sexta-feira, 13 de abril de 2012

“Titanic 3D” – Relançamento marca o centenário do naufrágio


Após quinze anos, estou eu sentado em uma sala de cinema para assistir “Titanic”, o megalomaníaco filme de James Cameron, a maior bilheteria do século XX – a segunda maior da história. A primeira vez eu tinha dez anos de idade e ainda não compreendia muito bem o que era o cinema, apesar de uma alegria muito grande que eu sentia quando via um filme. Antes de “Titanic”, eu só tinha ido ao cinema duas vezes, uma para ver “O Rei Leão” e outra acompanhando minha mãe na sessão de “Olha Quem Está Falando”, ou seja, com dois anos de idade.

Foi “Titanic” quem começou a despertar a paixão pelo cinema. Em 1998, eu estava cheio de adesivos, revistas, fotos do navio. Passava horas desenhando trechos do filme, como o famigerado naufrágio. Repetia diálogos, imitava cenas. E pensava comigo que James Cameron nunca mais na vida dele iria precisar fazer um filme de novo, tamanho o sucesso. 

Curiosamente, só entrei numa sala de cinema quatro anos mais tarde, em 2001, para assistir a “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e nunca mais sair da cadeira do cinema. Por isso lembro com tanta nostalgia de “Titanic”. É muito mais do que a história de amor contada com mais de 300 erros de continuidade, mais do que as 3h14min do filme, mais do que os onze oscars. “Titanic” marcou uma década. Marcou uma geração.

Há seus detratores, aqueles que não suportam olhar para Leonardo Di Caprio (que, aliás, ficou um tanto estigmatizado pelo papel). Tem aqueles que não conseguem mais ouvir “My Heart Will Go On”, como a própria Kate Winslet. A questão é que mesmo os detratores não conseguem diminuir a importância do filme para a história do cinema. Tanto é que o filme deve fazer sucesso também agora, na sua versão 3D, em ocasião do centenário do naufrágio ocorrido em 14 de abril de 1912.

Quanto à crítica, me limito a julgar os efeitos 3D da nova versão. Eles estão lá, fazem certa diferença mas ela não é gritante. Como todo filme convertido para o 3D, as mudanças são sutis, já que o filme não foi pensado para ser realizado com a técnica. Isso pode atrapalhar um pouco, uma vez que algumas pessoas ainda sentem o desconforto dos óculos 3D, ainda mais com um filme de mais de três horas. 

No mais, a história permanece a mesma e a choradeira continua garantida. Relembrar o filme quinze anos após sua estreia é manter viva a lenda do próprio navio. Muito do que conhecemos do terrível acidente foi propagado pelo filme (muitos mitos também, fato). A navegação nunca mais foi a mesma após o naufrágio do Titanic, assim como o cinema nunca mais foi o mesmo após o iceberg destruir os sonhos de amor eterno de Jack e Rose.

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Espelho, Espelho Meu


Mirror, Mirror
(EUA, 2012) De Tarsem Singh. Com Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer e Nathan Lane.

Os contos de fadas voltaram. Desde “Shrek”, um ou outro título tem aparecido pelo cinema, vide exemplares como “A Garota da Capa Vermelha”, “Encantada” e “Alice no País das Maravilhas”. A bola da vez é Branca de Neve, que chega em 2012 não com um, mas dois filmes novos. Além de “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador”, com Kristen Stewart, também estreia esse ano. Porém, algo se perde nesse exemplar do indiano Tarsem Singh. A proposta seria revitalizar o conto, mostrando uma Branca de Neve mais forte e moderna, mesmo morando em um reino de fantasia. Porém, tudo fica superficial e “Espelho, Espelho Meu” acaba se tornando um filme bobo. Aliás, aquela de quem se espera tudo, a verdadeira razão para se assistir ao filme, se perde no meio do roteiro fraco: Julia Roberts, que até convence como a Madrasta Má, mas deixa aquela sensação de que algo está faltando.

