terça-feira, 22 de maio de 2012

Paraísos Artificiais

 Paraísos Artificiais
(Brasil, 2012). De Marcos Prado. Com Nathália Dill, Luca Bianchi, Lívia de Bueno, César Cardadeiro, Bernardo Melo Barreto.

De tudo que pode ter sido feito no Brasil recente, “Paraísos Artificiais” é, no mínimo, original. A história foge de tramas convencionais comuns no nosso cinema e envereda pelo mundo das raves, das drogas e de uma juventude confusa e perdida, situação cada vez mais frequente na nossa sociedade. No entanto, o filme peca ao perder a originalidade em certo ponto e cair no clichê da história de amor bobinha, sobretudo quando tal história é sustentada por personagens vazios e sem objetivo na vida a não ser “zoar”, curtir o momento, viver a vida enquanto se está vivo. Aqui, acabo por colocar um tom pessoal na crítica do filme – coisa que raramente faço. Para quem veio de uma realidade um tanto quanto diferente da mostrada do filme, é difícil conceber que existam tantos filhinhos de mamãe e papai, que não gastam um centavo do próprio dinheiro (uma vez que ele não existe) e caem no mundo atrás da onda perfeita, participando de festas Brasil afora, a ponto de não ter um pingo de responsabilidade com a própria vida ou futuro. E se o filme nos obriga a entrar em contato com esse mundo, onde ir para Amsterdã “dar uma volta” é comum, é de se envergonhar que um filme insista em apresentar esse mundo, sem um pingo de crítica social. Mas eu divaguei. Sobre o quê é o filme mesmo?


Nando acaba de sair da cadeia e retorna ao convívio da família, um pouco destruída após a prisão dele e da morte do pai. Com seu retorno, ele começa a relembrar o passado, como a viagem para Amsterdã que proporcionou o encontro com Érika, uma DJ brasileira em turnê pela Europa. Lá, Érika sabe que já viu Nando anteriormente, mas o rapaz não se recorda. É quando entramos em um flashback, que mostram eventos de quatro anos antes, quando Érika ainda era uma DJ iniciante tocando em uma rave brasileira numa praia nordestina e apaixonada por Lara, sua amante e melhor amiga. Nando está na mesma festa, regada a bebidas, drogas, música eletrônica e meditação. O destino de Érika, Nando e Lara muda com essa festa, provocando uma série de eventos que nenhum dos três jamais imaginara.

Bem filmado e montado, com uma trilha sonora baseada na música eletrônica que embala bem a trama, “Paraísos Artificiais” impacta o espectador com a história dos protagonistas, mas esquece de aprofundar a história e o caráter dos personagens. Do elenco, Nathália Dill se destaca como a perturbada Érika, despindo-se de qualquer pudor para encarnar as cenas mais picantes exigidas pelo roteiro. Sim, há nudez mas ela não é gratuita, um dos pontos positivos do filme. O problema é a própria personagem, a desconjuntada Érika, que se aventura por drogas alucinógenas e se perde nos próprios pesadelos, que mais confundem do que ajudam o espectador. 

Filme de estreia do produtor Marcos Prado, parceiro de José Padilha em filmes como “Ônibus 174” e “Tropa de Elite”, “Paraísos Artificiais” dá o seu recado de forma eficiente, mostrando de forma incisiva as consequências de se deixar levar pelo dinheiro fácil e pelas drogas. Porém, ao romantizar a história, o sentido se perde fazendo com que a trama termine sem um desfecho apropriado.


Nota: 6,5


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Battleship - A Batalha dos Mares


Battleship
(EUA, 2012) De Peter Berg. Com Taylor Kitsch, Liam Neeson, Alexander Skarsgaard, Rihanna e Brooklyn Decker.

Quando “Transformers” foi realizado, estava aberto um novo gênero no cinema: filmes sobre brinquedos. É claro que eles sempre existiram, de uma forma ou de outra. Tá aí os zilhões de filmes da Barbie, do Max Steel e afins, assim como a franquia Piratas do Caribe e os filmes baseados em videogame. Porém, capitaneados pela Hasbro, a empresa americana de brinquedos, os filmes dos Transformers realmente provaram que tudo era possível, pelo menos no que diz respeito aos efeitos especiais para tornar os brinquedos realidade. Seguindo os robôs-alienígenas vieram os Comandos em Ação ou simplesmente “G.I. Joe – A Origem de Cobra”. Daí nem é surpresa que “Battleship” tenha saído, enfim, do papel, levando para as telas um dos jogos mais populares da história, o Batalha Naval (sim, aquela plataforma separada ao meio por uma coluna onde você tentava afundar os navios do adversário!). A tendência pode soar estranha ou interessante, depende do gosto do freguês, mas até agora tem se mostrado uma má ideia. Ao misturar os brinquedos com uma narrativa, os produtores criam histórias fracas e sem qualquer apelo mais profundo do que simples explosões. Foi assim com os três “Transformers” e se repete agora em “Battleship”.

