segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O que aprendemos com o Globo de Ouro 2013?



A entrega dos Golden Globe Awards ontem à noite foi cheia de surpresas. Quer dizer, nem tantas surpresas. Mas nos diz muito do porquê o Globo de Ouro tem deixado de ser a referência para o Oscar nos últimos anos. A começar pela premiação de “Argo” em Melhor Filme – Drama e Melhor Diretor para Ben Affleck. Tá, tudo bem que “Argo” deve ser um filmão (sim, o blogueiro ainda não assistiu), mas a comoção geral este ano era para que “Lincoln”, de Steven Spielberg, dominasse os prêmios a que estava concorrendo. Ainda mais inesperada foi a vitória de Affleck, o ator-que-virou-diretor que bateu Spielberg, Ang Lee e Quentin Tarantino.

Se por um lado “Argo” foi uma surpresa (vide a expressão do próprio Ben Affleck), o musical “Os Miseráveis” confirmou o favoritismo como Melhor Filme - Comédia/Musical e ainda nas categorias de Ator para Hugh Jackman e Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway, que deve repetir o mesmo resultado no Oscar. 

No Globo de Ouro, o favoritismo de “Lincoln” só ficou mesmo para Daniel Dae-Lewis, que venceu na categoria Melhor Ator – Drama, enquanto Quentin Tarantino levou Melhor Roteiro por “Django Livre”. Tarantino conseguiu também um segundo prêmio de Ator Coadjuvante para Christoph Waltz, depois da proeza que foi “Bastardos Inglórios” alguns anos antes.

Outras surpresas ficaram por conta das categorias das Atrizes. Em Comédia/Musical, Jennifer Lawrence, que até era favorita, ganhou por “O Lado Bom da Vida”, mesmo concorrendo contra Meryl Streep (com direito até à piadinha). Já em Drama, a tensão foi grande até o anúncio, com Jessica Chastain se sagrando vencedora por “A Hora Mais Escura”. Naomi Watts, Helen Mirren, Rachel Weisz e Marion Cotillard também estavam no páreo, mas como Naomi Watts é a única concorrendo ao Oscar, junto com Chastain, as chances da vencedora diminuem no prêmio da Academia.

A noite fecha ainda com “As Aventuras de Pi” ganhando Trilha Sonora, “Valente” em Animação – embora não merecesse, já que “Detona Ralph” e “Frankenweenie” são muito melhores -, e Adele ganhando mais um prêmio por sua canção “Skyafall” para o mais recente filme da franquia 007. Essa sim foi uma reação genuína e completamente surpresa. Michael Haneke também ganhou o prêmio de Filme Estrangeiro por “Amor”, o que também deve se confirmar no Oscar.

Resumo: apesar de a noite ter sido boa, pela experiência não dá pra dizer se o Globo de Ouro é um bom termômetro para o Oscar, mas deixa a cabeça dos espectadores e votantes ainda mais confusa, já que a Academia tende a premiar longas mais, digamos, clássicos, e “Argo” é um filme que revigora o fôlego da indústria cinematográfica. Lembrando que o Oscar também traz nomes como “Indomável Sonhadora” e “Amor” em categorias importantes, então, a noite do dia 24 de fevereiro será mesmo surpreendente.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada


 The Hobbit: An Unexpected Journey
(EUA, 2012) De Peter Jackson. Com Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Elijah Wood, Christopher Lee e Andy Serkis.

Dezembro de 2003: Peter Jackson acaba de lançar “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”. Sucesso mundial, bilheteria fenomenal, 11 Oscars no bolso coroando toda a franquia. Dia seguinte ao Oscar: O Hobbit. Sim, desde que a trilogia terminou ouvimos falar sobre os rumores da produção do filme sobre o livro que conta o início da saga do Um Anel, também escrito pelo mestre J.R.R. Tolkien. E eis que, dez anos e muitos problemas depois, Jackson entrega ao mundo novamente uma trilogia. “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” é a primeira parte, franquia que deve tornar toda a saga do Anel numa espécie de “Star Wars” de Peter Jackson. O diretor, aliás, inovou desta vez. Não apenas pegou carona em toda a onda 3D popularizada por “Avatar”, mas resolveu filmar todos os três filmes em 48 fps (frames por segundo). Para se ter uma ideia, os filmes “comuns” são filmados por 24 fps, o que faz com que “O Hobbit” se aproxime muito do que o olho humano capta normalmente, entregando uma imagem muito mais realista, sobretudo quando entramos em um mundo totalmente irreal. Mas vamos ao filme em si.


