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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

As Vantagens de Ser Invisível


 The Perks of Being a Wallflower
(EUA, 2012) De Stephen Chbosky. Com Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Nina Dobrev, Johnny Simmons, Mae Withman, Dylan Mc Dermott, Kate Walsh e Paul Rudd.

Quando se é jovem, você só espera um momento da sua vida em que você consiga se encaixar, encontrar um grupo, fazer amigos e, mais do que tudo, poder expressar as maravilhas de ser você mesmo. Mas até descobrir quem você é, um tempo se passa. Nesse tempo, sofremos um sem fim de problemas internos de aceitação e outros aspectos que os adultos nem sequer levam em conta. Afinal, “ah, você é tão novo, que problemas que você tem?”. Por isso é tão importante viver um momento de cada vez, porque logo você cresce e esquece o momento imediatamente anterior. Essa é apenas uma das reflexões de “As Vantagens de Ser Invisível”, um dos melhores filmes sobre a adolescência e suas dificuldades dos últimos tempos.

Charlie acaba de ingressar na nova escola, é o calouro do high school e, por isso mesmo e por outros motivos, não consegue se enturmar de cara. Ele passou por algumas situações bem difíceis na sua vida, como a perda de uma tia muito próxima e o suicídio de uma migo. Charlie toma coragem e se aproxima de Patrick e sua meia-irmã Sam, ambos no último ano, mas que tem muito em comum com Charlie, que é aceito de cara pelo grupo dos “deslocados”. Como não são os mais populares da escola, os três se sentem livres para fazer as mais variadas loucuras que incluem, claro, pensar no futuro e no valor da amizade, o que significa muito para Charlie. O garoto também nutre uma paixão secreta por Sam, que namora um cara mais velho. Por isso, Charlie acaba se envolvendo com Mary Elizabeth, uma amiga do grupo. Essas relações vão gerar conflitos, mas eles vão perceber que dependem mais uns dos outros do que imaginam.


Mesmo com um tema, a princípio, clichê, o diretor e roteirista Stephen Chbosky conseguiu captar com maestria o ambiente escolar, as dificuldades de ser novo e de se enturmar. Embalado por uma trilha sonora nostálgica, que inclui The Smiths, Sonic Youth, David Bowie e Morrissey, a história de amor e amizade entre os três deslocados da escola encanta e emociona facilmente, pois desperta o adolescente que há em nós e faz refletir, pensar na vida e em tudo o que você já fez (e o que poderia ter feito de diferente).

O ator Logan Lerman, depois de encarnar Percy Jackson e uma série de outros filmes, se destaca com sua interpretação de Charlie, um rapaz que sofre algum tipo de perturbação (que só é revelado ao fim do filme), mas que passa por tudo para tentar se aproximar de Sam e Patrick. Emma Watson também continua dando provas de que consegue se livrar de Hermione, sua personagem em Harry Potter, e entrega uma personagem encantadora, envolvente, rebelde e, por que não, sexy, tudo ao mesmo tempo.  Só a (ainda) cara de Hermione é que não permite uma identificação ainda maior com Sam, mas aí não é culpa somente da atriz. Por fim, Ezra Miller, que já tinha se destacado em “Precisamos Falar sobre Kevin”, encara o desafio de interpretar Patrick, que é gay e tem que esconder que está namorando um dos rapazes mais populares da escola.

Juntos, os três personagens vivem momentos que ficarão marcados em suas vidas, especialmente para Charlie, que vê seu mundo mudar com a entrada na nova escola. “As Vantagens de Ser Invisível” tem muitas lições, que podem ser interpretadas de várias maneiras, para quem achar que a carapuça possa servir. Um filme encantador e envolvente que, com certeza, irá marcar esta nova geração de atores tão bem escolhidos porque, na minha opinião, não poderia haver Sam, Charlie e Patrick melhores.

