Mostrando postagens com marcador Fantasia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fantasia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de março de 2013

Oz: Mágico e Poderoso

Oz: The Great and Powerful
(EUA, 2013) De Sam Raimi. Com James Franco, Michelle Williams, Mila Kunis, Rachel Weisz, Zach Braff e Abigail Spencer.

Apesar de as histórias escritas por L. Frank Baum sejam de domínio público e passíveis de adaptação, mexer com a magia e a mitologia do universo de “O Mágico de Oz” é um tanto arriscado. O filme de 1939 está presente no imaginário de milhões de pessoas mundo afora, sem falar que é um dos clássicos intocáveis do cinema de todos os tempos. A coragem de Sam Raimi e da Disney para dar uma nova vida à história, desta vez sob a ótica do tal mágico que dá o nome ao lugar (ou leva o nome do lugar?), faz com que “Oz: Mágico e Poderoso” desperte a curiosidade imediata no espectador. A empreitada se mostra bem sucedida ao apresentar diversos elementos de um mundo novo que fica além do arco-íris, capaz de encantar até quem não está familiarizado com o filme original.

A história mostra como Oz, um mágico de um circo itinerante, após fugir de uma briga em um balão, é sugado por um tornado e acaba indo parar na terra de Oz, um mundo mágico habitado por seres fantásticos. Oz é encontrado por Theodora, uma bruxa que acredita que ele é o mágico de uma profecia antiga, que dizia que ele iria derrotar a bruxa das trevas. Theodora, apaixonada pelo mágico, o leva à Cidade das Esmeraldas, onde sua irmã, Evanora, se encontra. As duas convencem o mágico a derrotar a bruxa má, em troca de muito ouro e do governo de Oz. O mágico então parte em sua jornada, acompanhado de Finley, um macaco mensageiro e por uma menininha feita de porcelana, ambos salvos por Oz. Só que ao encontrar a bruxa má, uma mudança nos eventos acontece e a bruxa revela ser Glinda, a bruxa boa do Sul, que foi banida de Oz por Evanora, fazendo todos acreditarem que ela era a má, quando Theodora e Evanora é que são as verdadeiras bruxas.


Com vários efeitos especiais, à primeira vista é difícil se acostumar com a nova Oz e é inevitável fazer comparações com o clássico de 1939. No entanto, o espectador acaba imergindo na história e a curiosidade de saber como tudo começou vai aumentando conforme o filme avança. Sam Raimi conseguiu costurar a aventura, respeitando o que foi contado na história, mas colocando novos elementos, como a Cidade das Porcelanas. Mesmo assim, o filme está cheio de referências que logo vão captar a atenção do espectador, como o início em sépia, ficando colorido apenas quando o mágico chega em Oz, o campo de papoulas e macacos voadores, para dizer alguns.



James Franco incorpora sua cara natural de bonachão para interpretar Oz, o mágico farsante e charlatão que se aproveita da profecia em benefício próprio. O ator desempenha muito bem seu papel e vai evoluindo ao longo do filme, assim como Michelle Williams e sua Glinda, tão encantadora quanto no original. Mila Kunis e Rachel Weisz completam o time das bruxas, com uma reviravolta inesperada reservada especialmente para Kunis, que acabou sendo a responsável por uma das surpresas do filme.

Mesmo que “O Mágico de Oz” seja um filme ‘intocável’, “Oz: Mágico e Poderoso” tem tudo para dar início a um novo ciclo de histórias, algo que para os padrões de 1939 era impensável. A Disney já confirmou que deve haver sequências e, desde que os filmes seguintes sigam encantando as plateias como o primeiro, elas são muito bem vindas. Uma aventura que não anula o filme clássico, mas que deve se tornar um novo clássico das franquias atuais.

Nota: 9,0
Efeitos 3D: 10


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada


 The Hobbit: An Unexpected Journey
(EUA, 2012) De Peter Jackson. Com Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Elijah Wood, Christopher Lee e Andy Serkis.

