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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Homem de Ferro 3


Iron Man 3
(EUA, 2013) De Shane Black. Com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Ben Kingsley, Don Cheadle, Guy Pearce, Rebecca Hall, James Badge Dale, Jon Favreau, Stephanie Szostak e Paul Bettany.

Enfim, inicia-se a fase 2 da Marvel. Depois do estrondoso e aguardado sucesso de “Os Vingadores”, chegamos ao início de uma nova etapa de desenvolvimento dos filmes da Marvel Studios e, o escolhido, claro, não podia deixar de ser o Homem de Ferro, o que deu início a tudo isso. “Homem de Ferro 3” faz referências tanto a seus antecessores como ao filme dos Vingadores. No entanto, essa terceira parte, apesar de muito melhor trabalhada, com efeitos de primeira e várias cenas de ação, deixa a desejar no roteiro, como se este não fosse importante para a compreensão da história. Há que se pensar qual foi o objetivo da Marvel ao lançar esse filme, pois ele não apresenta nada muito sólido além de muitas (e sucessivas) explosões. Uma aparente fraqueza de Tony Stark aparece recheada de piadas, o que não deixa o espectador mais atento satisfeito e convencido.

Após o ocorrido em “Os Vingadores”, algo mudou na consciência do bilionário Tony Stark. Ele passa a ter um desejo incontrolável por proteger aqueles que mais ama e passa tempo demais desenvolvendo novos trajes e armaduras de ferro, uma melhor que a outra. Tal obsessão pode interferir em sua vida pessoal, ao deixar que isso se meta entre ele e sua amada, Pepper Potts. No entanto, essa preocupação terá que ficar em segundo plano quando um novo terrorista aparece, realizando atentados na cidade e aparições na TV – o perigoso Mandarim. Com um aparentemente infinito poder de fogo, o Mandarim ameaça a soberania dos Estados Unidos e preocupa a população já aterrorizada por ataques constantes. Com isso, Tony Stark precisará sair da clausura e se dispõe a lutar contra o Mandarim, ao mesmo tempo em que se vê de frente com um passado não muito distante, e terá que reencontrar duas pessoas que podem ser a chave de todos os problemas, a cientista Maya e o ambicioso Aldrich Killian.


O diretor Shane Black (de “Beijos e Tiros”.) consegue conduzir bem a história, construindo sequências que prendem o espectador, como o ataque à mansão Stark e um arriscado resgate de passageiros de um avião em pleno ar. No entanto, é o roteiro quem deixa a desejar. Fica difícil acreditar que Tony Stark, um dos homens mais ricos do planeta (no universo Marvel), amigo de poderosos super-heróis, coisa que nem o próprio filme esconde, habilidoso construtor de armaduras igualmente habilidosas, não consiga descobrir o paradeiro de um terrorista como o Mandarim – ou lutar com ele.

 Tudo soa como mais um dia na vida de Tony Stark, nada que lembre os momentos marcantes como a prisão na caverna do primeiro filme, ou a conexão com um vilão que lhe remete diretamente a seu pai, como no segundo filme. O grande trunfo do filme, o vilão temerário que assombra os espectadores no trailer, não tem o desenvolvimento esperado e faz o filme parecer meio, desculpe o termo, boboca. Depois de uma cena onde muitos e muitos mísseis destroem a mansão Stark, você espera que o tal Mandarim seja muito imbatível, quando na verdade ... melhor parar por aqui para não revelar spoilers.

O outro arco do roteiro se apoia na ideia de que a cientista Maya Hansen (interpretada pela desperdiçada Rebecca Hall), anos atrás, apresentou a Tony Stark um meio de regenerar tecidos humanos. Isso é usado por Aldrich Killian, um então nerd abitolado, a se transformar em um empresário de tecnologia e ciência poderoso, que pode estar por trás dos planos do Mandarim. Para isso, ele usa seres humanos modificados geneticamente, cujo efeito colateral é, acredite, a elevação da temperatura corporal, algo que beira a combustão espontânea, mas que parece não afetar as cobaias, apenas os deixa com super força e com muito ódio. Nada muito explicativo.


