terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Indicados ao Oscar 2012 revelados!

Jennifer Lawrence e Tom Sherak, presidente da Academia, anunciam os indicados ao Oscar

E agora acabou a espera.

Em um anúncio que trouxe um monte de surpresas, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou os indicados ao Oscar 2012. E dentre favoritos e certezas, um monte de ausências dadas como praticamente certas na lista final. Um dia de tirar o fôlego de muitos.

Assim de primeira, a ausência mais sentida foi a de “As Aventuras de Tintim” na categoria Animação. “Rio” também está fora, mas a técnica usada em Tintim por Spielberg era outra dada como certa! Ninguém esperava essa baixa. Pelo menos não cometeram o despalterio de colocar “Carros 2” na lista, embora considerar “O Gato de Botas” e não “Rio”... mágoa que jamais perdoarei.

Outras ausências, Leonardo Di Caprio (J. Edgard) e Michael Fassbender (Shame), alem de Ryan Goslin (Drive e Tudo pelo Poder), na categoria Melhor Ator. E Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre Kevin) em melhor atriz.

Dentre as lembranças, acho que “Missão Madrinha de Casamento” é aquela coisa: você tá vendo ali que surgem premiações, mas não acredita que um filme tão surreal chegará ao Oscar. E chegou. Com indicações a Melissa McCarthy  a atriz coadjuvante, e Melhor Roteiro Original. Também inclusões de “Tão Forte e Tão Perto” e “O Espião que Sabia Demais” com certeza causarão certo alvoroço em Hollywood! Max Von Sydow, o último nome que eu pensaria pra categoria Coadjuvante, também chegou lá.
Apenas duas canções foram indicadas (?!). “Man or Muppet”, de “Os Muppets” e “Real in Rio”, por “Rio”. Pelo menos tem brasileiro na disputa, já que a música é de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown.

E “Harry Potter”? Chegou lá também, em três categorias técnicas, como sempre. Maquiagem, Direção de Arte e Efeitos Visuais. Não adiantou o burburinho e certo alvoroço por uma indicação a Melhor Filme, como sempre. O filme é realmente bom, mas não é filme desse tipo de premiação.

E melhor filme hein, 9 indicados. NOVE. A categoria pode abrigar no máximo dez, e deixou um de fora. Qual seria esse um? “Drive”, “Precisamos Falar Sobre Kevin”, “Tudo Pelo Poder”, “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, “J. Edgard”, “Sete Dias com Marylin”... isso pra citar alguns. O recordista de indicações foi “A Invenção de Hugo Cabret”, com 11 menções. Em seguifa vem “O Artista”, que foi indicado em dez categorias. Billy Cristal apresenta a cerimônia de entrega em 26 de fevereiro.

A lista completa de indicados você vê abaixo e não deixe de conferir a cobertura do CINEMARCOS para o Oscar 2012!

Filme
"A Árvore da Vida"
""Os Descendentes"
"Histórias Cruzadas"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem Que Mudou o Jogo"
"Cavalo de Guerra"
"O Artista"
"Meia-Noite em Paris"
"Tão Forte e Tão Perto"

Direção
Woody Allen - "Meia-Noite em Paris"
Michel Hazanavicius - "O Artista"
Alexander Payne - "Os Descendentes"
Martin Scorsese - "A Invenção de Hugo Cabret"
Terrende Malick - "A Árvore da Vida"

Ator
Demián Bichir - "A Better Life"
George Clooney - "Os Descendentes"
Jean Dujardin - "O Artista"
Gary Oldman - "O Espião Que Sabia Demais"
Brad Pitt - "O Homem Que Mudou o Jogo"

Atriz
Glenn Close - "Albert Nobbs"
Viola Davis - "Histórias Cruzadas"
Rooney Mara - "Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
Meryl Streep - "A Dama de Ferro"
Michelle Williams - "Sete Dias com Marilyn"