Na primeira parte, o mago Gandalf convoca o jovem Bilbo Bolseiro para embarcar em uma aventura que consiste em ajudar uma tropa de Anões liderada por Thorin a recuperar o seu lar, um reino na montanha de Erebor, que foi roubado pelo dragão Smaug. Após certa resistência, Bilbo concorda em ir com eles e juntos vão enfrentar os perigos que a Terra Média oferece, passando por Orcs, Trolls e Elfos, inimigos dos Anões que serão mais úteis do que eles imaginam. E uma certa surpresa irá chegar até Bilbo, um acontecimento que mudará não apenas a vida do hobbit, mas toda a história da Terra Média.

O principal atrativo de “Uma Jornada Inesperada” é a qualidade dos efeitos especiais e o uso dos 48 fps. É notável a diferença e a qualidade que o filme apresenta quando comparamos aos filmes da trilogia “O Senhor dos Anéis”, por exemplo. A Terra Média se apresenta com muito mais definição, com monstros em CGI melhor executados e um realismo impressionante quanto juntamos tudo isso ao 3D. “O Hobbit” levanta uma questão sobre a perda da característica cinematográfica dos filmes (aquilo que nos faz saber que estamos vendo um filme no cinema e não na TV) e a chegada da qualidade semelhante ao vídeo. Mas que é uma conquista tecnológica para o cinema evoluir, isso é incontestável.

Quanto ao roteiro, esta primeira parte é uma grande introdução sobre tudo o que está por vir, principalmente para aqueles que não estão acostumados com o universo criado por Tolkien. Por isso, por quase 2 horas o filme se arrasta em um sem fim de trilhas, caminhos percorridos e diálogos em élfico, algo que é amenizado justamente pela nova velocidade da projeção. Cansativo, porém necessário para que a história se desenrole, já que na hora final (sim, são mais de 3 horas de filme), tudo acontece e o filme se torna uma aventura eletrizante.

Destaque para a cena com Gollum/Smeagle, a aparição mais aguardada pelos fãs da série, novamente interpretada por Andy Serkis. A criatura continua como antes: arrogante, mesquinha e sagaz, mas com um pouco mais de definição gráfica. O embate com Bilbo é gerado com muita tensão, executado com maestria e, mesmo sem muita ação, é de tirar o fôlego.


“O Hobbit”, apesar de tudo, não é “O Senhor dos Anéis”. Pelo menos, ainda não é “O Retorno do Rei”, mas a introdução de algo que ainda está por vir, como foi com “A Sociedade do Anel”. Algumas partes ficam sem explicações e aqueles que nunca viram um filme da saga original podem ficar confusos no início. Também há um excesso de autoconfiança, o que se fez notar por essa temporada de premiações, sobretudo no Oscar, com o filme sendo esquecido em quase todas as categorias, se valendo em apenas algumas técnicas. De qualquer modo, este é apenas o início de tudo e Peter Jackson já se tornou digno da nossa confiança há anos atrás. Vamos aguardar, 2013 e 2014 tem mais.

Nota: 8,5
Efeitos 3D e 48 fps: 10

*Indicado ao Oscar de Maquiagem e Cabelo, Design de Produção e Efeitos Visuais

As Aventuras de Pi


Life of Pi
(EUA, 2012) De Ang Lee. Com Suraj Sharma, Irrfan Khan, Adil Hussain, Tabu, Rafe Spall e Gerard Depardieu.