A clássica história da Branca de Neve ganha novos contornos quando a princesa, órfã de pai, sai do castelo, mesmo proibida pela Rainha e visita o reino, que acabou se empobrecendo devido aos muitos impostos cobrados para satisfazer os prazeres da Rainha. Ela, por sua vez, se vê falida e deposita suas esperanças em um possível casamento com o príncipe Alcott. Sempre na obsessão por ser a mais bela de todas, a Rainha organiza um baile para chamar a atenção do príncipe, que se apaixona mesmo por Branca de Neve. Após desafiar a Rainha, Branca escapa da morte e passa a viver com sete anões, que levam a vida cometendo crimes no reino. É com eles que Branca aprende artes marciais e se prepara para reaver o trono e derrotar a Rainha, que usa de mágica para garantir que continue sendo a mais bela.



“Espelho, Espelho Meu” é divertido e tem bons momentos, muitos dos quais sai da própria Julia Roberts, como a Rainha. Porém, em um todo, a história não comove, não convence e não empolga. Nem mesmo uma sequência à la Bollywood no final entretém, num último esforço do diretor de chamar a atenção.  A superficialidade compõe uma história fofinha, que coloca Lily Collins e Armie Hammer como os novos rostos da vez, meio que os apresentando ao mundo. A única deslocada é mesmo Julia Roberts, que tinha tudo para fazer uma vilã épica, mas entrega uma performance apenas boa.


Dá pra destacar a boa produção de figurino e alguns cenários (embora seja inevitável, em algumas partes, não lembrar da encenação de “Branca de Neve” feita no “Chapolin”). Já  as cenas de efeitos visuais deixam a desejar um pouco, mostrando que tudo é realmente artificial e construído com CGI (tá, sabemos que é um conto de fadas, mas precisa jogar na cara?).

Além das produzidas pela Madrasta Má, as melhores sacadas vêm, vejam só, do Espelho Mágico, que é o reflexo da própria Rainha, funcionando como uma espécie de consciência, que aconselha, mas acaba realizando todos os desejos dela. Feito para encantar mais as crianças (embora Julia Roberts tenha jurado que não deixaria seus filhos ver), “Espelho, Espelho Meu” é um entretenimento simples, mas que perdeu uma chance de fazer uma reinvenção decente do conto de fadas. Vamos ver se “Branca de Neve e o Caçador” terá melhor sorte.

Nota: 6,0

-Espelho, espelho meu. Existe alguém mais bem paga do que eu?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Jogos Vorazes


The Hunger Games
(EUA, 2012) De Gary Ross. Com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Woody Harrelson,  Donald Sutherland, Liam Hemsworth, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Lenny Kravitz, Alexander Ludwig, Isabelle Fuhrman e Wes Bentley.

“Jogos Vorazes” já nasceu com um peso nas costas. Todos colocam o filme, baseado no primeiro livro da trilogia de Suzanne Collins, como o sucessor natural da Saga Crepúsculo – que por sua vez, tentou ser a sucessora de Harry Potter. O problema ao comparar ambas as franquias está justamente... na comparação. Porque apesar dos elementos comuns (o triângulo amoroso, os protagonistas adolescentes, situações de perigo), “Jogos Vorazes” não lembra em nada a história dos vampiros brilhantes de Stephenie Meyer. Só pelas primeiras cenas, filmadas com um estilo ‘câmera na mão’, já presenciamos uma superioridade que se confirma na maturidade da história ao longo do filme. Com um enredo improvável, a disputa sangrenta entre adolescentes seduz justamente por seu aspecto improvável e por sua protagonista, cheia de elementos que determinam a retidão da moral, a coragem e a destreza dignos de uma heroína. Um abismo necessário que separa Katniss Everdeen da insossa Bella Swann.

Em um futuro apocalíptico, o único país restante é Panem, região onde antes ficavam os Estados Unidos e que foi dividida em doze distritos, mediante sua área de atividade econômica. Todos os anos, para manter a ordem, a Capital ordena que os distritos enviem um casal de adolescentes escolhido em um sorteio, onde eles serão oferecidos como tributos em um torneio chamado Jogos Vorazes, um espetáculo televisivo assistido por toda a Panem. Mistura de campeonato com reality show, os Jogos, no entanto, consistem na luta dos jovens entre si, até a morte, até que apenas um sobreviva. Habitante do Distrito 12, o mais pobre de todos, Katniss Everdeen não aceita a escolha de sua irmã como tributo e se voluntaria para os Jogos. Ela é a escolhida ao lado de Peeta Mellark e ambos seguem para a Capital, para serem treinados pelo bêbado Haymitch e se enfrentarem nos Jogos, onde é cada um por si.


