador. Vou ao cinema em média duas vezes por semana (em cabines para imprensa e como público) e escrevo sempre que possível, já que o tempo continua cada vez mais escasso. Não reclamo, pois estou em um momento de crescimento profissional e pessoal. Mas sempre que posso dou uma fugidinha para o cinema. E sempre que não posso ir, dou um jeito de assistir a um DVD ou à TV à cabo em casa mesmo. Um fato curioso da minha vida é que eu pedi a minha namorada em namoro durante uma sessão do filme A Vila, do polêmico diretor M. Night Shyamalan. Isso aconteceu há exatamente seis anos, dois meses e quatro dias. Isso rendeu bons frutos e hoje somos casados e ela também adora cinema."
Anderson Siqueira - jornalista, autor do blog Cinestesia 


Ver vários comentários em uma postagem... Acessar o Google Analytics e ver que seu blog é lido até fora do Brasil e que o número de acessos já ultrapassa as seis casas decimais... Receber vários RTs nos links que você twitta... Com tudo isso não falta é motivação em nós blogueiros para postar cada vez mais. Comecei meu "jornal virtual" ainda nos tempos da faculdade e já se vão quase quatro anos falando sobre música gospel, seja analisando CDs e DVDs ou fazendo cobertura de grandes eventos (o que é ainda mais motivador por poder sair da frente do PC e ir onde está a notícia). O reconhecimento é bom, mas o que realmente me motiva é poder desbravar a mata fechada que é o jornalismo gospel, algo ainda muito preso às denominações e que só vive do simples CTRL+C CTRL+V. Ao longo desse tempo, consegui ainda uma equipe sólida e interessada em fazer a diferença assim como eu. É isso que me motiva: minha paixão pela música, a vontade de informar sobre o que está acontecendo e fazer um jornalismo gospel sério. Dificuldades existem, mas poder escrever sobre o que a gente gosta e ainda poder contar com amigos (assim chamo meus colaboradores) é algo que não tem preço e me faz querer acordar, já pular pra frente do PC, digitar www.blogger.com e escrever até não poder mais. Afinal, blogueiro que é blogueiro tem que ser apaixonado pelo que faz.

Rafael Ramos - jornalista, criador e editor do site Gospel no Divã

Com tantas opiniões variadas, faço das palavras dos amigos as minhas palavras. E que venham mais quatro anos!!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Reféns


 Trespass
(EUA, 2011) De Joel Schumacher. Com Nicolas Cage, Nicole Kidman, Cam Gigandet, Liana Liberato, Ben Meldelsohn e Jordana Spiro. 

Joel Schumacher, Nicolas Cage e Nicole Kidman. Cada um, a seu modo, precisa exorcizar os seus demônios. O primeiro é diretor de filmes variados que quase sempre são esquecíveis, apesar do sobrenome forte. Schumacher ganhou um fantasma bem ruim em suas produções depois do desastre que foi “Batman e Robin”, mas geralmente seus filmes têm uma recepção regular do público, como em “Por um Fio”, “O Fantasma da Ópera” e “Número 23”. Já Nicolas e Nicole tem uma história bem parecida: grandes astros de Hollywood, nomes de peso e respeitados em todo o mundo, mas que precisam dar uma reviravolta na carreira prejudicada por más escolhas.  Nicole Kidman até que deu um ‘chega pra lá’ na fase ruim, sendo até indicada ao Oscar recentemente por “Reencontrando a Felicidade”, Já no caso de Cage, a coisa é bem pior. Endividado e cheio de trabalhos medíocres no currículo, o astro veio decaindo ao longo da última década.  “Reféns” não chega a ser a redenção de nenhum deles e também deve entrar no rol de filmes esquecíveis de cada um.