-Sei não. Acho que B5 é um tiro n'água, mas no H2 tem um cruzador.

O tenente da Marinha, Alex Hopper, precisa provar seu valor a bordo de um treinamento num encouraçado, que pode ser o último caso não mostre que realmente tem potencial. Seu irmão, Stone, um comandante no mesmo pelotão, faz de tudo para encorajá-lo. Alex precisa criar coragem ainda para pedir a mão da namorada, Sam, em casamento para o pai dela, o almirante Shane, o mais alto comandante de seu pelotão.  O que ele não contava é que uma invasão alienígena iria mudar o destino das coisas, atacando primeiro no mar, exatamente no meio do treinamento. Sem querer, Alex se vê no meio de uma batalha ao lado de seus companheiros e com o destino da Terra nas suas mãos.

 

“Battleship” não é um filme ruim. Ele se arrasta bem chato no começo, tentando dar um propósito heroico para Alex Hopper, mas a história clichê não anima nem empolga. A esse ponto, o público quer mesmo é ver Rihanna explodindo coisas e um roteiro com um mínimo de integridade. É essa segunda parte que falta porque, veja só, Rihanna está muito bem como a oficial Raikes, aquele tipo de soldado mais engraçadinho, supercompetente, que sempre está do lado do herói principal, só que agora é uma mulher.

Como protagonista, Taylor Kitsch tenta, mas não consegue emplacar um mocinho decente. Apesar do rosto bonito e de ter participado de produções como “X-Men Origens: Wolverine” e “John Carter”, seu desempenho ainda é bem fraco. Já Liam Neeson e Alexander Skarsgaard (o vampiro Eric, de “True Blood”) são coadjuvantes de luxo e seus personagens não são tão explorados na trama.

Explosões têm de sobra, os efeitos são bacanas, tanto os visuais quanto os sonoros. Apesar disso, tudo é simplesmente jogado na tela, embora haja uma tentativa de explicar quem são os ETs e de onde eles vêm (já o que eles querem, nunca saberemos). No fim, a conclusão é a mais improvável possível, com uma mensagem bonitinha e cafona. É um bom entretenimento e no fim das contas até faz jus ao jogo original: explodir e afundar navios (com direito a um momento Titanic).  Fica também um aviso: a Hasbro ainda quer emplacar mais filmes de jogos, como os do Banco Imobiliário, War, Detetive e da Tábua Ouija. Que os mares nos protejam.

Nota: 6

-Boom!

PS: Só lembrando que Batalha Naval  pode ser isso:


ou isso:


ou isso:

-Playstation! Playstation!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sete Dias com Marilyn


My Week With Marilyn
(EUA, UK/2011). De Simon Curtis. Com Michelle Williams, Kenneth Branagh, Eddie Redmayne, Emma Watson, Julia Ormond, Dominic Cooper e Judi Dench.

Quando Sir Lawrence Olivier finalizou as finlmagens de “O Príncipe Encantado”, primeiro e único filme de Marilyn Monroe fora dos Estados Unidos, ele ficou tão aborrecido com o jeito e a forma de atuar da atriz, que se afastou um bom tempo da direção de filmes. Aparentemente, a forma de trabalhar de um grande deus britânico  da atuação não combinava com a forma suave e provocante de uma estrela hollywoodiana. Pelo sim ou pelo não, a relação dos dois não afetou Lawrence, que não deixou de ser quem é, mas Marilyn cresceu. Cresceu tanto que não cabia em si. Era outra. Uma personagem em tempo real, full time, ativa 24 horas do dia. Tanto que assusta vermos um deslumbre da Marilyn real em “Sete Dias com Marilyn”, que conta como o assistente de direção Colin Clark se envolve com a musa loira durante as filmagens de “O Príncipe Encantado”.