Ang Lee entregou bons filmes em sua carreira, à exceção de “Hulk” (2003). O diretor de “O Tigre e o Dragão” e de “O Segredo de Brokeback Mountain” tem como características uma sensibilidade rara e uma capacidade de passear sobre diversos temas com facilidade. Em “As Aventuras de Pi” não é diferente e ele consegue levar às telas uma linda história, apesar de fantasiosa. Neste caso, a fantasia se faz necessária ou não será possível acreditar que um garoto indiano ficou preso num barco à deriva com um tigre de bengala. O filme encanta por sua beleza visual, com cenas belíssimas, mas também pela história cativante que, verdadeira ou não, é inspiradora.

O jovem Piscine Patel – Pi, apelido que ele próprio inventou para fugir dos bullys – é o único sobrevivente do naufrágio que matou toda a sua família, quando o navio cargueiro em que eles estavam afundou. O navio transportava também os animais do zoológico da família Patel, que foi forçada a vendê-los porque a situação financeira estava ruim. Mas Pi não estava completamente sozinho. Quatro animais sobrevivem e passam a dividir com ele um único bote que restou do naufrágio. Uma zebra, um macaco, uma hiena e um tigre de bengala, chamado Richard Parker. Pi se vê numa difícil situação, mas faz de tudo para sobreviver e para preservar os animais, mas os instintos falam mais alto devido às dificuldades. O garoto precisa aprender a não perder a fé e a esperança, enquanto a morte parece ser iminente. 


Usando recursos visuais de primeira, Ang Lee consegue retratar toda a aventura de Pi, desde a fotografia usada para contar sua infância e adolescência aos magníficos efeitos visuais que proporcionam cenas maravilhosas, com ondas gigantescas, uma baleia imensa brilhando em meio ao plâncton do oceano e um tigre de bengala arisco. Interessante como o diretor consegue contar uma fábula moderna, sem cair no clichê da humanização dos animais, mas preserva as principais características destes, incluindo o instinto de sobrevivência.

A ingenuidade de Piscine, porém, é mérito do ator estreante Suraj Sharma em seu primeiro papel no cinema. Seu personagem é humilde e tranquilo, mesmo nas adversidades, e talvez a inexperiência do ator tenha sido fundamental para criar um personagem tão cativante.

O filme é baseado no livro escrito por Yann Martel e foi indicado a 11 Oscars, incluindo Melhor Filme, Diretor, Roteiro e Efeitos Visuais. Como toda fábula, “As Aventuras de Pi” tem uma moral ao fim, que pode se tratar tanto de reflexões pessoais, determinação, coragem ou uma metáfora para a existência ou não de Deus. O filme propõe uma tarefa: acreditar ou não na história de Pi Patel depende totalmente do seu ponto de vista sobre as coisas. E isso é aplicado também fora das telas, quando cada um percebe que a lição de moral que o filme passa se aplica a si da maneira que melhor servir. E um filme que nos faz refletir merece todos os méritos de ser visto e revisto.

Nota: 9,0
Efeitos 3D: 8,5

Oscar 2013 - Conheça os indicados

Emma Stone e Seth MacFarlane apresentaram os indicados

Saíram os indicados ao Oscar 2013 (ou seria 2012?). Um pouco cedo demais esse ano, eu diria, mas o que importa é que a lista tá aí, confirmando as principais suspeitas do mundo cinéfilo. “Lincoln”, o drama dirigido por Steven Spielberg sobre o ex-presidente norte-americano sai na frente com 12 indicações, confirmando o seu favoritismo esse ano. No entanto, a lista de melhor filme traz outros oito longas metragens que poderiam disputar ali juntinho a estatueta, como “A Hora Mais Escura”, de Kathryn Bigelow, sobre a missão que culminou na captura/morte de Osama Bin Laden.  Completam a lista “As Aventuras de Pi”, de Ang Lee; o austríaco “Amor”, de Michael Haneke; “Argo”, do ator/diretor Ben Affleck; e os ainda inéditos no Brasil “O Lado Bom da Vida”, “Indomável Sonhadora”, “Django Livre”, de Quentin Tarantino e o musical mais aguardado da década, “Os Miseráveis”.

Quanto às atuações, a lista é heterogênea, mas com atores e atrizes muito bem qualificados por seus trabalhos. Entre os homens, Daniel Dae-Lewis sai na frente como favorito absoluto em “Lincoln”, concorrendo com Hugh Jackman (“Os Miseráveis”), Joaquim Phoenix (“O Mestre”), Denzel Washington (“O Voo”) e Bradley Cooper (“O Lado Bom da Vida”).