Ator Coadjuvante
Christopher Plummer - "Toda Forma de Amor"
Jonah Hill - "O Homem Que Mudou o Jogo"
Kenneth Branagh - "Sete Dias com Marilyn"
Nick Nolte - "Guerreiro"
Max von Sydow - "Tão Forte e Tão Perto"

Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo - "The Artist"
Jessica Chastain - "Histórias Cruzadas"
Melissa McCarthy - "Missão Madrinha de Casamento"
Janet McTeer - "Albert Nobbs"
Octavia Spencer - "Histórias Cruzadas"

Roteiro original
"O Artista" - Michel Hazanavicius
"Missão Madrinha de Casamento" - Jriste Wiig, Annie Mumolo
"Margin Call - O Dia Antes do Fim" - J.C. Chandor
"Meia-Noite em Paris" - Woody Allen
"A Separação" - Ashgar Farhadi

Roteiro adaptado
"Os Descendentes" - Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
"A Invenção de Hugo Cabret" - John Logan
"Tudo pelo Poder" - George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
"O Homem que Mudou o Jogo" - Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin
"O Espião que Sabia Demais" - Bridget O'Connor, Peter Straughan

Filme de Animação
"Um Gato em Paris"
"Chico & Rita"
"Kung Fu Panda 2"
"Gato de Botas"
"Rango"

Canção Original
"Man or Muppet" - "The Muppets" - Música e Letra de Bret McKenzie
"Real in Rio" - "Rio" - Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown e letra de Siedah Garrett

Trilha sonora
"As Aventuras de Tintim" - John Williams
"O Artista" - Ludovic Bource
"A Invenção de Hugo Cabret" - Howard Shore
"O Espião que Sabia Demais" - Alberto Iglesias
"Cavalo de Guerra" John Williams

Filme estrangeiro
Bélgica - "Bullhead" - Michael R. Roskam
Canadá - "Monsieur Lazhar" - Philippe Falardeau
Irã - "A Separação" - Asghar Farhadi
Israel - "Footnote" - Joseph Cedar
Polônia - "In Darkness" - Agnieszka Holland

Efeitos visuais
"Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 "
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Gigantes de Aço"
"Planeta dos Macacos: A Origem"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"

Edição de som
"Drive"
"Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Mixagem de som
"Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem Que Mudou o Jogo"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Direção de arte
"O Artista" - Laurence Bennett, Robert Gould
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" - Stuart Craig, Stephenie McMillan
"A Invenção de Hugo Cabret" - Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo
"Meia-Noite em Paris" - Anne Seibel, Hélène Dubreuil
"Cavalo de Guerra" - Rick Carter, Lee Sandales

Fotografia
"O Artista"
"Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"A Árvore da Vida"
"Cavalo de Guerra"

Figurino
"Anonymous"
"O Artist"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Jane Eyre"
"W.E."

Curta metragem de animação
"Dimanche/Sunday" - Patrick Doyon
"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore" - William Joyce and Brandon Oldenburg
"La Luna" - Enrico Casarosa
"A Morning Stroll" - Grant Orchard and Sue Goffe
"Wild Life" - Amanda Forbis and Wendy Tilby

Curta metragem
"Pentecost" - Peter McDonald and Eimear O'Kane
"Raju" - Max Zähle and Stefan Gieren
"The Shore" - Terry George and Oorlagh George
"Time Freak" - Andrew Bowler and Gigi Causey
"Tuba Atlantic" - Hallvar Witz

Maquiagem
"Albert Nobbs"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2"
"A Dama de Ferro"

Edição e Montagem
"O Artista"
"Os Descendentes"
"Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem Que Mudou o Jogo"

Documentário longa metragem
"Hell and Back Again"
"If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front"
"Paradise Lost 3: Purgatory"
"Pina"
"Undefeated"

Documentário curta metragem
"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"God Is the Bigger Elvis"
"Incident in New Baghdad"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Globo de Ouro, e aí?