Nota: 9,0

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Para Sempre

The Vow
(EUA, 2012) De Michael Sucsy. Com Channing Tatum, Rachel McAdams, Jessica Lange, Sam Neil, Scott Speedman, Wendy Crewson e Jessica McNamee.

Algumas histórias dão tanto na pinta que são ‘água com açúcar’, ou seja, romance puro feito para levar pessoas às lágrimas (também chamado ‘filme de mulherzinha), que acabam desanimando antes mesmo de se cogitar em ver o filme. Geralmente, as histórias têm o casal protagonista que se apaixona, mas vive brigando, até que reatam, mas algo antes do fim os separam, só pro mocinho correr atrás da mocinha pra eles ficarem juntos no fim. “Para Sempre”, a princípio, não foge à regra. Mas e quando uma mensagem bonita supera até mesmo um roteiro fraco e clichê? É o que acontece aqui. O filme é um tanto fraco para uma história sobre um homem que precisa reconquistar a própria mulher após uma amnésia, mas ainda assim conquista. Esse é o poder de um bom 'água com açúcar': você sabe que falta algo mais, mas assiste até o final.

Paige e Leo são casados e apaixonados, mas eles sofrem um acidente de carro que faz Paige entrar em coma. Quando acorda, os médicos percebem que ela sofreu um trauma que fez sua memória apagar os últimos cinco anos. Com isso, ela não se lembra de nada, nem de seu marido, e começa a estranhar a intimidade que tem. Aos poucos, Paige começa a voltar à vida que tinha antes de se casar, voltando para a casa dos pais, enquanto Leo não desiste e faz de tudo para reconquistar sua esposa, fazendo com que ela se apaixone por ele de novo.
 
 
O filme tem todos os elementos para dar certo. Um acidente de carro, perda de memória, um amor profundo que está por um fio, um casal fofo. Daria um drama tremendo, mas não. Enquanto o personagem de Channing Tatum é muito passivo com a história toda, sempre super otimista quase sem dor, lágrimas e sofrimento, a Paige de Rachel McAdams reage mais como uma criança do que como uma mulher que acabou de perder a memória. Aí vão me dizer “mas é uma comédia romântica!”. Não, estamos falando de uma mulher com um dano cerebral irreversível e de um homem que vê sua esposa, sua única família pelo que o filme diz, o amor de sua vida, ir embora sem fazer a mínima cerimônia! É só romance, não comédia. Mais lágrimas, gente! A impressão é que eu sofri mais do que o próprio Channing Tatum.

Tirando esse pequeno detalhe, que faria o filme sair de bom para ótimo, o enredo até que se torna satisfatório para o que se propõe: fazer casais suspirarem e mostrar uma história de amor de um casal que, na verdade, combinam. Channing Tatum e Rachel McAdams já são atores de fácil identificação com o gênero, daí a química na tela ser praticamente instantânea. O ambiente em que o filme se desenrola também é charmoso, desde o loft onde mora o casal ao café em que eles se conhecem (que envolve o tal “voto” do título).


"Para Sempre" é um bom romance, mas deixa um gostinho de quero mais. A história é baseada em um fato verídico ocorrido com o casal Kim e Krickitt Carpenter, autores do livro “Para Sempre”, onde narram como Kim perdeu a memória e Krickitt conseguiu reconquistá-la. O estreante Michael Sucsy acerta em não exagerar demais a história mas peca pela falta. Um pouco mais de profundidade e o filme seria perfeito.

Nota: 6,5



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Noite de Ano Novo


New Year’s Eve
(EUA, 2011) De Garry Marshall. Com Ashton Kutcher, Lea Michelle, Sarah Jessica Parker, Josh Duhamel, Zack Efron, Michelle Pfeifer, Jessica Biel, Seth Meyers, Halle Berry, Robert de Niro, Hillary Swank, Ludacris, Abigail Breslin, Sophia Vergara, Carla Gugino, Katherine Heigl e Jon Bon Jovi. 

