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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Top 10 - Filmes de Super-Heróis Mais Importantes para o Cinema

Para elaborar esta lista, eu revirei a internet do avesso. Procurei arquivos nas minhas revistas, livros e em artigos da história cinematográfica recente. Parece que é um assunto bobo? Pois não é não. Os filmes baseados em histórias em quadrinhos levantaram a moral do cinema nos últimos anos. Houve quem já tivesse decretado o fim das salas, com a queda dos espectadores. Esse filão, que ressurgiu no início do século XXI, provou as histórias dos super-heróis podem ser profundas e tão humanas quanto qualquer drama, romance ou comédia, mesmo que sejam personagens com características imaginárias, como voar, atirar laser pelos olhos, entre outras. Aproveitando o lançamento de “Thor” (e de “X-Men”, “Lanterna Verde” e “Capitão América” em 2011), criei a lista dos filmes de super-heróis mais importantes para a indústria.

Leiam-se MAIS IMPORTANTES! Não necessariamente os melhores. Listas de melhores filmes de super-heróis estão espalhadas por aí e são quase sempre as mesmas (“O Cavaleiro das Trevas” encabeçando todas elas!). Os filmes listados abaixo tiveram alguma importância significativa e ajudaram a “Thor” ganhar confiança e sair do papel. Sejam eles bons ou ruins, entraram para a história.

10 Watchmen (2009)

De Zack Snyder. Com Patrick Wilson, Jeffrey Dean Morgan, Malin Akerman.

Alan Moore é considerado o papa dos quadrinhos. Logo, sua obra prima, “Watchmen”, é a bíblia dos quadrinhos, a HQ definitiva, ou como queiram chamar. Na versão cinematográfica, dirigida por Zack Snyder, são quase 3 horas de ação para colocar na telona um calhamaço histórico em detalhes que permearam o cotidiano nerd por duas décadas. Para quem leu, o filme tem falhas (assim como para quem não leu), mas a visão de Snyder para a obra o confirmou como diretor visionário e deu força para outras graphic novels saírem do papel, como “The Spirit”, “The Loosers” e “Scott Pilgrim Vs. The World”.

+ "Watchmen” levou mais de dez anos para sair da gaveta, por ser considerado infilmável. Já teve nomes como Terry Gilliam, Darren Aronofsky, Paul Greengrass e Michael Bay envolvidos até que Snyder apareceu com “300” e solucionou o problema. Alan Moore, como é de praxe, detestou o filme.

9 Blade, o Caçador de Vampiros (1998)

De Stephen Norrington. Com Wesley Snipes, Stephen Dorff e Kris Kristofferson.

Dentro do universo Marvel, Blade nem é tão importante assim. Porém, na recente história do boom dos quadrinhos nas telas, “Blade – O Caçador de Vampiros” é considerada a primeira tentativa de sucesso de colocar uma trama decente de um super-herói da Marvel no cinema contemporâneo. O filme fez sucesso inclusive entre as pessoas que desconheciam Blade ou sua vertente heroica. Sorte de Wesley Snipes, que deu certa guinada na carreira neste período, deixando personagens brucutus para encarnar alguém da cultura pop-nerd.

+Blade gerou duas sequências: “Blade 2” em 2002, que foi dirigido por um então desconhecido Guillermo Del Toro, dando abertura para que ele fizesse “Hellboy” a seguir; e “Blade: Trinity”, que fecha a trilogia manchando tudo o que de decente tinha sido feito até então.

8 Superman – O Filme (1978)

De Richard Donner. Com Christopher Reeves, Marlon Brando, Margot Kidder e Gene Hackman.

Não é por acaso que o Superman é um símbolo máximo dos Estados Unidos. Criado em 1938, o personagem manteve a mesma força quando o filme de 1978 foi lançado, despertando admiração generalizada. Imagine você, no fim da década de 1970, como era fazer um homem voar! Em comparação com os filmes de hoje, os efeitos são radicalmente toscos, mas a história é tão fiel e foi tão bem contada, que mesmo quem assiste hoje não se deixa ser levado por esse aspecto. “Superman – O Filme” consagrou Christopher Reeve, deixou Marlon Brando mais rico e foi indicado a 3 Oscars, incluindo Trilha Sonora composta por John Williams. Aliás, você sabe qual a música-tema do Superman, né? Ela é exclusiva do filme de 1978, mas vale basicamente pra qualquer versão.

