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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Indicados ao Oscar 2012 revelados!

Jennifer Lawrence e Tom Sherak, presidente da Academia, anunciam os indicados ao Oscar

E agora acabou a espera.

Em um anúncio que trouxe um monte de surpresas, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou os indicados ao Oscar 2012. E dentre favoritos e certezas, um monte de ausências dadas como praticamente certas na lista final. Um dia de tirar o fôlego de muitos.

Assim de primeira, a ausência mais sentida foi a de “As Aventuras de Tintim” na categoria Animação. “Rio” também está fora, mas a técnica usada em Tintim por Spielberg era outra dada como certa! Ninguém esperava essa baixa. Pelo menos não cometeram o despalterio de colocar “Carros 2” na lista, embora considerar “O Gato de Botas” e não “Rio”... mágoa que jamais perdoarei.

Outras ausências, Leonardo Di Caprio (J. Edgard) e Michael Fassbender (Shame), alem de Ryan Goslin (Drive e Tudo pelo Poder), na categoria Melhor Ator. E Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre Kevin) em melhor atriz.

Dentre as lembranças, acho que “Missão Madrinha de Casamento” é aquela coisa: você tá vendo ali que surgem premiações, mas não acredita que um filme tão surreal chegará ao Oscar. E chegou. Com indicações a Melissa McCarthy  a atriz coadjuvante, e Melhor Roteiro Original. Também inclusões de “Tão Forte e Tão Perto” e “O Espião que Sabia Demais” com certeza causarão certo alvoroço em Hollywood! Max Von Sydow, o último nome que eu pensaria pra categoria Coadjuvante, também chegou lá.
Apenas duas canções foram indicadas (?!). “Man or Muppet”, de “Os Muppets” e “Real in Rio”, por “Rio”. Pelo menos tem brasileiro na disputa, já que a música é de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown.

E “Harry Potter”? Chegou lá também, em três categorias técnicas, como sempre. Maquiagem, Direção de Arte e Efeitos Visuais. Não adiantou o burburinho e certo alvoroço por uma indicação a Melhor Filme, como sempre. O filme é realmente bom, mas não é filme desse tipo de premiação.

E melhor filme hein, 9 indicados. NOVE. A categoria pode abrigar no máximo dez, e deixou um de fora. Qual seria esse um? “Drive”, “Precisamos Falar Sobre Kevin”, “Tudo Pelo Poder”, “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, “J. Edgard”, “Sete Dias com Marylin”... isso pra citar alguns. O recordista de indicações foi “A Invenção de Hugo Cabret”, com 11 menções. Em seguifa vem “O Artista”, que foi indicado em dez categorias. Billy Cristal apresenta a cerimônia de entrega em 26 de fevereiro.

A lista completa de indicados você vê abaixo e não deixe de conferir a cobertura do CINEMARCOS para o Oscar 2012!

Filme
"A Árvore da Vida"
""Os Descendentes"
"Histórias Cruzadas"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem Que Mudou o Jogo"
"Cavalo de Guerra"
"O Artista"
"Meia-Noite em Paris"
"Tão Forte e Tão Perto"

Direção
Woody Allen - "Meia-Noite em Paris"
Michel Hazanavicius - "O Artista"
Alexander Payne - "Os Descendentes"
Martin Scorsese - "A Invenção de Hugo Cabret"
Terrende Malick - "A Árvore da Vida"

Ator
Demián Bichir - "A Better Life"
George Clooney - "Os Descendentes"
Jean Dujardin - "O Artista"
Gary Oldman - "O Espião Que Sabia Demais"
Brad Pitt - "O Homem Que Mudou o Jogo"

Atriz
Glenn Close - "Albert Nobbs"
Viola Davis - "Histórias Cruzadas"
Rooney Mara - "Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
Meryl Streep - "A Dama de Ferro"
Michelle Williams - "Sete Dias com Marilyn"

Ator Coadjuvante
Christopher Plummer - "Toda Forma de Amor"
Jonah Hill - "O Homem Que Mudou o Jogo"
Kenneth Branagh - "Sete Dias com Marilyn"
Nick Nolte - "Guerreiro"
Max von Sydow - "Tão Forte e Tão Perto"

Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo - "The Artist"
Jessica Chastain - "Histórias Cruzadas"
Melissa McCarthy - "Missão Madrinha de Casamento"
Janet McTeer - "Albert Nobbs"
Octavia Spencer - "Histórias Cruzadas"