O mérito de “Jogos Vorazes” é nunca se entregar como um filme adolescente. É claro que a simpatia destes é o objetivo, mas o filme se leva muito a sério, sobretudo quando se trata da matança de verdade. Tanto que só percebemos a crueldade dos acontecimentos quando estes são mostrados na tela, com os jovens matando uns aos outros, literalmente! Aí se vê uma verdadeira caça, onde todas as artimanhas para a eliminação do oponente são válidas. Avessa à violência, Katniss prefere a estratégia para se manter viva nos Jogos e seu caráter reto, aliado a um suposto affair com Petta, é explorado pelos produtores do jogo e mostrado no programa de TV.

A produção espetacular do filme ajuda o espectador a se situar, de fato, e perceber como Panem se transformou, mas é quando visitamos os Distritos (11, 12 e a Capital) é que temos a noção de como ficou o futuro e como é injusto controle da maioria apenas pelos mais ricos. Daí fica mais fácil se afeiçoar à Katniss Everdeen, em um papel que destaca o talento de Jeniffer Lawrence e a coloca de vez no mapa de Hollywood. Apesar de já conhecida por seus papeis em “Inverno da Alma” (indicado ao Oscar) e “X-Men: Primeira Classe”, o papel de Lawrence legitima sua posição como uma das atrizes mais requisitadas da atualidade. Assim como seu companheiro, Josh Hutcherson, que cresceu diante das câmeras.

-Será que vão gostar mais da gente que de Crepúsculo?
Talvez o maior pecado de “Jogos Vorazes” seja o de não explicar muito bem como Panem funciona, as regras do jogo e o seu próprio sistema, deixando o expectador ser jogado no meio da informação.  Essa falta de informação faz com que toda a narrativa fique sem propósito, com o objetivo apenas de mostrar os jogos violentos ao espectador (leia-se os habitantes de Panem) que os assiste com passividade (o mesmo também vale para o espectador do filme). Se essa era a intenção de Collins ao escrever o livro e roteirizado o filme, isso deveria ter ficado mais claro. No fim, Katniss leva o filme na boa e nada disso abala o resultado final.

“Jogos Vorazes” é um bom filme, com uma ótima trama e merece o sucesso que faz, muito em função de sua heroína. Porém, me preocupa o fato de que um best-seller mundial e um blockbuster sejam baseados em uma matança entre adolescentes – e que o público vibre com esse tipo de coisa por escolha própria. Quando aceitamos ver na tela o assassinato dos adolescentes, é hora de repensar as coisas, porque deve ter algo de muito errado com o mundo. Tudo bem que a trama é de ficção e que Suzanne Collins faz uma grande crítica ao sistema capitalista dos Estados Unidos e prevê o que o mundo pode se tornar no futuro. Daí a alimentar mentes adolescentes com mais violência gratuita é outra história. Bom, mesmo assim, fica o entretenimento, já que não esperamos que comecem a criar Jogos Vorazes de verdade por aí.


*Preste atenção em quantos egressos adolescentes de outros filmes retornam aqui: Alexander Ludwig (“A Montanha Enfeitiçada”), Isabelle Fuhrman (“A Órfã”), Josh Hutcherson (“Zathura”, “Viagem ao Centro da Terra”), Liam Hemsworth (“A Última Música”) e a própria Jennifer Lawrence (“X-Men: Primeira Classe”).

Nota: 8,5




segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fúria de Titãs 2


Wrath of the Titans
(EUA, 2012) De Johnathan Liebesman. Com Sam Worthington, Rosamund Pike, Ralph Fiennes, Liam Neeson, Bill Nighly, Edgar Ramirez e Danny Houston.

Quando “Fúria de Titãs” surgiu, aproveitando um certo embalo em torno de produções da mitologia e a fama repentina de Sam Worthington, a expectativa foi muito maior do que o burburinho em torno da divulgação. Acabou que o filme não foi essa ‘coca-cola toda’ e a pressa para levar o filme para o 3D acabou o deixando com um aspecto medonho. Dessa vez, sem tanta expectativa em torno da produção, “Fúria de Titãs 2” é um filme correto, mas não justifica a necessidade de uma sequência, a não ser, claro, para ganhar dinheiro.

