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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os Muppets - O Filme


The Muppets
(EUA, 2011) De James Bobin. Com Jason Segel, Amy Adams, Chris Cooper e Rashida Jones. Participações de Emily Blunt, Alan Arkin, Ken Jeong, Selena Gomez, Whoopi Goldberg, Neil Patrick Harris e Jack Black.

Bonecos. É a primeira ideia que se tem que ter ao colocar na cabeça que vai assistir a “Os Muppets” – eles são bonecos. Parece óbvio comentar isso, mas é o elemento chave para se assistir ao filme. Porque se você realiza de que tudo ali é tão bobo, improvável e nada, nada plausível, acaba a diversão do filme toda. Portanto, nada de julgar os bonecos e sim a história. Essa sim, simples e com uma lição de moral ingênua, daquelas que há muito tempo não aparecem no cinema, consegue conquistar os espectadores, sejam crianças ou adultos. O que “Os Muppets” traz de volta é aquela sensação de que alguma coisa ficou perdida no meio do caminho quando se trata de produções para TV ou para cinema. Saudade de um tempo em que não era preciso nada além do que uma boa história contada por bonecos para fazer rir e entreter. 
O garoto Walter e seu irmão Gary crescem assistindo a “The Muppets Show” na televisão. Porém, Walter percebe que tem algo de errado com ele conforme ele cresce. Ou não cresce. Afinal, ele também é um muppet. Gary vira um homem adulto e está prestes a se casar com Mary, quando os dois decidem ir para Los Angeles e convidam Walter para conhecer o estúdio onde o show era gravado. Lá, eles descobrem os estúdios abandonados às moscas e um plano maligno para comprar o antigo teatro dos Muppets, local de um poço de petróleo subterrâneo. Walter decide ir atrás de Kermit, o sapo, e reunir toda a turma dos Muppets para um novo show que deve salvar o teatro e colocar os Muppets de novo como ídolos das pessoas. 


Já viu o elenco estrelar do filme? Nomes de peso fazem milhões de participações especiais, algo que reflete a dinâmica da série de TV, que também conta com essas participações. Em destaque, Emily Blunt faz o papel de secretária da editora-chefe da Vogue francesa, que vem a ser Miss Piggy em pessoa, numa clara alusão a “O Diabo Veste Prada”.  Outra participação surpresa vai deixar os mais atentos de queixo caído, mas não posso revelar quem senão estraga a surpresa. Fora as participações, os fixos dão seu show à parte. Jason Segel e Amy Adams (vejam só) consegue mostrar aquela química ingênua com perfeição na tela. E ambos mostram talento na hora de cantar. Até Chris Cooper, no papel de vilão do filme, solta a voz em um rap, num dos números musicais.


Mas as estrelas são os bonecos, que conseguem ofuscar todos os humanos presentes. Kermit (ex-Caco), Miss Piggy, Gonzo e toda a turma têm tiradas sensacionais que lembram o bom humor dos seriados antigos da TV (assim como os Muppets!). Aliás, vários elementos da série se repetem o tempo todo e a montagem surpreende em uma metalinguagem muito bem aplicada. Um exemplo é a parte onde, para chegarem mais rápido em um lugar, eles simplesmente vão de “seta no mapa” – ou seja, uma seta liga Los Angeles à Europa em um mapa na tela e, bam!, eles estão lá! E esse é só um dos bons momentos do filme, que diverte sem se tornar apelativo e que conjuga inocência com piadas bem amarradas que não irão chatear os adultos. Pelo contrário. Na sessão que eu estava só tinha adultos.

Nota: 8
*Indicado ao Oscar de Canção Original

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Os Muppets e filmes de desenho no cinema



Dentre todos os filmes sobre desenhos lançados recentemente, “Os Muppets” é o único que eu devo ir ver. Claro, o filme se baseia no show dos anos 1970 e não no desenho dos Muppets Baby que eu acompanhava na infância, mas mesmo assim fica a pergunta: a fórmula funciona? 

Pergunto isso porque vimos uma enxurrada desse novo gênero ser despejada nas telas, atraindo certa legião de fãs, mas que não satisfaz no roteiro, na produção ou até mesmo na fidelidade da história. Pra citar alguns, tivemos “Os Smurfs”, “Zé Colmeia”, “Marmaduke” e “Alvin e os Esquilos”. Este último parece ter agradado o maior número de pessoas, com piadas novas e adequadas tanto ao público antigo como o novo.

Só que a fórmula se desgasta justamente nessa tentativa de relacionar os públicos. Colocar humanos ao lado dos personagens, sejam eles mais reais, sejam criados em computador, não dá muito certo, porque os humanos – os que deveriam dar um gosto a mais na história toda – sempre saem com cara de bobos. Aí vamos para os desenhos e eles estão completamente mudados. 
 
Só pra citar um exemplo mais antigo, “Scooby-Doo”, embora divertido, colocou a trupe da Mistério S.A. em meio a uma coisa meio colorida/bizarra/tosca que mexeu com muita coisa do desenho original. Desagradou certos fãs, mas conquistou uma molecada que gostou da história, sobretudo o romance de Fred e Daphne, algo que é mais que implícito no desenho. Não à toa conseguiu uma continuação, que enterrou de vez a franquia no limbo. 

“Garfield” tentou também ir pelo mesmo caminho, apostando no carisma do personagem, mas a tentativa de transformar o gato mais preguiçoso do mundo num herói dos filmes de ação foi o que estragou tudo. Isso e as caras de patetas de Breckin Meyer e Jennifer Love-Hewitz. A continuação (“A Tale of Two Kitties” – aargh!) tentou consertar as coisas com um “gêmeo” preguiçoso do gato – Fail! Fail! Fail!

“Os Muppets” deve ir para um caminho diferente e não deve inventar demais. Pelo menos é o que os produtores estão vendendo. Tanto é que colocaram nomes como Amy Adams e Chris Cooper para atuar com os bonecos. Agora é torcer pra tudo não cair na canastrice de tentar apenas ganhar dinheiro com a infância dos outros.

*Vale lembrar que “Os Muppets” já estiveram nos cinemas antes em 1974 e em 1984, ambos clássicos do antigo Cinema em Casa, do SBT.