quarta-feira, 14 de março de 2012

Blockbusters 2012 - The summer is coming...

A estreia de “John Carter” na última semana abriu as portas para a temporada de blockbusters, a mais lucrativa do ano em Hollywood, que começa em março e vai até agosto. A receita mágica desse período é a combinação Verão + Férias Escolares. Tudo bem que nem um, nem o outro começaram ainda nos Estados Unidos, mas março já é um precursor dessa época e também é propenso a idas ao cinema, com a proximidade das férias. As produtoras, que não são bobas, aproveitam para lançar bons filmes nesse período que, talvez, não teriam a mesma competitividade diante dos lançamentos esmagadores de abril, maio, junho e julho. É o caso de “Jogos Vorazes”, que estreia em 23 de março. Apesar de todo o burburinho em torno da produção, a história ainda é um campo desconhecido para o público do cinema, apesar do sucesso na literatura.

Fique por dentro das datas dos principais lançamentos nos próximos meses e não perca nada! 

23 de março – Jogos Vorazes / Baseado no primeiro livro da série de Suzanne Collins, o filme traz Jennifer Lawrence no meio de uma disputa sangrenta, uma espécie de reality show televisionado para todo o fictício território de Panem em um futuro não muito distante. Caso se saia bem, o sinal para a adaptação dos outros dois livros ficará verde.





30 de março – Fúria de Titãs 2 / Dessa vez, os Titãs estão mesmo furiosos. Sam Worthington retorna na pele de Perseu para, dessa vez, ajudar os deuses a manter o controle sobre os gigantes mitológicos, antes de um cataclisma apocalíptico. No elenco, Rosamund Pike, Ralph Fiennes, Liam Neeson, Danny Huston e Bill Nighy. A julgar pelo trailer, o 3D deste sera igualmente tosco.

6 de abril – Espelho, Espelho Meu / Pegando carona na moda de adaptação dos contos de fadas, estreia o primeiro filme do ano a contar uma versão para Branca de Neve, que é interpretada por Lilly Collins. A expectativa, na verdade, é muito maior para conferir o desempenho de Julia Roberts como a Madrasta Má, ainda mais porque é a primeira vez que ela atua em um filme de fantasia desde “Hook – A Volta do Capitão Gancho”, de 1991.


27 de abril – Os Vingadores / Nunca um filme foi tão esperado por fãs. Afinal, desde que a Marvel virou um estúdio próprio e lançou “Homem de Ferro” que se fala em um filme dos Vingadores: vários heróis do universo Marvel em um único longa. Hulk, Capitão América, Thor e Homem de Ferro, que já ganharam seus filmes solo, se juntam à Viúva Negra e ao Gavião Arqueiro no que pode ser o filme do ano.

11 de maio – Dark Shadows e Battleship – Batalha dos Mares / O novo filme de Tim Burton, “Dark Shadows”, traz novamente Johnny Depp, dessa vez encarnando um vampiro. Já em “Battleship”, o filme baseado no jogo Batalha Naval (sim, finalmente saiu!) vai colocar Liam Neeson, Taylor Kitsch e (vejam só) Rihanna em uma guerra marítima contra uma ameaça desconhecida.

25 de maio – MIB 3 / A vontade de ganhar dinheiro só não é maior do que a falta de bom senso. Só isso para explicar porque um terceiro filme da franquia “Homens de Preto” dez anos depois do último filme.  Bom, se nada der errado, veremos mais uma comédia leve que pretende falar mais da história do Agente K, em uma espécie de “MIB Origins”. Barry Sonnenfeld retorna à direção.

1° de junho – Branca de Neve e o Caçador / O segundo filme do ano baseado em Branca de Neve vai colocar uma improvável Kristen Stewart dentro de uma armadura, ao lado do caçador e de sete guerreiros de estatura normal em uma batalha contra a Rainha Ravenna, interpretada por Charlize Theron. 

8 de junho – Prometheus / Riddley Scott revisita a ficção científica e traz “Prometheus” que, desculpem o trocadilho, promete. O longa trará uma equipe de exploradores que, em 2085, descobrem um mistério sobre a trajetória da humanidade. Para salva a raça humana, a nova tripulação enfrentará os desafios dos recantos mais sombrios do universo.