Dezembro de 2003: Peter Jackson acaba de lançar “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”. Sucesso mundial, bilheteria fenomenal, 11 Oscars no bolso coroando toda a franquia. Dia seguinte ao Oscar: O Hobbit. Sim, desde que a trilogia terminou ouvimos falar sobre os rumores da produção do filme sobre o livro que conta o início da saga do Um Anel, também escrito pelo mestre J.R.R. Tolkien. E eis que, dez anos e muitos problemas depois, Jackson entrega ao mundo novamente uma trilogia. “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” é a primeira parte, franquia que deve tornar toda a saga do Anel numa espécie de “Star Wars” de Peter Jackson. O diretor, aliás, inovou desta vez. Não apenas pegou carona em toda a onda 3D popularizada por “Avatar”, mas resolveu filmar todos os três filmes em 48 fps (frames por segundo). Para se ter uma ideia, os filmes “comuns” são filmados por 24 fps, o que faz com que “O Hobbit” se aproxime muito do que o olho humano capta normalmente, entregando uma imagem muito mais realista, sobretudo quando entramos em um mundo totalmente irreal. Mas vamos ao filme em si.


Na primeira parte, o mago Gandalf convoca o jovem Bilbo Bolseiro para embarcar em uma aventura que consiste em ajudar uma tropa de Anões liderada por Thorin a recuperar o seu lar, um reino na montanha de Erebor, que foi roubado pelo dragão Smaug. Após certa resistência, Bilbo concorda em ir com eles e juntos vão enfrentar os perigos que a Terra Média oferece, passando por Orcs, Trolls e Elfos, inimigos dos Anões que serão mais úteis do que eles imaginam. E uma certa surpresa irá chegar até Bilbo, um acontecimento que mudará não apenas a vida do hobbit, mas toda a história da Terra Média.

O principal atrativo de “Uma Jornada Inesperada” é a qualidade dos efeitos especiais e o uso dos 48 fps. É notável a diferença e a qualidade que o filme apresenta quando comparamos aos filmes da trilogia “O Senhor dos Anéis”, por exemplo. A Terra Média se apresenta com muito mais definição, com monstros em CGI melhor executados e um realismo impressionante quanto juntamos tudo isso ao 3D. “O Hobbit” levanta uma questão sobre a perda da característica cinematográfica dos filmes (aquilo que nos faz saber que estamos vendo um filme no cinema e não na TV) e a chegada da qualidade semelhante ao vídeo. Mas que é uma conquista tecnológica para o cinema evoluir, isso é incontestável.

Quanto ao roteiro, esta primeira parte é uma grande introdução sobre tudo o que está por vir, principalmente para aqueles que não estão acostumados com o universo criado por Tolkien. Por isso, por quase 2 horas o filme se arrasta em um sem fim de trilhas, caminhos percorridos e diálogos em élfico, algo que é amenizado justamente pela nova velocidade da projeção. Cansativo, porém necessário para que a história se desenrole, já que na hora final (sim, são mais de 3 horas de filme), tudo acontece e o filme se torna uma aventura eletrizante.

Destaque para a cena com Gollum/Smeagle, a aparição mais aguardada pelos fãs da série, novamente interpretada por Andy Serkis. A criatura continua como antes: arrogante, mesquinha e sagaz, mas com um pouco mais de definição gráfica. O embate com Bilbo é gerado com muita tensão, executado com maestria e, mesmo sem muita ação, é de tirar o fôlego.


“O Hobbit”, apesar de tudo, não é “O Senhor dos Anéis”. Pelo menos, ainda não é “O Retorno do Rei”, mas a introdução de algo que ainda está por vir, como foi com “A Sociedade do Anel”. Algumas partes ficam sem explicações e aqueles que nunca viram um filme da saga original podem ficar confusos no início. Também há um excesso de autoconfiança, o que se fez notar por essa temporada de premiações, sobretudo no Oscar, com o filme sendo esquecido em quase todas as categorias, se valendo em apenas algumas técnicas. De qualquer modo, este é apenas o início de tudo e Peter Jackson já se tornou digno da nossa confiança há anos atrás. Vamos aguardar, 2013 e 2014 tem mais.

Nota: 8,5
Efeitos 3D e 48 fps: 10

*Indicado ao Oscar de Maquiagem e Cabelo, Design de Produção e Efeitos Visuais

terça-feira, 5 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador

 Snow White and the Huntsman
(EUA, 2012). De Rupert Sanders. Com Kristen Stewart, Charlize Theron, Chris Hemsworth, Ray Winstone, Sam Clafin, Bob Hoskins, Nicki Frost, Sam Spruell, Eddie Marsan, Brian Gleeson, Toby Jones.

