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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada


 The Hobbit: An Unexpected Journey
(EUA, 2012) De Peter Jackson. Com Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Elijah Wood, Christopher Lee e Andy Serkis.

Dezembro de 2003: Peter Jackson acaba de lançar “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”. Sucesso mundial, bilheteria fenomenal, 11 Oscars no bolso coroando toda a franquia. Dia seguinte ao Oscar: O Hobbit. Sim, desde que a trilogia terminou ouvimos falar sobre os rumores da produção do filme sobre o livro que conta o início da saga do Um Anel, também escrito pelo mestre J.R.R. Tolkien. E eis que, dez anos e muitos problemas depois, Jackson entrega ao mundo novamente uma trilogia. “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” é a primeira parte, franquia que deve tornar toda a saga do Anel numa espécie de “Star Wars” de Peter Jackson. O diretor, aliás, inovou desta vez. Não apenas pegou carona em toda a onda 3D popularizada por “Avatar”, mas resolveu filmar todos os três filmes em 48 fps (frames por segundo). Para se ter uma ideia, os filmes “comuns” são filmados por 24 fps, o que faz com que “O Hobbit” se aproxime muito do que o olho humano capta normalmente, entregando uma imagem muito mais realista, sobretudo quando entramos em um mundo totalmente irreal. Mas vamos ao filme em si.


Na primeira parte, o mago Gandalf convoca o jovem Bilbo Bolseiro para embarcar em uma aventura que consiste em ajudar uma tropa de Anões liderada por Thorin a recuperar o seu lar, um reino na montanha de Erebor, que foi roubado pelo dragão Smaug. Após certa resistência, Bilbo concorda em ir com eles e juntos vão enfrentar os perigos que a Terra Média oferece, passando por Orcs, Trolls e Elfos, inimigos dos Anões que serão mais úteis do que eles imaginam. E uma certa surpresa irá chegar até Bilbo, um acontecimento que mudará não apenas a vida do hobbit, mas toda a história da Terra Média.

O principal atrativo de “Uma Jornada Inesperada” é a qualidade dos efeitos especiais e o uso dos 48 fps. É notável a diferença e a qualidade que o filme apresenta quando comparamos aos filmes da trilogia “O Senhor dos Anéis”, por exemplo. A Terra Média se apresenta com muito mais definição, com monstros em CGI melhor executados e um realismo impressionante quanto juntamos tudo isso ao 3D. “O Hobbit” levanta uma questão sobre a perda da característica cinematográfica dos filmes (aquilo que nos faz saber que estamos vendo um filme no cinema e não na TV) e a chegada da qualidade semelhante ao vídeo. Mas que é uma conquista tecnológica para o cinema evoluir, isso é incontestável.

Quanto ao roteiro, esta primeira parte é uma grande introdução sobre tudo o que está por vir, principalmente para aqueles que não estão acostumados com o universo criado por Tolkien. Por isso, por quase 2 horas o filme se arrasta em um sem fim de trilhas, caminhos percorridos e diálogos em élfico, algo que é amenizado justamente pela nova velocidade da projeção. Cansativo, porém necessário para que a história se desenrole, já que na hora final (sim, são mais de 3 horas de filme), tudo acontece e o filme se torna uma aventura eletrizante.

Destaque para a cena com Gollum/Smeagle, a aparição mais aguardada pelos fãs da série, novamente interpretada por Andy Serkis. A criatura continua como antes: arrogante, mesquinha e sagaz, mas com um pouco mais de definição gráfica. O embate com Bilbo é gerado com muita tensão, executado com maestria e, mesmo sem muita ação, é de tirar o fôlego.


“O Hobbit”, apesar de tudo, não é “O Senhor dos Anéis”. Pelo menos, ainda não é “O Retorno do Rei”, mas a introdução de algo que ainda está por vir, como foi com “A Sociedade do Anel”. Algumas partes ficam sem explicações e aqueles que nunca viram um filme da saga original podem ficar confusos no início. Também há um excesso de autoconfiança, o que se fez notar por essa temporada de premiações, sobretudo no Oscar, com o filme sendo esquecido em quase todas as categorias, se valendo em apenas algumas técnicas. De qualquer modo, este é apenas o início de tudo e Peter Jackson já se tornou digno da nossa confiança há anos atrás. Vamos aguardar, 2013 e 2014 tem mais.