O misterioso Kyle Miller mora numa casa luxuosa com a mulher Sarah e a filha Avery. Numa noite, a casa é invadida por um grupo de assaltantes que vem observando os passos de Kyle durante um tempo e estão em busca de diamantes e dinheiro que estariam escondidos na casa. A família é feita refém, mas as ações de Kyle em negar a entrega dos pertences complica toda a operação. Aos poucos, a natureza do assalto vai se mostrando mais complicada do que um simples roubo, revelando delicadas condições psicológicas não só dos bandidos, mas como da família. A suspeita de que Sarah teria um caso com um dos bandidos só piora tudo e é Kyle quem deve decidir se mantém ou não os seus próprios segredos.


O filme tem uma linha de suspense psicológico que funciona para manter a tensão durante toda a projeção. Os problemas de instabilidade mental e a pressão que os bandidos demonstram estar sofrendo levam a situações inusitadas, por vezes engraçadas, que dão o tom certo da história, fazendo com que esta tenha várias reviravoltas que conseguem surpreender o espectador em alguns momentos. Mas a fraqueza do roteiro, na insistência de querer fugir do óbvio, acaba dando mais consistência a ele e o filme se perde. Por exemplo: o marido traído que desconfia da sua esposa, mas acredita nela embora minta para salvá-la da situação; a quadrilha de bandidos formada pelo líder destemido, um brutamontes impaciente e sanguinário, um espertinho e uma mulher descontrolada. Perfis variados, mas todos previsíveis. Nesse caso, apelar para o óbvio traz bons resultados quando esses personagens acabam por tornar a trama divertida e não deixar o filme cair na monotonia. Porém, em outros aspectos, a falta de coerência típica desse gênero acaba atrapalhando.O clímax também é interessante, apesar da forma como o longa acaba, sem mais explicações.
 
Nicole Kidman e Nicolas Cage, apesar da boa forma, já estiveram melhores. As atuações são corretas, mas o casal não tem muita sintonia. Já Liana Liberato, a jovem atriz de quem já falei aqui, e Cam Gigandet, são dois destaques do filme, mostrando que estão no caminho certo de grandes projetos – afinal, trabalhar com esses dois protagonistas e segurar a onda ainda é muito importante. Quanto a Joel Schumacher, fez mais um filme sensacionalmente esquecível, um grande candidato às noites do Supercine.

Nota: 6,5

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Preço do Amanhã


In Time (EUA, 2011)
De Andrew Niccol. Com Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Olivia Wilde e Cillian Murphy.

Justin Timberlake resolveu mesmo investir na carreira de ator e Hollywood comprou o barulho dele. Depois de “Amizade Colorida” e “Professora Sem Classe”, ele desembarca no Brasil com um terceiro título, o futurista “O Preço do Amanhã”, em que estrela ao lado de outra atriz em ascensão, Amanda Seyfried. Ambos lindos e atraentes já que é nisso que o filme se baseia: um futuro onde a moeda de troca é o tempo e todos envelhecem lindos, gostosos e estonteantes. 

Então, nesse futuro onde a moeda de troca é o tempo e todos envelhecem lindos, gostosos e estonteantes, os jovens crescem normalmente até os 25 anos e depois o tempo começa a retroceder. Para garantir sua sobrevivência por mais tempo, os seres humanos precisam arranjar mais tempo, seja trabalhando, trocando, compartilhando ou mesmo roubando. O tempo compra e paga tudo. Quando perde a sua mãe, o jovem Will Sallas esbarra em um estranho no bar que, cansado de viver, entrega pra ele 100 mil anos de uma vez. Will começa a ser procurado como ladrão e se envolve com a filha de um magnata. Ambos começam uma corrida contra o tempo – sem trocadilhos – para provarem que Will é inocente e tentar escapar do agente do tempo Raymond Leon.

O mundo criado pelo diretor Andrew Niccol, que também roteiriza o filme, até que é bastante sedutor, mas não há elementos que o tornem crível, ainda mais com algo tão relativo como o tempo. A história é fraca, com diálogos razoáveis, mas consegue prender o espectador por conta do desempenho do próprio Timberlake, que está lá pra isso.  Uma pitada de drama que vem por conta da desigualdade em que o mundo se tornou, com ricos e pobres separados por zonas e a trama se torna um pouco mais consistente. Mas o que estraga é justamente esse excesso de coisas que tentam colocar goela abaixo do espectador, como, por exemplo, Justin ser filho de Olivia Wilde! 