Dessa vez, o guerreiro Perseu recebe a ingrata missão de salvar o pai, Zeus, que foi oferecido como sacrifício por Hades e Ares ao deus aprisionado Chronos, a fim de libertar o caos na Terra. Para isso, ele precisa se juntar à princesa Andrômeda e recorrer a outro filho de um deus, Agenor, filho de Poseidon. Juntos, eles precisam unir as três armas que destruíram Chronos na primeira vez: a lança de Hades, o tridente de Poseidon e o raio de Zeus, além de resgatar o todo-poderoso do Olimpo do submundo.


“Fúria de Titãs 2” segue a cartilha do original, tem piadas espalhadas por todo o filme e boas cenas de ação com efeitos especiais. O problema é que ele não empolga. Nem a forçação de barra do relacionamento de Perseu com seu pai comove, deixando tudo muito superficial, como que apenas para fazer o seu papel de “longa-metragem-com-uma-narrativa”. Liam Neeson e Ralph Fiennes, apesar de estarem repetindo papéis, estão com um desempenho um tanto vergonhoso, assim como Rosamund Pike (nunca que eu ia pensar nela como uma guerreira). Desta forma, “Fúria de Titãs 2” fica na mesma proporção do primeiro filme. Isso porque eu aprendi a lição e não vi em 3D.

Nota: 5,0

quinta-feira, 29 de março de 2012

Projeto X

Project X
(EUA, 2012) De Nima Nourizadeh. Com Thomas Mann, Oliver Cooper, Johnathan Brown, Dax Flame, Kirby Bliss Blanton.

O subtítulo do filme no Brasil já diz tudo sobre essa produção: é uma festa fora de controle. E aí você pode pensar em se tratar de mais uma pachorra, como as sequências mal estruturadas de “American Pie” ou qualquer besteirol. “Projeto X”, produzido por Todd Phillips, o mesmo de “Se Beber, Não Case”, mostra realmente uma festa sem controle, onde coisas absurdamente surreais acontecem. Literalmente. Apesar de nada muito profundo, o espectador fica boquiaberto com cada aspecto mostrado. Nem ligamos para os erros produzidos pelo estilo “mockumentary”, usando aquela câmera na mão ao estilo “Bruxa de Blair” (que parece ter virado um gênero próprio de cinema). Ou se tem adolescentes sem supervisão aprontando todas com álcool, sexo e drogas. Uma sucessão de coisas prende a atenção até que o caos mais simples se resuma... ao nada.

No aniversário de Thomas, seu amigo Costa decide aproveitar a ausência dos pais de Thomas para fazer uma superfesta. Ao lado dos amigos JB e Dax, que filma tudo o tempo todo, os quatro nerds organizam a festa e chamam todas as pessoas da escola, convencidos de que a festa mudará para sempre a reputação dos garotos. Só que tudo sai do controle e cada vez mais pessoas começam a aparecer. E aí, quanto mais gente, mais confusão. No meio da festa, Thomas precisa lidar com um sentimento por uma amiga de infância e com o distúrbio causado aos vizinhos, que ameaçam chamar a polícia. Lá pelas tantas, nem a polícia dá conta de toda a balbúrdia causada por essa festa sem limites.


A narrativa é boa e a sucessão de coisas absurdas prende o espectador, que embarca na festa junto com os garotos e sente as mais diversas reações, desde pena à vergonha alheia, passando pela euforia da diversão. O filme não tem compromisso com nada a não ser o entretenimento do espectador, que tem bons motivos para se impressionar com o filme. Por isso mesmo, está longe de ser perfeito. O estilo documentário se perde, mostrando ângulos de câmeras que nem sequer poderiam estar lá (diferente de “Poder sem Limites”, que usa a mesma técnica, mas com câmeras plausíveis). Outro furo é a completa ausência de Dax, o cinegrafista, que está lá mas não está lá, basicamente um fantasma. O final decepciona um pouco, tendo em vista tudo o que acontece no longa, mas a diversão se garante com os contextos absurdos em que a festa acontece. Todd Philips fez um “Se Beber, Não Case” para os mais jovens e consegue êxito em se comunicar com sua plateia – seja ela desvairada como os jovens do filme ou não.