A beleza é uma das principais armas de uma mulher. Tanto é que algumas são extremamente obssessivas com sua aparência e fazem de tudo para chegar ao rosto e corpo perfeitos. Essa sempre foi uma das vertentes pelas quais passeou o conto Branca de Neve e os Sete Anões, presente há muitos anos no imaginário popular. Nessa nova adaptação para o cinema, a segunda este ano, o que está em jogo é a vida de uma princesa, a honra de um caçador e o destino de todo um reino quando uma mulher busca incessantemente ser a mais bela de todas. Em “Branca de Neve e o Caçador”, são as motivações da rainha Ravena o que mais chama a atenção. É em seu passado sombrio que entendemos o que a faz ser como é, destruindo o que estiver entre ela e seu objetivo, em uma interpretação magistral de Charlize Theron que transmite crueldade e profunda tristeza. 

Em um reino muito distante, após tramar a morte do Rei, a rainha Ravena trancafia sua enteada, Branca de Neve, na torre mais alta de seu castelo. Para manter um encantamento que sempre a salvaria e a tornaria a mais bela de todas, Ravena se alimenta da energia vital de mulheres jovens em todo o reino, comendo-lhes o coração. Até que um dia seu espelho mágico avisa que existe sim alguém mais bela do que ela. Sim, é Branca de Neve, que aproveita uma distração para fugir do castelo e se engendrar na Floresta Negra, onde os poderes de Ravena não fazem efeito. Por isso, a rainha contrata um caçador que teve sua mulher assassinada por Ravena, mas que ela prometeu trazer de volta caso ele a ajudasse. Só que, no meio da empreitada, o Caçador se alia à causa de Branca de Neve e junto com sete anões da Floresta irão organizar uma rebelião armada contra o domínio de Ravena, que apenas a mais bela pode derrotar.


Ao colocar traços sombrios na história, o diretor Rupert Sanders acerta e constrói uma trama que mistura traços cômicos com um ritmo de ação que não prejudica o desenvolvimento dos personagens, que são a alma do filme. Kristen Stewart, apesar de não ter sido a melhor escolha para o papel,  se sai bem como a mocinha que sofre do começo ao fim, passando por um zilhão de provações pelo caminho. Ao seu lado está o Caçador, interpretado por Chris Hemsworth, que se despe da montanha de músculos de Thor para encarnar um guerreiro mais hábil na batalha corpo a corpo, com uma história de dor e amargura.

O melhor desempenho fica por conta de Charlize Theron que consegue transmitir um ódio sem tamanho ao mesmo tempo em que deixa transparecer uma Ravena também com um passado marcado por dor e sofrimento. A personagem seria quase humana, não fossem as atitudes diabólicas e maléficas que pratica.


Os efeitos especiais, o figurino e a direção de arte são também um ponto chave do filme, se tornando essenciais para a formação da história. Diferente do seu par “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador” sai do burlesco e colorido e coloca tons mais sombrios e reais na tela. O diretor Rupert Sanders, em seu filme de estreia, provou ser a escolha certa para dirigir o filme justamente apostando nesse visual. As ambições iniciais eram fazer de “Branca de Neve e o Caçador” uma trilogia, dependendo do resultado de seu primeiro exemplar. 

 O filme tem seus defeitos. Kristen Stewart é a responsável pela maioria deles. O principal é sequer terem cogitado que ela poderia ser mais bela que Charlize Theron. Mas, assim como a moral do filme nos ensina, a beleza é relativa. Nesse caso, literalmente.

Nota: 8,5

Ó, Grande Veado Branco... oh, wait!.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Espelho, Espelho Meu


Mirror, Mirror
(EUA, 2012) De Tarsem Singh. Com Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer e Nathan Lane.

Os contos de fadas voltaram. Desde “Shrek”, um ou outro título tem aparecido pelo cinema, vide exemplares como “A Garota da Capa Vermelha”, “Encantada” e “Alice no País das Maravilhas”. A bola da vez é Branca de Neve, que chega em 2012 não com um, mas dois filmes novos. Além de “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador”, com Kristen Stewart, também estreia esse ano. Porém, algo se perde nesse exemplar do indiano Tarsem Singh. A proposta seria revitalizar o conto, mostrando uma Branca de Neve mais forte e moderna, mesmo morando em um reino de fantasia. Porém, tudo fica superficial e “Espelho, Espelho Meu” acaba se tornando um filme bobo. Aliás, aquela de quem se espera tudo, a verdadeira razão para se assistir ao filme, se perde no meio do roteiro fraco: Julia Roberts, que até convence como a Madrasta Má, mas deixa aquela sensação de que algo está faltando.