Nota: 6,0
 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Pele que Habito


La Piel Que Habito (Espanha/2011). 
De Pedro Almodóvar. Com Antonio Banderas, Marisa Paredes, Elena Anaya, Jan Cornet e Blanca Suárez.

 Um Almodóvar é sempre um Almodóvar, isso é fato mais que sacramentado no mundo do cinema. Ele é um dos poucos diretores que consegue passear por estilos que vão da comédia ao suspense, sem perder a assinatura única que tem. E é assim que acontece em “A Pele que Habito”: um ritmo mais devagar e um tanto menos ‘colorido’, digamos assim, mas que não deixa dúvidas de que se trata de um Almodóvar legítimo, quase uma pintura em movimento e com uma reviravolta de surpreender ao mais cético dos espectadores.

O cirurgião plástico Robert Ledgard perdeu a esposa em decorrência de um acidente de carro que deixou o seu corpo totalmente queimado. Supostamente, em decorrência da morte da mãe, sua filha mais nova acaba enlouquecendo depois de uma festa. Na esperança de se recuperar de seus sentimentos e reparar alguns erros do passado, ele mantém uma paciente em constante observação, fazendo vários experimentos. Trata-se de Vera, que não usa nada além de um collant cor de pele e passa seus dias trancafiada. Aos poucos vamos conhecendo a história por trás da morte da esposa de Robert, da loucura de sua filha e da própria Vera, que carrega consigo um segredo arrebatador.


Não há como descrever a genialidade da trama de “A Pele que Habito”, cujo tema central é a cirurgia plástica. Mas não pense que ela está ali para discutir vaidade e outros assuntos que jornalistas desinformados adoraram perguntar ao diretor durante as coletivas de imprensa. A cirurgia plástica é quase como um personagem fundamental da história, o que dá sentido a toda ela. Apesar disso, são os sentimentos humanos, tão rechaçados nas histórias dos personagens do filme, que conduzem toda a história.
Antonio Banderas volta a trabalhar com Almodóvar, o diretor que o consagrou há anos atrás, em um papel calculista e frio, diferente do bon vivant que estamos acostumados. Ele não se sai tão bem como nos seus papeis mais calientes, mas não chega a comprometer o personagem nem a atuação de Elena Anaya, mais conhecida no Brasil pelo filme “Um Quarto em Roma”. Quem aparece um tanto apagada, quem diria, é Marisa Paredes, outra parceira de Almodóvar que tem um papel mais coadjuvante, sem muita expressão, uma pena.

Cheio de referências visuais e com uma narrativa construída em flashbacks, onde aos poucos o espectador vai desvendando a história, “A Pele que Habito” não tem o mesmo charme de produções como “Má Educação”, “Volver” ou “Tudo Sobre Minha Mãe” – os clássicos, digamos assim – da mesma forma como foi o com “Abraços Partidos”. Mas sem dúvida, merece e muito ser assistido por ter uma das reviravoltas mais impensáveis do cinema. Até porque, um Almodóvar SEMPRE é um Almodóvar.

Nota: 8,5

Ai, se eu te pego! 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não tô morto!


Oi gente! Marcos tem estado fora ultimamente tendo muita coisa que ajeitar na sua vida, fazendo planos pro futuro, entre outras coisas. Descobrindo a vida de adulto, na verdade, e ela tem certos aspectos interessantes, como por exemplo, levar o blog mais a sério! Sim, porque eu to crescendo e, claro, o cinema cresce junto comigo. Pra não abandonar isso aqui de vez, to postando meio que aleatoriamente, mas posso dizer que to vendo bem mais filmes do que anteriormente, com o caos instaurado da monografia.
Anyway, aguardem novidades por aqui! Logo estaremos 100% no vapor! Vamos então a um resumo do que eu vi nesses dias, porque infelizmente escrever tudo não dá.

