domingo, 18 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button

The Curious Case of Benjamin Button (EUA, 2008)
De David Fincher. Com Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, Julia Ormond.

Quando a parceria David Fincher/Brad Pitt fez sucesso em Clube da Luta, todos sabiam que ela um dia iria se repetir. Só faltava a história certa. Pois, essa história certa é O Curioso Caso de Benjamin Button, o filme em que Brad Pitt enterra, de uma vez por todas, o mito de ser apenas um galã - é um galã de talento. Apesar de todos os efeitos especiais, da maquiagem e de todos os aparatos para reconstruir Nova Orleans em várias épocas, o mérito maior do filme está nas brilhantes atuações e na incrível história desmembrada em um fabuloso roteiro.

Benjamin nasceu no final da Primeira Guerra Mundial com uma estranha anomalia: ele veio ao mundo com a aparência e as doenças referentes a um homem de 80 anos de idade, com pouco tempo de vida. Ele foi abandonado pelo pai, após sua mãe ter morrido durante o parto, e deixado na porta de um asilo. Enquanto criança, Benjamin parece com um velho, mas no seu interior permanece uma infância pouco desfrutada, por conta de sua aparência. Conforme o tempo vai passando, Benjamin descobre que está rejuvenescendo, enquanto todos ao seu redor envelhecem e morrem. Ainda criança, ele conhece Daisy, a menina por quem se apaixona e não vai deixar por toda a vida. Só há um porém: como estar ao lado da mulher amada enquanto ela envelhece e ele se torna cada vez mais jovem? Como encarar um futuro juvenil carregando o peso da idade? E como ver todos ao seu redor morrendo enquanto você parece cada vez mais distante do fim? São essas questões que Benjamin Button procura resolver por si mesmo, enquanto assiste à sua própria vida caminhando para um rumo diferente da maioria dos seres humanos.


O filme em si é uma ode ao bom cinema. Da fotografia à trilha sonora (do compositor Alexandre Desplat), tudo parece se encaixar às diferentes épocas vividas por Benjamin e Daisy. David Fincher comprova mais uma vez que é um diretor competente que sabe muito bem como contar uma boa história. A maquiagem e os efeitos visuais são de impressionar, deixando Brad Pitt e Cate Blanchett mais velhos e - o mais interessante - deixando-os também mais novos! É uma tentação para os olhos ver Cate com 20 anos (e talvez um colírio para os olhos femininos ver Brad Pitt igualmente jovem). Falando neles, a alma do filme está em Brad Pitt. O ator interpreta Benjamin Button em quase todas as fases da vida e seu personagem cativa a platéia em poucos minutos. Pode-se dizer que é o caso de filme perfeito para o ator perfeito.



O Curioso Caso de Benjamin Button não é só a história do homem que nasceu com 80 anos e rejuvenesce em vez de envelhecer. É um filme para se pensar. O que fazemos com o nosso tempo? Aliás, o que é o tempo? Um formador de acasos que interfere nas diferentes vidas existentes no planeta. Enquanto muitos se preocupam com a idade, poderiam se preocupar em não perder mais um dia e aproveitar cada segundo. Somos impotentes na infância e na velhice? Aproveitamos a vida como ela é ou as oportunidades que nos são dadas são ignoradas? O tempo passa pra todos, igualmente. Crescer faz parte e envelhecer também. Mas a cada dia deveríamos agradecer por ter mais um dia acrescentado. Como Benjamim diz em certa parte do filme: "A vida é feita de oportunidades, inclusive as que nós perdemos".

*Só lembrando: O filme obteve 5 indicações ao Globo de Ouro, incluindo melhor ator (Brad Pitt) e melhor diretor (David Fincher). Que venha então o Oscar.

Nota: 9,5

domingo, 11 de janeiro de 2009

58...

Essa foi a quantidade de vezes que eu estive numa sala de cinema em 2008. O número é incrivelmente escasso, considerando o número de filmes lançados no ano passado e a minha incrível devoção à 7a. Arte. É de se esperar, considerando o preço das sessões de cinema. Mas das 58 vezes que eu estive no cinema, algumas foram, com certeza, motivo de destaque:

-Experiências em 3D com "Beowulf" e "Viagem ao Centro da Terra";

-Sair com a cabeça doendo, tentando entender "Onde os Fracos Não Tem Vez" (continuando o raciocíno em casa e entendendo, por fim, o brilhantismo do filme);

-Insistir 3 vezes para assistir "Juno" na pré-estréia e nas 3 vezes o cinema cancelar a exibição;
(chorar ao ver Juno na quarta tentativa)

-Assistir a "Sweeney Todd" no horário ingrato das 22hs, cansado de um dia duro de trabalho;