+O filme ganhou um Oscar especial pelos efeitos especiais. Na época, não existia a categoria por, virtualmente, inexistirem filmes tão bem versados em efeitos especiais. O filme tem três sequências diretas: Superman II - A Aventura Continua (1980), Superman III(1983), Superman IV - Em Busca da Paz (1987); e uma indireta: Superman – O Retorno (2006).

7 Batman (1989)

De Tim Burton. Com Michael Keaton e Jack Nicholson.

Você pode chiar hoje comparando os filmes de Tim Burton e Christopher Nolan, mas até o lançamento de “Batman Begins” ninguém discordava da maestria que foi “Batman” para a época. Foi simplesmente um exemplo nato do termo ‘blockbuster’, um filme com produção milionária, cujo objetivo é arrecadar mais dinheiro ainda, seja com ingressos, seja com produtos licenciados. O visual dark pitoresco, característica de Tim Burton, foi uma inspiração direta dos quadrinhos para uma Gotham melancólica e sombria. O Coringa caricato de Jack Nicholson foi um dos personagens mais icônicos do cinema até ser destituído pelo Coringa de Heath Ledger. Não importa se fizeram um filme melhor, neste caso o que importa é o contexto. E “Batman” está para a década de 1980 como Romeu está para Julieta.

+Jack Nicholson inovou no contrato e pediu uma participação nos lucros do filme e produtos licenciados. Não poderia ter se dado melhor. O filme custou US$ 35 milhões (valor modesto pros dias de hoje) e arrecadou mais de US$ 250 milhões só nos Estados Unidos.·.

6 Batman Begins (2005)

De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Morgan Freeman, Michael Caine e Liam Neeson.

Apesar de tudo o que eu disse aí em cima, é inegável o que Christopher Nolan fez pela franquia Batman. O personagem é talvez o mais querido do universo DC Comics, exatamente por não ter poder especial nenhum. Em “Batman Begins”, Nolan foi ao começo da história de Bruce Wayne para desvendar todo o trauma que o acompanha até a vida adulta e que o transforma no justiceiro de Gotham City. Também nada de toques pitorescos, burlescos ou sombrios demais. Se o Batman é um cara comum, Gotham City e seus moradores também têm que ser. Foi assim, humanizando o personagem, regra fundamental para filmes do gênero, que “Batman Begins” arrebatou o coração dos fãs. A modernização sem perda da fidelidade à história é um marco dentre os filmes baseados em personagens da DC. O longa não tem qualquer ligação com nenhum filme já feito sobre o personagem.

+O papel do novo Batman foi disputado por mais de 15 atores, entre eles Cillian Murphy, que acabou ficando com o papel de Espantalho. George Clooney, no entanto, foi dispensado pela Warner, mesmo tendo assinado contrato para dois filmes como Batman.

5 Homem-Aranha (2002)

De Sam Raimi. Com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco e Willem Dafoe.

“Homem-Aranha” sempre será associado como o filme que deu asas à fidelização dos quadrinhos. Quando Sam Raimi levou às telas um Peter Parker humanizado, um garoto comum como qualquer outro, ganhou todos os fãs do Cabeça de Teia. Centralizado no início da história, contando tudo desde o início, introduzindo o personagem, “Homem-Aranha” criou uma espécie de padrão para os roteiros que viriam depois. O filme virou um fenômeno e garantiu duas sequências. “Homem-Aranha 2” foi um sucesso ainda maior, levando para o cinema uma das melhores tramas do herói, a parte do conflito interno. A escolha de Alfred Molina como Dr. Octopus também foi um acerto que contribuiu para o sucesso. Já a pauliceia desvairada de “Homem-Aranha 3” gerou críticas por parte dos fãs, devido ao grande número de tramas paralelas e múltiplos vilões.

