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terça-feira, 30 de junho de 2015

Divertida Mente

Inside Out (EUA/2015)
De Pete Docter. Com Amy Poehler, Phyllis Smith, Richard Kind, Bill Hader. Vozes brasileiras de Miá Mello, Katiuscia Canoro, Dani Calabresa, Otaviano Costa e Léo Jaime.

Já se perguntou de onde vêm as vozes que falam na sua cabeça?  Essa é a premissa de “Divertida Mente”, o novo filme da Disney/Pixar que estreou na semana passada. Por se tratar de uma animação colorida, com personagens fofinhos e cenários coloridos, há quem pense que o filme é para crianças, certo? Pois saiba que o roteiro do filme foi baseado em estudos de áreas como psicologia, psiquiatria e neurociência. 

Durante seis anos, o diretor Pete Docter (o mesmo que dirigiu “Up – Altas Aventuras”.) estudou os efeitos da mente nos seres humanos, após as experiências diárias que ele tinha com a filha adolescente e as constantes mudanças de humor. A equipe do filme se consultou com psicólogos e especialistas em emoções da Universidade da Califórnia e outras instituições americanas para criar a concepção mais próxima possível das cinco emoções protagonistas do filme: Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho. 

Aliás, a protagonista mesmo é a menina Riley, de 11 anos, que passa por uma situação que pode ser traumática para qualquer criança: ela se muda de Minnesota, no meio-oeste americano, para a litorânea San Francisco. Longe dos amigos e de tudo o que lhe é familiar, Riley passa por picos de humor que vai de um otimismo inicial à raiva e insegurança. Mal sabe ela que essas suas reações são controladas pelos pequenos seres dentro da sua cabeça.

Mas espera um pouco. Como um filme que trata sobre neurociência e conexões da mente humana pode interessar a uma criança?

A resposta a essa pergunta é bem simples. “Divertida Mente” é um filme extremamente inteligente e, mais importante, não subestima a inteligência dos pequenos. De forma lúdica, consegue explicar como se formam as memórias, as emoções e os traços mais importantes que formam a personalidade, chamados de memórias-base. 


A história se passa dentro da mente de Riley, com uma espécie de centro de controle que é comandada pelas cinco emoções descritas acima. Alegria é a emoção que dirige o complexo sistema de formação de memórias de Riley, estimulando pensamentos e reações alegres. Ela só não contava com a súbita intervenção de Tristeza, que não consegue se conter e modifica algumas memórias de Riley, deixando-a triste. Quando uma memória-base originada pela Tristeza se forma, começa uma confusão que deixa todo o emocional de Riley do avesso. Alegria e Tristeza acabam fora do centro de controle e Raiva, Medo e Nojinho ficam a cargo do comando das emoções da menina.

Parece confuso?  Pois o filme abusa da diversão e de diálogos cômicos e, por vezes, dramáticos, que amarram o enredo de forma construtiva e, sem trocadilhos, emocionante. Ao criar uma aventura dentro da mente, “Divertida Mente” consegue prender a atenção e ainda conta com uma importante lição: de que está tudo bem chorar e se sentir triste algumas vezes, pois depois da tristeza, sempre vem a alegria.

“Divertida Mente” pode se firmar como um dos melhores filmes da Pixar e significa um retorno triunfal do estúdio depois de fracassos de bilheterias como “Carros 2” e “Aviões”. É um programa que vale muito a pena curtir com as crianças, mas você pode se surpreender ao se pegar envolvido demais pela história. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Porque “Valente” não deve ganhar o Oscar


Difícil uma torcida contra um filme da Pixar, que mantem uma hegemonia no quesito Animações no Oscar. Mas a verdade é que o filme de 2012, “Valente”, não está mesmo entre os favoritos da competição.

Feito sob encomenda da Pixar para incluir mais meninas em seu público-alvo, e entrar de vez no seleto grupo de Princesas da Disney, o filme acabou derrapando no roteiro e ficando mais fraco, digamos, que seus pares em anos anteriores como “Toy Story 3”, “Up” e “Wall-e”.

Esse pequeno descuido da Pixar abriu espaço para filmes como “Frankenweenie” e “Detona Ralph”. O primeiro já chama atenção simplesmente por ter sido dirigido por Tim Burton, a estética do filme acompanhando o estilo do diretor. Contribui ainda mais para isso o fato de ele ter sido feito em preto e branco e o roteiro em si, falando de um menino que consegue trazer o seu cachorro de volta dos mortos. Mórbido, porém fofo. 