No entanto, “Homem de Ferro 3” é um espetáculo audiovisual tão grande que chega a ser difícil reparar nessas coisas. Só com uma reflexão pós-filme é que se percebe que coisas não fazem sentido. Grande parte do espetáculo é mérito de Robert Downey Jr., que parece não conseguir mais sair do personagem Tony Stark – um efeito parecido com o Wolverine de Hugh Jackman há uns anos atrás. Apoiado por Don Cheadle, como o War Machine/Patriota de Ferro/Col. Rhodes, e Gwyneth Paltrow que, literalmente, veste a camisa do Homem de Ferro, o Stark de Downey Jr. é uma atração à parte do filme, com boas sacadas e piadas (algumas fora de hora e algumas sem graça). Robert Downey Jr. sendo Robert Downey Jr., mas na pele de Tony Stark.

Pessoalmente, eu defino “Homem de Ferro 3” como um bom filme. Até porquê, ninguém vai assistir a um filme desse tipo por uma convicção filosófica. E, se for, precisa mudar suas convicções filosóficas. O filme entretém na medida certa, mas peca por subestimar a inteligência dos seus espectadores com um vilão tão fraco e um desfecho tão xoxo. E retorno à pergunta do primeiro parágrafo desse texto: o que a Marvel pretende? Reunir mais espectadores comuns ou agradar fãs de quadrinhos? Parece-me que a vontade de ganhar mais dinheiro superou, pelo menos neste filme, o desejo expresso claramente no primeiro “Homem de Ferro” de ser fiel a seus fãs – esses sim com mais crítica a fazer do que eu fiz. Se a Marvel sempre conseguiu encontrar o meio termo, dessa vez ela fugiu à regra.

Nota: 7,5

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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge


The Dark Knight Rises
(EUA, 2012) De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Tom Hardy, Anne Hathaway, Gary Oldman, Matthew Modine, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Michael Caine e Morgan Freeman. 

Começo esse texto da mesma forma como comecei a resenha de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, quatro anos atrás. Nunca fui fã do Batman. Mesmo após três filmes extremamente bem sucedidos, continuo afirmando que não sou fã do Homem-Morcego, por inúmeras razões. Por isso, talvez “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, assim como toda a trilogia, tem um mérito tão grande dentro da história do cinema. A parte final da saga recriada por Christopher Nolan é admirável, impressionante e épica. A atmosfera do filme é tão intensa e contagiante que, por um momento, nos esquecemos de que o filme é sobre um homem que se veste de morcego. “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é um longa carregado de mágoa, dor e raiva. Todas companheiras de Bruce Wayne, protagonista da trama, mas que rodeia praticamente todos os moradores de Gotham City. No mundo real, essa característica também é presente em todos nós, em algum momento da vida. Daí, a identificação popular, fora o apelo do personagem, não é surpresa.

Acusado da morte de Harvey Dent, Batman some das ruas de Gotham City, assim como Bruce Wayne, que decidiu se recolher em luto após a morte de Rachel Dawes. Com isso, uma lei baseada em Harvey Dent reduziu os índices de criminalidade, fazendo a cidade acreditar que não precisa mais do herói – e a própria polícia se acomoda, exceto pelo comandante Gordon, que continua seu trabalho com primazia. A coisa muda de figura com a aparição de um novo vilão, Bane, que planeja um novo caos às ruas de Gotham acionando uma bomba-relógio a partir de um reator nuclear de propriedade da Wayne Enterprises. Para isso, Bane contrata Selina Kyle, exímia ladra de joias que rouba as digitais de Bruce Wayne, fornecendo a deixa que o vilão precisa para colocar as mãos na arma. Quem também se interessa      pelo reator é Miranda Tate, que pretende investigar novas fontes de energia renovável para o planeta. Com tudo isso acontecendo, a volta de Batman se torna inevitável, mas ele deve mesmo ajudar as mesmas pessoas que viraram as costas pra ele?

