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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita

True Grit

(EUA, 2010) de Joel e Ethan Coen. Com Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon e Josh Brolin.

Você não deve se assustar se em um filme dos irmãos Coen, do nada, acontece uma situação adversa, controversa e cheia de duplo sentido. Essa foi uma lição aprendida ao longo dos anos, já que quando se trata dos Coen pode-se (e deve-se) esperar de tudo. Curiosamente, esse pensamento não me passou pela cabeça ao assistir “Bravura Indômita”. Pode ser porque o longa é um faroeste, um remake ou por ter uma adolescente como protagonista, o sentimento de “inesperado” de um filme dos Coen não surgiu. Tudo parece ser orquestrado para ser como é, sem grandes surpresas, fugindo do estilo dos diretores. Então, o que há de tão bom pra se ver em “Bravura Indômita” e porque a Academia o escolheu como um dos dez melhores filmes do ano? A resposta: a própria história e a peculiaridade de uma personagem em especial – Mattie Ross.

Quando o pai de Mattie, que tem apenas 14 anos, é assassinado, ela veste a carapuça de “chefe da família” e passa a resolver todas as pendências deixadas pelo patriarca, inclusive fazer justiça com o homem que o matou traiçoeiramente, Tom Chaney. Para isso, ela contrata os serviços de um caçador de recompensas, o ex-federado Rooster Cogburn, que depois de muita insistência, aceita levar Mattie junto. Com eles viaja o policial do Texas LaBeouf, que também está atrás de Chaney, um bandido conhecido em vários estados e que sempre muda de identidade. Os três partem atrás do paradeiro do homem e se deparam com várias adversidades no caminho, que vai revelar a verdadeira bravura indômita de cada um.

“Bravura Indômita” não parece, mas é uma história sobre relacionamentos. Três pessoas que nada tem em comum se veem unidas por um único ideal e isso as torna mais próximas. Com um bom roteiro que poderia cair no óbvio, em se tratando da adaptação de um livro que já foi levado às telas, os Coen produzem uma história de perseverança, com uma agilidade e ação características de seus filmes. Como em outras produções, o sangue não é poupado e é mostrado sem pudor, porém um pouco mais contido do que em filmes como “Queime Depois de Ler”, por exemplo. Aliás, a carnificina é até esperada, já que se trata de um western, por isso ela não surte o mesmo impacto.

A fotografia e a direção de arte do filme impressionam, assim com as atuações dos protagonistas. Jeff Bridges é o perfeito valentão “avagabundado” do velho oeste e infelizmente não tenho como compará-lo a John Wayne (não por ele ser indigno de comparação, mas por não conhecer o filme original –shame on me!). Ao longo do filme, Cogburn se mostra mais sensível por trás da carapaça de durão assim como o companheiro de viagem/adversário LaBeouf, interpretado por um Matt Damon quase irreconhecível, despido dos playboys arrumadinhos que sempre interpreta – Jason Bourne na lista. Quando finalmente aparece, Josh Brolin também se sai bem como um bandido caipirão, tipo que ele aparentemente nasceu pra interpretar.

A pérola do filme, no entanto, é a protagonista esquecida. Passaram tanto tempo promovendo Jeff e Matt, que quase esqueceram Hailee Steinfeld, a verdadeira alma do filme. É Mattie Ross a responsável pelo fio condutor da história, a chave principal de “Bravura Indômita”. Steinfeld, que apenas com participações na TV em sua carreira, dá um banho de interpretação que deve ter deixado seus veteranos chocados, no mínimo. Mattie Ross passa a ser um dos personagens memoráveis da filmografia dos Coen e, do trio principal, a que mais tem bravura indômita.

