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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Onde "A Origem" errou?

O filme mais comentado do ano passado foi “A Origem” e isso, sem a menor sombra de dúvida. Ele foi o filme mais falado no twitter e o termo “inception” foi uma das palavras que mais apareceram no microblog. O mistério em torno do filme, basicamente só esclarecido depois de ter sido assistido, foi mantido por Christopher Nolan por meses a fio, revelando pouquíssimas coisas antes da estreia. Quando o filme foi lançado, o mundo entrou em um assombro, abismado com as resoluções encontradas durante o filme e boquiaberto com a aventura arquitetada dentro da mente. “A Origem” é brilhante do começo ao final, mas mesmo assim não é o favorito a um monte de coisas nas premiações. Afinal, qual foi o erro do filme?

De importante mesmo, Christopher Nolan só venceu o Writers Guild Award, o prêmio do sindicato dos roteiristas. “A Origem” foi indicado em 8 Oscars e só deve vencer mesmo em áreas mais técnicas. O diretor não foi lembrado na categoria que o comporta, Melhor Direção. E mesmo em Roteiro Original, única categoria em que talvez se resida um reduto de esperança para o filme, o páreo está duro. “Cisne Negro”, “Another Year”, “O Vencedor” e “O Discurso do Rei”.

Mesmo assim, sem o favoritismo que lhe parecia óbvio quando do lançamento, “A Origem” teve o reconhecimento devido – oito indicações não são pra qualquer um. Se o filme não chega correndo na frente pelas estatuetas, isso se deve a fatores que vão desde outros filmes com igual ou superior potencial até questões políticas mesmo (Nolan é o homem que mudou as regras da Academia, praticamente).

Uma trama muito bem arquitetada, muito mais pelo visual e pelo roteiro, do que pela interpretação dos atores. Todo o mundo dos sonhos construído por Nolan faz parte de uma orquestra dirigida com maestria por ele. Apesar de os sonhos dentro dos sonhos causarem uma espécie de confusão mental no espectador, que nem se lembra lá pelas tantas em que camada de sonhos eles estão, o filme é um thriller de ação eficiente e que te deixa com o coração perto da goela. Sem falar que, como de costume nos filmes do diretor, um mistério paira no ar e deixa você com aquela cara de "WTF?".

O mais interessante sobre "A Origem" é a reflexão sobre sonho e realidade. Um discurso muito próximo ao que "Matrix" já tinha plantado nas aulas de filosofia há dez anos atrás. Nolan explorou cada pedaço milimétrico de questões que sempre intrigaram a humanidade. Porque sonhamos? Pra que servem os sonhos? Wes Craven já tinha percebido que esse é o nosso estágio mais vulnerável quando criou o serial killer Freddy Krueger. É quando sonhamos que a nossa mente está mais livre, protegida dos olhares alheios e talvez o único lugar onde podemos ser 100% nós mesmos. Não dá pra se esconder em sonhos. "A Origem" fala disso, fala de realidade, mas não a de dentro do sonho: a realidade que tentamos esconder neles. Danem-se os puristas do cinema que não entenderam que esse não é um filme qualquer. É um filme de Nolan. Não importa quem ganhe a estatueta, o maior filme do ano passado foi “A Origem”, e ponto final.

*Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Roteiro Original, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Fotografia, Direção de Arte, Mixagem de Som e Edição de Som.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

OSCAR 2011 - Os Indicados


Acabou a espera. Na verdade, acabou a espera pelo nada, já que tudo indicava que a lista de indicados ao Oscar 2011 iria repetir uma tendência polarizada. Aparentemente, a batalha vai ser mesmo entre “A Rede Social” e “O Discurso do Rei”. Este último obteve 12 indicações, liderando a corrida deste ano. Seu rival internético recebeu apenas 8 indicações. Na categoria Melhor Filme, com dez vagas em aberto, era possível saber que a lista ia abranger vários dos filmes esquecidos até agora nas premiações, mas funcionando mesmo como um prêmio de consolação. Quem deve surpreender mesmo é “Bravura Indômita”, com 10 indicações, mostrando que a Academia realmente adora os irmãos Coen, depois de “Onde os Fracos Não Tem Vez” e “Um Homem Sério”.