Nota: 8,5
Efeitos 3D e 48 fps: 10

*Indicado ao Oscar de Maquiagem e Cabelo, Design de Produção e Efeitos Visuais

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

As Vantagens de Ser Invisível


 The Perks of Being a Wallflower
(EUA, 2012) De Stephen Chbosky. Com Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Nina Dobrev, Johnny Simmons, Mae Withman, Dylan Mc Dermott, Kate Walsh e Paul Rudd.

Quando se é jovem, você só espera um momento da sua vida em que você consiga se encaixar, encontrar um grupo, fazer amigos e, mais do que tudo, poder expressar as maravilhas de ser você mesmo. Mas até descobrir quem você é, um tempo se passa. Nesse tempo, sofremos um sem fim de problemas internos de aceitação e outros aspectos que os adultos nem sequer levam em conta. Afinal, “ah, você é tão novo, que problemas que você tem?”. Por isso é tão importante viver um momento de cada vez, porque logo você cresce e esquece o momento imediatamente anterior. Essa é apenas uma das reflexões de “As Vantagens de Ser Invisível”, um dos melhores filmes sobre a adolescência e suas dificuldades dos últimos tempos.

Charlie acaba de ingressar na nova escola, é o calouro do high school e, por isso mesmo e por outros motivos, não consegue se enturmar de cara. Ele passou por algumas situações bem difíceis na sua vida, como a perda de uma tia muito próxima e o suicídio de uma migo. Charlie toma coragem e se aproxima de Patrick e sua meia-irmã Sam, ambos no último ano, mas que tem muito em comum com Charlie, que é aceito de cara pelo grupo dos “deslocados”. Como não são os mais populares da escola, os três se sentem livres para fazer as mais variadas loucuras que incluem, claro, pensar no futuro e no valor da amizade, o que significa muito para Charlie. O garoto também nutre uma paixão secreta por Sam, que namora um cara mais velho. Por isso, Charlie acaba se envolvendo com Mary Elizabeth, uma amiga do grupo. Essas relações vão gerar conflitos, mas eles vão perceber que dependem mais uns dos outros do que imaginam.


Mesmo com um tema, a princípio, clichê, o diretor e roteirista Stephen Chbosky conseguiu captar com maestria o ambiente escolar, as dificuldades de ser novo e de se enturmar. Embalado por uma trilha sonora nostálgica, que inclui The Smiths, Sonic Youth, David Bowie e Morrissey, a história de amor e amizade entre os três deslocados da escola encanta e emociona facilmente, pois desperta o adolescente que há em nós e faz refletir, pensar na vida e em tudo o que você já fez (e o que poderia ter feito de diferente).

O ator Logan Lerman, depois de encarnar Percy Jackson e uma série de outros filmes, se destaca com sua interpretação de Charlie, um rapaz que sofre algum tipo de perturbação (que só é revelado ao fim do filme), mas que passa por tudo para tentar se aproximar de Sam e Patrick. Emma Watson também continua dando provas de que consegue se livrar de Hermione, sua personagem em Harry Potter, e entrega uma personagem encantadora, envolvente, rebelde e, por que não, sexy, tudo ao mesmo tempo.  Só a (ainda) cara de Hermione é que não permite uma identificação ainda maior com Sam, mas aí não é culpa somente da atriz. Por fim, Ezra Miller, que já tinha se destacado em “Precisamos Falar sobre Kevin”, encara o desafio de interpretar Patrick, que é gay e tem que esconder que está namorando um dos rapazes mais populares da escola.

Juntos, os três personagens vivem momentos que ficarão marcados em suas vidas, especialmente para Charlie, que vê seu mundo mudar com a entrada na nova escola. “As Vantagens de Ser Invisível” tem muitas lições, que podem ser interpretadas de várias maneiras, para quem achar que a carapuça possa servir. Um filme encantador e envolvente que, com certeza, irá marcar esta nova geração de atores tão bem escolhidos porque, na minha opinião, não poderia haver Sam, Charlie e Patrick melhores.

