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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1


The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 1
(EUA, 2011) De Bill Condon. Com Robert Pattinson, Kristen Stewart, Taylor Lautner, Billy Burke, Sarah Clarke, Kellan Lutz, Ashley Greene, Jackson Rathborne, Nikki Reed e Peter Facinelli.

Então. Estou pisando em um território complicado para escrever a crítica de “Amanhecer”. Para isso, revi todas as minhas críticas dos filmes anteriores, assisti ao filme duas vezes, li críticas de diversos lugares do mundo e fiz uma análise interna. E agora, escrevendo esse parágrafo de apresentação, estou percebendo que estúpida foi toda essa preparação! Porque, vamos lá, “Amanhecer” não é o melhor filme do ano, muito menos da história do cinema. É claro, bateu recordes de bilheteria, inclusive no Brasil e isso conta muito. A grande maioria esmagadora torceu o nariz para o longa metragem, mas se esqueceu de uma coisa: os fãs. Será que, depois do primeiro “Crepúsculo”, alguém tem alguma pretensão de achar que a Summit Entertainment fez uma “saga” inteira para leigos no assunto? São os fãs que lotaram o cinema – os dos livros e os dos filmes. Esses sim elegeram “Amanhecer” como o filme do ano e como o melhor da saga até agora. Então eu pergunto: adianta criticar “Amanhecer” se ele cumpre tão bem o seu objetivo inicial, entreter os fãs? Sim, adianta. 

Na primeira parte do desfecho da saga, Bella e Edward se casam, uma vez que essa era a condição para que ele a transformasse em vampira. O amigo lobisomem Jacob não aceita a situação e foge, embora retorne logo depois, já que não consegue ficar com raiva de Bella. Os noivos viajam em lua de mel para o Rio de Janeiro, onde vivem tórridos momentos de romance (e outros nem tão tórridos assim). É nessa viagem que Bella acaba grávida, uma possibilidade que nem Edward nem ninguém sabia que era possível. Agora começa uma corrida contra o tempo, uma vez que a coisa no útero de Bella cresce muito rápido e está matando a garota. Enquanto isso, os lobos veem a gravidez como uma ameaça a humanidade e pretendem destruir, seja lá o que for. É nesse momento que Jacob enfrenta a sua matilha para defender Bella, que por sua vez conta com a ajuda da vampira Rosalie para que não machuquem o seu bebê.


Em frente aos outros três filmes anteriores (Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse), a parte 1 de “Amanhecer” é meio parada. A ação só acontece mesmo do meio para o fim, mas isso não chega a comprometer a história, já que colocaram mais carga dramática e romântica na história de Edward e Bella, a gravidez inesperada, a despedida da família e da forma humana, a tristeza de Jacob ao deixar a matilha e tudo o mais. O problema principal por “Amanhecer” não funcionar melhor do que deveria está em um erro que não dá mais para reparar: Kristen Stewart! Por mais sem graça, apática e comum que Stephenie Meyer tenha imaginado Bella Swan, a atriz não poderia ter a deixado pior. É incrível a falta de expressão em momentos como gravidez, primeira vez, enjoos matinais da gravidez e qualquer outra sensação que a personagem experimente.

Robert Pattinson, depois de ter passado por trabalhos diferentes, como “Água para Elefantes”, parece ter encontrado um caminho mais maduro para Edward, embora esteja bem preguiçoso e confortável na posição de ídolo adolescente que não precisa se esforçar mais na composição do personagem. Embora, verdade seja dita, ele mostre perfeição nas falas em que Edward se comunica em português. Decorar ajuda, mas o português é uma língua difícil.

 Taylor Lautner, que ganhou  mais de destaque nesta primeira parte, mostra que está no caminho certo, mas precisa melhorar mais na atuação. Aliás, espectadores foram forçados a prestar atenção na atuação de Lautner, uma vez que Jacob Black só tira a camisa uma (01) vez no filme todo! Recorde absoluto para a franquia. Diante disso, é o elenco de apoio quem consegue tirar bons momentos do filme, com piadas, comentários engraçados e atitudes inusitadas, como o discurso do pai de Bella, Charlie Swan, no casamento da filha. 

Com um orçamento de US$ 127 milhões (MILHÕES!), o que proporcionou uma vinda ao Rio de Janeiro para gravar as cenas da lua de mel, “Amanhecer” deixou um detalhe básico de lado: a continuidade. Stephenie Meyer imaginou um vampiro que brilha no sol, contrariando toda a mitologia existente até hoje, mas, já que ela o criou assim, que assim seja. Então, porque raios em uma das cidades mais ensolaradas do mundo, Edward fica no sol o tempo todo e não emite um raio de luz? A ideia é esdrúxula, claro, mas ué, começou, então termina! 


 O mundo esperava mais de Bill Condon, é verdade. O diretor de “Kinsey” e “Dreamgirls” teve que trabalhar com uma série de exigências, entre elas a de manter cenas de sexo e violência dentro dos limites da classificação indicativa, justamente os elementos que dão mais pimenta ao livro. Porém, com o que tinha nas mãos, fez um filme satisfatório. “Amanhecer” não é o lixo que os críticos dizem que é, mas se mostra um filme água com açúcar demais para uma saga de vampiros e, convenhamos, muita gente não gosta disso. No fim das contas, acaba sendo um filme mais ou menos, com doses de romance e erotismo, um drama entorno de uma gravidez inesperada e uma pitada de ação no confronto com os lobisomens. Para os fãs, funciona claro. Mas podia ser bem mais.

Nota: 6,0 


Amanhecer: post complemento



Reli as minhas críticas de filmes anteriores. Exaltei “Crepúsculo”, que para mim é o melhor filme dos quatro produzidos. “Lua Nova” apresentou os lobisomens e deu certa continuidade ao primeiro. “Eclipse” derrapou sim em algumas coisas, mas não chega a ser tão ruim como eu havia dito aqui. Digo isso porque pode parecer muita contradição eu ter gostado tanto do primeiro filme e as minhas impressões irem decaindo ao longo das produções. Isso se dá porque, ao longo dos anos, a minha própria percepção com relação aos filmes e à escrita cinematográfica mudou. Minha ótica sobre o livro “Crepúsculo”, quando o li a primeira vez, é diferente de quando li “Amanhecer”. Apesar de gostar da leitura, nunca discordei que Stephenie Meyer escreve como uma adolescente. Apesar disso, a aura que ela cria nos personagens funcionou para inebriar esses mesmos adolescentes que ela almeja – coisa que eu mesmo era quando o primeiro livro foi lançado.

Já com os filmes, é diferente. É outra linguagem, mesmo que seja a mesma história. Cada diretor foi único em sua produção e sem dúvida imprimiu sua marca nos filmes. A Summit, de olho no dinheiro que eles iriam trazer, é que forçou a mão enchendo o filme de efeitos e elementos visuais (leia-se Taylor Lautner sem camisa) e esqueceu-se de acertar o roteiro. Confiou demais na legião de fãs e se apoiou na fama de arrasa-quarteirão para entregar histórias que melhoraram na qualidade, mas decaíram no conteúdo. E é assim que percebo a saga: uma saga acomodada em fãs. Claro, o fato de “Amanhecer” ser um tanto mais sem graça que os outros é culpa também do diretor. Embora a principal culpada mesmo seja Stephenie Meyer, que anos depois de escrever “Crepúsculo”, escreveu o desfecho da história de forma simplista, preguiçosa e ruim. Desfecho esse que o público vai esperar um ano para conferir nas telonas.