Já conhecemos esta história. O velho emaranhado de contos que, aparentemente não tem nada a ver, mas se entrelaçam no fim das contas – ou dos contos. A fórmula usada por Garry Marshal em “Idas e Vindas do Amor”, utilizando o Dia dos Namorados como pano de fundo, deu certo por várias razões. Primeiro: o mundo adora comédias românticas. Elas estão em toda parte, de várias formas, tamanhos e histórias. Segundo: juntar várias estrelas no mesmo filme, com o mesmo espaço pra cada uma delas, sem sobressair nenhuma. Terceiro: a sacada de que, no fim, todas aquelas histórias diversas estão interligadas e você, espectador, tem que ir ligando os pontos para descobrir quem tem a ver com o quê. Daí, porque não repetir essa mesma fórmula, em uma noite tão cheia de expectativas quanto a do Ano Novo?

No filme, os vários personagens passam por cada um, uma situação particular: seja a mãe preocupada com o comportamento da filha adolescente na noite de Ano Novo, o casal que espera que o filho seja o primeiro a nascer na noite de Ano Novo, a funcionária cansada do trabalho que pede demissão e que quer completar sua lista de afazeres de 2011 na noite de Ano Novo, um homem no leito de morte que quer apenas ver o globo da Times Square descer pela última vez na noite de Ano Novo, e a programadora de toda a festa do Ano Novo em si, que espera que tudo saia perfeito. Essas e outras histórias se entrelaçam, com cada um desses personagens desenvolvendo seu papel para o filme fechar direitinho... antes do fim da noite de Ano Novo.

As múltiplas histórias se desenrolam direitinho, profundas o suficiente para que saibamos o básico dos personagens, colocando eles como a superfície de todo o clichê existente: a mãe protetora, a adolescente rebelde, o solteirão convicto, a cantora em ascensão que acha que vai ter sua grande chance de estrelato... todos são clichês para facilitar a dinâmica do filme. A presença de nomes como Lea Michele (Glee), Seth Meyers (Saturday Night Live) e Sophia Vergara (Modern Family) vem para provar que o filme está em sintonia com tudo o que é atual, outro recurso para captar mais ainda a atenção dos espectadores. Misturando um elenco novo (Zack Efron, Josh Duhamel) com um mais experiente (De Niro, Michelle Pfeifer), Garry Marshall consegue um meio termo e dá leveza ao longa. Dá pra ver estampado que estão todos se divertindo horrores no filme.

Com eles se divertindo, o público se diverte. Tem até um número musical em conjunto de Bom Jovi com Lea Michelle (claaaaro!), alguns momentos mais dramáticos e todo aquele clima pós-Natal bom que fica nos dias que antecedem o Ano Novo, quando parece ser proibido de se fazer qualquer outra coisa a não ser entrar no clima.

Ps: a repetição do termo "Ano Novo"  no texto é proposital!
Nota: 7,5

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Contra Corrente

Contracorriente
(Peru/Colombia, 2009) De Javiér Fuentes León. Com Manolo Cardona, José Chacaltana e Tatiana Astengo.

Curioso como filmes como "Contra Corrente" conseguem entrar em cartaz. Geralmente produções com temática gay ficam totalmente esquecidas no limbo cinematográfico, raramente vendo a luz do dia. Até que isso vem mudando conforme essas produções ganham o mundo em festivais, contando com a participação de nomes de peso, como Julianne Moore, Annette Benning, Jim Carey, entre outros que se aventuraram no gênero. "Contra Corrente" foi assim. O longa correu os principais festivais de cinema, inclusive o Festival do Rio, e ganhou fortes admiradores que o assistiram via internet. Ganhou prêmios importantes, como a Escolha do Público do Festival de Sundance, e tem um enredo belíssimo sobre religião, espiritualidade, cultura e, claro, o romance dos personagens principais. Por isso, o filme merece ser apreciado por todo mundo.

