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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Lincoln

 Lincoln
(EUA, 2012) De Steven Spielberg. Com Daniel Dae-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, Hal Holbrook, James Spader, Jackie Earle Haley, John Hawkes, Lee Pace e Tim Blake Nelson.

Steven Spielberg reuniu um elenco de peso para recontar um dos momentos mais importantes da história americana, a aprovação da 13ª emenda à constituição, proposta que iria abolir a escravidão nos Estados Unidos. O movimento foi liderado pelo então presidente Abraham Lincoln, uma figura quase que mitológica por si só. Sendo assim (e conhecendo o trabalho do diretor), é difícil pensar que “Lincoln” não poderia ser menos que um grande filme. Foram necessários 12 anos de muita pesquisa para o longa metragem sair do papel. Também foi preciso um pequeno esforço de convencimento para que Daniel Dae-Lewis pudesse aceitar interpretar o ex-presidente, quando parece impossível que outro ator pudesse fazê-lo. Por ser justamente o filme grandioso que é, “Lincoln” foi indicado a 12 Oscars, incluindo Melhor Filme e parecia, pelo menos até pouco tempo atrás, favorito absoluto a ganhar todos. Assistindo ao filme, constatamos o porquê.

“Lincoln” não é um filme todo biográfico, mas mostra apenas os eventos que envolveram a aprovação da 13ª Emenda no Congresso americano. Entre os esforços em comandar o País, conseguir a aprovação da emenda e ainda lidar com o iminente término da Guerra Civil americana, algo que poderia colocar toda a tramitação no Congresso a perder, Lincoln se vê ainda em uma crise familiar com sua mulher e seu filho mais velho, que acha que poderia ser mais útil no exército, lutando para defender o seu país. Tendo que articular bem cada um de seus movimentos, o então presidente faz cada um de seus movimentos com sabedoria, com o conhecimento de que precisa do apoio tanto de parlamentares republicanos, como Thadeus Stevens, crucial na votação, como de democratas. 

Se você não é americano e não conhece bem esta parte da história, “Lincoln” pode ser um tanto ineficaz, porque toda a discussão política no início do filme, as implicações com a Guerra Civil e a articulação entre os partidos pode soar muito confusa. É preciso passar por isso e focar naquilo que une os diferentes povos (leia-se “plateias”) que irão assistir ao filme: a desigualdade social por meio da cor da pele. Spielberg toca numa ferida que, aparentemente, deveria ter sido consertada com a 13ª Emenda, mas ainda encontra grandes reflexos no Século XXI. Essa é a grande discussão do filme e não tem como não simpatizar com a causa e com a forma que ela é conduzida por Abraham Lincoln ao longo do filme.

Lincoln, claro, foi interpretado com maestria por Daniel Dae-Lewis, que prova por que é um dos melhores (se não, o melhor) atores de sua geração. Ele incorpora o ex-presidente e transmite a simpatia e a afeição que tantos americanos sentem por ele inclusive nos dias de hoje. Ao mesmo tempo, passa a característica de um homem que precisa manter o controle de seu país, que é um pai zeloso e preocupado com a sua família. Claro que a versão do filme é romantizada para fazer o público sentir essa simpatia pelo herói do filme, mas não há falhas no roteiro que deixem os espectadores perceberem isso. A magistral interpretação de Lewis também sela essa questão.

Outras atuações deste elenco de peso contribuem para o sucesso do filme. Sally Field interpreta a esposa de Abraham Lincoln e é responsável, junto com Lewis, por uma das cenas mais impactantes de todo o filme: uma discussão entre o casal sobre a família, o desenvolvimento dos filhos e o sofrimento de uma mãe que já perdeu um filho e não quer perder outro para a Guerra. Outro que se destaca é Tommy Lee Jones, que mostra a força de um ator veterano e que, apesar de conhecido do público, consegue surpreender com uma ótima interpretação.

A produção de “Lincoln”, caprichada com os detalhes encontrados nos doze anos de pesquisa por parte de Spielberg e pela sua equipe, faz jus à época em que o filme se passa. O problema é que o roteiro do filme se apoia no jogo político da época, o que pode dificultar o entendimento por parte do espectador. Spielberg atenua isso com alguns recursos cômicos, mas ainda assim a política é presente em todo o momento. Fora a referida cena citada acima, Sally Field quase não consegue submergir, frente a tantos homens discutindo essa questão, fazendo com que a questão familiar fique bem em segundo plano.


Mesmo não sendo um filme biográfico em si, “Lincoln” consegue mostrar o caráter do ex-presidente e ajuda a compreender por quê a sua figura ainda é tão querida pelo povo americano. Típico filme feito para ganhar o Oscar, só não deve ganhar caso a Academia confirme que não quer mais ver filmes tão conservadores e reconheça outros cujo mérito está na ousadia e na inovação, como “Argo” – o que tem se confirmado até agora. De qualquer modo, Spielberg deve estar satisfeito com seu trabalho, que se junta aos retratos construídos pelo diretor de outras partes da história, assim como Daniel Dae-Lewis, que sai do filme consagrado como o profissional que é.

