(EUA, 2011). De Gus Van Sant. Com Henry Hopper, Mia
Wasikowska e Ryo Kase.
Qual a melhor maneira de lidar com a morte? Na dúvida desta
pergunta, quantas as pessoas simplesmente ignoram que a morte existe,
justamente para não ter que lidar com ela? Se é difícil para adultos se
acostumarem com a ideia de morrer ou
perder um ente querido, um jovem pensar nessa possibilidade é mais inaceitável
ainda. Porque, com o tanto de vida que supostamente têm à frente para
desfrutar, não faz sentido para os jovens pensar na morte. No entanto, ela
existe. Então, qual a melhor maneira de lidar com a morte? É esse conjunto de
ideias que Gus Van Sant coloca em “Inquietos”, acrescentando uma pitada de
romance com todo o frescor de jovens e promissores atores.
Enoch é um rapaz que perdeu os pais em um acidente de carro
e não frequenta nenhuma escola. Desde o acidente, ele passou a enxergar o
fantasma de Hiroshi, um piloto japonês que morreu na Segunda Guerra Mundial.
Para passar o tempo, Enoch desenvolveu um hobby: acompanhar os velórios de
gente desconhecida e analisá-los. Em um deles, conhece Annabel, uma garota
incomum, mas que o chamou a atenção desde o princípio, justamente pela
curiosidade em saber o porquê de ele visitar os funerais. Os dois se aproximam
e Annabel revela que é uma paciente com câncer terminal. Apesar da gravidade da
situação, a garota não se abala nem um pouco e vai levando a sua vida da melhor
maneira possível. Enoch cada vez se aproxima mais da garota e tenta não deixar
que a doença o abale, mesmo que ele saiba como a história irá terminar.
Ao longo de seus trabalhos, Gus Van Sant captou a alma dos
jovens de diversas maneiras, mas sempre de maneira incomum. É muito improvável
que vejamos retratados em um de seus filmes alguns dos fãs histéricos de Justin
Bieber. Os jovens de seus filmes são maduros e, embora confusos com essa fase
de suas vidas, esperam evoluir, encontrar um sentido na vida e buscar a
felicidade, não importa o preço. Mesmo os perturbados de “Elefante”
demonstraram isso. Com Annabel e Enoch não é diferente. A forma com que os
personagens encaram a vida (e a morte) faz o espectador refletir
involuntariamente.

“Inquietos” é um filme brilhante, com excelente roteiro,
fotografia, trilha sonora e um figurino muito charmoso. Gus Van Sant acerta em
cheio mais uma vez. O diretor de “Paranoid Park” e “Gênio Indomável” mostra
mais uma vez que conhece este universo e consegue contar uma história que emana
beleza a cada quadro. Provavelmente, será um dos nomes figurando nas listas
para o Oscar em 2012.
Nota: 10
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