E aí que “Os Descendentes” e “O Artista” ganharam o Golden Globe nesse domingo, 15 de janeiro. Logo nesse ano, em que tudo está um samba do criolo doido, as reações à premiação não poderiam ser menos surpreendentes. Ora, os dois filmes eram sim favoritos ao prêmio, mas quase todos os concorrentes também o eram! O que falar da aflição que foi antes do anúncio de melhor filme comédia/musical, que poderia ter sido “Missão Madrinha de Casamento”? E quando todos esperavam o prêmio de melhor atriz em drama para Viola Davis, Meryl Streep é quem leva!

Definitivamente esse ano foi incomum. Agora é aguardar o Oscar e ter a certeza de que mais surpresas vão vir por aí, já que tem um tempinho que os vencedores do Oscar e do Globo de Ouro não coincidem tanto assim. Veja na lista abaixo:

2011
Globo de Ouro: "A Rede Social" (melhor drama) e "Minhas Mães e Meu Pai" (melhor comédia ou musical)
Oscar: "O Discurso do Rei"

2010:
Globo de Ouro: "Avatar" e "Se Beber Não Case"
Oscar: "Guerra ao Terror"

2009
Globo de Ouro: "Quem quer Ser um Milionário?" e "Vicky Cristina Barcelona"
Oscar: "Quem quer Ser um Milionário?"

2008
Globo de Ouro: "Desejo e Reparação" e "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"
Oscar: "Onde os Fracos Não Têm Vez"

2007
Globo de Ouro: "Babel" e "Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho"
Oscar: "Os Infiltrados"

2006
Globo de Ouro: "O Segredo de Brokeback Mountain" e "Johnny & June"
Oscar: "Crash - No Limite"

2007
Globo de Ouro: "O Aviador" e "Sideways - Entre Umas e Outras"
Oscar: "Menina de Ouro"

2006
Globo de Ouro: "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" e "Encontros e Desencontros"
Oscar: "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei"

2005
Globo de Ouro: "As Horas" e "Chicago"
Oscar: "Chicago"

2004
Globo de Ouro: "Uma Mente Brilhante" e "Moulin Rouge - Amor em Vermelho"
Oscar: "Uma Mente Brilhante"

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cavalo de Guerra

War Horse
(EUA/UK, 2011). De Steven Spielberg. Com Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Neils Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, Celine Buckens e David Kross.

Li em algum lugar que “Cavalo de Guerra” é o novo “ame-o ou deixe-o”. Não é muito difícil explicar essa expressão, mesmo sem ter visto o filme. Primeiro é a direção de Steven Spielberg, que dispensa comentários e coloca qualquer produção num alto nível de expectativa. O contraponto: é a história de um cavalo. Isso pode não chegar a atrapalhar, dado o número de produções que trazem o animal como protagonista (“Secretariat”, “Seabiscuit”, “Sonhadora”, só pra citar alguns). Aí vemos a sinopse: um menino que não descansa até reencontrar o seu cavalo, que foi recrutado para lutar na Primeira Guerra Mundial. Lágrimas à vista, do jeito que Spielberg é acostumado a fazer, sejam os personagens extraterrestres, judeus, soldados, caçadores de arcas perdidas ou meninos-robôs. E é esse o maior problema de “Cavalo de Guerra”, você já viu esse filme! O número de clichês é tão grande que é difícil comprar a história quando já se tem certa bagagem cinematográfica. Spielberg não pede que você se emocione, ele praticamente implora que você chore.

Albert Narracott vê o nascimento de um potro que, anos mais tarde, é comprado por seu pai por uma pequena fortuna, acreditando no potencial do cavalo arredio. Albert, que o batiza de Joey, insiste em querer domá-lo e ensinar o arado ao cavalo, que aprende, apesar de todas as expectativas contrárias. Só que com o fortalecimento do cavalo, o pai é obrigado a vendê-lo para o exército inglês, que o usará na Primeira Guerra Mundial. A partir daí, o cavalo passa por vários donos e situações e, ao saber que ele se encontra em apuros, Albert faz todos os esforços para trazer seu animal de volta.