Nota: 9


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Oscar 2013 - Conheça os indicados

Emma Stone e Seth MacFarlane apresentaram os indicados

Saíram os indicados ao Oscar 2013 (ou seria 2012?). Um pouco cedo demais esse ano, eu diria, mas o que importa é que a lista tá aí, confirmando as principais suspeitas do mundo cinéfilo. “Lincoln”, o drama dirigido por Steven Spielberg sobre o ex-presidente norte-americano sai na frente com 12 indicações, confirmando o seu favoritismo esse ano. No entanto, a lista de melhor filme traz outros oito longas metragens que poderiam disputar ali juntinho a estatueta, como “A Hora Mais Escura”, de Kathryn Bigelow, sobre a missão que culminou na captura/morte de Osama Bin Laden.  Completam a lista “As Aventuras de Pi”, de Ang Lee; o austríaco “Amor”, de Michael Haneke; “Argo”, do ator/diretor Ben Affleck; e os ainda inéditos no Brasil “O Lado Bom da Vida”, “Indomável Sonhadora”, “Django Livre”, de Quentin Tarantino e o musical mais aguardado da década, “Os Miseráveis”.

Quanto às atuações, a lista é heterogênea, mas com atores e atrizes muito bem qualificados por seus trabalhos. Entre os homens, Daniel Dae-Lewis sai na frente como favorito absoluto em “Lincoln”, concorrendo com Hugh Jackman (“Os Miseráveis”), Joaquim Phoenix (“O Mestre”), Denzel Washington (“O Voo”) e Bradley Cooper (“O Lado Bom da Vida”).

Já as mulheres, a surpresa fica por conta da mais velha e da mais nova atriz indicada ao Oscar, com Emmanuelle Riva (“Amor”), de 85 anos, e Quvenzhané Wallis (“Indomável Sonhadora”), com apenas 9. Completam a lista Jessica Chastain (“A Hora Mais Escura”), Jennifer Lawrence (“O Lado Bom da Vida”) e minha favorita Naomi Watts (“O Impossível”).

Veja a lista completa abaixo e não deixe de acompanhar o CINEMARCOS, que vai estar sempre comentando e trazendo novidades sobre o Oscar, as premiações e os filmes indicados!

Filme
"Indomável sonhadora"
"O lado bom da vida"
"A hora mais escura"
"Lincoln"
"Os Miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Amor"
"Django livre"
"Argo"

Diretor
Michael Haneke ("Amor")
Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
Ang Lee ("As aventuras de Pi")
Steven Spielberg ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida)

Ator
Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
Denzel Washington ("Voo")
Hugh Jackman ("Os miseráveis")
Bradley Cooper ("O lado bom da vida")
Joaquin Phoenix ("O mestre")

Atriz
Naomi Watts ("O impossível")
Jessica Chastain ("A hora mais escura")
Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida")
Emmanuelle Riva ("Amor")
Quvenzhané Wallis ("Indomável sonhadora")

Ator coadjuvante
Christoph Waltz ("Django livre")
Philip Seymour-Hoffman ("O mestre")
Robert De Niro ("O lado bom da vida")
Tommy Lee Jones ("Lincoln")
Alan Arkin ("Argo")

Atriz coadjuvante
Sally Field ("Lincoln")
Anne Hathaway ("Os miseráveis")
Jacki Weaver ("O lado bom da vida")
Helen Hunt ("The sessions")
Amy Adams ("O mestre")

Filme estrangeiro
"Amor" (Áustria)
"No" (Chile)
"War witch" (Canadá)
"A royal affair" (Dinamarca)
"Kon-tiki" (Noruega)

Roteiro original
Michael Haneke ("Amor")
Quentin Tarantino ("Django livre")
John Gatins ("Voo")
Wes Anderson e Roman Coppola ("Moonrise kingdom")
Mark Boal ("A hora mais escura")

Roteiro adaptado
Chris Terrio ("Argo")
Lucy Alibar e Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
David Magee ("As aventuras de Pi")
Tony Kushner ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida")

Animação
"Valente"
"Frankenweenie"
"ParaNorman"
"Piratas pirados!"
"Detona Ralph"

Documentário em longa-metragem
"5 broken cameras"
"The gatekeepers"
"How to survive a plague"
"The invisible war"
"Searching for a sugar man"

Documentário em curta-metragem
"Inocente"
"Kings point"
"Mondays at Racine"
"Open heart"
"Redemption"

Fotografia
"Anna Karenina"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Edição
"Argo"
"A vida de Pi"
"Lincoln"
"A hora mais escura"
"O lado bom da vida"

Trilha sonora original
Dario Marianelli ("Anna Karenina")
Alexandre Desplat ("Argo")
Mychael Danna ("As aventuras de Pi")
John Williams ("Lincoln")
Thomas Newman ("007 – Operação Skyfall")

Canção original
"Before my time", de "Chasing ice" – J. Ralph (música e letra)
"Everybody needs a best friend", de "Ted" – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)
"Pi's lullaby", de "As aventuras de Pi" – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)
"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" – Adele (música e letra)
"Suddenly", de "Os miseráveis" – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Efeitos visuais
"O Hobbit – Uma jornada inesperada"
"As aventuras de Pi"
"Os vingadores"
"Prometheus"
"Branca de Neve e o caçador"

Edição de som
"Argo"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"Skyfall"
"007 – Operação Skyfall"

Mixagem de som
"Argo"
"Os miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 - Operação Skyfall"

Melhor curta-metragem
"Asad"
"Buzkashi boys"
"Curfew"
"Death of a shadow (doos van een schaduw)"
"Henry"

Curta-metragem de animação
"Adam and dog"
"Fresh guacamole"
"Head over heels"
"Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'"
"Paperman"

Figurino
"Anna Karenina"
"Os miseráveis"
"Lincoln"
"Espelho, espelho meu"
"Branca de Neve e o caçador"

Design de produção
"Anna Karenina"
"Hobbit - Uma jornada inesperada"
"Os miseráveis"
"A vida de Pi"
"Lincoln"

Maquiagem e cabelo
"Hitchcock"
"Os miseráveis"
"Hobbit – Uma jornada inesperada"