Já “Detona Ralph” conseguiu um apelo ainda mais popular por conta do universo dos games retratado no filme. Ao levar às telas a história de um vilão de jogo de fliperama que não queria mais ser um vilão, a Disney acertou em cheio o coração de crianças e adultos do mundo todo que, em algum momento da vida, passaram pelo mundo dos games.

Outro que já é um queridinho da Academia e que ganhou visibilidade foi Peter Lord com seu “Piratas Pirados”. Conhecido por “A Fuga das Galinhas” e por “Wallace e Gromit – A Batalha dos Vegetais”, esse último vencedor do Oscar de Animação em 2005, ele desponta mais uma vez na categoria com um filme que pode surpreender na cerimônia do dia 24.

“ParaNorman” é o representante da Focus Features e dos estúdios de animação Laika e deve correr por fora na disputa.

De qualquer forma, mesmo que “Valente” não corresponda às expectativas, os favoritos continuam residindo na Disney, que deve coletar mais um Oscar. “Frankenweenie” continua como favorito ao lado de “Detona Ralph”, produções que devem trazer de volta para a Disney um pouco do prestígio em prêmios de animação que outrora ela sustentava sozinha.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Porque “Tintim” ficou de fora do Oscar?

Todo mundo chiou horrores neste dia 24 de janeiro quando, no anúncio dos indicados ao Oscar de melhor filme de animação, “As Aventuras de Tintim” ficou de fora da lista, sendo que, pouco mais de uma semana antes, o filme ganhara o Globo de Ouro na mesma categoria.  Começaram então os berros de “injustiça” e “decepção”.

Acontece que não houve injustiça por parte da Academia e sim o cumprimento das regras. Segundo a AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Sciences), um filme que utiliza a captura de performance não é considerado filme de animação. Para tal, o filme teria que ser todo construído digitalmente ou com animação tradicional, stop motion, enfim, algo que utilizasse métodos artificiais de animação e não algo natural como os movimentos humanos.

Faz sentido? Não sei. A Academia ainda não reconhece a técnica, assim como aconteceu com Andy Serkis e sua fortíssima campanha para indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante por seu papel em “Planeta dos Macacos – A Origem”. Mas pelo menos é uma justificativa para a não indicação de “Tintim” na categoria. Mas nada, NADA, explica a inclusão do fraquinho “O Gato de Botas”.



As Aventuras de Tintim

 The Adventures of Tintin
(EUA, 2011) De Steven Spielberg. Com Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Nick Frost, Simon Pegg.

Steven Spielberg vê muito de Indiana Jones em Tintim, o jornalista aventureiro criado pelo cartunista Hergé. Ou será o contrário? O diretor afirmou em entrevistas de divulgação que não conhecia as histórias em quadrinhos quando filmou “Os Caçadores da Arca Perdida”, mas que o conheceu logo após as filmagens e as semelhanças nas histórias logo fizeram Spielberg querer levar Tintim às telonas. Porém, como levar uma história em quadrinhos ao cinema nos anos 1980? Tinha que ter muito prestígio, cacife ou nomes poderosos como Batman e Superman para tal. Daí que o projeto ficou na gaveta do diretor por anos a fio até que os anos 2000 mudaram tudo. Não somente os quadrinhos viraram um dos gêneros preferidos do cinema atual como também a tecnologia dos filmes de animação mudou nesse período. Foi após assistir “Avatar” que Spielberg viu que podia fazer de seu Tintim um filme com captura de movimentos. Deu certo. A qualidade técnica de “As Aventuras de Tintim” é impecável e o filme logo caiu nas graças do público, com o aditivo de ser um filme com a chancela Spielberg.

Tintim, o intrépido jornalista, se vê no meio de uma trama após comprar um modelo de um navio famoso no século XVII, o Lincorne. Só que logo ele vai perceber a quantidade de pessoas interessadas em reaver o barco e seu faro investigativo não deixa passar despercebido que algo está errado. O inescrupuloso Sakharine está atrás dos três modelos de barco deixado pelo capitão do Lincorne, Sir Francis Haddock, que juntos formam as coordenadas para encontrar o tesouro perdido do navio há muito tempo. Só que, segundo a lenda, só um verdadeiro Haddock irá conseguir decifrar as coordenadas. É aí que entra o único filho sobrevivente de Haddock, que também leva seu nome, mas que parece só funcionar direito à base de bebida, e esqueceu tudo que diz respeito a seu pai e à sua infância. Tintim livra Haddock filho do cativeiro e juntos eles partem atrás dos outros modelos do Lincorne antes de Sakharine.