+Para salvar a franquia, a Sony anunciou um reboot na história para 2012, levando Peter Parker de volta ao colegial. Andrew Garfield e Emma Stone estão na nova versão, que será dirigida por Marc Webb, de “(500) Dias Com Ela”.

4 Homem de Ferro (2008)

De Jon Favreau. Com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges.

O mundo ignorava o Homem de Ferro. Afinal, com tantos super-heróis com poderes extraordinários, um homem comum e rico com uma armadura não chamava atenção. A Marvel não pensava assim e escolheu o herói para iniciar seus trabalhos com a Marvel Filmes. “Homem de Ferro” foi um sucesso tão estrondoso quanto inesperado. Não só estabeleceu a Marvel como toda poderosa como levantou a carreira de Robert Downey Jr. e fez o Homem de Ferro, até então um coadjuvante, virar um protagonista de mão cheia. A partir deste longa, a Marvel Filmes decidiu tomar conta dos personagens Marvel e assim vários personagens deste universo tão vasto irão ganhar vida: Thor e Capitão América este ano, culminando com Os Vingadores ano que vem, além de possíveis reinvenções de Demolidor e Quarteto Fantástico.

+A Marvel progrediu tanto com o lançamento de “Homem de Ferro” que atraiu os olhares de ninguém menos do que a Disney. Em 2009, a empresa comprou a Marvel por US$ 4 bilhões, o que dá à Disney o controle de mais de cinco mil personagens!

3 X-Men (2000)

De Bryan Singer. Com Patrick Stewart, Ian McKellen e Hugh Jackman.

Se “Blade” tinha sido a tentativa, “X-Men” foi o grande acerto. O carisma com os personagens mor da Marvel deu aval para um zilhão de produções sobre super-heróis. A Sony ficou doida e produziu “Homem-Aranha”, a Universal lançou “Hulk” e a Fox tratou de fazer outro “X-Men”. O boom comercial estava lançado. Os personagens viraram ícones de todo mundo, fizeram a cultura nerd ingressar na cultura pop e transformou Hugh Jackman em um eterno Wolverine. A sequência, “X-Men 2”, é bem melhor e mais bem produzida. Já o terceiro filme é desprezível. Não é à toa que esse ano terá uma redenção da besteira com “X-Men: Primeira Classe”.

+Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes e produtor de “House”, abandonou o terceiro filme para alçar voos mais altos: dirigir o “Batman Begins” do Homem de Aço em “Superman – O Retorno”. Não deu certo pra ninguém e ele lamentou muito depois.

2 Batman e Robin (1997)

De Joel Schumacher. Com George Clooney, Chris O’Donnel, Arnold Schwarzenegger.

Aí você me pergunta, “’Batman e Robin’ em segundo lugar? Aquele lixo?”. Sim, aquele lixo. E não fui eu que disse não! Em 2009, o todo poderoso da Marvel, Kevin Feige, alegou que esse talvez tenha sido o filme mais importante do gênero! Aí vão as palavras dele, que não me deixam mentir: “Esse pode ter sido o mais importante filme baseado em quadrinhos da história. Ele era tão ruim, mas tão ruim que isso fez com que fosse necessária a demanda por novas maneiras de se fazer um filme assim. O filme criou a oportunidade de fazer ‘X-Men’ e ‘Homem-Aranha’, adaptações que respeitaram a fonte original”, disse Feige. Ou seja: era tão ruim que serviu de parâmetro para o que não fazer!

+ A besteira feita foi tão grande que o diretor Joel Schumacher veio a público pedir desculpas aos fãs de Batman pelo filme. George Clooney nem sequer menciona o trabalho. Também pudera: o filme parece um desenho animado, tem Uma Thurman e Schwarzenegger no estágio mais louco de uso do Prozac e o clássico bat-cartão de crédito!

1 Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008)

De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Aaron Eckhart, Heath Ledger, Morgan Freeman, Michael Caine, Maggie Gylenhaal.

