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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Battleship - A Batalha dos Mares


Battleship
(EUA, 2012) De Peter Berg. Com Taylor Kitsch, Liam Neeson, Alexander Skarsgaard, Rihanna e Brooklyn Decker.

Quando “Transformers” foi realizado, estava aberto um novo gênero no cinema: filmes sobre brinquedos. É claro que eles sempre existiram, de uma forma ou de outra. Tá aí os zilhões de filmes da Barbie, do Max Steel e afins, assim como a franquia Piratas do Caribe e os filmes baseados em videogame. Porém, capitaneados pela Hasbro, a empresa americana de brinquedos, os filmes dos Transformers realmente provaram que tudo era possível, pelo menos no que diz respeito aos efeitos especiais para tornar os brinquedos realidade. Seguindo os robôs-alienígenas vieram os Comandos em Ação ou simplesmente “G.I. Joe – A Origem de Cobra”. Daí nem é surpresa que “Battleship” tenha saído, enfim, do papel, levando para as telas um dos jogos mais populares da história, o Batalha Naval (sim, aquela plataforma separada ao meio por uma coluna onde você tentava afundar os navios do adversário!). A tendência pode soar estranha ou interessante, depende do gosto do freguês, mas até agora tem se mostrado uma má ideia. Ao misturar os brinquedos com uma narrativa, os produtores criam histórias fracas e sem qualquer apelo mais profundo do que simples explosões. Foi assim com os três “Transformers” e se repete agora em “Battleship”.

-Sei não. Acho que B5 é um tiro n'água, mas no H2 tem um cruzador.

O tenente da Marinha, Alex Hopper, precisa provar seu valor a bordo de um treinamento num encouraçado, que pode ser o último caso não mostre que realmente tem potencial. Seu irmão, Stone, um comandante no mesmo pelotão, faz de tudo para encorajá-lo. Alex precisa criar coragem ainda para pedir a mão da namorada, Sam, em casamento para o pai dela, o almirante Shane, o mais alto comandante de seu pelotão.  O que ele não contava é que uma invasão alienígena iria mudar o destino das coisas, atacando primeiro no mar, exatamente no meio do treinamento. Sem querer, Alex se vê no meio de uma batalha ao lado de seus companheiros e com o destino da Terra nas suas mãos.

 

“Battleship” não é um filme ruim. Ele se arrasta bem chato no começo, tentando dar um propósito heroico para Alex Hopper, mas a história clichê não anima nem empolga. A esse ponto, o público quer mesmo é ver Rihanna explodindo coisas e um roteiro com um mínimo de integridade. É essa segunda parte que falta porque, veja só, Rihanna está muito bem como a oficial Raikes, aquele tipo de soldado mais engraçadinho, supercompetente, que sempre está do lado do herói principal, só que agora é uma mulher.

Como protagonista, Taylor Kitsch tenta, mas não consegue emplacar um mocinho decente. Apesar do rosto bonito e de ter participado de produções como “X-Men Origens: Wolverine” e “John Carter”, seu desempenho ainda é bem fraco. Já Liam Neeson e Alexander Skarsgaard (o vampiro Eric, de “True Blood”) são coadjuvantes de luxo e seus personagens não são tão explorados na trama.

Explosões têm de sobra, os efeitos são bacanas, tanto os visuais quanto os sonoros. Apesar disso, tudo é simplesmente jogado na tela, embora haja uma tentativa de explicar quem são os ETs e de onde eles vêm (já o que eles querem, nunca saberemos). No fim, a conclusão é a mais improvável possível, com uma mensagem bonitinha e cafona. É um bom entretenimento e no fim das contas até faz jus ao jogo original: explodir e afundar navios (com direito a um momento Titanic).  Fica também um aviso: a Hasbro ainda quer emplacar mais filmes de jogos, como os do Banco Imobiliário, War, Detetive e da Tábua Ouija. Que os mares nos protejam.

Nota: 6

-Boom!