O filme foi o primeiro bancado pela produtora de Marilyn Monroe e, talvez por isso, Lawrence Olivier tenha aguentado toda a pressão. No filme vemos uma pessoa insegura com o modo duro e sem mobilidade do estilo de atuação britânico, alguém que duvida da sua capacidade diante da adversidade imposta por uma grande figura do cinema/teatro. Marilyn Monroe era, antes de tudo, uma pessoa frágil que precisava mostrar todo o vigor necessário para uma estrela de cinema. Seu relacionamento com Colin Clark, o protagonista da história que se vê confuso entre a passageira história de amor com a atriz e a possibilidade real de namorar a figurinista do filme – só denota o quanto ela precisava de atenção exclusiva. Tudo que sentia falta era ser amada pelo que ela era, e não pelo que Marilyn representava.

Da mesma forma, Colin ( e todos os homens ao redor dela, incluindo Olivier) se deixam levar pelo seu encantamento que hipnotizava. Não à toa, Marilyn Monroe se tornou um dos maiores ícones da história do cinema. Toda essa pressão resultou na morte precoce da atriz, aos 33 anos.

O filme de Simon Curtis recria o universo dos sets de filmagens, com toda a austeridade de Olivier e traduz a verdadeira atmosfera da época, desde o fascínio pela indústria ao culto às celebridades. Michelle Williams, mesmo não parecida fisicamente, expõe Marilyn da cabeça aos pés, em uma atuação assombrosa que lhe rendeu a indicação ao Oscar esse ano. Ela consegue transparecer as várias faces da diva, desde a poderosa presença da atriz em um palácio britânico à melancolia profunda por ter sido abandonada pelo marido em um país desconhecido.

Kenneth Brannagh como Sir Lawrence Olivier personifica o verdadeiro lorde inglês em seu desempenho. Sua atuação também lhe rendeu uma indicação ao Oscar na categoria Ator Coadjuvante.  Vale lembrar que os dois atores interpretaram Hamlet no cinema, então já tem traços de atuação em comum, o que facilitou ainda mais a caracterização de Brannagh, que provavelmente cresceu admirando os papeis de Sir Lawrence no cinema.

Após os fatos apresentados em “Sete Dias Com Marilyn”, baseado no livro homônimo escrito pelo próprio Colin Clark, Marilyn Monroe estrelou “Quanto Mais Quente Melhor”, considerada uma das melhores comédias de todos os tempos. Antes disso, ela já era uma estrela completa após os filmes “O Pecado Mora ao Lado” e “Os Homens Preferem as Loiras”. Se pudéssemos resumir o filme (tarefa impossível) em uma frase, uso uma dita no próprio filme. “Lawrence Olivier era um grande ator tentando ser uma estrela de cinema. Marilyn era uma grande estrela de cinema tentando se tornar uma grande atriz”. Porém, ela não precisava treinar, já que era seu charme natural a principal arma de sua atuação.

Nota: 9,5


 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Para entender "Os Vingadores"

 Vale a pena conferir os outros filmes da franquia Marvel que deram origem ao fenômeno "Os Vingadores", que acaba de estrear por aqui. Clique nas imagens:

  



 E não deixe de conferir a crítica de "Os Vingadores":



Os Vingadores - The Avengers

The Avengers
(EUA, 2012) De Joss Whedon. Com Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Gwyneth Paltrow, Stellan Skarsgaard, Clark Gregg, Cobie Smulders e Samuel L. Jackson.

Com a reunião de tantos heróis juntos em um mesmo filme, de uma forma que fique coerente, uma coisa é certa: não importa o final de “Os Vingadores”, quem ganha são os nerds. Filmes de super-heróis já estão presentes nas nossas vidas há tanto tempo, mas nenhum atingiu um grau de espera tão grande. Nem mesmo “Batman – O Cavaleiro das Trevas” gerou tanto estardalhaço (a não ser talvez por causa da morte precoce de Heath Ledger). Com “Os Vingadores”, a Marvel se declara como autoridade máxima no quesito “filme de quadrinhos”, dando um banho na DC Comics. E mais: nada é mais simbólico para a cultura nerd do que uma HQ. Essa qualidade vista nos gibis chegou ao cinema de forma magistral, reunindo diversas estrelas de muito gabarito com roteiristas competentes e um diretor de mão cheia, Joss Whedon. 