 Com cenas de ação e efeitos especiais de qualidade, “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” demonstra um apuro técnico aprimorado, mais familiarizado com as traquitanas utilizadas por Batman e companhia. Por “traquitanas” leia-se carros ultramodernos, motocicletas futuristas (o BatPod) e uma máquina voadora capaz de fazer inveja ao exército americano. Fotografia e trilha sonora também são alinhadas com a ação que se passa nas telas, ajudando a conduzir a atmosfera de Gotham City ao tom realista da trilogia de Nolan. A montagem deixa a desejar em alguns momentos, criando cortes um tanto estranhos, mas que não prejudicam a trama em momento algum.

O filme preza também por sua conexão com os filmes anteriores, amarrando todas as pontas soltas da trilogia. Apesar de nenhuma menção ao Coringa, estrela do segundo filme, são as ações desencadeadas de “O Cavaleiro das Trevas” as responsáveis por conduzir o início do filme. 



Com um elenco espetacular, fica difícil destacar uma melhor atuação, mas a dedicação de Anne Hathaway à Selina Kyle (que em nenhum momento é chamada de Mulher-Gato no filme) nos leva diretamente a associá-la a um gato. Movimentos, fala, maneira de lutar e, claro, a personalidade da personagem, são fruto de dedicação da atriz. Da mesma forma, o Bane de Tom Hardy está magnífico, e olha que, só vemos os olhos e parte da face do ator sob aquela máscara.

O fim perfeito para a trilogia, que se torna assim a melhor sequência de um super-herói da história do cinema. Christopher Nolan escreveu seu nome na eternidade quando topou recriar o personagem no cinema, dando um tom próprio ao filme. Seu próximo desafio é reinventar (de novo) o Superman, já que é produtor executivo de “O Homem de Aço”. Já o Batman deve ter uma nova história em 2016, com novas pessoas envolvidas. Será uma continuação do trabalho de Nolan, que deixa a cadeira de diretor vitorioso.

Nota: 9,5


quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha

The Amazing Spider-Man
(EUA, 2012). De Marc Webb. Com Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Sally Field, Martin Sheen e Denis Leary

Lançado em 2002, o primeiro “Homem-Aranha” é simbólico para diversos fãs de quadrinhos e cinema (e filmes de quadrinhos). Significava o novo rumo que as adaptações das histórias de super-heróis iriam tomar. Mais denso e profundo, mostrando um Peter Parker gente como a gente, um herói real que sofre, sangra e tem mazelas em sua vida, o filme de Sam Raimi gerou duas continuações e marcou a carreira de Tobey Maguire e Kirsten Dunst. Dez anos depois, a franquia se reinventa, desta vez pelas mãos do diretor Marc Webb (500 Dias Com Ela). E as diferenças não poderiam ser mais gritantes. Apesar de a história ser, em sua maioria, a mesma, a forma de ser contada é que mudou. A Sony apostou em uma nova abordagem dos quadrinhos, colocando um Peter mais jovem e espontâneo, como um adolescente normal (e não o Homem-Aranha maduro da trilogia original). Isso deu leveza ao novo filme, levando-o mais para o lado da comédia e dando um tom mais de aventura do que de ação.

Peter Parker é um adolescente comum, com problemas com os valentões da escola, mas não chega a ser totalmente um excluído. Ele mora com os tios desde a morte dos pais, que começa a investigar após achar uma antiga valise.  Assim, ele conhece o Dr. Curt Connors, cientista que trabalhava com o seu pai em uma fórmula para regeneração de células. Em meio a uma visita ao seu laboratório, Parker encontra uma câmara onde aranhas geneticamente modificadas são cultivadas. É lá que ele acaba sendo picado, tendo o seu próprio DNA modificado, ganhando assim super força e um sentido aguçado, como o das aranhas. Com isso, o garoto passa a se aventurar e se gabar de seus novos poderes, até a morte do tio Ben, que sempre o criou. Ele sai em busca do assassino do tio e, assim, se transforma no Homem-Aranha, o vigilante das ruas de Nova York passa a ser caçado pela polícia. Nesse meio tempo, Parker se vê às voltas com Gwen Stacy, sua colega de classe, interesse amoroso e filha do chefe de polícia. Enquanto isso, os planos do Dr. Connors saem pela culatra após testar nele mesmo uma fórmula extraída das propriedades regenerativas dos lagartos, transformando-o em um super Lagarto. Seus planos então mudam para forçar a humanidade como um todo a evoluir, começando pelo espalhamento da fórmula por toda a cidade.