Miguel vive em uma colônia de pescadores que ainda segue à risca costumes e tradições antigos, como o ritual de entregar o corpo de um falecido a Deus através do mar, para que sua alma descanse em paz. Ele é casado com Mariela e está prestes a ser pai de um menino. Só que ele tem um envolvimento com Santiago, um pintor que se mudou para a vila há pouco tempo, especialmente para viver seu romance com Miguel, que mantém tudo em absoluto sigilo. Quando Santiago começa a questionar o relacionamento dos dois e as pessoas da vila começam a desconfiar de sua sexualidad, ele vai embora em um barco, deixando Miguel sozinho. Acontece que o barco de Santiago sofre um acidente e ele morre no mar. Como sua alma não foi encomendade, ele passsa a ficar como um espírito vagando pela terra, tendo que recorrer à unica pessoa que consegue vê-lo: Miguel. É então que Miguel se dá conta de que perdeu o amor de sua vida, mas que pode ter uma chance de viver com ele, mesmo que Santiago esteja em outro plano. Mas até quando seu ato egoísta irá deixar Santiago sem descansar em paz?



Não fosse por algumas variações, o filme seria a perfeita versão gay para "Dona Flor e Seus Dois Maridos". Uma bela construção sobre sentimentos confusos, "Contra Corrente" mostra a realidade de muitos homens que tem esposa e filhos, amam suas esposas e filhos, mas não conseguem esconder o desejo que carregam. O filme também acerta por mostrar o pequeno vilarejo de pescadores, estampando costumes de pessoas mais simples e fazendo o espectador entrar em contato com um outro mundo, diferente do seu. Com ternura, o diretor Javier Fuentés León retrata o amor dos protagonistas sem chocar ou apelar para o erotismo exagerado e apelativo. Antes de tudo, "Contra Corrente" é uma história de amor proibido, egoísmo, expectativas e comportamento humano, independente de ser homo ou heterossexual.


Com um roteiro leve, que tem pitadas de comédia e drama no ponto certo, o filme merecia ser apreciado por mais pessoas. A fotografia de Maurício Vidal destaca a paisagem maravilhosa das praias do Peru (sem trocadilhos), onde a história toma forma. A calmaria de uma vila de pescadores, mesmo quando tomada por um burburinho em torno dos personagens, transpassa a tela e chega até o espectador. Destaque para a trilha sonora e para as atuações do trio de protagonistas, Manolo Cardona ("A Mulher do Meu Irmão"), José Chacaltana ("Che - Parte 2: Guerrilha") e Tatiana Astengo.

Nota: 9,0

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Bom Apetite


Bon Appétit
(Espanha/Alemanha/Suíça, 2010) De David Pinillos. Com Unax Ugalde, Nora Tschirner, Herbert Knaup e Guilio Berruti.

A princípio o que atrai o espectador para esse filme é a possibilidade de se encontrar bastante comida. Também, com um nome desses, é meio óbvio sobre o que o filme se trata. Então, o espectador vai armado para encpntrar algum tipo de comédia à la "Ratatouille" ou "Sem Reservas" ou qualquer outro que fale sobre comida, cozinheiros, culinária, restaurantes, etc. E quando o filme te surpreende e o foco sai da comida para centrar em algo maior? É isso que faz essa co-produção entre Espanha e Suíça, falada em três línguas (?!), que chega a arrancar lágrimas da plateia.

Daniel se muda da Espanha para a Suíça em busca de se tornar um chef reconhecido e consegue um emprego em um famoso restaurante. Lá ele conhece seus novos amigos, a alemã Hanna e o italiano Hugo. Ele logo se apaixona por Hanna, que tem um caso com o chefe do restaurante, Thomas. Hanna passa então por um momento complicado quando engravida, já que Thomas é casado. Enquanto isso, Daniel tem que lutar para se livrar do sentimento por Hanna, enquanto ainda tem que lidar com a pressão dentro da cozinha, enquanto vê o amigo Hugo cada vez mais se estressar com o patrão. Daniel vê a oportunidade de crescimento, mas começa a trocar os valores de sua vida.

