quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Exótico Hotel Marigold

The Best Exotic Marigold Hotel
(UK/Índia, 2011) De John Madden. Com Judi Dench, Bill Nighy, Maggie Smith, Tom Wilkinson, Dev Patel, Penelope Wilton, Ronald Pickup e Celia Imrie.

Não é sempre que um filme consegue reunir um time de atores veteranos em um mesmo filme, cada um mostrando seu vigor sem, necessariamente, apagar o brilho do outro. Esse espírito presente em “O Exótico Hotel Marigold” coloca Judi Dench, Maggie Smith, Bill Nighy, Tom Wilkinson, entre outros ‘sêniors’ do cinema em personagens que são exatamente o que eles são: sêniors.  Claro, cada um vive um drama, um personagem, mas estão todos absolutamente confortáveis nos seus papéis. “O Exótico Hotel Marigold” inspira e fascina, mostrando que, diferente de uma opinião formada pela humanidade, há certa vivacidade e energia na Terceira Idade talvez maior do que a de qualquer outra faixa etária. Visitar outra parte do mundo, encontrar um emprego, viver um novo amor ou correr atrás do antigo. Tudo isso é possível, talvez mais possível do que em qualquer outra época, já que a experiência proporciona isso.

O filme narra a trajetória de sete pessoas rumo a um novo projeto na Índia, destinado a fornecer o melhor serviço a idosos, o Exótico Hotel Marigold Para os Idosos e Lindos (numa tradução livre). Evelyn foi dona de casa a vida toda e se muda após que vendeu sua casa para pagar dívidas do falecido marido; Graham é um juiz aposentado que retorna à Índia em busca de seu amor do passado; o casal Douglas e Jean Ainslie fica sem dinheiro após emprestar uma quantia para o negócio da filha; Norman e Madge são os típicos solteirões que querem aproveitar a vida e todas as possibilidades; e Muriel, preconceituosa e conservadora, só aceita se mudar para a Índia para conseguir uma cirurgia na coluna mais barata. Juntos, eles serão os primeiros hóspedes do Marigold, regido pelo jovem espirituoso Sonny, que quer seguir os passos do pai, mas é desacreditado pela mãe e sua família. Todos irão passar por novas experiências, descobertas pessoais e por transformações que nunca experimentariam passar na idade deles, resultando num belíssimo mosaico de histórias.
 

 O roteiro de Ol Parker, baseado no livro These Foolish Things, dá o tom correto de envolvimento com cada uma das histórias, sem que uma ofusque a outra. Claro que o mérito também é do excelente time de atores que fizeram seu nome após anos de atuação. Destaque para Tom Wilkinson, que encara com naturalidade representar certo tabu na história (não contarei, porque seria um baita spoiler), e para Bill Nighy, finalmente sem nenhuma maquiagem representando um personagem comum. Judi Dench e Maggie Smith, como sempre, dispensam elogios, uma vez que sempre executam seus papeis com maestria. Dame Smith, com sua personagem presa a uma cadeira de rodas, dá um show, assim como Dench, que exala uma vivacidade ímpar. 

 As cores e contrastes de uma Índia não badalada, à la Quem Quer Ser Um Milionário?, complementam a trama, causando a estranheza natural e dando ao espectador a mesma sensação de deslocamento dos personagens. O diretor John Madden, de Shakespeare Apaixonado, acerta ao misturar os universos indiano e britânico. Para o expectador, ficam uma grande lição de vida e a emoção com grandes histórias que se cruzam. 

Nota: 9,0


terça-feira, 29 de maio de 2012

MIB - Homens de Preto 3

 Men in Black 3
(EUA, 2012). De Barry Sonnenfeld. Com Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Emma Thompson, Jemaine Clement , Michael Stuhlbarg e Nicole Scherzinger.

