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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Cinema-catástrofe

Secretamente, todo mundo adora um filme de catástrofe, daqueles em que a natureza inicia um ataque ao planeta, e os humanos precisam dar seu jeito para sobreviver. Não pelas histórias trágicas, mas porque esses filmes são ótimas oportunidades de ver bons efeitos especiais e coisas impressionantes nas telas do cinema.  Quando bem amarrados, roteiro, produção e efeitos visuais conseguem criar uma história envolvente (e convincente) para o espectador.

Recentemente, mais um título se juntou à lista: Terremoto – A Falha de San Andreas, dirigido por Brad Peyton, que segue os acontecimentos depois de um superterremoto na costa da Califórnia, nos Estados Unidos.  O filme tem Dwayne Johnson, Carla Gugino e Paul Giamatti no elenco.

Aproveitando a deixa, abaixo listo cinco filmes que, em minha opinião, souberam explorar melhor a temática, aliando um bom roteiro aos efeitos especiais.

 Twister (1996)
No filme sobre furacões do diretor Jan de Bont (Velocidade Máxima) e produzido por Steven Spielberg, dois cientistas precisam juntar forças para criar um novo sistema de alerta. Como eles fazem isso? Entrando no olho de um furacão para soltar dentro dele alguns aparelhos de radar, a fim de estudá-lo melhor. O filme tem Hellen Hunt e Bill Pullman e consegue prender o espectador até o final. Hoje já se tornou um clássico da Sessão da Tarde, mas é um dos melhores do gênero.





Armaggedon (1998)
Em Armageddon, do diretor Michael Bay (especialista em efeitos especiais – vide Transformers), um asteroide de proporções colossais está se aproximando da Terra em 1999! Não por acaso, naquele ano havia mesmo um certo medo nas pessoas de que o mundo fosse a acabar na virada do milênio. Voltando à ficção, uma equipe de astronautas, liderada por ninguém menos que Bruce Willis, embarca em uma missão para destruir o tal asteroide.





Impacto Profundo (1998)
Também de 1998 e um dos melhores do gênero, Impacto Profundo mostra os preparativos da Terra (leia-se Estados Unidos) diante da iminente colisão de um cometa com o nosso planeta. Enquanto isso, a história se desenrola, como a jornalista que não se dá bem com o pai, uma família que procura desesperadamente fugir para as montanhas e a expectativa de quem será sorteado para o abrigo militar do governo.
A diretora Mimi Leder (A Corrente do Bem) fez um bom trabalho de direção, dosando cenas dramáticas com os efeitos especiais que o filme exige. Um elenco de peso entrega boas atuações, trazendo, inclusive, Morgan Freeman como presidente dos Estados Unidos.


O Dia Depois de Amanhã (2004)
Explorando a questão do aquecimento global e das mudanças climáticas, o diretor Roland Emmerich (o mesmo de 2012 e Independence Day) criou um dos filmes mais icônicos do gênero.  Após uma tempestade mergulhar os Estados Unidos em uma nova Era do Gelo, o climatologista Jack Hall (Dennis Quaid) precisa atravessar o país para resgatar seu filho (Jake Gylenhaal), preso em Nova York.


O Impossível (2012)

Já falei dele aqui. O melhor filme da lista é baseado em uma história real: a jornada de uma família após o tsunami que atingiu a Tailândia em 2004. Naomi Watts foi indicada ao Oscar pelo papel de Maria, uma médica que luta pela vida após ter a família separada na tragédia. O esforço conjunto do roteiro, da direção de Juan Antonio Bayona (O Orfanato), da equipe de efeitos visuais e direção de arte e dos atores conduz o filme à maestria.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Impossível


Lo Imposible
(Espanha, 2012) De Juan Antonio Bayona. Com Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Samuel Joslin, Oaklee Pendergast e Geraldine Chaplin.

Ninguém poderia esperar que, um dia após o Natal de 2004, um tsunami de proporções catastróficas iria atingir a costa da Indonésia, Sri Lanka, Tailândia e outros países banhados pelo Oceano Índico, deixando mais de 230 mil mortos e a lembrança de um dos maiores desastres naturais da humanidade. Oito anos depois, o diretor espanhol Juan Antonio Bayona leva às telas a história de uma família de sobreviventes que, como sugere o título, realizou o que parecia ser impossível e conseguiu se reunir, com vida, após a tragédia. Incrivelmente bem executado, “O Impossível” é um filme triste, por motivos óbvios, transmitindo com precisão a agonia dos personagens e o sentimento de desolação que as vítimas sobreviventes sentiram no fatídico 26 de dezembro.

O casal Maria e Henry, junto com os filhos Lucas, Thomas e Simon, vão passar as férias de Natal na Tailândia, um dos lugares mais paradisíacos do mundo. Após a celebração do Natal, no resort onde estão hospedados, a família se vê no meio do desastre, um tsunami com ondas de mais de 30 metros. Maria e o filho mais velho, Lucas, se separam do restante, mas conseguem sobreviver. Com muitos e graves ferimentos, Maria precisa de socorros médicos e é levada para uma base hospitalar montada de improviso para ajudar no resgate. Enquanto isso, Henry envia os filhos Thomas e Simon para outro abrigo para continuar sua busca pela mulher e pelo filho desaparecidos.



O roteiro escrito por Sergio G. Sanchez traduz a atmosfera do desastre, que é captado pelo drama dos protagonistas na busca pelos seus parentes. Enquanto os acompanhamos, é difícil não pensar em todas as outras vítimas, as sobreviventes e as que não tiveram a mesma chance, em todo o sofrimento e pânico causado pelas ondas. O esforço conjunto do roteiro, da direção de Juan Antonio Bayona (O Orfanato), da equipe de efeitos visuais e direção de arte, e dos atores conduz o filme à maestria.

Naomi Watts entrega um de seus papeis mais corajosos no cinema, com uma atuação impecável e comovente como Maria, uma mulher que, acima de tudo, luta com todas as forças pela sobrevivência do filho Lucas no meio da enchente provocada pelo desastre. O intérprete de Lucas, Tom Holland, também merece destaque, se firmando como uma das melhores atuações juvenis dos últimos anos, segundo alguns críticos.

Completando o time de atores, Ewan McGregor também entrega um desempenho comovente como o pai em busca de sua família, assim como as outras duas crianças do filme, Samuel Joslin e Oaklee Pendergast. A participação de Geraldine Chaplin é curta, mas também marcante. Juntos, o elenco transmite todo o drama real de milhares de pessoas. É neles que vemos refletida a garra, a coragem e a superação quando, na verdade, deveria haver só tristeza.
                                                                                   

“O Impossível” é um ótimo filme, com ótimas atuações. Tem bons efeitos especiais e éum espetáculo visual de, literalmente, tirar o fôlego. Mas é carregado e triste demais para ser assistido sem um aviso. Não há como não se transportar para o lugar daquelas pessoas e imaginar o que faríamos se estivéssemos na mesma situação. Por provocar essas experiências no espectador é que Juan Antonio Bayona acertou na mosca. Sem dúvida alguma, um dos melhores filmes do ano.

Nota: 9,5