A comida, nesse caso, passa a ser o segundo plano quando o espectador se dá conta dos personagens maravilhosos que habitam aquela cozinha. O sonhador e ambicioso Daniel vai mudando sua personalidade ao longo do filme e podemos ir conhecendo-o aos poucos. Já Hanna é a típica mulher apaixonada que não enxerga as burradas que faz por amor. Hugo é o correto, o cara que não suporta que as pessoas passem por cima das outras sem pudor. Junta tudo isso numa panela e acrescenta o molho. Deixa ferver por 91minutos e sirva ainda quente. Coloque sal a gosto, sirva num prato apresentável e voilá, temos um filme brilhante com um roteiro incrível.

A certa altura o diretor David Pinillos cozinha história de amor e relacionamentos entre amigos, homem e mulher, patrão e empregado, mãe e filho, ex-namorado e ex-namorada, tudo sem deixar nada passar do ponto. Ele junta os temperos na dose certa de comédia, romance e drama, e ainda coloca aquela folhinha de salsa no canto de um prato de porcelana chinesa. O filme é falado em três línguas diferentes, às vezes simultaneas (inglês, espanhol e alemão), e nem assim o espectador se confunde. Um ótimo aperitivo do Festival que se tornou o prato principal.

Nota: 9,0

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Saga Crepúsculo: Eclipse

The Twilight Saga: Eclipse
(EUA, 2010) De David Slade. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson. Taylor Lautner, Bryce Dallas Howard, Dakota Fanning, Xavier Samuel e Joderle Federland.

A maioria dos não-fãs da saga Crepúsculo torce o nariz de imediato para a produção. E eles tem a sua parcela de razão. Stephenie Meyer escreveu uma história sem um pingo de consistência ou coerência, uma grande desculpa para hormônios em ebulição de adolescentes. Mas no que diz respeito aos livros, "Eclipse" até que é bom. Tem mais ação por conta dos vampiros maus que rondam Seattle e pulverizam os humanos para criar um exército. O que estraga esse clima, que poderia se sustentar muito melhor no cinema, é uma indecisão desenxavida da protagonista Bella Swann em se render ao amor do vampiro ou se deixar levar pelos encantos do lobisomem musculoso. Toda essa baboseira não leva a lugar nenhum e isso se repete no filme. O triângulo amoroso (mais sem graça no terceiro longa) ocupa mais espaço do que a ação, suposta razão de David Slade, de "30 Dias de Noite", estar no comando.

O tempo passa e a formatura de Bella Swann está chegando e ela precisa agilizar sua vida para se transformar em vampira. Edward Cullen só pede uma condição em troca de transformar a garota: que ela se case com ele. Enquanto isso, Bella vira alvo de uma caçada da vampira Victoria, que está formando um exército de vampiros recém-criados para acabar com o clã Cullen. Todo esse esquema da vampira má desperta a atenção dos lobisomens, que se sentem responsáveis por proteger a reserva e Forks. Isso faz com que Jacob esteja novamente presente na vida de Bella, e faz a garota começar a ter dúvidas sobre quem ela ama mais. Quando Victoria e seu exercito começam a se aproximar de Bella, é hora de vampiros e lobisomens unirem forças para acabar com a ameaça, antes que os Volturi se metam na história.