Dentre as surpresas, temos a ausência (muito, muito sentida) de Andrew Garfield da lista de atores coadjuvantes. O cara merecia essa indicação por “A Rede Social”, talvez mais até do que Jesse Eisenberg. Em seu lugar, figurou John Hawke por “Inverno da Alma” e Mark Ruffallo, até então bem esquecido, por “Minhas Mães e Meu Pai”. Outra surpresa, foi a indicação de Hailee Steinfield, de “Bravura Indômita”. Surpresa não pela atuação, porque ela realmente é boa no papel, mas tinha nomes mais fortes pra entrar no páreo de atriz coadjuvante como Mila Kunis, por “Cisne Negro”, e Julianne Moore, de “Minhas Mães e Meu Pai”.

Christopher Nolan foi solenemente ignorado na direção, mas “A Origem” conseguiu 8 indicações, entre elas Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Já “Toy Story 3” se tornou a terceira animação a conseguir o feito de ser indicada a Melhor Filme, depois de “A Bela e a Fera” e “Up”. Claro que isso deve se repetir cada vez mais, com a regra de 10 filmes indicados e com a Pixar só aumentando seu gabarito.

No mais, a gente vai acompanhando o desenrolar da briga até o desfecho no dia 27 de fevereiro, quando as estatuetas serão entregues, em cerimônia apresentada por James Franco e Anne Hathaway. A propósito, vai ser muito estranho James Franco ganhar o Oscar sendo o apresentador, ou a indicação do host significa que ele já não vai ganhar mesmo? Só em fevereiro pra saber.

Confira as indicações:

Melhor filme
"Cisne Negro"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"
"Toy Story 3"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"O Vencedor"
"127 Horas"
"Minhas Mães e Meu Pai"
"Inverno da Alma"

Melhor direção
Darren Aronofsky - "Cisne Negro"
David Fincher - "A Rede Social"
David O. Russell - "O Vencedor"
Tom Hooper - "O Discurso do Rei"
Joel Coen e Ethan Coen - "Bravura Indômita"

Melhor ator
Javier Bardem - "Biutiful"
Jeff Bridges - "Bravura Indômita"
Colin Firth - "O Discurso do Rei"
James Franco - "127 Horas"
Jesse Eisenberg - "A Rede Social"

Melhor atriz
Annette Bening - "Minhas Mães e Meu Pai"
Natalie Portman - "Cisne Negro"
Nicole Kidman - "Rabitt Hole - Reencontrando a Felicidade"
Jennifer Lawrence - "Inverno da Alma"
Michelle Wiliams - "Blue Valentine"

Melhor ator coadjuvante
Geoffrey Rush - "O Discurso do Rei"
Christian Bale - "O Vencedor"
Jeremy Renner - "Atração Perigosa"
John Hawkes - "Inverno da Alma"
Mark Ruffalo - "Minhas Mães e Meu Pai"

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo - "O Vencedor"
Amy Adams - "O Vencedor"
Helena Bonham Carter - "O Discurso do Rei"
Hailee Steinfeld - "Bravura Indômita"
Jacki Weaver - "Animal Kingdom"

Melhor animação
"Toy Story 3"
"Como Treinar o Seu Dragão"
"O Mágico"

Melhor roteiro original
"Cisne Negro"
"A Origem"
"Anotyher Year"
"O Vencedor"
"O Discuros do rei"

Melhor roteiro adaptado
"127 Horas"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"
"Toy Story 3"
"Inverno da Alma"

Melhor filme estrangeiro
"Fora da Lei" (Argélia)
"Incendies" (Canadá)
"Em Um Mundo Melhor" (Dinamarca)
"Dente Canino" (Grécia)
"Biutiful" (México)

Melhor documentário
"Lixo Extraordinário"
"Trabalho Interno"
"Exit Through the Gift Shop"
"Gasland"
"Restrepo"

Melhor trilha sonora
Hans Zimmer - "A Origem"
Trent Reznor e Atticus Ross - "A Rede Social"
Alexandre Desplat - "O Discurso do Rei"
John Powell - "Como Treinar o seu Dragão"
A.R. Rahman - "127 Horas"