Já as mulheres, a surpresa fica por conta da mais velha e da mais nova atriz indicada ao Oscar, com Emmanuelle Riva (“Amor”), de 85 anos, e Quvenzhané Wallis (“Indomável Sonhadora”), com apenas 9. Completam a lista Jessica Chastain (“A Hora Mais Escura”), Jennifer Lawrence (“O Lado Bom da Vida”) e minha favorita Naomi Watts (“O Impossível”).

Veja a lista completa abaixo e não deixe de acompanhar o CINEMARCOS, que vai estar sempre comentando e trazendo novidades sobre o Oscar, as premiações e os filmes indicados!

Filme
"Indomável sonhadora"
"O lado bom da vida"
"A hora mais escura"
"Lincoln"
"Os Miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Amor"
"Django livre"
"Argo"

Diretor
Michael Haneke ("Amor")
Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
Ang Lee ("As aventuras de Pi")
Steven Spielberg ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida)

Ator
Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
Denzel Washington ("Voo")
Hugh Jackman ("Os miseráveis")
Bradley Cooper ("O lado bom da vida")
Joaquin Phoenix ("O mestre")

Atriz
Naomi Watts ("O impossível")
Jessica Chastain ("A hora mais escura")
Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida")
Emmanuelle Riva ("Amor")
Quvenzhané Wallis ("Indomável sonhadora")

Ator coadjuvante
Christoph Waltz ("Django livre")
Philip Seymour-Hoffman ("O mestre")
Robert De Niro ("O lado bom da vida")
Tommy Lee Jones ("Lincoln")
Alan Arkin ("Argo")

Atriz coadjuvante
Sally Field ("Lincoln")
Anne Hathaway ("Os miseráveis")
Jacki Weaver ("O lado bom da vida")
Helen Hunt ("The sessions")
Amy Adams ("O mestre")

Filme estrangeiro
"Amor" (Áustria)
"No" (Chile)
"War witch" (Canadá)
"A royal affair" (Dinamarca)
"Kon-tiki" (Noruega)

Roteiro original
Michael Haneke ("Amor")
Quentin Tarantino ("Django livre")
John Gatins ("Voo")
Wes Anderson e Roman Coppola ("Moonrise kingdom")
Mark Boal ("A hora mais escura")

Roteiro adaptado
Chris Terrio ("Argo")
Lucy Alibar e Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
David Magee ("As aventuras de Pi")
Tony Kushner ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida")

Animação
"Valente"
"Frankenweenie"
"ParaNorman"
"Piratas pirados!"
"Detona Ralph"

Documentário em longa-metragem
"5 broken cameras"
"The gatekeepers"
"How to survive a plague"
"The invisible war"
"Searching for a sugar man"

Documentário em curta-metragem
"Inocente"
"Kings point"
"Mondays at Racine"
"Open heart"
"Redemption"

Fotografia
"Anna Karenina"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Edição
"Argo"
"A vida de Pi"
"Lincoln"
"A hora mais escura"
"O lado bom da vida"

Trilha sonora original
Dario Marianelli ("Anna Karenina")
Alexandre Desplat ("Argo")
Mychael Danna ("As aventuras de Pi")
John Williams ("Lincoln")
Thomas Newman ("007 – Operação Skyfall")

Canção original
"Before my time", de "Chasing ice" – J. Ralph (música e letra)
"Everybody needs a best friend", de "Ted" – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)
"Pi's lullaby", de "As aventuras de Pi" – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)
"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" – Adele (música e letra)
"Suddenly", de "Os miseráveis" – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Efeitos visuais
"O Hobbit – Uma jornada inesperada"
"As aventuras de Pi"
"Os vingadores"
"Prometheus"
"Branca de Neve e o caçador"

Edição de som
"Argo"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"Skyfall"
"007 – Operação Skyfall"

Mixagem de som
"Argo"
"Os miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 - Operação Skyfall"