Nota: 9,0

*Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator (Jeff Bridges), Melhor Atriz Coadjuvante (Hailee Steinfeld), Melhor Direção (Joel e Ethan Coen), Direção de Arte, Figurino, Fotografia, Edição de Som, Mixagem de Som e Roteiro Adaptado.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

The True Grit

Eles estão de volta. Os irmãos diretores mais controversos de Hollwyood – ou seriam os Wachowski, de “Matrix”? – acertaram mais uma bola na caçapa do Oscar. O anunciado remake de “Bravura Indômita”, de 1969, foi a mais recente obra de Joel e Ethan Coen, que conseguiu uma indicação a melhor filme. Isso porque a dupla já levou outros pra casa, como o de Melhor Filme em 2006 pra “Onde os Fracos Não Tem Vez”.

Aliás, esse filme, cujo original é “No Country for Old Man”, desembocou na época uma certa nostalgia western, que deu ainda um bom exemplar, “O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford”. “Bravura Indômita” não tem essa pretensão, apesar de prestar justa homenagem a seu original e, por tabela, a um ícone do western americano, o ator John Wayne, que ganhou um Oscar pelo papel.

Mesmo com o burburinho, o “Bravura Indômita” dos Coen apareceu pouco nas premiações, mas veio galgando espaço aos pouquinhos. Lançado aos 45 do segundo tempo, em 22 de dezembro, quando “A Rede Social” já deitava bonito na cama dos favoritos, o mundo teve pouco tempo para se acostumar com a saga. Dos poucos prêmios que ganhou, a maioria foi de Atriz Coadjuvante para Hailee Steinfeld e alguns para a bela fotografia.

Já no Oscar, a coisa muda de figura. A Academia tem uma certa simpatia pelos irmãos, apesar de uma certa “quebra de paradigmas” que eles sempre propõem em seus filmes, coisa que os conservadores detestam. Mesmo assim, o longa levou 10 indicações, coisa que nem o beloved “A Rede Social” conseguiu, levando “apenas” 8. Joel e Ethan Coen se sobressaem na direção, na produção e no roteiro, além de ter o trunfo Hailee Steinfeld no elenco. Lembrando que os Coen fazem questão de dizer que só se basearam no livro de Charles Portis, que também serviu de base para o filme original.

Uma curiosidade: se Jeff Bridges, indicado a melhor ator pelo papel de Rooster Cogburn, levar a estatueta pra casa, vão acontecer duas coisas. A primeira é que ele entra no seleto hall de atores que ganharam o Oscar duas vezes seguidas na mesma categoria. Só Luise Rainer (1937 e 1938), Spencer Tracy (1938 e 1939) Katherine Hepburn (1968 e 1969), Jason Robbards (1977 e 1978) e Tom Hanks (1994 e 1995) conseguiram o feito. A segunda é que será a primeira vez que dois atores levam o Oscar interpretando o mesmo papel, no filme original e no remake.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Oscar Mais Jovem

A altamente conservadora Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, conhecida como AMPAS, adora rostos novos com grande talento pela frente. Não é à toa que vira e mexe gente nova aparece entre os indicados e eventualmente levam um prêmio. Este ano não foi exceção e jovens promissores tiveram seus talentos reconhecidos pela AMPAS e daqui pra frente vão agregar o termo “Academy Award Nominee” antes de seus nomes nos créditos dos filmes.
Jennifer Lawrence tem apenas 20 anos e já trabalha como atriz desde os 14, quando foi descoberta por agentes em Nova York. Ela fez vários papeis na televisão e alguns no cinema, mas foi pelo papel na série “The Bill Engval Show”, desconhecida no Brasil, que ela ficou mais em evidência. Sua principal aparição até o ano passado tinha sido em “Vidas que se Cruzam”, estreia do roteirista Guillermo Arriaga na direção, com Charlize Theron e Kim Basinger no elenco. Após isso, veio o papel em “Inverno da Alma”, longa que conquistou Sundance em 2010 e foi um dos primeiros favoritos ao Oscar. Lawrence já tem aparição certa em mais cinco filmes até 2012, entre eles “X-Men: First Class”, onde ela será ninguém menos do que a Mística.

