quarta-feira, 13 de junho de 2012

Para Sempre

The Vow
(EUA, 2012) De Michael Sucsy. Com Channing Tatum, Rachel McAdams, Jessica Lange, Sam Neil, Scott Speedman, Wendy Crewson e Jessica McNamee.

Algumas histórias dão tanto na pinta que são ‘água com açúcar’, ou seja, romance puro feito para levar pessoas às lágrimas (também chamado ‘filme de mulherzinha), que acabam desanimando antes mesmo de se cogitar em ver o filme. Geralmente, as histórias têm o casal protagonista que se apaixona, mas vive brigando, até que reatam, mas algo antes do fim os separam, só pro mocinho correr atrás da mocinha pra eles ficarem juntos no fim. “Para Sempre”, a princípio, não foge à regra. Mas e quando uma mensagem bonita supera até mesmo um roteiro fraco e clichê? É o que acontece aqui. O filme é um tanto fraco para uma história sobre um homem que precisa reconquistar a própria mulher após uma amnésia, mas ainda assim conquista. Esse é o poder de um bom 'água com açúcar': você sabe que falta algo mais, mas assiste até o final.

Paige e Leo são casados e apaixonados, mas eles sofrem um acidente de carro que faz Paige entrar em coma. Quando acorda, os médicos percebem que ela sofreu um trauma que fez sua memória apagar os últimos cinco anos. Com isso, ela não se lembra de nada, nem de seu marido, e começa a estranhar a intimidade que tem. Aos poucos, Paige começa a voltar à vida que tinha antes de se casar, voltando para a casa dos pais, enquanto Leo não desiste e faz de tudo para reconquistar sua esposa, fazendo com que ela se apaixone por ele de novo.
 
 
O filme tem todos os elementos para dar certo. Um acidente de carro, perda de memória, um amor profundo que está por um fio, um casal fofo. Daria um drama tremendo, mas não. Enquanto o personagem de Channing Tatum é muito passivo com a história toda, sempre super otimista quase sem dor, lágrimas e sofrimento, a Paige de Rachel McAdams reage mais como uma criança do que como uma mulher que acabou de perder a memória. Aí vão me dizer “mas é uma comédia romântica!”. Não, estamos falando de uma mulher com um dano cerebral irreversível e de um homem que vê sua esposa, sua única família pelo que o filme diz, o amor de sua vida, ir embora sem fazer a mínima cerimônia! É só romance, não comédia. Mais lágrimas, gente! A impressão é que eu sofri mais do que o próprio Channing Tatum.

Tirando esse pequeno detalhe, que faria o filme sair de bom para ótimo, o enredo até que se torna satisfatório para o que se propõe: fazer casais suspirarem e mostrar uma história de amor de um casal que, na verdade, combinam. Channing Tatum e Rachel McAdams já são atores de fácil identificação com o gênero, daí a química na tela ser praticamente instantânea. O ambiente em que o filme se desenrola também é charmoso, desde o loft onde mora o casal ao café em que eles se conhecem (que envolve o tal “voto” do título).


"Para Sempre" é um bom romance, mas deixa um gostinho de quero mais. A história é baseada em um fato verídico ocorrido com o casal Kim e Krickitt Carpenter, autores do livro “Para Sempre”, onde narram como Kim perdeu a memória e Krickitt conseguiu reconquistá-la. O estreante Michael Sucsy acerta em não exagerar demais a história mas peca pela falta. Um pouco mais de profundidade e o filme seria perfeito.

Nota: 6,5



terça-feira, 5 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador

 Snow White and the Huntsman
(EUA, 2012). De Rupert Sanders. Com Kristen Stewart, Charlize Theron, Chris Hemsworth, Ray Winstone, Sam Clafin, Bob Hoskins, Nicki Frost, Sam Spruell, Eddie Marsan, Brian Gleeson, Toby Jones.