Melhor curta-metragem
"Asad"
"Buzkashi boys"
"Curfew"
"Death of a shadow (doos van een schaduw)"
"Henry"

Curta-metragem de animação
"Adam and dog"
"Fresh guacamole"
"Head over heels"
"Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'"
"Paperman"

Figurino
"Anna Karenina"
"Os miseráveis"
"Lincoln"
"Espelho, espelho meu"
"Branca de Neve e o caçador"

Design de produção
"Anna Karenina"
"Hobbit - Uma jornada inesperada"
"Os miseráveis"
"A vida de Pi"
"Lincoln"

Maquiagem e cabelo
"Hitchcock"
"Os miseráveis"
"Hobbit – Uma jornada inesperada"


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Os piores filmes de 2012




Como todo ano, as listas sempre pipocam com melhores e piores do ano de tudo. Aqui então vai a minha lista de piores filmes que eu assisti em 2012, considerando meu critério pessoal, sem ordem específica. Vi muita coisa esse ano e nem tudo eu tive como postar aqui no blog, mas alguns nem mereceram mesmo. Como os dez a seguir:

O Espião que Sabia Demais – Desculpem, críticos. Eu posso não ter entendido e ter ficado entediado, mas nada me convence de que esse filme é bom. Chato até dizer chega, e mais um pouco ainda.

John Carter – Uma das grandes apostas da Disney que não deu muito certo. Sem um pingo de originalidade e ousadia, “John Carter” será facilmente esquecido.

Espelho, Espelho Meu – Com um ar bem bobo, essa versão da Branca de Neve comeu poeira perto de “Branca de Neve e o Caçador”. Nem Julia Roberts salvou. Detalhe para a dancinha indiana desconexa do fim...

12 Horas – Heitor Dhalia, diretor brasileiro de “À Deriva” e “O Cheiro do Ralo”, produções cultuadas aqui, derrapou na sua estreia em produções americanas. A história, mirabolante demais, também não agradou. Dhalia depois disse que era difícil trabalhar sem liberdade.

À Toda Prova – Steven Soderbergh apresentou a ex-lutadora Gina Carano como protagonista desse thriller de ação que, honestamente, não deu pra entender muita coisa. Não funcionou.

Como Agarrar Meu Ex-Namorado – Katherine Heigl. Morena. Sem mais.

Battleship – O que poderia ter sido um grande filme se perdeu na completa falta de noção do roteiro, que privilegiou explosões e naves alienígenas, sem a mínima explicação ao público do que estava acontecendo.

Chernobyl – São zumbis? São humanos mutantes? São vampiros? Nunca saberemos. Sem o mínimo de coerência, “Chernobyl” não convence, não assusta, não anima, enfim, não faz nada.

O Ditador – Sasha Bahron Cohen é bom em personificações de estereótipos, já provado em vários filmes. Mas faltou mais humor e menos nonsense em “O Ditador”.

Resident Evil 5 – Retribuição – Ainda fazem Resident Evil? Sério?

Menção honrosa nacional: Os Penetras e algumas comédias brasileiras – Se queremos ser levados a sério como comédias, precisamos então de mais cinema e menos TV. Esse humor requentado do Zorra Total não dá, Brasil.

Menção honrosa home vídeo: [REC]³ – Gênesis – Adoro a série “[REC]”, mas a terceira parte é debochar do pobre espectador. Quando tudo estava indo tão bem, me pioram a coisa toda.

Não vi e não gostei: Cada um tem a Gêmea que merece - Adam Sandler, aposente-se.

E mais: Protegendo o Inimigo, O Despertar, Os Infiéis, E Aí, Comeu?, A Saga Molusco: Anoitecer.

O Impossível


Lo Imposible
(Espanha, 2012) De Juan Antonio Bayona. Com Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Samuel Joslin, Oaklee Pendergast e Geraldine Chaplin.