Cheio de trejeitos de uma época remanescente da era vitoriana na Inglaterra, assim como nos quadrinhos, “As Aventuras de Tintim” consegue ser fiel ao personagem e às histórias, colocando faro investigativo e despertando aquela curiosidade natural que todos nós temos. Spielberg envolve o espectador, desde os créditos iniciais em 2D até o final simplificado que resolve todo o mistério. O único problema é que “Tintim” fica meio perdido entre o infantil e o adulto. Embora o personagem tenha certa inocência (e o roteiro tenha ares meio bobos, é verdade), ele transita no meio de gente perigosa e não hesita em sacar uma arma quando necessário. Até um assassinato na sua porta acontece!

No mais, “Tintim” diverte, mas chama atenção mesmo a apuração técnica da animação, feita toda em captura de movimentos, ou seja, são atores que deram formas àqueles personagens que há anos estampam histórias em 2D. Spielberg conseguiu o melhor com a técnica, que lembra muito mais os avatares de James Cameron do que aquela troça que foi “A Lenda de Beowulf” há algum tempo. Para uma primeira aventura no campo da animação, Spielberg se saiu muito bem. E olha que ele queria fazer algo parecido em “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Imaginem só.
Nota: 9
Efeitos 3D: 9
*Indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Gato de Botas

Puss in Boots
(EUA, 2011) De Chris Miller. Com vozes de Antonio Banderas, Salma Hayek, Zack Galifianakis, Billy Bob Thorton.

Depois que a franquia “Shrek” perdeu um pouco do fôlego, o filme do Gato de Botas, um dos coadjuvantes mais adorados, pareceu ser o caminho natural. Caminho esse que tem sido alardeado desde que o personagem surgiu na série e demorou um pouco para se tornar realidade. No entanto, “Gato de Botas” é um filme um tanto quanto esquisito. A aventura solo do personagem, que é uma espécie de prelúdio para conhecermos sua história, envolve um mix dos contos de fadas que sobraram da franquia Shrek. Muita coisa fica perdida e não se encaixa como deveria. Por isso, acredito que as crianças devem ter se divertido muito – mesmo com alguns toques mais, digamos, picantes da história – mas os adultos devem ter achado um saco ter que ouvir as peripécias do Gato com um ovo falante!

Muitos anos antes de encontrar Shrek e Burro, o adorável mas perspicaz Gato de Botas precisa limpar o seu nome de todas as acusações que fazem dele um fugitivo procurado. Enquanto tenta roubar alguns feijões mágicos dos criminosos Jack e Jill, o herói cruza o caminho da sua equivalente feminina, Kitty Patamansa, que leva o Gato ao seu velho amigo, mas agora inimigo, Humpty Dumpty, um ovo. Lembranças de amizade e traição deixam o Gato em dúvidas, mas eventualmente ele concorda em ajudar o ovo a conseguir os feijões mágicos. Juntos, os três planejam roubar os feijões, chegar até o castelo do Gigante, roubar o ganso dos ovos de ouro e limpar o nome do Gato, embora tudo isso não passe de uma cilada.


“Gato de Botas” não tem a mesma sacada original que fez de “Shrek” (melhor, “Shrek 2”) uma das melhores animações já feitas. Faltam boas piadas mais maduras. “Ah, Marcos, mas o filme é feito para crianças!”. Então se esqueceram de avisar os produtores, porque não adianta subestimar as crianças de hoje em dia com qualquer coisa mais bobinha. Sem falar da fama de mulherengo do Gato e suas ‘arrastadas de pata’ para Kitty. E aquele ovo medonho podia sumir. É um dos personagens mais grotescos ever.

No entanto, apesar da preguiça em escrever um roteiro mais decente para o personagem, “Gato de Botas” diverte. Infelizmente, é um filme esquecível, que se passa no equivalente espanhol de Tão, Tão Distante (embora ainda seja a Espanha :s). Sobra o charme do próprio Gato, que com seus mega super olhos hipnóticos, já tem uma marca registrada e consegue segurar o próprio filme nas costas.



 Nota: 7,0
Efeitos 3D: 6,0
*Indicado ao Oscar de Melhor Animação


 

sábado, 9 de abril de 2011

RIO

Rio
(EUA, 2011) De Carlos Saldanha. Vozes originais de Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Jamie Foxx, Will.I.Am, Leslie Mann e Rodrigo Santoro.