"Eclipse" funciona no fim das contas. Pelo menos pelo princípio de ação que se desenrola na luta dos recém criados e na própria atmosfera e contexto em que eles estão inseridos. Ao mesmo tempo, uma gama de tramas paralelas se desenvolveram para poder organizar os pensamentos do espectador, só que isso se arruma na tela de uma forma confusa. Uma série de flashbacks invadem o espaço, contando a história de Rosalie, Jasper e dos lobos, sem falar das aparições de Victoria. Essa, aliás, é a maior decepção do filme, na pele de Bryce Dallas Howard em seu pior papel desde "A Dama da Água". Howard entrega uma vampira insossa, que em nada lembra a maldade da Victoria dos livros ou dos filmes anteriores, quando foi interpretada pela até-boa-nesse-papel Rachel Lefevre.

A história é recheada com um erotismo não visto ainda na saga, o que é bom na dose que aparece, só que para por aí. Edward se prova um vampiro casto, Jacob um lobisomem frouxo e submisso, embora musculoso e Bella mais uma vez é a mais inútil na história toda, embora todos pareçam se mover ao redor dela. "Eclipse" foi melhor de um ponto de vista comercial que seus antecessores, colocando a ação em evidência e dando um tom mais sensual na trama, mas ainda é vazio de roteiro. Isso é resultado do esforço (ou falta de) de Melissa Rosenberg em tentar traduzir para algo palatável a história fraca escrita por Stephenie Meyer.

Não sou contra a saga Crepúsculo, pelo contrário, sou fã, gosto da história (por alguma razão), e essa é a minha cota de cultura inútil aceitável. Mas simplesmente gostar da história não quer dizer que eu ache o melhor dos livros já escritos pela humanidade. A saga é ruim, fraca, e não importa o esforço da Summit, dos diretores, da roteirista ou dos fãs que lotam as salas dos cinemas: nada salva uma história fraca. Porém, chegamos a um ponto em que eu me pergunto se vale a pena julgar os filmes da franquia. A saga não está sendo levada ao cinema pelos filmes em si, e sim para ganhar dinheiro e satisfazer o voyeurismo de uma legião de fãs sedentos por mais disputas entre o Team Jacob e o Team Edward.


Ah, e Joderle Federland, a Bree Tanner, é a melhor atuação do elenco. Mesmo que só apareça uns dez minutos.
Nota: 4,5

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cartas Para Julieta

Letters to Juliet
(EUA, Itália 2010) De Gary Winick. Com Amanda Seyfried, Vanessa Redgrave, Christopher Egan, Franco Nero e Gael García Bernal.

Mesmo quem não é chegado a romances sabe que uma das maiores (senão a maior) história de amor já escrita é "Romeu e Julieta", do imortal William Shakespeare. A história trágica do casal que tem seu amor impedido pela briga das famílias rivais inspirou gerações inteiras e mostrou que vale a pena lutar pelo amor verdadeiro, não importa qual o obstáculo. De certa maneira, esta também parece ser a função de "Cartas Para Julieta", que dessa vez usa o fator tempo para mostrar que o amor resite a tudo. Um típico filme água com açúcar é cheio de clichês do gênero, mas prova que um pouco de açúcar, na dosagem certa, não faz mal a ninguém.

Verona, a cidade natal de Romeu e Julieta, costuma receber casais de todo o mundo, já que a cidade inspira o amor. Tambem recebe mulheres desiludidas ou apaixonadas que deixam cartas suas para Julieta, na parede da casa que teria pertencido a ela. É para essa cidade que parte Sophie, um projeto de escritora que viaja em pré-lua de mel com o noivo, Victor, que vai para a cidade mais a negócios do que em férias. Já que Victor não aproveita a cidade com ela, Sophie visita os pontos turísticos sozinha e é na casa de Julieta que ela conhece as "Secretárias de Julieta", um grupo de mulheres que respondem as cartas das mulheres. Se oferecendo para ajudar, Sophie acha uma carta perdida no muro, que foi escrita há 50 anos atrás por Claire, uma moça que desistiu de fugir com o namorado italiano Lorenzo para voltar pra Inglaterra com a família. Sophie responde a essa carta, mas nunca iria imaginar que Claire, junto com o seu cético neto Charlie, iriam para Verona retomar a busca por Lorenzo. Fascinada com a história, Sophie decide se juntar a eles na busca pelo homem, sem nem imaginar que a sua própria vida teria os rumos desviados por causa desta aventura em busca do amor verdadeiro.