A beleza é uma das principais armas de uma mulher. Tanto é que algumas são extremamente obssessivas com sua aparência e fazem de tudo para chegar ao rosto e corpo perfeitos. Essa sempre foi uma das vertentes pelas quais passeou o conto Branca de Neve e os Sete Anões, presente há muitos anos no imaginário popular. Nessa nova adaptação para o cinema, a segunda este ano, o que está em jogo é a vida de uma princesa, a honra de um caçador e o destino de todo um reino quando uma mulher busca incessantemente ser a mais bela de todas. Em “Branca de Neve e o Caçador”, são as motivações da rainha Ravena o que mais chama a atenção. É em seu passado sombrio que entendemos o que a faz ser como é, destruindo o que estiver entre ela e seu objetivo, em uma interpretação magistral de Charlize Theron que transmite crueldade e profunda tristeza. 

Em um reino muito distante, após tramar a morte do Rei, a rainha Ravena trancafia sua enteada, Branca de Neve, na torre mais alta de seu castelo. Para manter um encantamento que sempre a salvaria e a tornaria a mais bela de todas, Ravena se alimenta da energia vital de mulheres jovens em todo o reino, comendo-lhes o coração. Até que um dia seu espelho mágico avisa que existe sim alguém mais bela do que ela. Sim, é Branca de Neve, que aproveita uma distração para fugir do castelo e se engendrar na Floresta Negra, onde os poderes de Ravena não fazem efeito. Por isso, a rainha contrata um caçador que teve sua mulher assassinada por Ravena, mas que ela prometeu trazer de volta caso ele a ajudasse. Só que, no meio da empreitada, o Caçador se alia à causa de Branca de Neve e junto com sete anões da Floresta irão organizar uma rebelião armada contra o domínio de Ravena, que apenas a mais bela pode derrotar.


Ao colocar traços sombrios na história, o diretor Rupert Sanders acerta e constrói uma trama que mistura traços cômicos com um ritmo de ação que não prejudica o desenvolvimento dos personagens, que são a alma do filme. Kristen Stewart, apesar de não ter sido a melhor escolha para o papel,  se sai bem como a mocinha que sofre do começo ao fim, passando por um zilhão de provações pelo caminho. Ao seu lado está o Caçador, interpretado por Chris Hemsworth, que se despe da montanha de músculos de Thor para encarnar um guerreiro mais hábil na batalha corpo a corpo, com uma história de dor e amargura.

O melhor desempenho fica por conta de Charlize Theron que consegue transmitir um ódio sem tamanho ao mesmo tempo em que deixa transparecer uma Ravena também com um passado marcado por dor e sofrimento. A personagem seria quase humana, não fossem as atitudes diabólicas e maléficas que pratica.


Os efeitos especiais, o figurino e a direção de arte são também um ponto chave do filme, se tornando essenciais para a formação da história. Diferente do seu par “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador” sai do burlesco e colorido e coloca tons mais sombrios e reais na tela. O diretor Rupert Sanders, em seu filme de estreia, provou ser a escolha certa para dirigir o filme justamente apostando nesse visual. As ambições iniciais eram fazer de “Branca de Neve e o Caçador” uma trilogia, dependendo do resultado de seu primeiro exemplar. 

 O filme tem seus defeitos. Kristen Stewart é a responsável pela maioria deles. O principal é sequer terem cogitado que ela poderia ser mais bela que Charlize Theron. Mas, assim como a moral do filme nos ensina, a beleza é relativa. Nesse caso, literalmente.

Nota: 8,5

Ó, Grande Veado Branco... oh, wait!.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Contos não muito de fadas

Contos de fada com gente em carne e osso. O cinema, de uns tempos pra cá tem investido nessa premissa. As princesas deixam de ser meras mocinhas sofredoras para pegar em espadas e sair em busca do perigo. Alice enfrenta um dragão no País das Maravilhas, João esquece o pé de feijão para virar um matador de gigantes, e a Chapeuzinho Vermelho vai sozinha enfrentar o lobo que assola a sua vila. Agora, Branca de Neve é quem enfrenta um treinamento com o Caçador para se rebelar contra a Rainha má.