29 de junho – Valente e G.I. Joe / O novo filme da Pixar surge depois do lapso criativo que foi “Carros 3” e tem tudo pra pôr o estúdio de volta na área, dessa vez entrando no universo das Princesas, da Disney, e trazendo uma não muito convencional, a arqueira Merida. Também estreia no mesmo dia a continuação de “G. I. Joe”. Com o subtítulo “Retaliação”, somente Channing Tatum retorna do elenco original.

3 de julho – O Espetacular Homem-Aranha / Finalmente vamos conferir se valeu a pena a Sony querer dar fôlego novo às histórias de Homem-Aranha. Andrew Garfield substitui Tobey Maguire, e Emma Stone substitui Bryce Dallas Howard (e não Kirsten Dunst, como se pode achar). 

27 de julho – Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge / Depois de “O Cavaleiro das Trevas”, o desafio para Christopher Nolan ficou ainda maior. Talvez por isso, o terceiro filme da nova franquia Batman será o último sob a sua direção. Por esse motivo, talvez seja o último em que vejamos uma história do Homem-Morcego com o elenco atual (Christian Bale, Morgan Freeman, Gary Oldman e Michael Caine).

3 de agosto – O Legado Bourne / Jeremy Renner não só será o substituto de Ethan Hunt na série “Missão Impossível”. Aqui, ele já assume o posto deixado por Jason Bourne no quarto filme da franquia, sendo dirigido por Tony Gilroy, o mesmo de “Conduta de Risco” e “Duplicidade”.

Ainda teremos outros filmes como as animações “Madagasar 3” e “A Era do Gelo 4”, e a quinta (?!) parte de “Resident Evil”. Mas por esses daí, já dá pra quebrar o cofrinho e contar quantas moedas tem pra gastar no cinema nos próximos meses.                

segunda-feira, 12 de março de 2012

John Carter

John Carter
(EUA, 2012) De Andrew Stanton. Com Taylor Kitsch, Lynn Collins, Dominic West, Samantha Morton, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Ciáran Hinds, James Purefoy e Mark Strong.

Há uns dois anos, a Disney produziu uma aventura que exibia um certo ar de franquia. “Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo”, adaptação do videogame, trazia um roteiro bem clichê, com um mocinho, uma mocinha, um vilão e muitas cenas de lutas ensaiadas, daquelas que convencem bem a molecada. Eis que aqui estamos e a Disney entrega um filme muito parecido: mudam-se o local, as motivações para as lutas e um pouco do enredo. “John Carter” tem aquele ar de “já vi esse filme antes” e não é pra menos. O roteiro lembra várias produções do gênero, como “Conan” (o do Schwarzenegger), “Fúria de Titãs”, “Gladiador”, “Coração Valente”, “Imortais” e o referido “Príncipe da Pérsia”. Mesmo rodeado de clichês, “John Carter” é um filme bacana e bem produzido, mas que pode ser facilmente esquecido, devido à falta de originalidade.

John Carter é um ex-combatente da Guerra Civil americana que, após desertar de seu comboio, é preso pela polícia local, mas consegue escapar, indo parar em uma caverna com um símbolo mágico, onde acaba entrando em contato com uma espécie de sacerdote. Depois que este morre, John é levado misteriosamente ao planeta Barsoom – ou Marte, para os terráqueos. Lá se vê no meio da disputa entre as províncias de Helium e Zodanga, e ainda conhece as criaturas conhecidas como Tarks, um terceiro povoado com seres estranhos que fazem John prisioneiro. Tendo habilidades desenvolvidas por causa da falta de gravidade, Carter é alçado ao status de guerreiro e será fundamental para evitar a queda de Helium perante Zodanga, cujo comandante, Sab Than, possui uma arma poderosa oferecida pelos Imortais, seres que participam da condução do universo secretamente. Para complicar, ele ainda se envolve com a princesa Dejah, de Helium, que foi prometida por seu pai a Sab Than.