Quando o primeiro “MIB” foi lançado, em 1997, Will Smith começava a virar uma estrela. Tinha saído de “Independence Day” e “Bad Boys” e contava como seu maior personagem o protagonista do seriado “Um Maluco no Pedaço”, que dispensa apresentações. A diferença entre “MIB” e os outros dois filmes é que o dos homens de preto foi o primeiro depois do fim da série, quase um teste para Will Smith se desvincular do outro Will Smith, o príncipe de Bel-Air. Não deu muito certo, vide este vídeo postado recentemente na internet. Mas como todo sabemos, Smith virou astro de primeira grandeza de Hollywood. Pode não ter se desvinculado totalmente da série, mas conseguiu outros tantos personagens de peso em sua carreira. O sucesso de “Homens de Preto” foi garantido por ele em 1997 e em 2002, ao lado de um veterano Tommy Lee Jones fiscalizando todo o trânsito de alienígenas na Terra e fora dela.  A terceira parte não é diferente e não chega a acrescentar nada de muito original, mas faz jus ao status de Smith que, como sempre, brilha mais do que todo o resto.

O assassino alienígena Boris, preso pelo agente K há mais de 40 anos, escapa da prisão e consegue voltar no tempo, matando o agente e impedindo sua própria prisão, alterando o curso da história. Quando percebe que algo está errado, o agente J não se conforma com o desaparecimento do agente e também volta no tempo, encontrando a versão mais jovem do agente K. Assim, J precisa impedir que Boris cumpra o seu plano e altere o curso da história e da parceria dos agentes na MIB.


O roteiro se vale do clichê da volta no tempo de uma forma bem humorada, retratando bem a sociedade de 1969, com eventos como a chegada do homem à Lua e as festas proporcionadas por Andy Wharol, personagem que revela certas surpresas. Nesse ensejo, o único que faz frente ao desempenho de Smith é Josh Brolin, como um charmoso agente K mais novo, com 28 anos (apesar de Brolin já ter seus 44 anos). Fora isso, as mesmas piadas que funcionaram nas duas primeiras edições, como o famoso neuralizador e os monstros mais grotescos escondidos em meio à civilização. 


As referências ao que pode ser de procedência alienígena se aproveitando do nosso grotesco cotidiano (se antes foi Michael Jackson, agora é Lady Gaga) também funciona, mas “MIB 3” não engrena como algo independente. As risadas vêm, mas são mais do mesmo já visto nos outros filmes. Algumas cenas de ação até funcionam, mas não empolgam muito. Fica apenas a satisfação em ver um bom filme trabalhado nas referências anteriores e, claro, nas boas atuações de Will Smith e Josh Brolin, que são que são. Agora, pra quem ficou quatro anos sem filmar, Smith poderia ter voltado um pouco melhor.

Nota: 7,0




PS: "MIB 3" é o filme n° 250 a ter resenha publicada aqui! Cara, 250 é muito filme!!! Quer saber quais foram? Visita a aba "Índice" ali em cima, no menu. Lá tem a relação de todos os 250 filmes que já foram comentados aqui no CINEMARCOS. Em breve, o 251. Logo logo chegamos aos 500! Um forte abraço e continue lendo! Bons filmes!

sábado, 26 de maio de 2012

Top 10 filmes nerds

Ser nerd requer muito trabalho. Afinal, este ser é dotado não apenas de inteligência, mas de uma cultura vasta sobre diversos projetos, programas, filmes, videogames, entre outras coisas que ditam o conhecimento e o entretenimento. A revolução nerd aconteceu. Hoje, o cara de óculos, cheio de espinhas, gravata borboleta, suspensório e aparelho nos dentes deu lugar ao cara moderno, que frequenta as mais variadas rodas, desde a sala de aula à pré-estreia de “Star Wars 3D”, passando pela mesa de bar e pelas baladas da vida. Ser nerd (ou geek, como prefiram) virou cool. Por isso, no Dia do Orgulho Nerd, listei dez filmes que fazem parte da cultura nerd por excelência ou que retratam bem como é ser um.
PS: não custa lembrar que tem muita coisa faltando aí, já que estamos falando de todo um universo de coisas definidas há tempos por seres ancestrais a mim.

10. Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010)
Baseado em uma HQ, Scott Pilgrim pode ser tomado como exemplo do nerd de hoje, esse cara descolado e integrado com diversos aspectos da cultura nerd. O longa mistura o universo dos videogames com o mundo do rock'n roll e capta a aura do que todo rapaz introvertido do início do século XXI deseja ser: popular a ponto de conquistar a garota mais bacana da cidade.

+Nerdice: Edgard Wright, o diretor/roteirista, conseguiu permissão para usar a famosa canção-tema do jogo “A Lenda de Zelda” escrevendo uma carta para a própria Nintendo, dizendo que a música é considerada a “canção de ninar” dessa geração. Ele também foi autorizado a usar o tema de “Seinfeld” para a sequência com estilo de sitcom.

9. Watchmen (2009)
Considerada a Bíblia dos quadrinhos, “Watchmen” só ganhou adaptação anos depois da publicação da graphic novel, escrita por Alan Moore. Cultuado por muitos, o filme fez uma adaptação razoavelmente fiel, ampliando o conhecimento da HQ com aqueles que ainda não a conheciam. A história: super-heróis que tentam levar uma vida normal após um período de aposentadoria saem do “armário” após a morte de um deles.

+Nerdice: Durante a escalação do elenco o diretor Zack Snyder deu a cada ator uma cópia do roteiro e outra da graphic novel "Watchmen". Posteriormente, já durante as filmagens, Snyder permitiu que os atores levassem ao set a graphic novel e reescrevessem eles próprios seus diálogos;

8. Batman (1989)
Em 1989, Tim Burton conseguiu levar às telas um filme que ficaria marcado por um bom tempo como o melhor filme baseado em uma HQ. E logo com o Batman. Em um tempo em que o gênero era meio desacreditado, criando pérolas como as sequências do Superman, “O Fantasma” ou aquele “Geração X”, o “Batman” de Tim Burton permaneceu praticamente inabalável durante os anos 1990, mesmo diante das suas próprias sequências. Aí, em 2000, veio um tal de Bryan Singer e lançou “X-Men”, mudando tudo o que sabíamos até então sobre o gênero.

+Nerdice: O filme deu origem a “Batman – The Animated Series”, a bem sucedida série animada que foi muito popular nos anos 1990, outro achado da cultura nerd. Também deu origem a outros três filmes: “Batman – O Retorno”, “Batman Eternamente” e “Batman e Robin”. Não, a franquia do Chris Nolan não tem nada a ver.

7. Tron (1982)
Pode parecer meio bizarro hoje, mas “Tron” foi um dos primeiros a usar a computação gráfica, lá em 1982. Imagina no começo da década de 1980 falar sobre “um hacker que é, literalmente, abduzido para o mundo da informática e é forçado a participar em uma competição onde sua única chance de escapar é com a ajuda de um programa de segurança”? Irônico, instigante e um prato cheio, mas um fracasso absurdo na época, virando cult apenas anos depois.

+Nerdice: Apesar de a animação computadorizada ser utilizada no filme, a tecnologia da época não permitia que atores reais e personagens computadorizados dividissem a mesma cena. Desta forma as cenas com atores que necessitavam de efeitos de animação tiveram que ser feitas pelo método tradicional, ou seja, no braço.

6. Akira (1988)
“Akira” é um dos mais populares mangás japoneses. É também um dos mais cultuados filmes do gênero de todos os tempos. Ele é o representante de toda a produção cultural animada japonesa que ganhou as telas do cinema. A história se passa em 2019 em uma Tóquio futurista, com o membro de uma gangue é transformado por um projeto militar em um poderoso psicopata. 

+Nerdice: A graphic novel na qual “Akira” é baseado começou a ser publicada em 1982. Apesar de o filme ter sido lançado em 1988, em uma versão condensada e com a conclusão da história, a trama na graphic novel apenas foi concluída em 1990.

5. Piratas da Informática (1999)
Digamos que essa é a biografia não oficial da história da Apple e da Microsoft. Foi produzido para a televisão americana, contando a história da fundação das duas empresas de informática, bem como sobre os seus fundadores, Steve Jobs e Bill Gates. Dirigido por Martin Burke, também atende pelo nome original “Piratas do Vale do Silício”. E a pergunta que não quer calar: PC ou Mac?