Seja por falta de criatividade ou apenas vontade de ganhar dinheiro, quando se trata de contos de fadas e princesas, os cinemas sempre lotam, dado o fascínio que essas histórias exercem em várias gerações, por anos a fio. Essas releituras, naturalmente, fazem igual sucesso, talvez até mais.

Em “Branca de Neve e o Caçador”, a Rainha Má (Charlize Theron) vai até as últimas consequências para se tornar ‘a mais bela de todas’ e, para isso, precisa matar a princesa. Sem querer sujar as mãos, ela contrata o caçador que, no entanto, vai mudar o curso da história ao incentivar uma rebelião por parte de Branca de Neve, que irá lutar contra o exército real e reaver seu trono. 

Colocar Branca de Neve, eternizada na adaptação de Walt Disney como uma figura pura e doce, no centro de uma batalha de proporções épicas foi uma atitude inusitada, mas que despertou a curiosidade dos espectadores. A mesma ousadia apareceu em “A Garota da Capa Vermelha”, que colocou Chapeuzinho Vermelho no centro de um mistério que envolvia um lobisomem assassino.
Em “Alice no País das Maravilhas”, a versão live action de Tim Burton, a heroína de Lewis Carroll pega em espadas, veste armadura e enfrenta o temível Jaguadarte, um dragão que responde somente à Rainha Vermelha. Não vamos esquecer também da simpática Branca de Neve de “Espelho, Espelho Meu”, a outra versão de 2012 para o conto, que aprende artes marciais para se virar contra a Rainha.

E não para por aí. Em 2013, “Jack and the Giant Killer” traz a história de João e o Pé de Feijão para os dias de hoje onde o pobre João será o pivô do fim da trégua entre homens e gigantes (?!). Também para 2013, “Hansel and Gretel”, os nossos João e Maria viram caçadores de bruxas super experientes e paramentados, com Gemma Aterton e (vejam só) Jeremy Renner. E em 2014, Angelina Jolie estará em “Maleficent”, filme sobre a visão da bruxa má do conto da Bela Adormecida. É, os contos de fada não vão ter sossego por um bom tempo.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Exótico Hotel Marigold

The Best Exotic Marigold Hotel
(UK/Índia, 2011) De John Madden. Com Judi Dench, Bill Nighy, Maggie Smith, Tom Wilkinson, Dev Patel, Penelope Wilton, Ronald Pickup e Celia Imrie.

Não é sempre que um filme consegue reunir um time de atores veteranos em um mesmo filme, cada um mostrando seu vigor sem, necessariamente, apagar o brilho do outro. Esse espírito presente em “O Exótico Hotel Marigold” coloca Judi Dench, Maggie Smith, Bill Nighy, Tom Wilkinson, entre outros ‘sêniors’ do cinema em personagens que são exatamente o que eles são: sêniors.  Claro, cada um vive um drama, um personagem, mas estão todos absolutamente confortáveis nos seus papéis. “O Exótico Hotel Marigold” inspira e fascina, mostrando que, diferente de uma opinião formada pela humanidade, há certa vivacidade e energia na Terceira Idade talvez maior do que a de qualquer outra faixa etária. Visitar outra parte do mundo, encontrar um emprego, viver um novo amor ou correr atrás do antigo. Tudo isso é possível, talvez mais possível do que em qualquer outra época, já que a experiência proporciona isso.