-Ser quase o único na única exibição de "Persépolis" na zona norte - só havia mais uma pessoa;

-Entrar em desespero emocional ao perceber que é o único que não está em par na exibição de "Um Beijo Roubado", lindo romance impróprio para solteiros;

-Segurar a vontade de ir no banheiro durante quase toda a exibição de "Speed Racer", só pra não perder nada do visual psicodélico do filme;

-Explodir em fúria ao final de "Fim dos Tempos" (gargalhar sem parar na cena em que Mark Whalberg conversa com uma planta de plástico);

-Sentir-se a mais honrada das criaturas por ter podido testemunhar nos cinemas a "Batman - O Cavaleiro das Trevas";

-Chorar de emoção assistindo a "Wall-e" (correr para a Lojas Americanas mais próxima para comprar o boneco do robozinho - ainda bem que tinha!);

-Ficar irritado com Maria Bello por destruir a dra. Eve de Rachel Weisz no terceiro "A Múmia";

-Sentir embrulho no estômago nas sessões de "Ensaio Sobre a Cegueira" e "Violência Gratuita";

-Saber que valeu a pena ser uma das poucas pessoas que estavam esperando "Violência Gratuita";

-Vibrar com cada canção de "Mamma Mia!" - em cada uma das 3 vezes assistidas no cinema!;

-Curtir cada momento do Festival do Rio - 2009 tamo aí;

-Adorar se envolver com "Vicky Cristina Barcelona" e rir da desgraça alheia em "Queime Depois de Ler";

-Ficar indignado com Pedro Cardoso e seu discurso gigantesco contra a nudez num filme desnecessariamente pornográfico;

-Levar sustos com [REC] (nas duas vezes vistas), finalmente um terror decente e original;

-Comprar "Crepúsculo", o livro, por causa de "Crepúsculo", o filme, e não se arrepender nem um pouco disso (logo em seguida comprar os livros seguintes);

-Chorar mais do que em qualquer outro filme em "Marley e Eu", porque tinha um cachorro na cirurgia.

Que venha 2009. Que seja mais de 58.

A Troca

Changeling (EUA 2008)
De Clint Eastwood. Com Angelina Jolie, John Malkovich.

Começa a largada para as premiações. Ano passado já haviamos sido brindados com Vicky Cristina Barcelona e Queime Depois de Ler, mas é agora que a disputa começa pra valer. O primeiro da safra é A Troca, novo filme do diretor Clint Eastwood, que não somente é um forte candidato ao Oscar de melhor filme como tem sérias pretensões de dar uma segunda estatueta a Angelina Jolie. No Globo de Ouro, foram duas indicações, para Jolie, claro e para a trilha sonora de Eastwood.

Em 10 de março de 1928, o filho de Christine Collins, Walter, desapareceu e ela deu queixa na polícia de Los Angeles, conhecida na época por ser corrupta, violenta e improdutiva. Alguns meses depois, a polícia acha um menino que considera como sendo filho de Christine, que não o reconhece e sabe que não é seu filho, mas o aceita, coagida pelo seu filho. Quanto mais ela tenta provar que aquele não é o seu filho, mais ela provoca o poder da polícia local e começa a adentrar num jogo de poder que pode lhe render perigosas consequências.

Baseado em história real, A Troca é corajoso por mostrar um lado obscuro do que um dia foi a polícia de Los Angeles e o sistema públicoo dos Estados Unidos. Clint Eastwood ainda toca na ferida de crianças desaparecidas de uma forma excepcionalmente forte, do meio para o final, de uma maneira que o espectador fique chocado e simpatize com a história de Christine Collins. Some-se a isso um visual brilhante da LA de 1920, uma fotografia impecável e atuações como a de Angelina Jolie, em seu melhor papel na carreira, segundo a minha modesta opinião, temos um filme brilhante - mais um de Clint.

Em tempo: torcendo para Angelina Jolie no Oscar 2009 =D

Nota: 9,0

Sete Vidas

Seven Pounds (EUA 2008)
De Gabrielle Muccino. Com Will Smith, Rosario Dawson, Woody Harrelson.

Quando um filme tem Will Smith no elenco, uma coisa é certa: grandes filas dobrando esquinas para ver a obra, tendo absoluta certeza de que Will vai arrasar. Em 2008 foi assim com Eu Sou a Lenda e foi assim com Hancock. E assim também é com este Sete Vidas, onde o ator repete a parceria com o diretor Gabrielle Muccino, o mesmo de À Procura da Felicidade, que quase rendeu um Oscar a Smith. E é a mesma capacidade de achar que Will Smith segura um filme sozinho que leva esse exemplar a um marasmo, mesmo que tenha um final surpreendente e bem intensionado.

