quinta-feira, 27 de março de 2008

Não Estou Lá. Nomes da música e seu retrato em tela grande


De alguns anos pra cá, Hollywood tem brindado o público com cinebiografias de grandes nomes da música. Chega aos cinemas brasileiros (finalmente!) o surpreendente Não Estou Lá, a biografia em película do cantor norte-americano Bob Dylan. O filme acompanha as mais variadas fases da carreira do cantor, que multifacetado, também encontra aqui várias faces para interpretar cada fase distinta. E que faces! desde Marcus Carl Franklin - um garoto negro- passando por Cristian Bale, Richard Gere, Heath Ledger (que Deus o tenha!) até chegar na inacreditável Cate Blanchett, talvez a mais parecida com Bob Dylan por mais incrível que seja. Mas não é de hoje que o cinema retrata os seus astros na tela e aqui vão "algumas" dicas de bons filmes baseados em suas vidas.

A cantora Tina Turner já teve sua vida retratada em um filme de 1993 no filme Tina (What's Love Got to Do It), do diretor Brian Gibson. Retratada pela atriz Angela Basset, que ganhou o globo de ouro de melhor atriz pelo papel, Tina foi retratada desde a infância pobre até a vida conturbada ao lado de Ike Turner (Laurence Fishburne). Ray Charles, um dos maiores nomes do jazz americano ganhou performance quase sobrenatural pelo diretor Taylor Hackford em 2004. Ray foi protagonizado pelo ator Jamie Foxx, que ganhou o Oscar de melhor ator pelo papel. Foxx foi aprovado até mesmo pelo próprio Ray Charles, que acompanhou de perto as filmagens, mas não conseguiu ver a obra pronta.

Outra performance quase espírita é da atriz Marion Cotillard na pele de Edith Piaf no francês Piaf - Um Hino ao Amor (La Vie En Rose / La Môme). Como a cantora que encantou Paris com sua voz, é impossível não se deixar levar pela atuação de Marion. Piaf passou por inúmeras tragédias desde a infância e mesmo depois de famosa. O filme foi aclamado em vários países, e Marion Cotillard levou o Oscar desse ano.

Saindo do erudito de Piaf e indo para o mundo de Johnny Cash, interpretado pelo ator Joaquim Phoenix em 2005 no filme Johny & June (Walk the Line). Ao lado de sua companheira June Carter (Reese Witherspoon, oscar), o filme mostra toda a carreira do cantor nos Estados Unidos e ainda embala o espectador na música "I Walk the Line", ícone de Cash.

Entrando no campo das bandas de sucesso, estão os Beatles, que tiveram uma versão americana de suas carreiras no filme The Wonders (That Thing You Do!), dirigido por ninguém menos do que Tom Hanks. Apesar de não ser uma biografia oficial (os meninos da banda The Wonders nem são ingleses) o filme retrata através da banda alguns dos percalços pelos quais os meninos de Liverpool chegaram a passar, desde o sucesso estrondoso até as desavenças internas. Outra "cinebiografia não-oficial" é o fime Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho, que seria uma adaptação da carreira do grupo americano The Supremes para a Broadway. A cantora Deena Jones (Beyoncé Knowles) estaria representando a carreira e a vida de Diana Ross, mas nem as Supremes nem os organizadores assumem se é ou não um retrato da banda.

O Brasil também produz suas biografias musicais. O mais badalado deles é sem dúvida 2 Filhos de Francisco, retraro fidedigno da vida dos cantores Zezé Di Camargo e Luciano. Dirigido por Breno Silveira, o filme foi o grande sucesso brasileiro de público e crítica em 2005, mostrando não a dupla sertaneja, mas a vida dura de Francisco e sua obstinação para dar uma vida digna aos filhos e fazer deles cantores de sucesso. Outra grande surpresa foi a atuação magnífica que Daniel de Oliveira fez para Cazuza - O Tempo não Pára, interpretando o maior ícone musical dos anos 80. E não podemos deixar de lado o filme Noel - o Poeta da Vila , que retrata a vida do magnífico Noel Rosa.

Entre outros ainda há retratos de Cole Porter (De-Lovely: Vida e Amores de Cole Porter), Madonna (Quem é Essa Garota?) e Selena (Jennifer Lopez, lembra?). E Hollywood ainda promete mais. Vem por aí as películas com as vidas e obras da cantora Mercedes Sosa, dos cantores Iggy Pop e David Bowie, da banda Queen e do imortal John Lennon.O ícone do tango Carlos Gardel também pode ser adaptado para as telas. No Brasil, ainda está previsto o filme sobre Renato Russo e uma cogitação sobre um dos Paralamas do Sucesso.

terça-feira, 25 de março de 2008

20 anos; 20 filmes

As pessoas sempre me perguntam qual foi o filme que eu mais gostei,ou qual é o melhor, só porque eu sou cinéfilo. Aí eu digo que tem vários e todo mundo sempre vem com aquela: "ah, mas escolhe um!" Aí eu escolho Sociedade dos Poetas Mortos e todo mundo me solta uma tipo: "ai, esse filme ruim?" A verdade é que não há pra mim um melhor. Eu gosto é de cinema, e tem uma infinidade de filmes que eu amo, por razões diferentes. Eu amo O Senhor dos Anéis por sua técnica e pelos efeitos; aí vem 21 Gramas porque eu adoro a Naomi Watts; Harry Potter entra na lista porque foi o primeiro filme que eu vi sozinho no cinema, o que começou essa paixão toda. Pra mim não há um filme só, há vários. Então resolvi criar essa lista, com 20 filmes que representaram alguma coisa pra mim, e definitivamente acabar com o estigma de que só um flme é o melhor. Vale lembrar que, à exceção de Sociedade dos Poetas Mortos ,os outros não seguem uma ordem específica de classificação.