Nota: 9,0

 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha

The Amazing Spider-Man
(EUA, 2012). De Marc Webb. Com Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Sally Field, Martin Sheen e Denis Leary

Lançado em 2002, o primeiro “Homem-Aranha” é simbólico para diversos fãs de quadrinhos e cinema (e filmes de quadrinhos). Significava o novo rumo que as adaptações das histórias de super-heróis iriam tomar. Mais denso e profundo, mostrando um Peter Parker gente como a gente, um herói real que sofre, sangra e tem mazelas em sua vida, o filme de Sam Raimi gerou duas continuações e marcou a carreira de Tobey Maguire e Kirsten Dunst. Dez anos depois, a franquia se reinventa, desta vez pelas mãos do diretor Marc Webb (500 Dias Com Ela). E as diferenças não poderiam ser mais gritantes. Apesar de a história ser, em sua maioria, a mesma, a forma de ser contada é que mudou. A Sony apostou em uma nova abordagem dos quadrinhos, colocando um Peter mais jovem e espontâneo, como um adolescente normal (e não o Homem-Aranha maduro da trilogia original). Isso deu leveza ao novo filme, levando-o mais para o lado da comédia e dando um tom mais de aventura do que de ação.

Peter Parker é um adolescente comum, com problemas com os valentões da escola, mas não chega a ser totalmente um excluído. Ele mora com os tios desde a morte dos pais, que começa a investigar após achar uma antiga valise.  Assim, ele conhece o Dr. Curt Connors, cientista que trabalhava com o seu pai em uma fórmula para regeneração de células. Em meio a uma visita ao seu laboratório, Parker encontra uma câmara onde aranhas geneticamente modificadas são cultivadas. É lá que ele acaba sendo picado, tendo o seu próprio DNA modificado, ganhando assim super força e um sentido aguçado, como o das aranhas. Com isso, o garoto passa a se aventurar e se gabar de seus novos poderes, até a morte do tio Ben, que sempre o criou. Ele sai em busca do assassino do tio e, assim, se transforma no Homem-Aranha, o vigilante das ruas de Nova York passa a ser caçado pela polícia. Nesse meio tempo, Parker se vê às voltas com Gwen Stacy, sua colega de classe, interesse amoroso e filha do chefe de polícia. Enquanto isso, os planos do Dr. Connors saem pela culatra após testar nele mesmo uma fórmula extraída das propriedades regenerativas dos lagartos, transformando-o em um super Lagarto. Seus planos então mudam para forçar a humanidade como um todo a evoluir, começando pelo espalhamento da fórmula por toda a cidade.

“O Espetacular Homem-Aranha” tem um apelo mais jovem, depositando suas forças principalmente nas costas de Andrew Garfield, que faz jus à nova roupagem que o herói ganha. A história, mais próxima da vista no desenho animado de mesmo nome, envolve mais gags de humor e a forma como Peter Parker ganha os seus poderes e se transforma em Homem-Aranha é mais convincente. Livre dos dramas da trilogia anterior, o filme mostra um Peter Parker ainda experimentando os poderes e, de certa forma, se vangloriando deles. Nesse aspecto, o filme acerta mais pela aproximação de seu público-alvo, os jovens de hoje (e não os de dez anos atrás).

Emma Stone está confortável no papel de Gwen Stacy, apesar de não estar tão cômica como o de costume. Alguns podem estranhar a saída de Mary-Jane Watson, a mais conhecida namorada do Homem-Aranha, mas Gwen se encaixa bem sem nenhuma menção à ruiva. Rhys Ifans até que dá um bom Curt Connors, mas o visual do Lagarto deixa um pouco a desejar, em especial pela face da criatura. Em comparação com filmes anteriores, os efeitos visuais são melhor empregados, mas o Lagarto poderia ser melhor trabalhado. Já Martin Sheen e Sally Field, nos papeis de Tio Ben e Tia May, apesar de aparecerem pouco, conseguem mostrar o talento que ambos tem, já visto também ao longo dos seus anos de carreira.
 
A Sony, apesar de toda a pressão e críticas que recebeu ao informar que iria reinventar toda a franquia, acabou acertando por dar uma cara nova ao personagem e à história em si, deixando-a diferente em certos pontos. Marc Webb também acertou na condução da trama da forma leve que estamos acostumados a ver seus trabalhos. No entanto, este filme ainda perde um pouco o apelo que o original teve, com menos ação e mais diversão. “O Espetacular Homem-Aranha” diverte e faz seu papel ao tirar a imagem cansada que “Homem-Aranha 3” deixou na franquia, servindo bem ao espetáculo que propõe, iniciando uma nova trilogia.