A clássica história da Branca de Neve ganha novos contornos quando a princesa, órfã de pai, sai do castelo, mesmo proibida pela Rainha e visita o reino, que acabou se empobrecendo devido aos muitos impostos cobrados para satisfazer os prazeres da Rainha. Ela, por sua vez, se vê falida e deposita suas esperanças em um possível casamento com o príncipe Alcott. Sempre na obsessão por ser a mais bela de todas, a Rainha organiza um baile para chamar a atenção do príncipe, que se apaixona mesmo por Branca de Neve. Após desafiar a Rainha, Branca escapa da morte e passa a viver com sete anões, que levam a vida cometendo crimes no reino. É com eles que Branca aprende artes marciais e se prepara para reaver o trono e derrotar a Rainha, que usa de mágica para garantir que continue sendo a mais bela.



“Espelho, Espelho Meu” é divertido e tem bons momentos, muitos dos quais sai da própria Julia Roberts, como a Rainha. Porém, em um todo, a história não comove, não convence e não empolga. Nem mesmo uma sequência à la Bollywood no final entretém, num último esforço do diretor de chamar a atenção.  A superficialidade compõe uma história fofinha, que coloca Lily Collins e Armie Hammer como os novos rostos da vez, meio que os apresentando ao mundo. A única deslocada é mesmo Julia Roberts, que tinha tudo para fazer uma vilã épica, mas entrega uma performance apenas boa.


Dá pra destacar a boa produção de figurino e alguns cenários (embora seja inevitável, em algumas partes, não lembrar da encenação de “Branca de Neve” feita no “Chapolin”). Já  as cenas de efeitos visuais deixam a desejar um pouco, mostrando que tudo é realmente artificial e construído com CGI (tá, sabemos que é um conto de fadas, mas precisa jogar na cara?).

Além das produzidas pela Madrasta Má, as melhores sacadas vêm, vejam só, do Espelho Mágico, que é o reflexo da própria Rainha, funcionando como uma espécie de consciência, que aconselha, mas acaba realizando todos os desejos dela. Feito para encantar mais as crianças (embora Julia Roberts tenha jurado que não deixaria seus filhos ver), “Espelho, Espelho Meu” é um entretenimento simples, mas que perdeu uma chance de fazer uma reinvenção decente do conto de fadas. Vamos ver se “Branca de Neve e o Caçador” terá melhor sorte.

Nota: 6,0

-Espelho, espelho meu. Existe alguém mais bem paga do que eu?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

Hugo
(EUA, 2011) De Martin Scorsese. Com Asa Butterfield, Ben Kingsley, Sasha Bahron Coen, Chloe Grace Moretz, Helen McCroy, Christopher Lee, Francis de la Tour, Emily Mortimer e Richard Griffiths.

 Não sei se foi coincidência, mas dois filmes indicados ao Oscar e lançados no Brasil na mesma época são sobre o início do cinema. Se “O Artista” fala da era de ouro do cinema mudo e sua transição para os filmes falados, “A Invenção de Hugo Cabret” vai ainda mais longe, nos primórdios do cinema, prestando uma homenagem ao homem que começou tudo o que sabemos hoje. George Meliés pode não ter inventado a técnica, mas foi um dos pioneiros a perceber que o cinematógrafo poderia ser usado para contar histórias. Por ser ilusionista, Méliès acreditava que o cinema era um novo tipo de ilusão, capaz de fazer as pessoas se transportarem para dentro dos sonhos. E esses sonhos eram vistos na tela, através de filmes feitos por ele. Esses bastidores da época são tratados divinamente por Martin Scorsese, um dos diretores mais aclamados da atualidade. Ninguém melhor do que ele para voltar ao passado e contar as origens da sétima arte, lá pelos idos de 1900. Ah, e o Hugo?