O Batman apareceu nesta lista algumas vezes. Só isso exemplifica a importância do personagem para o cinema, os quadrinhos, para a cultura pop em geral. E o que Nolan fez pelos filmes foi algo fora do normal. Em “O Cavaleiro das Trevas”, Nolan entregou um filme baseado em HQ que calou a boca da crítica, até então reticente quanto a filmes do gênero. Foi a partir deste filme que quem ainda não gostava do Batman passou a gostar. Roteiristas começaram a correr atrás do prejuízo e um novo padrão estava formado. “O Cavaleiro das Trevas” é basicamente um manual sobre como fazer um filme destes: roteiro bem escrito e amarrado, fidelização com a HQ, bom senso, ótima direção, interpretação e comprometimento com a história. Foi com o Coringa que Heath Ledger ganhou seu Oscar póstumo e virou uma lenda. Mas este é apenas um ótimo personagem do filme. Nem a saída de Katie Holmes e a entrada de Maggie Gylenhaal incomodaram – foi até melhor! O filme foi considerado o melhor de 2008, um dos melhores da história e Christopher Nolan virou o gênio definitivo do cinema no século XXI. Quer mais importância que isso?

+ A ausência de “O Cavaleiro das Trevas” para Melhor Filme no Oscar 2009 fez muita gente reclamar horrores. Para que “injustiças” como essa não fossem mais cometidas, a Academia mudou as regras e passou a abrir dez vagas para a categoria Melhor Filme. Mas aí já era tarde...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Origem


Inception (EUA, 2010)
De Christopher Nolan. Com Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Ken Watanabe, Cillian m e Michael Caine.

"A Origem" é uma viagem do começo ao fim, mas na verdade, quando a gente entra na sala de cinema, já estamos acostumados com essa ideia. Toda e qualquer pessoa que entrou na sala para assistir ao filme sabia que seria levado por uma grande viagem atraves da mente. Christopher Nolan, o aclamado diretor de "Batman - O Cavaleiro das Trevas" trabalhou nesse filme por dois anos e manteve seu roteiro no mais absoluto sigilo, o que é de admirar em tempos de coisas vazando na internet. Nem os atores entenderam muito bem o script de primeira - alguns como Marion Cotillard tiveram que ler o roteiro todo umas três vezes. Mas ao que parece, "A Origem" não é um filme feito para se ver uma vez só.

Dom Cobb é o melhor em sua profissão: ele é um extrator, ou seja, ele é um homem capaz de extrair as memorias mais profundas da mente das pessoas, e isso é feito dentro dos sonhos. Após ser pego em uma missão, ele recebe uma contraproposta para ficar livre. Em vez da extração, Cobb terá que fazer uma inserção (inception), ou seja, plantar uma ideia na cabeça de um executivo, para que ele destrua a empresa do pai. Só que a inserção só pode ser feita nas camadas mais profundas dos sonhos, o que pode ser perigoso para Cobb e sua equipe. Mais perigoso ainda é a aparição de uma lembrança não apagada de Cobb, a de sua mulher Mal, que se suicidou mas fez com que ele levasse a culpa de sua morte. O suicídio de Mal e todos os outros incidentes fazem todos se perguntarem onde é exatamente o limite entre sonho e realidade.


Uma trama muito bem arquitetada, muito mais pelo visual e pelo roteiro, do que pela interpretação dos atores. Todo o mundo dos sonhos construído por Nolan faz parte de uma orquestra dirigida com maestria por ele. Apesar de os sonhos dentro dos sonhos causarem uma espécie de confusão mental no espectador, que nem se lembra lá pelas tantas em que camada de sonhos eles estão, o filme é um thriller de ação eficiente e que te deixa com o coração perto da goela. Sem falar que, como de costume nos filmes do diretor, um mistério paira no ar e deixa você com aquela cara de "WTF?".


