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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um Dia


One Day
(UK, 2011) De Lone Scherfig. Com Anne Hathaway, Jim Sturges e Patricia Clarkson.

A diretora Lone Scherfig, responsável pelo filme charmoso “Educação” em 2009, retorna com um novo trabalho, igualmente charmoso. Se antes o que se via na tela era o frescor da juventude na Inglaterra dos anos 1950, desta vez é nos dias atuais que vemos a mesma juventude dando o ar de sua graça. É através da vivência de dois jovens que “Um Dia” se desenrola, uma história de amor/amizade/relacionamentos que acompanhamos por alguns anos. O que falta em “Um Dia” é o que sobrava em “Educação”, um pouco mais de consistência e ousadia. Isso sem contar que foi suficientemente ousado colocar uma atriz americana (Anne Hathaway) com um sotaque britânico, o que foi arduamente criticado. 

Dexter e Emma se tornam amigos na madrugada das suas formaturas, em 15 de julho de 1988. Os dois desenvolvem uma cumplicidade e passam a noite juntos, sem que nada aconteça entre eles. A partir daí, o filme atravessa os anos, sempre mostrando o dia 15 de julho e o que vai acontecendo com a vida dos personagens. Vemos tanto o seu crescimento pessoal como a importância que um vai tomando na vida do outro, até que percebam que não faz sentido que eles fiquem separados.  

A atmosfera de Londres e todo o charme que os dois atores principais emanam contribuem para que “Um Dia” seja um filme que vale a pena ser apreciado. As várias nuances de sentimentos, expressas, sobretudo no personagem de Jim Sturges, dão o tom correto, o que, aliás, descreve bem o que é o filme no todo: correto. Sem apelar para muitas situações esdrúxulas, só mesmo o cotidiano dos personagens, Lone Scherfig não acrescentou nenhum molho especial à adaptação do livro de David Nichols. A ideia de fazer as datas passarem na tela a cada 15 de julho lembra uma comédia romântica mais comum, algo que não esperamos de um trabalho da diretora – sem falar que, se o filme não estivesse em ordem cronológica, seria muito mais interessante, mas aí já é querer dizer pro autor mudar o formato de seu livro.

Com relação às atuações, os dois protagonistas fazem o que realmente se espera deles, que sejam jovens e apaixonados cada um pelo seu estilo de vida e que convençam o público de sua história de amor. Anne Hathaway, como (quase) sempre, cumpre bem este papel, apesar de parecer um tanto quanto apática em algumas situações. Sua personagem é a que mais transparece sua evolução com o passar dos anos, e podemos também vislumbrar um pouco da moda e do estilo dos anos 1980 e 1990, copiados com fidelidade na fita. Já o sotaque, bom, ele está lá... não chega a ser um britânico perfeito, mas convence. Jim Sturges, o galã boa-vida, é o que mais carrega nas emoções, já que seu personagem tem algum drama a mais, como a ligação com a mãe que tem câncer (vivida por Patricia Clarkson). 

A boa fotografia e trilha sonora (composta por Rachel Portman, vencedora do Oscar por “Emma” em 1996) completam os itens que fazem do filme uma boa oportunidade de ver uma história de amor legal, com pingos de comédia e drama. Só que a diretora sofre de um mal que acomete quase todos os diretores que saem com um trabalho de mestre e pulam para a aclamação: a expectativa.  Essa, Lone Scherfig não soube lidar muito bem. 

Nota: 8

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Educação

An Education
(UK, 2009). De Lone Scherfig. Com Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Rosamund Pike, Dominic Cooper, Alfred Molina, Olivia Williams e Emma Thompson.

Ah como é bom tirar o atraso cinematográfico. O que eu perdi semana passada não indo assistir às estreias da semana (#vergonha), ganhei na sessão dupla da última sexta-feira. Logo após assistir a "Preciosa" fui assistir ao inglês "Educação". E não poderia me dizer mais encantado com a aura do filme. O roteiro é muito, mas muito simples e acho que é isso que conquista quem está assistindo. "Educação" é de uma leveza tão poucas vezes vistas que faz você querer mais. A história do amor "proibido pero no mucho" entre uma menina de 17 anos e um homem mais velho não chega a ser totalmente escandalizadora, como se promete o trailer ou a sinopse. Mas é o que vem depois disso que chama a atenção.