Eu sou carioca e recém-ufanista. Isso significa que fazer um post sobre "Rio", a última propaganda da cidade no exterior pode ser um tanto parcial. Ou não. Primeiro que toda e qualquer crítica é parcial, já que representa a opinião de um indivíduo. Segundo, exatamente por ser carioca e viver na cidade, é fácil identificar o que é correto e o que é falácia sobre o Rio de Janeiro. Como animação, o filme é impecável, franco candidato ao Oscar 2011 de animação. Aí vem a parte do Rio. Mas quem disse que o filme é sobre o Rio? O filme é sobre a arara Blu, tirada de seu habitat por traficantes de animais e levada aos Estados Unidos. A cidade, perfeitamente detalhada no plano digital, é só o pano de fundo. Mas honestamente, não poderia haver um pano de fundo melhor!

A arara Blu foi levada para o estado americano de Minesota ainda filhote e achado por Linda quando ela era criança. Os dois cresceram junto e estabeleceram uma relação familiar muito forte. Até que um dia o ornitólogo Túlio aparece para convencer Linda a levar Blu para o Rio de Janeiro e acasalar com a última fêmea da espécie. É aí que Blu conhece Jade, que está tentando ganhar a sua liberdade e fugir do viveiro. Os dois são capturados por traficantes de animais e ficam acorrentados um ao outro. Eles conseguem escapar mas precisam enfrentar todo o tipo de perigos no caminho, inclusive a cacatua Nigel, que trabalha para os traficantes. Além disso, as araras se perdem na paisagem do Rio de Janeiro em pleno carnaval e precisam quebrar a corrente e escapar de tudo isso. Tudo seria mais simples não fosse um probleminha: Blu não sabe voar!


Carlos Saldanha construiu uma história encantada por natureza. Primeiro, claro, por ter centrado o filme no Rio de Janeiro, retratado com perfeição no âmbito digital, o que fascina o espectador durante todo o longa. Passando pelo brilho da cidade no carnaval, a história de Blu e o sonho de querer voar, coisas que sempre despertaram o interesse dos humanos, além de partes que falam de amor e amizade, respeito aos animais e a alegria de um povo que só tem aqui.


Claro, “Rio” tem clichês. Tem os macacos e aves que andam livremente pela rua, gente pelada o tempo todo e a sensação de que todo mundo tá rindo o tempo todo. Mas pêra (tirando os macacos a rodo) não é assim mesmo? Temos que levar em consideração que é um filme pra estrangeiros, apesar de tudo, e depois de mostrar ao mundo o Rio de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, porque não mostrar o Rio do brilho do carnaval, da beleza das praias e florestas – o pouco que resta? Dizer que dava pra falar do Rio sem citar isso é utopizar demais.


Dá pra ficar orgulhoso de “Rio”, que tem dubladores do calibre de Anne Hathaway e Jesse Eisenberg. O filme tem samba o tempo todo e em certo ponto lembra os musicais animados da Disney dos anos 1940. Duvido você ir ao cinema e ficar com os pés parados com a trilha sonora assinada por Sérgio Mendes, com pitacos de Carlinhos Brown e Will.I.Am. Afinal, carioca que é carioca tem samba na veia, gostando dele ou não, o ritmo é contagiante e não adianta negar. Blu que o diga.
Nota: 9,0
*Indicado ao Oscar de Canção Original

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

E agora? “Como Treinar Seu Dragão” eleito a melhor animação no Annie Awards


Se existe algum favorito absoluto para receber o prêmio de melhor animação no Oscar, esse filme é “Toy Story 3”, certo? Até porque, o longa está indicado a Melhor Filme, meio impossível de não ganhar. Já até escrevi aqui sobre isso. Pois, pera lá, devagar com o andor. Neste domingo, dia 6 de fevereiro, aconteceu a premiação do Annie Awards, voltado apenas para animação e o escolhido como melhor filme foi “Como Treinar Seu Dragão”!

Tá certo que, apesar de referência em animação, o Annie é um tanto quanto duvidoso. Premiaram “Kung Fu Panda” no lugar de “Wall-e” há dois anos atrás e isso deixou o povo da Disney/Pixar meio nervoso. Pediram mudanças nas regras e alegaram que a Dreamworks, estúdio responsável por “Shrek”, “Panda” e “Dragão”, tem ligação direta com os jurados. Este ano, mesmo com indicações a “Toy Story 3” e a “Enrolados”, a Disney/Pixar boicotou o Annie.