Will Smith é Ben, um homem que pretende mudar a vida de sete pessoas diferentes que passam por dificuldades. É nesse contexto que ele conhece uma mulher que precisa de um transplante de coração, um radialista cego, uma mexicana que apanha do namorado. Essas pessoas receberão a mudança mais inesperada em suas vidas, mas como Ben irá ajudar essas pessoas? E como não se envolver o suficiente com suas histórias? É o que acontece com a mulher do transplante, interpretada - brilhantemente - por Rosario Dawson. Ben acaba se envolvendo emocionalmente, mas a forma como vai salvar a vida dessas pessoas, supera qualquer trauma.

Vamos lá. O filme é bom, tem apelo e expulsa algumas lágrimas dos olhos. Will Smith, é óbvio, está muito bem, tão bem que Rosario Dawson tem que suar pra sair de sua sombra. Mas o roteiro enrola em alguns aspectos, provocando uma sensação de monotonia, sobretudo no meio do filme. Ele perde-se tentando explicar apenas a personagem de Rosario, enquanto os outros são simples coadjuvantes que precisam estar lá pra somar sete. Woody Harrelson que o diga. Mas, apesar de tudo, do meio para o fim a história se desenvolve e o filme se agiliza, revelando um final surpreendente. Bem que poderia ser melhor, pelo bem de Will.

Nota: 6,0

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Resquícios de 2008 - Marley e Eu

Marley and Me (EUA 2008)
De David Frankell. Com Owen Wilson , Jennifer Anniston e Alan Arkin.

Para acabar 2008 de uma forma toda especial, o filme escolhido para levar embora tristezas e mazelas e acrescentar mais algumas alegrias foi "Marley e Eu". O filme é baseado no best-seller mundial que conta a história do pior cão do mundo e suas estripulias na vida de um casal. Não só foi bem recebido neste natal, como foi a maior bilheteria tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Um aviso: se você estiver com um cão numa doença grave e passando por uma intervenção cirúrgica, não vá ver este filme. Palavra de quem já passou por essa experiencia.

John Grogan é um jornalisra recém-casado com Jennifer, também jornalista. Ela vive com planos regrados para sua vida enquanto ele age por razões espontâneas. O casal se muda para uma casa no litoral e Jennifer decide ter um filho. Para que ela vá se acostumando com a idéia e preencha um pouco do vazio da casa, John decide então comprar um cachorro, um filhote de labrador, e coloca o nome de Marley. O que ele não sabe é que Marley é muito mais que um simples cachorro: ele é o pior cão do mundo que vai se meter nas mais incríveis confusões.

O filme tem um roteiro que chama a atenção de qualquer espectador comum; cachorros. É claro que o fato de a história ser conhecida do grande público ajuda muito. Owen Wilson está meio apático como o dono do cachorro, mas Jennifer Anniston está completamente à vontade. “Marley e Eu” não é exatamente fiel ao livro, pende muito mais para o drama do que para a comédia, e deixa um fim mais triste do que o do livro. Mas nada disso tira o mérito do filme, que se mostra despretensioso e consegue arrebatar cada segundo da atenção. Uma ótima maneira de terminar o ano.

Nota: 8,5

domingo, 21 de dezembro de 2008

Crepúsculo

Twilight (EUA 2008)
De Catherine Hardwick. Com Robert Pattinson, Kirsten Stewart, Bily Burke, Nikki Reed, Peter Facinelli.

Depois que "Harry Potter e as Relíquias da Morte" foi publicado, no ano passado, o mundo ficou ansiando por uma nova série que pudesse preencher o vazio que as aventuras do bruxo mais famoso da literatura acabara de deixar. O cinema tentou tapar o buraco, apesar de que a franuia nas telas ainda não terminou. Foi quando a britânica Stephanie Meyer lançou o livro "Twilight" com um dos assuntos mais batidos do mundo: vampiros. Pois bem, não somente ela escreveu uma brilhante saga diferente de tudo o que se havia visto até então, como respeitou a aura mágica que envolve esses seres que convivem com o imaginário popular há séculos e séculos. E mais, acrescentou aquela conhecida rebeldia adolescente e uma pitada de paixão com vampiros belos e formosos, e as frustrações passadas por uma menina num ambiente novo. Pronto.

