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quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha

The Amazing Spider-Man
(EUA, 2012). De Marc Webb. Com Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Sally Field, Martin Sheen e Denis Leary

Lançado em 2002, o primeiro “Homem-Aranha” é simbólico para diversos fãs de quadrinhos e cinema (e filmes de quadrinhos). Significava o novo rumo que as adaptações das histórias de super-heróis iriam tomar. Mais denso e profundo, mostrando um Peter Parker gente como a gente, um herói real que sofre, sangra e tem mazelas em sua vida, o filme de Sam Raimi gerou duas continuações e marcou a carreira de Tobey Maguire e Kirsten Dunst. Dez anos depois, a franquia se reinventa, desta vez pelas mãos do diretor Marc Webb (500 Dias Com Ela). E as diferenças não poderiam ser mais gritantes. Apesar de a história ser, em sua maioria, a mesma, a forma de ser contada é que mudou. A Sony apostou em uma nova abordagem dos quadrinhos, colocando um Peter mais jovem e espontâneo, como um adolescente normal (e não o Homem-Aranha maduro da trilogia original). Isso deu leveza ao novo filme, levando-o mais para o lado da comédia e dando um tom mais de aventura do que de ação.

Peter Parker é um adolescente comum, com problemas com os valentões da escola, mas não chega a ser totalmente um excluído. Ele mora com os tios desde a morte dos pais, que começa a investigar após achar uma antiga valise.  Assim, ele conhece o Dr. Curt Connors, cientista que trabalhava com o seu pai em uma fórmula para regeneração de células. Em meio a uma visita ao seu laboratório, Parker encontra uma câmara onde aranhas geneticamente modificadas são cultivadas. É lá que ele acaba sendo picado, tendo o seu próprio DNA modificado, ganhando assim super força e um sentido aguçado, como o das aranhas. Com isso, o garoto passa a se aventurar e se gabar de seus novos poderes, até a morte do tio Ben, que sempre o criou. Ele sai em busca do assassino do tio e, assim, se transforma no Homem-Aranha, o vigilante das ruas de Nova York passa a ser caçado pela polícia. Nesse meio tempo, Parker se vê às voltas com Gwen Stacy, sua colega de classe, interesse amoroso e filha do chefe de polícia. Enquanto isso, os planos do Dr. Connors saem pela culatra após testar nele mesmo uma fórmula extraída das propriedades regenerativas dos lagartos, transformando-o em um super Lagarto. Seus planos então mudam para forçar a humanidade como um todo a evoluir, começando pelo espalhamento da fórmula por toda a cidade.

“O Espetacular Homem-Aranha” tem um apelo mais jovem, depositando suas forças principalmente nas costas de Andrew Garfield, que faz jus à nova roupagem que o herói ganha. A história, mais próxima da vista no desenho animado de mesmo nome, envolve mais gags de humor e a forma como Peter Parker ganha os seus poderes e se transforma em Homem-Aranha é mais convincente. Livre dos dramas da trilogia anterior, o filme mostra um Peter Parker ainda experimentando os poderes e, de certa forma, se vangloriando deles. Nesse aspecto, o filme acerta mais pela aproximação de seu público-alvo, os jovens de hoje (e não os de dez anos atrás).

Emma Stone está confortável no papel de Gwen Stacy, apesar de não estar tão cômica como o de costume. Alguns podem estranhar a saída de Mary-Jane Watson, a mais conhecida namorada do Homem-Aranha, mas Gwen se encaixa bem sem nenhuma menção à ruiva. Rhys Ifans até que dá um bom Curt Connors, mas o visual do Lagarto deixa um pouco a desejar, em especial pela face da criatura. Em comparação com filmes anteriores, os efeitos visuais são melhor empregados, mas o Lagarto poderia ser melhor trabalhado. Já Martin Sheen e Sally Field, nos papeis de Tio Ben e Tia May, apesar de aparecerem pouco, conseguem mostrar o talento que ambos tem, já visto também ao longo dos seus anos de carreira.
 
A Sony, apesar de toda a pressão e críticas que recebeu ao informar que iria reinventar toda a franquia, acabou acertando por dar uma cara nova ao personagem e à história em si, deixando-a diferente em certos pontos. Marc Webb também acertou na condução da trama da forma leve que estamos acostumados a ver seus trabalhos. No entanto, este filme ainda perde um pouco o apelo que o original teve, com menos ação e mais diversão. “O Espetacular Homem-Aranha” diverte e faz seu papel ao tirar a imagem cansada que “Homem-Aranha 3” deixou na franquia, servindo bem ao espetáculo que propõe, iniciando uma nova trilogia.

Nota: 8,0
Efeitos 3D/IMAX: 6,0


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Veja Andrew Garfield vestido como Homem-Aranha

Depois de muito bafafá nos bastidores, intrigas, brigas, reclamações e aplausos dos fãs, parece que "Homem-Aranha" está de uma vez por todas nos trilhos e funcionando a todo vapor. A Sony libera quase que uma novidade por dia e está aproveitando a badalação que "A Rede Social" provocou em torno de Andrew Garfield para divulgar o protagonista devidamente fantasiado, com o uniforme do herói.