Resultado: “Como Treinar Seu Dragão” levou tudo a que tinha direito na premiação, enquanto “Toy Story 3” saiu chupando o dedo. Rusgas à parte, “Toy Story 3” já tá ganhando tudo mesmo, “Dragão” merece esse prêmio, vai! Até porque, a história do menino Soluço que se tenta mostrar à sua aldeia que dragões não são tão ruins assim, depois do seu encontro com o temido Fúria da Noite (ou Banguela), é muito boa. “Dragão” só perde mesmo para “Toy Story 3” em apelo ao público, porque não deve nada em roteiro, trilha sonora ou técnicas de animação. É talvez o melhor filme de animação da Dreamworks desde “Shrek 2”.

Indicado a dois Oscars, duvido que o filme saia com alguma estatueta, mas só o reconhecimento do Annie acho que já valeu. O que aconteceu com “Wall-e” foi mesmo uma injustiça, porque “Kung Fu Panda” é legal mas não pode ser comparado. Já o que aconteceu esse ano, bem, “Toy Story 3” vai ter que simplesmente engolir essa.

*"Como Treinar Seu Dragão" - Indicado ao Oscar de Melhor Animação e Trilha Sonora

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Causos de Toy Story 3



“Toy Story 3” já é praticamente campeão anunciado do Oscar de Melhor Animação desde que foi lançado nos cinemas. Seu favoritismo continua sendo cada vez mais sacramentado a cada prêmio que conquista. Já na categoria Melhor Filme, por mais que tenha mesmo potencial pra ganhar, duvido que a Academia se deixe render por uma animação, quando outras nove boas histórias com gente de carne e osso estão concorrendo. Mesmo assim, vai que...?

O último longa da Pixar é a terceira animação a entrar na lista dos Melhores Filmes. Antes de aumentar novamente o número de indicados para dez no ano passado, a Academia só havia indicado uma animação à Melhor Filme do ano e esse foi “A Bela e a Fera”, em 1991. Depois disso, só “Up – Altas Aventuras” conseguiu o feito, talvez só por causa do número de vagas, mesmo caso de “Toy Story 3”. Lembre-se, há três anos atrás ‘”Wall-e” também tinha um potencial enorme, ganhou o Oscar de animação, mas mesmo sendo um dos filmões de 2008, foi ignorado, junto com “O Cavaleiro das Trevas”.

Outra curiosidade envolvendo “Toy Story 3” na premiação deste ano é que o filme é o terceiro final de uma trilogia a concorrer ao Oscar de Melhor Filme. Antes da animação, somente “O Poderoso Chefão – Parte III” e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” alcançaram essa honra. A diferença é que nesses dois últimos casos, toda a trilogia foi indicada, não apenas o terceiro filme. “Toy Story 3” também entra na seletíssima lista de sequências indicadas, que também envolvem apenas* os filmes das trilogias já citadas, mais “Cartas de Iwo Jima”, de Clint Eastwood (tecnicamente, nem é uma sequência).

*Alguns consideram “A Rainha”(2006) uma sequência de um filme para a TV britânica chamado “The Deal”, onde Michael Sheen também interpreta Tony Blair, também com roteiro de Peter Morgan e direção de Stephen Frears.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Megamente

Megamind
(EUA, 2010) De Tom McGrath. Com Will Ferrell, Tina Fey, Jonah Hill, J.K. Simmons e Brad Pitt.

"Megamente" é um filme muito, mas muito despretensioso. Por essa mesma razão, é muito divertido. A Dreamworks Animation tem aprendido a lição e se mostrando uma produtora forte no mercado arrebatado pela Pixar, embora este não seja o melhor longa da linhagem. Porém, o filme se desprende de todo e qualquer cunho pesado e emocional que tem pairado sobre as recentes animações e se mostra diversão garantida pra família toda, sem exageros. Vale destacar os nomes que dão as vozes originais deste longa, incluindo Brad Pitt.

Megamente é um alienígena enviado a terra junto com uma outra criança, que é dotada de superpoderes. O outro, como o nome do filme diz, teve que se contentar com a ineligência, mas como caiu acidentalmente em um presídio, foi criado para ser um supervilão, enquanto o outro cresceu e se tornou o superherói Metroman. Os dois travam uma batalha épica de vilão e herói, até que Megamente consegue o seu propósito: destrói o Metroman. Aí ele começa a perceber que ser um vilão sem herói não tem a menor graça, então ele decide criar um novo herói através do DNA perdido do Metroman. Enquanto isso, ele descobre que a vida de mocinho também pode ser muito boa, quando se apaixona pela jornalista Rosane Rocha (Roxanne Ritchi, no original), e vê que seus planos não saíram tão bem quanto ele previu.



