
Assistindo ao filme "Leões e Cordeiros", do diretor Robert Redford, você tem a nítida sensação de que vive numa bolha vigiada a todo instante. O filme apresenta razões boas demais para se acreditar que toda a história da atual guerra do Iraque é planejada pelos Estados Unidos com rigor de detalhes.
A história começa mostrando o ponto de vista político de pessoas distintas: uma jornalista, um senador, um professor, um estudante e dois soldados que estão em guerra no Afeganistão. O senador apresenta uma nova medida pra justificar a presença dos soldados americanos no país, alegando que no momento em que as tropas sairem de lá, todo o regime Taliban vai retornar a o Afeganistão. O papel da jornalista seria justamente ajudar a mitifcar toda a coisa.
Aí é que eu me pergunto, na função de futuro jornalista: Esse é realmente o papel da mídia? Fazer as pessoas acreditarem no que não é real para justificar ações governamentais? Falando assim parece que o filme é de uma alta conspiração política, mas reflete simplesmente os aspectos mais radicais da sociedade. A jornalista Janine Roth (Meryl Streep, numa versão que nem de longe lembra a Miranda Priestly de "O Diabo Veste Prada") se vê nesse dilema. Ela deve publicar o artigo assim como ele é, pra ajudar a maquiar as transações do senador, que ela mesma ajudou a criar, ou deve seguir o seu instinto de cidadã ao querer que os filhos americanos em combate no Oriente Médio retornem para casa? Enquanto isso, no canal que Janine trabalha, um telejornal que fala mais sobre escândalos de celebridades e outras baboseiras da televisão de hoje é veiculado com alto sucesso. Cadê a credibilidade numa hora dessas?


Todas as reflexões feitas no filme podem ser completamente absurdas e extremamente ufanistas. Para os brasileiros, a guerra do Iraque nem é tão impactante no nosso cotidiano, mas é só fazer as ligações. Se os apontamentos feitos pelo filme são verdade, então as questões sobre o imperialismo americano que tanto se tem discutido podem ter um fundo de verdade também. Mas é essa a graça do cinema: nos filmes, mesmo as coisas que não fazem o menor sentido podem ser verdadeiras. O importante é pensar.

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