O filme narra a trajetória de sete pessoas rumo a um novo projeto na Índia, destinado a fornecer o melhor serviço a idosos, o Exótico Hotel Marigold Para os Idosos e Lindos (numa tradução livre). Evelyn foi dona de casa a vida toda e se muda após que vendeu sua casa para pagar dívidas do falecido marido; Graham é um juiz aposentado que retorna à Índia em busca de seu amor do passado; o casal Douglas e Jean Ainslie fica sem dinheiro após emprestar uma quantia para o negócio da filha; Norman e Madge são os típicos solteirões que querem aproveitar a vida e todas as possibilidades; e Muriel, preconceituosa e conservadora, só aceita se mudar para a Índia para conseguir uma cirurgia na coluna mais barata. Juntos, eles serão os primeiros hóspedes do Marigold, regido pelo jovem espirituoso Sonny, que quer seguir os passos do pai, mas é desacreditado pela mãe e sua família. Todos irão passar por novas experiências, descobertas pessoais e por transformações que nunca experimentariam passar na idade deles, resultando num belíssimo mosaico de histórias.
 

 O roteiro de Ol Parker, baseado no livro These Foolish Things, dá o tom correto de envolvimento com cada uma das histórias, sem que uma ofusque a outra. Claro que o mérito também é do excelente time de atores que fizeram seu nome após anos de atuação. Destaque para Tom Wilkinson, que encara com naturalidade representar certo tabu na história (não contarei, porque seria um baita spoiler), e para Bill Nighy, finalmente sem nenhuma maquiagem representando um personagem comum. Judi Dench e Maggie Smith, como sempre, dispensam elogios, uma vez que sempre executam seus papeis com maestria. Dame Smith, com sua personagem presa a uma cadeira de rodas, dá um show, assim como Dench, que exala uma vivacidade ímpar. 

 As cores e contrastes de uma Índia não badalada, à la Quem Quer Ser Um Milionário?, complementam a trama, causando a estranheza natural e dando ao espectador a mesma sensação de deslocamento dos personagens. O diretor John Madden, de Shakespeare Apaixonado, acerta ao misturar os universos indiano e britânico. Para o expectador, ficam uma grande lição de vida e a emoção com grandes histórias que se cruzam. 

Nota: 9,0


terça-feira, 29 de maio de 2012

MIB - Homens de Preto 3

 Men in Black 3
(EUA, 2012). De Barry Sonnenfeld. Com Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Emma Thompson, Jemaine Clement , Michael Stuhlbarg e Nicole Scherzinger.

Quando o primeiro “MIB” foi lançado, em 1997, Will Smith começava a virar uma estrela. Tinha saído de “Independence Day” e “Bad Boys” e contava como seu maior personagem o protagonista do seriado “Um Maluco no Pedaço”, que dispensa apresentações. A diferença entre “MIB” e os outros dois filmes é que o dos homens de preto foi o primeiro depois do fim da série, quase um teste para Will Smith se desvincular do outro Will Smith, o príncipe de Bel-Air. Não deu muito certo, vide este vídeo postado recentemente na internet. Mas como todo sabemos, Smith virou astro de primeira grandeza de Hollywood. Pode não ter se desvinculado totalmente da série, mas conseguiu outros tantos personagens de peso em sua carreira. O sucesso de “Homens de Preto” foi garantido por ele em 1997 e em 2002, ao lado de um veterano Tommy Lee Jones fiscalizando todo o trânsito de alienígenas na Terra e fora dela.  A terceira parte não é diferente e não chega a acrescentar nada de muito original, mas faz jus ao status de Smith que, como sempre, brilha mais do que todo o resto.

O assassino alienígena Boris, preso pelo agente K há mais de 40 anos, escapa da prisão e consegue voltar no tempo, matando o agente e impedindo sua própria prisão, alterando o curso da história. Quando percebe que algo está errado, o agente J não se conforma com o desaparecimento do agente e também volta no tempo, encontrando a versão mais jovem do agente K. Assim, J precisa impedir que Boris cumpra o seu plano e altere o curso da história e da parceria dos agentes na MIB.