+Nerdice: Em 1999, na Macworld Conference, pouco tempo depois do lançamento do filme, a plateia foi surpreendida ao descobrir que a abertura do evento foi realizada por Noah Wyle, o ator que interpreta Steve Jobs. Depois, o Jobs real aparece e troca umas palavrinhas com o ator, à la Mark Zuckerberg e Jesse Eisenberg no Saturday Night Live.

4. O Guia do Mochileiro das Galáxias (2005)
Outro ícone da cultura nerd é o livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias” que, vejam só, começou como um programa de rádio, em 1978. Adaptado para as telonas em 2005, esse é o responsável pelo Dia da Toalha, comemorado hoje no dia do Orgulho Nerd! Tudo porque, segundo o guia, a toalha é um ícone indispensável para qualquer viajante do espaço, sendo que ela pode ser utilizada de várias formas. A adaptação cinematográfica difere um pouco do primeiro livro (de uma trilogia de 4 livros) mas isso foi responsabilidade do próprio escritor Douglas Adams, responsável pelo roteiro.

+Nerdice: Desde 1982, o livro vem sendo alvo de projetos para ser filmado e levado às telonas, sendo que ele já tinha virado uma série e um videogame, além da série radiofônica. Apesar de serem seis livros, não há previsão de serem feitos mais filmes da série, dado o fraco desempenho do primeiro.

3. O Senhor dos Anéis (2001, 2002 e 2003)
Antes de ganhar os cinemas, na trilogia realizada por Peter Jackson, “O Senhor dos Anéis” já era um livro consagrado no mundo nerd, levando nomes como ‘hobbit’, ‘Sauron’ e ‘Terra Média’ direto para o dicionário desse pessoal. Quando foi anunciada a produção cinematográfica, a expectativa (e a preocupação) ficou nas alturas, mas Peter Jackson se provou digno da tarefa, virando um diretor cultuado no mesmo minuto.

+Nerdice: A trilogia O Senhor dos Anéis foi filmada simultaneamente, em um período contínuo de 18 meses cobrindo mais de 100 locações na Nova Zelândia. As filmagens foram enriquecidas por dois anos de pré-produção e outros dois de pós-produção. No total, a realização ocupou sete anos do diretor, roteirista e produtor Peter Jackson. O script de mais de 400 páginas também deu trabalho para muitas outras pessoas: além dos 114 personagens com falas, 20.602 extras foram usados nos três filmes e no auge da produção havia 2.400 pessoas trabalhando entre as equipes técnica e de criação.

2. Os Vingadores (2012)
Nem bem saiu nos cinemas, “Os Vingadores” já é quase o apogeu de toda a história da cultura nerd. Reunindo o time de heróis da Marvel em um só filme, o longa quebrou recordes de bilheteria e conseguiu reproduzir bem o espírito dos quadrinhos, levando fãs à loucura. Uma vitória da cultura nerd que chegou a um patamar global e que não para de fazer sucesso.

+Nerdice: É a primeira vez em que a mesma pessoa interpreta tanto o Hulk quanto Bruce Banner. Nos filmes anteriores, o personagem ou era criado digitalmente, como em Hulk (2003) e O Incrível Hulk (2008), ou duas pessoas interpretavam Brune Banner e seu alter-ego, como nos telefilmes estrelados por Bill Bixby e Lou Ferrigno. Mark Ruffalo usou um traje de captura de movimento durante as filmagens, de forma que ele próprio interpretasse o Hulk. 

1. Star Wars (1977)
George Lucas pode ser considerado o pai do nerd moderno. Escreveu a saga de Anakin e Luke Skywalker em um caderno de anotações e deu origem a uma das mais famosas e bem sucedidas franquias do mundo, quando ninguém acreditou nele. “Guerra nas Estrelas”, o primeiro de seis filmes (e o quarto na ordem cronológica), consolidou o gênero ficção científica em Hollywood quando isso era coisa apenas de produção B; conseguiu também atrair uma legião de fãs que se multiplica com o passar dos anos e que exibe uma devoção digna dos torcedores mais fanáticos de futebol; e também praticamente fundou a chamada Cultura Nerd. Afinal, bonecos colecionáveis, cartazes, cosplay, gente que sabe de cor falas do filme, rpg’s, produtos licenciados, convenções de fãs, idiomas e expressões próprias, marketing e merchandising boca a boca, tudo isso começou com Star Wars. E se repete até os dias de hoje. Que a força esteja com vocês!