 Baseado no personagem criado por Edgar Rice, o mesmo autor das histórias de Tarzan, “John Carter” cumpre o seu papel em um entretenimento descompromissado, mas falta mais emoção à trama. Não há tempo para que o espectador se afeiçoe a nenhum dos personagens, já que todos são construídos de forma superficial, como se tudo fosse um grande propósito para cenas em que Taylor Kitsch, o protagonista, fique pulando toda hora. O visual de Marte também é bacana, com a fotografia destacando bem a cor vermelha, que sempre foi associada ao planeta.

Whoola!
O filme tem alguns trechos cômicos que ficam na canastrice e não chegam a ser totalmente impactantes. O melhor nesse sentido são as cenas que envolvem uma espécie de cachorro dos Thark, chamado Whoola. Dotado de supervelocidade, mas com uma doçura digna de qualquer cão terráqueo, o personagem chama a atenção em todas as vezes que aparece, lembrando Dug, o cachorro de “Up - Altas Aventuras” (claro, à exceção de que Whoola não fala, mas aí é bom que não o vemos falando magicamente em inglês após discursar por consideráveis minutos na sua língua local, como os outros tharks fizeram).



Andrew Stanton (Wall-e), em sua primeira direção de um filme live-action, não ousa em relação a cenas mais elaboradas, mas também não fez um filme ruim, mas que é correto, seguidor da cartilha e divertido. Porém, faltou uma pitada de tempero a um filme que se passa em Marte e um pouco mais de química entre a (insossa) Lynn Collins e Kitsch, que ainda não desenvolveu status-quo suficiente para levar um filme de ação nas costas. Mais sorte com “Battleship”.

PS: o filme marca o centenário do personagem. A primeira história de “John Carter of Mars” foi publicada em 1912.

Nota: 6,0
Efeitos 3D: 5,0

- Vorgínia!

sexta-feira, 9 de março de 2012

CINEMARCOS - Os Melhores de 2011


Com certo atraso (geralmente eu escrevo depois do Oscar) sai a lista do Cinemarcos com os melhores filmes de 2011. Esse ano foi atípico, com tantas produções boas, mas muitas que deixaram a desejar. No entanto, 2011 foi rico em histórias profundas e com conteúdo e, mesmo os blockbusters se preocuparam mais com os roteiros e menos com os efeitos. Vale lembrar que a lista traz apenas filmes lançados no Brasil em 2011, daí a razão de se listar “Cisne Negro” e não “O Artista”, por exemplo. Ah, esse ano deu empate na categoria Melhor Filme, assim como em 2009! Confiram:

Melhor Filme - empate
MEIA-NOITE EM PARIS
Woody Allen teve várias fases na carreira, mas muitos diziam que ele havia perdido um pouco a mão, mesclando na sua fase atual comédias românticas sem peso com filmes de mais intensidade. O curioso é que, mesmo assim, ele nunca deixou de ser Woody Allen: o diretor querido por todos e praticamente uma obrigação a ser conferida toda vez que sai um novo filme. Com “Meia Noite em Paris”, uma ode ao passado e uma crítica sobre a insatisfação pessoal da humanidade – sem falar da homenagem a Paris, Allen mostrou força e vigor em um longa-metragem delicioso de se assistir, deixando clara a marca registrada do diretor, a comédia. E a pergunta que não quer calar: seria o personagem de Owen Wilson um alterego do diretor? Pelo sim, pelo não, essa impressão mostra o quanto ele é íntimo e próximo de nós.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 2
Cinema é entretenimento e quem discorda não sabe mesmo como apreciar esta arte direito. Sendo assim, não se pode ignorar uma saga que durou mais de dez anos, lançando oito filmes e sempre mantendo sucesso. É bom ressaltar que nenhuma franquia jamais chegou aos pés de “Harry Potter”. O episódio final, dirigido por David Yates, foi um fenômeno global que mobilizou fãs e não fãs do bruxo para assistir aquele que seria o último filme de toda a saga. “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” tem seus defeitos e não funciona sem a “Parte 1”. Mas também não funciona sem todos os outros seis filmes anteriores. Com cenas de tirar o fôlego e passagens emocionantes que mostram o empenho de todo o elenco, composto por grandes atores britânicos, “HP7.2” foi um dos melhores filmes do ano passado, cumprindo mais do que bem o papel a que se propôs.