1. Sociedade dos Poetas Mortos
(Dead Poets Society) De Peter Weir. Com Robin Williams e Ethan Hawke.

Robin Williams é um grande comediante, mas é nesse filme que na minha opinião ele entrega seu melhor papel. O filme ensina o que muitas pessoas às vezes despreza: ensina a pensar, a ter opinião própria. Apesar de se tornarem seguidores do professor, os jovens alunos conseguiram entender a lição, que mudaria definitivamente as suas vidas. As poesias nunca foram o meu forte, mas é através delas que o filme se desenrola. Como o filme sinaliza: Carpe Diem (Aproveite o dia). Mas não só o dia. Todos os outros que se seguem também.



2.Os Infiltrados
(The Departed) De Martin Scorsese. Com Leonardo Di Caprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Whalberg, Alec Baldwin.

Oscar de Melhor Filme de 2006, Os Infiltrados enxerga através dos olhos da máfia. Até que ponto ela se encaixa no conceito de família e até que ponto é permitido ter vontade própria? Enxerga também através dos olhos da polícia. Podia ser o Tropa de Elite americano. Martin Scorsese costura todas as pontas e trabalha essencialmente com as emoções que envolvem esse "mundo dos negócios" e ainda entrega um dos melhores mafiosos de todos os tempos no cinema, Frank Costello (Jack Nicholson). Destaque para a drama pessoal de Billy Costigan (Leo Di Caprio), infiltrado do FBI na máfia, que é absolutamente o oposto de Collin Sullivan (Matt Damon), infiltrado da máfia no FBI. Final surpreendente e intrigante.



3.Clube da Luta
(Fight Club) De David Fincher. Com Edward Norton, Brad Pitt e Helena Bonham Carter.

Considerado o retrato mais completo da subversão, Clube da Luta foi o filme que me trouxe de vez para o mundo cinéfilo, que me colocou cara a cara com as pessoas que eu estava lidando. Depois de uma árdua discussão sobre o filme, num fórum do orkut, foi que eu realmente decidi que era isso que eu ia ser para o resto da vida: cinéfilo. Claro que o filme é ótimo e super original, e diz muito sobre as faces escondidas das pessoas. E pensar que quando eu vi o filme pela primeira vez eu nem sabia o que era subversivo...



4.21 Gramas
(21 Grams) De Alejándro González Iñarritú. Com Sean Penn, Benício Del Toro e Naomi Watts.

Foi com esse filme que eu me apaixonei definitivamente por Naomi Watts e prometi ver qualquer coisa que ela fizer, mesmo que a carreira dela afunde. O diretor filmou três histórias que acabam se cruzando entre si, produziu um filme inteiro e depois parece que pegou a tesoura, cortou tudo, misturou, jogou pra cima e colou tudo de novo! Um dos melhores quebra-cabeças da história do cinema, 21 Gramas merece ser visto com atenção, e deve ser visto assim, ou você se perde no meio do caminho. Depois desse, veio o mega sucesso Babel, também um quebra-cabeça, onde Iñarritú se supera.



5.V de Vingança
(V for Vendetta). Dos Irmãos Wachovsky. Com Nathalie Portman e Hugo Weaving.

Foi de onde eu tirei o meu msn: V_de_vinicius...Tá, não foi só por isso, o filme é realmente brilhante, e nos mostra como é importante superar os medos e tirar as máscaras. O justiceiro V faz isso com Eve (Portman, careca),trazendo-a para uma realidade que faz parte dela mas que ela não percebe. O visual que combina Londres, o futuro e o nazismo é de impressionar. Um hino ao respeito e à igualdade, tão pregada nos últimos anos, sem falar que Nathalie Portman deve ter tido muita coragem ( e ter sido muito bem paga) para raspar a cabeça.



6. Pequena Miss Sunshine
(Little Miss Sunshine) De Johnathan Dayton e Valerie Faris. Com Greg Kinnear, Toni Collette, Steve Carrel, Paul Dano, Alan Arkin e Abigail Breslin.

Precisa dizer? Olive rules! É impossível não se encantar (por que não dizer, se indentificar) com a história dessa família que tem tudo pra dar errado. O que impressiona mais é que tudo dá errado mesmo! Mas, fala a verdade, não já aconteceu o mesmo com você? E quando tudo parece perdido, é a pequena miss sunshine Olive que traz de volta a esperança da família, que se convence de que não poderia ser melhor se fosse diferente.



7.Tropa de Elite
De José Padilha. Com Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira, Fernanda Machado, Milhem Cortaz.

