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quarta-feira, 21 de março de 2012

Shame

Shame
(EUA, 2011) De Steve McQueen. Com Michael Fassbender, Carey Mulligan e Nicole Beharie. 

Ao assistir a “Shame”, dá pra entender porque a Academia deixou o filme fora do Oscar. Talvez o conservadorismo exagerado em uma organização que, aparentemente, pretende se manter moderna, tenha bloqueado na premiação toda e qualquer exposição do filme, que fala sobre dependência de sexo. Uma pena, já que o filme de Steve McQueen é uma obra instigante e que permite discutir o tema da maneira correta. O longa transmite a angústia e o sofrimento do personagem de Michael Fassbender, ao apresentar o sexo por compulsão como algo degradante e repulsivo, apesar das cenas intensas e explícitas, a um passo da pornografia. O que diferencia o filme disso é a própria narrativa. Aqui, as cenas de sexo e nudez se justificam na maioria das vezes para retratar a natureza do personagem e da história.

Brandon (Fassbender) é um executivo de Nova York que mora sozinho, mas vê sua vida afetada por seu vício em sexo. O comportamento influencia na forma como ele interage com outras pessoas, seja colegas de trabalho ou o próprio chefe. O mundo de Brandon dá uma sacudida quando sua irmã, Sissy (Carey Mulligan), aparece em seu apartamento sem aviso prévio (apesar das insistentes ligações telefônicas dela para avisá-lo). Sissy é deslocada e também tem seus distúrbios e isso mexe ainda mais com Brandon, que vê o seu vício se complicando à medida que os sentimentos e confusões mentais se afloram.


 A cada nova cena, desbravamos um pouco do universo de Brandon e sua irmã. Várias passagens são icônicas e captam com exatidão a angústia dos personagens, como a cena em que a personagem de Carey Mulligan canta “New York, New York” em um bar. A relação de Brandon com ela, a cidade e consigo mesmo estão estampados no olhar de Michael Fassbender, que entregou sua melhor atuação até o momento e mostra porque é o ator requisitado que se tornou nos últimos anos. Por conta de seu problema, Brandon se torna incapaz de se relacionar profundamente com outras pessoas, acumula pornografia no computador da empresa, se envolve com diversos parceiros e é fechado para a própria irmã. Toda essa gama de sentimentos complexos é expressa já na cena inicial, que mostra Fassbender deitado, na cama, olhando para o vazio enquanto a câmera o filma de cima. 

A trilha sonora de Harry Escott, marcante e melancólica, dá o tom perfeito para o incômodo natural do espectador ao ver uma cena de sexo e perceber a tortura interna do personagem. A trilha, associada ao roteiro de McQueen e Abi Morgan, e à atuação brilhante de Fassbender criam uma atmosfera única que consegue trazer a reflexão sobre um tema tabu ainda no século XXI e fazer com que o mais natural dos instintos humanos (o sexo) se torne uma experiência tão prazerosa e, ao mesmo tempo, degradante.

Nota: 9,0

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Educação

An Education
(UK, 2009). De Lone Scherfig. Com Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Rosamund Pike, Dominic Cooper, Alfred Molina, Olivia Williams e Emma Thompson.

Ah como é bom tirar o atraso cinematográfico. O que eu perdi semana passada não indo assistir às estreias da semana (#vergonha), ganhei na sessão dupla da última sexta-feira. Logo após assistir a "Preciosa" fui assistir ao inglês "Educação". E não poderia me dizer mais encantado com a aura do filme. O roteiro é muito, mas muito simples e acho que é isso que conquista quem está assistindo. "Educação" é de uma leveza tão poucas vezes vistas que faz você querer mais. A história do amor "proibido pero no mucho" entre uma menina de 17 anos e um homem mais velho não chega a ser totalmente escandalizadora, como se promete o trailer ou a sinopse. Mas é o que vem depois disso que chama a atenção.

