quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Enterrado Vivo

Buried
(EUA/Espanha, 2010) De Rodrigo Cortés. Com Ryan Reynolds.

Aparentemente, você já viu esse filme. Monólogos ensaiados em que o protagonista fica isolado quase o filme inteiro, atuando com o nada, tipo “Náufrago”, em que Tom Hanks consegue segurar a peteca sozinho ao lado de uma bola apelidada de Wilson, ou “Eu Sou a Lenda”, cuja coadjuvante de um solitário Will Smith é uma linda cadela de pastor alemão em boa parte do filme. Porém, em “Enterrado Vivo” existe um fator adicional. Não temos aqui uma ilha paradisíaca ou cidades devastadas pelo fim do mundo. Ryan Reynolds está dentro de um caixão e é ali que o filme se passa. Inteiro. Um show de claustrofobia que se fundamenta em um roteiro bem amarrado e, quem diria, numa boa atuação de Reynolds.

No Iraque, o motorista Paul Conroy é vítima de uma emboscada e acaba sequestrado e colocado dentro de um caixão de madeira no meio do deserto. Literalmente enterrado vivo, ele acorda e se vê apenas com um isqueiro e com um celular, cuja bateria está acabando. É desse celular que vem todas as esperanças de Paul continuar vivo, que precisa lutar contra o tempo para evitar que os sequestradores o deixem para morrer, além de conseguir guiar o resgate até onde ele está, local que nem ele sabe.



O diretor Rodrigo Cortés se arriscou ao contar esta história sem muitos detalhes e tentar conseguir prender a atenção do espectador por uma hora e meia. Mas ao longo do filme, vamos nos envolvendo mais com a história de Conroy e a cada segundo uma nova informação nos faz perceber que a situação, que não tinha como ficar pior, piora. Repito: o único cenário do filme é o caixão onde Paul está. Não há flashbacks, lembranças, imagens, nada, a não ser por um vídeo que ele recebe no celular, coisa de uns 30 segundos.



Com uma excelente montagem e trilha sonora, além do roteiro bem amarrado, o mérito do filme se deve, quase que integralmente, ao desempenho de Ryan Reynolds, que escancara o desespero do personagem na tela, contribuindo para a agonia de quem assiste. Ouso dizer que esta é a melhor atuação de Reynolds, que sempre esteve à frente de papeis mais simples, sem muita carga dramática.



“Enterrado Vivo” foi gravado em duas semanas e só gastou US$ 3 milhões. Prova de que não é preciso rios de dinheiro para se fazer um bom filme. Cinco caixões foram utilizados no filme.

Nota: 9,0

Um comentário:

joao poschi disse...

Fizeram caixa 2 ou as ligações de celulares eram muito caro.porque trez milhões é muito dinheiro