Hugo Cabret é um garoto órfão que mora em uma estação de trem, consertando os relógios e fugindo do inspetor da estação. Ele guarda consigo um boneco mecânico achado pelo pai, que morreu em um incêndio. As pistas de como fazer o boneco funcionar estão em um caderno feito pelo pai, mas Hugo acaba perdendo o caderno para o vendedor de brinquedos da estação. Para recuperar o caderno, Hugo conta com a ajuda de Isabelle, uma menina que trabalha com o vendedor e que adora aventuras. Os dois acabam se envolvendo em um mistério sobre o porquê o vendedor não quer devolver o caderno ou deixar Isabelle assistir a filmes, coisa que Hugo adora. Os dois acabam descobrindo que o vendedor é ninguém menos que George Méliés, um dos primeiros diretores de cinema do mundo que, no passado, viveu momentos de glória e diversão com sua mulher, Jane. George se recusa a lembrar o passado, mas Hugo e Isabelle vão em busca da história para mostrar que sempre é possível relembrar os sonhos e vivê-los mais uma vez.


Martin Scorsese viaja em um mundo de fantasia pela Paris pós-Primeira Guerra Mundial para contar a história de  Hugo Cabret, sua relação com o pai e sua visão do mundo, pensando sempre em como consertar as coisas, já que seu pai era relojoeiro. A partir daí embarcamos em uma viagem de nostalgia para conhecer a história de George Meliés, sem nunca desviar o foco do próprio Hugo. Para quem gosta de cinema e conhece a história, ver tudo retratado na tela, imaginar como teria sido os bastidores de “Viagem à Lua”, por exemplo, e outros clássicos dos primórdios do cinema é de deixar os olhos brilhando.

O diretor usa efeitos especiais na medida certa (é o filme de Scorsese com o maior uso dos efeitos) e o 3D, sem apelar para poluição visual dos filmes do gênero, dão o contraste certo entre um filme que usa alta tecnologia e os filmes mudos de 1900. Imagina quando poderíamos pensar em assistir “Viagem à Lua” em 3D? Nem mesmo Méliés poderia prever isso. Esse mistura de tecnologia atual com a forma de se fazer cinema antigamente é a chave do sucesso de “A Invenção de Hugo Cabret”, que se apropria da inocência infantil presa em cada um de nós e nos mostra um filme soberbo, terno e mais uma obra prima de Scorsese.


“A Invenção de Hugo Cabret” tem atuações maravilhosas de todos os atores, é leve e envolvente em todos os aspectos. A mágica em torno do boneco mecânico, do cinema e da história do próprio Hugo leva o espectador – sobretudo os fãs de cinema – a viajar dentro dos próprios sonhos e se deixar levar por um tempo que não volta mais, mas que pode ser visto todos os dias, sempre que quisermos, em uma sala de cinema, já que os filmes nos permitem conhecer novas histórias e realizar nossas próprias aventuras e ver os sonhos se tornarem realidade.

Nota: 10
Efeitos 3D: 10    

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1


The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 1
(EUA, 2011) De Bill Condon. Com Robert Pattinson, Kristen Stewart, Taylor Lautner, Billy Burke, Sarah Clarke, Kellan Lutz, Ashley Greene, Jackson Rathborne, Nikki Reed e Peter Facinelli.

Então. Estou pisando em um território complicado para escrever a crítica de “Amanhecer”. Para isso, revi todas as minhas críticas dos filmes anteriores, assisti ao filme duas vezes, li críticas de diversos lugares do mundo e fiz uma análise interna. E agora, escrevendo esse parágrafo de apresentação, estou percebendo que estúpida foi toda essa preparação! Porque, vamos lá, “Amanhecer” não é o melhor filme do ano, muito menos da história do cinema. É claro, bateu recordes de bilheteria, inclusive no Brasil e isso conta muito. A grande maioria esmagadora torceu o nariz para o longa metragem, mas se esqueceu de uma coisa: os fãs. Será que, depois do primeiro “Crepúsculo”, alguém tem alguma pretensão de achar que a Summit Entertainment fez uma “saga” inteira para leigos no assunto? São os fãs que lotaram o cinema – os dos livros e os dos filmes. Esses sim elegeram “Amanhecer” como o filme do ano e como o melhor da saga até agora. Então eu pergunto: adianta criticar “Amanhecer” se ele cumpre tão bem o seu objetivo inicial, entreter os fãs? Sim, adianta. 