“O Espetacular Homem-Aranha” tem um apelo mais jovem, depositando suas forças principalmente nas costas de Andrew Garfield, que faz jus à nova roupagem que o herói ganha. A história, mais próxima da vista no desenho animado de mesmo nome, envolve mais gags de humor e a forma como Peter Parker ganha os seus poderes e se transforma em Homem-Aranha é mais convincente. Livre dos dramas da trilogia anterior, o filme mostra um Peter Parker ainda experimentando os poderes e, de certa forma, se vangloriando deles. Nesse aspecto, o filme acerta mais pela aproximação de seu público-alvo, os jovens de hoje (e não os de dez anos atrás).

Emma Stone está confortável no papel de Gwen Stacy, apesar de não estar tão cômica como o de costume. Alguns podem estranhar a saída de Mary-Jane Watson, a mais conhecida namorada do Homem-Aranha, mas Gwen se encaixa bem sem nenhuma menção à ruiva. Rhys Ifans até que dá um bom Curt Connors, mas o visual do Lagarto deixa um pouco a desejar, em especial pela face da criatura. Em comparação com filmes anteriores, os efeitos visuais são melhor empregados, mas o Lagarto poderia ser melhor trabalhado. Já Martin Sheen e Sally Field, nos papeis de Tio Ben e Tia May, apesar de aparecerem pouco, conseguem mostrar o talento que ambos tem, já visto também ao longo dos seus anos de carreira.
 
A Sony, apesar de toda a pressão e críticas que recebeu ao informar que iria reinventar toda a franquia, acabou acertando por dar uma cara nova ao personagem e à história em si, deixando-a diferente em certos pontos. Marc Webb também acertou na condução da trama da forma leve que estamos acostumados a ver seus trabalhos. No entanto, este filme ainda perde um pouco o apelo que o original teve, com menos ação e mais diversão. “O Espetacular Homem-Aranha” diverte e faz seu papel ao tirar a imagem cansada que “Homem-Aranha 3” deixou na franquia, servindo bem ao espetáculo que propõe, iniciando uma nova trilogia.

Nota: 8,0
Efeitos 3D/IMAX: 6,0


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os Vingadores - The Avengers

The Avengers
(EUA, 2012) De Joss Whedon. Com Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Gwyneth Paltrow, Stellan Skarsgaard, Clark Gregg, Cobie Smulders e Samuel L. Jackson.

Com a reunião de tantos heróis juntos em um mesmo filme, de uma forma que fique coerente, uma coisa é certa: não importa o final de “Os Vingadores”, quem ganha são os nerds. Filmes de super-heróis já estão presentes nas nossas vidas há tanto tempo, mas nenhum atingiu um grau de espera tão grande. Nem mesmo “Batman – O Cavaleiro das Trevas” gerou tanto estardalhaço (a não ser talvez por causa da morte precoce de Heath Ledger). Com “Os Vingadores”, a Marvel se declara como autoridade máxima no quesito “filme de quadrinhos”, dando um banho na DC Comics. E mais: nada é mais simbólico para a cultura nerd do que uma HQ. Essa qualidade vista nos gibis chegou ao cinema de forma magistral, reunindo diversas estrelas de muito gabarito com roteiristas competentes e um diretor de mão cheia, Joss Whedon. 


Quando Loki consegue invadir a S.H.I.E.L.D. e roubar o Tessaract, uma fonte de energia tão poderosa que é capaz de abrir um portal entre as dimensões, o agente Nick Fury planeja em reunir os maiores heróis da terra para o projeto Avengers. Para isso, ele recruta os agentes Coulson e Natasha Romanoff (a Viúva Negra) para ir atrás das pessoas. Assim, Bruce Banner e Tony Stark (Hulk e Homem de Ferro, respectivamente) terão que unir forças com Steve Rogers – o Capitão América – para deter o plano de Loki: abrir o portal e liberar a entrada de criaturas que planejam dominar e governar a Terra. Para deter o irmão, Thor retorna de Asgard e se une aos heróis, que precisam salvar Nova York (e a Terra), além de resgatar o Gavião Arqueiro e o dr. Selvig, ambos sob o poder de Loki.