Antes de estourar mundo afora com “A Rede Social”, no papel de Mark Zuckerberg, Jesse Eisenberg já podia ser visto em diversos papeis em filmes como “A Lula e a Baleia”, “A Vila” e “Zumbilândia”. Apesar da aparência de novo, Jesse tem 27 anos e trabalha desde os 16, estreando na série americana “Caia na Real” em 1999, ao lado de outra estreante, Anne Hathaway. Para compor o papel do criador do Facebook, o ator disse que não fez muita coisa a não ser treinar seu lado introspectivo, ler muito sobre Zuckerberg e, claro, navegar no Facebook. Jesse chegou a dizer que o papel de Zuckerberg foi o mais insensível de toda a sua carreira e por esse mesmo motivo ele achou o papel confortável, novo e excitante, de maneira que ele não precisava se preocupar com o público, já que se tratava de uma pessoa real.

A mais nova concorrente a um Oscar esse ano é Hailee Steinfeld, de 14 anos, que conseguiu uma indicação à Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme “Bravura Indômita”, dos Irmãos Coen. Na TV, Hailee atua desde os 11 anos e “Bravura Indômita” é seu primeiro filme pra cinema. Para mandar bem no teste que lhe deu o papel, ela leu o roteiro várias vezes e assistiu ao filme original para incorporar o sotaque caipira do Novo México, onde o filme se passa - Hailee é da Califórnia. Esse pequeno esforço fez com que ela se destacasse das demais concorrentes. A atriz já conseguiu sete prêmios e várias indicações pelo papel, o que já a deixou cotada para outras produções.

A cerimônia de entrega do Oscar acontece no dia 27 de fevereiro.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

OSCAR 2011 - Os Indicados


Acabou a espera. Na verdade, acabou a espera pelo nada, já que tudo indicava que a lista de indicados ao Oscar 2011 iria repetir uma tendência polarizada. Aparentemente, a batalha vai ser mesmo entre “A Rede Social” e “O Discurso do Rei”. Este último obteve 12 indicações, liderando a corrida deste ano. Seu rival internético recebeu apenas 8 indicações. Na categoria Melhor Filme, com dez vagas em aberto, era possível saber que a lista ia abranger vários dos filmes esquecidos até agora nas premiações, mas funcionando mesmo como um prêmio de consolação. Quem deve surpreender mesmo é “Bravura Indômita”, com 10 indicações, mostrando que a Academia realmente adora os irmãos Coen, depois de “Onde os Fracos Não Tem Vez” e “Um Homem Sério”.

Dentre as surpresas, temos a ausência (muito, muito sentida) de Andrew Garfield da lista de atores coadjuvantes. O cara merecia essa indicação por “A Rede Social”, talvez mais até do que Jesse Eisenberg. Em seu lugar, figurou John Hawke por “Inverno da Alma” e Mark Ruffallo, até então bem esquecido, por “Minhas Mães e Meu Pai”. Outra surpresa, foi a indicação de Hailee Steinfield, de “Bravura Indômita”. Surpresa não pela atuação, porque ela realmente é boa no papel, mas tinha nomes mais fortes pra entrar no páreo de atriz coadjuvante como Mila Kunis, por “Cisne Negro”, e Julianne Moore, de “Minhas Mães e Meu Pai”.

Christopher Nolan foi solenemente ignorado na direção, mas “A Origem” conseguiu 8 indicações, entre elas Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Já “Toy Story 3” se tornou a terceira animação a conseguir o feito de ser indicada a Melhor Filme, depois de “A Bela e a Fera” e “Up”. Claro que isso deve se repetir cada vez mais, com a regra de 10 filmes indicados e com a Pixar só aumentando seu gabarito.

No mais, a gente vai acompanhando o desenrolar da briga até o desfecho no dia 27 de fevereiro, quando as estatuetas serão entregues, em cerimônia apresentada por James Franco e Anne Hathaway. A propósito, vai ser muito estranho James Franco ganhar o Oscar sendo o apresentador, ou a indicação do host significa que ele já não vai ganhar mesmo? Só em fevereiro pra saber.