Na primeira parte do desfecho da saga, Bella e Edward se casam, uma vez que essa era a condição para que ele a transformasse em vampira. O amigo lobisomem Jacob não aceita a situação e foge, embora retorne logo depois, já que não consegue ficar com raiva de Bella. Os noivos viajam em lua de mel para o Rio de Janeiro, onde vivem tórridos momentos de romance (e outros nem tão tórridos assim). É nessa viagem que Bella acaba grávida, uma possibilidade que nem Edward nem ninguém sabia que era possível. Agora começa uma corrida contra o tempo, uma vez que a coisa no útero de Bella cresce muito rápido e está matando a garota. Enquanto isso, os lobos veem a gravidez como uma ameaça a humanidade e pretendem destruir, seja lá o que for. É nesse momento que Jacob enfrenta a sua matilha para defender Bella, que por sua vez conta com a ajuda da vampira Rosalie para que não machuquem o seu bebê.


Em frente aos outros três filmes anteriores (Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse), a parte 1 de “Amanhecer” é meio parada. A ação só acontece mesmo do meio para o fim, mas isso não chega a comprometer a história, já que colocaram mais carga dramática e romântica na história de Edward e Bella, a gravidez inesperada, a despedida da família e da forma humana, a tristeza de Jacob ao deixar a matilha e tudo o mais. O problema principal por “Amanhecer” não funcionar melhor do que deveria está em um erro que não dá mais para reparar: Kristen Stewart! Por mais sem graça, apática e comum que Stephenie Meyer tenha imaginado Bella Swan, a atriz não poderia ter a deixado pior. É incrível a falta de expressão em momentos como gravidez, primeira vez, enjoos matinais da gravidez e qualquer outra sensação que a personagem experimente.

Robert Pattinson, depois de ter passado por trabalhos diferentes, como “Água para Elefantes”, parece ter encontrado um caminho mais maduro para Edward, embora esteja bem preguiçoso e confortável na posição de ídolo adolescente que não precisa se esforçar mais na composição do personagem. Embora, verdade seja dita, ele mostre perfeição nas falas em que Edward se comunica em português. Decorar ajuda, mas o português é uma língua difícil.

 Taylor Lautner, que ganhou  mais de destaque nesta primeira parte, mostra que está no caminho certo, mas precisa melhorar mais na atuação. Aliás, espectadores foram forçados a prestar atenção na atuação de Lautner, uma vez que Jacob Black só tira a camisa uma (01) vez no filme todo! Recorde absoluto para a franquia. Diante disso, é o elenco de apoio quem consegue tirar bons momentos do filme, com piadas, comentários engraçados e atitudes inusitadas, como o discurso do pai de Bella, Charlie Swan, no casamento da filha. 

Com um orçamento de US$ 127 milhões (MILHÕES!), o que proporcionou uma vinda ao Rio de Janeiro para gravar as cenas da lua de mel, “Amanhecer” deixou um detalhe básico de lado: a continuidade. Stephenie Meyer imaginou um vampiro que brilha no sol, contrariando toda a mitologia existente até hoje, mas, já que ela o criou assim, que assim seja. Então, porque raios em uma das cidades mais ensolaradas do mundo, Edward fica no sol o tempo todo e não emite um raio de luz? A ideia é esdrúxula, claro, mas ué, começou, então termina! 


 O mundo esperava mais de Bill Condon, é verdade. O diretor de “Kinsey” e “Dreamgirls” teve que trabalhar com uma série de exigências, entre elas a de manter cenas de sexo e violência dentro dos limites da classificação indicativa, justamente os elementos que dão mais pimenta ao livro. Porém, com o que tinha nas mãos, fez um filme satisfatório. “Amanhecer” não é o lixo que os críticos dizem que é, mas se mostra um filme água com açúcar demais para uma saga de vampiros e, convenhamos, muita gente não gosta disso. No fim das contas, acaba sendo um filme mais ou menos, com doses de romance e erotismo, um drama entorno de uma gravidez inesperada e uma pitada de ação no confronto com os lobisomens. Para os fãs, funciona claro. Mas podia ser bem mais.