Ninguém poderia esperar que, um dia após o Natal de 2004, um tsunami de proporções catastróficas iria atingir a costa da Indonésia, Sri Lanka, Tailândia e outros países banhados pelo Oceano Índico, deixando mais de 230 mil mortos e a lembrança de um dos maiores desastres naturais da humanidade. Oito anos depois, o diretor espanhol Juan Antonio Bayona leva às telas a história de uma família de sobreviventes que, como sugere o título, realizou o que parecia ser impossível e conseguiu se reunir, com vida, após a tragédia. Incrivelmente bem executado, “O Impossível” é um filme triste, por motivos óbvios, transmitindo com precisão a agonia dos personagens e o sentimento de desolação que as vítimas sobreviventes sentiram no fatídico 26 de dezembro.

O casal Maria e Henry, junto com os filhos Lucas, Thomas e Simon, vão passar as férias de Natal na Tailândia, um dos lugares mais paradisíacos do mundo. Após a celebração do Natal, no resort onde estão hospedados, a família se vê no meio do desastre, um tsunami com ondas de mais de 30 metros. Maria e o filho mais velho, Lucas, se separam do restante, mas conseguem sobreviver. Com muitos e graves ferimentos, Maria precisa de socorros médicos e é levada para uma base hospitalar montada de improviso para ajudar no resgate. Enquanto isso, Henry envia os filhos Thomas e Simon para outro abrigo para continuar sua busca pela mulher e pelo filho desaparecidos.



O roteiro escrito por Sergio G. Sanchez traduz a atmosfera do desastre, que é captado pelo drama dos protagonistas na busca pelos seus parentes. Enquanto os acompanhamos, é difícil não pensar em todas as outras vítimas, as sobreviventes e as que não tiveram a mesma chance, em todo o sofrimento e pânico causado pelas ondas. O esforço conjunto do roteiro, da direção de Juan Antonio Bayona (O Orfanato), da equipe de efeitos visuais e direção de arte, e dos atores conduz o filme à maestria.

Naomi Watts entrega um de seus papeis mais corajosos no cinema, com uma atuação impecável e comovente como Maria, uma mulher que, acima de tudo, luta com todas as forças pela sobrevivência do filho Lucas no meio da enchente provocada pelo desastre. O intérprete de Lucas, Tom Holland, também merece destaque, se firmando como uma das melhores atuações juvenis dos últimos anos, segundo alguns críticos.

Completando o time de atores, Ewan McGregor também entrega um desempenho comovente como o pai em busca de sua família, assim como as outras duas crianças do filme, Samuel Joslin e Oaklee Pendergast. A participação de Geraldine Chaplin é curta, mas também marcante. Juntos, o elenco transmite todo o drama real de milhares de pessoas. É neles que vemos refletida a garra, a coragem e a superação quando, na verdade, deveria haver só tristeza.
                                                                                   

“O Impossível” é um ótimo filme, com ótimas atuações. Tem bons efeitos especiais e éum espetáculo visual de, literalmente, tirar o fôlego. Mas é carregado e triste demais para ser assistido sem um aviso. Não há como não se transportar para o lugar daquelas pessoas e imaginar o que faríamos se estivéssemos na mesma situação. Por provocar essas experiências no espectador é que Juan Antonio Bayona acertou na mosca. Sem dúvida alguma, um dos melhores filmes do ano.

Nota: 9,5


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Top 10 - filmes sobre o fim do mundo



21 de dezembro de 2012. O mundo acabou? Não. Pelo menos, não ainda, já que estou escrevendo às 15h31 do referido dia, ou seja, tudo ainda pode acontecer. Mas se você está lendo isso do dia 22 em diante, não, o mundo não acabou. Seja pelos Maias, por Nostradamus, ou por qualquer outro profeta do Apocalipse, o fim do mundo não fez tanto sucesso quanto ele já fez nas telonas do cinema, visto que o povo adora um filme-catástrofe. Então, já que o mundo não vai acabar por agora, nada melhor do que conferir os principais filmes sobre o tema. Quem sabe não dá pra aprender algumas regras quando o fim realmente chegar?

10 A Última Noite
Last Night (1998). De Don McKellar. Com Don McKellar, Sandra Oh e Sarah Polley.

31 de dezembro de 1999, você lembra desta data? Com a chegada do ano 2000, muita gente realmente achou que o mundo ia acabar e é justamente disso que trata o filme. Um grupo de diferentes indivíduos se encontra para decidir como passar o último dia da Terra, já que em 31/12/1999 é o derradeiro. O roteiro mostra como o fim afeta a vida dos moradores da cidade de Toronto, no Canadá, que tentam colocar em prática suas últimas vontades antes do apocalipse. 