Confira as indicações:

Melhor filme
"Cisne Negro"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"
"Toy Story 3"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"O Vencedor"
"127 Horas"
"Minhas Mães e Meu Pai"
"Inverno da Alma"

Melhor direção
Darren Aronofsky - "Cisne Negro"
David Fincher - "A Rede Social"
David O. Russell - "O Vencedor"
Tom Hooper - "O Discurso do Rei"
Joel Coen e Ethan Coen - "Bravura Indômita"

Melhor ator
Javier Bardem - "Biutiful"
Jeff Bridges - "Bravura Indômita"
Colin Firth - "O Discurso do Rei"
James Franco - "127 Horas"
Jesse Eisenberg - "A Rede Social"

Melhor atriz
Annette Bening - "Minhas Mães e Meu Pai"
Natalie Portman - "Cisne Negro"
Nicole Kidman - "Rabitt Hole - Reencontrando a Felicidade"
Jennifer Lawrence - "Inverno da Alma"
Michelle Wiliams - "Blue Valentine"

Melhor ator coadjuvante
Geoffrey Rush - "O Discurso do Rei"
Christian Bale - "O Vencedor"
Jeremy Renner - "Atração Perigosa"
John Hawkes - "Inverno da Alma"
Mark Ruffalo - "Minhas Mães e Meu Pai"

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo - "O Vencedor"
Amy Adams - "O Vencedor"
Helena Bonham Carter - "O Discurso do Rei"
Hailee Steinfeld - "Bravura Indômita"
Jacki Weaver - "Animal Kingdom"

Melhor animação
"Toy Story 3"
"Como Treinar o Seu Dragão"
"O Mágico"

Melhor roteiro original
"Cisne Negro"
"A Origem"
"Anotyher Year"
"O Vencedor"
"O Discuros do rei"

Melhor roteiro adaptado
"127 Horas"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"
"Toy Story 3"
"Inverno da Alma"

Melhor filme estrangeiro
"Fora da Lei" (Argélia)
"Incendies" (Canadá)
"Em Um Mundo Melhor" (Dinamarca)
"Dente Canino" (Grécia)
"Biutiful" (México)

Melhor documentário
"Lixo Extraordinário"
"Trabalho Interno"
"Exit Through the Gift Shop"
"Gasland"
"Restrepo"

Melhor trilha sonora
Hans Zimmer - "A Origem"
Trent Reznor e Atticus Ross - "A Rede Social"
Alexandre Desplat - "O Discurso do Rei"
John Powell - "Como Treinar o seu Dragão"
A.R. Rahman - "127 Horas"

Melhor canção original
"Coming Home" - "Country Strong"
"I See the Light" - "Enrolados"
"If I Rise" - "127 Horas"
"We Belong Together" - "Toy Story 3"

Melhor edição
"127 Horas"
"Cisne Negro"
"A Rede Social"
"O Discurso do Rei"
"O Vencedor"

Melhor fotografia
"A Origem"
"Cisne Negro"
"A Rede Social"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"

Melhor figurino
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"Alice no País das Maravilhas"
"I am Love"
"The Tempest"

Melhor direção de arte
"Alice no País das Maravilhas"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I"

Melhor mixagem de som

"Salt"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"

Melhor edição de som
"Toy Story 3"
"Tron - O Legado"
"A Origem"
"Bravura Indômita"
"Incontrolável"

Melhor maquiagem
"O Lobisomem"
"Caminho da Liberdade"
"Minha Versão para o Amor"

Melhores efeitos visuais
"Além da Vida"
"A Origem"
"Homem de Ferro 2"
"Alice no País das Maravilhas"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I"

Melhor curta-metragem
"The Confession"
"The Crush"
"God of Love"
"Na Wewe"
"Wish 143"

Melhor documentário em curta-metragem

"Poster Girl"
"Strangers no More"
"Killing in the Name"
"Sun Come Up"
"The Warriors of Qiugang"

Melhor curta-metragem de animação
"Day & Night"
"Let's Pollute"
"The Lost Thing"
"The Gruffalo"
"Madagascar, Carnet de Voyage"