Nota: 8,0
Efeitos 3D/IMAX: 6,0


terça-feira, 5 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador

 Snow White and the Huntsman
(EUA, 2012). De Rupert Sanders. Com Kristen Stewart, Charlize Theron, Chris Hemsworth, Ray Winstone, Sam Clafin, Bob Hoskins, Nicki Frost, Sam Spruell, Eddie Marsan, Brian Gleeson, Toby Jones.

A beleza é uma das principais armas de uma mulher. Tanto é que algumas são extremamente obssessivas com sua aparência e fazem de tudo para chegar ao rosto e corpo perfeitos. Essa sempre foi uma das vertentes pelas quais passeou o conto Branca de Neve e os Sete Anões, presente há muitos anos no imaginário popular. Nessa nova adaptação para o cinema, a segunda este ano, o que está em jogo é a vida de uma princesa, a honra de um caçador e o destino de todo um reino quando uma mulher busca incessantemente ser a mais bela de todas. Em “Branca de Neve e o Caçador”, são as motivações da rainha Ravena o que mais chama a atenção. É em seu passado sombrio que entendemos o que a faz ser como é, destruindo o que estiver entre ela e seu objetivo, em uma interpretação magistral de Charlize Theron que transmite crueldade e profunda tristeza. 

Em um reino muito distante, após tramar a morte do Rei, a rainha Ravena trancafia sua enteada, Branca de Neve, na torre mais alta de seu castelo. Para manter um encantamento que sempre a salvaria e a tornaria a mais bela de todas, Ravena se alimenta da energia vital de mulheres jovens em todo o reino, comendo-lhes o coração. Até que um dia seu espelho mágico avisa que existe sim alguém mais bela do que ela. Sim, é Branca de Neve, que aproveita uma distração para fugir do castelo e se engendrar na Floresta Negra, onde os poderes de Ravena não fazem efeito. Por isso, a rainha contrata um caçador que teve sua mulher assassinada por Ravena, mas que ela prometeu trazer de volta caso ele a ajudasse. Só que, no meio da empreitada, o Caçador se alia à causa de Branca de Neve e junto com sete anões da Floresta irão organizar uma rebelião armada contra o domínio de Ravena, que apenas a mais bela pode derrotar.


Ao colocar traços sombrios na história, o diretor Rupert Sanders acerta e constrói uma trama que mistura traços cômicos com um ritmo de ação que não prejudica o desenvolvimento dos personagens, que são a alma do filme. Kristen Stewart, apesar de não ter sido a melhor escolha para o papel,  se sai bem como a mocinha que sofre do começo ao fim, passando por um zilhão de provações pelo caminho. Ao seu lado está o Caçador, interpretado por Chris Hemsworth, que se despe da montanha de músculos de Thor para encarnar um guerreiro mais hábil na batalha corpo a corpo, com uma história de dor e amargura.

O melhor desempenho fica por conta de Charlize Theron que consegue transmitir um ódio sem tamanho ao mesmo tempo em que deixa transparecer uma Ravena também com um passado marcado por dor e sofrimento. A personagem seria quase humana, não fossem as atitudes diabólicas e maléficas que pratica.


Os efeitos especiais, o figurino e a direção de arte são também um ponto chave do filme, se tornando essenciais para a formação da história. Diferente do seu par “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador” sai do burlesco e colorido e coloca tons mais sombrios e reais na tela. O diretor Rupert Sanders, em seu filme de estreia, provou ser a escolha certa para dirigir o filme justamente apostando nesse visual. As ambições iniciais eram fazer de “Branca de Neve e o Caçador” uma trilogia, dependendo do resultado de seu primeiro exemplar. 

 O filme tem seus defeitos. Kristen Stewart é a responsável pela maioria deles. O principal é sequer terem cogitado que ela poderia ser mais bela que Charlize Theron. Mas, assim como a moral do filme nos ensina, a beleza é relativa. Nesse caso, literalmente.