Melhor canção original
"Coming Home" - "Country Strong"
"I See the Light" - "Enrolados"
"If I Rise" - "127 Horas"
"We Belong Together" - "Toy Story 3"

Melhor edição
"127 Horas"
"Cisne Negro"
"A Rede Social"
"O Discurso do Rei"
"O Vencedor"

Melhor fotografia
"A Origem"
"Cisne Negro"
"A Rede Social"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"

Melhor figurino
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"Alice no País das Maravilhas"
"I am Love"
"The Tempest"

Melhor direção de arte
"Alice no País das Maravilhas"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I"

Melhor mixagem de som

"Salt"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"

Melhor edição de som
"Toy Story 3"
"Tron - O Legado"
"A Origem"
"Bravura Indômita"
"Incontrolável"

Melhor maquiagem
"O Lobisomem"
"Caminho da Liberdade"
"Minha Versão para o Amor"

Melhores efeitos visuais
"Além da Vida"
"A Origem"
"Homem de Ferro 2"
"Alice no País das Maravilhas"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I"

Melhor curta-metragem
"The Confession"
"The Crush"
"God of Love"
"Na Wewe"
"Wish 143"

Melhor documentário em curta-metragem

"Poster Girl"
"Strangers no More"
"Killing in the Name"
"Sun Come Up"
"The Warriors of Qiugang"

Melhor curta-metragem de animação
"Day & Night"
"Let's Pollute"
"The Lost Thing"
"The Gruffalo"
"Madagascar, Carnet de Voyage"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Origem


Inception (EUA, 2010)
De Christopher Nolan. Com Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Ken Watanabe, Cillian m e Michael Caine.

"A Origem" é uma viagem do começo ao fim, mas na verdade, quando a gente entra na sala de cinema, já estamos acostumados com essa ideia. Toda e qualquer pessoa que entrou na sala para assistir ao filme sabia que seria levado por uma grande viagem atraves da mente. Christopher Nolan, o aclamado diretor de "Batman - O Cavaleiro das Trevas" trabalhou nesse filme por dois anos e manteve seu roteiro no mais absoluto sigilo, o que é de admirar em tempos de coisas vazando na internet. Nem os atores entenderam muito bem o script de primeira - alguns como Marion Cotillard tiveram que ler o roteiro todo umas três vezes. Mas ao que parece, "A Origem" não é um filme feito para se ver uma vez só.

Dom Cobb é o melhor em sua profissão: ele é um extrator, ou seja, ele é um homem capaz de extrair as memorias mais profundas da mente das pessoas, e isso é feito dentro dos sonhos. Após ser pego em uma missão, ele recebe uma contraproposta para ficar livre. Em vez da extração, Cobb terá que fazer uma inserção (inception), ou seja, plantar uma ideia na cabeça de um executivo, para que ele destrua a empresa do pai. Só que a inserção só pode ser feita nas camadas mais profundas dos sonhos, o que pode ser perigoso para Cobb e sua equipe. Mais perigoso ainda é a aparição de uma lembrança não apagada de Cobb, a de sua mulher Mal, que se suicidou mas fez com que ele levasse a culpa de sua morte. O suicídio de Mal e todos os outros incidentes fazem todos se perguntarem onde é exatamente o limite entre sonho e realidade.


Uma trama muito bem arquitetada, muito mais pelo visual e pelo roteiro, do que pela interpretação dos atores. Todo o mundo dos sonhos construído por Nolan faz parte de uma orquestra dirigida com maestria por ele. Apesar de os sonhos dentro dos sonhos causarem uma espécie de confusão mental no espectador, que nem se lembra lá pelas tantas em que camada de sonhos eles estão, o filme é um thriller de ação eficiente e que te deixa com o coração perto da goela. Sem falar que, como de costume nos filmes do diretor, um mistério paira no ar e deixa você com aquela cara de "WTF?".