+Nerdice: O primeiro roteiro de “Star Wars” trazia Luke Skywalker como uma garota que iria resgatar seu irmão. A ideia foi abandonada logo depois, mas outra mais estranha ainda foi cogitada: Luke seria um anão errante que exploraria um mundo repleto de gigantes. A versão definitiva do roteiro apenas ficou pronta em 1976, um ano antes do lançamento do filme.



Extra: A Vingança dos Nerds
O filme de 1984 exemplifica bem como os nerds eram e como eles ficaram hoje. É essa a imagem que vem à cabeça quando se pensa no nerd tradicional e esse filme, sucesso da Sessão da Tarde dos anos 1990, por muito tempo foi o símbolo de como o nerd é. Estereótipo vencido e desconstruído, mas fica a lembrança. Lambda, Lambda, Lambda!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Desabafo - ou "Gente que xinga muito no Twitter"

Há algum tempo atrás eu fui bombardeado por fãs de Johnny Depp no Twitter. Não entrava muito por lá, tanto que nem tinha notado o que aconteceu. Alguma coisa que eu disse por volta do dia 5 de março não agradou o povo. O problema é que eu não faço ideia do que foi! Adoro o trabalho de Johnny Depp e de Tim Burton. Já critiquei aspectos positivos e negativos de ambos quando assisto seus filmes e todos eles são a minha opinião mais pura e sincera. Mesmo assim, não compreendi o motivo do ódio dos DeppHeads (como eles mesmos se denominaram no "tweetis").

Eu recuperei os posts que eu fiz sobre filmes do Johnny Depp no blog. Nenhum deles fala nada demais, porém nem é a preocupação com o que eu disse ou deixei de dizer que me motivou a escrever esse post (até porque o blog é meu, eu escrevo o que eu quiser e quem não gosta pode clicar no “X” pra fechar a página – e sim, se eu achar que Johnny Depp se saiu mal em algum filme, eu direi). O que me levou a escrever foi essa lufada de ódio gratuito que surgiu com as redes sociais e a superpopularização da Internet. Pessoas que se escondem por trás de um perfil como @ForeverJohnnyDepp ou @LuanSantanaMyDream ou @BeliebersParaSempre começam a atacar (sim, atacar e não criticar, argumentar, debater) gratuitamente qualquer pessoa de opinião contrária.

Suponhamos que eu realmente detestasse Johnny Depp (quem me conhece, sabe que não). Ainda assim, seria um direito meu não gostar. Como jornalista e crítico (crítico só do meu humilde blog, mas crítico), me sinto ainda no dever de alertar, por exemplo, que Julia Roberts poderia estar melhor em “Espelho, Espelho Meu”, mesmo sendo ela uma das maiores atrizes de Hollywood. Ou Meryl Streep. Ou Jack Nicholson. Ou Marlon Brando, se assim achasse que ele fez algum trabalho mediano.  Não é ódio ou querer o mal de alguém: é destacar um ponto, positivo ou negativo, de um trabalho.


Me preocupa essa geração que grita aos mil ventos que fulano é otário, idiota ou imbecil e se compromete arduamente com uma causa que, convenhamos, não vale a pena. Estamos vivendo os tempos dos fãs radicais, dos Little Monsters, dos Beliebers, da Família Restart e, acredite, dos DeppHeads. Claro, esses não tem nada a ver com os fãs de verdade de Lady Gaga, Justin Bieber, Restart ou Johnny Depp. Fã que é fã admira o trabalho do seu ídolo, mas tem a consciência de que o próprio ídolo tem seus ídolos. Fã mesmo nem se liga em crítica! Confere o trabalho do cara, ama, cultua e dá uma banana para o que a crítica escreve mas, mesmo assim, respeita. No máximo, rebate os argumentos nos comentários (sim, gente, dá pra fazer isso na internet!) e assim contribui para a discussão em torno do filme/música/artista.