Simplesmente, o filme de maior sucesso no Brasil em anos. Confesso que não sou tão fã do cinema nacional como gostaria, mas a grande maioria dos filmes parecem episódios em tela grande de telenovelas ou de programas de humor. Quando a originalidade bate a porta, é hora de a crítica aplaudir. O que aconteceu dessa vez foi que tanto crítica quanto público aplaudiram esse que foi chamado até de "facista" no exterior. Depois do incrível documentário Ônibus 174, José Padilha revelou um filme brilhante, que mostra mais do Rio de Janeiro do que qualquer outro filme. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2008. Oscar?



8.Juno
(Juno) De Jason Reitman. Com Ellen Page, Jenniffer Garner, Michael Cera, J.K. Simmons.

Por que nunca vimos um filme como Juno antes??? O que a torna tão próxima de nós é o fato de ela não se encaixar em tipo nenhum. Ela é a garota normal. E é justamente essa falta de estereótipos que me fez gostar mais de Juno. Eu não sei se eu me encaixo em algum estereótipo, mas se ele existe, por favor, você que me conhece, me diga. Juno é a garota que todo mundo gostaria de conhecer no colégio, mas preferia não dizer porque tinham outras mais bonitas, ou mais gostosas, ou mais inteligentes, ou mais qualquer coisa. Quando ela fica grávida e se vê diante de uma situação completamente fora de sua rotina normal, suas escolhas provam de que ela é somente uma adolescente e que ainda não está pronta para encarar o mundo real. Podia ser mais fofo????

9.A Ilha
(The Island) De Michael Bay. Com Ewan McGregor, Scarlett Johanson, Michael Clark Duncan, Steve Buscemi.

Se você já viu A Ilha, deve estar pensando, porque está nessa lista? Porque A Ilha estaria em qualquer lista??? Acredite você ou não, muitos dizem que este filme é ruim, além de não ter tido muito sucesso de bilheteria. Mas A Ilha é o filme de ação que eu mais gostei até hoje. E olha que estamos falando de Michael Bay, o homem que deu vida a Transformers! Então não é de pouca ação que estamos falando. Nesse misto de ação, romance e ficção científica, um contingente de humanos estão confinados como sobreviventes de um desastre que destruiu a Terra e a tornou inabitável. Vivendo sob um regime rígido, a cada semana os sobreviventes concorrem em uma loteria que os leva numa viagem para "a Ilha", único recanto da Terra que ainda pode ser habitado. Uma chance de liberdade para os confinados, até que um deles percebe que alguma coisa de estranho há nisso tudo. Faça um favor a si mesmo: se quiser diversão, nada mais, veja esse filme.


10.Harry Potter e a Pedra Filosofal
(Harry Potter and the Philosopher Stone) De Chris Columbus. Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Richard Harris, Alan Rickman, Maggie Smith, Tom Felton.

O primeiro filme a gente nunca esquece. Antes desse, eu só tinha ido ao cinema três vezes (aos 2 anos de idade pra ver Olha Quem Está Falando, aos 6 pra ver O Rei Leão e aos 10 pra ver Titanic). Harry Potter não foi apenas o primeiro filme que eu vi sozinho, foi o que começou toda essa epopéia através dos filmes e me iniciou no mundo fantástico do bruxinho. A Pedra Filosofal pode não ser o melhor filme da série, mas com certeza foi o que envolveu mais magia em torno do seu lançamento. A série está acabando, faltam dois (ou três) filmes pra terminar. O final a gente já sabe. Mas é sempre bom relembrar do começo.



11.Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
(Harry Potter and the Prisoner of Azkaban) De Alfonso Cuarón. Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Gary Oldman, Timothy Spall, Maggie Smith, Alan Rickman, Michael Gambon.

Outro Harry Potter? Eu podia colocar os cinco filmes da série aqui. Mas é quase uma unanimidade entre todos que O Prisioneiro de Azkaban é o melhor filme da série. Alfonso Cuarón não só conseguiu dar continuidade no mundo bruxo sem perder o foco dos outros filmes, como retratou a melhor fase de Harry Potter nos livros: a passagem da infância para a adolescência. Pela primeira vez Harry sente a falta dos pais de verdade e encara o mundo dessa forma. Isso fica claro na parte em que ele não pode ir a Hogsmeade porque os responsáveis não assinaram a permissão. Some-se a isso ser "o menino que sobreviveu" e ter um assassino louco atrás de você e o que se tem é uma explosão de emoções que provam que os bruxos são tão humanos quanto nós, trouxas.


12.Cantando na Chuva
(Singin' in the Rain) De Gene Kelly e Stanley Donen. Com Gene Kelly, Donald O'Connor, Debby Reynolds, Jean Hagen.

O musical dos musicais. Uma das melhores metalinguagens do cinema sobre o cinema. Astros do cinema mudo, Don Lockwood e Lina Lamont vêem suas carreiras ameaçadas quando a "moda" dos filmes falados prova que não é só mais uma moda. A solução é Don e Lina começarem a falar em seus filmes, o que se torna uma tarefa mais difícil do que parece. Com cenas e músicas antológicas do cinema, Cantando na Chuva passou por incríveis percalços pra ficar pronto mas valeu a pena. E a voz estridente de Lina Lamont dá vontade de você prender ela numa gaiola pra ficar cutucando com um espeto...