“Os Vingadores” consegue a proeza de unir todos os heróis sem desfalcar nenhum deles. Todos aparecem em equilíbrio, embora haja uma tendência natural de puxar uma sardinha a mais para o Homem de Ferro, o start da franquia. Assim também parece ser o relacionamento das estrelas na tela, atores acostumados a serem protagonistas de suas próprias franquias.  O entrosamento dos atores, refletindo o espírito Marvel presente há tantos anos nos gibis, é fundamental para que o time de “Os Vingadores” transmita credibilidade. Tantos nomes bons e nenhum se sobressai, a não ser a própria marca dos Vingadores. 

Os efeitos visuais são um espetáculo a parte, realmente dignos da espera dos fãs. Claro que a mais visível peça de efeitos visuais, o Hulk, ganha mais destaque, com um personagem realista, interpretado por captura de movimentos pelo próprio Mark Ruffalo. Aliás, o Incrível Hulk é um destaque a parte no filme, garantindo ótimos momentos, seja na pancadaria fazendo o que sabe ffazer melhor, esmagando coisas, seja em momentos hilários.


O humor é inevitavelmente presente em todo o filme, o que faz com que a diversão ao se assistir “Os Vingadores” seja muito maior. Acredito que, no fundo, além do respeito por tudo o que esses heróis representam na cultura pop atual, o entretenimento é levado muito a sério. Afinal, “Os Vingadores” provavelmente será a maior bilheteria do ano. E, ao contrário do que muitos possam pensar, os heróis não se anulam (nem os vilões), mas se complementam a dar a passagem para o outro, mostrando que nada é melhor do que um trabalho de equipe bem arquitetado, quando um sabe levar em consideração o talento que o outro tem. 

Nota: 9,0
Efeitos IMAX-3D: 10





segunda-feira, 5 de março de 2012

Poder Sem Limites

Chronicle
(EUA, 2012) De Josh Trank. Com Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan, Michael Kelly, Anna Woods.

O ser humano sempre foi fascinado em superpoderes, não é à toa sermos bombardeados por histórias em quadrinhos que falam disso desde o início do século XX e histórias que remontam a mitologia grega. Quem não se lembra da lenda de Ícaro, que de tão fascinado por voar, construiu asas de cera para realizar o seu sonho – embora tenha conseguido um trágico final? Os filmes, claro, não poderiam ficar de fora e o gênero sempre foi explorado. Mas sempre nos acostumamos a ver os super-heróis (ou super vilões) de uma forma estereotipada. Daí o sucesso há alguns anos atrás da série “Heroes”, que mostrava pessoas comuns que do nada tinham suas vidas alteradas por conta de uma ‘habilidade’, como era chamado na série. “X-Men”, “Homem-Aranha”, “O Incrível Hulk” e tantos outros filmes da nova safra começaram a fazer sucesso por apostar na humanização de seus personagens. Essa é a premissa de “Poder Sem Limites”. O que adolescentes americanos poderiam fazer se tivessem superpoderes? 

Andrew é o típico adolescente rejeitado e vítima de bullying na escola. Vítima da intolerância do pai, ele decide comprar uma câmera em que filma seu cotidiano, desde as trivialidades da escola à doença terminal da mãe. O único apoio de Andrew é o primo Matt, que o leva para festas e faz o intermédio da socialização do garoto. Andrew é apresentado a Steve, o garoto mais popular do colégio e os três descobrem uma fonte de energia misteriosa vinda de uma parte subterrânea. A partir de então, os três desenvolves poderes telecinéticos, sendo que Andrew se torna o mais ambicioso e habilidoso deles. É quando ele percebe a força que tem e começa a passar um pouco dos limites que Matt impõe algumas regras que eles precisam seguir. Mas as consequências dos superpoderes para alguém tão fragilizado como Andrew podem ser desastrosas.