PS: Só lembrando que Batalha Naval  pode ser isso:


ou isso:


ou isso:

-Playstation! Playstation!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Guerra ao Terror

The Hurt Locker (EUA, 2008)
De Katherine Bigelow. Com Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty e participações de Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse e Evangeline Lilly.

Todos aguardaram ansiosamente a chegada de "Guerra ao Terror" ao Brasil. Vamos então por partes da trajetória: em 4 de setembro de 2008 (sim, dois mil e OITO), o filme foi escrito e exibido no Festival de Veneza, onde a diretora chegou a ser nomeada para o Leão de Ouro; Dias depois foi a vez do Festival de Toronto. Após tres festivais nos Estados Unidos,já em 2009 o filme é lançado diretamente e discretamente em DVD no Brasil, em 15 de abril. Ninguém viu, é claro, a não ser os muito fanáticos. 26 de junho de 2009: o filme é lançado em salas limitadas nos Estados Unidos. Pronto, estrago feito. "Guerra ao Terror" se tornou um dos filmes mais comentados do ano, nos níveis de burburinho de "Avatar". O que um filme pequeno, de baixo orçamento, de uma diretora quase desconhecida e sobre a guerra no Iraque tem de tão especial?

Em plena Guerra do Iraque, os soldados americanos nunca sabem o que podem encontrar no meio do caminho. É por isso que a base americana do exército mantém equipes antibombas especialmente para caso eles encontrem uma mina terrestre ou uma ogiva "perdida" no meio do caminho (e isso é relativamente frequente). Quando o líder da equipe morre em uma missão, entra em cena o Sargento William James, especialista em desarmar bombas, mas com um parafuso a menos. Sua coragem e loucura mexem com o senso de equipe, uma vez que ele sempre põe o time em risco quando se coloca em risco. Com isso aumentam as perguntas e especulações sobre se a guerra vale a pena e o medo da morte. Quando um garoto árabe aparentemente aparece morto como cadáver-bomba, James surta e passa a colocar suas emoções acima de sua razão, colocando a equipe em mais risco ainda.

Mais não dá pra falar. A diretora Katherine Bigelow talvez tenha querido passar a ideia de como deve ser dificil a vida dos americanos que estão baseados no Iraque. Sem muita profundidade, ela passeia por questões que são inerentes a cada ser humano, e assim o espectador pode fazer os seus próprios julgamentos. O problema nas plateias brasileiras vai ser a dificuldade de tentar se enxergar no filme, uma vez que a guerra não é nossa. Não são os nossos parentes, familiares e amigos que estão lá, lutando em vão por uma guerra inútil, injusta e vaidosa. Mesmo quando, aparentemente, não há feridas a serem abertas, a diretora consegue cutucar.

Apesar disso, não é tanto o roteiro ou a história - com boas doses de comédia, acredite - que são o melhor do filme. O estilo de direção, a montagem, os efeitos especiais, é tudo tão vibrante e correto que prendem o espectador e ajudam a dar o estilo do filme. A grande maioria das cenas é filmada em um estilo documental, com a câmera na mão para dar um tom mais intimista ao filme. A interpretação de Jeremy Renner surpreende para um ator meio desconhecido, assim como seus coadjuvantes que também são competentes. As participações de luxo não ousam roubar o mérito deles (Ralph Fiennes, Guy Pearce e Evangeline Lilly), mas sim para complementar a história. Sendo assim, "Guerra ao Terror" conseguiu 9 indicações ao Oscar, mas esperava mesmo mais do filme. O burburinho era tanto que fez a Imagem Filmes distribuir o filme nos cinemas, mesmo depois de uma infrutifera distribuição em DVD. Os resultados podem surpreender e Bigelow pode até vencer James Cameron e levar o prêmio de direção pra casa, já que a Academia adora essas festinhas (ela pode ser a primeira mulher a levar o premio de direção). Vamos aguardar os envelopes se abrirem.

Nota: 8,0