A história em si é memorável. Realmente, o cavalo passa por um monte de coisas e, contrariando tudo, sobrevive a todas elas. A amizade que o dono e o animal possuem é comovente. Só que Spielberg força a mão em muitos pontos, carregando nas tintas de certos aspectos que o espectador não tem como engolir – a não ser que se deixe levar pelas paisagens belas e planos naturais que realçam a beleza do interior do Reino Unido, esses sim pontos altos do filme. 


Pra começar, o pai de Albert, vivido pelo ótimo ator Peter Mullan, parece sofrer certa crise de identidade. Uma hora ele é o homem que contraria todo mundo pra escolher o cavalo que quer e, em outra hora, ele muda radicalmente para um velho desanimado diante das adversidades que (SIM) ele sabia que iriam acontecer por escolher um cavalo “mais fraco”, digamos. Aí vem os argumentos para sustentar o porquê Albert deve confiar extremamente no exército. O oficial, vivido por Tom Hiddleston (o Loki, de “Thor”), olha pra Albert e diz: “Vou cuidar dele como se fosse meu e o trarei de volta quando a guerra acabar”. Aham. 

Depois somos apresentados a um zilhão de personagens em uma história que se arrasta por longos 140 minutos. A ideia é sim mostrar o que acontece com Joey e suas adversidades, mas o foco fica meio perdido no meio de tanta gente. De repente, nos envolvemos com vários personagens e o cavalo passa para segundo plano, voltando a ser o protagonista mais ou menos ao final da película. E aí tem mais um perigo.
Os momentos em que Joey é o centro das atenções acabam atraindo a atenção do espectador para as emoções do próprio cavalo. Se por um lado fica o mérito de Spielberg de nos fazer acreditar numa possível rivalidade entre Joey e outro cavalo, mais experiente na guerra, rivalidade essa que se transformaria em “amizade” mais tarde (?!), por outro é difícil acreditar nessa rede de sentimentos toda. Afinal, são cavalos. Pra se ter uma ideia, a animação “Spirit – O Corcel Indomável”, que traz um cavalo mais ou menos parecido, faz um trabalho mais interessante na construção da personalidade do animal (e olha que é uma animação, ele poderia falar se quisesse!). Aliás, em certos momentos, parece mesmo que todos os animais vão começar a falar, até o ganso da fazenda de Albert.


“Cavalo de Guerra” tem sim bons momentos. Só o estilo de filmar e a fotografia valem o ingresso, sem falar na espetacular sequência da batalha das trincheiras, filmada com o mesmo realismo de “O Resgate do Soldado Ryan”. Outra cena, a que mostra Joey correndo desembestado no campo de batalha, também é bastante comovente e convincente, já que o cavalo ali é todo digital. A trilha sonora de John Williams é marcante, apesar de também um pouco clichê, mas denota exatamente cada mudança de cenário, situação ou emoção do filme.

A sequência final, com um pôr do sol photoshopicamente laranja, é linda, mas encerra um filme comum, apesar de tudo. Spielberg construiu um dramalhão um tanto exagerado que funcionaria muito melhor se fosse mais enxugado, personagens não tão rotulados e com diálogos melhores. A história é boa, mas ele conseguiu deixá-la cansativa e piegas. E pode ser preconceito meu com filme de cavalos, mas pra me fazer acreditar que ele magicamente possa falar com outro cavalo e convencê-lo a puxar uma ambulância (?!), por favor, se vendam como um filme de fantasia e não um drama.


 Nota: 6,5

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Românticos Anônimos

Les Émotifs Anonymes
(França, 2010). De Jean-Pierre Améris. Com Benoît Poelvoorde e Isabelle Carré.