Quando Loki consegue invadir a S.H.I.E.L.D. e roubar o Tessaract, uma fonte de energia tão poderosa que é capaz de abrir um portal entre as dimensões, o agente Nick Fury planeja em reunir os maiores heróis da terra para o projeto Avengers. Para isso, ele recruta os agentes Coulson e Natasha Romanoff (a Viúva Negra) para ir atrás das pessoas. Assim, Bruce Banner e Tony Stark (Hulk e Homem de Ferro, respectivamente) terão que unir forças com Steve Rogers – o Capitão América – para deter o plano de Loki: abrir o portal e liberar a entrada de criaturas que planejam dominar e governar a Terra. Para deter o irmão, Thor retorna de Asgard e se une aos heróis, que precisam salvar Nova York (e a Terra), além de resgatar o Gavião Arqueiro e o dr. Selvig, ambos sob o poder de Loki.



“Os Vingadores” consegue a proeza de unir todos os heróis sem desfalcar nenhum deles. Todos aparecem em equilíbrio, embora haja uma tendência natural de puxar uma sardinha a mais para o Homem de Ferro, o start da franquia. Assim também parece ser o relacionamento das estrelas na tela, atores acostumados a serem protagonistas de suas próprias franquias.  O entrosamento dos atores, refletindo o espírito Marvel presente há tantos anos nos gibis, é fundamental para que o time de “Os Vingadores” transmita credibilidade. Tantos nomes bons e nenhum se sobressai, a não ser a própria marca dos Vingadores. 

Os efeitos visuais são um espetáculo a parte, realmente dignos da espera dos fãs. Claro que a mais visível peça de efeitos visuais, o Hulk, ganha mais destaque, com um personagem realista, interpretado por captura de movimentos pelo próprio Mark Ruffalo. Aliás, o Incrível Hulk é um destaque a parte no filme, garantindo ótimos momentos, seja na pancadaria fazendo o que sabe ffazer melhor, esmagando coisas, seja em momentos hilários.


O humor é inevitavelmente presente em todo o filme, o que faz com que a diversão ao se assistir “Os Vingadores” seja muito maior. Acredito que, no fundo, além do respeito por tudo o que esses heróis representam na cultura pop atual, o entretenimento é levado muito a sério. Afinal, “Os Vingadores” provavelmente será a maior bilheteria do ano. E, ao contrário do que muitos possam pensar, os heróis não se anulam (nem os vilões), mas se complementam a dar a passagem para o outro, mostrando que nada é melhor do que um trabalho de equipe bem arquitetado, quando um sabe levar em consideração o talento que o outro tem. 

Nota: 9,0
Efeitos IMAX-3D: 10





terça-feira, 24 de abril de 2012

American Pie - O Reencontro


American Reunion
(EUA, 2012) De John Hurwitz e Hayden Schlossberg. Com Jason Biggs, Eugene Levy, Sean William Scott, Alysson Hannigan, Tara Reid, Mena Suvari, Chris Klein, Thomas Ian Nicholas, Eddie Kay Thomas, John Cho e Jennifer Coolidge.

Lançado em 1999, “American Pie – A Primeira Vez é Inesquecível” pode ser considerado um dos maiores filmes de seu gênero – o besteirol. O filme tem seus detratores e defensores, mas é fato que ele retrata muito bem os adolescentes dos anos 1990. As dúvidas, as descobertas, os hormônios em alta, as aventuras escolares, várias características ficaram marcadas com a turma que é vista no filme. Eis que treze anos – e oito filmes depois – a franquia retorna com seu elenco original, trazendo a galera do primeiro filme reunida. É verdade que depois de “American Pie 3 – O Casamento”, a série descambetou para uma vertente mais apelativa, com adolescentes mais ‘babacas’ e várias desculpas para mulheres seminuas desfilarem.  É verdade também que a série abriu caminhos novos para os atores. Jason Biggs trabalhou com Woody Allen e Mena Suvari é a peça chave do vencedor do Oscar “Beleza Americana”. Sean William Scott também apareceu em vários títulos. Mas é por “American Pie” que todo o elenco ficará eternamente marcado. “O reencontro” está aí pra provar.