Nota: 8,5

Ó, Grande Veado Branco... oh, wait!.

terça-feira, 29 de maio de 2012

MIB - Homens de Preto 3

 Men in Black 3
(EUA, 2012). De Barry Sonnenfeld. Com Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Emma Thompson, Jemaine Clement , Michael Stuhlbarg e Nicole Scherzinger.

Quando o primeiro “MIB” foi lançado, em 1997, Will Smith começava a virar uma estrela. Tinha saído de “Independence Day” e “Bad Boys” e contava como seu maior personagem o protagonista do seriado “Um Maluco no Pedaço”, que dispensa apresentações. A diferença entre “MIB” e os outros dois filmes é que o dos homens de preto foi o primeiro depois do fim da série, quase um teste para Will Smith se desvincular do outro Will Smith, o príncipe de Bel-Air. Não deu muito certo, vide este vídeo postado recentemente na internet. Mas como todo sabemos, Smith virou astro de primeira grandeza de Hollywood. Pode não ter se desvinculado totalmente da série, mas conseguiu outros tantos personagens de peso em sua carreira. O sucesso de “Homens de Preto” foi garantido por ele em 1997 e em 2002, ao lado de um veterano Tommy Lee Jones fiscalizando todo o trânsito de alienígenas na Terra e fora dela.  A terceira parte não é diferente e não chega a acrescentar nada de muito original, mas faz jus ao status de Smith que, como sempre, brilha mais do que todo o resto.

O assassino alienígena Boris, preso pelo agente K há mais de 40 anos, escapa da prisão e consegue voltar no tempo, matando o agente e impedindo sua própria prisão, alterando o curso da história. Quando percebe que algo está errado, o agente J não se conforma com o desaparecimento do agente e também volta no tempo, encontrando a versão mais jovem do agente K. Assim, J precisa impedir que Boris cumpra o seu plano e altere o curso da história e da parceria dos agentes na MIB.


O roteiro se vale do clichê da volta no tempo de uma forma bem humorada, retratando bem a sociedade de 1969, com eventos como a chegada do homem à Lua e as festas proporcionadas por Andy Wharol, personagem que revela certas surpresas. Nesse ensejo, o único que faz frente ao desempenho de Smith é Josh Brolin, como um charmoso agente K mais novo, com 28 anos (apesar de Brolin já ter seus 44 anos). Fora isso, as mesmas piadas que funcionaram nas duas primeiras edições, como o famoso neuralizador e os monstros mais grotescos escondidos em meio à civilização. 


As referências ao que pode ser de procedência alienígena se aproveitando do nosso grotesco cotidiano (se antes foi Michael Jackson, agora é Lady Gaga) também funciona, mas “MIB 3” não engrena como algo independente. As risadas vêm, mas são mais do mesmo já visto nos outros filmes. Algumas cenas de ação até funcionam, mas não empolgam muito. Fica apenas a satisfação em ver um bom filme trabalhado nas referências anteriores e, claro, nas boas atuações de Will Smith e Josh Brolin, que são que são. Agora, pra quem ficou quatro anos sem filmar, Smith poderia ter voltado um pouco melhor.

Nota: 7,0




PS: "MIB 3" é o filme n° 250 a ter resenha publicada aqui! Cara, 250 é muito filme!!! Quer saber quais foram? Visita a aba "Índice" ali em cima, no menu. Lá tem a relação de todos os 250 filmes que já foram comentados aqui no CINEMARCOS. Em breve, o 251. Logo logo chegamos aos 500! Um forte abraço e continue lendo! Bons filmes!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os Vingadores - The Avengers

The Avengers
(EUA, 2012) De Joss Whedon. Com Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Gwyneth Paltrow, Stellan Skarsgaard, Clark Gregg, Cobie Smulders e Samuel L. Jackson.

Com a reunião de tantos heróis juntos em um mesmo filme, de uma forma que fique coerente, uma coisa é certa: não importa o final de “Os Vingadores”, quem ganha são os nerds. Filmes de super-heróis já estão presentes nas nossas vidas há tanto tempo, mas nenhum atingiu um grau de espera tão grande. Nem mesmo “Batman – O Cavaleiro das Trevas” gerou tanto estardalhaço (a não ser talvez por causa da morte precoce de Heath Ledger). Com “Os Vingadores”, a Marvel se declara como autoridade máxima no quesito “filme de quadrinhos”, dando um banho na DC Comics. E mais: nada é mais simbólico para a cultura nerd do que uma HQ. Essa qualidade vista nos gibis chegou ao cinema de forma magistral, reunindo diversas estrelas de muito gabarito com roteiristas competentes e um diretor de mão cheia, Joss Whedon. 