13.Bonequinha de Luxo
(Breakfast at Tiffany's) De Blake Edwards. Com Audrey Hepburn, George Peppard, Patricia Neal.

Audrey Hepburn virou símbolo depois desse filme. Ela já era uma atriz conceituada antes mas foi Bonequinha de Luxo que a transformou em diva. E é na primeiríssima cena que você se apaixona por Holy Golightly,a acompanhante de luxo, quando ela desce do táxi no vestido preto icônico, com uma tiara na cabeça, para em frente a joalheria Tiffany & Co. e...toma café! Assim, naturalmente. Ao longo do filme, as situações mais improvaveis envolvem a personagem, desde uma festona no seu micro-apartamento até ser presa injustamente. Sem falar na canção "Moonriver", que embala o filme todo. É simples, mas diz tudo.


14.O diabo veste Prada
(The devil Wears Prada) De David Frankel. Com Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci.

Talvez se não tivesse a Miranda Priestly de Meryl Streep, esse filme podia ser um simples filme sobre moda. Mas é em torno da editora-chefe da Runway que tudo se desenrola. Mesmo quando algumas cenas parecem se tratar da vida de Andy Sachs (Hattaway), elas são, na verdade, sobre Miranda. Claro que isso tudo é só uma brincadeira. O diabo veste Prada é um dos melhores filmes, tanto sobre moda, quanto sobre jornalismo de moda, ainda sobre relações de sobrevivência no trabalho e competição. Até onde as pessoas vão por ambição? É, dá pra levantar questões filosóficas entre uma bota Chanel aqui ou ali.Uma história divertida, leve e bonita de se ver. Vale lembrar que esse filme é baseado numa história real.


15. O Talentoso Ripley
(The Talented Mr. Ripley) De Anthony Minghella. Com Matt Damon, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett, Phillppe Seymour Hoffman.

É incrível como Matt Damon se revela nesse filme. Há uma relação profunda entre Tom Ripley e "Dick", o canastrão interpretado por Jude Law. De verdade, faltam palavras pra descrever esse longa brilhante sobre falsificação, troca de identidades e relações de poder. Ninguém chega a ser totalmente capaz de acreditar nas coisas que Ripley faz pra se dar bem e o final chega a ser incrivelmente surpreendente. Vale a pena de verdade ver, nem que seja só uma vez. Teve uma sequência e um prelúdio (O Retorno do Talentoso Ripley e Ripley-No Limite), mas nenhuma chegou aos pés desse filme.



16. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
(Le Fabuleux Destin D'Amélie Poulain/ Amélie) De Jean-Pierre Jeunet. Com Audrey Tatou, Mathieu Kassovitz.

Toda mulher tem um pouco de Amélie. Essa expressão é clássica para quem gosta do filme. O que é verdade sobre Amélie? O que é mentira sobre Amélie? Ela gosta das coisas simples da vida e não vá me dizer que você mesmo não se imagina fazendo as coisas que ela faz. O que falta na maioria dos seres humanos sobra em Amélie Poulain, a vontade de ajudar os outros sob recompensa de fazer bem a si mesma. E quando ela mesma se depara com o amor, fica absolutamente desnorteada. Sabe, esse filme é mais importante pra mim do que eu realmente imagino...e eu até que sei disso...só gostaria que mais alguém soubesse também.


17. A Paixão de Cristo
(The Passion of Christ) De Mel Gibson. Com Jim Caviezel, Monica Belucci.

Quando Mel Gibson saiu com esse filme da manga, o mundo entrou em choque. Quer dizer, as pessoas sabem que Jesus morreu na cruz por elas, mas isso nunca foi "visualizado" com clareza. Nem mesmo no aclamado (e respeitadíssimo por mim) Jesus de Nazaré, de Franco Zefirelli. O choque de ver o maior personagem da história da humanidade se transformou em sentimento de culpa por ter deixado uma coisa dessas acontecer. Mais do que barulho, Gibson fez com que muitos repensassem a forma de encarar o sofrimento de Cristo, mesmo que o que tenha sido retratado na tela grande não tenha representado 1/4 da realidade, ao meu ver.



18. Procurando Nemo
(Finding Nemo) De Andrew Stanton. Nas vozes de Eric Bana, Ellen De Generes e Willem Dafoe.

De todos os filmes de animação digital produzido recentemente, talvez Shrek 2 tenha sido o melhor em entretenimento e Ratatouille, o mais profundo em roteiro. Mas Procurando Nemo é o filme definitivo da Pixar! As representações do oceano ficaram tão reais que a Pixar exigiu que os efeitos ficassem um pouco mais "animados"! Mesmo assim, dá pra perceber por aí o quanto a computação gráfica avançou. Dá pra perceber também que dá pra fazer um grande filme, com texto profundo numa animação digital. Sem falar que não dá pra nao se apaixonar por Marlin, Dori, Nemo e companhia subaquática.


19. O Grande Truque
(The Prestige) De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Hugh Jackman, Scarlett Johanson, Michael Caine, David Bowie.

