

Il Compleanno
(Italia, 2009). De Marco Filliberti. Com Alessandro Gassman, Massimo Poggio, Maria de Medeiros, Michela Tescon e Thyago Alves.
É surpreendente ver um filme italiano de mesma abordagem que "A Boca do Lobo", horrível filme do dia anterior,com um tom tão mais leve e descontraído, sem perder sua complexidade. "O Aniversário de David" foi exibido no Festival de Veneza no ano passado e chamou mais atenção por tratar da problemática do comportamento social humano do que pelo aspecto gay em si. Aliás, não entendi porque o Festival do Rio 2010 classificou-o na Mostra Gay, quando claramente há outros exemplares até mais evidentes que não foram classificados assim. Mas enfim, o que conta é a abordagem de um roteiro que parece ser fraco a primeira vista, mas se mostra mais forte conforme a fita avança.
Dois casais amigos alugam uma casa de verão na Itália, para passarem um tempo juntos e colocar a conversa em dia. Diego é um crianção, mesmo chegando à casa dos 40 anos. Ele vive um relacionamento com Shary, americana que mora em Nova York com o filho que eles tiveram na adolescência, David. O casal amigo deles, Matteo e Francesca, aparenta ser um casal ideal, mas que vive seus conflitos internos. O maior problema é o desejo reprimido que Matteo sente por outros homens. Desejo esse que aflora com a chegada de David, agora um rapaz de 18 anos, que vem celebrar o aniversário com os pais. Essa chegada desencadeia eventos que vão passar do cômico ao trágico em questão de segundos.

O filme não carrega nas tintas nem torna o desejo de Matteo por David em uma experiência homo-erótica. Ao contrário, tudo é condicionado para apresentar a fundo a personalidade de cada um dos personagens. Mesmo que tudo devesse girar em torno de David (vivido pelo modelo brasileiro Thyago Alves), são os outros personagens que dão vida e ritmo ao filme. O machão e bonachão Diego, a liberal Shary, a introspectiva Francesca e o confuso Matteo, que tenta esconder seu "problema" tentanto ser um bom marido, pai e profissional.

Ponto também para o bom trabalho do diretor Marco Filliberti, que conduz uma trama com um mistério a ser resolvido no fim com maestria, fazendo tudo se encaixar. Destaque também para a atriz portuguesa Maria de Medeiros. Meu Deus, quantas línguas essa mulher fala? Ela já fez filme em português de Portugal, em português brasileiro ("O Contador de Histórias"), em inglês ("Pulp Fiction"), francês, espanhol e agora em italiano. Haja talento e aptidão para idiomas! Quanto aos idiomas eu não sei, mas talento ela tem de sobra!
Nota: 8,5
