Um filme francês que envolve romance, timidez e chocolates. Muita coisa boa e leve junta nessa comédia do diretor Jean-Pierre Améris, que explora, de uma forma muito divertida, a dificuldade que algumas pessoas que sofrem de timidez patológica (os “emotivos”) têm ao ter que expressar qualquer emoção mais forte em público, muitas vezes se sentindo confrontados quando precisam fazê-lo. Nossa maravilhosa tradução colocou essa definição de emotivo como “românticos”. E assim, o filme saiu por aqui (com um ano de atraso, veja bem) como “Românticos Anônimos”. Se bem que, ao analisar o filme, a tradução “acertou errando”, já que é o anonimato do romance disfarçado dos protagonistas que dá o tom certo do longa.

Angélique é uma das emotivas da trama, que procura ajuda para o seu problema em um grupo de emotivos anônimos, que compartilham as suas experiências diárias e, juntos, conseguem avançar alguns passos a mais por dia. Ela, chocolateira de mão cheia, se candidata a uma vaga em uma fábrica de chocolates, mas, por um mal entendido, acaba se tornando vendedora da loja, o que lhe causa certo terror. Mais terror ainda sofre o dono da fábrica de chocolates, Jean-René, que frequenta sessões regulares com seu psicólogo para vencer a timidez exacerbada que o cerca desde criança. O psicólogo passa a ele algumas tarefas que ele precisa realizar. Em uma dessas tarefas, Jean-René precisa convidar alguém pra sair e, ironia do destino, convida Angélique para jantar. É o início de muita confusão, que faz as emoções dos dois se agravar ainda mais conforme eles se apaixonam.

 
Se eu pudesse definir a história em uma palavra, só existe uma que me vem à cabeça: fofa. Sim, porque é fofo assistir aos dois descobrindo um romance inesperado de uma forma tão impulsiva e impossível, já que ambos sofrem seriamente com suas emoções não expressas. O resultado são situações cômicas inusitadas que divertem, da maneira simplista que só um filme francês consegue (vide “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, por exemplo). Isabelle Carré encarna com vigora a timidez da personagem Angélique, mas as cenas mais hilárias são mesmo as trapalhadas de Jean-René, um homem na casa dos 50 anos, totalmente confuso por estar apaixonado. Pra se ter uma ideia, o personagem carrega uma maleta com trocentas camisas para ir trocando conforme a sudorese aumenta!

Imagina isso tudo em meio a muito chocolate. Pena que essa comédia francesa não pode ser apreciada em sua totalidade, com um lançamento tão limitado no Brasil. O filme só carrega um pouco nas tintas e perde o foco em algumas situações, como se de repente o perfil dos personagens tivesse mudado. Felizmente, ele encontra o caminho de volta para os trilhos, com um lindo (e inusitado) final.

Nota: 8,5 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Missão Impossível: Protocolo Fantasma


Mission Impossible: Ghost Protocol
(EUA, 2011) De Brad Bird. Com Tom Cruise, Jeremy Renner, Paula Patton, Simon Pegg.

A série “Missão Impossível” deu sinais de que tinha perdido o fôlego. Com o terceiro filme, lançado em 2006 e dirigido por J.J. Abrahams, recém-conhecido por LOST, parecia que Ethan Hunt finalmente tinha se aposentado, assentado no casamento e encerrado a carreira de espião. Então, mas sabe como é Hollywood né, sempre a fim de ganhar uns trocos, mas como a crise criativa afetou de vez a cabeça dos roteiristas, a saída principal é ativar sequências, remakes, prequels e o que mais der para extrair de franquias de sucesso. Tom Cruise, que não é bobo nem nada, voltou para uma quarta parte, agora sob o comando de Brad Bird – sim, a mente por trás de “Os Incríveis”, da Pixar.