Depois de "Shrek", ser anti-herói da status no mundo da animação. Isso fica provado neste longa, que tem o vilão como protagonista, e já de cara o público se encanta pelo carisma de Megamente. E com um show de personagens secundários, sobretudo o peixe-robô-alien Criado, amigo do vilão, que o filme ganha os seus espectadores, se mostrando uma comédia divertida. Não veja "Megamente" como um concorrente direto de "Toy Story 3", por exemplo, ou o filme perde todo o seu propósito. Veja sem grilos, num fim de tarde, com os filhos, irmãozinhos ou afilhados. Assim, a diversão vai ser bem maior.

Nota: 8,5
Efeitos 3D: 9,0


sábado, 17 de julho de 2010

Shrek Para Sempre

Shrek Forever After / Shrek - The Final Chapter
(EUA, 2010) De Mike Mitchell. Com vozes de Mike Meyers, Cameron Diaz, Eddie Murphy, Antonio Banderas e Walt Dohrn.

"Shrek Para Sempre" - O Capítulo Final, como sugere o nome original em inglês - é uma homenagem à própria franquia. Foi o ogro verde que mostrou que existia animação além dos estúdios da Disney/Pixar e mostrou essa força ao ganhar o primeiro Oscar de Melhor Animação da história. "Shrek" mostrou um anti-herói em um filme que fazia piada de todos os contos de fadas em uma analogia ao mundo real. Coloca aí os ingredientes de comédia e romance na dose certa e temos uma receita de sucesso, que se repete na continuação "Shrek 2", uma das melhores animações já produzidas. Mesmo a poderosa franquia passou por percalços com um decepcionante "Shrek Terceiro" e é esse erro que a Dreamworks tenta reparar com o novo filme. Ele não chega aos pés dos dois primeiros, mas encerra a saga dos habitantes de Tão Tão Distante de uma forma magistral.

Shrek está cansado da vida que tem levado, que nada lembra os dias em que era temido como um ogro do pântano. Agora ele e sua mulher Fiona são celebridades e são alvo da adoração de praticamente toda a Tão Tão Distante. Junto a isso ele leva a vida de casado ao lado dos três filhos, da família do Burro e do Gato de Botas. Uma hora toda essa rotina faz Shrek explodir de raiva e querer ter a sua antiga vida de volta. É quando ele aceita fazer um contrato mágico com Rumpelstiltskine ganhar 24 horas como o ogro de antes, em troca de um dia da sua vida. Só que o que Shrek não imaginava é que ao fazer isso ele iria mudar toda a história, já que Stilskin roubou justamente o dia em que ele nasceu. Se Shrek nunca existiu, então a maldição de Fiona nunca foi quebrada e ele nunca conheceu o Burro ou o Gato. Fiona agora é uma guerreira em busca da libertação do reino malvado de Rumpelstilskin, que assumiu o poder. Só aí que Shrek percebe a burrada que fez e sai ao encontro de uma solução para todo o problema e obter sua vida de volta.


O bom de "Shrek 4" são as tiradas de comédia e as lições sobre a vida que sempre estiveram presente. Só que o que fica de fora mesmo é a alma do anti-herói, que nos cativou lá atrás no primeiro filme da saga. "O Capítulo Final" é um capítulo mais atraente que o anterior, mas ainda deixa a desejar, já que cai na mesmice de outros contos de fadas. A graça de "Shrek" era ser exatamente tudo, menos isso. Mesmo assim, os personagens que nos ganharam ao longo de todos esse anos são suficientes para nos cativar e nos fazer amar o filme do começo ao fim, com especial carinho pelo Gato de Botas, que com seus olhos ainda atrai a nossa atenção.

Não deve ter mais nenhum capítulo de Shrek - pelo menos, não ainda. Os créditos no fim do filme mostram justamente aquilo que ficou claro durante o filme inteiro: o que seria de nós sem Shrek? Foram quatro filmes para o cinema, um especial para televisão e um monte de produtos licenciados. A franquia se encerrou nas telonas mas permanece viva em cada reapresentação na tela da tv, seja nos canais abertos, seja em DVD ou Blu-Ray Disc. Mas o que vai ficar eternizado mesmo foram as idas ao cinema para ver as aventuras do ogro mais amado do mundo.

Nota: 6,0