Treze anos depois de se formar, Jim e Michelle retornam à sua cidade natal para o encontro dos formandos de 1999. Jim irá reencontrar os amigos Finch, Oz e Kevin, cada um com uma vida diferente, agora que são adultos. De todos, Stifler é o único que parece não ter crescido nem um pouco. Porém, o reencontro da turma irá mexer muito mais com os amigos. Jim e Michelle terão que repensar sua vida conjugal; Oz (que agora é apresentador de TV e celebridade) reencontra sua paixão de escola, Heather, mas ambos estão em outros compromissos; Mesmo caso de Kevin, agora casado, que reencontra Vicky e fica balançado; Finch é o único que parece ter tido uma vida de aventuras pelo mundo, enquanto Stifler não consegue entender os problemas da vida adulta.


“American Pie – O Reencontro” é mais uma ode à franquia original, com situações típicas da série e muitas piadas envolvendo sexo, azaração e diversão. Como homenagem, o filme funciona muito bem já que a franquia é marco de uma geração, como já foi dito aqui. Sendo assim, “O Reencontro” faz rir do começo ao fim. Muito disso se deve ao desempenho dos atores, muito confortáveis em seus papeis, uma vez que praticamente nasceram para interpretá-los.

As situações também são engraçadas quando colocam em um confronto os agora adultos Jim, Kevin, Oz, Finch e Stifler contra os adolescentes de hoje em dia, fãs de Justin Bieber e típicos da geração Facebook (coisa que não existia em 1999). Daí é interessante perceber como as relações pessoais e certas situações são diferentes com apenas 13 anos de distância. Um exemplo é quando Stifler para em uma casa, numa determinada cena, e pede para usar o telefone, já que eles passam por uma emergência. A resposta do dono da casa é clara e natural: “Nenhum de vocês não tem celulares?”.

No todo, é interessante vermos como essa turma ficou depois de adulta. Uma verdadeira homenagem à franquia original (que não inclui “Tocando a Maior Zona”, “O Último Stifler Virgem”, “Caindo em Tentação” e “O Livro do Amor” – todos lançados diretamente em home vídeo). Goste ou não do gênero besteirol, o filme está aí como retrato de uma geração que, apesar de tudo, cresceu junto com a galera de “American Pie”.

Nota: 8,0


quinta-feira, 19 de abril de 2012

À Toda Prova


 Haywire
(EUA, 2011) De Steven Soderbergh. Com Gina Carano, Channing Tatum, Ewan McGregor, Michael Fassbender, Michael Douglas, Antonio Banderas e Bill Paxton.

Nos últimos anos, Steven Soderbergh ficou conhecido por uma característica: filmar com um elenco repleto de estrelas. Basta olhar para a trilogia Ocean, “Traffic”, “Contágio”, “O Desinformante”, entre outros.  Outra característica, essa mais recente, é a de colocar atrizes inusitadas em seus filmes. Primeiro foi a atriz pornô Sasha Grey para fazer uma prostituta em “Confissões de Uma Garota de Programa”. Agora, é a vez da lutadora de MMA, a onda do momento não só no Brasil, Gina Carano. Gina interpreta uma espiã muito versada em artes marciais. O estilo contribui para dar mais veracidade à personagem, já que as lutas vistas na tela são protagonizadas mesmo por ela. Mas isso não significa que só as lutas salvam o filme do marasmo. Na verdade, a história soa meio confusa do começo até o final e nem o pretensioso desfecho surpreendente consegue um fôlego maior.

Mallory é uma ex-agente governamental que está sendo procurada após um plano dar errado. Um refém recém salvo por ela aparece morto e ela é considerada culpada. Logo ela corre por várias partes do mundo para provar a sua inocência, mas se vê no meio de uma trama muito mais complicada, que irá envolver muito mais pessoas poderosas do que ela imagina. Seu único refúgio é o pai, mas ela teme por sua segurança. Mallory terá que resolver sozinha todos os seus contratempos à base de muita pancadaria, socos e pontapés, mas nem imagina quem pode estar por trás da armadilha.


O elenco multiestelar e a presença da lutadora, que é até uma boa atriz, são os elementos que salvam o filme. A trama não é original e repete vários elementos clichês do cinema de ação, como carros em alta velocidade, tiroteio, cenas na penumbra, jogo de sombras e muitas lutas (essas sim, muito boas e de prender a atenção). Steven Soderbergh entregou mais do mesmo e, diferente de “Confissões de Uma Garota de Programa”, a estratégia com a atriz principal não funciona da maneira como ele deve ter pensado.

Nota: 6,0