Nesta missão, o agente Ethan Hunt é liberto da prisão por alguns dos companheiros da IMF para que, juntos, eles possam impedir o roubo dos códigos que ativam as bombas atômicas da Rússia. Só que algo sai errado e um atentado ao Kremilin, sede do governo russo, recai nas costas de Ethan e seus parceiros, fazendo com que o governo americano feche a IMF. Hunt consegue uma única chance de reverter a situação e consertar os erros, enfrentando obstáculos como uma ladra profissional e toda a máfia russa atrás de Ethan e sua equipe.

 

Clichê? Claro. Mas não dá pra negar que a série não conseguiu perder o fôlego. Aliás, quem perde é o espectador, que vislumbra cenas de ação eletrizantes que, claro, condiz com Ethan Hunt - ou melhor, Tom Cruise. O ator, do alto dos seus 49 anos, não podia estar em melhor forma. Claro que, com o apoio do CGI, dos dublês e de todos os efeitos especiais de hoje em dia, ele conseguiu uma ajudinha. Porém, Tom Cruise é a alma do filme, tanto que não dá pra imaginar um “Missão Impossível” sem ele. 

Curiosamente, é isso mesmo que deve acontecer, já que os planos é passar o bastão a longo prazo para Jeremy Renner, novo queridinho de Hollywood, que mistura boa carga dramática de atuação com bom desempenho na ação, como foi em “Guerra ao Terror” e “Atração Perigosa” e como deve ser em “Os Vingadores”.
Brad Bird se saiu bem na sua primeira película live action, embora o roteiro tenha alguns momentos de morosidade e confusão. A trama fica complexa demais do meio pro final e o espectador pode ficar meio perdido. Mas a emoção de ter visto cada segundo das ações de Hunt por lugares como Dubai, Mumbai e Moscow valem o ingresso. Sobretudo a famigerada sequência em que ele escala o Burj Dubai, o edifício mais alto do mundo. Não recomendado para pessoas que sofrem de taquicardia.

Nota: 8,0

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Tudo Pelo Poder


 The Ides of March
(EUA, 2011) De George Clooney.  Com Ryan Goslin, George Clooney, Evan Rachel Wood, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei.

The Ides of March foi um dos primeiros a despontar como favorito já nessa iminente corrida de prêmios que assola o nosso dezembro. Diante de tantos novos títulos, perdeu um pouco a força, mas nem de longe pode ser descartado. O novo filme dirigido por George Clooney mostra os bastidores da política americana, justamente na corrida pelas eleições presidenciais americanas, talvez o evento mais importante da humanidade ultimamente. Como são feitas campanhas, estratégias, discursos, ações de marketing, ou seja, como eleger um candidato realçando o que ele tem de melhor. Mas e quando tudo isso vai por água abaixo quando aparecem meios mais fáceis de atingir seu objetivo? Todo mundo tem seu preço mesmo?

Stephen Meyers é um dos responsáveis pela campanha política do governador Mike Morris na corrida para as eleições do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos. Ele tenta fazer uma campanha justa e honesta, acreditando nos ideais do seu candidato, mesmo q use das mais variadas estratégias – sempre honestas – para conseguir seu objetivo. Porém, nem tudo é fácil, dada certa resistência dos eleitores a Morris e de alguns jogos políticos que ele tem que enfrentar para conseguir mudar o quadro das intenções de voto. Meyer também acaba se envolvendo com uma das estagiárias do comitê eleitoral e seu talento está na mira do organizador da campanha do concorrente. Além disso, ele tem que lidar com uma insistente jornalista que persiste em publicar os mais inusitados fatos dessa corrida presidencial. Porém, Meyers se vê na linha de tiro quando um fato que pode destruir a campanha de Morris vem à tona. É quando ele precisa decidir até que ponto vai a sua honra para vencer as eleições e atingir uma posição de status sonhada por todos: trabalhar com o presidente dos Estados Unidos. 