Bella Swann acaba de se mudar para Forks, uma cidade no interior de Washington, onde o tempo parece sempre estar fechado. Ela vai morar com o pai, após anos de afastamento, mas esse não é seu único problema: tem que enfrentar a horda de ser a novidade da cidade grande numa cidade do interior, sobretudo na nova escola. Porém, é quando encontra o jovem Edward Cullen que sua vida começa a mudar drasticamente. Sobretudo porque Edward é um vampiro. Mal sabe ela, mas ele não é o único e ao começar a conviver com ele e sua família, pode estar colocando a sua própria vida em perigo.

A diretora Catherine Hardwick conseguiu transcrever para o filme exatamente as mesmas sensações que o livro consegue causar. A paixão de Bella, sua facilidade de se meter em problemas, os medos de Edward de a colocar em perigo, tudo. O ritmo é apenas um pouco acelerado, e deve ser mais compreensível para quem já leu o livro (caso raro para uma adaptação literária, já que quase sempre a cópia sai infiel ao original). O que mais salta à vista de contraste com o livro são as partes das caças dos vampiros do mal, James, Laurent e Victoria, que recebem mais destaque desde o início do filme - no livro, apenas no final eles começam a ser mencionados.

Para aqueles que queriam uma franquia arrebatadora, essa deve funcionar. A sequencia do filme , Lua Nova, baseada no segundo livro da série, já está sendo encomendada e os atores principais já confirmaram suas participações. O sinal que faltava era a arrecadação nas bilheterias de "Crepúsculo". Então, pode apostar, sinal verde já foi dado com certeza.



Nota: 9,0

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O que esperar de Austrália


"Para 'Moulin Rouge' fizemos tudo no estúdio, mas para esse filme estivemos em locações o tempo inteiro - em Darwin, em Queensland e depois acampamos em tendas no meio do deserto". Foi com essas palavras, há um certo tempo atrás, proferidas por uma bastante empolgada Nicole Kidman, que se abriram oficialmente os comentários a cerca de "Austrália". Esse é o novo filme do diretor Baz Luhrmann, que volta à cena cinematográfica com esse que promete revolucionar o cinema australiano (O uso das palavras "austrália", "australiano" e derivados vai ser visto, irreparavelmente, com muita frequência!). Se afastando da chamada "Trilogia da Cortina Vermelha", construída pelo diretor com os filmes "Vem Dançar Comigo"(1992), "Romeu+Julieta" (1996) e "Moulin Rouge - Amor em Vermelho" (2001), Luhrmann agora se entrega neste épico que conta com a terra dos cangurus como pano de fundo.

O filme traz a história da aristocrata inglesa Lady Sarah Ashley (Kidman), que herdou um grande rancho no norte do país. Procurando combater um barão inglês que quer comprar as suas terras, ela se alia a um vaqueiro (Hugh Jackman, também australiano) para retirar as cabeças de gado da moça do local. É quando eles se vêem no meio da II Guerra Mundial, quando a cidade australiana de Darwin está prestes a ser bombardeada pelas tropas japonesas. Um roteiro e tanto que já está sendo tido como o maior filme da Austrália de todos os tempos. Mas o que podemos esperar do longa? Competência na direção? Baz Luhrmann já deu provas disso, principalmente ao elevar a carreira de Nicole Kidman. Essa também não podia estar mais animada com a produção, já que passou por uma relativa baixa na carreira depois de seu Oscar por "As Horas" (vida "A Feiticeira", "Invasores", "Reencarnação"...)

O elenco ainda tem o já renomado Hugh Jackman, que deu uma pausa com as garras de um certo guerreiro mutante de adamantium, para participar de uma produção de seu país natal. "Este filme estará em uma escala jamais vista antes. É de longe o maior filme australiano já feito", palavras do próprio Jackman. Contudo, o filme traz aquele clima de "feito pro Oscar", com uma fórmula meio batida, o que me fez lembrar de imediato "Cold Mountain" (coincidentemente, também com Nicole Kidman). Mas sempre há espaços pra surpresas, e é o que promete essa produção, mostrando mais de um país do oceano Índico como nenhum outro fez antes (talvez "O Senhor dos Anéis", na Nova Zelândia), com planos que revelam uma natureza única e o impacto do clima de lá.

Já bem cotado para o Oscar de 2009 (apostas, alguém?), "Austrália" já tem data prevista de estréia no Brasil, dia 25 de dezembro desse ano. Um pouco distante, mas mesmo assim, o agito em torno do filme tem sido forte. O trailler divulgado pelo menos já dá aquela boa sensação de uma grande produção vindo. Baz Luhrmann volta a ser notícia, depois de ter dado a partida na nova onda dos musicais com "Moulin Rouge". Hugh Jackman volta a ser notícia, criando expectativa em torno de mais uma boa interpretação. Nicole Kidman é notícia de qualquer jeito. O resultado a gente confere no fim do ano.