Nota: 6,0 


domingo, 10 de julho de 2011

Harry Potter e o Cálice de Fogo

Harry Potter and the Goblet of Fire

(EUA,UK/2005) De Mike Newell. Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Brendan Gleeson, Timothy Spall, David Tennant, Robert Pattinson, Frances de la Tour, Clemence Posey, Jason Isaacs, Maggie Smith, Tom Felton, Miranda Richardson e Stanislav Ianevski.

A expectativa era grande com o quarto capítulo da saga. Não apenas porque ‘O Prisioneiro de Azkaban’ levou toda a franquia para um novo patamar, mas porque a história de “Harry Potter e o Cálice de Fogo” é crucial em vários sentidos. Afinal, é no quarto capítulo da série que acontece o retorno do maior bruxo das trevas de todos os tempos e colocar um Voldemort corpóreo na telona não foi tarefa fácil. O quarto livro é um dos maiores da série, tanto que se cogitou dividir o livro em dois e fazer dois filmes. A Warner resolveu cortar tramas paralelas, para desespero dos fãs, e se centrar no Torneio Tribruxo e na conexão de Harry com Voldemort, que estaria prestes a voltar.

Antes de retornar a Hogwarts para seu quarto ano letivo, Harry e os Weasley vão para a Copa Mundial de Quadribol, onde além dos jogos, um outro evento os aguarda. Os Comensais da Morte, seguidores de Voldemort, preparam um atentado e colocam a Marca Negra sobre a Copa, indicando que as artes das trevas estão se reunindo outra vez. Já na escola, os alunos são informados de que Hogwarts será palco do Torneio Tribruxo, uma competição que irá eleger o melhor e mais talentoso bruxo entre três escolas de magia. Apenas alunos maiores de idade podem se inscrever e colocar seu nome no Cálice de Fogo. Fleur Delacour é escolhida pela escola Beauxbatons, Victor Krum pela Drumstrang e Cedrico Diggory é o escolhido de Hogwarts. Porém, por alguma razão, o nome de Harry Potter também é escolhido pelo Cálice e forçado a competir no torneio, que não apenas é altamente perigoso, como uma grande armadilha para Harry, que cada vez mais sente através de sua cicatriz de que as forças das trevas estão cada vez maiores.

Apesar dos cortes, a história principal de “Harry Potter e o Cálice de Fogo” ficou bem amarrada em todos os pontos e a equipe de produção não economizou nos efeitos especiais e na direção artística. O filme passeia por vários ambientes diferentes que explora não apenas Hogwarts, mas várias partes fora dela. A aparição do Rabo-Córneo Húngaro, o dragão que Harry enfrenta na primeira tarefa, é uma das cenas mais bem produzidas de toda a saga, tamanha a precisão e perfeição na aparência e nos movimentos do dragão. O mesmo se repete com as cenas embaixo do lago de Hogwarts, no labirinto e no cemitério, com o retorno de Voldemort. O ritmo acelerado também ajuda, já que são muitas as cenas de ação misturadas com a carga dramática que a história propõe.

Falando em Voldemort, não poderiam ter escolhido melhor ator para interpretar um dos maiores vilões do cinema do que Ralph Fiennes, que passou meses estudando como era o seu personagem e como ele deveria se comportar no seu ‘renascimento’. Cada movimento de Voldemort é fruto de dedicação e completa entrega do ator ao seu papel. Da mesma forma o fazem Brendan Gleeson, como Olho-Tonto Moody, e grande parte do elenco.

É a primeira vez na série que os espectadores se confrontam diretamente com a morte de um personagem. Isso denuncia o tom que a saga Harry Potter assumiria dali por diante, com a volta do Lorde das Trevas. Serão tempos difíceis no mundo bruxo e o trabalho feito por Mike Newell, levando essa transição com perfeição para as telonas, é parte chave de tudo o que viria a se desenrolar depois.

Ponto alto: A já mencionada cena do dragão e o retorno de Voldemort e toda a sequência no cemitério. Dá arrepios ver o confronto direto entre Harry Potter e o bruxo das trevas.

Ponto baixo: Se tivesse um cigano Igor em Harry Potter, esse seria Stanislav Ianevski. Já que Victor Krum tinha poucas falas, o ator podia ser mais expressivo.

Nota: 9,0

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Harry Potter and the Prisoner of Azkaban

(EUA, UK/2004) De Alfonso Cuarón. Com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambom, David Thewlis, Gary Oldman, Alan Rickman, Emma Thompson, Maggie Smith, Julie Christie, Julie Walters, Tom Felton, Robbie Coltrane e Timothy Spall.