Por que vê-lo antes do fim: foi premiado em Cannes e tem a participação de ninguém menos do que David Cronemberg (ele mesmo) como ator.


9 Fim dos Dias
End of Days (1999). De Peter Hyams. Com Arnold Schwarzenegger, Gabriel Byrne e Robin Tunney.

Outro que se passa no final do século XX. Desta vez, o demônio em pessoa, interpretado por Gabriel Byrne, vem à Terra em busca de uma noiva para procriar e, assim, fazer nascer o Anticristo, cumprindo as profecias sagradas sobre o (er) fim dos dias. Cabe a ninguém mais, ninguém menos do que Arnold Schwarzenegger a defender a pobre Christine York (Robin Tunney) das garras de Satã e, assim, evitar o destino terrível da humanidade.

Por que vê-lo antes do fim: Arnold Schwarzenegger versus o Diabo. É o embate do século! Além disso, os efeitos especiais são bem legais (para 1999) e trata de um dos fins mais aceitáveis para a maioria dos cristãos, a chegada do Anticristo.


8 O Fim do Mundo
When Worlds Collide (1951). De Rudolph Maté. Com Barbara Rush e John Hoyt.

Essa ficção científica de 1951 mostra que um planeta está em rota de colisão com a Terra. Sendo assim, um milionário constrói uma nave (!) que poderá levar alguns poucos escolhidos (!!) a outro planeta seguro (!!!). Tá, vamos combinar que na década de 50 esses filmes de ficção científica eram um tanto quanto toscos, dado o orçamento, e que as possibilidades de isso aí dar certo na vida real são absurdas. Mas vale pelo pioneirismo do filme e pelo retrato de como as pessoas encaravam a vida lá fora antigamente.

Por que vê-lo antes do fim: Ganhou o Oscar de Efeitos Especiais em 1951, o que quer dizer muita coisa.




7 Armageddon
(1998) De Michael Bay. Com Bruce Willis, Billy Bob Thorthon e Ben Affleck.

Se Roland Emmerich estivesse muito ocupado para dirigir a cerimônia do fim do mundo, o substituto ideal seria Michael Bay. Em “Armageddon”, um asteroide de proporções colossais está se aproximando da Terra em (pausa para o suspense) 1999! Dá pra ver que porque tanto terror na virada do milênio! Cabe a uma equipe de astronautas, liderada por Bruce Willis, embarcar em uma missão para destruir o tal asteroide.

Por que vê-lo antes do fim: “I don’t wanna close my eeeeeyes...” Se você não ver pelas explosões, por Bruce Willis explodindo um asteroide, e por todo o drama do filme, veja pela música "I Don't Wanna Miss a Thing" do Aerosmith, indicada ao Oscar de melhor canção.


6 Independence Day
(1996) De Roland Emmerich. Com Will Smith, Bill Pullman e Jeff Goldblum.

“Independence Day” é um marco dos filmes-catástrofe, por seu apuro técnico e sua primazia em efeitos especiais.  No dia da Independência dos Estados Unidos, uma nave alienígena se aproxima, deixando a população em pânico. Após um primeiro contato mal sucedido, com a nave alienígena destruindo tudo em seu caminho, uma equipe de fuzileiros entra em ação pra combater o mal vindo do espaço, antes que a destruição seja pior. Até o presidente dos EUA é requisitado pra entrar no meio da ação.

Por que vê-lo antes do fim: Porque tem Will Smith em um dos seus primeiros grandes papeis no cinema, no início da carreira cinematográfica, e um dos últimos papeis relevantes de Jeff Goldblum. Fora isso, os efeitos ainda são de tirar o fôlego. Quem não se lembra da Casa Branca sendo destruída como se fosse feita de cartas de baralho?



5 Procura-se um amigo para o fim do mundo
Seeking a Friend for the End of the World (2012). De Lorene Scafaria. Com Steve Carrell e Keira Knightley.