Melhor Atriz
Natalie Portman - Cisne Negro
Difícil enxergar a doce Natalie Portman, cheia de personagens meigos, encarnando uma pessoa neurótica e obcecada. E é justamente essa transformação que vemos em “Cisne Negro”. A meiga Nina deixa ser invadida por um furor psicótico ao ver sua performance no balé ameaçada por outra bailarina, não necessariamente melhor, mas que se permite mais. É quando se solta de todas as amarras, físicas e morais, é que Nina passa do cisne branco para o cisne negro e isso fica estampado na sequência magistralmente encenada por Natalie Portman, quando dança como o cisne negro. A atriz está absolutamente irreconhecível. Nina some e dá lugar à criatura. Com razão Portman levou o Oscar de Melhor Atriz naquele ano. Uma performance inesquecível.

Melhor Ator
Ryan Gosling - Tudo pelo Poder
Podíamos dizer que Ryan Gosling era um nome promissor do cinema há alguns anos atrás, quando ele despontou com “O Diário de Uma Paixão”. Hoje, Gosling já é um dos melhores de sua geração, com uma carreira consolidada. Em “Tudo Pelo Poder” ele leva a sério o título do longa-metragem e faz de tudo para que seu candidato à presidência seja o vencedor, mesmo que ele tenha que se entregar ao jogo político. O dilema moral que o Stephen Meyers, personagem de Gosling, se encontra é o ponto chave em que ele entrega uma ótima performance, digna de entrar para o recente hall de bons personagens do ator. “Drive” só estreou no Brasil em 2012, então, quem sabe, ano que vem ele não pinta por aqui de novo. 

Melhor Atriz Coadjuvante
Charlotte Gainsbourg - Melancolia
Contraponto de Kirsten Dunst em “Melancolia”, Charlotte Gainsbourg dessa vez é a parte racional da trama. Sua personagem procura manter o equilíbrio de sua família enquanto o mundo está prestes a ser engolido por outro planeta. Sim, o fim do mundo é de longe o menor problema desta família. Gainsbourg faz com maestria o papel da irmã controladora, que trabalha incansavelmente para manter as aparências de uma festa de casamento onde a própria noiva cai num estado de depressão profunda. Lars Von Trier foi ignorado nas premiações por ser um banana, mas a atuação de Gainsbourg (assim como a de Kirsten Dunst) merece ser lembrada.
 

Melhor Ator Coadjuvante
Philip Seymour Hoffman - Tudo pelo Poder
O personagem de Ryan Gosling em “Tudo pelo Poder” se envolve no jogo político, mas ninguém entende melhor do que Paul Zara, interpretado por Philip Seymour Hoffman, que entrega um personagem que sabe do riscado e não deixa passar uma palavra em branco. Ele não apenas é uma espécie de guru de Stephen Meyers mas como o conselheiro da campanha de Mike Morris, interpretado por George Clooney. Através dos olhos de Hoffman, percebemos que o jogo político é muito mais sério e perigoso do que estamos habituados a saber, nem que para isso a cobra precise morder a própria cauda.

Melhor Direção
Gus Van Sant - Inquietos
Em seu primeiro trabalho depois de “Milk”, Gus Van Sant retorna ao universo adolescente presente em seus filmes anteriores, mas dessa vez com um assunto ainda mais distante deles, a morte. Apesar do tema, “Inquietos” é um filme leve e o diretor conduz o envolvimento do espectador sem nenhum sofrimento – pelo menos, até que ele seja inevitável. Gus Van Sant consegue fazer pensar na morte (e no pós-morte, já que um dos protagonistas enxerga um fantasma) de forma que não dolorosa, chegando a ser poética. Mais uma vez ele acertou em cheio, firmando seu nome como um dos grandes diretores de seu tempo.
 