O roteiro se vale do clichê da volta no tempo de uma forma bem humorada, retratando bem a sociedade de 1969, com eventos como a chegada do homem à Lua e as festas proporcionadas por Andy Wharol, personagem que revela certas surpresas. Nesse ensejo, o único que faz frente ao desempenho de Smith é Josh Brolin, como um charmoso agente K mais novo, com 28 anos (apesar de Brolin já ter seus 44 anos). Fora isso, as mesmas piadas que funcionaram nas duas primeiras edições, como o famoso neuralizador e os monstros mais grotescos escondidos em meio à civilização. 


As referências ao que pode ser de procedência alienígena se aproveitando do nosso grotesco cotidiano (se antes foi Michael Jackson, agora é Lady Gaga) também funciona, mas “MIB 3” não engrena como algo independente. As risadas vêm, mas são mais do mesmo já visto nos outros filmes. Algumas cenas de ação até funcionam, mas não empolgam muito. Fica apenas a satisfação em ver um bom filme trabalhado nas referências anteriores e, claro, nas boas atuações de Will Smith e Josh Brolin, que são que são. Agora, pra quem ficou quatro anos sem filmar, Smith poderia ter voltado um pouco melhor.

Nota: 7,0




PS: "MIB 3" é o filme n° 250 a ter resenha publicada aqui! Cara, 250 é muito filme!!! Quer saber quais foram? Visita a aba "Índice" ali em cima, no menu. Lá tem a relação de todos os 250 filmes que já foram comentados aqui no CINEMARCOS. Em breve, o 251. Logo logo chegamos aos 500! Um forte abraço e continue lendo! Bons filmes!

sábado, 26 de maio de 2012

Top 10 filmes nerds

Ser nerd requer muito trabalho. Afinal, este ser é dotado não apenas de inteligência, mas de uma cultura vasta sobre diversos projetos, programas, filmes, videogames, entre outras coisas que ditam o conhecimento e o entretenimento. A revolução nerd aconteceu. Hoje, o cara de óculos, cheio de espinhas, gravata borboleta, suspensório e aparelho nos dentes deu lugar ao cara moderno, que frequenta as mais variadas rodas, desde a sala de aula à pré-estreia de “Star Wars 3D”, passando pela mesa de bar e pelas baladas da vida. Ser nerd (ou geek, como prefiram) virou cool. Por isso, no Dia do Orgulho Nerd, listei dez filmes que fazem parte da cultura nerd por excelência ou que retratam bem como é ser um.
PS: não custa lembrar que tem muita coisa faltando aí, já que estamos falando de todo um universo de coisas definidas há tempos por seres ancestrais a mim.

10. Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010)
Baseado em uma HQ, Scott Pilgrim pode ser tomado como exemplo do nerd de hoje, esse cara descolado e integrado com diversos aspectos da cultura nerd. O longa mistura o universo dos videogames com o mundo do rock'n roll e capta a aura do que todo rapaz introvertido do início do século XXI deseja ser: popular a ponto de conquistar a garota mais bacana da cidade.

+Nerdice: Edgard Wright, o diretor/roteirista, conseguiu permissão para usar a famosa canção-tema do jogo “A Lenda de Zelda” escrevendo uma carta para a própria Nintendo, dizendo que a música é considerada a “canção de ninar” dessa geração. Ele também foi autorizado a usar o tema de “Seinfeld” para a sequência com estilo de sitcom.

9. Watchmen (2009)
Considerada a Bíblia dos quadrinhos, “Watchmen” só ganhou adaptação anos depois da publicação da graphic novel, escrita por Alan Moore. Cultuado por muitos, o filme fez uma adaptação razoavelmente fiel, ampliando o conhecimento da HQ com aqueles que ainda não a conheciam. A história: super-heróis que tentam levar uma vida normal após um período de aposentadoria saem do “armário” após a morte de um deles.