Para finalizar tenho dois pedidos aos quatro ou cinco fãs do Johnny Depp que me xingaram muito no Twitter. O primeiro, ponham nos comentários suas impressões sobre os filmes dele. Se expressem, o blog é aberto a comentários e, desde que não tenham ofensas, tudo será publicado. Segundo, expliquem o que foi que gerou esse ódio, porque eu tô perdido até agora hehehehehe

Paraísos Artificiais

 Paraísos Artificiais
(Brasil, 2012). De Marcos Prado. Com Nathália Dill, Luca Bianchi, Lívia de Bueno, César Cardadeiro, Bernardo Melo Barreto.

De tudo que pode ter sido feito no Brasil recente, “Paraísos Artificiais” é, no mínimo, original. A história foge de tramas convencionais comuns no nosso cinema e envereda pelo mundo das raves, das drogas e de uma juventude confusa e perdida, situação cada vez mais frequente na nossa sociedade. No entanto, o filme peca ao perder a originalidade em certo ponto e cair no clichê da história de amor bobinha, sobretudo quando tal história é sustentada por personagens vazios e sem objetivo na vida a não ser “zoar”, curtir o momento, viver a vida enquanto se está vivo. Aqui, acabo por colocar um tom pessoal na crítica do filme – coisa que raramente faço. Para quem veio de uma realidade um tanto quanto diferente da mostrada do filme, é difícil conceber que existam tantos filhinhos de mamãe e papai, que não gastam um centavo do próprio dinheiro (uma vez que ele não existe) e caem no mundo atrás da onda perfeita, participando de festas Brasil afora, a ponto de não ter um pingo de responsabilidade com a própria vida ou futuro. E se o filme nos obriga a entrar em contato com esse mundo, onde ir para Amsterdã “dar uma volta” é comum, é de se envergonhar que um filme insista em apresentar esse mundo, sem um pingo de crítica social. Mas eu divaguei. Sobre o quê é o filme mesmo?


Nando acaba de sair da cadeia e retorna ao convívio da família, um pouco destruída após a prisão dele e da morte do pai. Com seu retorno, ele começa a relembrar o passado, como a viagem para Amsterdã que proporcionou o encontro com Érika, uma DJ brasileira em turnê pela Europa. Lá, Érika sabe que já viu Nando anteriormente, mas o rapaz não se recorda. É quando entramos em um flashback, que mostram eventos de quatro anos antes, quando Érika ainda era uma DJ iniciante tocando em uma rave brasileira numa praia nordestina e apaixonada por Lara, sua amante e melhor amiga. Nando está na mesma festa, regada a bebidas, drogas, música eletrônica e meditação. O destino de Érika, Nando e Lara muda com essa festa, provocando uma série de eventos que nenhum dos três jamais imaginara.

Bem filmado e montado, com uma trilha sonora baseada na música eletrônica que embala bem a trama, “Paraísos Artificiais” impacta o espectador com a história dos protagonistas, mas esquece de aprofundar a história e o caráter dos personagens. Do elenco, Nathália Dill se destaca como a perturbada Érika, despindo-se de qualquer pudor para encarnar as cenas mais picantes exigidas pelo roteiro. Sim, há nudez mas ela não é gratuita, um dos pontos positivos do filme. O problema é a própria personagem, a desconjuntada Érika, que se aventura por drogas alucinógenas e se perde nos próprios pesadelos, que mais confundem do que ajudam o espectador. 

Filme de estreia do produtor Marcos Prado, parceiro de José Padilha em filmes como “Ônibus 174” e “Tropa de Elite”, “Paraísos Artificiais” dá o seu recado de forma eficiente, mostrando de forma incisiva as consequências de se deixar levar pelo dinheiro fácil e pelas drogas. Porém, ao romantizar a história, o sentido se perde fazendo com que a trama termine sem um desfecho apropriado.