Em meados dos anos 1960, Jenny é uma menina que está cursando o último ano do colegial e se prepara para os exames que devem levá-la para a Universidade de Oxford, para estudar inglês. Para conseguir esse objetivo, ela acarreta o maior número de atividades possiveis, o que pode fazer com que seu currículo seja excepcional, além das boas notas exigidas pelo pai. Um dia, Jenny aceita carona de um estranho, David, que é charmoso, interessante e despojado - ou seja, tudo o que pode atrair uma adolescente.O romance que surge a partir daí é óbvio, e nem chega a ser o principal do filme e sim como as atitudes das pessoas ao redor de Jenny vai mudando conforme seu relacionamento com David fica mais sério. Os dois passam a frequentar casas de jazz, galerias de arte, bons restaurantes. Até o pai de Jenny muda de atitude quando vê que David é um bom homem - o que na verdade ele não é. Quando Jenny percebe que, no fim das contas, ela pode acabar igual à sua mãe, uma dona-de-casa, ela começa se perguntar se é mesmo necessário toda a boa educação.

Com um enredo mais complicado do que se imagina de cara, "Educação" trata mais do moralismo de uma sociedade conservadora, que ecoa até os dias de hoje. Claro que a história de amor entre Jenny e David é o fio condutor de tudo, mas até para os amigos de David, despojados e vividos, a moral tem suas regras. Com roteiro de Nick Hornby (escritor de "Um Grande Garoto"), a diretora Lone Scherfig faz com que cada segundo do filme seja atraente para o espectador que acompanha cada ato inconsequente e rebelde de Jenny como sendo seu próprio.

Jenny. Sim, Jenny. Não haveria filme se não fosse pela atuação deliciosa de Carey Mulligan. A atriz indicada - merecidamente - ao oscar esse ano fez por merecer a honra. Peter Sarsgaard também parece ser o cara certo na película certa. Mas é Mulligan quem rouba cada detalhe, cada cena, tudo é sobre ela, tudo é sobre Jenny, então estranharia se a atriz não encarnasse o personagem. Carey Mulligan vai crescer e muito daqui pra frente, não à toa a atriz foi escolhida uma das promessas do ano pela Vanity Fair (no polêmico ensaio das garotas brancas e bonitas que deixaram de fora Gabourey Sidibe). Ah, se esse não fosse o ano da Sandra Bullock...

Nota; 9,0

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Daily Oscar - Carey Mulligan



Carey Mulligan é um dos rostos novos que invadiram o cinema - e o Oscar - na edição 2010 do prêmio. Assim como Gabourey Sidibe, Jeremy Renner e até Christoph Waltz, digamos, a jovem conseguiu um feito notável em um dos seus primeiros papeis de destaque... mas peraí, primeiros? Não, não! Carey Mulligan já tem um currículo considerável, desde que estreou no cinema em "Orgulho e Preconceito".

A britânica de 24 anos já atuou em vários papeis no teatro e na TV, incluindo uma participação na série "Doctor Who?", mas começou a chamar a atenção mesmo no filme "Quando Você Viu o Seu Pai Pela Última Vez?". Fez uma participação também em "Inimigos Públicos" e em "Entre Irmãos", mas com "Educação", filme indicado também ao Oscar na categoria principal, ela teve a oportunidade de ouro que toda atriz em início de carreira anseia. Mulligan é a protagonista do filme escrito por um dos roteiristas mais aclamados dos últimos temos na Grã-Bretanha, Nick Hornby ("Um Grande Garoto").

Mesmo que não leve o Oscar, o que é bem provável, a atriz já está com a vida ganha. Já tem projetos até 2012 e está na sequência de "Wall Street", "Money Never Sleeps", como a filha do magnata Gordon Gekko (Michael Douglas). Ela também está cotada para substituir ninguém menos do que Audrey Hepburn na refilmagem de "My Fair Lady".

Não deve demorar muito para Mulligan alcançar o status de grande estrela. Um Oscar ajudaria muito né? Mas enquanto não chega lá, ela vai trabalhar muito nos próximos anos. Já foi até apontada pela Vanity Fair como uma das promessas para o futuro no cinema. Boa Sorte para Mulligan. Boa Sorte para Educação.