Roteiro original
"O Artista" - Michel Hazanavicius
"Missão Madrinha de Casamento" - Jriste Wiig, Annie Mumolo
"Margin Call - O Dia Antes do Fim" - J.C. Chandor
"Meia-Noite em Paris" - Woody Allen
"A Separação" - Ashgar Farhadi

Roteiro adaptado
"Os Descendentes" - Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
"A Invenção de Hugo Cabret" - John Logan
"Tudo pelo Poder" - George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
"O Homem que Mudou o Jogo" - Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin
"O Espião que Sabia Demais" - Bridget O'Connor, Peter Straughan

Filme de Animação
"Um Gato em Paris"
"Chico & Rita"
"Kung Fu Panda 2"
"Gato de Botas"
"Rango"

Canção Original
"Man or Muppet" - "The Muppets" - Música e Letra de Bret McKenzie
"Real in Rio" - "Rio" - Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown e letra de Siedah Garrett

Trilha sonora
"As Aventuras de Tintim" - John Williams
"O Artista" - Ludovic Bource
"A Invenção de Hugo Cabret" - Howard Shore
"O Espião que Sabia Demais" - Alberto Iglesias
"Cavalo de Guerra" John Williams

Filme estrangeiro
Bélgica - "Bullhead" - Michael R. Roskam
Canadá - "Monsieur Lazhar" - Philippe Falardeau
Irã - "A Separação" - Asghar Farhadi
Israel - "Footnote" - Joseph Cedar
Polônia - "In Darkness" - Agnieszka Holland

Efeitos visuais
"Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 "
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Gigantes de Aço"
"Planeta dos Macacos: A Origem"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"

Edição de som
"Drive"
"Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Mixagem de som
"Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem Que Mudou o Jogo"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Direção de arte
"O Artista" - Laurence Bennett, Robert Gould
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" - Stuart Craig, Stephenie McMillan
"A Invenção de Hugo Cabret" - Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo
"Meia-Noite em Paris" - Anne Seibel, Hélène Dubreuil
"Cavalo de Guerra" - Rick Carter, Lee Sandales

Fotografia
"O Artista"
"Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"A Árvore da Vida"
"Cavalo de Guerra"

Figurino
"Anonymous"
"O Artist"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Jane Eyre"
"W.E."

Curta metragem de animação
"Dimanche/Sunday" - Patrick Doyon
"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore" - William Joyce and Brandon Oldenburg
"La Luna" - Enrico Casarosa
"A Morning Stroll" - Grant Orchard and Sue Goffe
"Wild Life" - Amanda Forbis and Wendy Tilby

Curta metragem
"Pentecost" - Peter McDonald and Eimear O'Kane
"Raju" - Max Zähle and Stefan Gieren
"The Shore" - Terry George and Oorlagh George
"Time Freak" - Andrew Bowler and Gigi Causey
"Tuba Atlantic" - Hallvar Witz

Maquiagem
"Albert Nobbs"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2"
"A Dama de Ferro"

Edição e Montagem
"O Artista"
"Os Descendentes"
"Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem Que Mudou o Jogo"

Documentário longa metragem
"Hell and Back Again"
"If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front"
"Paradise Lost 3: Purgatory"
"Pina"
"Undefeated"

Documentário curta metragem
"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"God Is the Bigger Elvis"
"Incident in New Baghdad"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cavalo de Guerra

War Horse
(EUA/UK, 2011). De Steven Spielberg. Com Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Neils Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, Celine Buckens e David Kross.

Li em algum lugar que “Cavalo de Guerra” é o novo “ame-o ou deixe-o”. Não é muito difícil explicar essa expressão, mesmo sem ter visto o filme. Primeiro é a direção de Steven Spielberg, que dispensa comentários e coloca qualquer produção num alto nível de expectativa. O contraponto: é a história de um cavalo. Isso pode não chegar a atrapalhar, dado o número de produções que trazem o animal como protagonista (“Secretariat”, “Seabiscuit”, “Sonhadora”, só pra citar alguns). Aí vemos a sinopse: um menino que não descansa até reencontrar o seu cavalo, que foi recrutado para lutar na Primeira Guerra Mundial. Lágrimas à vista, do jeito que Spielberg é acostumado a fazer, sejam os personagens extraterrestres, judeus, soldados, caçadores de arcas perdidas ou meninos-robôs. E é esse o maior problema de “Cavalo de Guerra”, você já viu esse filme! O número de clichês é tão grande que é difícil comprar a história quando já se tem certa bagagem cinematográfica. Spielberg não pede que você se emocione, ele praticamente implora que você chore.