Amizade Colorida (Friends with Benefits/EUA, 2011)
 Com  Justin Timberlake, Mila Kunis, Patricia Clarkson e Woody Harrelson.

“Amizade Colorida” não apresenta muita coisa de novo e tem um roteiro meio mirabolante demais pra ser crível, mas até que convence em certas coisas e se revela uma comédia bem legalzinha. É legal a forma como referências do século XXI estão expressas no filme, como o Youtube, o Facebook e os flashmobs. Mila Kunis se sai bem, já que tipos avoados caem bem com ela. Justin Timberlake parece que embarcou mesmo nessa onda e até que leva jeito pra coisa, mas precisa melhorar muito ainda pra ser um ator respeitado e não um ex-cantor se aventurando mais um pouco. Ah, e nudez, nudez, nudez. Pelo menos lidaram com isso de uma forma que o sexo não seja a atração principal do filme, embora seja o que pareça.

Nota: 7,0

Gigantes de Aço (Real Steel /EUA, 2011) 
Com Hugh Jackman, Evangeline Lilly e Dakota Goyo.

Wolverine+boxe+robôs=awesome! O filme é bem despretensioso, apesar de todos os efeitos especiais que apresenta. Não tenta ser um “Transformers”, muito menos um “O Exterminador do Futuro”, mas pega carona no estilo pra fazer divertir um pouco. Apesar de mexer com sentimentalismo, o filme consegue deixar claro que a afeição aos robôs é pura ficção, uma vez que eles NÃO têm sentimentos. Parece que têm, mas não, eles não têm. A emoção é toda um fruto da cabeça do garotinho e da história de “superação” do personagem de Hugh Jackman.

Nota: 8,0

Qual Seu Número? (What’s your Number? / EUA, 2011) Com Anna Faris, Chris Evans, Ed Begley Jr., Zachary Quinto.

Comédia romantica incrivelmente clichê. Mas é divertidinha. Vai fazer sucesso na Sessão da Tarde daqui há alguns anos.

Nota: 6,5 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Atividade Paranormal 3


Paranormal Activity 3
(EUA, 2011) De Henry Joost e Ariel Schulman. Com Katie Featherston, Sprague Grayden, Lauren Bittner, Christopher Nicholas Smith, Jessica Tyler, Chloe Csengery.

Por alguma razão, nunca fui com a cara de “Atividade Paranormal”. Sempre achei um filme bem mais ou menos, com poucas razões para ter conquistado o público daquela maneira, às vezes baseado em bobagens. Admiro sim o fato de terem um baixo orçamento e terem feito o que fizeram, mas nada que justificasse o estardalhaço. Daí veio o “2”. Explicando um pouco mais o contexto da história, o segundo trouxe mais sustos e cenas de dar medo – o que se espera de um filme de terror decente. Não assisti à “Atividade Paranormal em Tóquio”, nem sei dizer o quanto deste filme contribui para a franquia original, mas “Atividade Paranormal 3” é, sem dúvida alguma, melhor do que qualquer um desses três, de deixar os fantasmas do filme abobalhados.

Desta vez, voltamos aos anos 80 para conhecer a infância das irmãs Katie e Kristie e como começaram os efeitos paranormais com as duas. Kristie tem um amigo imaginário, Toby, e o comportamento da garota começa a ficar estranho demais. Paralelo a isso, eventos sem explicação começam a acontecer e então o padrasto das duas, Dennis (que trabalha com filmagens e edição de vídeo), coloca várias câmeras na casa para capturar o que está acontecendo. Os fenômenos começam a ficar cada vez piores, assim como o comportamento das duas irmãs.


O roteiro ainda é relativamente fraco, no mesmo nível dos dois primeiros, mas impressiona não só os sustos que são arquitetados na plateia, mas o detalhismo com algumas coisas referentes aos anos 1980. Também chama a atenção o cuidado com a filmagem, em uma locação real, para passar mais credibilidade aos eventos. E os próprios atos sobrenaturais em si estão mais decentes, dignos de espíritos zombeteiros e não coisas que podem ser confundidas com o vento. 