+Nerdice: Durante a escalação do elenco o diretor Zack Snyder deu a cada ator uma cópia do roteiro e outra da graphic novel "Watchmen". Posteriormente, já durante as filmagens, Snyder permitiu que os atores levassem ao set a graphic novel e reescrevessem eles próprios seus diálogos;

8. Batman (1989)
Em 1989, Tim Burton conseguiu levar às telas um filme que ficaria marcado por um bom tempo como o melhor filme baseado em uma HQ. E logo com o Batman. Em um tempo em que o gênero era meio desacreditado, criando pérolas como as sequências do Superman, “O Fantasma” ou aquele “Geração X”, o “Batman” de Tim Burton permaneceu praticamente inabalável durante os anos 1990, mesmo diante das suas próprias sequências. Aí, em 2000, veio um tal de Bryan Singer e lançou “X-Men”, mudando tudo o que sabíamos até então sobre o gênero.

+Nerdice: O filme deu origem a “Batman – The Animated Series”, a bem sucedida série animada que foi muito popular nos anos 1990, outro achado da cultura nerd. Também deu origem a outros três filmes: “Batman – O Retorno”, “Batman Eternamente” e “Batman e Robin”. Não, a franquia do Chris Nolan não tem nada a ver.

7. Tron (1982)
Pode parecer meio bizarro hoje, mas “Tron” foi um dos primeiros a usar a computação gráfica, lá em 1982. Imagina no começo da década de 1980 falar sobre “um hacker que é, literalmente, abduzido para o mundo da informática e é forçado a participar em uma competição onde sua única chance de escapar é com a ajuda de um programa de segurança”? Irônico, instigante e um prato cheio, mas um fracasso absurdo na época, virando cult apenas anos depois.

+Nerdice: Apesar de a animação computadorizada ser utilizada no filme, a tecnologia da época não permitia que atores reais e personagens computadorizados dividissem a mesma cena. Desta forma as cenas com atores que necessitavam de efeitos de animação tiveram que ser feitas pelo método tradicional, ou seja, no braço.

6. Akira (1988)
“Akira” é um dos mais populares mangás japoneses. É também um dos mais cultuados filmes do gênero de todos os tempos. Ele é o representante de toda a produção cultural animada japonesa que ganhou as telas do cinema. A história se passa em 2019 em uma Tóquio futurista, com o membro de uma gangue é transformado por um projeto militar em um poderoso psicopata. 

+Nerdice: A graphic novel na qual “Akira” é baseado começou a ser publicada em 1982. Apesar de o filme ter sido lançado em 1988, em uma versão condensada e com a conclusão da história, a trama na graphic novel apenas foi concluída em 1990.

5. Piratas da Informática (1999)
Digamos que essa é a biografia não oficial da história da Apple e da Microsoft. Foi produzido para a televisão americana, contando a história da fundação das duas empresas de informática, bem como sobre os seus fundadores, Steve Jobs e Bill Gates. Dirigido por Martin Burke, também atende pelo nome original “Piratas do Vale do Silício”. E a pergunta que não quer calar: PC ou Mac?

+Nerdice: Em 1999, na Macworld Conference, pouco tempo depois do lançamento do filme, a plateia foi surpreendida ao descobrir que a abertura do evento foi realizada por Noah Wyle, o ator que interpreta Steve Jobs. Depois, o Jobs real aparece e troca umas palavrinhas com o ator, à la Mark Zuckerberg e Jesse Eisenberg no Saturday Night Live.

4. O Guia do Mochileiro das Galáxias (2005)
Outro ícone da cultura nerd é o livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias” que, vejam só, começou como um programa de rádio, em 1978. Adaptado para as telonas em 2005, esse é o responsável pelo Dia da Toalha, comemorado hoje no dia do Orgulho Nerd! Tudo porque, segundo o guia, a toalha é um ícone indispensável para qualquer viajante do espaço, sendo que ela pode ser utilizada de várias formas. A adaptação cinematográfica difere um pouco do primeiro livro (de uma trilogia de 4 livros) mas isso foi responsabilidade do próprio escritor Douglas Adams, responsável pelo roteiro.