O mais interessante sobre "A Origem" é a reflexão sobre sonho e realidade. Um discurso muito próximo ao que "Matrix" já tinha plantado nas aulas de filosofia há dez anos atrás. Nolan explorou cada pedaço milimétrico de questões que sempre intrigaram a humanidade. Porque sonhamos? Pra que servem os sonhos? Wes Craven já tinha percebido que esse é o nosso estágio mais vulneravel quando criou o serial killer Freddy Kruger. É quando sonhamos que a nossa mente está mais livre, protegida dos olhares alheios e talvez o único lugar onde podemos ser 100% nós mesmos. Não dá pra se esconder em sonhos. "A Origem" fala disso, fala de realidade mas não dentro do sonho. Mas da realidade que tentamos esconder neles. Danenm-se os puristas do cinema que não entenderam que esse não é um filme qualquer. É um filme de Nolan.

Nota: 9,0

terça-feira, 4 de maio de 2010

Por trás de "A Origem" e Chris Nolan


Um filme de ficção científica e ação contemporânea ambientada dentro da arquitetura da mente. Complexo, né? Mas essas palavras definem direitinho o novo filme de Christopher Nolan, "A Origem", que chega no país em agosto. Aliás, essa é a única forma de definir o filme, já que tudo em torno dele está sendo mantido no mais absoluto sigilo. Conhecendo o diretor, dá pra ver que vem coisa boa por aí, daquelas que dão voltas e voltas na sua mente antes de se chegar a um sentido plausível.

A sinopse acabou de ser divulgada, ou seja, um pouquinho do mistério começa a ser esclarecido. Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um habilidoso ladrão, o melhor na perigosa arte da extração, o roubo de segredos valiosos das profundezas do inconsciente durante o sono com sonhos, quando a mente está mais vulnerável. A rara habilidade de Cobb o tornou peça fundamental no traiçoeiro mundo da espionagem industrial, mas também o tornou um fugitivo internacional e ele perdeu tudo o que mais amava. Agora, Cobb tem sua chance de redenção, um último trabalho que pode dar-lhe sua vida de volta se ele conseguir o impossível - inserção. Ao invés do roubo perfeito, Cobb e sua equipe de especialistas têm que obter o inverso: sua tarefa não é roubar uma ideia, mas plantar uma. Se eles conseguirem, terão o crime perfeito. Mas nem todo seu planejamento poderia prepará-los para um perigoso inimigo que parece prever cada movimento da equipe. Um inimigo que apenas Codd consegue enfrentar.

Nolan é o diretor e o roteirista do filme. Isso significa que vamos ter um pouco do que já vimos antes em filmes anteriores seus. Em "Amnésia" (2000), o personagem principal, vivido por Guy Pearce, tenta desvendar o mistério do assassinato de sua mulher. Só que ele levou uma pancada na cabeça no mesmo dia e desde então não consegue guardar nenhuma lembrança recente. O filme é contado de trás pra frente. Já em "O Grande Truque" (2006), dois mágicos lutam para chegar ao melhor truque de mágica já realizado, nem que pra isso usem os meios mais obscuros. Não precisa dizer que todo o filme parece ter sido um grande passe de mágica.

Mas Nolan é mais conhecido do grande público pelos dois últimos filmes da franquia Batman. Ou melhor, da nova franquia Batman, porque se tem uma coisa que se pode ser é que tudo que sabíamos sobre o Homem-Morcego foi reinventado por Nolan em "Batman Begins" (2005) e chegou ao auge em "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (2008). E nesse último vemos muito bem o trabalho do diretor com os aspectos mentais e psicológicos. Ou tem algum personagem mais deliciosamente atormentado do que o Coringa, vivido por Heath Ledger?

A trama de "A Origem" (Inception, no original) gira em torno de Cobb, personagem de Leonardo Di Caprio, que é especialista em uma tecnologia e trabalha cercado de outros especialistas. O filme envolve sonhos, pensamentos e outras peculiaridades da mente. Mas apostando na filmografia de Nolan, dá pra esperar um filmão, até porque, quando a gente não sabe muito do filme, qualquer coisa espetacular é bem vinda. Mas se "A Origem" será espetacular, só o tempo dirá.


No elenco estão também nomes de peso e destaque do cenário hollywoodiano: Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Ellen Page, Cillian Murphy, Tom Berenger (sumido há um tempinho) e o parceiro de Nolan, Michael Caine, além de Di Caprio. "A Origem" chega por aqui em 6 de agosto de 2010.