Quando Loki consegue invadir a S.H.I.E.L.D. e roubar o Tessaract, uma fonte de energia tão poderosa que é capaz de abrir um portal entre as dimensões, o agente Nick Fury planeja em reunir os maiores heróis da terra para o projeto Avengers. Para isso, ele recruta os agentes Coulson e Natasha Romanoff (a Viúva Negra) para ir atrás das pessoas. Assim, Bruce Banner e Tony Stark (Hulk e Homem de Ferro, respectivamente) terão que unir forças com Steve Rogers – o Capitão América – para deter o plano de Loki: abrir o portal e liberar a entrada de criaturas que planejam dominar e governar a Terra. Para deter o irmão, Thor retorna de Asgard e se une aos heróis, que precisam salvar Nova York (e a Terra), além de resgatar o Gavião Arqueiro e o dr. Selvig, ambos sob o poder de Loki.



“Os Vingadores” consegue a proeza de unir todos os heróis sem desfalcar nenhum deles. Todos aparecem em equilíbrio, embora haja uma tendência natural de puxar uma sardinha a mais para o Homem de Ferro, o start da franquia. Assim também parece ser o relacionamento das estrelas na tela, atores acostumados a serem protagonistas de suas próprias franquias.  O entrosamento dos atores, refletindo o espírito Marvel presente há tantos anos nos gibis, é fundamental para que o time de “Os Vingadores” transmita credibilidade. Tantos nomes bons e nenhum se sobressai, a não ser a própria marca dos Vingadores. 

Os efeitos visuais são um espetáculo a parte, realmente dignos da espera dos fãs. Claro que a mais visível peça de efeitos visuais, o Hulk, ganha mais destaque, com um personagem realista, interpretado por captura de movimentos pelo próprio Mark Ruffalo. Aliás, o Incrível Hulk é um destaque a parte no filme, garantindo ótimos momentos, seja na pancadaria fazendo o que sabe ffazer melhor, esmagando coisas, seja em momentos hilários.


O humor é inevitavelmente presente em todo o filme, o que faz com que a diversão ao se assistir “Os Vingadores” seja muito maior. Acredito que, no fundo, além do respeito por tudo o que esses heróis representam na cultura pop atual, o entretenimento é levado muito a sério. Afinal, “Os Vingadores” provavelmente será a maior bilheteria do ano. E, ao contrário do que muitos possam pensar, os heróis não se anulam (nem os vilões), mas se complementam a dar a passagem para o outro, mostrando que nada é melhor do que um trabalho de equipe bem arquitetado, quando um sabe levar em consideração o talento que o outro tem. 

Nota: 9,0
Efeitos IMAX-3D: 10





quarta-feira, 4 de abril de 2012

Jogos Vorazes


The Hunger Games
(EUA, 2012) De Gary Ross. Com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Woody Harrelson,  Donald Sutherland, Liam Hemsworth, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Lenny Kravitz, Alexander Ludwig, Isabelle Fuhrman e Wes Bentley.

“Jogos Vorazes” já nasceu com um peso nas costas. Todos colocam o filme, baseado no primeiro livro da trilogia de Suzanne Collins, como o sucessor natural da Saga Crepúsculo – que por sua vez, tentou ser a sucessora de Harry Potter. O problema ao comparar ambas as franquias está justamente... na comparação. Porque apesar dos elementos comuns (o triângulo amoroso, os protagonistas adolescentes, situações de perigo), “Jogos Vorazes” não lembra em nada a história dos vampiros brilhantes de Stephenie Meyer. Só pelas primeiras cenas, filmadas com um estilo ‘câmera na mão’, já presenciamos uma superioridade que se confirma na maturidade da história ao longo do filme. Com um enredo improvável, a disputa sangrenta entre adolescentes seduz justamente por seu aspecto improvável e por sua protagonista, cheia de elementos que determinam a retidão da moral, a coragem e a destreza dignos de uma heroína. Um abismo necessário que separa Katniss Everdeen da insossa Bella Swann.