O terceiro filme da saga Harry Potter é uma reinvenção, praticamente um reinício. É em “O Prisioneiro de Azkaban” que os personagens saem da infância e entram na adolescência. A comparação é clichê, mas parece que a franquia também atinge certa maturidade no terceiro episódio. Ele é mais sombrio, porém, de certa forma é mais real do que os outros dois primeiros. Repare: os detalhes de Hogwarts estão diferentes, há salas e espaços diferentes, o figurino está diferente, até a fotografia do filme está diferente. Pela primeira vez na saga, saímos de um mundo que antes era apenas mágico mas que, do jeito que foi mostrado, poderia facilmente ser real. Os alunos tem um ar mais despojado e – vejam só – tem até mochilas! Hogwarts parece ao mesmo tempo lar e escola. O lado mais humanos, tanto nos momentos felizes quanto sombrios, é fruto de dedicação de Alfonso Cuarón, diretor contratado para o terceiro filme, considerado por muitos o melhor de todos.

Harry Potter, como sempre, tem um péssimo verão na casa dos tios. Após se irritar e, literalmente, transformar a tia em um balão, Harry foge para o mundo bruxo e descobre que um bruxo muito perigoso fugiu da prisão de Azkaban e está à solta. A suspeita, é claro, é de que o tal fugitivo, Sirius Black, está de volta para matar Harry, já que ele foi partidário de Voldemort no passado. Por causa disso, os guardas de Azkaban, os dementadores, estão à solta em volta do castelo e essas criaturas parecem atingir mais a Harry do que os demais. Alem de ter que fugir de Sirius dentro da própria escola, Harry ainda terá o próprio ano letivo em si, com as aulas de Adivinhação, da Professora Trelawney, de Trato das Criaturas Mágicas, com ninguém menos que Hagrid ensinando e Defesa Contra as Artes das Trevas, cujo professor, Lupin, tem mais a mostrar do que o que parece à primeira vista.

Cada detalhe de “O Prisioneiro de Azkaban” é diferente dos filmes anteriores. Já notamos isso logo nas primeiras cenas, ainda na casa dos Dursley. O estilo de filmar de Alfonso Cuarón, presente em seus outros filmes como “Filhos da Esperança”, dá um tom mais realista e íntimo a tudo o que acontece com Harry, levando a saga a um novo patamar. Antes, tudo não passava de filmes de criança, feitos para agradar multidões no natal com uma história de fantasia. Com o terceiro filme, passamos a enxergar um mundo que vai além da magia, trazendo à tona sentimentos e raciocínio unidos para que possamos compreender melhor a jornada de Harry.

O bom dessa nova visão sobre a saga Harry Potter é que tudo recebeu um trato mais profissional, digamos assim, de cinema de gente grande. A fotografia, antes baseada em tons fortes e coloridos, agora é mais sombria e com muitos tons de verde, destacando a natureza britânica que cerca o castelo de Hogwarts. Esse aspecto continuou presente em todos os filmes posteriores, definindo o visual unificado da série, como se desprezasse os dois primeiros. O figurino também está diferente, com vestes mais despojadas e jovens para os alunos, e mais práticas e convincentes para os adultos.

Quanto aos efeitos especiais, tudo é muito caprichado, novamente de uma forma não vista antes na série. O hipogrifo Bicuço, os dementadores e o lobisomem, todos foram feitos com uma precisão inegáve, assim como a atuação mais natural de todos os atores, mesmo aqueles que chegaram agora na saga como Gary Oldman e David Thewlis. A trilha sonora original (re) composta por John Williams, também dá uma personalidade única a “O Prisioneiro de Azkaban”. Um filme de tirar o fôlego e cheio de surpresas que, não à toa, lhe rende os méritos de melhor filme da saga.

Ponto alto: Quase tudo. Mas acho que a transformação do professor Lupin em lobisomem é um dos grandes feitos, sem falar na parte da viagem no tempo, de uma precisão impecável.

Ponto baixo: Nenhum em especial, mas porque Julie Christie foi tão mal aproveitada? Madame Rosmerta pode até ter passado batida no filme, mas o talento da atriz não podia ser desperdiçado.

Nota: 10