Bonito, né? "Cartas Para Julieta" usa e abusa de referências românticas para conquistar o seu público (certamente, mais as mulheres), desde o clima inebriante de Verona até as canções que fazem parte da trilha sonora. Sim, a história é clichê ao extremo e tem figurinhas repetidas. Mas mesmo que a história tenha alguns errinhos de continuidade, eles são imperceptíveis pelo charme de cada personagem. E já que falamos de personagens, eles não seriam nada sem seus intérpretes, quem são o melhor do filme.

Amanda Seyfried no seu auge interpreta a segunda Sophie de sua carreira (a primeira veio em "Mamma Mia!) e esbanja simpatia com seu rosto angelical. O mesmo se diz de Christopher Egan, o verdadeiro lorde inglês arrogante que tem seu coração transformado pelos encantos da mocinha. Até Gael Garcia Bernal, charmoso como sempre, faz seu canastrão Victor se tornar simpático e detestável ao mesmo tempo.

Mas quem rouba a cena por completo é a veterana Vanessa Redgrave, num filme que parece ter sido feito como homenagem a todas as mocinhas que interpretou. Impecável como sempre, a atriz mostra um frescor e uma beleza vista desde que fez sua estreia no cinema. Mostra também que a idade não representa nada quando falamos de talento. Uma curiosidade: ela e o ator Franco Nero já foram casados. Eles se conheceram durante as filmagens de "Camelot", de 1967, e juntos tiveram um filho,Carlo Gabriel Nero, que também é diretor e roteirista. Eles se separaram e nesse meio tempo ela se casou com o ator Timothy Dalton. Com a nova separação, Redgrave e Nero se reencontraram e se casaram em 2006.

Nota: 7,0

segunda-feira, 1 de março de 2010

Idas e Vindas do Amor

Valentine's Day
(EUA, 2010) De Garry Marshall. Com Ashtobn Kutcher, Jennifer Garner, Jessica Alba, Julia Roberts, Bradley Cooper, Anne Hathaway, Topher Grace, Jamie Foxx, Jessica Biel, George Lopez, Queen Latifah, Emma Roberts, Taylor Lautner, Taylor Swift, Kathy Bates, Eric Dane, Hector Helizondo, Shirley MacLaine e Patrick Dempsey.

Nossa, quanta gente. É, essa pode ser a primeira impressão de quem espera acabar os créditos iniciais de "Idas e Vindas do Amor", título ligeiramente desconexo para o filme "Valentine's Day", do diretor Garry Marshall ("Uma Linda Mulher"). O filme é basciamente sobre o Dia dos Namorados, que é uma das datas mais comerciais nos Estados Unidos. No Brasil, esse dia tem um pouco menos de força. Ano passado vimos o mesmo tipo de "filme-sobre-o-amor-cheio-de-gente" com "Ele Não Está Tão a Fim de Você". É como se fossem os filmes de natal.