Em um futuro apocalíptico, o único país restante é Panem, região onde antes ficavam os Estados Unidos e que foi dividida em doze distritos, mediante sua área de atividade econômica. Todos os anos, para manter a ordem, a Capital ordena que os distritos enviem um casal de adolescentes escolhido em um sorteio, onde eles serão oferecidos como tributos em um torneio chamado Jogos Vorazes, um espetáculo televisivo assistido por toda a Panem. Mistura de campeonato com reality show, os Jogos, no entanto, consistem na luta dos jovens entre si, até a morte, até que apenas um sobreviva. Habitante do Distrito 12, o mais pobre de todos, Katniss Everdeen não aceita a escolha de sua irmã como tributo e se voluntaria para os Jogos. Ela é a escolhida ao lado de Peeta Mellark e ambos seguem para a Capital, para serem treinados pelo bêbado Haymitch e se enfrentarem nos Jogos, onde é cada um por si.


O mérito de “Jogos Vorazes” é nunca se entregar como um filme adolescente. É claro que a simpatia destes é o objetivo, mas o filme se leva muito a sério, sobretudo quando se trata da matança de verdade. Tanto que só percebemos a crueldade dos acontecimentos quando estes são mostrados na tela, com os jovens matando uns aos outros, literalmente! Aí se vê uma verdadeira caça, onde todas as artimanhas para a eliminação do oponente são válidas. Avessa à violência, Katniss prefere a estratégia para se manter viva nos Jogos e seu caráter reto, aliado a um suposto affair com Petta, é explorado pelos produtores do jogo e mostrado no programa de TV.

A produção espetacular do filme ajuda o espectador a se situar, de fato, e perceber como Panem se transformou, mas é quando visitamos os Distritos (11, 12 e a Capital) é que temos a noção de como ficou o futuro e como é injusto controle da maioria apenas pelos mais ricos. Daí fica mais fácil se afeiçoar à Katniss Everdeen, em um papel que destaca o talento de Jeniffer Lawrence e a coloca de vez no mapa de Hollywood. Apesar de já conhecida por seus papeis em “Inverno da Alma” (indicado ao Oscar) e “X-Men: Primeira Classe”, o papel de Lawrence legitima sua posição como uma das atrizes mais requisitadas da atualidade. Assim como seu companheiro, Josh Hutcherson, que cresceu diante das câmeras.

-Será que vão gostar mais da gente que de Crepúsculo?
Talvez o maior pecado de “Jogos Vorazes” seja o de não explicar muito bem como Panem funciona, as regras do jogo e o seu próprio sistema, deixando o expectador ser jogado no meio da informação.  Essa falta de informação faz com que toda a narrativa fique sem propósito, com o objetivo apenas de mostrar os jogos violentos ao espectador (leia-se os habitantes de Panem) que os assiste com passividade (o mesmo também vale para o espectador do filme). Se essa era a intenção de Collins ao escrever o livro e roteirizado o filme, isso deveria ter ficado mais claro. No fim, Katniss leva o filme na boa e nada disso abala o resultado final.

“Jogos Vorazes” é um bom filme, com uma ótima trama e merece o sucesso que faz, muito em função de sua heroína. Porém, me preocupa o fato de que um best-seller mundial e um blockbuster sejam baseados em uma matança entre adolescentes – e que o público vibre com esse tipo de coisa por escolha própria. Quando aceitamos ver na tela o assassinato dos adolescentes, é hora de repensar as coisas, porque deve ter algo de muito errado com o mundo. Tudo bem que a trama é de ficção e que Suzanne Collins faz uma grande crítica ao sistema capitalista dos Estados Unidos e prevê o que o mundo pode se tornar no futuro. Daí a alimentar mentes adolescentes com mais violência gratuita é outra história. Bom, mesmo assim, fica o entretenimento, já que não esperamos que comecem a criar Jogos Vorazes de verdade por aí.


*Preste atenção em quantos egressos adolescentes de outros filmes retornam aqui: Alexander Ludwig (“A Montanha Enfeitiçada”), Isabelle Fuhrman (“A Órfã”), Josh Hutcherson (“Zathura”, “Viagem ao Centro da Terra”), Liam Hemsworth (“A Última Música”) e a própria Jennifer Lawrence (“X-Men: Primeira Classe”).

Nota: 8,5