A saga que começou com Oren Peli desembolsando nada menos do que US$ 15 mil em 2007, se tornou maior do que se imaginava, atraindo a sofisticação de um grande estúdio, no caso a Paramount, e a produção executiva de (oooh!) Akiva Goldsman, de filmes como “Eu Sou A Lenda” e “Hancock”. O orçamento ainda é baixo (US$ 5 milhões), mas a qualidade subiu e toda a experiência fez bem a “Atividade Paranormal” que, agora sim, pode ser incluída no hall das grandes séries de horror, com um representante digno.

Nota: 8,5

terça-feira, 18 de outubro de 2011

50 anos de "Bonequinha de Luxo"


Imagine aquele vestido tubinho preto básico para qualquer ocasião, um artigo indispensável para uma mulher moderna. Pois talvez esse artigo do vestuário não tivesse a mesma importância hoje se não fosse o filme “Bonequinha de Luxo”. Talvez nem mesmo a expressão “pretinho básico” existisse. Mas não é apenas na moda que o filme de Blake Edwards, baseado no romance de Truman Capote, marcou gerações. O filme, que acaba de completar 50 anos, é um dos melhores da história do cinema, uma comédia romântica doce e com uma pureza inigualável, que vemos refletida nos olhos de anjo da sensacional Audrey Hepburn.

Era 5 de outubro de 1961 quando o filme estreou nos Estados Unidos. E se o mundo ainda não tinha se rendido ao charme e talento de Audrey Hepburn, em filmes como “Sabrina”, "Cinderela em Paris” ou “A Princesa e o Plebeu”, não tinha mais desculpas a partir deste filme. E olha que a personagem de Hepburn era um tanto quanto incomum para os papéis que a atriz estava acostumada a desempenhar. Holly Golithly, a moça que desce de um táxi com um saco de papel e um copo de café, e toma o seu ‘breakfast’ em frente à joalheria Tiffany & Co. (daí o nome do filme), mora sozinha e é o que se pode chamar de ‘acompanhante de luxo’. Aí o mundo vinha abaixo: estaria Audrey Hepburn interpretando uma prostituta?
 
Daí você pode tirar as suas conclusões, mas “Bonequinha de Luxo” é um dos filmes mais irresistíveis de todos os tempos. Ao mesmo tempo em que Holly é esperta o suficiente para se manter viva em meio ao mundo que vive, ela é ingênua a ponto de participar de um esquema de transferência de informações de um poderoso bandido que está na cadeia. É essa ambiguidade que Audrey Hepburn coloca nas telas com maestria, uma moça rude e sem certa educação, mas que aprendeu a ser refinada e sofisticada para vencer na vida.

Ao lado da personagem de Hepburn, vemos o escritor Paul Varjak, interpretado por George Peppard, que é um solteirão que não sente vergonha nenhuma ao ser sustentado por uma mulher. Isso até conhecer Holly e seu estilo de vida desprendido, queira mudá-lo completamente. A história de amor dos dois é, na verdade, uma contradição, uma vez que ambos são ambiciosos o suficiente para desistirem de tudo para ficar juntos.

A magia de “Bonequinha de Luxo” é resumida na metade do filme, quando, num momento de distração, Holly vai para a sua janela, puxa um violão e começa a cantar “Moon River”, canção composta por Henry Mancini que entrou para a eternidade ao colocar a suave voz de Audrey Hepburn nas telonas. Um efeito que nem “My Fair Lady” conseguiu anos mais tarde, e olha que era um musical!

“Bonequinha de Luxo” ganhou dois Oscars (Melhor Canção e Melhor Trilha Sonora) e foi indicado a outras três categorias (Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte – cores e Melhor Atriz). Difícil saber que naquele ano Hepburn perdeu o Oscar para Sophia Loren, a primeira a ganhar uma estatueta em um filme não falado em inglês. Mas o que importa é que o filme ganhou muito mais, entrando para o panteão dos clássicos, tornando Hepburn uma diva absoluta e mudando o ponto de vista do mundo sobre um simples vestido preto e um café da manhã numa joalheria.