+Nerdice: Desde 1982, o livro vem sendo alvo de projetos para ser filmado e levado às telonas, sendo que ele já tinha virado uma série e um videogame, além da série radiofônica. Apesar de serem seis livros, não há previsão de serem feitos mais filmes da série, dado o fraco desempenho do primeiro.

3. O Senhor dos Anéis (2001, 2002 e 2003)
Antes de ganhar os cinemas, na trilogia realizada por Peter Jackson, “O Senhor dos Anéis” já era um livro consagrado no mundo nerd, levando nomes como ‘hobbit’, ‘Sauron’ e ‘Terra Média’ direto para o dicionário desse pessoal. Quando foi anunciada a produção cinematográfica, a expectativa (e a preocupação) ficou nas alturas, mas Peter Jackson se provou digno da tarefa, virando um diretor cultuado no mesmo minuto.

+Nerdice: A trilogia O Senhor dos Anéis foi filmada simultaneamente, em um período contínuo de 18 meses cobrindo mais de 100 locações na Nova Zelândia. As filmagens foram enriquecidas por dois anos de pré-produção e outros dois de pós-produção. No total, a realização ocupou sete anos do diretor, roteirista e produtor Peter Jackson. O script de mais de 400 páginas também deu trabalho para muitas outras pessoas: além dos 114 personagens com falas, 20.602 extras foram usados nos três filmes e no auge da produção havia 2.400 pessoas trabalhando entre as equipes técnica e de criação.

2. Os Vingadores (2012)
Nem bem saiu nos cinemas, “Os Vingadores” já é quase o apogeu de toda a história da cultura nerd. Reunindo o time de heróis da Marvel em um só filme, o longa quebrou recordes de bilheteria e conseguiu reproduzir bem o espírito dos quadrinhos, levando fãs à loucura. Uma vitória da cultura nerd que chegou a um patamar global e que não para de fazer sucesso.

+Nerdice: É a primeira vez em que a mesma pessoa interpreta tanto o Hulk quanto Bruce Banner. Nos filmes anteriores, o personagem ou era criado digitalmente, como em Hulk (2003) e O Incrível Hulk (2008), ou duas pessoas interpretavam Brune Banner e seu alter-ego, como nos telefilmes estrelados por Bill Bixby e Lou Ferrigno. Mark Ruffalo usou um traje de captura de movimento durante as filmagens, de forma que ele próprio interpretasse o Hulk. 

1. Star Wars (1977)
George Lucas pode ser considerado o pai do nerd moderno. Escreveu a saga de Anakin e Luke Skywalker em um caderno de anotações e deu origem a uma das mais famosas e bem sucedidas franquias do mundo, quando ninguém acreditou nele. “Guerra nas Estrelas”, o primeiro de seis filmes (e o quarto na ordem cronológica), consolidou o gênero ficção científica em Hollywood quando isso era coisa apenas de produção B; conseguiu também atrair uma legião de fãs que se multiplica com o passar dos anos e que exibe uma devoção digna dos torcedores mais fanáticos de futebol; e também praticamente fundou a chamada Cultura Nerd. Afinal, bonecos colecionáveis, cartazes, cosplay, gente que sabe de cor falas do filme, rpg’s, produtos licenciados, convenções de fãs, idiomas e expressões próprias, marketing e merchandising boca a boca, tudo isso começou com Star Wars. E se repete até os dias de hoje. Que a força esteja com vocês!

+Nerdice: O primeiro roteiro de “Star Wars” trazia Luke Skywalker como uma garota que iria resgatar seu irmão. A ideia foi abandonada logo depois, mas outra mais estranha ainda foi cogitada: Luke seria um anão errante que exploraria um mundo repleto de gigantes. A versão definitiva do roteiro apenas ficou pronta em 1976, um ano antes do lançamento do filme.