O mais interessante sobre "A Origem" é a reflexão sobre sonho e realidade. Um discurso muito próximo ao que "Matrix" já tinha plantado nas aulas de filosofia há dez anos atrás. Nolan explorou cada pedaço milimétrico de questões que sempre intrigaram a humanidade. Porque sonhamos? Pra que servem os sonhos? Wes Craven já tinha percebido que esse é o nosso estágio mais vulneravel quando criou o serial killer Freddy Kruger. É quando sonhamos que a nossa mente está mais livre, protegida dos olhares alheios e talvez o único lugar onde podemos ser 100% nós mesmos. Não dá pra se esconder em sonhos. "A Origem" fala disso, fala de realidade mas não dentro do sonho. Mas da realidade que tentamos esconder neles. Danenm-se os puristas do cinema que não entenderam que esse não é um filme qualquer. É um filme de Nolan.

Nota: 9,0

terça-feira, 4 de maio de 2010

Por trás de "A Origem" e Chris Nolan


Um filme de ficção científica e ação contemporânea ambientada dentro da arquitetura da mente. Complexo, né? Mas essas palavras definem direitinho o novo filme de Christopher Nolan, "A Origem", que chega no país em agosto. Aliás, essa é a única forma de definir o filme, já que tudo em torno dele está sendo mantido no mais absoluto sigilo. Conhecendo o diretor, dá pra ver que vem coisa boa por aí, daquelas que dão voltas e voltas na sua mente antes de se chegar a um sentido plausível.

A sinopse acabou de ser divulgada, ou seja, um pouquinho do mistério começa a ser esclarecido. Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um habilidoso ladrão, o melhor na perigosa arte da extração, o roubo de segredos valiosos das profundezas do inconsciente durante o sono com sonhos, quando a mente está mais vulnerável. A rara habilidade de Cobb o tornou peça fundamental no traiçoeiro mundo da espionagem industrial, mas também o tornou um fugitivo internacional e ele perdeu tudo o que mais amava. Agora, Cobb tem sua chance de redenção, um último trabalho que pode dar-lhe sua vida de volta se ele conseguir o impossível - inserção. Ao invés do roubo perfeito, Cobb e sua equipe de especialistas têm que obter o inverso: sua tarefa não é roubar uma ideia, mas plantar uma. Se eles conseguirem, terão o crime perfeito. Mas nem todo seu planejamento poderia prepará-los para um perigoso inimigo que parece prever cada movimento da equipe. Um inimigo que apenas Codd consegue enfrentar.

Nolan é o diretor e o roteirista do filme. Isso significa que vamos ter um pouco do que já vimos antes em filmes anteriores seus. Em "Amnésia" (2000), o personagem principal, vivido por Guy Pearce, tenta desvendar o mistério do assassinato de sua mulher. Só que ele levou uma pancada na cabeça no mesmo dia e desde então não consegue guardar nenhuma lembrança recente. O filme é contado de trás pra frente. Já em "O Grande Truque" (2006), dois mágicos lutam para chegar ao melhor truque de mágica já realizado, nem que pra isso usem os meios mais obscuros. Não precisa dizer que todo o filme parece ter sido um grande passe de mágica.

Mas Nolan é mais conhecido do grande público pelos dois últimos filmes da franquia Batman. Ou melhor, da nova franquia Batman, porque se tem uma coisa que se pode ser é que tudo que sabíamos sobre o Homem-Morcego foi reinventado por Nolan em "Batman Begins" (2005) e chegou ao auge em "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (2008). E nesse último vemos muito bem o trabalho do diretor com os aspectos mentais e psicológicos. Ou tem algum personagem mais deliciosamente atormentado do que o Coringa, vivido por Heath Ledger?

A trama de "A Origem" (Inception, no original) gira em torno de Cobb, personagem de Leonardo Di Caprio, que é especialista em uma tecnologia e trabalha cercado de outros especialistas. O filme envolve sonhos, pensamentos e outras peculiaridades da mente. Mas apostando na filmografia de Nolan, dá pra esperar um filmão, até porque, quando a gente não sabe muito do filme, qualquer coisa espetacular é bem vinda. Mas se "A Origem" será espetacular, só o tempo dirá.


No elenco estão também nomes de peso e destaque do cenário hollywoodiano: Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Ellen Page, Cillian Murphy, Tom Berenger (sumido há um tempinho) e o parceiro de Nolan, Michael Caine, além de Di Caprio. "A Origem" chega por aqui em 6 de agosto de 2010.