Em meados dos anos 1960, Jenny é uma menina que está cursando o último ano do colegial e se prepara para os exames que devem levá-la para a Universidade de Oxford, para estudar inglês. Para conseguir esse objetivo, ela acarreta o maior número de atividades possiveis, o que pode fazer com que seu currículo seja excepcional, além das boas notas exigidas pelo pai. Um dia, Jenny aceita carona de um estranho, David, que é charmoso, interessante e despojado - ou seja, tudo o que pode atrair uma adolescente.O romance que surge a partir daí é óbvio, e nem chega a ser o principal do filme e sim como as atitudes das pessoas ao redor de Jenny vai mudando conforme seu relacionamento com David fica mais sério. Os dois passam a frequentar casas de jazz, galerias de arte, bons restaurantes. Até o pai de Jenny muda de atitude quando vê que David é um bom homem - o que na verdade ele não é. Quando Jenny percebe que, no fim das contas, ela pode acabar igual à sua mãe, uma dona-de-casa, ela começa se perguntar se é mesmo necessário toda a boa educação.

Com um enredo mais complicado do que se imagina de cara, "Educação" trata mais do moralismo de uma sociedade conservadora, que ecoa até os dias de hoje. Claro que a história de amor entre Jenny e David é o fio condutor de tudo, mas até para os amigos de David, despojados e vividos, a moral tem suas regras. Com roteiro de Nick Hornby (escritor de "Um Grande Garoto"), a diretora Lone Scherfig faz com que cada segundo do filme seja atraente para o espectador que acompanha cada ato inconsequente e rebelde de Jenny como sendo seu próprio.

Jenny. Sim, Jenny. Não haveria filme se não fosse pela atuação deliciosa de Carey Mulligan. A atriz indicada - merecidamente - ao oscar esse ano fez por merecer a honra. Peter Sarsgaard também parece ser o cara certo na película certa. Mas é Mulligan quem rouba cada detalhe, cada cena, tudo é sobre ela, tudo é sobre Jenny, então estranharia se a atriz não encarnasse o personagem. Carey Mulligan vai crescer e muito daqui pra frente, não à toa a atriz foi escolhida uma das promessas do ano pela Vanity Fair (no polêmico ensaio das garotas brancas e bonitas que deixaram de fora Gabourey Sidibe). Ah, se esse não fosse o ano da Sandra Bullock...

Nota; 9,0

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Daily Oscar - Carey Mulligan



Carey Mulligan é um dos rostos novos que invadiram o cinema - e o Oscar - na edição 2010 do prêmio. Assim como Gabourey Sidibe, Jeremy Renner e até Christoph Waltz, digamos, a jovem conseguiu um feito notável em um dos seus primeiros papeis de destaque... mas peraí, primeiros? Não, não! Carey Mulligan já tem um currículo considerável, desde que estreou no cinema em "Orgulho e Preconceito".

A britânica de 24 anos já atuou em vários papeis no teatro e na TV, incluindo uma participação na série "Doctor Who?", mas começou a chamar a atenção mesmo no filme "Quando Você Viu o Seu Pai Pela Última Vez?". Fez uma participação também em "Inimigos Públicos" e em "Entre Irmãos", mas com "Educação", filme indicado também ao Oscar na categoria principal, ela teve a oportunidade de ouro que toda atriz em início de carreira anseia. Mulligan é a protagonista do filme escrito por um dos roteiristas mais aclamados dos últimos temos na Grã-Bretanha, Nick Hornby ("Um Grande Garoto").

Mesmo que não leve o Oscar, o que é bem provável, a atriz já está com a vida ganha. Já tem projetos até 2012 e está na sequência de "Wall Street", "Money Never Sleeps", como a filha do magnata Gordon Gekko (Michael Douglas). Ela também está cotada para substituir ninguém menos do que Audrey Hepburn na refilmagem de "My Fair Lady".

Não deve demorar muito para Mulligan alcançar o status de grande estrela. Um Oscar ajudaria muito né? Mas enquanto não chega lá, ela vai trabalhar muito nos próximos anos. Já foi até apontada pela Vanity Fair como uma das promessas para o futuro no cinema. Boa Sorte para Mulligan. Boa Sorte para Educação.