Filmes com final-reviravolta sempre são legais. Mas o que atrai nesse filme é a personalidade dos mágicos protagonistas e como a mágica era levada a sério por mágicos lendários como o Grande Houdini. É essa magia que é levada às telas, e o espectador não tem muita certeza do que acontece até o final. Quem é o vilão? Quem é o bandido? Christopher Nolan traz a mesma aura de Batman Begins (incluindo o Batman) mas com um toque a mais de charme. E coloca Christian Bale e Hugh Jackman longe dos estigmas dos personagens de Batman e Wolverine.



20. O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
(The Lord of The Rings: The Return of the King) De Peter Jackson. Com Viggo Mortensen, Liv Tyler, Elijah Wood, Ian MacKellen, Orlando Bloom, Sean Astin, Cate Blanchett, Miranda Otto, Hugo Weaving...

Esse filme representa a trilogia inteira. A Sociedade do Anel é muito bom, As Duas Torres foi mais um complemento do que um filme único, mas O Retorno do Rei é definitivo. Uma pena que nós brasileiros não tivemos a cultura de ler esse livro na escola como os americanos, porque esses sim, puderam ver na tela uma obra mais fantástica do que qualquer outra. Esse é talvez o filme mais espetacular de todos os tempos, o épico definitivo, e outros tantos adjetivos que não cabem aqui. A trilogia inteira veio na hora certa, nas mãos do diretor certo. Que venha O Hobbit!





Faltam vários outros filmes, como O Chamado, 300, Dreamgirls, Sobre Meninos e Lobos, Os Sonhadores, Mera Coincidência, O Garoto, Sete Noivas Para Sete Irmãos, Um Sonho de Liberdade (hey, little kid!) e lá vai fumaça. Mas os filmes que nos marcam a gente leva pra vida toda. Ás vezes é bom se refugiar nesse mundo e escapar um pouco do mundo real, mas eles também nos lembram quão real é o nosso mundo.

sábado, 1 de março de 2008

A Vida em Preto e Branco - Persepolis


Persepolis (França, 2007).
De Marjani Satrapi e Vincent Parronoud.


Persepolis podia ser filmado em Live-action, como um drama adulto pelas mãos de Martin Scorsese. Foi até congitada uma versão com Brad Pitt (!!!). Poderia ter sido feito em animação 3D pela Pixar de Brad Bird. Podia ser um musical, podia ser feito por Tim Burton, podia até ser mais colorido. Mas aí não seria Persepolis. A beleza da obra adaptada do livro autobiográfico de Marjani Satrapi é exatamente ser do jeito que é, em preto-e-branco, em 2D, em francês.

O filme narra a história da própria Marjani Satrapi, uma menina iraniana que sempre se meteu a saber de tudo. Marji, como é chamada, vê o Irã como somente uma criança poderia ver e acompanha a guerra do seu país com naturalidade e emoção. Quando cresce, se muda para a Áustria para fugir da guerra e lá aprende sobre a vida, sobre como é o mundo e descobre que nada é melhor do que o lar. Persepolis poderia ser uma mistura de Juno com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, como uma dose grande de ousadia, ironia e emoção. Marjani Satrapi teve muito cuidado na hora de escolher como sua história seria adaptada para as telonas e acertou em cheio. Persepolis é tão bom, mas tão bom, que foi escolhido representante oficial da França para concorrer ao oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Não rolou, mas também as escolhas da academia foram bem estranhas pra essa categoria (ignorar 4 meses, 3 semanas e 2 dias foi um crime!). Persepolis também não foi escolhido como melhor animação, sendo preterido por Ratatouille. Mas e daí? A leveza da história da pequena Marji até a Marji adulta é de envolver qualquer um. Inclusive quem gostou de Juno. Virou animação obrigatória da temporada para cinéfilos e prova que as animações estão cada vez mais adultas (vide o próprio Ratatouille e outros desenhos como As Bicicletas de Belleville e A Lenda de Beowulf). Animação, sim. Infantil? Nem a sombra!

Nota: 9,5

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Senhores do Crime

Eastern Promises
(EUA, Inglaterra 2007). De David Cronemberg. Com Viggo Mortensen, Naomi Watts, Vincent Cassel.

O diretor David Cronemberg entrega esta que é uma obra com traços de sua autenticidade. Logo nas primeiras cenas seu estilo se predomina, quando um pescoço é cortado com uma navalha a sangue frio. Nesta obra, Cronenberg se infiltra na máfia russa instaurada em Londres e revela traços presentes em outros filmes de máfia, como o Poderoso Chefão, com a família em primeiro lugar. O que é de se estranhar é que a história se concentra muito em lugar nenhum e se desfecha da mesma forma que começou. O longa também é sobre até onde os homens vão para conseguirem o que querem,tema já visto esse ano em Onde os Fracos Não tem Vez e Sangue Negro, mas diferentemente desses, não consegue muito atrativo. Naomi Watts tem seu brilho apagado, apesar do envolvimento de seu personagem com o filme. Ela interpreta Anna, uma enfermeira descendente de russos que se envolve com uma prostituta que dá a luz em seu plantão e morre em seguida. Anna segue as pistas da família da moça através do diário dela, que a leva até um restaurante onde a máfia russa se disfarça. Mas nada tira o destaque de Viggo Mortensen. Seu personagem diz tanto quanto uma tela branca, e o ator te deixa a vontade para tirar as conclusões. Ele interpreta o motorista da família, que se destaca e consegue ser mais do que isso. Mortensen se entrega na pele de Nikolai, e seu sotaque russo não decepciona, pelo contrário, envolve mais. Fora isso, o final cai no óbvio e afasta Senhores do Crime da sua obra-irmã, Marcas da Violência, grande destque de Cronenberg, também com Viggo Mortensen. Vincent Cassel também tem ótima atuação, mas tem um gênero absolutamente discutível... Uma obra pra ser apreciada sem esperar muito (apesar de eu ter prometido ver qualquer coisa que Naomi Watts fizer), mas que vale cada centavo do ingresso.