Com tanta gente assim no elenco, todo mundo se pergunta quanto foi gasto no orçamento do filme. Metade dele deve ter sido só para pagar o salário de Julia Roberts, certo? Errado. Garry Marshall fez o filme com "apenas" US$ 52 milhões. O convite para os atores foram feitos na base da camaradagem, como com a própria Julia, por exemplo, que trabalhou com ele em "Uma Linda Mulher" e em "Noiva em Fuga". Shirley Maclaine, Anne Hathaway, entre outros, também já trabalharam com ele. Junte a turma de "Grey's Anatomy" com a de "That's 70's Show" com jovens estrelas em ascenção e os Taylors (Lautner e Swift), pronto. Tá aí a mistureba.
Mas se engana quem acha que o filme é bobo ou não vale a pena por ter tanta gente. Na verdade, o charme da história é esse. Emborã não estejamos acostumados a ver astros do calibre de Julia e Bradley Cooper em pequenas pontas, o momento de cada ator no filme é único e cada um é protagonista de sua própria história. E como nos casos dos filmes onde tem muita gente assim, todas elas se completam no final e grandes surpresas surgem, surpreendendo o espectador. A única história totalmente descartável do filme é a que junta os dois Taylors mais famosos da atualidade. Swift e Lautner não se misturam no filme e poderiam ter sido cortados tranquilamente. Ela deve seguir cantando, pelo bem de nós todos, e ele é bem melor aproveitado na Saga Crepúsculo. Mas valeu a tentativa.
No mais, o filme centra sua história na floricultura de Ashton Kutcher, que é o ponto de partida de quase todas as outras histórias. Um filme divertido, para se assistir sem culpa. Preferencialmente com a namorada.
Nota: 8,0

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Avatar

Avatar (EUA, 2009)
De James Cameron. Com Sam Worthington, Sigouney Weaver, Zoe Saldana, Michele Rodriguez, Giovanni Ribisi e Stephen Lang.

Depois de assistir ao filme várias vezes, acho que dá pra falar corretamente sobre ele. "Avatar" é simplesmente uma das coisas mais bonitas que eu já presenciei na história do cinema. O mais incrível é ver que quase nada do que aparece na tela é real. Tudo é digital, o que mostra não apenas o avanço da tecnologia para criar tudo com perfeição, mas a expansão criativa que sai da mente de um único homem: James Cameron. Ele imaginou todo um planeta novo, com ecossistema próprio, habitantes com sua própria lingua totalmente nova. O homem por trás de "Titanic" pode não ter feito o filme mais atraente, mas certamente fez uma obra-prima.

O filme conta a história de como os humanos se instalaram no planeta Pandora, no ano 2154, e começaram a explorar as riquezas do local. Para isso eles entraram em conflito com os habitantes do planeta, os Na'vi. O projeto Avatar foi desenvolvido por cientistas que querem manter um contato mais direto com eles. Então foram criados seres que são clones que misturam o DNA humano com o nativo. Assim, os cientistas podem se conectar ao Avatar através das redes cerebrais. Um dos "pilotos" de Avatar é o fuzileiro Jake Sully, que vai substituir o irmão gêmeo, que foi assassinado. É Jake quem começa a se infiltrar na floresta e conhecer mais dos Na'vi, percebendo que eles dão valor ao seu planeta e aos seus semelhantes. Jake então começa a ficar dividido entre ajudar o povo Na'vi a defender seu território e a completar o seu trabalho, enquanto humano.

Não há muito o que comentar. O filme apresenta um visual único, que não pode ser comparado a nenhum outro, até porque é totalmente original. A performance dos atores (enquanto humanos) é ótima, principalmente de Sam Worthington e Sigouney Weaver. Todas as cenas que envolvem os Na'Vi são encantadoras e é impossível não se apaixonar por Neytiri tanto quanto Jake se apaixona. As batalhas que acontecem no planeta Pandora são memoráveis e fazem do filme um clássico do século XXI. Resta saber quais as chances de "Avatar" nas premiações. Mas isso é coisa pro ano que vem.


Falando em ano que vem, "Avatar" nos dá muito o que pensar. O filme traz muitas outras lições sobre o Planeta Terra, sobre o meio-ambiente, sobre o capitalismo, entre outros. Mas acho que a principal lição que o diretor quis passar se resume em uma palavra: RESPEITO. Respeito pelo próximo, respeito pelas atitudes dos outros, respeito por nós mesmos antes do egoísmo. Lembrando de um velho ditado: "os nossos direitos terminam onde os dos outros começam". Então, comece a analisar e veja o quanto de respeito ainda falta nas suas atitudes.

Feliz 2010

Nota: 10