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terça-feira, 29 de maio de 2012

MIB - Homens de Preto 3

 Men in Black 3
(EUA, 2012). De Barry Sonnenfeld. Com Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Emma Thompson, Jemaine Clement , Michael Stuhlbarg e Nicole Scherzinger.

Quando o primeiro “MIB” foi lançado, em 1997, Will Smith começava a virar uma estrela. Tinha saído de “Independence Day” e “Bad Boys” e contava como seu maior personagem o protagonista do seriado “Um Maluco no Pedaço”, que dispensa apresentações. A diferença entre “MIB” e os outros dois filmes é que o dos homens de preto foi o primeiro depois do fim da série, quase um teste para Will Smith se desvincular do outro Will Smith, o príncipe de Bel-Air. Não deu muito certo, vide este vídeo postado recentemente na internet. Mas como todo sabemos, Smith virou astro de primeira grandeza de Hollywood. Pode não ter se desvinculado totalmente da série, mas conseguiu outros tantos personagens de peso em sua carreira. O sucesso de “Homens de Preto” foi garantido por ele em 1997 e em 2002, ao lado de um veterano Tommy Lee Jones fiscalizando todo o trânsito de alienígenas na Terra e fora dela.  A terceira parte não é diferente e não chega a acrescentar nada de muito original, mas faz jus ao status de Smith que, como sempre, brilha mais do que todo o resto.

O assassino alienígena Boris, preso pelo agente K há mais de 40 anos, escapa da prisão e consegue voltar no tempo, matando o agente e impedindo sua própria prisão, alterando o curso da história. Quando percebe que algo está errado, o agente J não se conforma com o desaparecimento do agente e também volta no tempo, encontrando a versão mais jovem do agente K. Assim, J precisa impedir que Boris cumpra o seu plano e altere o curso da história e da parceria dos agentes na MIB.


O roteiro se vale do clichê da volta no tempo de uma forma bem humorada, retratando bem a sociedade de 1969, com eventos como a chegada do homem à Lua e as festas proporcionadas por Andy Wharol, personagem que revela certas surpresas. Nesse ensejo, o único que faz frente ao desempenho de Smith é Josh Brolin, como um charmoso agente K mais novo, com 28 anos (apesar de Brolin já ter seus 44 anos). Fora isso, as mesmas piadas que funcionaram nas duas primeiras edições, como o famoso neuralizador e os monstros mais grotescos escondidos em meio à civilização. 


As referências ao que pode ser de procedência alienígena se aproveitando do nosso grotesco cotidiano (se antes foi Michael Jackson, agora é Lady Gaga) também funciona, mas “MIB 3” não engrena como algo independente. As risadas vêm, mas são mais do mesmo já visto nos outros filmes. Algumas cenas de ação até funcionam, mas não empolgam muito. Fica apenas a satisfação em ver um bom filme trabalhado nas referências anteriores e, claro, nas boas atuações de Will Smith e Josh Brolin, que são que são. Agora, pra quem ficou quatro anos sem filmar, Smith poderia ter voltado um pouco melhor.

Nota: 7,0




PS: "MIB 3" é o filme n° 250 a ter resenha publicada aqui! Cara, 250 é muito filme!!! Quer saber quais foram? Visita a aba "Índice" ali em cima, no menu. Lá tem a relação de todos os 250 filmes que já foram comentados aqui no CINEMARCOS. Em breve, o 251. Logo logo chegamos aos 500! Um forte abraço e continue lendo! Bons filmes!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Onde os Fracos Não Tem Vez. Onde é que Eles teriam???

No Country For Old Men
(EUA, 2007) Direção: Joel e Ethan Coen. Com Javier Bardem, Tommy Lee Jones, Josh Brolin.

Assistir a "Onde os Fracos Não tem Vez" se compara talvez à esperar a próxima película de James Cameron ou Pedro Almodóvar. Você se pergunta "o que os irmãos Coen aprontaram dessa vez?" . As mentes por trás de "Fargo" e "Gosto de Sangue" já provaram o seu valor e sua contribuição para o mundo do cinema. Então, para assistir ao mais novo filme dos Coen você já se prepara dias antes. Ainda mais com relação a esse, aclamado em torno do mundo e o favoritão ao Oscar desse ano. Com tanto murmúrio (e poucas salas de exibição, quase todas na zona sul e apenas o Odeon no Centro!!!),fui eu ver os irmãos Coen no palácio do cinema do Rio.





Você não sabe o que esperar. Na trama, Lewelyn Moss, um cowboy texano (Josh Brolin), acredita ter encontrado a solução da sua vida ao achar uma maleta recheada de dólares em meio a uma carnificina. Carnificina, aliás, é pouco para descrever a violência que o filme mostra. Não aquela violência que vemos com balas perdidas (Rio de janeiro), bombas atômicas ou ataques terroristas. Mas o que se esconde no psicológico de quem as pratica e de quem sofre tal ato. É preciso parar e raciocinar o que os Coen quiseram que você pensasse. Se esperava só um faroeste moderno, esqueça. "Onde os Fracos Não tem Vez" é um filme sobre violência gratuita, que "vem do nada e por nada" como diz o personagem de Tommy lee Jones, um xerife prestes a se aposentar que segue, sem acreditar no que vê, os rastros do assassino Anton Chigurh, que passa a perseguir Lewelyn, e interpretado por Javier Bardem. Bardem, alías, é a pura essência do filme, a personificação da maldade na pele do assassino que mata sem motivo, nem reação, apenas porque é o seu trabalho. Javier Bardem não é só Chigurh, é a própria violência que os Coen querem demonstrar. O ator espanhol entrega a sua melhor atuação desde...desde... "O Amor nos tempos de Cólera" (!), seu último filme, sim, porque Bardem é um ator único que já deu todas as informações que precisamos pra saber que ele é um raro espécie da sua geração de atores.

No mais, cada um dos personagens centrais do filme exemplificam a sensação que nós temos no nosso próprio cotidiano: nós vivemos pra tentar salvar a nossa própria pele, como por instinto de sobrevivência; Os poucos que se importam com os outros se sentem incapazes de fazer algo (como o xerfife de Tommy Lee Jones). Assista "Onde os Fracos Não tem Vez" com paciência e continue refletindo após o filme, só assim pra você tirar suas próprias conclusões. Afinal, os melhores filmes são os que fazem você pensar. E na matéria de fazer pensar, os irmãos Coen são mestres.

Nota:9,0