Nota:8,0

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Depois do Oscar... O Framboesa de Ouro!! Divulgados os piores filmes de 2007!


Numa disputa acirradíssima (!!!!!) assim como no Oscar, foram divulgados os piores filmes de 2007 vencedores do prêmio Framboesa de Ouro, entregue um dia antes do Oscar. Na categoria principal, pior filme, ganhou Eu Sei Quem Me Matou, terrorzinho mixuruca com Lindsay Lohan interpretando sósias. Eu Sei Quem Me Matou foi o grande destaque da noite, levando quase todos os prêmios a que concorria. Eddie Murphy também foi agraciado por sua performance em Norbit, que graças ao bom Deus não levou o Oscar a que foi indicado.

Confira a lista completa dos indicados e os vencedores (ou perdedores?) em negrito.

PIOR FILME

Eu Sei Quem me Matou
Bratz
Acampamento do Papai
Eu os Declaro Marido e... Larry!
Norbit

PIOR ATOR

Eddie Murphy (Norbit)
Nicolas Cage (Motoqueiro Fantasma, A Lenda do Tesouro Perdido: O Livro dos Segredos e O Vidente)
Jim Carrey (Número 23)
Cuba Gooding, Jr. (Acampamento do Papai e Norbit)
Adam Sandler (Eu os Declaro Marido e... Larry!)

PIOR ATRIZ

Lindsay Lohan como Dakota (Eu Sei Quem me Matou)
Jessica Alba (Awake, Quarteto Fantástico 2 e Maldita Sorte)
Logan Browning, Janel Parrish, Nathalia Ramos & Skyler Shaye (Bratz)
Elisha Cuthbert (Captivity)
Diane Keaton (Minha Mãe Quer Que Eu Case)
Lindsay Lohan como Aubrey (Eu Sei Quem Me Matou)

PIOR ATOR COADJUVANTE

Eddie Murphy como Sr. Wong (Norbit)
Orlando Bloom (Piratas do Caribe)
Kevin James (Eu os Declaro Marido e... Larry!)
Rob Schneider (Eu os Declaro Marido e... Larry!)
Jon Voight (Bratz, A Lenda do Tesouro Perdido: O Livro dos Segredos, September Dawn e Transformers)

PIOR ATRIZ COADJUVANTE

Eddie Murphy como Rasputia (Norbit)
Jessica Biel (Eu os Declaro Marido e... Larry! e O Vidente)
Carmen Electra (Deu a Louca em Hollywood)
Julia Ormond (Eu Sei Quem me Matou)
Nicolette Sheridan (Operação Limpeza)

PIOR PAR

Lindsay Lohan & Lindsay Lohan (Eu Sei Quem me Matou)
Jessica Alba & Hayden Christensen (Awake) ou Dane Cook (Maldita Sorte) ou Ioan Gruffudd (Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado)
Qualquer combinação de dois personagens descerebrados (Bratz)
Eddie Murphy & Eddie Murphy (Norbit)
Adam Sandler & Kevin James ou Jessica Biel (Eu os Declaro Marido e... Larry!)

PIOR REFILMAGEM OU PARÓDIA

Eu Sei Quem me Matou (Paródia de Hostel, Jogos Mortais e The Patty Duke Show - comédia familiar de 1963)
Uma Casa de Pernas Para o Ar (Refilmagem/Paródia de Lar, Meu Tormento, de 1948)
Bratz (Uma paródia de si mesmo!)
Deu a Louca em Hollywood (Paródia de todos os filmes que parodia)
Who's Your Caddy? (Paródia de Clube dos Pilantras)

PIOR PRELÚDIO OU SEQÜÊNCIA

Acampamento do Papai
Aliens Vs Predador 2
A Volta do Todo Poderoso
Hannibal - A Origem do Mal
O Albergue: Parte II

PIOR DIRETOR

Chris Siverston (Eu Sei Quem me Matou)
Dennis Dugan (Eu os Declaro Marido e... Larry!)
Roland Joffe (Captivity)
Brian Robbins (Norbit)
Fred Savage (Acampamento do Papai)

PIOR ROTEIRO

Eu Sei Quem me Matou (escrito por Jeffrey Hammond)
Acampamento do Papai (Roteiro de Geoff Rodkey e David J. Stem & David N. Weiss)
Deu a Louca em Hollywood (escrito por Jason Friedberg & Aaron Seltzer)
Eu os Declaro Marido e... Larry! (escrito por Barry Fanaro e Alexander Payne & Jim Taylor)
Norbit (roteiro de Eddie Murphy & Charles Murphy e Jay Sherick & David Ronn)

PIOR DESCULPA PARA UM FILME DE TERROR

Eu Sei Quem me Matou
Aliens Vs Predador 2
Captivity
Hannibal - A Origem do Mal
O Albergue: Parte II

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Noite mais aguardada do ano... pra mim. Oscar 2008.