Nota: 8

terça-feira, 27 de março de 2012

Curiosidades do Cinema - "Cantando na Chuva"


 

Não é todo dia que um clássico completa 60 anos. Ainda mais um clássico desses. O musical dos musicais, como é chamado por alguns. E pensar que Cantando na Chuva teve uma série de percalços em sua produção, muitos por conta do gênio impetuoso de Gene Kelly. Ao mesmo tempo, tudo parece ter valido a pena ao contemplarmos os números de dança impecáveis, a história de amor improvável entre o astro e a atriz aspirante e a homenagem ao cinema mudo, com sua transição para o falado. Cantando na Chuva se provou único ao longo dos anos e sua longevidade deverá ser eterna.

"Cantando na Chuva" (1952)
Título Original: Singin’ in the Rain
Direção: Stanley Donen
Roteiro: Adolph Green e Betty Comden
Produção: Arthur Freed e Roger Edens
Música: Lennie Hayton

- Indicado a 2 Oscars: Melhor Atriz Coadjuvante (Jean Hagen) e Melhor Trilha Sonora para um Musical;

- Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia/Musical (Donald O’ Connor). Foi ainda indicado a Melhor Filme Comédia/Musical;

- O roteiro de Cantando na Chuva foi escrito apenas após a escolha das canções que fariam parte do filme;

- A chuva que aparece no filme enquanto Gene Kelly canta "Singin'in the rain" na verdade não é apenas água, mas sim uma mistura de água com leite;

- Gene Kelly estava com febre durante as filmagens da famosa cena em que canta "Singin'in the rain";

- Algumas das roupas utilizadas em Cantando na Chuva foram utilizadas posteriormente em outro filme, Deep In My Heart, de 1954.

- Ocupa a 1ª posição da lista de 25 Maiores Musicais Americanos de Todos os Tempos, idealizada pelo American Film Institute (AFI);

- O filme traz uma questão sobre a voz de Kathy Seldon dublando Lina Lamont. No entanto, em algumas canções, Debbie Reynolds, a atriz que interpreta Kathy, foi dublada por Betty Noyes.

- Outra curiosidade: na sequência da canção “Would You”, quando a personagem Lina Lamont diz suas falas na tela, é a própria Jean Hagen que solta a voz que, ao contrário da de sua personagem, era linda. Então, na verdade, temos Jean Hagen dublando Debbie Reynolds dublando Jean Hagen! No entanto, a voz que aparece na sequência das gravações de “Would You” é novamente de Betty Noyes;

- O gênio difícil de Gene Kelly pode ser contestado em um episódio em que ele insultara Debbie Reynolds por ela não saber dançar. Foi Fred Astaire quem a ajudou em seus números. O ator/dançarino costumava rondar os estúdios e um dia encontrou Debby chorando em um piano;

- Donald O’Connor chegou a declarar que não gostou de trabalhar com Gene Kelly. Ele disse também que, nas primeiras semanas, morreu de medo de cometer algum erro e ouvir reclamações aos berros de Kelly;

- Mais uma de Debby Reynolds: a atriz só tinha 19 anos à época das filmagens e ainda morava com os pais. Como sua casa ficava longe do estúdio, ela acordava às 4 da manhã e pegava três ônibus para não se atrasar. Eventualmente, ela dormiu nos estúdios;

-Cyd Charisse teve que aprender a fumar para a sua sequência musical;

- Os negativos originais de Cantando na Chuva foram destruídos em um incêndio;

- Várias coisas do filme foram aproveitadas de filmes anteriores, desde objetos de cena e itens do figurino até as próprias canções do longa;

- Apenas duas canções foram escritas especialmente para o filme: “Moses Supposes” e “Make ‘Em Laugh”;

- Sobrou mesmo para Debbie Reynolds: depois do número de “Good Morning”, a atriz se esforçou tanto que estourou alguns vasos sanguíneos nos pés. Mesmo assim, Gene Kelly achou que alguém deveria dublar os seus passos no sapateado, então ele mesmo repetiu todos os passos de Reynolds em uma sala de gravação;