Nota: 6,5


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Battleship - A Batalha dos Mares


Battleship
(EUA, 2012) De Peter Berg. Com Taylor Kitsch, Liam Neeson, Alexander Skarsgaard, Rihanna e Brooklyn Decker.

Quando “Transformers” foi realizado, estava aberto um novo gênero no cinema: filmes sobre brinquedos. É claro que eles sempre existiram, de uma forma ou de outra. Tá aí os zilhões de filmes da Barbie, do Max Steel e afins, assim como a franquia Piratas do Caribe e os filmes baseados em videogame. Porém, capitaneados pela Hasbro, a empresa americana de brinquedos, os filmes dos Transformers realmente provaram que tudo era possível, pelo menos no que diz respeito aos efeitos especiais para tornar os brinquedos realidade. Seguindo os robôs-alienígenas vieram os Comandos em Ação ou simplesmente “G.I. Joe – A Origem de Cobra”. Daí nem é surpresa que “Battleship” tenha saído, enfim, do papel, levando para as telas um dos jogos mais populares da história, o Batalha Naval (sim, aquela plataforma separada ao meio por uma coluna onde você tentava afundar os navios do adversário!). A tendência pode soar estranha ou interessante, depende do gosto do freguês, mas até agora tem se mostrado uma má ideia. Ao misturar os brinquedos com uma narrativa, os produtores criam histórias fracas e sem qualquer apelo mais profundo do que simples explosões. Foi assim com os três “Transformers” e se repete agora em “Battleship”.

-Sei não. Acho que B5 é um tiro n'água, mas no H2 tem um cruzador.

O tenente da Marinha, Alex Hopper, precisa provar seu valor a bordo de um treinamento num encouraçado, que pode ser o último caso não mostre que realmente tem potencial. Seu irmão, Stone, um comandante no mesmo pelotão, faz de tudo para encorajá-lo. Alex precisa criar coragem ainda para pedir a mão da namorada, Sam, em casamento para o pai dela, o almirante Shane, o mais alto comandante de seu pelotão.  O que ele não contava é que uma invasão alienígena iria mudar o destino das coisas, atacando primeiro no mar, exatamente no meio do treinamento. Sem querer, Alex se vê no meio de uma batalha ao lado de seus companheiros e com o destino da Terra nas suas mãos.

 

“Battleship” não é um filme ruim. Ele se arrasta bem chato no começo, tentando dar um propósito heroico para Alex Hopper, mas a história clichê não anima nem empolga. A esse ponto, o público quer mesmo é ver Rihanna explodindo coisas e um roteiro com um mínimo de integridade. É essa segunda parte que falta porque, veja só, Rihanna está muito bem como a oficial Raikes, aquele tipo de soldado mais engraçadinho, supercompetente, que sempre está do lado do herói principal, só que agora é uma mulher.

Como protagonista, Taylor Kitsch tenta, mas não consegue emplacar um mocinho decente. Apesar do rosto bonito e de ter participado de produções como “X-Men Origens: Wolverine” e “John Carter”, seu desempenho ainda é bem fraco. Já Liam Neeson e Alexander Skarsgaard (o vampiro Eric, de “True Blood”) são coadjuvantes de luxo e seus personagens não são tão explorados na trama.

Explosões têm de sobra, os efeitos são bacanas, tanto os visuais quanto os sonoros. Apesar disso, tudo é simplesmente jogado na tela, embora haja uma tentativa de explicar quem são os ETs e de onde eles vêm (já o que eles querem, nunca saberemos). No fim, a conclusão é a mais improvável possível, com uma mensagem bonitinha e cafona. É um bom entretenimento e no fim das contas até faz jus ao jogo original: explodir e afundar navios (com direito a um momento Titanic).  Fica também um aviso: a Hasbro ainda quer emplacar mais filmes de jogos, como os do Banco Imobiliário, War, Detetive e da Tábua Ouija. Que os mares nos protejam.

Nota: 6

-Boom!