A história ajuda os não norte americanos a entender como funciona o processo eleitoral por lá e dá um panorama de toda a situação em que os Estados Unidos se encontram hoje. É um retrato da própria sociedade americana e os bastidores do poder. O cargo mais cobiçado do mundo requer uma corrida eleitoral igualmente cobiçada. Um erro e tudo pode mudar. Essas nuances foram colocadas por George Clooney de forma brilhante no filme, que o coloca como o candidato acima de qualquer suspeita, se apoiando na própria imagem de Clooney que o espectador tem.

 

Apesar de todo o elenco estrelar, que está muito bem e se complementa, o destaque do filme é mesmo Ryan Goslin que se firma como um dos melhores nomes de sua geração, acumulando mais um papel denso em sua carreira. Goslin, que se esquiva de blockbusters e filmes mais clichês, tem se apoiado em uma filmografia digna de grandes astros de Hollywood, porém ainda não é muito reconhecido por seus trabalhos. Este ano tudo pode ser diferente, ainda com mais prova de sua brilhante atuação. 

Nota: 9,0

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Gato de Botas

Puss in Boots
(EUA, 2011) De Chris Miller. Com vozes de Antonio Banderas, Salma Hayek, Zack Galifianakis, Billy Bob Thorton.

Depois que a franquia “Shrek” perdeu um pouco do fôlego, o filme do Gato de Botas, um dos coadjuvantes mais adorados, pareceu ser o caminho natural. Caminho esse que tem sido alardeado desde que o personagem surgiu na série e demorou um pouco para se tornar realidade. No entanto, “Gato de Botas” é um filme um tanto quanto esquisito. A aventura solo do personagem, que é uma espécie de prelúdio para conhecermos sua história, envolve um mix dos contos de fadas que sobraram da franquia Shrek. Muita coisa fica perdida e não se encaixa como deveria. Por isso, acredito que as crianças devem ter se divertido muito – mesmo com alguns toques mais, digamos, picantes da história – mas os adultos devem ter achado um saco ter que ouvir as peripécias do Gato com um ovo falante!

Muitos anos antes de encontrar Shrek e Burro, o adorável mas perspicaz Gato de Botas precisa limpar o seu nome de todas as acusações que fazem dele um fugitivo procurado. Enquanto tenta roubar alguns feijões mágicos dos criminosos Jack e Jill, o herói cruza o caminho da sua equivalente feminina, Kitty Patamansa, que leva o Gato ao seu velho amigo, mas agora inimigo, Humpty Dumpty, um ovo. Lembranças de amizade e traição deixam o Gato em dúvidas, mas eventualmente ele concorda em ajudar o ovo a conseguir os feijões mágicos. Juntos, os três planejam roubar os feijões, chegar até o castelo do Gigante, roubar o ganso dos ovos de ouro e limpar o nome do Gato, embora tudo isso não passe de uma cilada.


“Gato de Botas” não tem a mesma sacada original que fez de “Shrek” (melhor, “Shrek 2”) uma das melhores animações já feitas. Faltam boas piadas mais maduras. “Ah, Marcos, mas o filme é feito para crianças!”. Então se esqueceram de avisar os produtores, porque não adianta subestimar as crianças de hoje em dia com qualquer coisa mais bobinha. Sem falar da fama de mulherengo do Gato e suas ‘arrastadas de pata’ para Kitty. E aquele ovo medonho podia sumir. É um dos personagens mais grotescos ever.

No entanto, apesar da preguiça em escrever um roteiro mais decente para o personagem, “Gato de Botas” diverte. Infelizmente, é um filme esquecível, que se passa no equivalente espanhol de Tão, Tão Distante (embora ainda seja a Espanha :s). Sobra o charme do próprio Gato, que com seus mega super olhos hipnóticos, já tem uma marca registrada e consegue segurar o próprio filme nas costas.



 Nota: 7,0
Efeitos 3D: 6,0
*Indicado ao Oscar de Melhor Animação