 Melhor Comédia/Musical
Quero Matar Meu Chefe
Imagine a situação: três funcionários tão devotados aos seus trabalhos que, para continuar trabalhando, precisam eliminar seus chefes, um psicótico, um maluco drogado e uma ninfomaníaca. Imagine ainda que o plano dos funcionários diz que um precisa matar o chefe do outro, assim eles não ficam diretamente envolvidos. Sem falar na consultoria de um bandido sem credibilidade. As situações fazem rir por serem ao mesmo tempo reais, irreais e surreais, sem falar no elenco que garante as risadas. “Quero Matar Meu Chefe” é um alívio cômico diante de tanta pobreza no humor que tem havido.  

Melhor Filme de Ação
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
As cenas de batalha nos campos de Hogwarts são diferentes de tudo o que já se viu na série, sem falar que são essenciais para o desenrolar do longa. “HP7.2” pode não ser um típico filme de ação, mas ação é o que não falta, seja ela liderada por um exército de soldados de ferro, gigantes ou comensais da morte, seja ela uma corrida contra o fogo, uma cobra ou um dragão, ou uma batalha corpo a corpo entre Harry e Voldemort, numa luta final entre o bem e o mal.


Filme de Terror/Suspense
Atividade Paranormal 3
A série melhorou muito desde o primeiro longa – sim, continuo o considerando fraco perto dos outros dois. Em “Atividade Paranormal 3” conhecemos toda a origem do mal que assombra as irmãs Katie e Kristi, dando mais sentido para os primeiros filmes e ainda proporcionando mais sustos, finalmente trazendo aquele clima de terror que o original se propôs. 








Drama
Melancolia
Não há drama pior do que o fim do mundo, mas nunca captamos isso em um filme porque a maioria dos que abordam esse tema estão mais preocupados em explosões, tsunamis, meteoros, alienígenas e efeitos especiais. Mas e os problemas particulares das pessoas, onde entra em todo o caos? Lars Von Trier conseguiu captar toda essa essência através da família isolada de um cientista que, além de lidar com a aproximação de um planeta, precisa fazer com que o pânico não se espalhe ainda mais dado o estado melancólico de um dos seus membros.

Melhor Romance
Um Dia
Um casal que se reencontra ao longo de anos, mas que sempre está nas indas e vindas. Tão diferentes um do outro, Emma e Dexter mantém uma ligação que os deixa unidos por toda a vida, não importa qual o momento emocional que eles estejam vivendo. Em “Um Dia”, a diretora Lone Scherfig dá vida a um dos livros mais água com açúcar da atualidade, mas o traduz com leveza, colocando a emoção dos personagens à flor da pele, de forma que seja impossível não se envolver.



 
Melhor Canção
“I See the Light” – Enrolados
Presa por anos em uma torre, Rapunzel tinha todos os motivos do mundo para te ódio no coração e poderia desejar tudo o que lhe foi privado nesse tempo. Porém, dada a sua humildade, a única coisa que ela deseja é ver de onde partem as luzes que, todo ano, aparecem no céu no dia do seu aniversário. Quando ela finalmente realiza esse desejo, não poderia haver canção mais apropriada que “I See the Light”, que traduz não apenas aquele momento, mas toda a mensagem do filme.


Melhor Filme de Animação
Rio
A animação de Carlos Saldanha tem seus detratores, mas é inegável que “Rio” tem não apenas um visual bacana, mas tem boas piadas, um roteiro bacana – ainda que não totalmente fiel à realidade da cidade, mas vá lá – e uma trilha sonora que faz o espectador querer sair sambando. Sem falar nos personagens principais, dublados por Jesse Eisenberg e Anne Hathaway, mas que tem personalidades próprias. Blu e Jewel já deixam saudades, mas “Rio” está aí para ser visto e revisto como a grande animação que é, deixando pra trás longas da Dreamworks (Kung Fu Panda e Gato de Botas) e Pixar (Carros 2).

Filme de Ficção Científica

Planeta dos Macacos - A Origem
Apesar de todo o culto à série e aos filmes de “Planeta dos Macacos”, vê-los hoje dá uma certa vergonha alheia, de tão fracas que eram algumas produções – incluindo a versão de Tim Burton. Daí, recomeçar toda a saga, contando ainda a origem de tudo pareceu muito arriscado, mas valeu a pena. “Planeta dos Macacos – A Origem” retoma todo o bom espírito da série original, ousando em contar o início de tudo e deixando de forma crível ao espectador. E ainda levantou um debate sobre a atuação por captura de performance. Impecável.