PS: Só lembrando que Batalha Naval  pode ser isso:


ou isso:


ou isso:

-Playstation! Playstation!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sete Dias com Marilyn


My Week With Marilyn
(EUA, UK/2011). De Simon Curtis. Com Michelle Williams, Kenneth Branagh, Eddie Redmayne, Emma Watson, Julia Ormond, Dominic Cooper e Judi Dench.

Quando Sir Lawrence Olivier finalizou as finlmagens de “O Príncipe Encantado”, primeiro e único filme de Marilyn Monroe fora dos Estados Unidos, ele ficou tão aborrecido com o jeito e a forma de atuar da atriz, que se afastou um bom tempo da direção de filmes. Aparentemente, a forma de trabalhar de um grande deus britânico  da atuação não combinava com a forma suave e provocante de uma estrela hollywoodiana. Pelo sim ou pelo não, a relação dos dois não afetou Lawrence, que não deixou de ser quem é, mas Marilyn cresceu. Cresceu tanto que não cabia em si. Era outra. Uma personagem em tempo real, full time, ativa 24 horas do dia. Tanto que assusta vermos um deslumbre da Marilyn real em “Sete Dias com Marilyn”, que conta como o assistente de direção Colin Clark se envolve com a musa loira durante as filmagens de “O Príncipe Encantado”.


O filme foi o primeiro bancado pela produtora de Marilyn Monroe e, talvez por isso, Lawrence Olivier tenha aguentado toda a pressão. No filme vemos uma pessoa insegura com o modo duro e sem mobilidade do estilo de atuação britânico, alguém que duvida da sua capacidade diante da adversidade imposta por uma grande figura do cinema/teatro. Marilyn Monroe era, antes de tudo, uma pessoa frágil que precisava mostrar todo o vigor necessário para uma estrela de cinema. Seu relacionamento com Colin Clark, o protagonista da história que se vê confuso entre a passageira história de amor com a atriz e a possibilidade real de namorar a figurinista do filme – só denota o quanto ela precisava de atenção exclusiva. Tudo que sentia falta era ser amada pelo que ela era, e não pelo que Marilyn representava.

Da mesma forma, Colin ( e todos os homens ao redor dela, incluindo Olivier) se deixam levar pelo seu encantamento que hipnotizava. Não à toa, Marilyn Monroe se tornou um dos maiores ícones da história do cinema. Toda essa pressão resultou na morte precoce da atriz, aos 33 anos.

O filme de Simon Curtis recria o universo dos sets de filmagens, com toda a austeridade de Olivier e traduz a verdadeira atmosfera da época, desde o fascínio pela indústria ao culto às celebridades. Michelle Williams, mesmo não parecida fisicamente, expõe Marilyn da cabeça aos pés, em uma atuação assombrosa que lhe rendeu a indicação ao Oscar esse ano. Ela consegue transparecer as várias faces da diva, desde a poderosa presença da atriz em um palácio britânico à melancolia profunda por ter sido abandonada pelo marido em um país desconhecido.

Kenneth Brannagh como Sir Lawrence Olivier personifica o verdadeiro lorde inglês em seu desempenho. Sua atuação também lhe rendeu uma indicação ao Oscar na categoria Ator Coadjuvante.  Vale lembrar que os dois atores interpretaram Hamlet no cinema, então já tem traços de atuação em comum, o que facilitou ainda mais a caracterização de Brannagh, que provavelmente cresceu admirando os papeis de Sir Lawrence no cinema.

Após os fatos apresentados em “Sete Dias Com Marilyn”, baseado no livro homônimo escrito pelo próprio Colin Clark, Marilyn Monroe estrelou “Quanto Mais Quente Melhor”, considerada uma das melhores comédias de todos os tempos. Antes disso, ela já era uma estrela completa após os filmes “O Pecado Mora ao Lado” e “Os Homens Preferem as Loiras”. Se pudéssemos resumir o filme (tarefa impossível) em uma frase, uso uma dita no próprio filme. “Lawrence Olivier era um grande ator tentando ser uma estrela de cinema. Marilyn era uma grande estrela de cinema tentando se tornar uma grande atriz”. Porém, ela não precisava treinar, já que era seu charme natural a principal arma de sua atuação.

Nota: 9,5