Mostrando postagens com marcador cinema curioso caso de benjamin button brad pitt cate blanchett curious case. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cinema curioso caso de benjamin button brad pitt cate blanchett curious case. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios


27/outubro/2009


Inglorious Basterds
(EUA, 2009) De Quentin Tarantino. Com Brad Pitt, Michael Fassbender, Eli Roth, Diane Kruger e Mélanie Laurent.

Pois é, ninguém imginava que ele faria de novo. Ninguém pode ser tão brilhante assim a ponto de erguer um filme do nada existencial entulhado numa gaveta. Mas não estamos falando de qualquer ninguém aqui. É de Tarantino, baby. Quentin Tarantino. Algum tempo depois de ter saído da sessão de "Bastardos Inglórios" ouvi alguém me dizer, ou li em algum lugar, que até então Tarantino estava apenas brincando de ser Tarantino, se descobrindo. Com esse filme, ele mostra que ele é o Tarantino pleno, amadurecido, o cineasta pelo qual o mundo se apaixonou anos atrás com "Pulp Fiction". Se ele queria fazer o filme definitivo, conseguiu.

Na trama de "Bastardos", durante a segunda guerra, na França ocupada pelos nazistas, um francês esconde uma família judia em sua casa mas eles são descobertos pelo coronel Hans Landa. É claro que ninguém sobra vivo e são todos fuzilados, menos uma das filhas, Shosanna Dreyfuss, que consegue fugir. Anos depois, Shosanna se mantém com um cinema antigo com uma outra identidade. Em um outro ponto, o Tenente Aldo Raine lidera um grupo intitulado "Os Bastardos", rebeldes americanos nas linhas inimigas encarregados de fazer só uma coisa, uma coisa apenas: matar nazistas. Os destinos de Shosanna e dos Bastardos irão se cruzar quando um oficial nazista consegue realizar a premiére de um filme-propaganda nazista no cinema de Shosanna e mais, com a presença do Fuhër Hitler em pessoa! Prato cheio para os Bastardos colocarem o plano mais absurdo de todos para matar Hitler e para Shosanna enfim poder vingar sua família. O que não vai ser fácil, para nenhum dos lados, é passar pela astúcia do coronel Landa.


Com um roteiro assim nem parece que "Bastardos" só foi mesmo feito porque Tarantino cansou de olhar para o script inacabado na sua gaveta! O filme levou anos para ser finalizado e as filmagens aconteceram no ano passado, quase que instantaneamente. Obra do destino, milagre divino, ou a genialidade do diretor? O que importa é que quando assistimos ao filme vemos um diretor maduro, não cansado da indústria pop (as referencias apareçam o tempo todo) mas aproveitando-as em um filme, digamos, adulto. E põe adulto nisso! Se o sangue falso espirrando, como em um mangá, em "Kill Bill" não foi suficiente, em "Bastardos" a sua impressão de um bastão de baseball nunca mais será a mesma!

Com um elenco ligeiramente desconhecido - exceto por Diane Kruger ("A Lenda do Tesouro Perdido") e, claro, Mr, Pitt - Tarantino explora ao máximo o potencial de cada um dos atores. Praticamente todas as frases do coronel Landa, interpretado por Christopher Waltz, são marcantes. Eli Roth (diretor de "O Albergue") aparece como ator e dá um show de carisma na tela (ele não parece com o Zachary Quinto, o Sylar da série "Heroes"?). Os Bastardos tem seu momento junto a Diane Kruger, a atriz espiã Bridget von Hammersmark. Mas se falaremos de atuações, os destaques sem dúvida são de Brad Pitt, que interpreta talvez o seu personagem mais forte dos últimos dez anos, e isso incluindo Jesse James, Benjamin Button e Tyler Durden - tá, talvez não Tyler Durden. Outro destaque é para Melanie Laurent, a verdadeira protagonista do filme, cuja personagem o filme não existiria sem.