 

Filme Estrangeiro Não Norte-Americano
Incêndios – Canadá
Uma das surpresas do ano, “Incêndios” é de uma vivacidade pouco experimentada no cinema, mesmo dentre os filmes que retratam o Oriente Médio. Ao mostrar a jornada dos irmãos em busca de suas origens, o filme nos leva a conhecer todo um lado diferente do povo que acompanha uma guerra sem fim. Assim como os irmãos ficam abismados diante do que presenciam, algo que irá mudar suas vidas. Foi indicado ao Oscar, mas perdeu para o dinamarquês “In a Better World”. 


Efeitos Especiais
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A franquia já tinha lidado com dragões antes, mas aquele que é mostrado em “HP7.2” tem proporções ainda maiores e se move de forma completamente diferente, destruindo tudo o que vê pela frente, ao sair do Banco Gringotes. Essa e outras sequências ainda mais alucinantes, como a destruição quase que completa do castelo de Hogwarts, são as responsáveis por levar a série a um outro patamar, uma briga de gente grande, no que diz respeito aos efeitos especiais. 

Melhor Filme Nacional
O PALHAÇO
Em seu segundo filme como diretor, Selton Mello levou muita gente aos prantos em um filme que trata sobre o circo e a vida de um palhaço. Ao contar os bastidores desse universo, o ator/diretor despe um pouco da magia que há por trás dos espetáculos para contar um pouco da história de Benjamin, um palhaço em crise existencial. Resultado: uma homenagem a essa arte tão nobre, porém esquecida e ainda um dos melhores filmes do ano.

 


Ator Nacional
Paulo José – O Palhaço
Mesmo sendo Benjamin o personagem principal, é a figura de Valdemar, interpretado por Paulo José, que dá o tom ao filme, do palhaço orgulhoso em fazer as pessoas rirem e daquele que apoia o filho diante de todas as suas adversidades. Paulo José, um dos veteranos da atuação no Brasil, está em ótima forma e entrega um personagem cativante e emocionante.

 



Atriz Nacional
Deborah Secco – Bruna Surfistinha
Quem vê Raquel Pacheco hoje saracoteando em programas de TV até esquece que ela ralou um bocado até chegar ao status de Bruna Surfistinha. Ela foi do luxo ao lixo, retornando ao luxo, com essa passagem toda sendo mostrada através da atuação de Deborah Secco, que esquece todo o pudor e encarna a personagem com vontade. O filme pode ter romanceado demais a história de Raquel, mas Deborah seguiu o roteiro em um dos personagens mais importantes de sua carreira.



 

Filme + Cool
Sucker Punch – Mundo Surreal
“Sucker Punch” é subestimado, infelizmente. Zack Snyder passou tempo demais guardando segredo sobre seu último filme, mas valeu a pena. A trama visual do filme, que envolve longas sequências de batalhas na imaginação da personagem Babydoll, misturadas à realidade, fez do filme um grande videogame, onde o espectador é convidado a jogar mesmo que seja apenas com a imaginação.




Melhor Ator/Atriz menor de 18 anos
Elle Fanning – Um Lugar Qualquer
Parece que talento é algo natural na família Fanning. Seguindo os passos da irmã, Dakota, Elle Fanning conseguiu ótimos papeis no cinema, conseguindo se distanciar da sombra da irmã e trilhando o próprio caminho. Em “Um Lugar Qualquer”, da diretora Sofia Coppola, Fanning não faz mais do que ser uma adolescente, mas a expressão nos seus olhos, quando precisa se aproximar emocionalmente do pai, um popstar interpretado por Stephen Dorff, é a prova de tudo o que ainda vamos presenciar. Fanning ainda atuou em “Super 8” e em “Compramos um Zoológico” em 2011.