- Debby Reynolds declarou, anos mais tarde que fazer este filme as dores do parto foram as coisas mais difíceis que ela já teve que fazer;

- O’Connor se esforçou tanto na sequência de “Make ‘Em Laugh” que  ele ficou de cama por três dias, já que ele era fumante e o corpo não aguentou a exaustão. Para o seu azar, a cena teve que ser refeita, devido a um acidente com a fita;

-“Singin’ in the Rain” foi usada cinco vezes em filmes antes de Cantando na Chuva;

- Como se sabe, o filme mostra a transição do cinema mudo para o falado. Assim como Lina Lamont, muitos atores perderam a sua carreira. O ator mais notável nesse sentido foi John Gilbert, uma das inspirações para o filme. Tanto que “Singin in the Rain” foi interpretada pela primeira vez em “The Hollywood Revue of 1929”, um filme estrelado por Gilbert. No mesmo filme, o ator precisava interpretar falar que soavam ridículas no roteiro. A mesma coisa acontece com Don Lockwood, na famosa cena em que ele repete “I love you, I love you, I love you...”.

Vídeos:

quarta-feira, 21 de março de 2012

Shame

Shame
(EUA, 2011) De Steve McQueen. Com Michael Fassbender, Carey Mulligan e Nicole Beharie. 

Ao assistir a “Shame”, dá pra entender porque a Academia deixou o filme fora do Oscar. Talvez o conservadorismo exagerado em uma organização que, aparentemente, pretende se manter moderna, tenha bloqueado na premiação toda e qualquer exposição do filme, que fala sobre dependência de sexo. Uma pena, já que o filme de Steve McQueen é uma obra instigante e que permite discutir o tema da maneira correta. O longa transmite a angústia e o sofrimento do personagem de Michael Fassbender, ao apresentar o sexo por compulsão como algo degradante e repulsivo, apesar das cenas intensas e explícitas, a um passo da pornografia. O que diferencia o filme disso é a própria narrativa. Aqui, as cenas de sexo e nudez se justificam na maioria das vezes para retratar a natureza do personagem e da história.

Brandon (Fassbender) é um executivo de Nova York que mora sozinho, mas vê sua vida afetada por seu vício em sexo. O comportamento influencia na forma como ele interage com outras pessoas, seja colegas de trabalho ou o próprio chefe. O mundo de Brandon dá uma sacudida quando sua irmã, Sissy (Carey Mulligan), aparece em seu apartamento sem aviso prévio (apesar das insistentes ligações telefônicas dela para avisá-lo). Sissy é deslocada e também tem seus distúrbios e isso mexe ainda mais com Brandon, que vê o seu vício se complicando à medida que os sentimentos e confusões mentais se afloram.


 A cada nova cena, desbravamos um pouco do universo de Brandon e sua irmã. Várias passagens são icônicas e captam com exatidão a angústia dos personagens, como a cena em que a personagem de Carey Mulligan canta “New York, New York” em um bar. A relação de Brandon com ela, a cidade e consigo mesmo estão estampados no olhar de Michael Fassbender, que entregou sua melhor atuação até o momento e mostra porque é o ator requisitado que se tornou nos últimos anos. Por conta de seu problema, Brandon se torna incapaz de se relacionar profundamente com outras pessoas, acumula pornografia no computador da empresa, se envolve com diversos parceiros e é fechado para a própria irmã. Toda essa gama de sentimentos complexos é expressa já na cena inicial, que mostra Fassbender deitado, na cama, olhando para o vazio enquanto a câmera o filma de cima. 

A trilha sonora de Harry Escott, marcante e melancólica, dá o tom perfeito para o incômodo natural do espectador ao ver uma cena de sexo e perceber a tortura interna do personagem. A trilha, associada ao roteiro de McQueen e Abi Morgan, e à atuação brilhante de Fassbender criam uma atmosfera única que consegue trazer a reflexão sobre um tema tabu ainda no século XXI e fazer com que o mais natural dos instintos humanos (o sexo) se torne uma experiência tão prazerosa e, ao mesmo tempo, degradante.

Nota: 9,0