Numa noite recheada de emoções e surpresas, a festa do Oscar na noite deste domingo relembrou os 80 anos de entregas de prêmios aos melhores filmes. Marcaram presença na festa Jessica Alba, Jennifer Garner, Seth Rogen, Colin Farrel, Nicole Kidman, Martin Scorsese, Hillary Swank, John Travolta, Tom Hanks e Jack Nicholson, entre outros. Estava lá ainda Miley Cyrus - a Hannah Montana - fazendo-se o quê, não se sabe, mas ela apresentou uma das canções do filme Encantada.
Por falar em Encantada, que concorria com três canções na categoria de Canção Original, não levou nenhum prêmio, apesar das coreografias inspiradas no filme (uma em que a própria Amy Adams cantou a canção "Happy Working Song"). Os louros de melhor canção ficou para o filme irlandês Once, com a canção "Falling Slowly". A dupla vencedora Glen Hansard e Marketa Irglova discursou emocionada sobre a honra de estar numa festa como aquela.


Os prêmios técnicos foram divididos entre vários filmes, à exceção de O Ultimato Bourne, que levou 3 Oscars pra casa, Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som, deixando pra trás o até então favorito para os prêmios tecnicos, Transformers. O filme dos robôs alienígenas perdeu ainda o prêmio de Efeitos Visuais, onde é mestre praticamente, para A Bússola de Ouro. Tudo bem que eu também não gostei de Transformers, mas a apuração técnica é inegável. Enfim, a academia é famosa por injustiças (ou nesse caso, foi feito justiça mesmo?).Já para Figurino, Elizabeth-A Era de Ouro faturou a estatuetadeixando para trás Across the Universe e Sweeney Todd, que levou o prêmio de Direção de Arte. Piaf-Um Hino ao Amor ganhou o Oscar de Maquiagem, pela caracterização de Marion Cotillard em Edith Piaf.


Piaf-Um Hino ao Amor ainda levou um dos prêmios principais da noite, nesse caso para Maion Cotillard, como melhor Atriz do ano. Marion interpreta Edith Piaf de uma forma assombrosa de arrepiar a espinha até de quem nunca ouviu mais do que "La Vie en Rose" de Edith Piaf. A atriz recebeu o Oscar das mãos de Forest Withaker, e, emocionada, agradeceu a honra máxima do cinema absolutamente surpresa - a até então favorita era Julie Christie, apesar de esta ser uma das categorias mais apertadas.

Outra surpresa de abocanhar a todos foi a entrega do prêmio de atriz coadjuvante para Tilda Swinton, por Conduta de Risco. Não que Tilda não tenha merecido, mas o mundo inteiro já tinha se rendido ao Bob Dylan de Cate Blanchett em Não Estou Lá. Cate, que foi indicada duas vezes esse ano, não levou nenhuma das duas pra casa, mas vibrou muito com a premiação tanto de Tilda Swinton, quanto de Marion Cotillard.


Ratatouille confirmou o favoritismo como longa de animação, vencendo o francês Persepolis. O outrora favoritão da noite, o inglês Desejo e Reparação teve de se contentar com o prêmio de Trilha Sonora para Dario Marianelli (apesar de eu preferir O Caçador de Pipas, humpf!). E a garota mais querida de Hollywood, Juno, fez Diablo Cody sair aos prantos do palco, ao receber o prêmio de Roteiro Original, e Ellen Page ser ovacionada ao ter seu nome anunciado.




Sangue Negro deixou uma dúvida no ar: será que o filme é bom mesmo ou você se encantou demais por daniel Dae-Lewis? Palavras de José Wilker (que eu faço questão de registrar a minha antipatia), mas sou obrigado a concordar. O longa de Paul Thomas Anderson levou o oscar de Fotografia e, claro, o prêmio de melhor ator para Daniel Dae-Lewis, com o seu enigmático Daniel Plainview. Ele recebeu seu oscar das mãos de Hellen Mirren, que ganhou ano passado por A Rainha. Daniel, se curvou e foi "condecorado" no palco por Hellen.



Mas não teve jeito. A noite foi deles. Os irmãos Joel e Ethan Coen roubaram a noite arrasando no palco do Kodak Theather com os concorrentes nas categorias principais. Os Coen levaram o prêmio de Roteiro Adaptado e Direção. Não satisfeitos, aind afaturaram a estatueta de Melhor Filme. Onde os Fracos Não tem Vez arrebatou platéias do mundo todo com a história não dos personagens reais, mas de uma personagem abstrata,a violência desencabida que habita cada um de nós secretamente, que foi personificada com Javier Bardem, que obviamente levou o prêmio de ator coadjuvante por seu impressionante Anton Chigurg.