Esse estreou por aqui e passou quase despercebido. Um dos filmes mais fofos do ano, aproveitando o gancho de que o mundo iria acabar em 2012, mostra um homem recém-abandonado pela esposa que resolve ajudar uma desconhecida a chegar em segurança na casa de sua família, na Inglaterra. Enquanto isso, o mundo se prepara para o fim anunciado e é tomado por saques, ataques de pânico, explosões, etc.

Por que vê-lo antes do fim: Apesar de alguns momentos cômicos, o filme é todo tomado por um tom dramático e melancólico, fazendo com que as atuações de Steve Carrell e Keira Knightley fiquem mais intimistas.


4 Presságio
Knowing (2009). De Alex Proyas. Com Nicolas Cage e Rose Byrne.

Em “Presságio”, Nicolas Cage investiga uma profecia deixada em uma cápsula do tempo, aberta na escola do filho 50 anos depois. Na profecia, uma série de números que cruzam com diversos acidentes. O último deles indicaria o fim da humanidade e, de alguma forma, o filho do personagem de Cage está envolvido.

Por que vê-lo antes do fim: São cenas impressionantes de desastres e várias outras de efeitos especiais. Alex Proyas mistura o filme-catástrofe com um quê de suspense sobrenatural, embora o fim deixe a desejar. Nicolas Cage entrega uma boa atuação, coisa que está rara recentemente.



3 Impacto Profundo

Deep Impact (1998). De Mimi Leder. Com Robert Duvall, Téa Leoni, Morgan Freeman e Elijah Wood.

Um dos melhores do gênero, “Impacto Profundo” mostra os preparativos da Terra (leia-se Estados Unidos) diante do iminente impacto (jura?) de um cometa em rota de colisão com o nosso planeta. Enquanto isso, muito drama se desenrola, como a jornalista que não se dá bem com o pai, uma família que procura desesperadamente fugir para as montanhas e a expectativa de quem irá ser sorteado para o abrigo militar do governo.

Por que vê-lo antes do fim: Esse vale a pena. Um elenco de peso entrega boas atuações e o filme convence. E tem Morgan Freeman como presidente dos Estados Unidos. Imagina Morgan Freeman dando a notícia ao vivo sobre o fim do mundo, num pronunciamento oficial. Vale só por isso.

2 Melancolia
Melancholia (2011) De Lars Von Trier. Com Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland e Alexander Skarsgaard.

Por causa deste filme, Lars Von Trier virou persona non grata no Festival de Cannes, o que não ofuscou o brilhantismo do longa. “Melancolia” traz Kirsten Dunst como uma mulher recém-casada que sofre uma espécie de depressão profunda, impactando toda a sua família em plena festa de casamento. Enquanto a irmã a ajuda a se recuperar, a família se isola em casa enquanto rumores de que o planeta Melancolia estaria se aproximando da Terra começam a aparecer.

Por que vê-lo antes do fim: Apesar de ser polêmico, Lars Von Trier manda bem nesse filme, que traz a melhor atuação de Kirsten Dunst em toda a sua carreira. O filme também se destaca por mostrar o drama particular de uma família enquanto o mundo está prestes a acabar.


 1 2012
(2009) De Roland Emmerich. Com John Cusack, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor e Thandie Newton.

Em minha opinião, “2012” é o mais bem sucedido filme catástrofe já produzido, apesar de falhas grosseiras no roteiro. Primeiro que ele mostra que o fim do mundo é, realmente, o fim do Mundo todo, e não só dos EUA. Segundo que Roland Emmerich soube aproveitar o gancho do apocalipse maia para criar a atmosfera perfeita que o filme precisou. Sem falar nos efeitos especiais que supera toda a lista deste post. O final poderia ser um tanto melhor, mas satisfaz, depois de tanta aflição dos protagonistas.

Por que vê-lo antes do fim: Além do gancho certeiro (que agora já foi) por causa da data 21/12/12, tem a destruição do Cristo Redentor e de outros monumentos ao redor do mundo, os tsunamis no Tibete, o terremoto em Los Angeles... nem dá pra especificar, veja o filme todo!