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sábado, 28 de novembro de 2009

"Distrito 9" pode surpreender no Oscar?

Já começaram as rodas de apostas para o Oscar 2010, e é óbvio as especulações sempre são cheias de expectativas. Mas nem sempre a academia é tão generosa nas suas indicações acabam deixando filmes que realmente mereciam ao menos uma indicação de fora. Foi o que aconteceu ano passado com "Batman - O Cavaleiro das Trevas". O mesmo pode acontecer de novo, mas com um pouco mais de sorte em 2010. "Distrito 9", o filme independente e surpreendente de Neil Blomkamp, pode fazer bonito nas apostas e conseguir uma indicação para melhor filme, já que esse ano a categoria irá ter 10 vagas.

Abaixo, uma matéria que saiu em uma das mais respeitadas agências de notícia do mundo: A Reuters.


LOS ANGELES (Reuters) - Num ano cheio de sucessos inesperados sem grandes estrelas no elenco, "Distrito 9" surge como um campeão de bilheteria ainda mais inesperado do que a comédia "Se Beber, Não Case", feita sob medida para agradar multidões, ou o thriller sobrenatural "Atividade Paranormal". Rodado com um orçamento relativamente baixo para a indústria - cerca de 30 milhões de dólares - e com elenco e diretor (Neill Blomkamp) desconhecidos, "Distrito 9" reverteu a sabedoria convencional de Hollwyood ao combinar uma alegoria sobre o apartheid com uma boa dose de ação. A mistura já rendeu mais de 200 milhões de dólares nas bilheterias mundiais e também obteve uma boa repercussão da crítica.


"Foi uma verdadeira surpresa as ótimas críticas que tivemos", disse o sul-africano Sharlto Copley, 35 anos, à Reuters. "Eu esperava que as pessoas fossem encontrar todo tipo de buracos (na trama) e problemas com a minha atuação, mas acho que os críticos passaram por cima de muitas coisas simplesmente porque é um filme com muito frescor".

"Distrito 9" coloca elementos bem comerciais, como alienígenas e violência, em um ambiente totalmente novo, junto com um subtexto político e um personagem inesperado num filme de gênero - o burocrata nerd interpretado por Copley. Wikus, o personagem de Copley, que não é ator profissional, interpreta um funcionário sul-africano encarregado de retirar cerca de 2 milhões de extraterrestres de uma "township" (favela) de Johanesburgo, mas acaba sendo perseguido por seus próprios empregadores.

"Fiz o filme para mim, que é a única forma que eu acho que se deve fazer um filme", disse Blomkamp, nascido em Johanesburgo. "Achei que fosse agradar a um pequeno núcleo de fãs exaltados de ficção científica, então toda aclamação da crítica tradicional me apanhou desprevenido". Mas será que "Distrito 9" tem chances de vencer o Oscar neste ano, já que a categoria de melhor filme passou de cinco para dez indicados?

"Todos estão muito curiosos sobre como ele irá se sair (na premiação)", disse o crítico Leonard Maltin, do programa de TV "Entertainment Tonight". "É um dos filmes mais comentados do ano, e com razão. É um dos filmes mais originais deste e de qualquer ano", acrescentou. Historicamente, o Oscar premia filmes de fantasia e ficção científica em todas as categorias, menos na principal, segundo Maltin.

Blomkamp, de 30 anos, disse que ficará chocado se "Distrito 9" for indicado ao Oscar de melhor filme. "Mas acho que Sharlto merece uma indicação (de melhor ator), embora eu não saiba se isso é realista." Tanto Copley quanto Blomkamp já estão recebendo convites para projetos em Hollywood
E você, acha que "Distrito 9" tem chances? Façam suas apostas.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Festival do Rio - Distrito 9

29/setembro/2009

District 9
(EUA, 2009) De Neil Blomkamp. Com Sharlto Copley e Vanessa Haywood

O Festival do Rio também proporciona assistir as sessões de filmes que vão estrear no circuito, como é o cado de "Distrito 9", mas, convenhamos, assistir antes de todo mundo é sempre melhor!

Quando a Microsoft decidiu colocar um freio na produção do filme "Halo" - adaptação do famoso jogo de videogame - toda a equipe ficou desnorteada. "Halo" acabou sendo cancelada temporariamente, mas a equipe não ficou desamparada. É porque a equipe do filme contava com um produtor de peso. E põe peso nisso! Com muitos Oscars na bagagem (por "O Senhor dos Anéis" e por "King Kong", façamos justiça), Peter Jackson se reuniu com seu colaborador Neil Blomkamp e, junto com a roteirista Teri Tatchell e com a produtora Phillipa Boyens, criaram uma história de ficção científica que tem aspectos críveis. Nada de sabres de luz, guerras no espaço e alienígenas malvados e impiedosos. Eles criaram um universo baseado nas próprias sensações e emoções humanas quanto ao alheio, ao estrangeiro, ao diferente. Independente se esse diferente for alienígena ou não. Tudo isso deu origem a "Distrito 9".

Em um futuro não muito distante, alienígenas desembarcam na Terra, mais precisamente sobre a cidade de Johanesburgo, na África do Sul. A nave que os trouxe quebrou e eles precisaram se virar no nosso planeta para achar alimentação e moradia, enquanto tentam voltar. O problema é que eles começaram a se habituar a viver entre os humanos, o que causou desconforto na população. Para isso, uma organização chamada MNU criou o Distrito 9, uma espécie de abrigo para os Aliens. Nesse mundo à parte da lei dos homens, começam a se desenvolver todo tipo de crime, surgem as favelas e os aliens passam a viver cada vez mais como humanos. Para que eles sejam exterminados de uma vez por todas, Wikus Von der Merve é nomeado como novo chefe do Departamento de Remoção da MNU. Ele tem a ideia de acabar com o Distrito 9 e levar os Aliens (que são chamados pejorativamente pelos humanos de "camarões") para um outro tipo de campo de concentração. Só que na primeir ainvestida, Wikus é contaminado por um tipo de substância que, aos poucos, o transforma em um alienígena. Ele é llevado para exames e acaba como cobaia nas mãos dos militares. Fugindo de lá, e com todos contra ele, Wikus só encontra u lugar onde poderá achar abrigo: o Distrito 9.



A ideia de "Distrito 9" surgiu a partir de um curta do diretor Neil Blomkamp. Com um orçamento relativamente baixo para o padrão Peter Jackson de qualidade, o longa ganhou uma campanha publicitária online e boca-a-boca gigantesca. O bom do filme é que a história é mesmo crível. Os extraterrestres, apesar da aparência, passam mesmo a se habituar aos humanos. Além disso, ele todo é contado como se fosse uma espécie de documentário jornalístico sobre a história de vida de Wikus. É através dos olhos da família, de amigos e do prórprio Wikus que ficamos sabendo tudo o que aconteceu para o estado chegar onde chegou. Mais pra frente, é a transformação do próprio Wikus, de chefe sem autoridade e sumisso a um homem corajoso e cheio de sentimentos nobres.

Já os visuais dos "camarões" são mesmo tão precisos que não se pode dizer se foram mesmo feitos com computação gráfica. O que ajuda nesse sentido é a fotografia do filme, feita por Trent Opaloch. Sem falar na sátira política à forma como os governos mundiais tratam os seus problemas, sobretudo na África. Peter Jackson pode não ter estado diretamente na cadeira da direção, mas Neil Blomkamp teve um mestre e tanto por trás de sua obra.

Lembrando também que "Distrito 9" estreia oficialmente nos cinemas brasileiros no dia 23 de outubro.

Nota: 9,0