E ai, aprovou? Devo confessar que torci o nariz pra ele no começo, mas depois de assistir à "A Rede Social" me convenci de seu potencial e tem tudo pra levar a franquia adiante.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A Rede Social

The Social Network (EUA, 2010)
De David Fincher. Com Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rooney Mara, Max Minghella, Rashida Jones e Armie Hammer.

Há pouco mais de um ano eu escrevi uma notícia que eu mesmo desacreditei. Era sobre o fato de David Fincher, aclamado diretor de "Clube da Luta" e recém-saído de "O Curioso Caso de Benjamin Button" ter sido escolhido para adaptar a história da criação do Facebook. Em meio à adaptações absurdas, como a cogitada história do Cubo Mágico, essa parecia mais uma. Esse espanto pode ter vindo por eu não conhecer, à época, a história que levou o Facebook ao estrelato. Vejamos só a evolução dos números da minha nota à estreia do filme, nesta sexta. Em junho de 2009, o site tinha 200 milhões de membros e era avaliado em US$ 16 bilhões. Hoje, o número saltou para 500 milhões de membros, com avaliação em US$ 25 bilhões. É muita gente. É muito dinheiro. É claro que a história por trás disso seria ótima de contar. Há um ano atrás eu não podia estar mais errado.

O filme mostra como Mark Zuckerberg, em 2003, um estudante da universidade de Harvard, criou, ao lado de seu amigo Eduardo Saverín, o Facebook. Essa é a sinopse óbvia. Acontece que Zuckerberg teria roubado a ideia de outros alunos do campus, que teriam sugerido uma rede interna apenas para a universidade. Zuckerberg aproveitou a ideia e construiu algo maior: uma rede social que colocasse todos os paradigmas sociais do dia-a-dia na internet e que você só teria acesso se fosse convidado, como um clube particular. Ele usou a ideia em conjunto com os algoritmos (e os recursos) do amigo Eduardo, que aposta na ideia de Mark, mas sempre é colocado de lado. Quando o Facebook começa a ganhar notoriedade, ele vira alvo de disputas, seja a dos acusadores de plágio, seja de investidas de Sean Parker, o inventor falido do Napster que vê no Facebook sua chance de retornar ao topo da elite virtual. As investidas de Parker são vistas com desagrado por Eduardo, que se vê traído por Zuckerberg e passa a ser um de seus maiores inimigos.


O que mais chama a atenção não é fato de essa ser uma história real. É que essa é uma história real contemporânea. Contemporânea demais! Há cinco anos, quando o Facebook estourou no mundo, eu nem tinha internet ainda. Não se pensava no mundo globalizado como está hoje e parte desse pensamento se deve ao avanço de redes sociais, como o Facebook. O que Mark Zuckerberg fez foi mudar a maneira como nós nos relacionamos com as pessoas. No seu dia-a-dia você mal conversa com um colega de classe, mas comenta todos os status dele na rede social! E se ele se tornou o bilionário mais jovem do mundo, bem, isso se deve à sua visão da coisa toda. Pra ele, a principal razão de o Facebook ser tão popular é porque o site é, nas suas palavras, legal.

Saindo do campo das reflexões, David Fincher acertou mais uma vez ao conferir um toque pessoal ao filme que aproxima o espectador. Acertou também na escolha dos seus protagonistas. Jesse Eisenberg sai dos porões de comédias como "Zumbilândia" e "Férias Frustradas de Verão" e se projeta como um ator com futuro promissor, ainda mais com um desafio de encarnar um personagem ainda vivo: ele é apenas alguns meses mais velho que o Zuckerberg real.


Justin Timberlake até que pode continuar investindo na carreira de ator. Aqui ele interpreta uma espécie de antagonista. Na prática, ele divide as atenções de Mark com Eduardo Saverín, consegue ganhar mais atenção mas detrói tudo por causa de sua vida relapsa. Ou melhor, não destróooi tudo, mas uma poa parte. Já a surpresa do filme é Andrew Garfield, quase um desconhecido quando foi contratado para "A Rede Social" e com os olhos voltados pra ele na estreia do filme. É que Garfield vai ficar com um dos papeis mais icônicos do cinema deste início de século: Peter Parker/Homem-Aranha. E é dele que parte as melhores atuações do filme, como o amigo traído/usado/confiante ou /qualquer outro adjetivo que se queira usar, de Mark Zuckerberg. Já se cogita uma indicação certa para ele no Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.


Falando em Oscar, "A Rede Social" já estreia como um dos favoritos para a premiação do ano que vem. A Academia está dando preferência a histórias contemporâneas ultimamente, vide seus últimos ganhadores. Então, as chances do filme se potencializam consideravelmente. E antes que eu me esqueça, compartilha aí e me adiciona no Facebook.






Nota: 9,0