Extra: A Vingança dos Nerds
O filme de 1984 exemplifica bem como os nerds eram e como eles ficaram hoje. É essa a imagem que vem à cabeça quando se pensa no nerd tradicional e esse filme, sucesso da Sessão da Tarde dos anos 1990, por muito tempo foi o símbolo de como o nerd é. Estereótipo vencido e desconstruído, mas fica a lembrança. Lambda, Lambda, Lambda!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Desabafo - ou "Gente que xinga muito no Twitter"

Há algum tempo atrás eu fui bombardeado por fãs de Johnny Depp no Twitter. Não entrava muito por lá, tanto que nem tinha notado o que aconteceu. Alguma coisa que eu disse por volta do dia 5 de março não agradou o povo. O problema é que eu não faço ideia do que foi! Adoro o trabalho de Johnny Depp e de Tim Burton. Já critiquei aspectos positivos e negativos de ambos quando assisto seus filmes e todos eles são a minha opinião mais pura e sincera. Mesmo assim, não compreendi o motivo do ódio dos DeppHeads (como eles mesmos se denominaram no "tweetis").

Eu recuperei os posts que eu fiz sobre filmes do Johnny Depp no blog. Nenhum deles fala nada demais, porém nem é a preocupação com o que eu disse ou deixei de dizer que me motivou a escrever esse post (até porque o blog é meu, eu escrevo o que eu quiser e quem não gosta pode clicar no “X” pra fechar a página – e sim, se eu achar que Johnny Depp se saiu mal em algum filme, eu direi). O que me levou a escrever foi essa lufada de ódio gratuito que surgiu com as redes sociais e a superpopularização da Internet. Pessoas que se escondem por trás de um perfil como @ForeverJohnnyDepp ou @LuanSantanaMyDream ou @BeliebersParaSempre começam a atacar (sim, atacar e não criticar, argumentar, debater) gratuitamente qualquer pessoa de opinião contrária.

Suponhamos que eu realmente detestasse Johnny Depp (quem me conhece, sabe que não). Ainda assim, seria um direito meu não gostar. Como jornalista e crítico (crítico só do meu humilde blog, mas crítico), me sinto ainda no dever de alertar, por exemplo, que Julia Roberts poderia estar melhor em “Espelho, Espelho Meu”, mesmo sendo ela uma das maiores atrizes de Hollywood. Ou Meryl Streep. Ou Jack Nicholson. Ou Marlon Brando, se assim achasse que ele fez algum trabalho mediano.  Não é ódio ou querer o mal de alguém: é destacar um ponto, positivo ou negativo, de um trabalho.


Me preocupa essa geração que grita aos mil ventos que fulano é otário, idiota ou imbecil e se compromete arduamente com uma causa que, convenhamos, não vale a pena. Estamos vivendo os tempos dos fãs radicais, dos Little Monsters, dos Beliebers, da Família Restart e, acredite, dos DeppHeads. Claro, esses não tem nada a ver com os fãs de verdade de Lady Gaga, Justin Bieber, Restart ou Johnny Depp. Fã que é fã admira o trabalho do seu ídolo, mas tem a consciência de que o próprio ídolo tem seus ídolos. Fã mesmo nem se liga em crítica! Confere o trabalho do cara, ama, cultua e dá uma banana para o que a crítica escreve mas, mesmo assim, respeita. No máximo, rebate os argumentos nos comentários (sim, gente, dá pra fazer isso na internet!) e assim contribui para a discussão em torno do filme/música/artista.

Para finalizar tenho dois pedidos aos quatro ou cinco fãs do Johnny Depp que me xingaram muito no Twitter. O primeiro, ponham nos comentários suas impressões sobre os filmes dele. Se expressem, o blog é aberto a comentários e, desde que não tenham ofensas, tudo será publicado. Segundo, expliquem o que foi que gerou esse ódio, porque eu tô perdido até agora hehehehehe