Filmado todo em estilo subjetivo, quase como um documentário e seguindo a receita de filmes como “Cloverfield” e “A Bruxa de Blair”, este filme se destaca por utilizar vários ângulos disponíveis em todas as câmeras que aparecem no filme. Uma hora vemos o desenrolar da cena pela câmera de Andrew, outra cena é filmada com a câmera da amiga de Matt, Monica, ou então por câmeras de segurança, celulares que curiosos estejam filmando e o que mais estiver disponível. Esse recurso fica ainda mais legal quando empregado no clímax do filme, em que a velocidade das ações é destacada por causa da montagem que se utiliza dessas múltiplas câmeras. 

Os efeitos especiais são legais embora um pouco manjados, mas é o enredo que mais chama a atenção. Não é difícil se identificar com o personagem Andrew e seus amigos, que de repente veem um mundo de possibilidades diante dos seus olhos. Em nenhum momento eles cogitam ser super-heróis, são apenas garotos se divertindo com seu novo brinquedo. Os outros dois o usam com responsabilidade, mas Andrew é o ambicioso ao mesmo tempo em que extravasa toda a sua raiva e revolta contra o sofrimento que sentira até o momento.


De certa forma, “Poder sem Limites” pode ser considerado uma metáfora para os casos de bullying que terminam em vários massacres e atentados a escolas provocados pelos alunos. Toda essa mensagem fica encoberta quando o diretor Josh Trank coloca pitadas de ação digna dos filmes do “Homem de Ferro”. Efeitos não muito espetaculares, mas que cumprem seu papel ao segurar o espectador na trama, especialmente os adolescentes sedentos por mudanças e a necessidade de explodir sua raiva contra tudo e todos.

Nota: 8,0

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Lanterna Verde

Green Lantern

(EUA, 2011) De Martin Campbell. Com Ryan Reynolds, Peter Saarsgard, Blake Lively, Mark Strong, Tim Robbins, Angela Bassett, Geoffrey Rush e Michael Clark Duncan.

A DC Comics tenta. Mas tenta muito. Mas parece que os filmes baseados nos heróis da casa tem uma espécie de maldição no entorno deles. Curiosamente, os responsáveis por essa maldição podem ser os próprios executivos da Warner Bros., detentora dos direitos de adaptação de todos os personagens da DC. De tudo o que já foi lançado até hoje, somente a franquia “Batman” consegue se equivaler aos filmes da Marvel (na verdade, até superando-a), porque de resto... Não que “Lanterna Verde” seja do nível de “Mulher-Gato”, por exemplo, mas o filme do diretor Martin Campbell é um show de luzes pitoresco que beira o nível da piada, quase fazendo o próprio herói de ridículo. Será talvez uma implicância com seres mais fantásticos em frente aos “humanizados” heróis da Marvel? Talvez. Mas já que a receita deu certo com Batman, se a ideia era fazer bombar todo mundo, seguir a mesma cartilha seria um bom exemplo.

O piloto de testes Hal Jordan se torna o guardião de um anel verde que confere a ele grandes poderes e o torna membro de um esquadrão intergaláctico de guardiões do universo, os Lanternas Verdes. Ele enfrenta uma série de dúvidas e questionamentos perante outros membros da liga, mas sua ajuda será necessária quando uma força do mal está prestes a destruir a Terra.

Nem é falta de esforço do Lanterna Ryan Reynolds – que descartou a chance de vestir o uniforme de outro herói, o Deadpool, da Marvel, num possível filme solo. Dá até uma vergonha alheia pelo Tim Robbins e pela cabeça enorme do Peter Sarsgaard, mas a condução da coisa, como se fosse um filme infantil, repetindo (pasmen!) a aura do desenho animado e não necessariamente dos quadrinhos, com certeza bem mais sombrios. Prova de que a DC ainda tem que correr muito atrás se quiser colocar seu filme da Liga da Justiça em pé de igualdade com o que vai ser “Os Vingadores”.

Ah, “Lanterna Verde” se encaixa no time de caçadores de dinheiro que fazem uma conversão qualquer da película para o 3D e cobram uma fortuna pelo ingresso, sendo que não vale nem um centavo da tecnologia. Altamente recomendado o 2D convencional nesse caso.

Nota: 6,0

Efeitos 3D: 1,5