Albert Narracott vê o nascimento de um potro que, anos mais tarde, é comprado por seu pai por uma pequena fortuna, acreditando no potencial do cavalo arredio. Albert, que o batiza de Joey, insiste em querer domá-lo e ensinar o arado ao cavalo, que aprende, apesar de todas as expectativas contrárias. Só que com o fortalecimento do cavalo, o pai é obrigado a vendê-lo para o exército inglês, que o usará na Primeira Guerra Mundial. A partir daí, o cavalo passa por vários donos e situações e, ao saber que ele se encontra em apuros, Albert faz todos os esforços para trazer seu animal de volta.

A história em si é memorável. Realmente, o cavalo passa por um monte de coisas e, contrariando tudo, sobrevive a todas elas. A amizade que o dono e o animal possuem é comovente. Só que Spielberg força a mão em muitos pontos, carregando nas tintas de certos aspectos que o espectador não tem como engolir – a não ser que se deixe levar pelas paisagens belas e planos naturais que realçam a beleza do interior do Reino Unido, esses sim pontos altos do filme. 


Pra começar, o pai de Albert, vivido pelo ótimo ator Peter Mullan, parece sofrer certa crise de identidade. Uma hora ele é o homem que contraria todo mundo pra escolher o cavalo que quer e, em outra hora, ele muda radicalmente para um velho desanimado diante das adversidades que (SIM) ele sabia que iriam acontecer por escolher um cavalo “mais fraco”, digamos. Aí vem os argumentos para sustentar o porquê Albert deve confiar extremamente no exército. O oficial, vivido por Tom Hiddleston (o Loki, de “Thor”), olha pra Albert e diz: “Vou cuidar dele como se fosse meu e o trarei de volta quando a guerra acabar”. Aham. 

Depois somos apresentados a um zilhão de personagens em uma história que se arrasta por longos 140 minutos. A ideia é sim mostrar o que acontece com Joey e suas adversidades, mas o foco fica meio perdido no meio de tanta gente. De repente, nos envolvemos com vários personagens e o cavalo passa para segundo plano, voltando a ser o protagonista mais ou menos ao final da película. E aí tem mais um perigo.
Os momentos em que Joey é o centro das atenções acabam atraindo a atenção do espectador para as emoções do próprio cavalo. Se por um lado fica o mérito de Spielberg de nos fazer acreditar numa possível rivalidade entre Joey e outro cavalo, mais experiente na guerra, rivalidade essa que se transformaria em “amizade” mais tarde (?!), por outro é difícil acreditar nessa rede de sentimentos toda. Afinal, são cavalos. Pra se ter uma ideia, a animação “Spirit – O Corcel Indomável”, que traz um cavalo mais ou menos parecido, faz um trabalho mais interessante na construção da personalidade do animal (e olha que é uma animação, ele poderia falar se quisesse!). Aliás, em certos momentos, parece mesmo que todos os animais vão começar a falar, até o ganso da fazenda de Albert.


“Cavalo de Guerra” tem sim bons momentos. Só o estilo de filmar e a fotografia valem o ingresso, sem falar na espetacular sequência da batalha das trincheiras, filmada com o mesmo realismo de “O Resgate do Soldado Ryan”. Outra cena, a que mostra Joey correndo desembestado no campo de batalha, também é bastante comovente e convincente, já que o cavalo ali é todo digital. A trilha sonora de John Williams é marcante, apesar de também um pouco clichê, mas denota exatamente cada mudança de cenário, situação ou emoção do filme.

A sequência final, com um pôr do sol photoshopicamente laranja, é linda, mas encerra um filme comum, apesar de tudo. Spielberg construiu um dramalhão um tanto exagerado que funcionaria muito melhor se fosse mais enxugado, personagens não tão rotulados e com diálogos melhores. A história é boa, mas ele conseguiu deixá-la cansativa e piegas. E pode ser preconceito meu com filme de cavalos, mas pra me fazer acreditar que ele magicamente possa falar com outro cavalo e convencê-lo a puxar uma ambulância (?!), por favor, se vendam como um filme de fantasia e não um drama.


 Nota: 6,5