No mais, foi entregue um prêmio honorário a Robert Boyle, diretor de arte há mais de 50 anos, o prêmio de filme estrangeiro foi para a Áustria por The Counterfeiters, soldados americanos no Oriente Médio apresentaram a categoria de melhor Documentário em Curta Metragem, e Michael Moore voltou pra casa chupando o dedo, porque não levou o prêmio de Documentário em Longa Metragem, por SOS Saúde (quem levou foi o favorito Taxi to the dark Side). E ainda teve as piadas impagáveis de John Stuart, o anfitrião da noite. Noite que aliás, vai entrar pra história do Oscar, como uma das premiações mais surpreendentes desses 80 anos de Oscar. Após um ano muito conturbado na indústria do cinema, essa festa foi o sinal de que bons tempos no mundo dos filmes irão chegar.

Filme - Onde Os Fracos Nâo Tem Vez
Direção - Joel e Ethan Coen(Onde os Fracos Não tem Vez)
Ator - Daniel Dae-Lewis (Sangue Negro)
Atriz - Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor)
Ator Coadjuvante - Javier Bardem (Onde os Fracos Não tem Vez)
Atriz Coadjuvante - Tilda Swinton (Conduta de Risco)
Roteiro Original - Juno
Roteiro Adaptado - Onde os Fracos Não tem Vez
Animação - Ratatouille
Figurino - Elizabeth-A Era de Ouro
Maquiagem - Piaf-Um Hino ao Amor
Direção de Arte- Sweeney Todd
Montagem - O Ultimato Bourne
Edição de Som - O Ultimato Bourne
Mixagem de Som - O Ultimato Bourne
Efeitos visuais - A Bússola de Ouro
Canção - "Falling Slowly" (Once)
Trilha Sonora - Desejo e Reparação
Fotografia- Sangue Negro
Filme Estrangeiro - The Counterfeiters
Documentário - Taxi to the Dark Side

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Petróooooleo! Sangue Negro.



There Will Be Blood
(EUA, 2007)
De Paul Thomas Anderson. Com Daniel Dae-Lewis, Paul Dano, Dillon Frasier.

Estamos novamente no palácio do cinema no Rio de janeiro: O Odeon. O que mais me atrai lá não é o cinema em si, mas saber que lá, a cultura é realmente valorizada. As pessoas que foram assistir a Sangue Negro ontem comigo foram pelo filme. Certamente, a grande maioria sabia do que o filme se tratava, que ele é um dos favoritos ao Oscar desse ano, e com certeza conhecem Paul Thomas Anderson e Daniel Dae-Lewis. Lá não é um lugar comum. É o meu terreno. Não é como nos cinemas comerciais (que também adoro, que me perdoem UCI e Cinemark!), onde as pessoas menos dotadas de cultura escolhem um filme porque é o único passando (Vide o que escrevi aí embaixo sobre Sweeney Todd). Lá querem ver Sangue Negro de verdade, e não porque sugere que haverá matanças sangrentas. Ainda que tenha mesmo.

Sangue Negro nos entrega desde seus primeiros minutos de exibição a sua proposta: é a briga pelo petróleo na virada para o século XX. Como os homens são capazes de se transformar pelo poder e pela riqueza. O diretor faz um longa extremamente inteligente, ode conquista os espectadores pela curiosidade sobre o caráter duvidoso de Daniel Plainview. A princípio, todos se simpatizam com ele, pela sua história de vida e como cresceu na indústria do petróleo pelos seus próprios méritos. Uma tragédia no início do filme o liga a uma criança, que se torna companheira inseparável de Plainview. Daniel Dae-Lewis está na sua melhor forma e entrega aos poucos várias faces de Daniel Plainview para que todas elas se montem como em um quebra-cabeças no final. Ele revela seu Plainview como um homem de princípios, que preza, sobretudo, a família. Ao longo do filme Daniel Plainview se mostra ganancioso e vil, mas ainda assim não consegue causar antipatia no público, que chega a entender e apoiar seus atos. E ainda há o jovem pastor interpretado por Paul Dano (Pequena Miss Sunshine). Seu Eli Sunday é tão ganancioso quanto o próprio Plainview, mas usa a religião para encobrir seus objetivos. As cenas de exorcismo no filme praticadas por Eli são a prova de que Paul Dano é um dos maiores nomes da nova geração de Hollywood que não se entrega totalmente a filmes comerciais (como Shia La Beouf ,por exemplo)

Com uma trilha sonora maravilhosa, e um roteiro que se desenrola naturalmente, sem enrolações com o público, e um ápice no final que revela todas as características de Daniel Plainview que ficaram obscuras ao longo do filme, Paul Thomas Anderson constrói filme com paisagens abertas e dá o tom certo de entretenimento, para que o filme não caia na mesmice. Baseado no livro "Oil!", de Upton Sinclair, provavelmente deve levar o Oscar de Roteiro. Dae-Lewis também deve levar o seu pra casa nesse domingo, que me desculpem Johnny Depp, George Clooney e Viggo Mortensen (ainda verei Eastern Promises!,). E, se bobear ainda vai continuar tendo sangue no Oscar de Melhor Filme. Votei nos irmãos Coen, mas depois de ver esse, não sei não. E ainda tem Desejo e Reparação no páreo, melhor deixar as surpresas pra domingo.

E que venha o Oscar, porque vai ter sangue.

Nota: 10