O melhor filme de Tarantino? Talvez. "Pulp Fiction" é icônico, "Cães de Aluguel" foi marcante, "Kill Bill" é o mais pop, sem dúvida. O que vale aqui é dizer que "Bastardos" é único. O filme de segunda guerra definitivo. E quando dizem isso é verdade, não existe mais nada a contar sobre a segunda guerra. O que restava era uma realidade alternativa, E é isso que Tarantino nos dá com maestria no instigante final. Mas aí, no final do filme, você já está vibrando de felicidade e saltando da cadeira. Tarantino não deve ganhar o Oscar, Mas que merece, merece. Ou talvez não. O filme já é um brinde à sua carreira. Os fãs agradecem. E aposto que ele também.

Nota: 10

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button

The Curious Case of Benjamin Button (EUA, 2008)
De David Fincher. Com Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, Julia Ormond.

Quando a parceria David Fincher/Brad Pitt fez sucesso em Clube da Luta, todos sabiam que ela um dia iria se repetir. Só faltava a história certa. Pois, essa história certa é O Curioso Caso de Benjamin Button, o filme em que Brad Pitt enterra, de uma vez por todas, o mito de ser apenas um galã - é um galã de talento. Apesar de todos os efeitos especiais, da maquiagem e de todos os aparatos para reconstruir Nova Orleans em várias épocas, o mérito maior do filme está nas brilhantes atuações e na incrível história desmembrada em um fabuloso roteiro.

Benjamin nasceu no final da Primeira Guerra Mundial com uma estranha anomalia: ele veio ao mundo com a aparência e as doenças referentes a um homem de 80 anos de idade, com pouco tempo de vida. Ele foi abandonado pelo pai, após sua mãe ter morrido durante o parto, e deixado na porta de um asilo. Enquanto criança, Benjamin parece com um velho, mas no seu interior permanece uma infância pouco desfrutada, por conta de sua aparência. Conforme o tempo vai passando, Benjamin descobre que está rejuvenescendo, enquanto todos ao seu redor envelhecem e morrem. Ainda criança, ele conhece Daisy, a menina por quem se apaixona e não vai deixar por toda a vida. Só há um porém: como estar ao lado da mulher amada enquanto ela envelhece e ele se torna cada vez mais jovem? Como encarar um futuro juvenil carregando o peso da idade? E como ver todos ao seu redor morrendo enquanto você parece cada vez mais distante do fim? São essas questões que Benjamin Button procura resolver por si mesmo, enquanto assiste à sua própria vida caminhando para um rumo diferente da maioria dos seres humanos.


O filme em si é uma ode ao bom cinema. Da fotografia à trilha sonora (do compositor Alexandre Desplat), tudo parece se encaixar às diferentes épocas vividas por Benjamin e Daisy. David Fincher comprova mais uma vez que é um diretor competente que sabe muito bem como contar uma boa história. A maquiagem e os efeitos visuais são de impressionar, deixando Brad Pitt e Cate Blanchett mais velhos e - o mais interessante - deixando-os também mais novos! É uma tentação para os olhos ver Cate com 20 anos (e talvez um colírio para os olhos femininos ver Brad Pitt igualmente jovem). Falando neles, a alma do filme está em Brad Pitt. O ator interpreta Benjamin Button em quase todas as fases da vida e seu personagem cativa a platéia em poucos minutos. Pode-se dizer que é o caso de filme perfeito para o ator perfeito.



O Curioso Caso de Benjamin Button não é só a história do homem que nasceu com 80 anos e rejuvenesce em vez de envelhecer. É um filme para se pensar. O que fazemos com o nosso tempo? Aliás, o que é o tempo? Um formador de acasos que interfere nas diferentes vidas existentes no planeta. Enquanto muitos se preocupam com a idade, poderiam se preocupar em não perder mais um dia e aproveitar cada segundo. Somos impotentes na infância e na velhice? Aproveitamos a vida como ela é ou as oportunidades que nos são dadas são ignoradas? O tempo passa pra todos, igualmente. Crescer faz parte e envelhecer também. Mas a cada dia deveríamos agradecer por ter mais um dia acrescentado. Como Benjamim diz em certa parte do filme: "A vida é feita de oportunidades, inclusive as que nós perdemos".

*Só lembrando: O filme obteve 5 indicações ao Globo de Ouro, incluindo melhor ator (Brad Pitt) e melhor diretor (David Fincher). Que venha então o Oscar.

Nota: 9,5