Melhor Personagem Secundário
Ceaser (Planeta dos Macacos)
O líder de uma rebelião, o primeiro de uma linhagem de chimpanzés evoluídos, o mais humano de todos os macacos. Ceaser está como secundário, mas seu papel é fundamental para todo o desenrolar de “Planeta dos Macacos”, não apenas a origem, mas de toda a filmografia da série que, graças a ele, precisará ser revista com outros olhos.

Veja os indicados ¬ Confira os outros anos: 2008 / 2009 / 2010

segunda-feira, 5 de março de 2012

Poder Sem Limites

Chronicle
(EUA, 2012) De Josh Trank. Com Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan, Michael Kelly, Anna Woods.

O ser humano sempre foi fascinado em superpoderes, não é à toa sermos bombardeados por histórias em quadrinhos que falam disso desde o início do século XX e histórias que remontam a mitologia grega. Quem não se lembra da lenda de Ícaro, que de tão fascinado por voar, construiu asas de cera para realizar o seu sonho – embora tenha conseguido um trágico final? Os filmes, claro, não poderiam ficar de fora e o gênero sempre foi explorado. Mas sempre nos acostumamos a ver os super-heróis (ou super vilões) de uma forma estereotipada. Daí o sucesso há alguns anos atrás da série “Heroes”, que mostrava pessoas comuns que do nada tinham suas vidas alteradas por conta de uma ‘habilidade’, como era chamado na série. “X-Men”, “Homem-Aranha”, “O Incrível Hulk” e tantos outros filmes da nova safra começaram a fazer sucesso por apostar na humanização de seus personagens. Essa é a premissa de “Poder Sem Limites”. O que adolescentes americanos poderiam fazer se tivessem superpoderes? 

Andrew é o típico adolescente rejeitado e vítima de bullying na escola. Vítima da intolerância do pai, ele decide comprar uma câmera em que filma seu cotidiano, desde as trivialidades da escola à doença terminal da mãe. O único apoio de Andrew é o primo Matt, que o leva para festas e faz o intermédio da socialização do garoto. Andrew é apresentado a Steve, o garoto mais popular do colégio e os três descobrem uma fonte de energia misteriosa vinda de uma parte subterrânea. A partir de então, os três desenvolves poderes telecinéticos, sendo que Andrew se torna o mais ambicioso e habilidoso deles. É quando ele percebe a força que tem e começa a passar um pouco dos limites que Matt impõe algumas regras que eles precisam seguir. Mas as consequências dos superpoderes para alguém tão fragilizado como Andrew podem ser desastrosas.


Filmado todo em estilo subjetivo, quase como um documentário e seguindo a receita de filmes como “Cloverfield” e “A Bruxa de Blair”, este filme se destaca por utilizar vários ângulos disponíveis em todas as câmeras que aparecem no filme. Uma hora vemos o desenrolar da cena pela câmera de Andrew, outra cena é filmada com a câmera da amiga de Matt, Monica, ou então por câmeras de segurança, celulares que curiosos estejam filmando e o que mais estiver disponível. Esse recurso fica ainda mais legal quando empregado no clímax do filme, em que a velocidade das ações é destacada por causa da montagem que se utiliza dessas múltiplas câmeras. 

Os efeitos especiais são legais embora um pouco manjados, mas é o enredo que mais chama a atenção. Não é difícil se identificar com o personagem Andrew e seus amigos, que de repente veem um mundo de possibilidades diante dos seus olhos. Em nenhum momento eles cogitam ser super-heróis, são apenas garotos se divertindo com seu novo brinquedo. Os outros dois o usam com responsabilidade, mas Andrew é o ambicioso ao mesmo tempo em que extravasa toda a sua raiva e revolta contra o sofrimento que sentira até o momento.


De certa forma, “Poder sem Limites” pode ser considerado uma metáfora para os casos de bullying que terminam em vários massacres e atentados a escolas provocados pelos alunos. Toda essa mensagem fica encoberta quando o diretor Josh Trank coloca pitadas de ação digna dos filmes do “Homem de Ferro”. Efeitos não muito espetaculares, mas que cumprem seu papel ao segurar o espectador na trama, especialmente os adolescentes sedentos por mudanças e a necessidade de explodir sua raiva contra tudo e todos.

Nota: 8,0